When The Sea Was Godless And Free
1 Lena O'Thorul
Notas iniciais
Irlanda, 1548
O sol descia ao limite das águas, e no limite do penhasco, estava a moça de cabelos pretos. No mar haviam demônios e monstros, e na terra; regras, tradições que permeavam silenciosas e onipresentes.
Os lábios salgados. Os ventos em seus cabelos os tornando ainda mais selvagens. Ela observava o horizonte, o pôr do sol sobre o mar, aquela grandiosa força da natureza. Ali havia a sua motivação, o seu altar para pedir conselhos e encontrar consolo, então, em silêncio Lena prestava respeito.
"Lena." começou como sussurros há longe e se transformaram em gritos impacientes.
"Lena." dizia a realidade.
"Lena!"
Sua mãe toca em seu ombro e a mudança de semblante é perceptível.
Não pode culpá-la. Os "monstros" que contrariavam cada desejo seu, Lilian chama-os de amigos.
Lillian tomou firmemente sua mão e começou a guiá-la no caminho de volta para o castelo, e a terra sujando as barras dos vestidos.
Não havia erro em sua conduta certamente, ela afirmava, mas o único desvio de Lena era insistir nos devaneios, no seu sonhar acordado e depois da sua fuga diante de um evento importante. Um ultraje, francamente.
Lena estava acompanhando o jantar.
Um dos homens brada. "E eu perguntei: Aquele com a cara de peixe?"
Todos riem e algo falta. Lena olhou para o grande salão e todos estavam absortos em suas atividades.
Os serviçais limpando as vidraças que a luz do sol trespassava. As moças delgadas de faces rosadas em seus cochichos e pequenas risadas, observando os outros jovens, novos homens que não falavam, apenas repetiam as ações dos pais.
Algo tão simples e jovial. Apesar do conhecimento de Lena em ciências ou línguas, esses eram assuntos enfadonhos para qualquer alma que apenas deseja apenas uma boa taça de vinho.
Ela pediu permissão para se ausentar por alguns minutos.
E ela anda, corre para a beira do penhasco íngreme que recebia os ricochetes d'água do mar e respira o ar fresco e devolve o peso do seu peito para atmosfera.
Mas, agora, Lena sendo o alvo do olhar ferrenho da mãe, o peso retorna.
"Esses devaneios e sua juventude passando, o tempo tomará seu sorriso, enquanto você deseja se desviar do conforto de uma vida planejada, mas ao mar não encontrará conforto." Lilian para, medita e lança suas últimas palavras.
"Lionel não encontrou"
Lilian alcançou o seu objetivo sádico, mas Lena esforça o semblante para que ele permaneça nulo.
Por que há tanto poder nesse olhar duro, afiado. Oh, como havia! O tempo em cada traço e poro.
A filha mais nova de Lionel O'Thorul não podia torna-se chefe do clã.
Você não tem a noção do que desejas, nobre senhora.
Em seus primeiros enjoos, calos e queimaduras em sua fina pele, o castigo de um sol punitivo. Saberá.
Nosso Deus todo poderoso tenha misericórdia de ti, pois o mundo não terá, e sabes certamente. Para tu que caminhas com a cabeça erguida, arrogância de berço e a esperança de um mundo acolhedor.
Bem, as decisões não são fáceis. Nunca foram.
Ela cumpriu as vontades da mãe e a vida seguiu. A bela moça fincou os pés no caminho e na correção de sua mãe e ali permaneceu, e tornou-se uma esposa exímia.
Os seus devaneios foram as vestes limpas das crianças, o brilho da prataria, o sorriso que se sustentou em seus lábios aos cansativos jantares e a satisfação do seu marido.
Lena estava em paz com a narrativa que já lhe era de costume: ora como moeda de troca por seus parentes no cenário de alianças políticas em constante mudança ora respondendo ao marido ora excluída das guerras e da formulação de políticas.
Contudo, os homens tolos, vítimas incompreensíveis da narrativa de um deus irônico, foram afetados por um golpe, o chefe e sucessor do clã foram assassinados e Lena O'Thorul foi presenteada com a posição sensível de comando.
Ela possuia as terras do falecido esposo, da sua família, condados em constantes disputas e um tirano a perseguindo.
A filha de Lionel necessitou sobreviver, realizar a sua função da maneira mais efetiva possível, apesar de sentir-se estrangeira àquela posição e manter a sua sanidade.
O poder atribuído à si: homens e caravelas. Certamente, Deus e seus estranhos favores aos mortais.
20 anos depois, há somente as cicatrizes das prisões, dos abusos e agressões que ela esconde sob o espesso manto orgulhoso da família.
A morte do pai, os primeiros casamentos, a insensatez do irmão, a vida no mar e por fim a mãe que em seus últimos dias acreditou na morte causada por desgosto.
Apesar do amargo persistente e a influência das terras secas que ainda a encontram, ela ainda se permite devanear ao pôr do sol. A jovem senhora, pagã do deus mar.
Sem mistério em seu caminho, somente a fome de conquistar.
Da popa de seu navio, ela contemplava o mar e furtivamente, o Tempo paira sobre a cena e sua atenção cai naquela mulher.
O Tempo em sua onipresença de vez em quando a visita em seus melhores momentos.
Ela sempre estará lá, procurando apreciar uma boa vista.
Hoje, ele a encontrou sem expressão alguma, mas com olhar firme em qualquer canto no mar e o Tempo é tomado pela inveja.
O intenso burburinho no convés abaixo interrompe o seu transe e cansa sua paciência.
Havia uma roda de pessoas e a capitã foi investigar. Ela se aproxima e os homens começam a sair de seu caminho.
No meio do grupo, ela encontra um homem franzino ajoelhado. Um novo passageiro a bordo e ele significa perigo.
Lena levanta o queixo do suspeito. O rosto sujo e comum de garoto púbere; cabelos loiros e olhos azuis.
O novo passageiro não falava e pelos maus modos, ele ganhou algumas escoriações nos lábios e olho.
A capitã mantém a posição, analisando o passageiro indesejado. Ele estreita os olhos com os raios de sol incomodando a visão, deixa a cabeça cair e permanece imóvel.
"Vocês dois, tirem-no daqui." ela ordenou.
"É o inglês?" um dos homens comenta, "Não encontramos as cartas."
"Mas, nós ainda precisamos dele vivo." A capitã responde em seco.
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