When Smiled You Knew
34 The name of mother.
Notas iniciais
Éponine suspirou, jogando a cabeça para trás,assim encarando Cosette.
–Estou sem lugar para ficar.- confessou.- Agora que Combeferre e Augustinne voltaram,eles decidiram que vão morar juntos e isso me coloca na rua.
–Ela te pediu para sair?- Cosette perguntou enquanto mexia nos cabelos da morena. Éponine lhe lançou um olhar de descrença.
–Não. Mas eu não me sinto bem. Parece que estou invadindo a privacidade deles.
–Você pode voltar a morar aqui.- Cosette falou dando de ombros.
Éponine se ajeitou,ficando de frente para a amiga.
–Cosette, o motivo que eu sai daqui foi para não atrapalhar você e o Marius. E agora eu não quero atrapalhar Augustinne e Combeferre.
–Mas ninguém disse que você iria nos atrapalhar.- rebateu Cosette.- Em momento algum eu ou Marius quisemos que você saísse. Muito pelo contrario, até insistimos para que ficasse.
–Acontece que agora vocês são casados. Querem só ter um ao outro.
Cosette revirou os olhos.
–E onde pretende morar?
–Eu não sei!
Era um domingo preguiçoso. Eles haviam voltado cedo demais da Dinamarca e Éponine não deixava de se perguntar o que mais poderia ter conhecido,se depois do que Grantaire aprontou eles não tivessem decidido voltar para Paris. Ela ainda se sentia culpada pela forma que abandonou Grantaire. Ainda mais que ele estava bravo com ela ainda e não lhe dirigiu a palavra uma vez só.
Cosette estava com a amiga na sala, enquanto os rapazes estavam na cozinha,fazendo sabe-se Deus o que. Provavelmente conversando ou tentando aprender a receita de torta de amora que Jehan estava fazendo. Mas era mais possível que estivessem só conversando enquanto o pobre Jehan cozinhava.
Queriam passar seu último dia de férias juntos, já que todos sabiam que no dia seguinte as coisas começariam a ser diferente, e Éponine sentia um aperto estranho no peito só de pensar nisso. Tudo que desejava era afastar aquele sentimento que alguma coisa ruim iria acontecer.
–Grantaire vem?- Éponine perguntou depois de um tempo encarando o nada em silêncio, Cosette desviou o olhar da revista que folheava lentamente.
–Não sei. Eu o convidei,mas parece que ele esta realmente magoado com a nossa atitude.
–Espero que logo ele supere.
–Ele vai.- garantiu Cosette voltando sua atenção para a revista.
Um tempo depois Augustinne e Combeferre chegaram. Augustinne decidira voltar para Paris, já que sentia falta e Combeferre garantiu que se ela não voltasse, ele ficaria ali e isso a apavorou. Não queria fazer o namorado perder o ano que mal havia começado por causa dela. Ambos tinham um brilho que invejaria qualquer casal.
Éponine se levantou e andou até a cozinha silenciosamente e parou no umbral da porta observando seus amigos. Observando Enjolras, que conversava animadamente sobre como seria no dia seguinte, ansioso para começar a fazer algo para mudar. Sua excitação era tão palpável que fez Éponine sorrir. Queria ela ser tão atraente assim para Enjolras igual sua pátria era.
–Epa, intrusa.- denunciou Courfeyrac ao ver Éponine ali.- Apenas os homens na cozinha.
–E isso seria se vivêssemos em um universo paralelo.- comentou Éponine sorrindo largamente.- O homem traz a cerveja que o jogo já vai começar.- falou de um modo arrastado.
–Mulheres,acham que somos empregados delas. Levante sua bunda e venha pegar. Você tem um marido e não um escravo!- Courfeyrac respondeu entrando na brincadeira.
–Não faz nada direito.- Éponine resmungou enquanto entrava na cozinha e ia até a geladeira pegando duas garrafas de cerveja.- Combeferre chegou e está lá na sala.
–Mande-o trazer aquela bunda seca dela para cá.- pediu Courfeyrac enquanto Éponine saia da cozinha murmurando um “pode deixar”
Éponine se sentou, esticando a garrafa de cerveja para Cosette que a pegou levando a boca.
–Éponine estava reclamando que não irá ter lugar para morar.- Cosette comentou casualmente para Augustinne até que sentiu Éponine a batendo discretamente.- Que foi?
–Não era para falar.- murmurou lançando um olhar feio para Cosette.
–Por que não tem lugar para ficar?- Augustinne perguntou curiosa.- Ela está no meu apartamento.
–Foi o que eu disse,mas segundo ela, não quer ficar entre a privacidade sua e Combeferre.
–Besteira.
–Não é nada! Fala sério, eu não gostaria de ter uma pessoa morando comigo se eu estivesse casada ou quase isso. Eu só não quero atrapalhar. Vou sair o mais rápido possível, nem que eu tenha que ficar na rua, não vou ficar atrapalhando.
–Éponine eu te amo mas as vezes eu tenho vontade de te dar uma surra.- Augustinne comentou revirando so olhos.- Combeferre não se importa de você morar conosco.
–Mas que droga! Eu me importo. É isso que eu estou dizendo. Sei que nem você, nem Cosette, Marius ou Combeferre se importam. Mas eu não me sinto a vontade. Parece que estou tirando a privacidade de vocês e eu fico sem privacidade assim.- respondeu de forma rude, enquanto se sentava encolhida no sofá com a cara fechada.
– E o Enjolras?- Cosette perguntou depois de uns minutos.
–O que tem ele?- Éponine respondeu com outra pergunta.
–Ele tem um quarto sobrando no apartamento dele.
Augustinne riu.
–Como se ela fosse usar esse quarto com o Enjolras dormindo no quarto ao lado.
Éponine estremeceu com aquela ideia. Já havia passado pela sua cabeça,mas dita em voz alta mostrava o quanto era ridícula. Morar com Enjolras estava fora de cogitação, isso apenas tornaria o que eles tinham mais sério. Claro, que ela levava a sério o relacionamento deles,mas não estava preparada para um passo grande como irem morar juntos. Sabia que Enjolras não iria dizer não. Mas ela mesma tinha que dizer não. Não era o momento. Se eles não estivessem juntos, fossem apenas amigos ela iria morar com ele sem problemas. Mas não,sem chances.
–Fora de cogitação isso. Não irei morar com Enjolras. Amanhã irei falar na secretaria da escola para ver se consigo um quarto no dormitório da faculdade.
–NÃO!- Cosette e Augustinne gemeram juntas.
–Qual o problema?- Éponine questionou sem entender a reação.
–Só que... apenas os fracassados usam os dormitórios da faculdade.- explicou Augustinne.
–E eu sou o que gênia?- Éponine se indicou.
–Você é teimosa.- respondeu Cosette se levantando para atender a porta.
Segundos depois Cosette apareceu com Grantaire, que não olhou para Éponine ao entrar na sala.
–Valerie mandou lembranças.- Augustinne falou provocativamente para Grantaire.
–Vá para o inferno!- murmurou ao ir para a cozinha, ainda mal humorado. Augustinne arregalou os olhos, trocando olhares com Cosette e Éponine diante da resposta.
–Acho que ele ainda ta bravo.- Cosette falou voltando a se jogar no sofá.
[...]
–QUERO TORTA!.- gritou Éponine, deitada no sofá enquanto assistia com Cosette e Augustinne um programa de auditório.- Estamos no fundo do poço, assistindo programa de auditório em pleno domingo.
–Ouvi alguém pedindo torta?- Jehan surgiu na sala, segurando uma forma com a torta. Éponine se sentou rapidamente,sentindo a boca se encher de água ao se lembrar do gosto.
Se ajeitaram todos na sala. Éponine deu espaço para Enjolras se sentar, enquanto iam passando pedaços de torta para todos. Só ficaram em silêncio enquanto comiam e gemiam de satisfação.
–Jehan... isso está divino.- Cosette elogiou enquanto fechava os olhos.- Me casaria com você se já não fosse casada.- acrescentou fazendo Jehan corar e agradecer sem jeito.
“E no próximo bloco iremos receber a autora dos livros eróticos mais famosos no momento. Ela que já está nesse ramo com seus livros muito antes de 50 tons. Liz Grouse” anunciou a apresentadora da TV antes de entrarem no comercial.
–Mudem.- pediu Grantaire, com os olhos arregalados, a boca cheia de torta.- Mudem de canal pelo amor que vocês não tem a mim.
–Sem chances!- Augustinne respondeu engolindo a torta.- Eu adoro essa autora.
–Ela é boa mesmo.- concordou Éponine. Enjolras a olhou sugestivamente.- Que foi? Sou uma garota curiosa, e a escrita dela não tem nada a ver com esses romances eróticos de hoje em dia. Ela é uma verdadeira escritora francesa.
–Nunca ouvi falar dela.- Cosette confessou, ganhando olhares incrédulos das duas garotas.
–Agora fiquei curioso.- Courfeyrac entrou na conversa.- Você pode me emprestar?- pediu olhando para Augustinne.
–Clar...
–NÃO! Não, não, não! Você não vai ler esse lixo.- Grantaire voltou a se exaltar.- Mudem de canal e queimem os livros dela e se arrependam de terem gastado dinheiro com essas merdas que ela escreve. Como vocês garotas inteligentes leem o que uma prostituta escreve?
–Shh que vai começar a entrevista.- pediu Augustinne pegando o controle para aumentar o volume.
–Eu não vou assistir isso.
–Então saia da sala.- Courfeyrac respondeu sem se importar de olhar para Grantaire que ia nervoso para a cozinha.
–O que será que deu nele?- Éponine virou a cabeça, acompanhando o amigo que parecia perturbado.
–Cala a boca.- os amigos falaram em coro para ela.
“-Então Liz... como foi que você descobriu esse seu talento para escritora?
–Tudo começou quando eu fazia programas para pagar minha faculdade. Eu comecei a pesquisar novas maneiras de se conseguir prazer, quando trombei nesse universo. Comecei a escrever minhas experiências, até que decidi colocá-las de um modo mais atraente. E foi o que saiu. Meu primeiro livro. Foi uma tremenda sorte ter feito tanto sucesso, acho que por não ter muitos livros sobre esse assunto.- a mulher respondeu dando uma risadinha. Já era uma mulher perto dos seus 50 mas ainda assim incrivelmente bonita.
–Mas você se formou?
–Claro. Me formei em psicologia e mais para frente em sexologia. As mulheres tem muita duvidas e me especializei nessa área especifica de como a mulher pode alcançar o prazer. Por que vivemos em um mundo muito injusto onde os homens sentem prazer e nós... bem, costumamos apenas a fingir.”
Éponine, Augustinne e Cosette concordaram com a cabeça com a última frase.
–Vocês estão se referindo que nós não damos prazer para vocês?- Marius perguntou ofendido. Cosette colocou a mão sobre a boca dele.
–Shh fica quietinho e escuta.
“-Você está lançando um livro novo depois de tantos anos depois do lançamento do seu último. Por que de tanta demora?
–Esse último livro é muito especial para mim... por ser meu último. Durante todos esses anos eu venho experimentando novos métodos de se ter prazer que é como eu escrevo meus livros, baseado no que eu vivenciei e aprendi. Mas infelizmente não tenho mais idade para tentar nada novo, está na hora de sossegar. Então é a primeira vez que me aprofundei tanto em um livro como esse. Não é apenas uma história,mas contos que reuni ao longo dos anos de mulheres, homens que conversei.
–Você vivenciou a experiência deles?
–Pode se dizer que sim.- respondeu rindo.
–Com essa vida que você leva, teve tempo para formar uma família?
–Infelizmente não. Os homens não entendem que é apenas um trabalho e muitas vezes não querem provar coisas novas. Mas eu tenho um filho, muito lindo e de qual me orgulho muito...”
–Nunca soube que ela tem um filho.- Éponine falou.
–Ela nunca o mostrou, por ele ser muito novo.- Augustinne respondeu.
–Ele deve ter uma vergonha dela.- Enjolras comentou pensando que se fosse a mãe dele,provavelmente não iria gostar nem de ser citado.
–Eu não teria vergonha. Diria “sabe a Liz Grouse aquela gostosa? Então eu nasci da vagina dela”- Courfeyrac falou com orgulho.
–Grantaire volta aqui. A entrevista já ta acabando.- Marius gritou para a cozinha,mas Grantaire não saiu de lá. A atitude do amigo era estranha mas ele sempre fazia coisas estranhas.
“-Um filho? E como ele é?
–Um rapaz muito bom. Por causa do meu trabalho teve que crescer com a avó. Mas vim para Paris para visitá-lo e passar um tempo com meu filhote. Eu tenho uma foto dele aqui,que ele foi no casamento do amigo dele. Querem ver?
–Mas é claro.- a entrevistadora respondeu. A mulher começou a remexer a bolsa carteira que tinha nas mãos até tirar uma foto.
–Aqui é ele com o noivo e...”
Os amigos abriram a boca surpresos e ficaram em silêncio olhando ainda a foto na mão da mulher na TV.
Éponine foi quem quebrou o silêncio.
–Eu to sonhando ... ou o filho da Liz na foto é o Grantaire no casamento do Marius?
–Não você não está sonhando.- Grantaire respondeu infeliz da cozinha.- Lembram que vocês ficavam perguntando sobre a minha mãe? Então, acabaram de conhecê-la.
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