When The Darkness Comes
1 Odeio a fogueira.
Pre.con.cei.to: É uma ideia formada antecipadamente e que não tem fundamento sério.
Não importa para qual parte do mundo você vá, não há UM sequer em que você não vá ser vítima de um pré-julgamento, muitas vezes injusto. Falo isto porquê mesmo eu já o fizera, todos fazem, mesmo que inconscientemente.
No lado divino do mundo não seria diferente, TODOS sem exceção sofrem e cometem o ato preconceituoso. É só olhar para o Olimpo e ver, os deuses perfeitos que nos governam; A começar por Zeus, o prepotente rei do Olimpo, ele acha que todo o poder pertence à ele, que ninguém é mais forte que ele, ou inteligente que ele. Do outro lado há Hades, sua imagem associada a tudo o que há de ruim no mundo, se um dia for ao submundo, irá já crente da pessoa abominável que ele é.
A consequencia disto são os semideuses agirem da mesma forma, na corrente histórica, só os filhos dos doze grandes, maior destaque aos filhos dos três grandes: Zeus, Poseidon e Hades; São fortes o suficiente para travar missões históricas, e fazer parte de profecias. O que vier de deuses menores não tem tanta eficacia, pois estes são apagados da história.
– O que você está fazendo? — Perguntou o garoto que a poucos nadava na água salgada da praia de Long Island. Percy Jackson, o salvador de ambos os acampamentos, a quem todos idolatram, seria idiota dizer que não o julguei precipitadamente como costumo fazer. Porém, o que me admira do moreno, é sua pureza quanto a tudo, não importa o quanto os anos se passaram, Percy sempre vê o que há de bom em tudo, só atribuindo uma imagem certa ao conhecer realmente, por ISTO o garoto é meu herói, não por ter matado seiscentos e não sei quantos monstros, ou lutado com deuses quase invencíveis.
– Hum... Eu? — Perguntei confusa, apesar de admirá-lo, como admirava à sua namorada e poucos de seus amigos, nunca havia falado com nenhum deles, por medo de como seria julgada. Ele sorriu e se agachou de frente para mim, se inclinando para o meu caderno, afim de ver o que havia nele. Puxei o objeto para o meu peito, impedindo que ele o fizesse. — Desculpe... É só que desde hoje eu vejo você olhar pra mim e escrever algo.
– Hum, não é nada.
– Tudo bem... — Afirmou murcho. — Eu nunca te vi por aqui, é recém chegada?
– Não.
– Hum... De que chalé?
– Indefinido. — Sussurrei olhando para a areia.
– Oh. Tenho certeza que logo será reclamada.
– Isso se eu tiver mais dezesseis anos para esperar por isto. — Bufei revirando os olhos. Ele arregalou os dele.
– Está aqui a dezesseis e nunca fora reclamada?
Assenti com a cabeça. Olhei em seus olhos cor-de-esmeralda, com sua expressão chocada, ou ele estava processando, ou com sorte, apenas chocado.
– Não. Mas acho que ela não deve ter muito orgulho de ser minha mãe.
– Não diga isto, mantenha a fé. Irá conseguir encontrar o seu... Você já tem algum poder que aponte a algum deus? — perguntou solidário, sentando-se de uma forma que indicava que não iria embora nem tão cedo. Bufei.
– Não, nada. Por mais que eu treine todos os dias, que eu tente desenvolver algum. Nada. — Neguei, olhando para a areia.
– Hum... — depois de um longo silêncio ele tornou a pronunciar-se. — Qual o seu nome?
– Olivia. — Sorri, nestes anos todos, esta era a primeira vez em que alguém me perguntava isso sem ser para me registrar. Em geral eu era a garota que preferia ficar nos lugares mais calmos, longe de todos, desenhando. — Olivia Wilde, para ser mais exata.
– Como a atriz? — riu. Assenti, revirando os olhos. — O meu é Percy Jackson
– É eu sei. — Gargalhei. Ele manteu-se olhando para o meu caderno por um bom tempo, mesmo que não quisesse dizer algo. — Tá, pode olhar, mas não ria.
Entreguei o diariozinho em suas mãos, por um bom tempo ele estudou o desenho depois sorriu.
– Por que, entre tantos detalhes, o mar é a única coisa colorida?
– Porquê é assim que vejo. — dei de ombros. Ele respondeu com um 'hum...' e tornou a ler meus desenhos.
– Você desenha muito bem.
– Obrigada.
– Acho que a Rachel iria gostar de você. Qualquer dia destes deveria conversar com ela. — sugeriu se levantando, segui seus passos e tomei meu diário em mãos novamente.
– Vou fazer isto.
– Te vejo na fogueira? — perguntou com um sorriso, andando em direção ao chalé de costas. — Talvez hoje seja seu grande dia.
– É, talvez.
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Eu não fui à fogueira, depois de treze anos minha esperança já se esvaíra. E no momento tinha tudo o que queria, o chalé de hermes vazio.
– Você não cumpriu sua promessa. — Uma voz masculina reclamou. Olhei para a porta mal iluminada do chalé. — Disse que iria à fogueira.
– Eu não aguento mais me levantar, esperar por constrangedores minutos e nada acontecer, minha, quem quer que seja ela não me reclamar. Você não sabe o que é isto, Perseu. — bufei, jogando meus braços ao lado do meu corpo. — seu pai te renunciou dias depois da sua chegada, e você foi abençoado com ele como pai, por que desde então você tem tido uma ótima vida, não negue.
Ele olhou para o chão, envergonhado, voltando a me encarar com um sorriso cínico, seu rosto começou a divergir, de inicio não pude dizer quem era, ou sua forma, mas logo se transformou em meu pai.
– P-papai? O que está fazendo aqui?
Apesar da repentina transformação e do sorriso cínico que mantinha, eu queria abraçá-lo e esquecer que me deserdara.
– Vim te ver. — sua voz aspera comentou seco. — É engraçado como sempre decepciona a todos ao seu redor.
– O que disse?
– Patética. Tudo, me refiro à tudo, na verdade, né? — riu, girando o pulso. — Veja só você, ninguém te quis, não foi? Já sei até por quê. Eu e sua mãe concordamos plenamente que fostes um erro. Parece que todos os que te cercam não pensam muito diferente.
Sua voz ecoou no chalé, fazendo as paredes começarem, por alguma razão, a descascar. Elas descascaram e não revelaram tijolos, revelaram a praia aonde mais cedo estivera. Ao olhar para frente agora via uma mulher alta e esguia, cabelos longos e negros flutuavam no nada, ela carregava uma maçã dourada em mãos. Não a reconhecia de canto algum. Ela olhou para o mar, ele começou a se agitar.
– Você acha certo, o que está fazendo? — sorriu como se tivesse pena de mim.
– A quê está se referindo?
– Você não nasceu da discórdia, disto e tenho certeza. Mais agora eles encontram-se em crise, tudo por sua culpa, querida. — a mulher andou até a mim e cerrou os olhos ao se abaixar à minha altura. — A inveja não é algo bom, eu já soube o gostinho que ela tem, meu amor, seu fim, todos sabem. Eu sei.
Olhei para o mar, não sabia do que estava falando, mas ali, onde estava, no momento em que estava, tudo parecia ter sentido. O vento chicoteava meu rosto inteiro, trazendo junto a água, o que fazia doer mais do que deveria.
Olivia, minha pequena pérola. Uma voz doce e aveludada falou como se fosse no meu ouvido, mas nem a mulher estava mas ali. Agora eu estava involuntariamente caminhando para o mar agitado. Distante eu vi uma silhueta serpentear à frente, muito difícil para dizer o que era. Eu te amo, juro que te amo.
– Eu também te amo mãe. — Como eu sabia que era minha mãe? Talvez pelo calor que sentia se assemelhar ao que sentia ao dormir após orar para ela. Me desculpa. Falou entre uma frase inaudível. Eu te amo muito.
Então senti algo puxar-me para baixo, foi quando tudo escureceu.
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