When You Came Into My Life
3 Capítulo 3 - Dreamer
Fiquei tão fascinada, imaginado inúmeras possibilidades que este concurso poderia me proporcionar que nem vi o tempo passar. Quando me dei conta o sinal tocou e era o fim das duas aulas de português. Aleluia! Só faltavam mais quatro agora e eu poderia ir para casa participar o quanto antes do concurso.
Levantei e comecei a caminhar para a sala de aula, no corredor, Amanda, Dayane e Beatriz – minha chara – estavam me esperando com cara de quem viu fantasma.
- O que foi gente, alguém morreu?- eu disse com cara de preocupação e um tom de sarcasmo na voz.
- Deixa de ser cínica, Bia, por que exatamente, não estava na aula de português?- perguntou Amanda com uma voz autoritária, quem não a conhece até pensa que é séria.
- Ahh fiquei aqui cabulando, sabe como é, não estava com muita vontade de olhar pra cara da professora...
- É sério, Bia, aconteceu alguma coisa.- dessa vez foi Dayane quem disse.
- Aconteceu. A “Gatinha” me irritou e eu meti um soco na cara dela. Nada de mais.
- Como assim nada de mais?- disse a Biazinha, minha chara.
- Ahh vocês acordaram de mau — humor é? Poxa vida, só um soco. Deixa pra lá, vamos logo para a sala.
As aulas que se seguiram foram completamente tediosas e previsíveis, eu não sei mesmo porque continuar tendo aula sendo que as médias já foram fechadas...
Cheguei em casa e não quis saber nem de almoçar, tudo o que me importa agora é o concurso. Entrei no site, cliquei no banner da promoção e me inscrevi. Estava feito, agora tudo que eu podia fazer era esperar e torcer para o universo conspirar ao meu favor.
Já que o que eu poderia fazer estava feito, resolvi terminar alguns trabalhos incompletos. Passei a tarde toda fazendo isso e, quando terminei, já era noite. Me deitei e antes de dormir fiquei pensando em como seria conhecer pessoalmente o Klaus. Eu o imaginava como uma pessoa super carismática, meigo, romântico; será que ele era mesmo assim? De qualquer forma, de uma coisa tenho certeza, a mulher dele, Gabi Meine, era a pessoa que eu mais invejava nesse mundo, a mulher mais sortuda de todas. Talvez ela não soubesse o valor disso, mas ela tinha o que eu – e acredito que muitas outras também – dariam tudo para ter.
Meu sonho daquela noite foi estranho. Eu estava caminhando num lugar completamente desconhecido por mim. Então avistei um corredor cheio de portas, haviam muitas pessoas nesse corredor, falando muito alto e parecia que não me notavam.
Foi então que ouvi uma voz que eu conhecia bem, foi como música para meus ouvidos, avistei uma porta aberta no fim do corredor. Ao entrar, acho que interrompi alguma coisa, Rudolf e Matthias também estavam lá, mas quando me viram chegar, nos deixaram a sós. Eu e Klaus trocamos olhares apaixonados, mas quando fomos nos beijar tudo desapareceu e eu acordei.
Haha, muito engraçado! Quando eu tenho pesadelos eles duram a noite inteira, mas quando estou tendo sonhos magníficos, eles simplesmente acabam sem o menor sentido. Muito obrigada, querida mente perturbada. Meus sonhos eram sempre assim, estranhos, sem muito sentido; enfim...Completamente loucos. Mas desta vez tinha alguma coisa de diferente naquele sonho, eu não costumo me prender a estas coisas mas havia algo a mais.
Foi muito real, como se eu tivesse visto algo que fosse acontecer depois. Claro que a explicação mais racional para isso é a de que eu passei boa parte da noite pensando no Klaus antes de pegar no sono, estava ansiosa por causa do tal concurso, mas podia ser um sinal. Não, não tente me entender, eu vivo de fantasias.
Não consegui dormir o resto da noite, fiquei tentando decifrar meu sonho sem sentido. Não consegui. Quando “acordei”, ou melhor, levantei, porque acordada eu já estava, mal conseguia me mover. Droga! Ainda era Terça-feira.
Na escola, as meninas repararam que eu estava estranha e me perguntaram o que tinha acontecido...
- Vocês acreditam que um sonho pode ser uma premonição? — perguntei com cara de psicopata.
- É claro, dizem que os sonhos tem significados – Biazinha me respondeu.
- Bom, como os meus são malucos, eu jamais vou decifrar os significados que eles podem ter.
- Conta pra gente, Bia, quem sabe não te ajudamos?- Dayane sugeriu.
- Não, dizem que se contar não realiza.
- Ué, mas se o sonho é bom e você quer que realize, pra que essa neura toda?
- Porque eu sou uma pessoa problemática oras, até parece que não me conhece.
- Fala pelo menos sobre o que era...- Dayane é muito insistente.
- Ahh tem a ver com o Klaus.
Todas elas sabiam da minha obsessão doentia por ele, sabiam que eu chorava só de ouvir uma música mais lentinha do Scorpions. Porque a voz dele, ao mesmo tempo que me levava ao paraíso, me fazia lembrar que era totalmente impossível eu ter algo com ele. Por vários motivos, porque ele é casado, porque ele é um cantor famoso e eu não tenho chances de me aproximar dele, porque ele é muito mais velho que eu...Mas sabiam também que eu sempre iria acreditar. Meu lema é “Quem acredita sempre alcança”, mesmo que às vezes eu duvide disso.
- Contei a vocês sobre o concurso? – eu perguntei, mudando de assunto.
- Que concurso? – rebateram a minha pergunta, todas juntas.
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