When You Learn to Devide
3 Angústia
Notas iniciais
Shun então deu a volta por trás da casa e entrou pela sua passagem secreta, pela corda que ele usou para subir em sua fuga. Ele voltava escalando. Quando parou lá em cima do muro (que era alto) não percebeu que tinha soltado a corda lá em cima e se jogou para descer, só que... O jovem deu um grito extenso e quando caiu no chão, o jovem desmaiou, e bem longe de ser visto. Estava atrás da casa, jogado no quintal. Desmaiado.
Enquanto isso nas ruas, Hyoga andava devagar, um tanto triste. "Estava bom demais para ser verdade." O loiro pensou desencantado. Ele estava muito cansado, se sentia fraco. Com certeza era a consequência do remédio. Ele ainda pensava o que Shun estaria pensando dele agora e como estava. "Eu poderia ter abraçado mais... Conversado mais." Ele achava que agora perderá seu... "Amigo..." Ele passara na segunda rua, e decidiu pegar um táxi. Sentia que desmaiará. Em sua viagem ele observava o local com a esperança de ver o lindo que amava. Mas sua visão duplicava as coisas lá fora, ele via estrelas! — Senhor... Pare aí, por favor! — Ele pediu com educação pagando a corrida e saindo do carro, ele estava tonto. — Onde estou? — Quando olhou ao redor, quando sua visão parecia voltar ao normal, deu conta de que ainda estava longe. Mas nem tanto. Então ele foi andando. — Era só o que me faltava. — Disse para si olhando surpreso para a pessoa que vinha. — Por Atena! Hyoga, quanto tempo! — Era Seiya. Seiya achou estranha a reação do amigo. — Agora por Zeus! Que cara horrível é essa? Isso lá é jeito de cumprimentar um amigo? Parece até que — Este foi interrompido. — É, por essa eu não esperava. Ikki veio contigo? — Perguntou curioso. Seiya cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha. — Hum... Ele veio sim. Mas foi correndo pra casa. Queria ter certeza que Shun estava bem. — Hyoga surpreso — Mas... — Parecia confuso. — Não era pra vocês chegarem ao sábado? — Hyoga questiona e Seiya parecia confuso.
— Não exatamente... Foi algo muito simples. Você está indo pra casa? — Indagou.
— Sim. E pra onde você vai? — Respondeu e questionou curioso. Seiya surpreendeu-se, parecia nervoso.
— Ah, eu?! Bem... Vou pra casa! — Falou meio bobo. Hyoga manteve a expressão de calmo enquanto pensava "Seiya não sabe nem mentir. Ele não mora por ali." — Então, tchau. — Tocou o ombro do amigo e se retirou. Seiya olhou para Hyoga até este virar a esquina e correu. Hyoga deu uma olhada de lá e assim que Seiya estava longe decidiu segui-lo. Ele estava escondendo algo com certeza. Hyoga não conseguia correr rápido, sentia-se pesado. Seguiu o amigo até a esquina onde pegara o táxi. Ele viu Seiya parar numa casa que tinha um belíssimo portão alto, frente à segunda sorveteria do local. Hyoga esperou o amigo entrar e foi espionar. Do portão (escondido do lado desses onde tinha parede) ele viu Ikki abrir a porta e falava alterado.
— Seiya! O Shun fugiu! Não o encontro! — Ele estava uma pilha de preocupação. — Calma Ikki, vamos encontrá-lo! V-vai ver ele só... — Ikki fez um gesto com a mão: — Silêncio... — Este olhava atento o arredor do jardim. Hyoga parou de espionar e esqueceu-se de ocultar sua energia cósmica. Mas não se preocupou. Hyoga estava preocupado com Shun, pois onde estará agora? Fez-se um breve silêncio até serem ouvidos barulhos de algo se arrastando pelas plantas do jardim. — Ikki!... — A voz de Shun aliviou a preocupação de Hyoga. — Shun! — Ikki exclamou correndo para ajudar o irmão que estava chorando, se arrastando na grama. Ele parecia muito mal. Seiya lamentos: — Poxa, ta abatido, hein... E todo arrebentando! — Ikki pegou o jovem no colo, e o levou para dentro, Seiya foi atrás. Daí Hyoga não viu mais nada, mas agora, descobriu a casa de Shun. Ele cerrou os punhos, incapaz de participar do momento. Queria cuidar de Shun.
Na casa dos Amamiya...
— Seiya, me passa a almofada! — Ikki pediu ajeitando o sofá para Shun, segurando de forma que ainda não deitasse, depois colocando a almofada que lhe foi dada debaixo da cabeça do irmão o ajeitando para que sentisse conforto. — Tentou fugir. Menino que adora um perigo. De santo não tem nada. — O irmão olhou o mais novo sério, ele estava chorando, como se tivesse decepcionado a si mesmo. — Onde dói? — Ikki questionou se ajoelhado perto do irmão. Ele não teve resposta. — Shun você caiu de muito alto, me responda! — Ikki quase o balançou, mas não o fez. — Ikki... Me desculpa! — Ele abraçou o irmão mais velho. Ele chorava intensamente. Seiya reparava a situação. Lembrou que vira o loiro no caminho, este mantinha sua expressão que não se dava para ler. Não tirou conclusão precipitada e nem comentou com Ikki, ele poderia virar uma fera. Ikki pediu paciência a Seiya. — Shun, pelo menos você não saiu... Amanhã eu te levo para a mansão Kido, eu voltarei para Grécia. Suba, e vá descansar. — Ele ajudou o irmão a se levantar. — Mas Ikki... Mal chegou já irá voltar?! — Shun não contou nada, mas sabia que era errado omitir o que fez. Ele quebrou sua promessa! Shun não sabia o que fazer. Deixou tudo como estava. — É Shun... — Ikki também omitia algo. O irmão Ikki observou Shun entrar no quarto então se voltou para Seiya: — A ordem é o seguinte; O monte; à Catedral. Não sei nada daquele lugar. — Seiya olhou confuso para o chão. — Mas... Não há nenhum mapa? Do monte? Da catedral abandonada? — Ikki riu baixo. — Seria muito fácil! Acha que o cachorro faria um mapa para mostrar onde enterrou o osso? — Ikki brincou. Seiya com cara de detetive: — Então vamos seguir o seguinte. — Ikki o encarou sério. — Ué? — Seiya questionou. Shun ouvia isso do quarto e achou estranho. Afinal, o que eles queriam na Catedral abandonada? Por que o irmão voltará da Grécia tão rápido? Ele estava confuso. Não quis ouvir mais nada. Estava cheio do dia que tivera e cansado, além de dolorido pela queda. Ele tomou um banho e depois disso, escovou os dentes, penteou os cabelos como de costume e deitou. Nem pensava em comer, a ideia de comer lhe dava náusea.
Ikki, após dispensar Seiya, subiu as escadas para ver como estava o irmão mais novo. Abriu a porta lentamente refletindo uma brecha de luz no rosto de Shun, ele abriu mais para ver o irmão. Aproximou e sentado ali, próximo ao irmão, observava a delicadeza dele que não era santo, mas cheio de juventude. " Queria que sua adolescência fosse calma, sem guerras, com menos preocupação. Faço tudo para não ver você sem essa inocência." Ikki passou a mão no cabelo macio de Shun, brilhoso e as ondas lisas... Lembrava tanto... Ele tirou as mãos do cabelo do irmão, entregou lhe um beijo na testa e sussurrou: — Boa noite, Shun. — Se retirava dali. Ikki tinha que acordar cedo no dia seguinte então depois do banho, foi dormir. Mas a cabeça estava cheia de pensamentos. Ficava pensando que deixar Shun sozinho poderia ser muito prejudicial a seu estado de espírito já que Shun era adolescente. "Talvez eu esteja errado sobre Hyoga. Acho que ele não tentou nada. Shun é quem sempre pareceu mais cheio de graça para o lado dele. Eu deveria me preocupar com a ingenuidade do Shun, tão inocente. Deixá-lo aprender com os erros, acho que a melhor opção." Seu irmão lhe preocupara, mas entre o mais novo ser ou não ser, só o tempo irá dizer. "Saori só inventa, tenho certeza que esse papel idiota já nem existe mais. Acho que não traria de volta o elixir sagrado. Estranhíssimo. Achávamos que era apenas pegar os ladrões e a ânfora, mas agora essa de pegar a receita sagrada. Pouco me importa, era apenas mais um papel velho no templo de Atena. Que coisa idiota. Afinal... Para que servia mesmo? Será que se trata da receita do elixir sagrado?... Entendi! Então a vitalidade de Atena estaria em risco!" Ikki se preocupou ao perceber que precisava concluir esta missão com urgência. Era sigilosa porque quanto menos cavaleiros, menos envolver-se-iam no caso para que não derramasse o caos sobre os demais cavaleiros. Tinham uma grande responsabilidade. O corpo da deusa não suportaria muitos anos sem o elixir. "Mas será que estou certo?" Ele se perguntava. Virou-se diversas vezes na cama até pegar no sono.
A noite era silenciosa. Aproximava a meia-noite. Hyoga esperara, considerando que Ikki dormiu, decidia-se para descer do muro, ele enfim, com muita cautela, escalava habilidoso, até a descida. Ele deu meia volta pelo jardim procurando a janela do quarto de Shun. Deu uma volta para ver a lateral da casa, a janela no topo aberta, seria o quarto de Shun? Estava escuro e todas as luzes da casa foram apagadas. Ele observou a janela, ele simplesmente paralisou, as cortinas da janela flutuavam ao vento, que soprava forte... Fazendo assobios... Hyoga espantou-se ao ouvir gritos vindos daquele quarto: — NÃO! ... Socorro! Não! ... Por favor! NÃO!!! — Sem sombras de dúvidas era Shun! Hyoga assustado, boquiaberto ouviu Shun chorando muito. A luz acendeu e pôde ouvir Ikki abrir a porta. O irmão mais velho parecia acalmar Shun que transtornado dizia somente uma coisa: — Dói, Ikki! Dói! — Hyoga se escondeu de pressa quando viu a sombra de Ikki ir em direção a janela, fechando-a. Ele não ouvia mais nada, via a luz vinda da janela desaparecer após a cortina bloquear a claridade. Ele não podia ficar ali, ou seria pego. Ele aproveitou que provavelmente Ikki consolava Shun, e escalou de volta indo parar do lado de fora da casa. Cansado ele cambaleava arfante. — Maldita droga! — Praguejou. Ele foi para casa. "Tristeza" era o sentimento que parecia ser programado para ele. O amor da vida dele era tão "tristeza", tudo parecia "tristeza". — Droga! — Ele não se importou em correr mesmo cansado. Ele se sentiu péssimo, nunca podia fazer nada, tudo dava errado e ele era inútil. "Por que torno as coisas difíceis?" Ele estava transtornado. "Shun... O que você sonhou?" Hyoga se sentia mal, será que o menino estava traumatizado? A culpa era dele? Ele estava angustiado. Ele corria muito cansado. Desesperadamente, não se importava em não enxergar. Ele queria mais que o pior lhe acontecesse, mas nada lhe aconteceu e quando viu, estava em casa. Ele prostrou-se, chorando de aflição, liberou um grito de dor. Em sua mente, se sentia o pior jovem de todos. "Shun não sabia, com certeza... Ele é tão inocente... Com certeza ficara confuso... Assustado, pelo que fiz! Ah... Por que tudo que eu faço ou tento fazer dá errado?" Ele estava chorando, do lado de fora de casa. Deitou-se lá até que passasse a torrente de lágrimas que o prendia ao chão. Ele entrou desnorteado, atacou toda a fonte de cereais que encontrara em sua cozinha, devorou tudo como se não fosse nunca mais comer na vida, andou de cueca pela casa, jogou seu game favorito, viu filmes e na metade do segundo filme adormecera.
Shun não conseguia dormir, seu irmão tinha lhe dito que nada aconteceria que tudo não passava de um sonho, mas Shun estava ainda muito assustado. Ele se lembrava do pesadelo, em que estivera semi nu, acorrentado a um rochedo na praia, que era desconhecida. Um homem de longos cabelos negros o olhava e dizia línguas estranhas, as quais lhe traziam dor e tormento. Ele sentia seu corpo apertar e arder! Seus olhos viravam de tanta dor. Quando o homem parou de falar a dor desaparecia, Shun o observava, assustado, seu coração disparara quando o homem sucumbia ao mar lentamente, tornando as águas negras por seus cabelos que se estendia, um barulho horrível de mil gritos de dor era ouvido e subira uma besta negra enorme como um dragão, essa besta era horrível! Tinha os olhos vermelhos grandes, cerca de 60 dentes pequenos e pontiagudos e os quatro caninos eram grandes e afiados, a besta parecia ter bolhas peludas ao invés de escamas. Do alto, descera para olhar Shun horrorizado, com medo e agonia. A besta berrou ferozmente e quando vinha com as entranhas enormes abertas para devora-lo, Shun desperta! Ele ficou mais assustado ao lembrar-se que se levantando, foi ao quarto do irmão. Abriu a porta do quarto desse devagar procurando não fazer barulho, mas o irmão estava acordado e o olhava de lado. — Que é, Shun? — Ikki indagou sereno. — Posso dormir com você? — Shun pediu mansinho. Era impossível negar aquele pedido. Shun tão meigo... Ele aceitava o irmão ingênuo que tinha. Era como um anjo. — Venha, deita aqui. — Falou abrindo espaço para o irmão mais novo que com um sorriso bobo vinha para si. Deitou-se ao lado dele abraçando-o, apoiando o rosto no tórax do irmão mais velho, olhou para ele aliviado: — Obrigada, Ikki. — Ikki apoiou o queixo na cabeça do irmão mais novo. "Esse meu irmão!" Um pequeno sorriso no canto dos lábios do frio cavaleiro de Fênix.
Continua...
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