When Smiled You Knew

8 Capítulo 8- Everything begins with a spark part 2


Notas iniciais
Bom gente, o capítulo da continuação que já deveria ter sido postado mas eu tive alguns probleminhas de saúde( fui querer dar uma Joly e me ferrei) e não tinha forças nem para postar. Mas espero que gostem e muito obrigada pelos comentarios fofos que eu recebi.

Éponine se afastou rapidamente de Courfeyrac como se tivesse percebido o que ela estava fazendo. Nem ela mesma conseguia entender do por quê estava beijando ele.

Talvez fosse uma forma de querer mostrar para seus sentimentos que ela não se importava com Marius. Talvez ela o beijou na esperança que tirasse aquela dor que dilacerava ela toda vez que via Cosette e Marius juntos. Talvez ela o beijou na esperança de sentir aquilo que ela sempre julgou não ser digna : amor.

Courfeyrac olhava confuso para ela. Em um momento ela o puxava para si e no outro o afastava como se tivesse repulsão.

–Ponine, o que há de errado?

–Eu... eu não posso !- ela disse em misto de confusão e frustração.- Eu não posso Courf.... Eu não devia – Éponine lançou um olhar desesperado para Courfeyrac.

–O que tem demais nisso, Ponine? Foi so um beijo. Fique calma.- ele tentou abraçá-la mas Éponine se levantou em um pulo e foi para longe dele.

–O problema é que você é meu amigo... Eu não quero que as coisas fiquem estranhas entre nós.- ela tinha as duas mãos na cabeça. Ela se sentia horrível por ter usado Courfeyrac, se sentia um lixo por deixar Marius ter essa influência sobre ela.- Eu estraguei tudo, como sempre!

–Ei, Ponine. Relaxa. As coisas não vão ficar estranhas entre nós por causa disso... Se você quiser vamos fingir que isso nunca aconteceu. Que tal?- ele segurou os braços de Éponine e ela o olhou com duvida. Courfeyrac sorriu como que para encorajá-la a acreditar nele. Ele não fazia a mínima idéia do por que do surto dela,mas não a queria deixar nervosa.

Éponine relaxou os ombros, saindo da forma defensiva em que estava. Courfeyrac a abraçou.

–Desolé, de novo Courf.

–Sem problemas, Ponine. Sem problemas. Que tal voltarmos para dentro?

Éponine assentiu e eles voltaram em silêncio para dentro do Café Musain.

Todos estavam felizes, mas Éponine não conseguia sentir aquela felicidade e muito menos fingir.

Para passar por Cosette e Marius ela forçou um sorriso,o qual ela tinha certeza saiu como uma careta de dor. Éponine se sentou em um lugar em que poderia ficar meio escondida. Ela queria chorar, como qualquer pessoa normal faria, mas ela não podia.

“Eu não posso! Eu não posso mais chorar” ela dizia para si mesma,mas depois consertava “Eu não posso chorar aqui... talvez quando chegar em casa”

Ela queria ter alguém para conversar, para tirar aquele peso do peito que tanto a sufocava e a matava lentamente. Mas com quem falar? A única pessoa que ela considerava sua amiga.... Era inútil.

Ela olhou ao redor e deu falta de Enjolras. Talvez ela pudesse falar com ele. É claro se ele estivesse disposto a ouvi-la .

Novamente,Éponine se sentiu mal, se sentiu mal por confiar em Enjolras sem nem ao menos saber o por quê ! Ele não era diferente de nenhum dos novos amigos com quem ela conversava e brincava. Mas não! Apenas para Enjolras ela confessava toda aquela merda de confusão que ela sentia. Justamente para ele, que sempre dizia ter tantas coisas importantes em nome de uma nação para fazer.

“Será que eu o estou usando?” ela se perguntou, “Não,porque se ele não quisesse me ouvir simplesmente viraria as costas! Talvez ele se importe...” aquele pensamento iluminou um pouco a mente de Éponine. Pensar que alguém se importava com ela, era algo inimaginável .

–Onde está Enjolras?- Éponine gritou mais alto que o barulho, para ninguém em particular,mas Marius a escutou.

–Ele já foi para a casa,Ponine. Disse que estava cansado... Ponine queremos te contar uma novidade.

–Mais uma? Assim eu não vou agüentar de tantas novidades em um só dia!- ela respondeu em um tom amargo e carregado de sarcasmo, que ninguém pareceu perceber.

– Bom como você é nossa amiga, e é graças a você que estamos junto...- Cosette começou a falar, “Parem de ficar me lembrando que fui eu quem apresentou vocês!” Éponine pensou com raiva- Decidimos que você será a minha madrinha. Sabe que vai me ajudar com o vestido, os preparativos e as alianças.

–Eu sei o que uma madrinha faz,Cosette.- ela respondeu ríspida. Aquela felicidade toda a estava deixando enjoada.- Quem Marius vai escolher para entrar comigo? Ou eu vou entrar sozinha?- ela tentou falar de um modo mais suave.

–Tonta, não vamos deixar você sozinha. Todos estarão la no altar conosco... Mas quem escolhemos para ser nossas testemunhas foi você e Enjolras.

–QUE NOVIDADE!- Grantaire que segundos antes estava desmaiado se levantou gritando- NinguemlembradoGrantaire- ele falou tudo junto e todos ficaram tentando decifrar o que ele tinha dito.- So por que gosto de tomar umaxx?- e ele voltou a cair sobre a mesa.

–Qual é o problema com ele?- Bossuet perguntou indo tirar a garrafa da mão de Grantaire.

–Não. Toque. Nela!- Grantaire puxou a garrafa para si.

–Bom me sinto honrada de ter sido escolhida por vocês... Já vou indo que já está na minha hora,eu também estou morta de canseira e amanhã eu tenho compromisso. Bonsoir!- Éponine se despediu.

–Eu vou com você Ponine,me espere!- Cosette a chamou e contra a vontade Éponine parou na porta e se virou para esperar a amiga.- Bonsoir amis.

–Eu levo vocês duas.- Marius se propôs – É perigoso para duas garotas lindas andarem sozinhas essa hora.- Éponine revirou os olhos. Ela sabia que ele so estava se referindo a Cosette e ela sabia que ele iria se propor a levá-las ate em casa. Sem avisar Éponine se virou e saiu do café Musain.- Espere Ponine, eu vou levar você também.

–Grâce à Dieu, eu tenho duas pernas que servem para andar. Não vou morrer se andar umas quadras.

–Mas é perigoso,Ponine. Entre no carro.

–Sei me cuidar,Cosette. Merci.

Éponine saiu andando e nenhum dos dois a questionaram. Eles a conheciam perfeitamente bem para saber quando ela não queria companhia.

Éponine quando se sentia triste, e isso acontecia quase todos os dias, gostava de andar sozinha pela noite, para se lembrar que já esteve pior,e que desde criança já estava destinada a ser infeliz. Não deveria ser surpresa.

Mas o que aconteceu para essa garota se tornar tão amarga? Talvez com o tempo ela decida contar.

No dia seguinte nosso grupo de amigos acordaram tarde, com exceção de Éponine que ia passar o sábado com as crianças e Enjolras que tinha sido chamado para fazer o teste no café Des 2 Moulins.

Pela tardezinha,quando Éponine chegou na porta do seu apartamento escutou risadas vindas lá de dentro. Ela respirou fundo. “Vai ser uma longa noite” ela pensou ao destrancar a porta e entrar no apartamento encontrando Cosette e Marius juntos no sofá. Ela ficou ali parada em um daqueles momentos constrangedores em que você não sabe para onde olhar e nem o que fazer.

–Olha só quem chegou!- Cosette se sentou- Bem a tempo. Não entendo o que tanto você faz na rua de sábado... mas enfim, vai nos acompanhar no filme que vamos assistir?

–Que filme vocês vão assistir?- Éponine perguntou tirando as botas e deixando no canto.

–Operação Madrinha de casamento- Cosette respondeu rindo.

–Mas de novo, Cosette?- Éponine não se virou para eles ao perguntar.

–Sou viciada nesse filme desde que você alugou para a gente assistir... Marius disse que nunca assistiu,dá para acreditar?

–Não,realmente,não dá... Eu adoraria ficar com vocês a minha noite de sábado,mas eu já tenho um compromisso. So vim aqui para tomar um banho mesmo.

–Droga!- exclamou Marius- Não vai ser hoje que eu vou comer a pipoca que so dona Éponine sabe fazer.

–Tenho certeza que Cosette consegue fazer !- ela respondeu com um sorriso duro e foi para o quarto. “Que morram engasgados com a pipoca também!” pensou ela enquanto entrava no banho.

Éponine pensou para onde iria. Não tinha compromisso nenhum,mas também não queria ficar ali.

Depois de um banho rápido,mas relaxante, ela foi se trocar. Era incrível como a noite ficava frio. E ela ainda não sabia para onde ir.

Enquanto vestia a roupa seu olhar caiu sobre seu livro surrado de Dostoiévski.

Ela já sabia onde iria passar sua noite. Pelo menos ate Marius ir embora.

Éponine soltou os cabelos e saiu do quarto.

–Já vai,Ponine?

–Oui. Já estou atrasada. Au revoir.

–Onde você vai?

–Não é da conta de vocês!- Éponine respondeu com um sorriso e mandou um beijo para eles e bateu a porta. Logo em seguida ela fez uma careta e desceu correndo as escadas.

No apartamento de Marius ,Enjolras havia acabado de sair do banho. Ele estava exausto mas ainda tinha trabalhos da faculdade a ser feito. Ele nunca pensou que um dia preferiria sua cama ao invés dos livros. Mas era exatamente isso que ele queria.

Ele pegou seus livros e se sentou na cozinha. Hoje ele poderia estudar em outro cômodo que não fosse seu quarto. Ele era muito grato por Marius o ter aceitado ali,mas não suportava a barulheira que o amigo fazia. Enjolras se perguntava o que o amigo queria da vida,levando em conta que ele nunca tinha visto Marius estudando.

Ele se sentou com a garrafa de café do seu lado, ele estava lutando para não cair dormindo nos seus livros.

Quando já estava praticamente cochilando,a campanhia tocou, o que o fez se assustar. Ele se levantou e foi abrir a porta, não conseguia imaginar quem seria. Marius estava com Cosette e não voltaria tão cedo.

Quando abriu a porta encontrou Éponine com um sorriso na porta. Em uma mão ela segurava uma caixa de pizza e na outra um saquinho.

–Bonsoir, monsieur... Está realmente muito quente.- ela comentou ao passar por ele,trombando em seu peito sem camisa.- Trouxe comida para a gente. Pensei que a gente poderia assistir um filme.- Éponine falou da cozinha e parou sorrindo para ele na soleira da porta- Está tudo bem,Enjolras?

–O... o que você está fazendo aqui?- ele conseguiu perguntar e pegou uma camiseta que estava ali no cabideiro.

–Eu não esperava essa pergunta.... mas tudo bem! Marius está em casa e bem... eu não quis ficar segurando candelabro... Eu trouxe profiterolles,espero que goste.

–Você ainda não respondeu a minha pergunta: O que você está fazendo aqui?- Enjolras perguntou em um tom gélido. Ele ainda conseguia ver Éponine e Courfeyrac aos beijos.

–Eu não tinha nenhum lugar para ir... então pensei em vir passar a noite aqui, até Marius ir embora. Você foi embora logo ontem,nem se despediu.

–Eu acho que você estava ocupada demais na hora em que eu fui...Olha Éponine- Enjolras passou a mão pelo rosto em um sinal cansaço.- Eu estou cheio de trabalho para fazer. Então se não se importa,poderia ir embora?

Ela o ignorou, se sentou no sofá e começou a zapear pela TV. Enjolras se sentou e voltou a tentar estudar. Ele sentia raiva? Como ela tinha coragem de aparecer ali?

–Aah!- ela soltou uma exclamação- Anastásia ! Eu amo esse desenho. É meu filme preferido, eu assisti uma vez na casa da minha vizinha. Eu gostava de imaginar que eu podia ser uma Anastásia da vida. Uma princesa que cresceu sem pais mas que na verdade é uma princesa... Mas então eu acordei.- ela falou triste.- Vem assistir comigo, Enjolras.

–Por que você não vai assistir na casa do Courfeyrac? Eu estou ocupado agora.

–Larga isso, Enjolras! Vamos pegue a pizza e se sente aqui comigo.

–EU NÃO QUERO !- Enjolras gritou batendo na mesa, gesto que assustou Éponine.

–Enjolras, está tudo bem? Você sabe que pode me contar qualquer coisa- Ela se levantou e pousou as mãos nos ombros de Enjolras.

–Eu so quero ficar em paz, Éponine. Por que você não vai ficar com o Courfeyrac ou chorar seu amor não correspondido por Marius?

–Enjolras, por que você está falando assim?- Éponine tentou o abraçar Enjolras,mas ele se esquivou.

–Sabe de uma coisa,Éponine? Quem sabe se você não fosse tão vadia, Marius poderia gostar de você? Já parou para pensar nisso?

–Enjolras!- Éponine exclamou ofendida.

–Que foi? Você fica aí se fazendo de pobre coitada, para que todos tenham dó da garota que não tem o amor correspondido. Uma grande vadia! Fica cada dia na casa de um. Mas vou te contar uma coisa Éponine: a porta é por ali ! Aqui você não vai ter nada. Nada de romance aqui, então pode parar de ficar com sussurro, com sorrisos. Que pode funcionar para os outros.

–Você não sabe o que está dizendo...- Éponine falou com a voz embargada.

–Na verdade eu estou. Eu vi você agindo como uma vadia ontem logo após eles anunciarem o casamento. Sim, Éponine eu vi você e Courfeyrac. Agora, bonne nuit, Éponine.

Éponine tinha os olhos cheios de lagrimas. Uma única lagrima desceu por aquele rosto,mas ela a secou rapidamente e ergueu o rosto. Pegou sua bolsa que estava no sofá e passou por Enjolras.

–Você não sabe nada sobre mim. Você não sabe um terço do que aconteceu na minha vida. Diferente de você, que teve tudo e é uma criança revoltada eu tive que batalhar para sobreviver.

E ela saiu batendo a porta.

Desde daquele dia eles não voltaram a se falar. Éponine no começo ia as reuniões no café Musain,mas sempre direcionava indiretas e olhares frio para Enjolras. Um dia ela cansou de brincar de irritá-lo e simplesmente nunca mais apareceu.

Enjolras pagou o que devia a Éponine. Nesse tempo ele já se sentia mal pelo que tinha dito aquela noite e disse a si mesmo que pediria desculpas.

Mas não saiu como o planejado ...

Éponine estava estudando na biblioteca e Enjolras se sentou na sua frente. Ela abaixou o livro o olhou e voltou a ler.

–Éponine...

Ela pegou a bolsa dela e tirou os fone e os colocou o ignorando.

Ele tirou o envelope com dinheiro de dentro do bolso e deslizou ate ela. Éponine olhou para a mão de Enjolras e levantou a cabeça arrumando o óculos na ponte do nariz.

Enjolras deu um leve sorriso de desculpas e Éponine pegou o envelope de dinheiro e o guardou na bolsa ,juntou suas coisas e saiu deixando Enjolras ali.

Enjolras sabia que ela estava saindo com os outros amigos, afinal toda sexta eles iam embora mais cedo do café Musain para se encontrar com ela. Eles sempre o chamavam mas ele sempre recusava.

Na faculdade quando eles se trombavam Éponine fingia que não o conhecia.

Por mais que ela estivesse morrendo de vontade de falar com ele, ela não daria o braço a torcer.

Enjolras decidiu que não tentaria mais falar com ela.

Simplesmente decidiu a ignorar da mesma forma que ele estava sendo ignorado.

E foi o que os dois vieram fazendo nesses últimos dois meses.

Notas finais
Bom gente é isso, espero de verdade que tenham gostado.
Como já sabem se gostaram deixem reviews, me digam o que acharam,criticas,opiniões e ideias são bem vindas.

E vocês ja ouviram a versão em francês de On My Own? A musica consegue ficar mais triste.

Enfim isso é tudo !

Xoxo