Notas iniciais
HELLOOOOOOOOOOO CHANELS ♥ Primeiroooo, muito obrigada pelas 3 lindas recomendações que aconteceram nessas últimas semanas. Monique, Bellatrix e Carym esse capítulo é totalmente dedicado a vocês. Obrigada ♥ E segundoooo, obrigada pelos lindos comentários. Todos foram muito queridos, obrigada por deixarem o feedback de vocês. Genteeeee, desculpa passar do dia do cronograma para postar, mas eu fui viajar e acabei não levando meu notebook, por isso a demora. CRONOGRAMAAAAAAA: Próximo capítulo 12/10 com 10 COMENTÁRIOS e dia 19/10 com 5 COMENTÁRIOS. ENJOY ♥

POSSIBILITY

HOGWARTS

1978

7th YEAR

—Porra, porra, porra. — eu repeti, andando pelo banheiro. O chão vomitado já limpo, mas a parede suja com o frasco que eu havia tacado lá. Emmeline continuava dentro da banheira, mas agora pelada e a banheira cheia. — Não posso fazer essa merda, entende? Tudo está ótimo, tudo está tão ótimo… e essa merda… porra, porra, porra! — berrei a última palavra e parei em frente a pia. Me encarei no espelho sem saber o que fazer comigo mesmo. — Minha vida inteira está arruinada, Emmeline, eu estou grávida! Porra!

—Acho que ficar gritando palavrões não vai ajudar em nada. — ela murmurou para mim.

—Porra, eu… eu tinha tudo planejado, Emmeline. — eu disse, bufando. Querendo enfiar a cara no meu travesseiro e não sair de lá até que eu já não tivesse mais aquilo na minha barriga. — Conseguir as notas, entrar na Seção de Aurores no Ministério, lutar contra Você-Sabe-Quem, aos 27 anos ser a primeira mulher Chefe dos Aurores e então em casar e ter filhos. E no meio disso tudo a porra de Você-Sabe-Quem seria derrotado e eu teria ajudado.

—Uau, uma vida toda planejada. — riu Emmeline, brincando com a água em volta de seus peitos.

—E agora é gravidez, um bebê chorando, ser mãe em tempo integral, dar adeus à carreira, viver da herança deixada pelos pais, engordar, perder cabelo. — eu disse exagerando ao máximo, afinal eu nunca engordaria ou perderia cabelo sendo uma metamorfamaga, mas Emmeline não comentou sobre isso, então também não comentei. — Porra. — repeti.

—É, poderia muito bem se matar agora. — disse Emmeline, com uma risada. Imaginei que se ela soubesse o que havia acontecido no final do sexto ano na Torre de Astronomia ela faria essa piada, não me importei, é claro, mas acho que ela não faria se soubesse. — Eu posso arranjar as drogas.

—Talvez eu devesse. — bufei e joguei a cabeça para trás. — Talvez… eu posso esconder de Remus até saber o que fazer. — falei, mordendo a parte interior da minha bochecha. — Eu posso encolher um pouco a barriga, certo? Quando crescer.

—Só se você quiser matar o bebê. — respondeu Emmeline, arqueando a sobrancelha para mim. — Você está praticamente de três meses… já posso ver a barriga…

—Não, pode não. Porra, Emmeline! — gritei. Um cheiro horrível e muito doce entrou no meu nariz e eu abri a porta do banheiro. Perto da sua cama Marlene estava espirrando seu perfume no pescoço. — Pelas barbas de Merlin, Marlene! Você quer nos intoxicar com esse cheiro? Porra! — berrei, sem conseguir me controlar. — Tem cheiro de pé de Trasgo! — gritei. Peguei um sapato de Emmeline que estava jogado no chão do banheiro e taquei em Marlene que berrou e desviou. Emily e Dorcas começaram a rir da cama delas e Marlene arregalou os olhos agora agachada no chão, achando tudo muito engraçado. — SAI DAQUI, SUA VACA!

Fechei a porta com tudo novamente e Emmeline nem havia piscado direito. Ela continuou se ensaboando de um jeito sexy como se alguém estivesse a apreciando e eu revirei os olhos para aquilo. Apoiei minha mão na minha barriga e realmente pude sentir que estava maior que o normal, reprimi ao máximo a vontade de reduzir ela com metamorfagia, não sabia no que isso poderia resultar. Acabei encostando as costas na porta e desci até estar sentada no chão. Não fazia ideia do que ai acontecer agora. Eu tive que arrumar minha vida toda depois que tudo virou de ponta cabeça ano passado, mas eu consegui e estava feliz. Faria tudo que havia planejado fazer todos esses anos, trabalharia como Auror, faria de tudo para lutar contra aqueles do lado das Trevas, quando tudo estivesse bem viajaria com Sirius porque ele provavelmente estaria depressivo, pois James e Lily estariam tendo crianças que nem coelhos e me casaria com Remus e viveríamos felizes com filhos ou não. Mas agora como que eu enfiaria um bebê no meio daquilo tudo? Como eu enfrentaria Comensais da Morte grávida? Ou amamentando? Comecei a contar para ver quando que o bebê nasceria, tentando arrumar a bagunça que estava em minha mente.

Emmeline pareceu perceber que eu estava tendo uma crise existencial e suspirou, eme encarando com olhos gentis.

—Porque não tira, Addie? — ela me perguntou o que já estava na minha mente. Tirei o rosto dos meus joelhos e virei para ela. — E vai ser como se nunca tivesse acontecido.

Suspirei.

—Quero que me leve para onde você foi quando precisou.

—Você sabe… nós provavelmente deveríamos entrar.

Escutei a voz de Emmeline, mas abafada como se ela não estivesse ao meu lado, encarando, apenas esperando por mim. Era a manhã de um Domingo, tivemos um passeio para Hogsmeade que eu e Emmeline não fomos. Suspirei e mirei a Clínica de aborto que estava a 10 metros na minha frente. Algumas mulheres entravam e saiam, poucas, algumas estavam chorando abraçadas a amigas e outras choravam com o namorado. Ao meu lado tinha alguém vendendo cachorro quente e refrigerantes e mais perto da clínica tinha um grupo de mulheres velhas com cartazes, protestando contra a clínica, gritando para as mulheres que entravam ali o quanto pecadoras elas eram. Só queria que elas parassem de gritar sem parar, queria que aquele moço saísse de perto de mim com aqueles cachorros quentes que cheiravam muito mal. Mas mais que tudo, eu queria Remus ao meu lado, me ajudando a lidar com aquilo, me ajudando a pensar no que fazer.

Emmeline continuou ao meu lado sem dizer nada, até pegar um cigarro do bolso e começar a fumar. Mirei ela e arqueei as sobrancelhas, ela bufou, mas jogou o cigarro no chão e pisou para que ele apagasse. Ela parecia calma, diferente do dia em que eu a vi indo para essa mesma clínica e era óbvio, ela não estava mais grávida, não precisava mais se preocupar com aquilo. Apesar de ser de dia, ela tinha uma maquiagem preta nos olhos, brilho labial e o cabelo preso em um rabo de cavalo. Usava uma de suas calças boca de sino e uma blusa preta apertada. Observei minhas próprias roupas, uma calça jeans clara nas minhas pernas longas com a barra dobrada, meu tênis branco já muito desgastado, uma blusa do Led Zeppelin preta que estava para dentro da calça de cintura alta. Não dava para reparar nada que eu estava grávida, nem um pouquinho na verdade. Talvez isso significasse que eu ainda tinha tempo, ainda tinha mais tempo para por meus pensamentos em ordem. E eu não precisava fazer aquilo agora, não precisava tirar aquela coisa de mim naquele momento.

O cheiro horrível de cachorro quente entrou novamente nas minhas narinas e não me segurei quando me curvei para frente, as mãos nas coxas e vomitei no asfalto quente. Senti uma das mãos de Emmeline nas minhas costas e a outra em meus cabelos que ela puxou para trás para que não se sujassem. Minha garganta ardeu e eu vomitei mais um pouco, meu tênis branco sujou com o vômito descontrolado que saiu da minha boca. Quando finalmente acabou, me ergui e encarei Emmeline, limpando a minha boca. Ela me deu um sorriso e vimos uma mulher sair apressada da clínica, ela veio com um esfregão e imediatamente começou a limpar o meu vômito, como se aquilo fosse algo muito comum, que acontecesse todos os dias por ali. Ela perguntou se eu queria entrar. Revirei meus olhos e dei as costas para a mulher e aquela clínica. Emmeline veio atrás dando passos rápidos e não disse nada até que nos escondemo atrás de um prédio, perto das latas de lixo.

Limpei meu tênis para que Remus não visse e perguntasse o que tinha acontecido, senti o gosto ruim na minha boca e mastiguei um chiclete para depois quando chegássemos em Hogwarts escovasse os dentes.

Emmeline me puxou para um braço. Senti seus braços finos em volta de mim e deixei minha cabeça descansar em seu ombro. Ela acariciou meus cabelos e me deu um beijo na cabeça. Não sei quando comecei a chorar, mas quando voltei a falar com ela, minha voz estava embargada.

—Vamos embora. — pedi. Ela assentiu. — Só… quero ver todas as minhas possibilidades. — eu disse. — Tem sempre… uma possibilidade de qual não sabemos.

—Ele fica me encarando. — murmurou Emily, fazendo uma trança lateral em seus cabelos coloridos. — Simplesmente não sei o que fazer, Addie… já se sentiu assim? Sem saber o que fazer? — ela suspirou e tentou não mirar Rabastan, sem sucesso algum, é claro. Ele estava do outro lado do gramado, sentando embaixo de uma árvore cercado por Kat e Theo que se beijavam e Jacques e Tati que faziam a mesma coisa. — Ele me magoou tanto. — ela disse, desviando o olhar para as próprias mãos. — Addie? Addie, está me ouvindo?

—Sim. — respondi e sorri para ela. Estávamos somente nós duas nos Jardins, estava mais próximo do verão, então dava para deixar nossas pernas na água e era isso que fazíamos. — As coisas são complicadas.

—Tudo sempre é complicado. — disse Emily e depois soltou um muxoxo. Ela voltou a prestar atenção no livro em seu colo, ainda testando o feitiço de Transfiguração que estava tendo dificuldades e seria importante no NIEMs.

Concordei com ela e coloquei a mão sobre minha barriga, estava virando um costume fazer isso de tanto que eu fazia. Os enjoos continuavam e todos os cheiros que eu sentia me deixavam mais enjoada ainda. Era difícil fingir que estava tudo bem quando eu sentia vontade de vomitar no meio do jantar ou no meio da aula, mas até agora ninguém parecia suspeitar de nada. Só quem sabia do que estava acontecendo dentro de mim era eu e Emmeline. E continuaria assim pelo tempo que fosse necessário.

Havia se passado apenas três dias desde que eu fui até a clínica, vomitei e não consegui entrar. Três dias que eu continuava mentindo para Remus, o evitando e fingindo que estava tudo bem. Emmeline me acobertava muito, sempre mentindo para Remus sobre onde eu estava ou porque andava um pouco estranho e ter muita coisa acontecendo ao mesmo tempo estava ajudando a distrair Remus mais ainda. Marlene e Regulus se beijaram no meio do jantar para todo mundo ver, Lily e James andavam de mãos dadas por ai o que chocou muitas pessoas, acostumada a vê-los discutindo. Sirius estava cada vez mais aborrecido com James que estava completamente devoto a Lily e Remus tentava distrair Sirius de alguma forma, para que a banda não se separasse, apesar dele insistir para Sirius que eles não eram os Beatles. Peter mesmo que o trabalho já tenha sido entregue era visto conversando com os sonserinos, mas quando perguntávamos sobre ele negava veemente qualquer envolvimento com eles. Alice e Frank estavam tão felizes juntos que nem parecia que estavam brigando que nem loucos meses atrás. Dorcas e Michelle foram vistas se beijando em um corredor e agora todo mundo sabia sobre elas.

O problema era que antes parecia que nem todo mundo estava feliz e agora todo mundo parecia feliz, pelo menos quase todo mundo. Sirius, Emily e eu, os órfãos, estávamos fodidos da cabeça, com problemas. Até mesmo Remus estava bem, mesmo que a mãe dele tenha morrido no verão passado, ele estava bem porque estava comigo e tudo estava bem.

—Acho que eu sei o que tenho que fazer. — murmurei para eu mesma. Emily escutou e me olhou estranho.

—O que?

—Remus está feliz… porque eu quereria estragar isso?

—Dessa vez a gente vai entrar? — indagou Emmeline. Sábado, meio dia, outro passeio para Hogsmeade a qual eu e Emmeline usávamos para aparatar para a clínica e tentar resolver o meu problema de uma vez. O dia estava quente depois de uma semana de frio. O Sol quente estava batendo em minha pele, enquanto ficávamos paradas no mesmo lugar da outra vez. O cara que vendia cachorros quentes estava lá novamente e as mulheres velhas que agora notei que eram freiras estavam ali também, protestando mais uma vez. Parecia exatamente o mesmo dia da outra vez, como se eu nunca tivesse fugido depois de vomitar.

Dessa vez meus cabelos estavam presos, só em caso de eu querer vomitar novamente. Eu usava um vestido branco da Lily e meu tênis branco todo rabiscado e velho. Emmeline tinha os cabelos pretos soltos, maquiagem preta e estava de shorts, as mãos nos bolsos de trás e com a mesma blusa preta da outra vez, mas agora com uma jaqueta por cima. Ela ficava encarando as pessoas por perto, parecendo até um pouco entendiada, mas quando notou que eu a olhava, ela sorriu, apoiando o peso do seu corpo em uma perna.

Voltei a olhar para frente, pude ver que uma mulher me encarava da porta, era a mesma que limpou meu vômito da outra vez. Ela ficou me encarando por tanto tempo que eu achei que ela viria falar comigo e quase sai correndo por isso, mas ela apenas entrou para dentro da clínica usando seu uniforme cor-de-rosa.

Fazia apenas uma semana que eu sabia com toda certeza de que eu estava grávida de Remus Lupin. Mas uma semana era o suficiente para decidir o que fazer? Ter o bebê ou abortar? Uma semana era o suficiente para decidir algo que poderia mudar a sua vida completamente? Por um lado eu queria resolver logo esse problema e voltar a ser feliz como eu estava antes, mas algo dentro de mim me deixava incerteza do que fazer, de como proceder.

Escutei barulho de mastigação ao meu lado e olhei Emmeline surpresa. Ela estava comendo um cachorro quente cheio de mostarda, e depois de dar uma mordida ela tragava o cigarro e assoprava para o outro lado, para que não fosse em meu rosto. Eu nem ao menos havia notado que ela saiu, comprou o cachorro quente e voltou. Já estava na metade e só notei naquele momento.

—Você quer? — ela me perguntou, a boca suja de mostarda. Neguei com a cabeça, um pouco confusa.

Eu sabia exatamente o que havia tinha que fazer. Remus e eu estávamos tão felizes juntos, após um ano inteiro de merda e isso estragaria tudo que tínhamos. Era tão fácil de resolver e ao mesmo tão complicado. Eu poderia entrar naquele lugar, fazer o que tinha que fazer e ao anoitecer tudo estaria normal. Emmeline conseguiu, porque que ela também não conseguia?

—Eu estou enjoada. — murmurei. Emmeline terminou o seu cachorro quente e jogou seu cigarro no chão. Com a ponta do pé ela esmagou o cigarro.

—Addie… nós estamos aqui já faz uma hora. — ela me disse, cuidadosamente. — Não vamos entrar?

—Eu… nós ainda temos tempo, certo? Uma semana não é tanto tempo assim e… semana que vem, está bem? — murmurei, já dando as costas para a clínica. Emmeline me imitou e apenas sorriu para mim. Sem me julgar ou criticar.

—Está bem. — ela disse. — Mas… — suspirei e ela sorriu. — Conte a Remus. Por favor? — suspirei mais uma vez e assenti.

—Está bem.

—Ela nem é tão bonita. — murmurou Sirius. Eu sorri para ele, vendo claramente todo o seu ciúme. Ele notou meu olhar e bufou, jogando a Descurainia dentro do caldeirão. — Certo, ela é muito bonita, mas… eu que sou o parceiro de poções dele. — ele bufou, misturando a poção. — E o parceiro… na vida.

Era a poção Polissuco que fazíamos que antes estávamos há muito tempo preparando com o Professor Slughorn. Catei a sanguessuga que pulava para longe de mim, nós a tínhamos feito sugar sangue de lagarto para a poção. Peguei a pequena faca que usávamos para descascar e cortar o ingrediente e acertei a sanguessuga com tudo. Sirius me olhou estranho, enquanto eu espremia todo o sangue dela dentro do cadeirão fumegante.

—Ele disse que ela tem lábios de cereja. — comentei, matando mais uma sanguessuga.

Nós dois erguemos nosso olhar para uma mesa distante de nós dois, a mesa mais perto do professor. Lily e James estavam lá fazendo a sua poção cheio de risinhos um para o outro e mãos tocando quando iam pegar o mesmo ingrediente. Dividindo a mesa com eles estava Diana Rosier e Jacques Burke que pareciam conversar com meus amigos numa boa. Perto da mesa deles Snape olhava James como se pudesse matá-lo naquele mesmo instante e talvez até faria se não estivéssemos em Hogwarts. Ele fazia par com Rabastan que não parecia nada interessado em fazer sua poção, já que Snape cuidava de tudo.

—Ele quer estourar a cereja dela, isso sim. — murmurou Sirius, ele pegou a faca da minha mão e matou outra sanguessuga com tudo. — E tocar os mamilos de cereja dela e… seus pentelhos ruivos.

—Porque estamos falando sobre pentelhos? — indagou Remus, que dividia a mesa comigo e meu primo. A dupla dele, no entanto, era Emmeline que tinha um sorrisinho no rosto, também desviando o olhar para ver Lily e James. Eu geralmente fazia dupla com Remus, mas Sirius me requisitou a minha presença depois que James e Lily começaram o não-namoro deles. Eles passavam o tempo todo juntos, mas James ainda não tinha feito o pedido ou Lily.

—Não são quaisquer pentelhos. — riu Emmeline. — São os pentelhos ruivos da Ruivona. — ela disse. Nós quatro olhamos novamente Lily, e foi tão descaradamente que ela notou e sorriu para nós, acenando inocentemente. Todos acenamos de volta, com sorrisos no rosto, até Sirius.

—Eu a odeio. — ele disse, acenando com um sorriso falso. Revirei os olhos e ele notou. — Não a odeio tanto quanto odeio Snape, mas… não gosto dela. — deu de ombros, como se não se culpasse por isso. — Não gosto da cara dela, não gosto dos pentelhos dela e definitivamente não gosto dela com o meu melhor amigo.

Ele matou outra sanguessuga e eu espremi o sangue dela no caldeirão, com um sorrisinho. Eu realmente achava que todo aquele ciúme de Sirius passaria quando ele visse que não importava se James estivesse com Lily ou qualquer outra garota, ele sempre seria Prongs, aquele que jurou solenemente sempre ser amigo de Sirius. Então, era algo passageiro. As vezes ficava imaginando como seria em alguns meses depois que nos formássemos. Antes dos meus pais morrerem achei que ia alugar um apartamento com Adam e talvez Sirius junto depois que ele saísse da casa dos pais, mas depois ele, com certeza, iria ir morar com James no apartamento ao lado. Depois que meus pais morreram achei por um tempo que ficaria presa para sempre no Largo Grimmauld, mas depois que me mudei para a casa confortável e acolhedora de James achei que alugaria um apartamento com Sirius e James e ficar lá por alguns anos. Então, eu comecei a namorar Remus, fiquei pensando como faríamos depois de Hogwarts e descobri que não moraríamos juntos, ele me contou que não queria deixar seu pai sozinho depois da morte da mãe, e eu entendi e o plano de morar com Sirius e James só se fortaleceu. Mas eu fiquei grávida, eu estava grávida. E agora tinha duas opções, abortar e continuar com o plano que sempre tive de me tornar uma Auror e morar com James e Sirius ou… ter o bebê e depois disso não sabia o que aconteceria.

Não fazia porra nenhuma de ideia do que aconteceria.

—Terra para Addie. — escutei a voz do meu namorado. Pisquei confusa e o mirei. — Está tudo bem? — ele perguntou.

—Sim, Remy. — sorri para ele. Tentei dar um meu melhor sorriso e mudei a cor dos meus olhos para um tom âmbar que nem os dos olhos dele para o distrair. Remus sorriu, me encarando nos olhos e parecia querer me beijar.

—Pelas barbas de Merlin! — escutaram Sirius reclamar. — Ele não pode estar caindo por aquilo. — ele apontou para Lily que parecia concentrada em sua poção e isso atraia a atenção de James.

—Você é uma vadia ciumenta, Sirius. — debochou Emmeline. — Não sabia que todos esses anos você realmente estava apaixonado por James. — ela brincou. Remus deu uma risadinha.

—Sério, Emme? — riu Remus. — Sempre me pareceu tão óbvio.

Sirius respondeu eles com deboche na voz e os dois riram continuando a debochar de Sirius que continuou a reclamar sobre Lily Evans e seus pentelhos. Minha melhor amiga deixou apenas Remus ouvindo as reclamações do meu primo e me mirou fazendo sua poção animadamente.

—Estou louca para um cigarro. — me disse. Emmeline era tão viciada em cigarros quanto Sirius. Remus já me disse algumas vezes que talvez o motivo de Emmeline ser tão apaixonada por Sirius e o motivo pelo qual ele não largava dela mesmo estando com outras era que eles eram parecidos, os dois narcisistas no mesmo nível. Se sentiam atraídos um pelo outro porque pareciam um com o outro. A linguagem afiada, o fato de serem tão dissimulados. Agiam da mesma forma, gostavam de exatamente as mesmas coisas. Eu achava meio esquisito, era como se Emmeline gostasse de Sirius porque ela gostava muito de si mesma e ele era igual a ela. Perguntei a Remus porque isso não se aplicava a James e Sirius já que eles eram como gêmeos siameses e ele me explicou que os dois não era iguais e sim que eles se entendiam. As escolhas que faziam podiam não ser iguais, mas Sirius sabia qual escolha James faria. E enquanto Remus me falava aquilo Peter entrou no dormitório e me disse que Sirius caiu em cima de James e quebrou a perna dele, assim como James tinha feito com Sirius há alguns anos. E Remus me disse que talvez eles fossem iguais em muitas coisas.

—Addie. Addie! — pisquei confusa e olhei Sirius. Tínhamos que fazer o próximo passo para a poção que estava no livro.

—Foi mal. — murmurei e peguei minha varinha para lançar o feitiço na poção. — Estou um pouco avoada hoje. — disse.

—Só hoje? — escutei Emmeline falar enquanto eu continuava a poção.

—O que você quer dizer, Emme? — Remus perguntou franzindo a testa. Ergui meu olhar da poção e olhei Emmeline e ela me entendeu. Eu não tinha contado nada a Remus. Nada sobre o bebê, como havia dito a ela que eu faria.

—NIEMs. — disse Emmeline, com um sorrio convincente – Addie tem o nervo de se dizer preocupada com suas notas. — falou, revirando os olhos. Remus sorriu de lado, apesar da testa ainda franzida. Para mentir bem, tinha que ser rápida e objetiva, se enrolasse demais e desse detalhes de cada coisa que aconteceu traria desconfiança, mas poucos detalhes também traziam perguntas. Tinha que contar como se estivesse contando o que comeu no café da manhã. E Emmeline fazia isso muito bem, melhor do que qualquer um que eu conhecia. Quase sorri para ela quando continuo a falar, pois tinha dado pouca e rala informação para Remus e isso o faria perguntar coisas. — … e é claro ela está muito preocupada com Teddy. — disse, com um biquinho. Remus me olhou carinhoso.

—Sabe que vai dar tudo certo, Addie. — disse meu namorado. Eu sorri e assenti, mas duvidava daquilo. Tudo parecia tão complicado que eu só queria esquecer de tudo, fingir que não havia nada acontecendo.

—Como ele está, Addie? — indagou Emmeline.

—Sinto falta dele. — falei. — Ele chama Sirius no espelho todas as noites antes de dormir e fica triste quando não apareço a tempo. — contei para Emmeline como se ela já não soubesse de tudo isso. — Sr. e Sra. Potter cuidam dele muito bem. — sorri. — Ele gosta muito deles.

—E seus avós? Eles visitam bastante?

—O tempo inteiro. — continuei fingindo que ela não sabia aquilo tudo.

—Porque eles não se tornaram guardiões legais de vez os pais de James? — ela indagou. Remus se distraiu com sua poção porque ele já sabia aquilo tudo, mas eu e Emmeline continuamos mesmo assim.

—A casa dos meus avós... tudo deles é na América, para se tornarem guardiões legais de Teddy, meu irmão teria que ir morar lá e eu não queria isso. — falei. — E também se eles se mudassem para cá e adotassem aqui daria muito trabalho e não precisa disso sendo que eu saio de Hogwarts em alguns meses.

—Também sinto falta dele. — ela disse, com um sorrisinho. — O único pentelhinho que eu suporto. — murmurou. Ela me mirou de lado. — Mas… você tem certeza que está pronta para cuidar dele? — perguntou, erguendo uma sobrancelha para mim. Semicerrei meus olhos para ela. — Não tem… nada que está ocupando sua mente agora? Ou nos próximos meses?

Remus voltou a prestar atenção em nós duas e sua testa se franziu novamente, até Sirius nos olhou de lado, mesmo que ainda com sua expressão de entediamento que tinha sempre. Eu abri a boca para responder, tentando não soar ríspida demais ou apavorada demais.

—O tempo acabou! Finalizem suas poções. — Slughorn disse da mesa dele. Ele se ergueu com um sorriso. — Cataloguem suas poções, por favor, e coloquem em meu armário. — pediu andando pela sala para espiar como estavam as poções.

De lábios cerrados eu peguei uma colher funda e enfiei dentro do caldeirão e depois coloquei no frasco e cataloguei com meu nome e o de Sirius. Então catei minhas coisas depressa. Meu namorado fazia o mesmo, mas assim como Emmeline ele estava me olhando, como se esperasse a continuação da conversa.

—O que Emmeline quis dizer? — ele me perguntou, enquanto íamos colocar nossas poções dentro do armário.

—Ela estava falando do treinamento de Aurores, Moony. — sorri e o beijei nos lábios. — Te vejo depois da sua reunião de monitores, está bem?

Antes que ele me respondesse sai de perto dele ajeitando minha mochila nas costas e catei o braço de Emmeline que terminava de arrumar as dela e a arrastei para fora da sala. Ela conseguiu catar as coisas dela nos braços e foi atrás de mim reclamando, enquanto eu continuava a puxando. Ainda estávamos nas Masmorras, mas eu levei ela o mais longe possível da Sala de Poções. Quando a soltei ela bufou e enfiou os pergaminhos dentro da bolsa.

—Merlin, Addie. — ela choramingou, acariciando o braço dela onde eu tinha puxado. Eu a mirei irritada. — O que? Eu devia imaginar que você não contou para Remus quando você me disse que ia contar.

—Eu sei, porra. — bufei irritada. Cruzei meus braços. — Não posso contar para ele… não posso.

—Bem, você vai ter que contar, seja lá qual seja a sua decisão. — ela disse. Ergui as sobrancelhas.

—Como você contou a Sirius? — perguntei maldosamente. Me arrependi logo em seguida e Emmeline me mirou irritada.

—Eu estou dizendo que você deveria contar para Remus porque agora eu sei que deveria ter contado para Sirius… antes de ter feito qualquer coisa. — ela disse, duramente. — Quer saber, Addie? Eu acho que você não tem ideia de como vai cuidar de Teddy, ainda mais agora. — falou. — Desde que os seus pais morreram… quanto tempo você realmente passou com Teddy?

Fiquei em silêncio. Sem saber o que responder para ela, sem saber o que pensar sobre o que ela disse. Fiquei com medo que ela estivesse certa.

—Teddy…

—Ficou sozinho. — ela me cortou. — No Largo Grimmauld? Você ficou com ele, o que? Dois meses, em que vocês dois estavam em recuperação? E depois voltou para Hogwarts e ele ficou . — disse. — Sei que não é sua culpa, mas e depois? Vocês fugiram no Natal e ele ficou sozinho com os Potter e seus avós, mas ele precisava de você. — disse Emmeline, dando de ombros. — E você ficou toda as férias de verão com Sirius e ele sozinho de novo. — ela murmurou. — Natal você passou aqui em Hogwarts e você está aqui agora!

—Eu posso cuidar dele! — eu disse, exasperada. Passei a mão pelos cabelos, sentindo minha cabeça explodir.

—E do bebê? — ela perguntou baixinho.

Fechei os olhos e me encostei na parede de pedra. Abri os olhos, mirando o teto. O coração agitado demais, mas deixar minha cabeça pensar direito. Só sabia que eu tinha que resolver essa situação que afetava todo o meu futuro. Essa situação que guardada para eu mesma, apenas causaria mais confusão. Era como se eu tivesse um borrão em minha mente que me impedia de pensar com clareza. Pensava em Teddy em Largo Grimmauld, sozinho e assustado, com medo de estar lá sem eu para protegê-lo. Pensava no que havia dentro de mim, que podia se tornar algo e também poderia não se tornar nada. Pensava em Remus, em como ele não estava pronto para aquilo. E como eu não estava pronta para aquilo.

—Vou dar um jeito. — sussurrei para minha amiga. Escutei a respiração dela.

—Vou passar na Ala Hospitalar. — ela me contou. — Ver se Madame Pomfrey precisa de alguma assistência. — disse. Ela vinha fazendo aquilo há um tempo, para ver mesmo se gostaria de ser uma Curandeira e aparentemente estava indo muito bem. — … vai dar tudo certo, Addie. — disse ela e senti seus lábios em minha bochecha, depois escutei seus passos se afastarem.

—Merda. Merda. — murmurei para eu mesma, fechando os olhos com força. Me virei e encostei a testa na parede fria. Senti um calafrio pelo meu corpo. — Merda.

—Você está parecendo com o Barão Sangrento, sabia disso? — ouvi uma voz conhecida dizer perto de mim. — É assustador. — falou. Virei minha cabeça de lado para ver Theodore Nott parado no final do corredor pelo qual Emmeline havia acabado de passar.

—Talvez isso mantenha você longe então, Theo. — debochei. Ele sorriu de lado e colocou a mão dos bolsos da calça e se virou para ir embora, mas então se virou de volta para mim e começou a andar em minha direção, até se encostar na parede em minha frente. Fiquei completamente de frente para ele, minhas costas contra a parede.

—Eu e Kat brigamos.

—E você está me contando isso… porque? — indaguei. Ele engoliu em seco e mirou seus próprios pés.

—Ela está implorando para que eu não… vá na… para que eu… — ele parecia querer me contar algo, mas não podia. Devia ser alguma coisa ligada a Você-Sabe-Quem.

—Me conte logo, Theo. — mandei. Ele suspirou.

—Kat não quer que eu me torne um Comensal da Morte. — ele me contou finalmente. Arqueei uma sobrancelha, um pouco surpresa. Katherine sempre foi uma garota mimada, futil e preconceituosa. Ela não saia por ai tratando mal nascidos trouxas, mas também deixava claro que se achava muito melhor do que eles, talvez não pelo sangue e sim pelo seu dinheiro. — Não posso falar disso com Rabastan ou Severus.

—Bem, estou surpresa que ela tenha um cérebro. — murmurei. Ele revirou os olhos para mim e depois bufou. — O que eu você quer que eu diga, Theo? Você me conhece. — falei. — Eu não vou te incentivar a se tornar um maldito seguidor de Você-Sabe-Quem. — disse. — E é por isso que você está, não é? — bufei. — O que você precisa? Que eu grite? — perguntei para ele, mas não dei tempo para que ele respondesse tantas perguntas que fiz. — Não vire a porra de um Comensal da Morte!

—Theo!

A voz estridente de Katherine atravessou o corredor até chegar em nossos ouvidos. Ela estava no final do corredor, o rosto vermelho de ciúmes e um olhar raivoso, foi quando notei que eu havia me aproximado de Theo e agora estava a apenas um passo dele. Theo pareceu notar isso também, pois se esgueirou pela parede e foi em direção a namorada sem olhar para trás.

—Vamos, Kat. — ele a puxou pela mão carinhosamente e ela me encarou até que ele a tirasse daquele corredor.

—Porque diabos você estava conversando com Adhara Black de novo? — escutei ela dizer. Sorri de lado e resolvi sair das Masmorras antes que acabasse encontrando mais algum sonserino. Subi as escadas para o primeiro andar, passando por Jacques Burke e Tati Corecha se beijando encostados em um canto da escadaria que eu subia para sair das Masmorras. Passei pelos sapos do coral quando fui continuar as subir as escadas. Cheguei no corredor vazio do quarto andar que normalmente tinha o Barão Sangranto zanzando por ali, por isso eu e os Marotos aprendemos a lidar com ele desde cedo. Entrei na passagem secreta atrás do espelho e caminhei pelo corredor vazio e um pouco escuro até chegar na porta da Casa na Árvore.

Remus estava lá dentro, sentado no sofá velho. Com sua mão direita segurava um livro de Defesa Contra As Artes das Trevas que lia atentamente e com a mão esquerda acariciava os pelos escuros de Padfoot que estava transformado com a cabeça descansando no colo de Remus e seu focinho molhado contra a coxa dele. Eu sorri para aquela cena tão comum, mas que sempre me fazia sorrir.

Tirei minha capa e joguei na Mesa de Centro. Me sentei na poltrona perto do sofá e foi quando meu namorado me olho nos olhos. Ele sorriu para mim e eu sorri de volta, só que meu sorriso parecia uma mentira, como tudo com Remus parecia uma mentira, porque eu estava mentindo para ele o tempo inteiro, a cada segundo que eu olhava em seu rosto, sorri e não dizia nada.

Padfoot roncou me trazendo de volta a realidade e Remus acariciou atrás da orelha dele o que fez seu rabo se mexer involuntariamente. Ele abaixou seu livro porque eu estava quieta há muito tempo.

—Addie. — ele me chamou.

—Você acha que eu sou boa irmã? — indaguei. — Para Teddy?

—Claro que sim.

—Mesmo? Eu não…

—Mesmo, Addie. — ele me disse, sério. Pousou seu livro na cocha em que Padfoot não estava deitado e esticou o braço para pegar na minha mão.

—Eu vou ser como a mãe dele, Remus. — eu disse, um pouco assustada. — Eu vou ser aquela pessoa que diz para ele o que é certo e o que é errado. — falei. — Ele só tem seis anos, Remus. — murmurei, mordendo meu lábio inferior nervosamente. — Teddy não sabe nada sobre vida. — falei. — As vezes eu acho que eu também não sei nada sobre vida.

—E você vai ensinar a ele o que ele não sabe ainda e vai aprender algumas coisas também. — meu namorado me disse, carinhosamente. — Como seus pais fizeram com você.

—Eu tenho dezoito anos, Remus.

—Sei disso. — ele me disse. — E infelizmente, isso foi o que a vida reservou para você, Addie, e eu realmente acho que você vai ser uma mãe fantástica.

Seu rosto parecia ser tão sincero, tão verdadeiro que eu sentia vergonha de como eu podia mentir na cara dele como estava fazendo agora. Ele era tão gentil e não merecia ter isso escondido dele.

—Acha que Emmeline teria sido uma boa mãe? — indaguei, começando essa conversa para que depois chegasse onde eu queria. Ele pareceu pensar por um tempo. — O que acha que teria acontecido se ela tivesse tido o bebê?

—Não vejo isso acontecendo. — ele deu de ombros. — Ela abortou porque sabia que era a decisão certa. — me disse. — Ela não estava pronta para ser uma mãe ou Sirius para ser um pai. — falou, mirando meu primo dormindo em seu colo em sua forma animaga.

—O que você faria se estivesse no lugar de Sirius? — quis saber. Meu tom de voz era casual, como se isso tivesse acabado de surgir na minha mente.

—Isso não pode acontecer comigo, Addie. — ele me respondeu, me mirando com a testa franzida. — Nunca. — sua voz foi tão verdadeira quanto antes e me quebrou em milhões de pedaços. — Você sabe o que eu sou. — murmurou. — A criança poderia nascer como eu e então não suportaria a transformação sendo um recém-nascido. — falou. — E eu não suportaria o fato de que matei meu próprio filho.

Senti minha garganta fechar, meu coração acelerar. A vontade de vomitar chegou até minha boca com um gosto terrível e eu beijei Remus para que ele não notasse meu olhar de pânico. Ele me beijou de volta e eu me curvei na poltrona para que eu continuasse ao beijar para que conseguisse me recompor e sair dali sem que estivesse em prantos. Suspirei quando me separei dele e sorri o melhor que pude.

—Eu vou ir tirar uma soneca no dormitório. — menti para ele e o dei um selinho. Me levantei e caminhei para a porta.

—Addie. — ele me chamou quando eu estava com a mão na maçaneta.

—Sim, Remus? — indaguei, meu coração voltando a acelerar, com medo que ele fizesse a exata pergunta que iria me desmascarar toda.

—Está tudo bem? — indagou. Eu sorri para ele, ainda tremendo. — Sabe que vai ficar tudo bem com Teddy, certo? — quase suspirei de alívio quando essa foi a pergunta que ele me fez. Que ele havia entendi que tudo isso era sobre Teddy.

—Claro, Moony. — respondi. — Vai ficar tudo bem.

—Addie, o que aconteceu? Addie? — indagou Emmeline andando atrás de mim depressa.

—Remus não pode ter filhos! — eu disse, alterada. Saindo daquele beco que eu havia acabado de fazer Emmeline nos aparatar. Não parei de andar e atravessei a rua movimentada. Ela continuou me seguindo.

—O que? Como assim? — ela parecia muito confusa quando parou ao meu lado novamente de frente para aquela clínica que havíamos ido duas vezes nos dois sábados anteriores.

Dessa vez não tinha freiras protestando contra o aborto, não tinha a barraquinha de cachorro quente. Dessa vez o dia era diferente e eu sabia disso. Eu precisava tomar aquela decisão, não podia simplesmente fechar os olhos e esquecer, uma hora explodiria na minha cara e eu não teria escolha. Não sabia porque aquela escolha parecia ser tão mais difícil para mim do que para Emmeline. Porque eu não conseguia fazer como ela havia feito? Porque eu só não entrava naquele lugar e fazia o que precisava?

Emmeline ao meu lado parecia extremamente inquieta, até que ela murmurou que precisava muito ir ao banheiro e correu para o outro lado da rua onde tinha uma lojinha de conveniência. Observei ela entrar na loja apressada e voltei a olhar para frente.

Comecei a pensar na maravilhosa noite de véspera de Natal. Sem preocupações na mente, apenas eu e Remus juntos. E naquele momento nós éramos o mundo todo. E naquele momento, naquela única vez, entre todas as possibilidades existentes eu fiquei grávida. Naquela maldita única vez que eu fui descuidada, que eu vacilei. Quais eram as chances? As possibilidades? Era como aquelas meninas que eram virgens e engravidam logo na primeira vez. Tão improvável, mas, ainda assim, a possibilidade estava lá.

E o que mais me assustava nisso tudo não era ter bebê, me tornar uma mãe, ter uma pessoa totalmente dependente de mim. O que me assustava era Remus. Eu não podia fazer isso com ele ou com o bebê. Ele estava certo, tinha a possibilidade do bebê nascer com licantropia, simplesmente não tinha como saber. Em todos os livros que eu li nenhum falava sobre um filho de um lobisomem, nada dizendo que o filho nasceria com a doença ou se nasceria como um bruxo normal.

Um pensamento cruzou minha cabeça rapidamente quando eu olhei para dentro da clínica e consegui ver a mesma mulher que ficou me olhando nos sábados anteriores. Ela usava seu uniforme cor-de-rosa, os cabelos crespos presos em um rabo de cavalo alto. Seus olhos encontraram os meus.

Era melhor falar ou morrer?

Sem olhar para trás comecei a dar largos passos em direção aquela clínica que eu nunca nem havia ousado entrar. Precisava fazer isso. Eu era uma Grifinória e precisava enfrentar meu medo antes que ele visse me pegar.

—Addie! Addie! — escutei a voz de Emmeline ofegante. Ela parecia vir correndo do outro lado da rua. Não virei a cabeça, mas de canto de olho pude a ver chegando na calçada, segurando um milkshake grande na mão. Ela pareceu correndo. — O que você… Puta merda!

Os passos dela atrás de mim pararam e eu não virei para trás para saber o porque. Eu não precisei abrir a porta, porque quando cheguei lá a mulher de uniforme cor-de-rosa abriu para mim com um sorriso sem dentes. Entrei olhando para os lados. Tinha algumas mulheres grávidas sentadas nas cadeiras de espera, algumas com a barriga já enorme, outras menores. Também haviam algumas sem barriga alguma.

Me sentei na primeira cadeira de espera e a mulher de uniforme se sentou ao meu lado depois de pegar um copo de água o qual ela me entregou. Sorri agradecida e peguei o copo de plástico. Tomei um gole para molhar minha garganta seca.

—Meu nome é Joanne. — ela se apresentou, agora mostrando seus dentes em um sorriso. — Mas você pode me chamar Jo. — disse. — E você…?

—Dahlia. — murmurei em resposta.

—Oh. Como a flor? — ela indagou.

—Exatamente. — respondi.

—É um belo nome. — disse. Ela me observou tomar mais um gole de água. — Quer me contar o que está acontecendo com você, Dahlia? — ela quis saber.

Olhei Jo de lado e logo voltei a olhar meu copo agora metade cheio.

—Bem, eu estou grávida. — dei de ombros e mirei seus olhos. Ela não falou nada. — E… não sei o que fazer.

—Entendo. — murmurou. — Aquela garota que sempre acompanha, quem é ela?

—Minha melhor amiga. — contei.

—Alguém mais sabe sobre isso sem ser ela? — perguntou. Neguei com a minha cabeça, sincera. — Seus pais?

—Meus pais estão mortos. — falei um pouco ríspida.

—Sinto muito, querida. — disse, tocando em meu ombro carinhosamente. — O pai?

—Ele… — engoli em seco. — Ele não pode… ele não quer filhos.

—Ele está te forcando a vir aqui…

—Não. — cortei. — Como eu disse, ele nem sabe que estou aqui. — falei, bebendo mais um gole de água. — Ou sobre o bebê.

—Entendo. — ela murmurou novamente. — Vamos fazer o seguinte, está bem? — ela disse. Assenti. — Posso ver que você devia estar na escola nesse momento. — falou, olhando meu uniforme de Hogwarts. Ainda bem que eu e Emmeline estávamos sem nossas capas do uniforme, não era anda comum trouxas usarem capas assim. — Quero que volte para sua escola e descanse. Marcarei uma consulta com um doutor para você que conversará com você sobre suas opções e eu te vejo novamente no sábado. — me disse. — Como isso soa?

—Ótimo. — falei. Ela pegou algumas informações minhas e marcou a consulta para mim. Depois me acompanhou até a porta da clínica, pelo vidro eu não via nem sinal de Emmeline, talvez ela tivesse voltado para o beco. — Obrigada, Jo. — disse.

—Dahlia… — ela me chamou quando me virei para sair. — Você pode escolher o que quer fazer, sabe disso, não é? A escolha está em suas mãos e de mais ninguém.

Me virei e caminhei para fora da clínica. Meu coração parecia estar mais calmo do que quando eu não havia entrado lá, só que agora eu parecia ainda mais confusa com meus sentimentos. A escolha era de fato minha, mas eu era capaz de fazer a escolha certa?

Atravessei a rua e fui para o beco depressa, querendo saber onde diabos Emmeline estava.

—Finalmente! — olhei surpresa para Emily que estava parada ao lado de Emmeline de braços cruzados.

—Ela seguiu a gente! — acusou. Emily revirou os olhos. — Usou um feitiço e tudo para saber para onde aparatamos.

—É claro que segui! — confirmou. — Vocês andavam se esgueirando nos passeios a Hogsmeade e então eu vi vocês fugindo de Hogwarts! Eu tinha que saber o que estava tramando.

—Eu contei a ela, Addie. — disse Emmeline dando de ombros. A mirei desacreditada, mas ela não parecia culpada.

—Não acredito que você grávida, Emmeline. — murmurou Emily. Me virei para Emily tentando esconder minha surpresa e depois olhei para Emmeline de volta e o olhar dela me disse tudo. — Então, o que disseram?

—Ahn… marquei uma consulta para Emmeline. — menti.

—Ótimo. — disse Emmeline, tomando o milkshake dela. — Obrigada, Addie. Agora vamos embora, sim?

Emily revirou os olhos e roubou o milkshake de Emmeline antes de aparartar sozinha para Hogsmeade. Eu e Emmeline nos entreolhamos e eu segurei o braço dela para que ela aparatasse.

—Eu realmente amo muito você, Emmeline.

—Eu sei. — ela sorriu. — Mas, Addie, essa mentira não vai se sustentar por muito tempo.

Me deitei no chão do dormitório, observando Emmeline fazer uma poção animadamente. As janelas estavam abertas por causa da fumaça que a poção fazia. Era a Poção do Morto Vivo e Emmeline estava se saindo muito bem nela.

—Lily me ensinou uma técnica muito boa. — ela me contou. Afinal, no sexto ano quando aprendemos sobre essa poção, Lily e Snape foram os únicos que conseguiram fazer ela com completo sucesso.

—Emmeline. — suspirei. Ela me mirou um pouco ocupada, mas enfeitiçou a colher para mexer a poção sozinha. — Eu não tenho muito mais tempo.

Ela abaixou o fogo do caldeirão e guardou o resto dos ingredientes que havia usado para fazer a poção. Limpou os instrumentos e guardou tudo, então pegou o caldeirão pela alça.

—Eu preciso entregar isso para Slughorn avaliar, está bem? Vou voltar em meia hora. — disse. — Me espere.

Não falei nada apenas sorri de lado e observei sair do dormitório.

Suspirei, catando meu travesseiro para enfiar minha cara nele com tudo. Sem vontade de sair dali para fazer alguma lição ou revisar para o NIEMs. Sem vontade de fazer nada, incluindo tomar uma decisão.

—Addie. — escutei Emily falar, depois de eu já ter estado uns dez minutos sozinha no dormitório. Ela entrou e se jogou no chão ao meu lado, mas estava em cima do tapete roxo, enquanto eu estava no chão de madeira. — Eu acabei de ver Rabastan dando em cima de Diana Rosier. — ela me contou, ficando de costas no tapete. — Que idiota, não é? Eu devia ter te escutado. — murmurou, pegando um cigarro do bolso da saia. A olhei fazer uma cara de irritada e sorri.

—Se lembra da nossa briga no quarto ano? — indaguei a vendo acender o cigarro com a varinha para fumar, virei meu rosto para o outro lado para a fumaça não entrar no meu nariz e saquei minha própria varinha para fazer a janela se abrir.

—Sim. — ela riu, assoprando a fumaça. — Você enfiou a minha cabeça na privada. — murmurou.

Eu ri também e não vi ressentimento nos olhos dela quando me olhou rindo, mas talvez ela estivesse escondendo bem.

—Eu fui uma babaca. — falei, tocando o tapete felpudo com a mão direta, sentindo como era fofo e esfreguei meus dedos nele. — Você também.

—Eu sei.

—Nós nunca… nos desculpamos uma com a outra. — comentei. Ela assentiu e me ofereceu o cigarro que eu neguei com um aceno.

—Talvez foi melhor assim. — ela disse. — Nós estamos bem agora, certo? Você não se importa mais em ser a melhor da escola e eu não… falo merda sobre Lily.

—Nunca se desculpou com Lily. — acrescentei. Ela bufou e a fumaça saiu pelo seu nariz.

—Eu não vou ser contra… Dumbledore e o Ministério. — ela disse para mim se sentando. — Quero que todos os Comensais da Morta se fodam. — falou com ódio nos olhos. — Principalmente aqueles que mataram os meus pais. — disse, tragando o cigarro com força. — Mas… eu não vou lutar em batalhas contra eles… só quero ficar fora disso. — falou com muito certeza. — Meu pai se meteu e olha o que aconteceu com ele.

—Eu vou lutar. — falei, apesar dela já saber disso.

—Eu voltei! — cantarolou Emmeline e ela tirou algo da capa. Uma garrafa cheio de hidromel. — Quando Slug foi guardar minha poção e afanei essa garrafa do estoque especial dele. — ela riu se jogando ao nosso lado. Era sexta feira e amanhã seria a consulta que eu deveria ir.

—Então… você decidiu abortar? — indagou Emily, abrindo a garrafa de hidromel para dar um gole.

—Oh… eu não sei. — Emmeline deu de ombros. — Argh, dor de barriga. — disse, indo para o banheiro.

—Não acredito que ela está grávida. — disse Emily, olhando para a porta do banheiro.

—Não vamos falar sobre isso. — murmurei.

—Mas isso é…. é do Sirius? Peter? — ela arregalou os olhos. — Digo… o quão burra você tem que ser para engravidar aos dezessete? — ela indagou, bebendo mais um gole.

—Bem! As vezes você pode fazer tudo certo, toda vez e… — bufei. — … um dos carinhas consegue passar mesmo assim.

—Como?

—Eu não sei. — fiz uma careta. — Talvez eles tenham ferramentas. — falei. Emily deu uma risadinha.

—Vai ser tão difícil se ela decidir ter o bebê. — disse Emily. — Ela não vai ter um dia para ela, pelos próximos, o que? 18 anos? — ela parecia exasperada falando e eu fiz outra careta. — Você está bem?

—Sim. Sim. — murmurei com a voz fraca. — Só pensando na pobre prenha Emmeline.

Emily suspirou e me ofereceu o hidromel que ela vinha bebendo sozinha. Catei sem pensar e bebi um gole, mas antes que engolisse arregalei os olhos. Eu não andava fumando ou bebendo desde que descobri que estava grávida. Mirei Emily de lado e cuspi de volta na garrafa.

Ela me encarou com a testa franzida e eu dei um sorriso amarelo.

—É como os franceses bebem, na verdade. — eu disse. Ela abriu a boca chocada e apontou para mim.

Emmeline saiu do banheiro e sorriu para nós já catando o hidromel, enquanto Emily continuava me encarando chocada demais para falar algo.

—Então, meninas, eu encontrei Sirius no caminho e ele disse que terminaria com Jackie Rudetsky por mim. — ela contou. — E eu disse… Sirius, Sirius Black, você tem certeza? — disse ela. Emily trocou um olhar comigo, não acreditando. — Então, Sirius disse…

—Addie é que está grávida, na verdade? — cortou Emily.

—O que? — Emmeline se fingiu de chocada, depois olhou a cara de Emily. — Argh, porque me incomodar?

—Como você se sente, Addie? — indagou Emily, preocupada.

—Eu não sei como me sinto. — respondi, honestamente. — Tudo está acontecendo tão rápido. — falei. — Agora eu tenho que tomar todas as essas decisões que eu não quero tomar. — falei, pegando o hidromel para tomar um gole, mas cuspi de volta na garrafa antes engolir. — Merda! Alguém tira isso de perto de mim. — pedi.

Emily catou da minha mão e passou para Emmeline que colocou longe do meu alcance. Emmeline comprimiu os lábios parecendo pensar em algo.

—Talvez você não esteja grávida, Addie. — disse ela. Franzi a testa. — Quando eu fiquei grávida eu fiz vários testes, trouxas e bruxos só para ter certeza. — contou. Emily arreglou os olhos.

—Espera! Você realmente esteve grávida? O que? — ela parecia tão confusa e chocada. — Será que é uma epidemia? — ela indagou.

—Estive grávida do Sirius e eu abortei. — disse Emmeline, simplesmente. — Está tudo bem agora.

—Da próxima vez que alguém engravidar, por favor, me conte na hora, está bem? — bufou Emily cruzando os braços. — Mas, ela está certa, Addie, talvez seja um falso positivo.

—Mas foi uma poção.

—Poções podem ser mal feitas. — disse Emmeline, dando de ombros.

—Tem certeza que fez xixi na poção certo? — indagou Emily.

—Quantas maneiras há de fazer isso? — perguntei, mesmo que eu tivesse cuspido na poção e não feito xixi nela.

—Vamos fazer isso! — disse Emmeline, se levantando do chão. — Eu encontro uma poção nova, Emily você fica bêbada porque precisamos de alguém bêbado e não pode ser a Addie. — ela falou. — E você, Addie, espera no banheiro. Nos encontramos em vinte minutos!

Eu e Emily no enfiamos no banheiro pelos próximos vinte minutos, esperando Emmeline chegar com a poção. Emily se embebedava de hidromel e tagarelava sobre qualquer coisa que cruzava a mente dela, dessa vez era sobre a crise dos tapetes mágicos. Eu sabia e ela sabia que eu não estava prestando atenção em nada que ela dizia, mas ela continuava falando mesmo assim e eu continuava fingindo achar muito interessante.

—Nós deveríamos dançar. — sussurrei. Antes que Emily me respondesse catei minha varinha do bolso e apontei para a porta aberta fazendo uma música começar a tocar no meu toca-discos. Era o álbum do Chuck Berry que estava colocado e You Neve Can Tell começou a tocar. Fechei a porta e me encostei nela, a música ficou um pouco abafada, mas ainda dava pra ouvir muito bem.

Emily bebeu um gole grande de hidromel com facilidade e acender um cigarro, assoprando para o lado da janela pequena do banheiro. Meus ombros começaram a se mexer e Emily parou de falar. Balancei a cabeça no ritmo da música e comecei a dançar na frente do espelho. Mexi os quadris agachando meu joelho e depois levantei novamente querendo mais que tudo tomar aquele cigarro de Emily e tragar. Ela parecia estar se divertindo com a música também mexendo os ombros e o cigarro entre os lábios.

"C'est la vie", say the old folks, it goes to show you never can tell. — cantei sacudindo meus cabelos.

—Consegui! — Emmeline apareceu abrindo a porta. Ela desligou a música, fazendo uma bêbada Emily vaiá-la. — Faça, Addie.

Peguei da mão dela o frasco de poção que não tinha cor nenhuma ainda e abri. Cuspi nele e fechei novamente. Sacudi o frasco e o pousei na pia. Fiz tudo bem rápido para que não desse tempo de pensar muito antes de fazer. Comecei a andar pelo banheiro com as mãos na cintura. Emily se sentou na pia ao lado do frasco como se não conseguisse ficar em pé por muito mais tempo. Emmeline entrou na banheira vazia e ficou com as pernas balançando para fora.

—Porra, eu não quero ver! — falei agarrando o frasco e jogando no colo de Emmeline que catou precisamente. Ela suspirou colocou o frasco no colo de um jeito que eu não conseguia ver a coloração da poção. Dei mais duas voltas no banheiro e Emily terminou o hidromel. — Quanto tempo falta?

—Provavelmente, 30 segundos ou quase. — chutou Emeline. A mirei um pouco chocada de que havia passado tão pouco tempo, já que parecia horas desde que eu havia cuspido dentro do frasco.

—Meninas? Vocês estão ai? — a voz de Lily soou docemente através da porta. Emily endureceu em pânico, provavelmente porque estava muito bêbada. Emmeline me olhou um pouco preocupada porque Lily podia ser o ser mais teimoso da face da terra quando queria.

—Emily passou mal. — eu falei para ela, calmamente. — Estamos cuidando dela.

—Isso mesmo! Não estamos fazendo nada de errado! — praticamente berrou Emily. Emmeline a chutou na canela e ela gemeu de dor. — Digo, eu estou muito bêbada.

—O que? Me deixem entrar, por favor. — pediu Lily, educadamente. Bufei e troquei um olhar com Emmeline. Fui até a porta e abri só um pouco.

—Está tudo bem, Lily. — sorri. — Emily está tendo um momento vergonhoso sobre Rabastan Lestrange agora. — eu disse, fazendo uma careta convincente. — Te vejo depois, tá? — disse e pisquei para ela fechando a porta e trancando em seguida.

Eu e as meninas ficamos em silêncio e parecia que Lily havia ido embora ou, pelo menos, estava quieta no dormitório e não pretendia entrar novamente.

—Merda e se Lily estiver grávida também? — falou Emily bobamente, arregalando os olhos.

Suspirei e enfiei o rosto na cara. Emmeline chutou Emily novamente que caiu da pia para o chão gritando um palavrão e Lily abriu a porta com tudo com um Alohomora poderoso.

—Por Merlin, o que está acontecendo aqui? — indagou Lily o rosto vermelho, os olhos semicerrados cheios de desconfiança. Ela olhou dentro da alma de cada uma de nós e fechou a porta com pé com tudo. — Se expliquem.

—Eu estou bêbada! — berrou Emily do chão se levantando ao se forçar contra a pia

—Eu estou fazendo sexo com Sirius Black. — disse Emmeline. Eu e Lily a encaramos chocadas, até eu notar que Emmeline estava mentindo por mim, mas, mesmo assim, eu disse…

—Estou posso grávida. — Lily me olhou como se não pudesse acreditar no que eu falava, só que bastou ela me olhar no olhos que pode ver que eu dizia a verdade. — Estamos fazendo o teste agora.

—Adhara. — murmurou Lily tocando nos meus braços carinhosamente daquele jeito que só ela sabia ser. — Independente do que acontecer, eu vou te ajudar. — disse.

—O tempo acabou. — disse Emmeline, com o frasco guardado dentro das suas duas mãos juntas.

Emily subiu de volta na pia e Lily segurou minha mão com força, enquanto eu caminhava até a banheira. Suspirei indo pegar o frasco, mas minha mão congelou no caminho.

—Me conte, Emmeline. — pedi, encolhei a mão contra o corpo. Emmeline espiou para a coloração do frasco de um jeito que eu e as meninas não conseguíamos ver. A expressão dela era extremamente neutra e eu não conseguia ler o que ela pensava.

—Deu negativo. — disse ela.

Foi como se tudo tivesse congelado. Como se as palmas animadas de Emily tivessem congelado no ar. O começo de um sorriso carinhoso de Lily parada antes que fosse completo. O olhar sério de Emmeline para o meu rosto congelado no tempo.

Coloquei minha mão contra a minha barriga que antes eu achava ter algo crescendo dentro. Um bebê. E eu havia pensado em como a minha vida seria depois dele, de como eu viveria, o que aconteceria. Pensei tanto em mim que não pensei nenhuma vez nele. Seria uma menina ou um menino? Teria os olhos âmbar como os de Remus e cabelos loiros claros como eu? Ou teria o cabelo preto da minha família e olhos azuis? Iria para Grifinória? Gostaria de Quadribol? Eu não pensei em nada disso. Eu achava que teria um bebê e nem pensei nele. Não pensei nas tantas possibilidades do que ele poderia ser. Havia a possibilidade dele ser um sonserino ou lufano. De ser um grande monitor ou um grande jogador de quadribol, ou até mesmo nenhum dos dois. Tinha a possibilidade dele ser qualquer coisa, assim como tinha a possibilidade da minha vida com ou sem ele. Mas antes ele, pelo menos, existia, ele tinha chance de ser algo e agora não tinha nada.

Porque ele não existia.

E comecei a sentir falta disso. Sentir falta de algo que nunca existiu.

—O que? — murmurei fracamente.

—Deu negativo, Addie. — Emmeline me respondeu.

—Você está feliz? — indagou Emily com um sorriso de orelha a orelha, mas Lily e Emmeline não sorriam como ela.

—Sim. — falei. — Isso é ótimo. — disse, até dando um suspiro como de alívio. — Porque eu não estava pronto, sabe? E…. isso é tão como deveria ser, não é? — murmurei mais para eu mesma.

—É, é ótimo. — murmurou Emmeline, me olhando atentamente. Lily ainda segurava a minha mão e fez um carinho nela, me fazendo olhá-la.

—Addie...

—Eu estou bem. — disse, tentando não chorar. — Como eu poderia estar chateada por algo que eu não tive? — eu ri, fingida. — É… negativo? — indaguei ao ar.

—Não. — respondeu Emmeline, levantando da banheira. — Deu positivo.

—O que? — indagou Lily, atônita como eu.

—Não é negativo. — ela deu de ombros. — Deu positivo. — repetiu.

—Preciso de mais bebida. — murmurou Emily.

—Você tem certeza, Emmeline? — quis saber.

—Sim. — ela disse, colocando o frasco na pia ao lado de Emily. O frasco tinha a coloração arroxada. — Eu menti antes.

—O que? — quase berrei.

—Agora você sabe como realmente se sente, Addie. — ela disse, com um sorrisinho.

—Isso foi muito esperto, Emme. — riu Lily.

Eu estava grávida. Eu realmente estava grávida. Todas as possibilidades ainda existiam para serem escolhidas ou não. Um bebê com os olhos de Remus e cabelos pretos podia nascer daqui a alguns meses. Ou um bebê loiro de olhos azuis-escuros. Menino ou menina. Lobisomem ou não. Meu bebê existia dentro de mim.

—Meninas. — chamei, acariciando a minha barriga. — Acho que eu vou ter esse bebê.

—O que você vai fazer?

—Você não pode voar, Addie.

—Vou dar um jeito. — falei, exasperada. Emmeline e Lily continuaram não satisfeitas. O rosto de Emmeline estava metade pintado de amarelo dourado e metade pintado de vermelho. Lily tinha em suas bochechas duas linhas pintadas, também as cores da Grifinória. As duas prontas para torcer no primeiro jogo de quadribol do mês de Abril.

Estávamos em frente ao vestiário de Quadribol da Grifinória, o time estava lá dentro se preparando para a grande partida.

—Como? — quis saber Lily. — Vai ter balaços voando em sua direção o tempo todo!

—Eu vou dar um jeito. — repeti, sentindo minhas costas tensas. Escutava o discurso animado de James dentro do vestiário e o barulho da torcida animada para o começo do jogo. — Prometo. — disse. Elas suspiraram. — E Remus?

—Eu subornei um terceiranista para ficar fazendo perguntas sobre Defesa Contra As Artes das Trevas para Remus. — disse Emmeline. — Isso vai atrasá-lo.

—Porque não o quer aqui, Adhara? — indagou Lily.

—Eu só… não quero que ele me veja… e veja… eu vou me concentrar mais se ele não estiver aqui, está bem? — gaguejei, me afastando das duas.

—Addie, onde você está indo? — berrou Emmeline, mas eu continuei andando para longe delas, precisava espairecer, tomar um ar, sem elas me perguntando o que fazer.

Acabei indo para atrás dos vestiários e foi quando o vi lá, ele em seu uniforme de quadribol, sua vassoura embaixo do braço e sua namorada virando para ir embora sem me notar. Andei até ele assim que ela saiu de vista. Ficamos em silêncio até eu me apoiar na parede ao seu lado e vomitar no chão sem conseguir ter nenhum controle pelo meu corpo.

—Eu estou grávida.

Notas finais
ELA VAI TER O BEBÊ! ACHARAM QUE ISSO IA ACONTECER? Quando será que ela contará a Remus e qual será a reação dele? O que mais gostaram do capítulo?? Me falem suas opiniões. Agora para vocês saberem o que vai acontecer... PRÉVIASSSSSSSSSSS: 1º: "-Addie nunca desisti de nada." 2º: "Porque diabos Theodore Nott havia se jogado na frente de um balaço por mim?" 3º: " - Quer namorar comigo, Lily Evans?" 4º: "-Geme para mim, Srta. Vance." 5º: "Adhara gritou quando Kat acabou aterrissando em seu braço quebrado e a chutou na barriga tentando a tirá-la de cima dela." SÓ 5 PRÉVIAS PARA MANTER O MISTÉRIO! CRONOGRAMAAAAAAA: Próximo capítulo 12/10 com 10 COMENTÁRIOS e dia 19/10 com 5 COMENTÁRIOS. xoxo ~Aurora