Notas iniciais
Então, é a primeira fanfic de Mcfly que posto aqui, mas espero que gostem e que deixem reviews :D Antes de passar a acção tenho só algumas coisas a dizer:
- A fanfic foi escrita por mim e por uma amiga, a Sara. Por isso em vez de capitulos, vamos dividir a fic em Pov's, quer meus, quer da Sara.
- Vai começar um pouco monótona, mas daqui a uns pov's começa a haver a acção, e que acção!
- Os pov's vão ser bastante diferentes, porque trata-se de duas pessoas bastante diferentes, e também para que não fosse sempre a mesma coisa :D
Agora vou-me calar e passar a acção, espero que gostem e que deixem reviews :D Quer a dizer mal ou bem, ou mesmo um só continua.

“Ufa! Finalmente acabei de lê-lo e revê-lo. Agora é só enviar para o Frank e esperar a sua resposta.”- Lembro-me perfeitamente de prenunciar estas palavras no avião, de regresso para Londres, nessa altura, nem eu mesma, sabia o quanto a minha vida viraria do avesso.

Acabei por fechar os olhos, mergulhando numa analepse profunda e para mim mesma, visualizando bem de perto, o tanto que a minha vida havia mudado.

*Flashback on

Eu tinha dezassete anos, estava a acabar o primeiro ano de medicina em Londres, na verdade as minhas origens eram portuguesas, mas os meus pais saíram do país, quando eu tinha os meus dez anos de idade. Eles tinham alcançado títulos, prémios, prestígio. Tudo bem que eles lutaram para chegar ao topo, mas lá existiam mais desvantagens. Pelo menos do meu ponto de vista. Era tudo á base da ganância, do interesse e da mesquice. Não existiam verdadeiros amigos e era tudo sobre as malditas aparências.

Os meus pais estavam felizes, por lhes ter seguido os passos. Para completar a sua vida perfeita, agora podiam dizer aos “amigos” da alta sociedade, que tinham uma nobre descendência.

Por acaso eu sempre tivera vontade de ajudar os outros, caso contrário, mesmo contra a minha vontade, era médica que eu seria. Pois eu sempre fora a filha perfeita, um pouco temperamental, mas perfeita.

Os meus pais só ligavam ás aparências, era no meio daquela sociedade mesquinha que eu vivia: casa que mais parecia um palácio, fazer compras em Milão, festas da alta sociedade que eu tanto odiava, ó como eu odiava. Aquilo, era provavelmente a maior concentração de falsidade que eu podia presenciar, mas o que fazer? Os meus pais gostavam de mostrar tudo o que haviam conquistado, gostavam de sentir a sensação de terem conseguido todo o prestígio e mais algum.

Mas de que adiantava aquilo tudo afinal?! Eu não sabia o que era ouvir uma história para adormecer, não sabia o que era deitar no colo da mãe e chorar sufocadamente num dia menos bom, eu nem sabia o que era um abraço do meu pai. Aquela minha vida, era toda muito artificial e eu acostumara-me com isso. Simplesmente, obrigava-me a ser tudo o que os meus pais gostariam que eu fosse! Que egoísmos da parte deles, nunca pensaram em ver a verdadeira filha, afinal, era bem mais cómodo assim.

Felizmente, tinha o meu irmão, o João, que era a minha verdadeira família naquela casa. Eu e ele? Não existiam palavras que descrevessem o quanto nós éramos cúmplices, o quanto nós vivíamos em função um do outro e se existiam almas gémeas, nós seriamos uma delas com certeza. Eu tinha dezassete e ele um ano a menos, mas eu sentia-me a sua mãe, pelo menos eu fazia-lhe tudo o que gostaria que a minha mãe me fizesse a mim, era muito bom tê-lo a ele, alguma coisa de verdade na minha vida.

Eu estava a ser ligeiramente injusta, eu não o tinha só a ele, tinha também a Rita, a anfitriã daquela casa, uma espécie de empregada com regalias e que era também uma grande amiga. Depois tinha a Rute, aquela rapariga era a única que me fazia sentir o que eu realmente era, ela era a melhor amiga do mundo e tal como eu, teve o azar de nascer naquele mundo de fantasia, onde o afecto e o carinho, estavam longe de parecer real. Na verdade, os nossos pais, eram colegas de trabalho, quer dizer, a mãe era colega dos meus pais, já o Frank, o pai da Rute, era editor numa das mais conhecidas editoras de Londres, a Atlantic Books UK.

E isto, era a minha vida antes de uma tragédia me atingir, eu pensava que ela era má, mas estava enganada, ela ficara bem pior depois daquele maldito dia. Um dia como os outros, achava eu, os meus pais e o meu irmão estavam em Paris, tinham ido a uma festa, de um dos seus amigos, pois como médicos do seu porte, tinham amigos riquíssimos, por quase todas as partes do mundo. Já eu, estava em Londres, tinha o meu último exame naquele dia e como tal, não pude acompanhá-los. Esse era o único motivo no mundo, pelo qual os meus pais me haviam deixado ficar e poupado daquele massacre.

Eu havia passado no exame de bioquímica I e estava completamente exausta, o que não era para menos, depois de oito horas á espera, com os nervos á flor da pele, para ser chamada. Mas finalmente, por volta das 19 horas, eu e a Rute, saímos daquela faculdade, deixando todas as preocupações para trás e a respirar os primeiros minutos de férias.

Posso lembrar perfeitamente, do som do meu telemóvel a tocar, enquanto eu e a Rute nos preparávamos para entrar na piscina, á noite, depois daquele longo dia de sofrimento. Sofrimento? Por um simples exame? Aquilo não foi nada, perto da notícia que se seguiu. Naquele momento eu gelei, era um dom meu pressentir uma má notícia. Mas eu não sabia que ela era tão má assim, para ser sincera, nem nos meus piores pesadelos eu podia imaginar aquilo.

Aquilo não era uma má notícia, era o horror da minha vida, o pesadelo que não iria acabar depois de eu dormir um sono profundo e acordar novamente. Era a notícia de que os meus pais e o meu irmão haviam morrido num acidente de avião. Como eu me senti naquele momento? Eu gostaria que existissem palavras para caracterizar aquela dor, uma dor profunda que me fazia desejar morrer o tempo inteiro. Eu passei um mês inteiro fechada em casa, aos cuidados da Rute e da Rita, se não fossem elas, eu tinha certeza que não estaria mais viva.

Depois de dias a fio a chorar, eu sentia a minha mente doente, a enfraquecer a cada passo que dava. Eu precisava curar aquela dor e eu sabia exactamente o que tinha de fazer.

África, era a palavra certa! Exactamente, a minha faculdade estava a participar num programa de voluntariado lá e eu parti directa, sem olhar para trás e sem despedidas, achava melhor assim, ou então, a Rute abdicaria da sua vida para vir comigo e eu não era assim tão egoísta. Apenas deixei um bilhete dirigido a ela e á Rita, as duas únicas pessoas pelo qual o meu coração palpitava no momento.

Passei um ano em África, andei por algumas cidades, em trabalho árduo, eu vi a pior realidade da minha vida. Eu não sabia se aquilo me fazia sentir melhor por saber que existiam pessoas com o coração bem mais vazio que o meu, ou se me fazia sentir ainda pior, por me deparar com aquela crueldade. Eu dei tudo de mim naquele ano, todo o carinho que eu tinha, ajudei imenso a nível monetário também. A cada momento, eu sentia-me cada vez mais perto de uma nova vida, de um novo eu. Não é que eu tivesse ultrapassado o que aconteceu por completo, mas estava a tentar continuar em frente, como eles haviam desejado que eu fizesse.

A dor era evidente, mas no silêncio da noite eu entrava num mundo de fantasia, que construía dia após dia. Naqueles momentos, era eu quem controlava o destino de cada pessoa, aliás, era eu que escolhia as pessoas, eu quem comandava as suas vidas e era eu também quem mandava nas acções de uma rapariga que eu havia escolhido, para dar vida ao meu modelo de pessoa. Era uma sensação de poder, controlar tudo, ao mais pequeno pormenor, como se as pessoas fossem fantoches e o seu destino estivesse nas minhas mãos. Sorte a delas, porque eu não tencionava que a rapariga sofresse tanto quanto eu sofri, por isso estava decidida a dar-lhe um final feliz, para mim, perder os pais já seria castigo suficiente.

Notas finais
Prometo que os próximos não vão ser tão monótonos... BEijinhos e espero que gostem :D