Notas iniciais
Oiii minha gente! Como estão? Capítulo novo para vocês, espero que gostem,no próximo já voltamos com a programação normal. Antes de mais nada capítulo dedicado para Taati Correia,obrigada pela linda recomendação querida,me deixou com um sorriso enorme. Espero que goste.

Queimação.

Era essa a principal sensação que Enjolras era capaz de distinguir em meio ao caos. Tudo queimava e tudo doía em seu corpo.

Ele pode jurar que estava sentindo cheiro de carne queimada. Só não sabia da onde estava vindo. Ou não queria aceitar que estava vindo de si mesmo.

Mesmo naquela nevoa de dor,queimação e carne queimada pode ouvir o grito de Éponine. Queria dizer para ela que estava tudo bem, que ele havia feito o que era certo, que aquela era uma luta dele e não de Grantaire,mas não conseguia articular nenhum som. Apenas tombar para frente,como se fosse um simples pedaço de nada sendo descartado.

“Talvez eu seja mesmo um pedaço de nada”

Antes de se deixar ser envolvido e abraçado pela escuridão que nunca tinha lhe parecido tão acolhedora,viu o rosto da garota em lagrimas, enquanto era amparada pelos braços de Courfeyrac.

Ela seria cuidada.

Ele sabia,que mesmo se não continuasse ali,sua garota seria cuidada.

E com esse pensamento se permitiu saltar para escuridão que o chamava com um sussurro doce e suave.

–ME SOLTA!- Éponine gritava com toda sua força e se debatia,mas Courfeyrac mantinha seus braços firmes ao redor da morena enquanto tentava ser forte para não chorar.

Grantaire estava caído,olhando atônito para o corpo do loiro tombado.

O tiro era para ser dele. Era para ele estar passando por aquilo e não seu amigo chato que ele adorava irritar. Podia ouvir Éponine mas não sabia se de fato ela estava ali ou se era sua consciência culpada reproduzindo a voz da amiga. Por que não podia ter dado ouvidos ao Enjolras quando este pediu?

–SEUS FILHOS DA PUTA!- Éponine conseguiu escapar da proteção dos braços de Courfeyrac,lascando uma mordida em uma de suas mãos e agora corria em direção aos policiais que olhavam assustados para Enjolras e as armas em suas mãos. Ao chegar perto do corpo do namorado se jogou encima.-Enjolras...por..po...por favor. Olha para mim. Não me deixe,não me deixe.- implorava enquanto estava com a cabeça encostada em seu peito coberto de sangue. Um buraco exposto e cheirando a queimado.- Enjolras. Você prometeu. Você disse que eu não iria me livrar tão fácil de você assim. Você diss...- continuou murmurando com dificuldade,engasgando em suas próprias lágrimas.- Seu desgraçado você não pode morrer!- balbuciou com os dentes cerrados.

Tudo continuava em silêncio ao redor deles. Uma atmosfera de tristeza caiu sobre o espaço. Éponine pode ouvir sussurros desesperados nos telefones enquanto chamavam a emergência.

–EU VOU ACABAR COM VOCÊS!- Éponine gritou para os policiais que continuavam sem reação ao assistir a cena. Joly apareceu ao lado da amiga que o olhou como se estivesse vendo um anjo que veio trazer seu garoto de volta para os seus braços.- Salve-o.- pediu, o desespero tingindo sua voz. A sensação de perder Enjolras era no mínimo insuportável de se imaginar e no Maximo impossível de viver com aquele pedaço faltando.

–Eu vou fazer o meu possível Éponine. Mas por favor tente se acalmar pelo menos um pouco e faça o que eu pedir.- Joly falou com a voz calma e firme , e Éponine admirou o amigo por se manter tão bem, enquanto ela estava caindo aos pedaços lentamente. Assentiu com a cabeça enquanto limpava os olhos e tentava controlar a respiração.- Me ajude a virar ele, mas com cuidado, parece que a bala atingiu a coluna.

–O que isso quer dizer?

–Só me ajude.- Joly pediu, com a voz sendo tingida uma pontada de tristeza. Rapidamente Éponine fez o que o amigo pediu e logo os policiais que dispararam estavam os ajudando também. Ao virar Enjolras, Éponine viu que a bala havia saído do outro lado. Joly percebeu o olhar da amiga.- É bom sinal a balar ter saído. Se ela tivesse ficado dentro dele teria mais chances de queimar tecidos nervosos que são importantes,e talvez nem ele não aguentar. Leve isso como um bom sinal,sim?

Joly virou a cabeça do amigo inconsciente para o lado,com a finalidade de facilitar a respiração curta e supérflua que ele podia ver saindo de Enjolras. Depois pediu para que Éponine apertasse a onde a bala o atingiu,para que assim estancasse pelo menos um pouco do sangue. Então ele começou a fazer o RCP e em seu pensamento pedia para que Enjolras aguentasse firme mais um pouco, não queria que o amigo tivesse sua vida levada em suas mãos e nem em mãos de nenhum medico. Joly não saberia dizer a gravidade, mas também sabia que pessoas morriam com tiros em lugares que não eram considerado fatais.

Ficava conferindo o pulso de Enjolras, que estava cada vez ficando mais fraco. Éponine já havia tirado sua blusa para que Joly fizesse um torniquete na coxa direita de Enjolras onde ele tinha tomado o outro tiro. Então como se uma eternidade houvesse passado ouviram o barulho da sirene da ambulância. Éponine pela primeira vez nunca ficara tão feliz de ouvir aquele som como naquele instante.

Éponine relutantemente teve que se afastar de Enjolras para que os paramédicos fizessem seu trabalho, então novamente sentiu braços a envolvendo e quando olhou para ver quem era encontrou Combeferre,com os olhos vermelhos de chorar. Era a primeira vez que ele dava um abraço em Éponine e era por um motivo tão desesperador e triste.

Joly entrou na ambulância e logo puderam ouvir ela seguindo seu caminho para o hospital. Éponine se virou e enterrou o rosto no peito de Combeferre enquanto as lagrimas voltavam a cair como se fossem uma tempestade que veio depois de muito tempo para regar um solo maltratado. Se deixou ser confortada por ele, que também chorava silenciosamente com o pensamento de que talvez fosse a ultima vez que vira seu amigo respirar pela última vez.

A vida é uma coisa incerta, uma hora você está bem e na outra você não tem tempo para dizer adeus. Talvez o adeus nunca chegue. Não é justo, mas é o que temos. Um dia você está sorrindo com uma pessoa e no outro,só existe você,se transformando em suas lagrimas. Em sua dor. A vida é frágil e aproveitamos tão pouco dela por puro medo. Medo de arriscar,medo de se decepcionar,medo de amar,medo de dizer o que temos vontade dizer. Medo de pedir desculpas por puro orgulho. Ou medo de dizer eu te amo. O que esquecemos é que o medo se transforma em arrependimento, e este te consome por dentro,lentamente.

–Vamos.- murmurou Combeferre para Éponine que assentiu e se separou dele para cair nos braços de Cosette e Marius que a ampararam. Ambos estavam chorando, mas Éponine não se importou com o fato, nenhum deles estava se sentindo tão mal quanto ela. Tão arrependida como ela.

Chegaram ao hospital e Joly estava na sala de espera.

–Então?- quis saber Marius, entrando com Éponine e Cosette.

–Ele foi encaminhado para a cirurgia para retirar...- Joly teve que parar,respirando fundo, estava aguentando até agora ser forte,mas seus muros estava ruindo lentamente.- retirar a bala que ficou alojada em sua coxa e depois ele vai ser submetido a alguns exames.- explicou voltando a se sentar.

Jehan logo apareceu com um copo de água para Éponine que estava inquieta andando pela sala de espera,suja com o sangue de Enjolras e tremendo de frio. As vezes perdia as forças e desabava no chão,caindo em um choro compulsivo. Mas então depois de um tempo suas lagrimas acabaram e tudo que saia era um lamento do fundo de sua garganta.

Finalmente o médico apareceu, Éponine faltou agarrá-lo para ter as noticias. Odiava que todos os médicos faziam aquela cara de suspense, isso era torturante, era mais fácil dar a noticia logo,independente de qual for. De um jeito ou de outro vai ter que ser entregue. Então que seja rápido.

–O estado dele é critico.- anunciou o medico.- Ele esta em coma,sem sinais de quando irá acordar e também sem...- pausa.- A bala atingiu a coluna, acertando a medula espinhal e o baço quando saiu.

–O que isso quer dizer pelo amor de Deus?- Éponine se controlou para gritar.

–Que ele precisa de uma cirurgia para que tenha uma chance de voltar a andar se caso acordar.

–E o que vocês estão esperando para fazer essa cirurgia?- Éponine gritou,perdendo a paciência.

–O paciente não tem plano de saúde para cobrir o custo da cirurgia.- explicou.- Enquanto isso ele vai ficar em coma.

Ele pode perder o movimento das pernas e vocês preocupados com dinheiro? ISSO É INACREDITAVEL!- gritou Éponine puxando os próprios cabelos.

–Éponine se acalme, é o procedimento do hospital...

–PROCEDIMENTO É A PUTA QUE PARIU,JOLY.

–E se pagarmos a cirurgia?- Marius tomou a frente.

–É um meio também. Podemos conversar no consultório, sem os ânimos exaltados.- falou o medico indicando o corredor e Marius o seguiu.

–Mesmo assim não vamos ter o dinheiro para pagar.- murmurou Grantaire.- Mon Dieu isso é tudo culpa minha. Aquele tiro era para mim. Os dois. Eu não sei por que o idiota do Enjolras foi querer entrar na frente. Éponine me perdoe,foi minha culpa.

–Grantaire não foi sua culpa. Ninguém tinha que ter recebido tiros, nem você nem ele. Enjolras fez isso porque é seu amigo e te ama mesmo que ele negue que ame alguém. É bem a cara dele fazer isso.- sua voz foi sumindo enquanto ia abraçar o amigo que estava quase tão desolado e desesperado que ela. Aquele abraço parece que fez as coisas parecerem menos piores.

– Ele ainda esta vivo, tem uma chance dele voltar.- murmurou no ouvido da garota.

–Eu espero.- sussurrou como resposta.

–Éponine eu sei quem pode nos ajudar a pagar a cirurgia.- a voz de Courfeyrac preencheu o ambiente que estava em um silencio quase fúnebre. Éponine se soltou do abraço quente de Grantaire olhou para o amigo.

–Quem?- perguntou curiosa.

–O homem que causou isso.- explicou Courfeyrac com simplicidade.

Éponine olhou sem entender para o amigo e então se lembrou. Grantaire queria atingir Patrick Levrefe, então os policiais entraram em ação e foi quando Enjolras tomou os tiros que eram para o amigo.

–O pai do Enjolras é claro.- concluiu correndo para saída do hospital com Courfeyrac logo atrás.

[...]

–Éponine, calma.- pediu Courfeyrac tentando alcançar a garota que parecia não se cansar de correr.- Ele não deve mais estar ai.- isso finalmente fez com que Éponine parasse de correr e olhasse para o amigo.

–Como assim não deve mais estar aqui?

–Honestamente você acha que depois de ser quase agredido ele iria ficar aqui onde a qualquer momento os manifestantes vão invadir?- perguntou apontando para onde eles estavam.

–E você só me fala agora?- questionou com raiva. Não conseguia pensar direito e tudo o que queria era salvar o Enjolras, tinha que ter um jeito.

–Você só meu deu ouvidos agora.- rebateu Courfeyrac.- Olha eu quero também que o Enjolras fiquei vivo e bem, mas não podemos ser impulsivos. Você viu o que aconteceu por que o Grantaire foi impulsivo.

–Tudo bem. Você tem razão.- concordou Éponine tentando pensar com clareza, ela melhor que ninguém deveria saber que não podia tomar nenhuma atitude quando nervosa.- Para onde então?

–Não é obvio?- perguntou e Éponine negou com a cabeça.- Antes de se tornar deputado o pai do Enjolras trabalhava na advocacia dele. Ele ainda vai lá quando as coisas ficam feias por aqui.

–Como você sabe?- Éponine quis saber desconfiada enquanto acompanhava Courfeyrac. Ele ficou um pouco sem graça antes de responder.

–Ele me pediu para fazer uns trabalhos para ele um tempo atrás,eu estava precisando de dinheiro,então eu fiz.

Éponine assentiu sem dizer nada. O que poderia falar? Courfeyrac não havia feito nada de errado em aceitar fazer o trabalho,seja lá qual tenha sido. Mas não podia negar que sentiu uma pontada de raiva.

–Vamos na minha moto que chegaremos mais rápido. Eu a deixei estacionada aqui perto.- avisou e dessa vez Éponine mais calma,o seguiu ainda em silêncio. O silêncio era bom e ela não queria ficar com conversa fiada enquanto perdiam tempo.

Éponine subiu na garupa,sem capacete e pouco se importando de estar sem. Courfeyrac insistiu para que ela usasse o dele,mas Éponine recusou dizendo que confiava que ele não iria bater a moto ou coisa parecida.

Courfeyrac estacionou em frente a um escritório branco e Éponine rapidamente desceu da moto rumando para dentro do prédio,ignorando o amigo que a estava chamando.

Bateu a mão com força no balcão atraindo a atenção da secretaria que olhou assustada para o estado de Éponine.

–Gostaria de falar com Patrick Levrefe.- pediu com a voz dura.

–Ahn...ah me desculpe mas ele não...

–NÃO pense que eu sou idiota.- Éponine abaixou a voz e olhou para o lado e viu o braço de um segurança em um dos corredores.- Diga para ele que Éponine Thérnadier está aqui.

–Senhorita já disse que ele não esta aqui. O M’sieur Levrefe não está ficando mas aqui.

–Claro que não.- respondeu Éponine sarcástica se afastando . A secretaria a olhava de forma nervosa.- Avise para ele que estou entrando.- informou e saiu em disparada pelo corredor, torcendo para que fosse realmente Patrick Levrefe na sala que ela estava invadindo. Os seguranças ficaram tão surpresos quando Éponine apareceu se jogando sobre a porta que não fizeram nada para detê-la.

E lá estava ele.

Aquele homem desprezível a olhando com olhos azuis que lembravam o de Enjolras. Mas os de seu garoto tinha algo que aqueles nunca teriam, e ela iria lutar para trazê-los de volta.

–O que você está fazendo aqui?- Patrick perguntou sem emoção olhando para cara de Éponine.

–Enjolras foi atingido. Dois tiros.- informou, querendo ver algum tipo de emoção no rosto daquele ser que não fosse indiferença.

–Eu sei.- respondeu depois de um momento de silêncio.- Eu estava lá. Mas isso ainda não responde o que você esta fazendo aqui.

Éponine olhou para aquele homem sem acreditar no que estava ouvindo.

–Ele precisa de uma cirurgia,mas ele não tem plano de saúde e... eu vim aqui pedir para o senhor pague.

Patrick soltou uma risada seca e irônica, olhando para Éponine.

–E por que eu deveria fazer isso?

–Porque ele é seu filho e esta morrendo. Isso tem que significar alguma coisa.- respondeu com os dentes cerrados.

Patrick ponderou por alguns instantes.

–Não. Não significa,porque eu não tenho filho. E isso, Enjolras procurou para si mesmo. Pessoas que se opõem contra o governo igual seu namoradinho fez tem esse fim. Agora por favor se retire porque você já me fez perder muito tempo com uma coisa sem qualquer tipo de importância.

Éponine pode ouvir Courfeyrac a chamando e puxando seu braço,mas ela estava paralisada de raiva,encarando o homem a sua frente. Então uma força maior surgiu dentro de si e ela acabou pulando encima da mesa,com intenção de acertar aquele que acabara com suas esperanças. Sentiu braços a puxando sem nenhuma delicadeza e soube que os seguranças estavam em ação. Quando foi separada pode ver as marcas de suas unhas no rosto branco e chocado do deputado. Uma risada de satisfação escapou do fundo da garganta de Éponine.

–Venho querendo fazer isso desde que te conheci.- falou ao sentir ser puxada para fora da sala mas não sem antes cuspir no rosto do homem que atingiu uma tonalidade vermelha de raiva.

–TIREM-NA DAQUI OU VOU CHAMAR A POLICIA.- berrou apontando para fora,enquanto Éponine ainda exibia um sorriso doentio nos lábios.

–Você ainda vai se arrepender disso. Vai ver alguém que você ama ser tirado de você e não vai ter nada nem ninguém que consiga mudar isso.- sussurrou quando foi puxada para fora da sala.

–Não quero ver vocês dois mais aqui.- falou um dos seguranças jogando Éponine e Courfeyrac na rua.- Se voltarem serei obrigado a chamar a policia,estamos entendidos?

–Sim,senhor.- respondeu Courfeyrac se levantando do chão.- O que foi aquilo Éponine?

–Desculpe eu fiquei com muita,muita raiva dele falando daquele jeito do Enjolras. Mas o que estávamos pensando? Que aquilo poderia nos ajudar? Nunca que ele iria fazer isso.- Éponine riu sem humor.- Eu falhei. Não vou conseguir salvá-lo, eu não tenho dinheiro para pagar a cirurgia,nem para manter os aparelhos ligados. Não tenho.- recomeçou a chorar,enterrando o rosto entre as pernas,querendo ser capaz de se enrolar até sumir para não ter que passar por toda a situação que e encontrava.

–Eu sei. Mas vamos dar um jeito. Sempre damos um jeito.- Courfeyrac se sentou do seu lado a abraçando.- O Enjolras vai ficar bem.- disse, pensou em colocar o “prometo” no final mas sabia que não seria verdade, assim como Éponine sabia. Não se dá para prometer para outro que alguém não vai morrer.

Éponine então levantou a cabeça e pegou o celular do bolso.

–Sei quem pode nos ajudar.- murmurou enquanto levava o aparelho a orelha e esperava.- Allo, Fantine?- falou assim que atendeu,dando uma fungada,tentando esconder o choro.- Preciso da sua ajuda. O amor da minha vida levou dois tiros e eu preciso de dinheiro para a cirurgia que pode salvar sua vida.- explicou enquanto caia no choro novamente não se aguentando.

Éponine sabia que Fantine e Valjean não iriam negar ajuda. Não, eles nunca negavam ajuda a ninguém.

E tendo isso em mente,sentiu a esperança de que talvez seu garoto voltasse para ela.

Notas finais
Então pessoas é isso,espero que tenham gostado e tenho que dizer que o capítulo estava pronto faz tempo,mas quis deixar vocês sofrerem um pouco,porque acho que mimo vocês demais. Bom é isso, me digam o que acharam. Tinha outra coisa pra falar mas acabei esquecendo... fica para o próximo. Até mais!