When Smiled You Knew
21 Capítulo 21- Slipping through my fingers.
Notas iniciais
Eu particularmente gosto de capítulo, então espero que vocês gostem também.
Notas finais, sim?
Augustinne e Éponine foram as últimas a descer e se juntarem com todos na cozinha para o jantar
Éponine estava quieta e tinha os olhos vermelhos,como se estivesse chorado minutos antes, mas logo abriu o seu conhecido sorriso que nunca chegava aos olhos,como se soubesse o que fazer para não ficarem reparando muito nela. Mas Enjolras ela não conseguia enganar, desda primeira vez que se viram, alguma coisa fazia ele prestar uma atenção demasiada em Éponine.
Os amigos estavam cansados e famintos. Grantaire e Courfeyrac comiam como se nunca tivessem visto comida na sua vida antes. Joly advertia que eles deviam comer mais devagar e mastigar no mínimo 20 vezes,porque era perigoso eles engasgarem.
Courfeyrac parou de mastigar e com o garfo a caminho da boca, ficou encarando Joly, até que levantou a outra mão que estava livre,mas Combeferre felizmente abaixou a mão do amigo antes que ele pudesse fazer o gesto que pretendia fazer que não se era muito educado para uma mesa ou para qualquer outro lugar.
Quando terminaram de comer, Fantine disse para deixarem a louça com ela,mas cada um pegou seu prato,copo e talheres e lavaram. Éponine esvaziou as panelas, tirou o excesso de sujeira, e passou para Augustinne que colocava no lava-louças.
Grantaire ficou em um canto dando ordens para todos, como se soubesse o que estava dizendo, ainda bem que os amigos eram pacientes e não o mandaram calar a boca. Em questões de minutos a cozinha já estava arrumada, não limpa,mas o suficiente para parecer limpa.
-Muito obrigada, meus anjos- Fantine agradeceu.- Éponine você pode me fazer aquele favor?- ela pediu olhando nos olhos de Éponine que fez uma cara de desânimo, mas acabou concordando. Cosette olhava com curiosidade para as duas.
-Posso saber que favor é esse?- ela perguntou enciumada por não estar fazendo parte da conversa por olhares, que Fantine e Éponine trocavam.
-Vamos para sala.- Fantine indicou com um aceno de cabeça e se virou indo para a sala.- Ela irá tocar- ela anunciou animada para Valjean, que abriu um sorriso que deixou suas rugas mais visíveis ao redor dos olhos.
-Isso é verdade?- Valjean perguntou para Éponine,que assentiu. Ele andou até Éponine e a abraçou.
-Mas o senhor vai me ajudar?
-Você precisa de ajuda?- ele perguntou e Éponine assentiu. Valjean deu um beijo no topo da cabeça de Éponine.
Cosette apertou o braço de Marius e Enjolras que estavam perto dela,os dois a olharam assustados.
-Cosette, vocêta bem?- Marius perguntou preocupado,olhando para o rosto da amada, que tinha uma expressão de choque.
-Ela vai tocar.- foi tudo que Cosette murmurou
-Bom... eu vou pedir por favor que vocês se sentem que agora eu vou dar mais um presente para Cosette... — Fantine declarou enquanto todos se ajeitavam na sala. Éponine estava no canto da sala onde estava o piano e Valjean estava do seu lado. Fantine olhou para eles- Bem... nós vamos dar um presente. Já vou avisando que eu vou tentar cantar e que não sou a melhor cantora do mundo,mas é uma música que minha pequena cotovia e eu sempre gostamos de ouvir. E acho que se encaixa no momento.
-E eu já vou avisando, que já faz anos que eu não toco nesse negocio, então não sei se eu ainda lembro como toca ou todas as notas- Éponine avisou se sentando e abrindo o piano. Valjean se sentou do lado dela- Por isso, esse homem lindo,maravilhoso, um pedaço de mau caminho, irá me ajudar.- ela brincou olhando com amor para o homem que ela chamava de pai. Ele retribuiu o sorriso que ela tinha.
-Prontos?- Fantine perguntou. Éponine suspirou e acenou que sim para Valjean.
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Éponine começou a tocar algumas notas e ao perceber que errou balançou a cabeça frustrada. Fantine não se deixou abalar e começou a cantar. Logo a melodia encheu o sala e a música mal tinha começado e Cosette já estava chorando.
Schoolbag in hand, she leaves home in the early morning
(Com a mochila da escola na mão, ela sai de casa de manhã cedo)
Waving goodbye with an absent-minded smile
(Acenando adeus com um sorriso distraido)
I watch her go with a surge of that well-known sadness
(Eu a vejo partir com uma onda daquela conhecida tristeza)
And I have to sit down for a while
(E eu tenho que me sentar um pouco)
The feeling that I'm losing her forever
(O sentiment de que eu a estou perdendo para sempre)
And without really entering her world
(E sem realmente entrar no seu mundo)
I'm glad whenever I can share her laughter
(Fico feliz todas as vezes que posso compartilhar de sua risada)
That funny little girl
(Essa garotinha engraçada)
Fantine olhava para Cosette, que sorria em meio as lagrimas. Enjolras estava mais interessado em observar Éponine que tocava concentrada. Ele adorava a ver concentrada, sempre aparecia aquela ruguinha na testa dela, que na opinião dele a deixava mais linda ainda.
Slipping through my fingers all the time
(Escorregando pelos meus dedos todo o tempo)
I try to capture every minute
(Eu tento capturer cada minuto)
The feeling in it
(O sentiment nisso)
Slipping through my fingers all the time
(Escorregando pelos meus dedos todo o tempo)
Do I really see what's in her mind
(Eu realmente vejo o que está na mente dela?)
Each time I think I'm close to knowing
(Cada vez que eu penso que eu estou perto de saber)
She keeps on growing
(Ela continua crescendo)
Slipping through my fingers all the time
(Escorregando por entre meus dedos todo o tempo)
A música era sem dúvida linda, e tinha deixado os amigos com os ânimos até mais calmos, poderia ser por causa da voz de Fantine, que mesmo que desafinasse um pouco, era aquela voz que trás conforto e carinho..
Sleep in our eyes, her and me at the breakfast table
(Sono em nossos olhos, ela e eu na mesa de café)
Barely awake, I let precious time go by
(Meio acordada, eu deixo o tempo precioso passer)
Then when she's gone there's that odd melancholy feeling
(Então quando ela se vai tem aquele occasional sentimento melancólico)
And a sense of guilt I can't deny
(E um sentiment de culpa que eu não posso negar)
What happened to the wonderful adventures
(O que aconteceu com as aventuras maravilhosas?)
The places I had planned for us to go
(Os lugares que eu tinha planejado para nós irmos)
(Slipping through my fingers all the time)
(Escorregando pelos meus dedos todo o tempo)
Well, some of that we did but most we didn't
(Bem, algumas delas nós fizemos, mas a maioria não)
And why I just don't know
(E o porquê eu simplesmente não sei)
Valjean parou de tocar e ficou observando Éponine e mesmo que a música fosse dedicada para Cosette, que era sua filha, ele achava que se encaixava em Éponine,ou pelo menos ao que ele estava sentindo. Para ele, Éponine ainda era a garota indefesa que ele ajudou, tirou da rua e aprendeu a amar como se fosse sua filha. E de repente,ele estava a vendo crescer, e não precisar mais dele. Valjean se lembrou que a primeira vez que Éponine deixou ele chegar perto dela, foi quando a pegou dedilhando o piano, e ele perguntou se ela queria aprender. Timidamente ela balançou a cabeça em um sim. Ele tocou uma musica para ela, quando terminou ela tinha um sorriso brincando nos lábios. Ensinou algumas notas, e depois de uma semana os dois sempre tendo naquele tempo so deles, e ela aprendendo, e pegando confiança nele,Éponine nunca falava nada, mas em um dia ao terminarem, Valjean se levantou e a elogiou. Ela o olhou com os olhos cheio de lagrimas e o abraçou fortemente.
Slipping through my fingers all the time
(Escorregando pelos meus dedos todo o tempo)
I try to capture every minute
(Eu tento capturar cada minuto)
The feeling in it
(O sentimento presente)
Slipping through my fingers all the time
(Escorregando pelos meus dedos todo o tempo)
Do I really see what's in her mind
(Eu realmente vejo o que está na mente dela?)
Each time I think I'm close to knowing
(Cada vez que eu penso estar perto de saber)
She keeps on growing
(Ela continua crescendo)
Slipping through my fingers all the time
(Escorregando por entre meus dedos o tempo todo)
Marius abraçou Cosette, que não conseguia parar de chorar, enquanto cantava baixinho, ria, limpava o rosto e fazia tudo de novo. Jehan cantava baixinho também a musica, Courfeyrac encostou a cabeça no ombro de Grantaire, que o empurrou para longe, o olhando de forma estranha.
Sometimes I wish that I could freeze the picture
(As vezes eu queria poder congelar a imagem)
And save it from the funny tricks of time
(E salvá-la dos engraçados truques do tempo)
Slipping through my fingers
(Escorregando pelos meus dedos todo o tempo)
Slipping through my fingers all the time
(Escorregando pelos meus dedos todo o tempo)
Schoolbag in hand she leaves home in the early morning
(Com a mochila na mão, ela sai de casa de manhã cedo)
Waving goodbye with an absent-minded smile
(Acenando adeus com um sorriso distraido)
Quando as últimas notas soaram pela sala, Cosette se lavntou e abraçou Fantine que tinha começado a chorar também ao abraçar a filha. Valejan se levantou do lado de Éponine e foi se juntar a esposa e a Cosette. Éponine dedilhou mais algumas notas, muito concentrada,umas notas melancólicas e levantou a cabeça assustada com alguma coisa que só ela podia ver ou ouvir. Ela olhou para o lado e viu que Valjean não estava mais ao seu lado e se virou para encarar os três. Fantine a olhou e esticou a mão, chamando-a. Valjean abriu espaço e a olhou assim como Cosette, que sorriu. Éponine deu um sorriso amarelo e lentamente se juntou a eles no abraço.
-Grantaire você está chorando?- Combeferre perguntou ao ver Grantaire piscando os olhos rapidamente e passando a mão neles.
-Não cara! Me deixa- ele respondeu escondendo o rosto.
-Não. Acredito!- Courfeyrac gritou.- Cara, que coisa de gay!
-Será que vocês podem calar a boca?- Augustinne perguntou estressada.- Senão eu vou fazer vocês chorarem como mulherzinhas! Deixem o Grantaire em paz. Mas que saco.
-Vish... deve ta na TPM.- Courfeyrac murmurou e recebeu um olhar assassino de Augustinne- Me desculpe, vocênão está na TPM. Não está.
Os três se separaram e Éponine limpou o rosto de Cosette com a mão e a abraçou e murmurou alguma coisa no ouvido dela, que a fez concordar, logo em seguida rir e olhar para Augustinne.
-Muito bem. Era isso,podem ir fazer o que quiserem, mas não vão dormir muito tarde que vocês tem que ir embora cedo.- Fantine falou animada.-Não que eu fique feliz de ter a casa vazia.- ela murmurou mais para si mesma.
-Por que vocês não vão para a sala de jogos?- Valjean perguntou- E mande Gavroche e Amelie descerem que já ficaram muito tempo sozinhos.
-Tudo bem. Eu chamo.- Éponine falou indo para a escada.- A sala de jogos é muito, muito legal.
Courfeyrac cutucou Enjolras.
-Você viu? Eles tem uma sala de jogos. Por que nós não podemos ter uma sala de jogos também?
Enjolras ponderou por uns instantes.
-Porque somos universitários e não temos dinheiro para construir uma sala de jogos.
-É verdade- Courfeyrac concordou dando de ombros e subindo a escada de dois em dois degraus.
-Muito bem! Hora dos adultos usarem a sala- Éponine anunciou abrindo a porta. Gavroche e Amelie estavam sentados no chão, segurando controle e olhando para a tela grande.
-Por que?- Gavroche perguntou sem desviar o olhar.
-Porque queremos usar, garoto- Éponine falou pausando o jogo deles- E porque Fantine e Valjean estão chamando vocês dois la embaixo.
Gavroche revirou os olhos e se levantou. Amelie rapidamente se colocou de pé. Éponine segurou o braço de Gavroche e o olhou brava.
-Nunca mais revire os olhos quando eu disser que Fantine ou Valjean te chamaram, ouviu? E nem seja mal educado com eles.
Gavroche puxou o braço da mão de Éponine e saiu sem dizer nada , com Amelie o seguindo.
-Esse garoto merece levar uns tapas- Grantaire falou ao entrar na sala e olhar ao redor.
A sala era espaçosa, tinha uma mesa de sinuca,outra de pebolim,uma estante com jogos de tabuleiro, uma TV gigante com os últimos jogos lançados, puffs espalhados , um aparelho de som no canto da sala e um grande sofá preto de couro.
-Eu quero morrer aqui.- Grantaire gritou correndo abraçar a mesa de sinuca.
-Quem vê pensa que ele sabe jogar essa merda.-Bossuet disse,pegando um taco.
-Bom irei deixar meus garotos aqui brincado, enquanto Cosette, Augustinne e eu iremos conversar. Se comportem.- Éponine cantarolou ao sair acompanhada das duas garotas e fechou a porta.
-Vamos jogar?- Courfeyrac perguntou para Enjolras
-Eu não sei jogar isso.
-Puta que pariu! Você não sabe fazer nada?- Grantaire perguntou chegando perto de Enjolras.
-Sem problemas.- Joly falou entrando na conversa, antes que Grantaire começasse um de seus discursos sem sentidos- Enjolras, Jehan e eu podemos jogar o pebolim.
-Se o Enjolras saber jogar- Courfeyrac murmurou irônico.
Ficaram um tempo jogando. Bossuet, Grantaire,Laigle ,Courfeyrac e Combeferre xingavam e riam alto, enquanto Enjolras era o juiz do jogo de pebolim e se divertia ao assistir o jogo de Joly e Jehan. Marius assistia alguma coisa na TV, sem dar atenção para os amigos.
-Sabem?- Grantaire falou apoiando o queixo no taco.- Eu acho que vou ir ver o que as garotas estão fazendo, afinal já era para terem voltado.
-Elas estão conversando, Grantaire. Deixe elas.
-Cala a boca, Joly- Grataire fez um gesto com a mão para silenciar Joly e saiu indo em direção ao quarto de Éponine. Ao chegar colou a orelha na porta para conseguir ouvir alguma coisa.
-Augustinne mas isso é maravilhoso! Não fique assim- ele ouviu a voz de Cosette que parecia maravilhada.
-Maravilhoso para quem? Isso vai estragar minha vida! Eu não quero isso. Não quero!- Augustinne falou desesperada.
-Você quer sim, porque você fez a besteira. O bebê não tem nada a ver com a sua burrice.- Éponine falou a voz dura e com um tom autoritário .
Grantaire colocou a mão na boca e arregalou os olhos . Voltou correndo para a sala de jogos desesperado.
-COMBEFERRE VOCÊ VAI SER PAI!- ele gritou pulando e apontando o dedo.
-O que?- os olhos só faltou saltar da orbita .
-Acabei de ouvir, Augustinne ta grávida. Se fudeu cara!
-Augustinne o que?- Combeferre perguntou confuso e meio que passando mal.
-Grá-vi-da!- ele separou cada silaba,lentamente. Éponine, Cosette e Augustinne escutaram os gritos e estavam paradas na porta, as três sem reação e Agustinne estava branca como um papel.
-Isso é verdade?- Combeferre perguntou olhando para Augustinne, ela confirmou lentamente.- Bem... somos meios novos para isso. Mas isso é ótimo ! Vou ficar feliz em ser pai... eu acho- ele terminou falando meio sem ter muita certeza das palavras.
-Não é seu!- ela mal conseguiu falar e saiu correndo e Éponine saiu correndo atrás dela,mas não sem antes lançar um olhar reprovador para Grantaire.
-Cara... isso te faz um chifrudo manso?- Grantaire perguntou fazendo piada. Combeferre virou um soco no rosto dele que caiu no chão.
-Grantaire, fica quieto por um momento- Joly pediu se agachando ao lado de Grantaire que estava caído no chão.
-Combeferre, vamos dar uma volta.- Enjolras chamou colocando uma mão no ombro do amigo que estava tremendo de raiva. Os dois foram para a porta e Cosette deu passagem para eles.
-Eu vou com eles- Marius avisou ao passar por Cosette que assentiu com a cabeça.
-Bom, acho que isso acabou com nossa noite. Eu vou me deitar, boa noite.- Cosette anunciou e se retirou para o quarto.
[...]
Na manhã seguinte as 06:00 o relógio que Fantine havia dado para que os garotos colocassem no quarto, tocou e eles começaram a acordar lentamente. Combeferre estava quieto e tinha uma carranca. Grantaire tinha a boca inchada do soco que recebera. O clima que no dia anterior era de descontração, hoje era tenso e sufocante.
Revezaram a vez de irem no banheiro,tentaram não demorar tanto, a casa dos pais de Cosette era sem duvida ótima , mas eles tinham pressa de sair dali, para poder ter um momento para cada um pensar em tudo. Arrumaram as camas e desceram para o café da manhã. Sem trocarem uma palavra entre si.
Cosette,Marius, Fantine e Valjean já estavam na cozinha e suas caras não eram as das melhores, e a vibração positiva que parecia não sair dali, tinha evaporado como se nunca tivesse existido, ou como se ninguém conhecesse outro sentimento alem da preocupação.
Valjean estava sentado, distraído,parecia preocupado. Fantine estava apreensiva e nervosa com alguma coisa, o que dava aflição em quem visse,já que ela costumava ser tão serena na maior parte do tempo.
Marius trocou um breve olhar com Enjolras, como se pedisse informação sobre algo que ele perdera. Enjolras deu de ombros, nada tinha mudado. Combeferre continuava puto da vida e por várias vezes repetiu que se pudesse mataria Augustinne, e a xingou de vadia. Grantaire e Courfeyrac pareciam ter percebido que era realmente sério e pararam de fazer piada.
Começaram a comer em silêncio, ninguém trocava olhares com ninguém a mesa. Cosette tentou puxar assunto,mas foi ignorada e depois da terceira tentativa ficou quieta.
Enjolras disfarçadamente olhava para a porta, esperando Éponine descer,mas quando eles já estavam acabando,ela ainda não tinha descido. Nem ela,nem Augustinne.
“Talvez elas vão embora depois”, ele pensou. Com certeza Augustinne não queria encarar nenhum deles no momento e Éponine ficou do lado da amiga.
-Onde está Éponine? Ela não vai embora com a gente?- Courfeyrac perguntou o que se passava na cabeça de Enjolras.
Cosette negou com a cabeça e limpou a boca.
-Éponine foi embora cedo com Augustinne. Elas dormiram poucas horas, saíram umas 03:00 horas.- ela explicou.- Augustinne foi com ela por motivos óbvios – quando Cosette disse o nome de Augustinne, Combeferre soltou uma exclamação irritada.- E Éponine... bem- Cosette deu de ombros- Ela foi mais cedo para poder arrumar as malas dela.
Ela terminou de falar e Fantine balançou a cabeça como se estivesse decepcionada. Valjean que estava comendo na mesa junto com eles, largou o garfo e levou as duas mãos na frente do rosto como se estivesse com raiva.
-Onde ela vai?- Grantaire perguntou curioso, e Enjolras agradeceu pelo amigo ser assim,já que ele queria perguntar a mesma coisa.
Cosette pareceu pouco a vontade, ela se arrumou na cadeira, olhou para os pais, depois para Enjolras como se dissesse “sinto muito” e pigarriou.
-Ela vai passar as férias no litoral da França com Montparnasse.- ela respondeu por fim.
Enjolras não sabia o que sentia. Sabia que alguma coisa assim poderia acontecer. Novamente sua consciência zombou dele por achar,por algum momento, que Éponine gostava dele.
A conversa acabou ali. Terminaram de comer e foram para a sala. Os garotos iriam voltar no carro de Marius,já que Fantine e Valjean iriam levar Cosette e Marius até o aeroporto.
Se despediram todos e desejaram boa viagem ao casal. Agradeceram pela hospitalidade de Fantine e Valjean.
Fantine abraçou cada um, e quando foi abraçar Enjolras murmurou “ Espero realmente te ver mais vezes. Gostei muito de você. Venha sempre que sentir vontade”, ele agradeceu e prometeu que quando desse iria visitá-la. Quando ele prometeu isso se lembrou que havia prometido a sua mãe ir vê-la mais vezes e nunca mais a viu. Talvez ele não fosse tão bom com promessas.
Os amigos se ajeitaram no carro e só faltava Enjolras entrar. Quando ele estava entrando no banco do motorista, Cosette o chamou e veio correndo em sua direção, ele foi de encontro a ela.
-Não desista.- ela começou, colocando a mão no ombro dele- Não deixe ela fazer isso.
-Ela quem?- ele se fez de desentendido.
-Ela quem, ela quem! Éponine, oras. Ela só vai sair a noite. Vá conversar com ela. Ela esta no meu apartamento.
-Conversar o que com ela? O que eu vou falar?- ele perguntou se sentindo frustrado. Cosette sorriu para ele.
-Você sabe o que tem que dizer para ela. Apenas vá. Espero que você vá. Quando eu voltar de viagem, quero a noticia de que você fez o certo e que mesmo que não consiga, você tentou. Ela não é má.- ela sorriu sem jeito.- Só faz isso por diversão. Tchau.- E voltou correndo para o carro. Acenou novamente para Enjolras e fechou a porta.
Enjolras deu a partida no carro e foi o caminho inteiro decidindo se iria ou não conversar com Éponine.
Quando chegaram em Paris, Enjolras deixou seus amigos em seus apartamentos e perguntou se Combeferre queria companhia, ao qual ele negou com a cabeça dizendo que precisava ficar sozinho e ele entendeu, perguntou apenas para ser educado.
Foi para o seu apartamento e ao entrar percebeu que iria precisar arrumar um novo colega para ajudá-lo com as contas,porque o salário que recebia mal dava para ele se sustentar dividindo as contas, imagina se ele tivesse que pagar sozinho.
Olhou no relógio, eram 09:00h, ele teria que trabalhar a tarde e estava exausto. Foi para seu quarto , tirou a roupa e foi para o banheiro que ficava no corredor. Um dos únicos problemas do apartamento,além de ser pequeno, é que só havia um banheiro.
Enquanto deixava a água cair em suas costas ficou pensando no que Cosette lhe disse, ele realmente queria ir falar com Éponine? E o que ele poderia dizer que a fizesse mudar de ideia ? Era obvio que ela já havia decidido por ambos. Éponine era assim, ela tomava sempre todas as decisões.
“E eu tenho coisas mais importantes para fazer” ele pensou enquanto desligava o chuveiro e se enrolava na toalha, indo para o quarto. “ Isso não faz nenhum sentido”.
Se trocou e se jogou na cama, decidindo não ir. Éponine era bem grandinha e sabia o que fazia e, não seria ele que iria se rastejar atrás de alguém.
Como se ele conseguisse dormir. Rolou para um lado e para outro, preso na indecisão de “ir ou não ir”, “se eu for o que eu irei dizer?”, “se eu não for, será que vou me arrepender?”. E assim ficou por horas, sem conseguir dormir...
[...]
“Isso é estúpido . Você é estúpido !”, Enjolras pensou enquanto batia na porta do apartamento de Éponine, enquanto sentia uma pontada, um frio na barriga, como ele sempre sentia ao ver ela conversando com algum cara, ou imaginando ela com alguém.
-Quem é?- ele escutou uma voz alegre e abafada vinda lá de dentro.-Espero que não seja nenhum príncipe que veio me pedir em casamento e me levar para bem longe daqui. Porque eu estou totalmente desarrumada.
Enjolras deu meia volta, mas se forçou a agir como homem e a ficar ali. Ele iria conversar com Éponine. Mas que diabos, ela era apenas uma garota!
-É... sou... É o Enjolras, Éponine — a voz dele falhou. Ele aproximou o rosto da porta para não ter perigo de falar muito baixo e ela não ouvir.
-Ah- a porta se abriu e ela estava parada de frente para ele, o cabelo preso em um rabo de cavalo mal feito, seu rosto estava um pouco suado, ela usava um shorts e um top branco que deixava a barriga a mostra. Ela parecia não ter ficado muito feliz em vê-lo ali. -Eu estou com pressa, Enjolras. Eu adoraria sentar e conversar com você, porque eu realmente adoro conversar com você,mas já são quase 13:00 e eu ainda nem terminei de arrumar minhas malas. E eu tenho que estar pronta as 15:00. Eu sei, eu sei é impossível . Mas eu gosto de desafios.
Enjolras assentiu com a cabeça e se virou, indo em direção ao elevador,mas se virou para a Éponine que já estava fechando a porta.
-Nós... digo... nós podemos ao menos conversar? Eu vim para... para isso. Prometo que não vai demorar muito- ele nem ao menos sabia a razão para estar ali, na verdade sabia, mas não queria admitir para si mesmo.
Éponine suspirou pesadamente e fechou os olhos como se pedisse paciência.
-Eu já sei por quê você veio. Você veio para fazer as coisas mais complicadas do que elas já são. Você veio para fazer eu me sentir uma pessoa horrível e monstruosa. É claro, como eu não percebi que você iria vir fazer isso.- ela falou sarcasticamente e relutantemente deixou ele entrar.
Ele seguiu Éponine até o quarto dela que estava uma bagunça, roupas espalhadas e caída no chão,malas abertas na cama, gavetas abertas. Verdadeiro caos. Ela indicou para que Enjolras sentasse na cama e ele afastou as malas para se sentar na beirada .
-E então?- ela perguntou de forma rude,olhando para ele com as sobrancelhas arqueadas.-Veio até aqui para ficar olhando para a minha cara?
-Eu não vim aqui para...- ele travou, agora não era a melhor hora para esquecer o roteiro que tinha feito em sua cabeça.
Ela colocou as mãos na cabeça sem paciência.
-Espere aqui.- ela pediu- Vou preparar um suco para gente, porque só assim para agüentar essa conversa. E quando voltar irei explicar como a história irá terminar.
Éponine saiu do quarto, deixando Enjolras se perguntando por que ela estava tão irritada com ele. Enquanto ela não voltava , ele tentou se lembrar do que tinha ido falar com ela.
Uns dez minutos depois, Éponine chutou a porta e entrou, estendendo um copo de suco para ele que pegou e deu um gole.
-Merci, Ponine.- ele murmurou e a chamou pela primeira vez ela de Ponine. Ela balançou a cabeça e puxou a cadeira que tinha ali e a colocou de frente para Enjolras. Ela juntou as mãos na frente da boca e pensou por um momento.
-Muito bem...- ela começou- Vou te contar uma pequena história. Mas preste bem atenção, que eu não vou contar essa história novamente. Era uma vez um cara muito legal, bonito,inteligente, educado e uma das pessoas mais doces já conhecida no mundo. Um dia ele conheceu um monstro, que... Não era o que aparentava ser, e privou esse cara de conhecer uma garota legal. Mas o monstro gosta muito desse cara para continuar fazendo a mesma coisa e o libertou. Esse cara voltou a sair com os amigos dele, e a escrever as lindas palavras que ele escreve e depois de uns anos ele conheceu uma garota que era o tipo dele, eles se casaram e tiveram dois filhos. E esse cara esquceceu o monstro. E um tempo depois o monstro e o cara legal se tornaram amigos. E fim! O que achou?
-Uma porcaria.- ele respondeu.
-Por Deus!- Éponine se levantou exasperada, colocando as mãos na cabeça.- Escute Enjolras. Você vai prometer por Deus, não por mim,mas por Deus, que você vai tirar essa sua bunda daqui. Sua reação é um pouco exagerada, na minha opinião,mas eu acho que você é sempre assim. Então você vai jurar por Deus, que você vai ser o cara legal, vai voltar para seus amigos, escrever seus discursos, que são ótimos.- a voz dela ficou um pouco embargada, ela ficou de costas para ele.- Quando você terminar a faculdade, vai se casar com uma de suas colegas de direito, vocês vão abrir um escritório, trabalharem juntos, ganhar vários casos, no momento certo ter filhos e envelhecer. Vocês vão se sentar na varanda e observar seus netos brincando. E é isso. Fim da história. Agora termine seu suco, que você já me atrasou demais.
-Mas que diabos?!- Enjolras perguntou se levantando perdendo a paciência com Éponine, já estava cansado de ouvir ela falando.- Isso não faz sentido nenhum!- ele estava em choque.
-Não mesmo!- ela disse socando as roupas na mala.
-O que te faz tão importante a ponto de achar que eu vou jurar por Deus? Eu só vim aqui para conversar com você.
-Estamos conversando.
-E perguntar se você quer sair comigo, hoje.- ele falou de supetão e Éponine parou de arrumar a mala e ficou um tempo parada- Eu queria ter feito o pedido de uma maneira melhor, mas você está tão convencida de que todos só querem enganar você, que não vê que você faz isso consigo mesma!
Ela respirou fundo e se virou para ele, a expressão do rosto dura. Ela parecia contrariada.
-Ah! Me desculpe, de verdade, se eu te ofendi- ela disse sarcasticamente- Mas acredite, toda essa cena que você faz de “Eu me importo” é... ridícula! Você é ridículo, Enjolras. Você se acha muito superior para vir até aqui e me dizer essas coisas,sem sentido nenhum. Quem você pensa que é para me julgar?- ela apontou o dedo para ele, se controlando para não gritar com ele.- Se tudo isso é por causa do maldito beijo, saiba que só foi um beijo sem importância, como qualquer beijo. Não. Teve. Importância.-ela pontuou cada palavra- E agora você se acha no direito de vir até aqui, e fazer essa cena só porque não quero sair com você hoje!- ela gritou a última parte.
Enjolras apertou a ponte do nariz, clamando por paciência.
-Você percebeu, que só você falou?- ele gritou em tom acusatório – Que você está tirando conclusões precipitadas? Que você está dizendo que eu, estou fazendo uma cena, sendo que você colocou isso na sua cabeça? Você nem ao menos ouve quando as pessoas falam com você, Éponine.- ela virou as costas para ele e soltou uma risada sarcástica. Enjolras perdeu o pouco de paciência que tinha e a pegou pelo braço e a jogou na cama.- Agora, Éponine você vai me deixar falar, e vai me ouvir. Entendeu?- ele tremia de raiva e Éponine o olhava assustada, nunca o tinha visto daquele jeito antes.- Em primeiro lugar eu não ajo desse jeito. Eu não sou infantil a ponto de fazer uma cena. Em segundo: eu acho que existe coisas mais importantes que viagens, festas e tratar pessoas como brinquedos, que quando você enjoa, você joga fora ou dá para outra pessoa. E em terceiro,Éponine: você tenta negar,mas no fundo você sabe que eu sou o estranho que te conhece muito bem. E nosso beijo não foi só um maldito beijo sem importância, eu estava lá e senti como você reagiu. Como seu corpo reagiu a mim, como você me puxava para si. Eu não estou louco quando pude ouvir seu coração batendo acelerado junto ao meu. – a voz dele foi diminuindo, ele finalmente estava dizendo tudo que estava entalado a muito tempo, Éponine tinha os olhos baixos, escutando cada palavra, e Enjolras pode jurar que ela estava chorando,mas não se atreveu a para, agora que tinha conseguido falar.- Não importa o quanto você tente negar para o mundo, para mim ou para si mesma. Você sente alguma coisa por mim, do mesmo jeito que você sabe que eu sinto por você. E tudo isso não é só por causa do beijo. Querendo ou não você me disse coisas pessoais aquela noite, você já chorou na minha frente, Éponine. Várias vezes. Você compartilhou algo importante comigo aquela noite e outras noites, porque sempre que conversamos eu chego em casa e fico tentando descobrir seus códigos .- ele terminou de falar e respirou fundo.
Eles ficaram um tempo em silêncio, sem olhar um para o outro, até que Éponine se levantou, adquirindo uma pose de arrogante.
-Tudo isso é irônico,porque você acabou de fazer uma cena.- ela deu um sorriso duro e sarcástico para Enjolras- E quem liga para o que já te disse? Não importa o que eu te disse aquela noite ou qualquer outra noite ou conversa. Eu poderia ter te dito tudo sobre mim e que isso não iria mudar nada na relação que nós não temos. Não existe nada, entre nós, Enjolras. Me desculpe se eu te dei a idéia errada.- ela falou a voz cansada, seus olhos estavam vermelhos, ela queria chorar mas não iria fazer isso na frente dele. Não iria deixá-lo ter o gostinho de saber que suas palavras mexeram com ela.
-E sou eu que sou ridículo ? Sou eu que sou o covarde, não?- ele perguntou se aproximando dela, ele não levantou a voz, falou em uma voz perigosamente calma.- Eu posso entender que você não queira ficar amarrada a alguém ,porque você é toda cheia de merda,mas ficar correndo e tratando as pessoas assim, com arrogância é uma coisa meia infantil, não?
-Você não sabe o que diz, Enjolras.- ela falou séria.- Você pensa que você me conhece, mas você não sabe nada sobre mim. E você está me julgando de novo, como já fez uma vez. Não estou correndo de nada, não tenho do que correr!
-Lembra quando você me disse que era um clichê ambulante e eu disse que,não? Retiro o que disse. Porque é isso que você é Éponine, você não tem personalidade, você vive da piedade das pessoas. Você fica com esses seus livros, e frases de efeito moral, querendo mandar na vida das pessoas e dando uma de garota mal compreendida,peculiar e linda... mas você é um maldito clichê, Éponine. Ninguém gosta de clichês, podem até fingir que gostam,mas eles querem coisas novas. Como uma pessoas pode se apaixonar por isso?- ele indicou Éponine, ele estava cansado, e se ela só conseguia entender na base da ofensa, então ele iria ofendê-la.
-Vai embora.- ela falou apontando para a porta.- Eu preciso me apressar. Você sabe, as roupas não vão dançando magicamente para as malas.
Enjolras balançou a cabeça ironicamente e fez um barulho de desapontamento. Não era bem assim que ele pretendia que a conversa terminasse. Mas aquela conversa era necessária para ele saber o que fazer no futuro em relação a Éponine.
-Bela jogada, Éponine.- ele a aplaudiu sarcasticamente, a conversa inteira eles tinham sido duro um com o outro- Pedindo para a única pessoa que está interessada em você,pelo que você é, e não pela sua aparência, ou o que você veste, para ir embora. Thaís tinha razão quando disse que você era uma manipuladora.
-Então vá ficar com ela. E eu quero que vocês dois se fodam. Agora vá que Montparnasse estará aqui daqui a pouco.- ela falou de maneira feroz.
-Não me importo para quem vai estar aqui, a partir de agora não me importo com o que você faz... Não é meu problema. Você não é meu problema. Eu não ligo. De qualquer maneira, foi bom te ver Éponine... Espero que nunca tenha que te ver novamente.- ele falou de um jeito maldoso e não deu tempo para Éponine retrucar, dessa vez ele não deixaria ela dizer a última palavra. Enjolras saiu batendo a porta nervoso e não olhou para trás uma única vez.
Já Éponine ficou um tempo parada no mesmo lugar, sem reação, até que ela caiu de joelhos no chão e começou a chorar. Depois olhou para a porta, na esperança que Enjolras voltasse e retirasse tudo o que havia lhe dito, e que voltasse a ser legal com ela. Mas ele não voltou. Não como ela queria. Ela percebeu que talvez o tivesse perdido, ele estava com raiva dela, e tinha motivo para ter raiva, ela merecia ter escutado cada palavra que ele disse, já que eram completamente verdadeiras. Eram dolorosas? Eram, mas ele foi o único que disse tudo aquilo para ela, sem se preocupar em machucá-la. E ela havia estragado a única coisa boa da sua vida nos últimos meses.
Ela limpou as lagrimas e se levantou do chão, voltando a arrumar as malas. Ele disse que não iria mais se importar. Otimo ! Que não se importe. Ela simplesmente decidiu fazer a mesma coisa, Éponine simplesmente decidiu que não iria deixar se abalar por algumas palavras. Ela iria ter um ótimo verão junto de Montparnasse na praia, e quando estivesse lá, esqueceria quem era Enjolras.
[...]
A noite os amigos estavam reunidos no Café Musain, inclusive Combeferre. O interior estava silencioso e apenas se ouvia o barulho da chuva.
-Eu não entendo. É verão, então por que está chovendo?- Grantaire perguntou levando a garrafa de cerveja a boca.
-É normal no verão ter pancadas de chuva.- Combeferre falou automaticamente, pela milésima vez, em menos de uma hora.
-É só para deixar tudo mais quente.- Courfeyrac reclamou.
-Tem algo mágico no verão, vocês não acham?- Jehan perguntou admirando a chuva e os amigos reviraram os olhos.
-Não vejo nada de mágico em ficar preso em um lugar. Afinal por quê estamos aqui?- Grantaire perguntou.
-Para discutir sobre política, ouvir você falando asneira, Joly achando que ta todo mundo doente, Enjolras mal humorado... As coisas de sempre.- Bossuet respondeu lendo o jornal.
Enjolras entrou correndo no Café Musain, todo encharcado e de cara fechada. Balançou na cabeça para tirar o excesso de água do cabelo.
-Vish hoje a fera ta atacada.- Grantaire murmurou ao olhar para a expressão de Enjolras que se sentou e não disse nada.
-Você está bem, Enjolras? Parece um pouco pálido- Joly se aproximou, tirando o pulso dele.- Sua pulsação está normal,mas você parece doente. Deve estar para ficar gripado. Acho melhor você ir para a casa e vestir roupas secas.
-Estou bem, Joly. Não enche... Esse jornal é de hoje?- Enjolras perguntou para Bossuet que assentiu com a cabeça e passou os cadernos que já tinha lido para Enjolras que começou a ler atentamente.
-Talvez o problema de Enjolras não seja algo,mas sim alguém.- Courfeyrac brincou.
-Cale a boca, Courfeyrac- Enjolras enfiou o rosto no meio das folhas do jornal. Os amigos trocaram um olhar mas nada disseram.
Ficaram um tempo em silêncio, Joly, Courfeyrac e Jehan conversando entre si, Grantaire conversando com a garçonete na mesa afastada e Combeferre lia Sartre que havia pego emprestado de Enjolras.
Eles ouviram um pigarreio tímido e todos ao mesmo tempo levantaram o olhar e se depararam com Augustinne que estava um pouco molhada.
-Pardon, eu sei que não sou bem vinda aqui mas... eu tenho um recado que me pediram para entregar para você, Enjolras.- ela falou se aproximando e pegando bolsa que ela sempre usava atravessada no corpo, tirou de dentro um envelope branco que já estava bem amassado e entregou nas mãos de Enjolras, que pegou e olhou aquilo com curiosidade.
-O que é isso?
-Éponine pediu para te entregar.
Enjolras esticou o envelope de volta para Augustinne.
-Eu realmente não quero saber o que tem aqui. Diga para ela não perder o precioso tempo dela.
-Ah como eu não percebi isso antes?- Courfeyrac gritou- É da Éponine que você gosta!- foi uma afirmação e não uma pergunta.
Augustinne deu um olhar severo para Courfeyrac que voltou a se sentar.
-Olha eu não vim até aqui para você me devolver isso. Está entregue, agora se você vai ler ou não, honestamente não é problema meu. Adeus.- ela falou, olhou para Combeferre que desviou o olhar, e saiu correndo logo em seguida.
-E então? O que diz?- Joly perguntou curioso.
Mesmo contra vontade Enjolras abriu o envelope. Estava curioso para saber que palavras ásperas estavam escritas ali.
Esperava encontrar uma carta, mas ao invés disso, havia um único papel de bilhete vermelho, escrito com a conhecida caligrafia miúda de Éponine.
“Você é o homem mais deprezivel, que eu já conheci. E você ainda me manipula a perseguir você? Eu pensei que você era obvio , fácil de ser lido, e fácil de ser enganado por uma mulher. Mas depois de hoje, vejo que estava enganada. Mas acho que isso não importa, quero acreditar que a conversa que tivemos hoje, foi uma troca de elogios. Fizemos troca de verdades e agora que conhecemos um ao outro bem, e já dissemos o pior,nós podemos abrir espaço para que coisas melhores venham."
E estava escrito isso. Enjolras soltou uma risada sarcástica, não acreditando naquilo, eles discutiram e ela tinha coragem de mandar um bilhete dizendo aquilo como se não fosse nada?
Ele balançou a cabeça e amassou o bilhete para jogá-lo de lado, quando reparou em duas palavras no verso do bilhete. Enjolras desamassou o papel vermelho e leu :
“Vire-se”
Notas finais
E agora papo sério: como estou vendo pouco retorno dos meus amados leitores( agradeço eternamente os que comentam e me desculpem por isso),mas decidi que, vou postar só um capítulo por mês, no máximo dois,mas isso vai depender de vocês falando comigo e me dizendo o que estão achando. Realmente gosto de saber o que estão achando.
Então acho que é isso.
Até mais.
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