When Night Comes

16 Capítulo 16


Notas iniciais
Oie e.e Muito tempo não é mesmo? Pois é Recebi um comentário e isso me incentivou a terminar este capitulo para vocês! Obrigada Guiga ♥ Espero que gostem e nas Notas Finais repassarei algumas informações importantes que talvez vocês tenham esquecido. Boa leitura ;3

Pov Eco e Astrid

Meus olhos se abriram e antes mesmo do primeiro respirar, a culpa assolou-me por completo, tirando-me o ar que nem havia nos pulmões.

Virei para o lado e vi o corpo moreno repousado plenamente no colchão ao meu lado, mas o rosto sereno pelo sono não estava virado em minha direção. Aproveitei isso para me levantar cautelosamente e pegar a pouca roupa que eu usava ontem, juntando-a rapidamente antes de sair do quarto enquanto me vestia.

Fechei a porta com cuidado e distancie-me da porta com um zumbido em meus ouvidos, com uma dor no peito e o corpo dormente. Cerrei os punhos rapidamente e respirei fundo virando-me, mas sem me mexer... Balancei a cabeça tendo memórias da noite passada, atormentando-me ainda mais. Eu respirei fundo, mas ainda me sentia sem ar.

Apenas corri para longe dali, não consegui parar dentro da casa, fui para fora e continuei correndo até chegar onde eu queria: o velho lago das árvores mortas. Minha respiração estava acelerada e eu sentia-me inquieta de todas as maneiras! Sentia-me tonta com tantos pensamentos, com tantos sentimentos e todos não muito bons. Comecei a tremer levemente e resolvi me sentar em um tronco que sempre servia-me de banco.

Olhei para minhas mãos... Essas que novamente tiveram outra recaída com ela. Por que tinha de ser ela? Deuses! Passei a mão em meu cabelo, segurando minha cabeça entre elas. Astrid era totalmente oposta de si! Não combinavam em praticamente nada e mesmo assim ainda insistia em se aproximar dela! Sentia como se a mesma me puxasse para si, como um imã, forças opostas que se atraem, mas quando estão juntas nada de bom pode sair disso.

Seu vicio em mordê-la depois de um ou dois orgasmos da morena era uma prova e pior de tudo era que a mesma deixava e parecia gostar. Que tipo de pessoa gosta de ser machucada? Realmente não entrava em sua cabeça. Se fosse para ficarem juntas da maneira correta, nunca a morderia. Duvidava muito que Nevena morderia Brenda dessa forma, muito menos desse jeito.

Suspirou, sentindo-se totalmente cansada de tudo que envolvia a morena, mas ainda sim não conseguia negar o prazer que sentia com ela... Ao mordê-la, ao se relacionar sexualmente com ela. Astrid mexia com sua cabeça de todas as formas, mas nenhuma era de fato boa, principalmente pelo passado conturbado que tiveram juntas.

Cabisbaixa, levantou-se e rumou para casa depressa, não queria, mas já era inevitável não correr para os lugares quando se tem uma velocidade totalmente fora dos padrões conhecidos, além do dos vampiros claro. Entrou na mansão e seguiu para seu quarto, conseguia ouvir que Nevena já havia acordado e fazia barulhos mínimos em seu quarto, em compensação seu quarto vinha o barulho do chuveiro, o que indicava que a bruxa havia acordado e se banhava.

Entrou no recinto sagrado e fechou a porta, sentia-se em casa ali, realmente sentia-se em casa, mesmo que nunca tivesse mesmo uma, achava sua casa próxima de Neve e sempre foi assim. Vivera com seus pais por muito tempo, mas ambos morreram ainda jovens, algumas décadas depois de tê-la e por fim passou a ser criada por quase todos da Vila, porém apegou-se mais a Neve e os pais dela lhe trataram como filha, por isso o sentimento próximo com a anciã.

Resolveu pegar uma roupa qualquer no armário e trocou de roupa ali, afinal ela, diferente da morena, havia tomado banho ontem a noite, afim de tentar se acalmar e apenas dormir quando deitasse, que foi exatamente o que aconteceu.

Escovou o cabelo claro e ajeitou a blusa xadrez pelo corpo, colocando-a para dentro da calça jeans preta que combinava com a cor laranja e negra da blusa. Calçou uma bota de cano alto marrom e amarrou os cabelos para não lhe atrapalharem hoje. Paciência era uma virtude que não teria hoje.

Ouviu o barulho do chuveiro cessar e se amaldiçoou por não ter saído no exato momento em que ouviu tal feito, pois logo depois Astrid apareceu apenas com suas roupas intimas de cores exóticas, a dessa vez era roxo, a cor preferida da morena.

—Partindo sempre antes de me dar bom dia. Não sei porque ainda espero ao contrário. – Falou enquanto secava o cabelo com a toalha da loira nos braços. – Onde esteve?

—Estava pensando. – Respondeu direta.

—Em quê exatamente? Nós? – Perguntou avaliativa.

—Sim.

—Como sempre. – Quase rolou os olhos, mas se controlou. – Qual foi a da vez agora? Pensamentos que eu deveria me afastar, que não damos certo juntas, que ainda não me perdoou ou que eu não deveria deixa-la me morder? Qual foi dessa vez?

Eco engoliu em seco e respirou fundo, abaixando sua guarda alta e passando a mão pelo rosto.

—Vou me afastar de você. – Concluiu.

—Você sempre fala isso. – Retrucou a bruxa, parando de secar o cabelo com a toalha já molhada. – Precisa parar de falar isso se gosta de mim.

—Eu gosto de você? – Questionou a ela.

—E não gosta? – A bruxa arqueou uma sobrancelha e ao ver a inquietação da outra constatou que sim. Sorriu vitoriosa. – Pois bem... Se quer ficar comigo, não deveria me afastar.

—Você que me afastou primeiro! – Acusou-a.

—Mas eu estou aqui, não estou? – Retrucou novamente.

Ela tinha sempre uma resposta na ponta da língua, mas dessa vez não colaria. Dessa vez não!

—Essa é a questão Astrid! – Queixou-se de maneira audível e sensível, mostrando pela primeira vez o tamanho de sua chateação com a outra. – Quando você veio atrás de mim a anos atrás eu cai na sua fácil de mais! Nos relacionamos por anos depois disso e você abusou completamente de mim, do meu amor! Me usou como se fosse uma escrava idiota sua! Me traiu inúmeras vezes e não teve a decência de me falar por si só, tive que ouvir de outra pessoa e ainda não acreditar, tive que ver para crer! – Parou tomando fôlego pela pressão insana que seu peito sentia. – Eu te odiei com todas as minhas forças depois de chorar e me sentir um lixo anos e anos por você! A maldita que usou e abusou de mim sem piedade alguma e agora ainda volta para perto de mim! – Arfou, balançando a cabeça enquanto sentia seu corpo totalmente eletrizado pelos sentimentos que sentia. – A primeira vez que voltou eu soube que era momentâneo, quando foi embora eu não fiquei mal, mas a segunda vez não foi por querer... Você voltou me querendo, voltou desejosa de mim e eu deu o que queria, quando foi embora me senti mal novamente e quando voltou da última vez eu ainda não havia me recuperado da outra, mas claro que eu dei de novo o que queria e você fez o que? Foi embora de novo!

—Eu não vou embora dessa vez... – Astrid falou pausadamente e de maneira baixa, como se não quisesse dar a outra o entendimento de que a estava afrontando.

—Você disse isso antes e foi embora! É sempre assim, me usa e depois some! Me bagunça inteira e depois some! Eu tento entender seus motivos, mas não consigo, Astrid! Não consigo entender o que passa na sua cabeça, quais são seus sentimentos para aparecer e ficar comigo inúmeras vezes, mas não permanecer comigo! Qual é o seu problema?!

—O meu problema é você! Você fez isso comigo! – Eco riu da fala da outra e se mexeu totalmente inquieta e incomodada com a fala da outra, mas Astrid continuou. – Eu sempre fui organizada, sempre soube tudo de mim, sempre soube o que queria e eu nunca quis nada do que nós tivemos ou temos! Tudo isso foi demais para mim, eu não conseguia entender o tipo de sentimento que tínhamos e por mais que eu soubesse o que era eu não queria me sentir presa.

—Eu nunca te prendi.

—Eu sei! Mas eu tinha medo de que em alguma hora eu fosse presa! – Astrid falava com a voz embargada para a vampira que agora virou uma pedra de gelo em sua frente. – Eu observava você anos e anos, mas nunca tive coragem de me aproximar, quando surgiu essa oportunidade eu a fiz por impulso e tudo começou a ficar muito bom. Parecíamos nos encaixar ao compasso que éramos opostas e eu me sentia cada vez mais atraída por você e por tudo que envolvia você! – Ela parou para respirar fundo e aproveitou para analisar a loira, mas não viu nada muito positivo, muito pelo contrário, Eco a analisava com um olhar totalmente critico e analítico. – Olha, eu sei que estou em divida com você, mas eu estou tentando quita-la! Eu vacilei muito ficando com aquelas pessoas anos atrás, mas agora eu só penso em você, só quero ficar perto de você nem que seja de longe! Eu fiquei anos apenas observando você de longe, fazendo magia para lhe ver e ouvindo noticias repassadas por várias pessoas. Você acha que não, mas eu lhe acompanhava de longe. – Eco olhou-a desconfiada e isso fez Astrid ficar minimamente melhor, afinal tais palavras estavam surtindo efeito. – Eu só estou lhe pedindo mais uma chance, Eco... Porque eu sei que essa eu não irei desperdiçar.

A bruxa quebrou a distancia entre ambas, seus corpos ficaram minimamente próximos e aproveitou para acariciar o braço de Eco, mas a mesma abaixou a cabeça com os olhos fechados e deu um passo para trás, levantando o olhar para os olhos negros da outra.

—Vamos ver até quando.

Virou-se e saiu do quarto, deixando a morena sozinha no mesmo.

ʘ

Pov Nevena

Quase duas semanas se passaram desde o dia do baile de formatura de Brenda e não pude falar com ela, afinal estávamos em um momento crucial na caçada aos lobos e seu esconderijo, infelizmente, não sabíamos muito mais do que nos foi dito pelo metamorfo capturado, então fui obrigada a aumentar a busca por eles afim de tentar esgotar hipóteses, mas mesmo com mais de vinte dos meus os procurando, ainda não obtive uma resposta positiva.

Janeiro logo começaria e esse ano terminaria. Por mais que não tivéssemos religiões na Vila, eu era supersticiosa e não gostaria de levar más histórias para um ano que se iniciaria, então eu pretendia resolver este problema com os lobos nos próximos dias, mas havia um problema: as festas de fim de ano dos humanos. Realmente não comemorávamos algo do gênero, o máximo que fazíamos eram reuniões no Coliseu e um banquete de sangue para todos e pensamentos positivo para o próximo ano, nada tão exasperado como as festas do outro mundo. Justamente por causa disso eu já estava apressando-me.

—Mandou me chamar?

Olhei para a porta do escritório, onde eu pensava calmamente, vendo Eco, mas algo me chamou a atenção à sua postura e fala.

—Sim. Tudo bem? – Questionei levantando-me.

— Sim, senhora.

Ri levemente e assenti. Caminhei para pegar meu sobretudo, colocando-o em cima da camiseta branca até a calça preta. Fiz um sinal para que ela me seguisse quando passei pela mesma e assim o fez.

—Sou sua anciã, mas ainda sou sua amiga. Sabe disso, certo? – Saímos do quarto a passos lentos.

—Sim... Desculpe. – Ela suspirou pesarosa, mas não me olhou. – São só complicações com a bruxa, nada de mais.

Sabia bem do que ela estava falando.

—Vocês realmente precisam de um tempo para conversar e esclarecerem as coisas. – Apontei e a mesma nada falou. – Já tentaram isso pelo menos?

—Mais ou menos.

—Então não tentaram. – Retruquei, vendo-a revirar os olhos.

—Não é como se ela fosse uma pessoa fácil, sabe bem disso! – Argumentou e eu tive de concordar enquanto descíamos as escadas que levavam aos quartos do segundo piso.

—Eu sei, mas ela é uma boa pessoa. Além do que você gosta dela! – Eco olhou-me e eu apenas dei de ombros. – Não minta para mim, sabe que é verdade. Você ficou anos sem se envolver com ninguém por causa dela e quando voltava e ia embora quase tinha uma sincope! Agora que ela voltou e parece não querer ir embora você ficou mais magoada ainda, pois agora pode jogar em cima dela tudo que não podia quando ela aparecia e logo sumia de novo. – Chegamos ao piso térreo e me dirigi para a cozinha, pegando minha garrafa térmica. – Posso não saber ler mentes, mas de algumas coisas eu sei apenas observando. – Ri levemente enquanto dava um bom gole no liquido viscoso.

—Ótimos apontamentos para uma amiga que deveria me fazer se sentir melhor. – Reclamou e eu revirei os olhos risonha. – De qualquer forma, não me sinto suficientemente preparada para nada relacionado a ela.

—Mas transar você consegue né. – Ri falando e ainda mais com a carranca que ela me deu. – Desculpa, foi inevitável.

—Você é ridícula às vezes. – Ri mais com sua fala e balancei a cabeça, indicando para andarmos.

—Bom... Se você não se sente preparada fale isso para ela e espere. As coisas sempre acalmam com o tempo, disso tenho certeza. – Saimos para fora da casa e ela nada mais falou, trazendo a mim a compreensão de que ela nada mais falaria sobre o assunto e eu tampouco a deixaria desconfortável com isso, então começamos a falar do que realmente importava! Os lobos. – Lhe pedi para vir com um propósito: arrumar informações das equipes de busca aos lobos.

—Fiz isso ontem e nada me foi passado. O que pensou em fazer? – Pensei e ela assentiu. – Talvez dê certo. Vou reunir um grupo e nos encontramos na frente da mansão, tudo bem?

—Sim. Enquanto isso vou falar com o lobo capturado. – Ela apenas assentiu e saiu em velocidade, deixando-me sozinha.

Suspirei e tomei mais um pouco do sangue na garrafa, rumando logo depois para o galpão que deixamos o animal preso. Chegando lá dispensei o vampiro que estava de guarda e fiquei a sós com o homem não transformando.

—Faz tempo que não vem me ver. – Falou. Sua voz estava cada vez mais rouca e grossa, denunciando os maus tratos.

—Estive ocupada. – Sentei na caixa que ficava próxima a cela e o mesmo me encarou. – Não parece que está tão mal assim.

—São seus olhos. – Sorriu falsamente, devolvi o sorriso.

—Deve ser mesmo. – Olhei para minha garrafa e depois para ele, pensativa. – Preciso que me fale mais coisas sobre a fuga dos seu clã.

—Como sempre.

—Sim, mas dessa vez são para mim. Pretendo acha-los mesmo. As informações que me disse sobre se esconderem no mundo dos humanos até o filho de A nascer não bastam! Você sabe o local onde eles estão? Ou talvez estariam?

—Como já falei para você: eu não sei! – Disse suspirando, deixando-me levemente irritada. – O que eu acho é que eles podem estar na região mais distante da localização de vocês, para que seja mais difícil acha-los e tudo mais. Talvez em lugares mais movimentados de humanos e tudo mais, se camuflando, principalmente o cheiro!

Assenti... Fazia todo sentido. Levantei-me, tomando mais um pouco da garrafa.

—Obrigada. – Apenas o vi assentir com a cabeça e se encolher mais na jaula... Deixando-me com pena de como estava tão fraco. Suspirei e fui mais para perto de onde ele estava, passando pela grade a garrafa que eu segurava. Repousei-a no chão e me distanciei. – Tome. Sei que sua dieta é diferente da nossa, mas se comem carne, bebem sangue, então isso pode te deixar um pouco mais forte.

O rapaz virou-se apenas para ver a garrafa, mas não se mexeu e logo depois voltou a posição anterior: encolhido no canto da jaula.

—Retire isso daqui. – Sua voz demonstrava pesar. – O mínimo de bom senso que eu possuo depois de entregar os últimos da minha espécie para a sua é que eu mereço morrer. Se já conseguiu o que queria, leve isso junto com você.

Engoli em seco e uma pontada de culpa assolou-me levemente, mas respirei fundo e peguei a garrafa de volta, ainda ficando parada para ter certeza que ele queria isso mesmo... O homem lobo nada fez, apenas ficou imóvel e tive certeza que falava sério, então apenas dei-lhe a palavra e me retirei, afinal, ele não merecia mais humilhação e desonra.

Caminhei calmamente até a mansão, retornando para que pudesse sair em busca da matilha com o grupo que Eco deve ter organizado, mas novamente meus pensamentos trouxeram-me lembranças de um dia distantemente próximo, sorri. Brenda sempre me fazia sorrir, mesmo que minimamente na grande maioria das vezes, fazia tempo que não nos víamos e como eu iria no mundo dos humanos o dia todo, e talvez mais alguns dias, quem sabe eu conseguiria vê-la por alguns minutos, quem sabe algumas horas!

Sem percebeu, cheguei até o ponto de encontro e vi um grupo de mais ou menos seis pessoas em pé conversando entre si, tendo Eco como um centro maior de atenção. Então este era o grupo? Nada mal, junto de mim nos tornaríamos sete vampiros à procura da matilha. Acho que serviria.

—Muito obrigada por virem. – Agradeci enquanto me inseria no circulo. – Eco lhes falou o que pensei? – Eles assentiram. – Ótimo, então assim fica mais fácil. Vocês formarão duplas e cada uma irá para uma região, eu irei sozinha verificar perto daqui.

—O que faremos se os acharmos? – Perguntou um homem alto e forte, com cabelo e barba grandes e negras. Se eu não me engano, foi ele que me parou para perguntar o motivo de Brenda ainda ficar aqui depois do ataque dos lobos, a um tempo atrás.

—Você chamará os outros de nós, em hipótese alguma alguém irá atacar sozinho ou em dupla. Com o grupo todo temos mais chance e não pretendo deixar nenhuma chance sequer passar, compreendido? – Olhei para ele e o mesmo assentiu, depois olhei para o restante e eles fizeram o mesmo. – Ótimo. Eco providenciou comunicadores, então quando e se acharem algo importante, se comuniquem! Nenhum ato heroico individual será tolerado e muito menos recompensado. – Olhei para cada um pausadamente, todos pareciam entender. – Vamos. Escolham as duplas.

Eles começaram a conversar e alguns já foram se juntando, Eco veio até mim e parou próxima o bastante para falar algo sem alguém ouvir, ou não, já que todo vampiro tem audição aguçada.

—Tem certeza que quer ir sozinha? Da mesma forma que é perigoso nós ataca-los sozinhos, também é para você.

—Não se preocupe, eu irei sozinha e não irei ataca-los sozinha. Pretendo chamar os outros. — Ela assentiu e recuou, aproximando-se do homem barbado. – Pronto? – Pelo que vi as duplas já estavam formado. – Vamos.

As duplas converssaram baixo e vi Eco e o homem partirem primeiro, rumo a leste, depois vi o grupo de mulheres partirem ao sul e o outro a oeste, sobrando para mim o norte como havia falado. Suspirei e entrei rapidamente em casa, pegando outra garrafa térmica que já estava na geladeira a minha espera e deixei a meia vazia, porém quente, fora da mesma. Então corri para fora e passei a procura-los em meio a floresta.

ʘ

Havia começado perto de nossa Vila, mas o cheiro não era forte e não encontrava barulho algum que me trouxesse o entendimento que era um deles. Haviam muitos lobos, eu conseguia sentir e ouvi-los, mas era diferente de um lobisomem. A mudança respiratória era mais devagar e fraca do que a deles, assim como acorrida era em menos velocidade e os passos leves também diferenciavam, o cheiro era semelhante, mas não igual, já que eles exalavam muito mais o aroma de sangue e suor do que um lobo normal.

Em determinados momentos eu subia em árvores para tentar ver e perceber algum rastro de destruição causado na debandada deles, mas obviamente nada achei, já que eles eram imensamente familiarizados com a floresta, viviam nela por anos e anos, duvidava muito que algum dia sequer a destruíram de alguma maneira. Passei a procurar no solo mesmo, mas não encontrei muita coisa, então comecei a me distanciar da Vila.

O cheiro ficou muito mais forte, conseguia até perceber grandes pegadas, mas não eram frescas nem nada, muito pelo contrário, estavam secas e muitas vezes com folhas por cima, o que indicavam que eles passaram onde eu estava, mas a muito tempo atrás. Tempo suficiente para estarem longe! Levantei levemente irritada e olhei ao redor, tentando ver alguma outra informação usando a visão privilegiada que adquiri e por pouco deixei passar manchas de sangue indo para o lado oposto de onde eu vim, ou seja, eles realmente se dirigiram para a cidade.

Aproximei-me do sangue e toquei, também seco, cheirei para ver se realmente eram deles ou se era de algum outro animal, tive sorte, o cheiro coincidia com o deles. Levantei e corri para aquela direção, mas não em minha velocidade completa, queria encontrar outras informações, mas pelo que eu via não tinha nada mais ali, apenas mais e mais sangue que indicava alguém ferido o bastante para cambalear e despejar sangue no chão. Ele foi para próximo a estrada que levava a nossa reserva, deixando-me em uma encruzilhada para qual caminho seguir... Resolvi rumar para o caminho da cidade e assim o fiz.

Conforme corria não conseguia sentir um cheiro mais forte ou algum barulho deles, o que começou a incomodar, afinal deixava mais claro ainda que eles realmente se infiltraram no mundo dos humanos e acha-los talvez fosse mais complicado do que eu pensei.

Segui por um tempo até que notei um rastro mais forte de cheiro e parei de correr, fechando os olhos para tentar perceber se era apenas o cheiro ou havia barulho, demonstrando que estavam perto. Para minha infelicidade, era apenas o aroma desgraçado, mas ainda sim o segui em alta velocidade e algo cresceu em mim quando percebi onde estava indo e onde eu pararia, algo não muito bom.

A casa de Brenda cresceu segundos antes de brecar na frente da mesma, senti uma onda de ódio crescer só de pensar que eles conseguiram pega-la novamente! Era por isso que a mesma não foi me ver na Vila?! Será que eles realmente pegaram-na? Inspirei profundamente e cerrei os punhos, eu reconheceria aquele cheiro em qualquer lugar: Lumía.

Trotei até a casa ouvindo barulhos animados, conversas, música e risadas, ouvir isso me trouxe uma mínima calma, mas ainda sim estava apreensiva. Conseguia sentir o aroma inconfundível de Brenda, mas podia vir de seu quarto e aí eu entraria em um frenesi apenas para acha-la, deixando a missão para depois sem pensar duas vezes.

Toquei a campainha e esperei, ouvi passos vindo em minha direção e me endireitei ao percebeu pela audição e olfato que era o pai dela. O mesmo abriu a porta e olhei mais atentamente: o homem tinha o cabelo ruivo todo penteado para trás e pelo jeito que brilhava só podia ter passado gel! A barba grande estava aparada e mais curta, os olhos demonstravam surpresa, mas nada hostil, e suas vestimentas estavam dentro do padrão para o dia vinte e cinco de Dezembro.

—Oi! Nevena, certo? – Ele saldou abrindo um pouco mais a porta, esticando-me a mão que logo apertei. – Vamos, entre! Como você está?

Achei que seria falta de respeito recusar... Principalmente depois de não aparecer mais e consequentemente ter recusado o almoço que eles disseram que faria para me agradecer por ter “salvado” a filha deles.

—Estou bem, e vocês? – Sorri minimamente, passando por ele.

—Estamos bem.Está a procura de Brenda? – Falou fechando a porta, depois virando-se para mim. Limitei-me a um aceno de cabeça. – Ela está no quarto. – Ele começou a andar para o local onde vinha a maioria do barulho: a cozinha. – Se importa de subir lá? Chame-a para descer também! Ela já está mais que atrasada. – Ele sorriu e se virou, mas antes apontou para a escada com uma piscada de olho que me fez rir e arquear uma sobrancelha.

Esse pai realmente era uma exceção.

Me virei e subi as escadas com calma, ouvindo ele avisar para alguém, ou para todos, na cozinha que a “salvadora de Brenda chegou e pedi para a chamar”. Ri e cheguei ao segundo piso, conseguia sentir o cheiro dela mais forte ali e até conseguia ouvir sua movimentação pelo quarto, parecia fazer algo, mas não descobri o que, apenas percebi que andava.

Olhei ao redor e vi que a casa era simples, mas ao mesmo tempo parecia grande, as portas eram intercaladas por alguns metros, denunciando o tamanho dos quartos e no final do corredor havia uma porta aberta mostrando o banheiro, acho que para os convidados, mas também não me atrevi a ir lá, mas algo me chamou a atenção... Um barulho bem baixo vinha do corredor, mais precisamente, da porta ao lado da do banheiro.

Caminhei até lá de maneira sorrateira, com as mãos para dentro do bolso da calça afim de não atrever-me a mexer na maçaneta e ver o que ocorria. Conforme chegava mais perto percebi que o som eram soluços, baixos e pausados, como se a pessoa prendesse. Meu coração se apertou com isso, afinal eu passei tempo o suficiente fazendo o mesmo em tempos que nada bom ocorria, o pensamento de que isso poderia se passar com outra pessoa, mesmo que fosse um humano, me incomodava, mesmo que minimamente.

Fechei os olhos e tentei perceber mais detalhes... O cheiro era diferente, não o havia sentido, não era igual o de Brenda, mas não era tão diferente assim. O pai dela tinha um cheiro parecido também, mas ele estava no andar de baixo, então a pessoa que me veio a cabeça foi sua mãe.

Endireitei-me, abrindo os olhos e dei alguns passos para trás, porém esbarrei no aparador que havia ao lado da porta, derrubando um porta retrato grande de vidro que havia na mesa, fazendo um barulho suficientemente alto para chamar a atenção da pessoa do quarto. Ouvi o barulho vindo de lá parar e os fungos que vieram depois me fizeram entender que ela viria ao barulho, então corri para dentro do quarto de Brenda e fechei a porta, segurando-a com as mãos sentindo meu coração disparar.

—Nevena?

Um arrepio percorreu meu corpo todo ao perceber que entrei no quarto sem sua permissão, ou sem sequer avisa-la! Pensei em sair do mesmo e bater, mas eu ouvia sua mãe fungando e andando pelo corredor, então resolvi me virar e o fiz lentamente, mas sentindo-me totalmente culpada, tanto que me encolhi.

—Olá, Brenda. – A olhei e tentei não parar minha fala para não ficar tão estranho quanto já estava! – Eu... Me desculpe entrar sem bater, eu... Sua mãe... Bom, seu pai está lhe pedindo para descer, disse que está atrasada.

—O que tem minha mãe? – Perguntou com um tom preocupado.

—Sua... Ela... – Quis rir de mim mesma, mas sabia que ela entenderia errado, então... – Ela... Chorou... Bem, ela estava chorando no quarto ao lado quando vim chamar você.

Eu ouvi seu coração bater mais rápido dentro de seu peito, assim como seu sangue circulou mais rapidamente em seu corpo. Dei passagem para ela quando a vi avançar em minha direção, mas sabia que ela só queria ir para a porta.

—Fique aqui.

Não respondi, mas sequer deu tempo, apenas a vi passar e a ouvi ir ao quarto, mas eu já sabia que ela estava no banheiro do corredor.

—Ela está no banheiro. – Avisei, saindo para o corredor. Falei baixo para que sua mãe não ouvisse do banheiro, mas duvidava muito, afinal estava um barulho relativamente alto de conversa e música.

Apenas a vi bater na porta e chamar a mãe, a mesma fungou baixo o suficiente para a filha não escutar... Mas eu escutei. Cerrei os punhos percebendo que isso não ocorria com tanta frequência pelo estado da Brenda, então apenas entrei em seu quarto e encostei a porta, vi que havia uma janela e fui até ela, abrindo-a e passando para fora, depois pulei para a árvore que havia a alguns metros de distância da beirada da janela e saltei para o telhado. Aqui o barulho da conversa ficou menor, mas se eu me concentrasse, conseguiria ouvir, porém não faria isso.

Alonguei-me e suspirei, depois olhei ao redor e tentei me concentrar nos lobos novamente. Diferente da outra vez, o cheiro de Lumía estava mais fraco ali, ou seja, ela não chegou a se aproximar de Brenda o suficiente, nem de seu quarto, onde provavelmente ela ficava boa parte do tempo que passava em casa. Olhei com a visão aguçada se havia alguma pista ou coisa assim, mas não achei nada, então andei por todos os pontos, tentando realmente achar algo, mas não tinha nada mesmo, o que me levava a crer que eles não passaram por aqui.

Apertei o pequeno botão no minúsculo aparelho ao meu ouvido, chamando atenção dos outros pelo comunicador:

—Procurei próximo a Vila e ao antigo território deles e não achei nada além de rastros que mandam para a cidade. – Comecei e ouvi respirações do outro lado, indicando que me ouviam. – Parei próximo a algumas casas, mas também não achei nada, voltarei a procurar em breve um pouco mais além do local atual. Alguém conseguiu algum rastreio?

“Nada ainda do Leste.” – Alguém falou e eu assenti, mesmo sem vêl-los.

“Nada do Norte Oeste também”

“Achamos um rastro indo para o sul, anciã! Estamos tentando seguir pelo cheiro, já que entramos em território humano e não há sinal de pistas no chão ou em qualquer outro lugar.”

Agora sim uma noticia boa.

—Ótimo! Continuem e se perceberem o cheiro mais forte chamem de imediato. Grupo Leste e o Oeste, procurem para o Sul da posição de vocês, senão acharem nada, acionei o grupo Sul e vão de encontro. Tentarei o mesmo aqui, mas senão conseguir vou até vocês, grupo Sul. – Todos responderam positivamente e desligaram, fiz o mesmo e me senti mais aliviada, afinal meu grupo de buscas estava dando mais certo do que o antigo que ficou quase uma semana!

Revirei os olhos e resolvi verificar como Brenda e sua mãe estavam, então concentrei-me e percebi que a música havia parado, havia uma conversa de fundo, mas não conseguia ouvir direito, então me dirigi novamente para a janela dela e entrei com rapidez, agora sim percebendo que a conversa parecia mais uma briga e pelo que constatei a voz era de Brenda!

Sai do quarto em silêncio, mas prestando bastante atenção no que ocorria e pelo que ouvia não era nada bom. Comecei a descer as escadas e vi que haviam algumas pessoas na sala, vi uma mulher pegar sua bolsa no sofá da sala e partir com o que supus ser seu marido, passando pela porta com o bater da mesma indicando que realmente foi embora.

—Qual é o seu problema?! Por que fez esse tipo de coisa?

Olhei na direção da cozinha, ignorando os olhares curiosos para minha pessoa e vi Brenda gesticulando para o pai na abertura do outro ambiente. Observei quando ele se virou para alguém, não consegui ver, então me aproximei mais até notar ser a esposa.

—Por que falou para ela? Pensei que nós íamos resolver isso! – Esbravejou para a esposa e a vi tremer levemente. Meus sentidos captaram seu nervosismo e medo aparente, cerrei os punhos levemente e me aproximei mais quando Brenda começou a falar.

—Vocês vem escondendo isso de mim a meses! Acha que eu não saberia? Acha que pode trair alguém e ainda continuar com ela? Eu mesma apoio minha mãe em deixar você!

—Não fale besteiras, Brenda! Sua mãe e eu estávamos tentando nos entender, você se meter agora pode atrapalhar tudo isso! — Vi quando ela começou a rir e também vi quando seu pai pareceu levar aquilo como algo intolerável. – Posso saber qual a graça?

—Você achar que eu vou apoiar ela a ficar com você, mesmo sabendo que a traiu por mais de um ano!

Engoli em seco. Conseguia sentir sua irá, apenas vi algo semelhante quando pedi para ela ficar na Vila e se afastar um pouco de seu mundo... Mas nada se comparava a esse momento, ela realmente parecia enraivecida com o feito do pai.

—Filha, tente ouvir o lado de seu pai também. – A fala de sua mãe realmente chamou atenção, causando, principalmente, surpresa. – Eu acho que quando alguém trai, os dois tem culpa nisso.

Até eu fiquei sem saber o que pensar, imagina Brenda. Apenas a vi encarar a mãe por um longo tempo, depois desviar para o pai... Eu sentia seu corpo totalmente acelerado pelos sentimentos conflituosos, mas ela realmente não esperava por isso e com toda a certeza estava pensando uma coisa a cada segundo que passava, e se passaram muitos até ela caminhar até a mãe e para em sua frente, segurar seu rosto entre as mãos e beijar a testa da mesma.

—Eu volto depois. – Falou tão baixo que se eu não tivesse uma audição vampiresca, não teria como escutar. – Qualquer coisa me liga.

—Onde você vai? – Sua mãe questionou quando se afastou.

A sentia mais calma, mas sabia que ela estava se controlando... Os olhos amendoados pousaram nos meus em um pedido que compreendi, compreenderia mesmo que ela estivesse brava comigo. Quando senti-a passar por mim, virei-me e a segui em silêncio, a vi abrir a porta e sair sem esperar, fechei a porta atrás de mim e passei a segui-la.

—Você quer conversar sobre isso? – Perguntei depois de caminharmos um pouco pela avenida que levava a cidade.

Obviamente, enquanto caminhava, eu tentava sentir ou ver alguma pista dos lobos, mas nada, infelizmente.

—Não. – Seca, como já esperava.

—Tem certeza? – Tentei mais uma vez.

—Sim.

—Sim para quero conversar?

—Não.

—Não para a conversa? – Sim, eu estava tentando descontrair de maneira ridícula.

Eu riria de mim mesma senão fosse trágico.

—Não! Quer dizer, sim! – Ela se virou um pouco e depois bufou, virando-se e começando a caminhar mais rápido. – Pare com isso.

Resolvi não tentar novamente, então fiquei seguindo tempo o suficiente para ficar irritada com a demora em andar e com um enorme tédio. Acho que ela não ficaria chateada ou irritada em sair mais rápido daqui.

Corri, aumentando minha velocidade, chegando até ela em um segundo. Peguei seu braço e praticamente a joguei sob minhas costas, correndo logo em seguida, ouvindo seu coração disparar próximo ao meu ouvido, assim como a ouvi gritar e me xingar algumas vezes, mas depois escutei seu riso e senti seu corpo mais relaxado.

Conforme andava, tentava ajeita-la em minhas costas até que consegui, encaixando suas pernas em meus braços, segurando seus joelhos e sentindo seus pés cruzarem frente a minha cintura, seus braços circularam meu pescoço. Tudo isso possível, claro, por causa da velocidade não tão alta assim, afinal se atingisse minha verdadeira velocidade, eu não conseguiria ajeita-la em mim com firmeza.

—Para onde está me levando? – Perguntou e aumentei a velocidade, sentindo seus apertos ficarem mais forte, tanto no pescoço quando na cintura.

—Parei, pois havia chego onde eu queria.

—Na cidade. – Falei, deixando-a sair de minhas costas. Eu havia parado em frente a uma cafeteria que frequentei anos e anos, era muito boa e sabia que havia passado de geração para geração, afinal eu tinha muitos anos vividos para saber tal coisa. – Vamos?

Sorri e a mesma me encarou, encarou até demais, por um tempo que fez meu sorriso diminuir, mas quando ouvi seu coração bater mais rápido e sua circulação sanguínea passear por seu corpo de maneira frenética, percebi que sua demora não era ruim. Tão surpreendente quanto, pisquei e senti seu corpo colado ao meu e seus braços ao meu redor, trazendo-me um aperto e quentura confortáveis. Mas tão rápido ela veio, tão rápido ela se afastou, puxando-me para dentro da cafeteria.

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—Não sabia que podia beber café.

Ri de sua fala enquanto segurava meu copo de café e assoprava afim de esfriar, não que eu fosse me machucar com a quentura nem nada, era apenas um costume humano que não me perdi.

—Já cheguei a falar para você que nós podemos comer igual seu povo, a diferença é que não sobrevivemos assim, comendo sobremesas, carne assada, legumes ou frutas. – Ri novamente, encarando-a. – Não sobrevivo com café também, mas isso não significa que não posso tomar.

—Entendi. Mesmo parecendo humanos, são vampiros por dentro, para que ninguém perceba. – Balancei a cabeça. Era mais ou menos isso mesmo.

—Ter a aparência de vocês não é um acidente ou algo assim, é proposital – Sua expressão enquanto comia a torta de limão fez com que eu explicasse melhor. – Vocês nasceram primeiro, desprovidos de muita coisa que os outros de nós temos, mas tinham o que para nós é fundamental para a sobrevivência e para os lupinos fora complicado não ter. A aparência.

—Vocês parecerem com os humanos faz vocês sobreviverem mais? – Assenti com a pergunta. – Por quê?

Olhei-a... As vezes a inocência de Brenda me surpreendia, mas eu também compreendo que a mesma nunca fora inserida nos outros mundos além do seu, comum, chato e sem graça, totalmente diferente dos outros. Totalmente diferente do meu.

Parei de tomar o café e olhei-a de maneira séria, encarando seus olhos com intensidade.

—A aparência de vocês faz com que nossas presas não desconfiem de imediato quem somos. Nossa sobrevivência está ligada a essa aparência, se fossemos iguais ao lobos, bestas selvagens totalmente intimidadoras não sobreviveríamos com tanta facilidade como fazemos.

A vi e a senti ficar mais tensa, mas apenas ri levemente e voltei ao meu café. Brenda realmente é uma criança perto de tudo que ocorre ao seu redor. Totalmente interessante. Não ouvi uma resposta por tempo o suficiente para deixar o copo vazio repousar a mesa, mas logo levantei o olhar ao notar a vibração de suas cordas vocais.

—Qual tipo de sangue vocês mais consomem?

—Quer mesmo falar disso? Não parece confortável. – Apontei, ajeitando-me na cadeira acolchoada, cruzando as pernas e os braços.

—Eu preciso conhecer mais de você, acho que saber sobre como é sua dieta é algo fundamental. – Sua leve risada serviu para descontrair o clima, pelo menos um pouco.

—Nossa Vila não ataca humanos a mais de cem anos. Temos acordos com alguns dos seus que fornecem a alguns dos meus sangue humano, pelo que sei são de hospitais e tudo mais. – Comecei com a voz neutra. Para mim isso realmente não era um assunto tão polemico como deveria ser para ela. – Mas esse estoque não é tão farto assim, então a maioria dos nossos vem de animais. Também nos alimentamos da mesma comida que vocês, voltado mais para legumes, vegetais e frutas, não costumamos comer carne animal, afinal preferíamos o sangue do animal do que sua carne. – Ri, mas a mesma não acompanhou. – Bom... Muitos dos meus caçam e retiram o sangue dos animais, fazendo a troca com os seus da carne animal pelo sangue humano.

—E alguém aceita isso? – Perguntou descrente. – Tipo... A pessoa está dando sangue humano! De alguém pela carne de algum veado da floresta!

—As pessoas que compram não tendem a fazer muitas perguntas. – Comentei e realmente era verdade. – Duvido muito que alguns dos seus não saibam de nossa existência, claro que não todos, mas alguns com certeza devem saber. Não me surpreenderia se os que sabem são os mesmos que fazem essa troca conosco.

—Você realmente acha que alguns humanos sabem de vocês? – Perguntou mais baixo e assenti.

—Acho muito provável, afinal, se eu estivesse errada, não haveria tantos relatos de vocês voltados a eu e meu povo. – Avancei um pouco na mesa e peguei seu garfo, cortando um pedaço da torta. – Com tantas histórias parecidas, senão idênticas, e com aparência humana também.

Levei o garfo a minha boca no momento que vi sua expressão de deboche, ri depois de engolir a comida e lhe devolvi o garfo.

—Já chegamos a esse tipo de intimidade é? – Perguntou rindo e eu lhe acompanhei.

—Já até passamos dela. – Sorri voltando a cruzar os braços e as pernas, encarando-a.

A vi sorrir, seu olhar ficou preso ao meu por um tempo até ela desviar e terminar de comer a torta.

—O que faremos agora? Já terminei de comer. – Falou, encarando-me.

Abri a boca para responder, mas o comunicador em meu ouvido chiou e apertei, aceitando a comunicação. Desviei o olhar para minha perna.

—Pode falar. – Confirmei.

“Chefe! Achamos eles! Estamos na Baia da Enseada, fica ao sul do centro de Aberdeen!”

—Todos os Grupos vão para a Baia da Enseada agora! Não ataquem até eu chegar aí, aproveitem para observar o local, ver se é seguro. Já estou indo!

—Onde você vai?! – A vi se levantar junto comigo.

—Você não pode ir! Vai ficar em perigo e não pretendo deixar isso acontecer, não vou conseguir fazer tudo ao mesmo tempo! – Falei já saindo do lugar, mas deixando uma nota para pagar o que consumimos.

—Tudo o que?! Onde você vai, Nevena?!

Parei já na entrada da loja, me virando para ela, aproximando-me o suficiente para ficar a centímetros de seu rosto. A vontade de beija-la subiu e quase o fiz, mas me contive e me restringi a proximidade.

—Vou atrás dos lobos que capturaram você.

Não esperei por sua resposta, apenas corri para o local de encontro.

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O cheiro ali era muito forte, com toda a certeza que era.

Eu me encontrei com as duplas a poucos minutos atrás, juntamo-nos todos e ficamos a uma grande distancia para que eles não nos percebesse, nem visualmente e muito menos pelo olfato que sabíamos, era tão bom quanto o nosso.

—O que pensa em fazer? – Perguntou Eco, ao meu lado.

—Você consegue ler o pensamento deles? – Perguntei sem olha-la.

—Só humanos e vampiros. – Respondeu com pesar. – Desculpe.

—Tudo bem. – Pisquei tentando ver com mais detalhes o que ocorria nos quilômetros de distancia entre nós e o enorme galpão que eles pegaram como esconderijo. – Não quero assusta-los e criar uma debandada para o mundo dos humanos, chamaríamos muita atenção e não quero isso.

Havia uma grande movimentação, muitas pessoas correndo e andando pelo local, porém muitos humanos, a maioria ali era humana e isso me preocupava absurdamente. A raça de Brenda não costumava a reagir racionalmente quando ocorriam coisas que elas não conseguiam explicar e acho que vampiros e lobisomens batalhando violentamente era uma dessas coisas.

—Podemos evacuar a área. O que acham? – Falou Iriel, um de todos que eu não sabia o nome até agora pouco, quando Eco apresentou todos.

—Seria uma ótima ideia, mas temo que eles escapem junto. – Falei, pois já havia pensado nessa ideia.

—Com certeza chamaria muita atenção e eles desconfiariam. – Giulian, o barbudo, falou de braços cruzados, na retaguarda. – Não são tolos. Duvido muito que não sabem que estamos aqui.

—Também acho isso. – Falei suspirando com a tensão das inúmeras formas de perdê-los bem agora! – Essas humanos não vão embora? Não vejo suas casas aqui. – Olhei ao redor, realmente não havia nada assemelhado a casas pela cidade.

—Acho que aqui é onde eles vendem sua força de trabalho. – Eco falou e vi dois dos outros concordarem.

—Aqui é como um porto, mercadorias chegam e partem. A maioria desses humanos ajudam isso a ocorrer. – Falou um dos outros e eu assenti.

—Então os humanos não dormem aqui... Ou seja, se eles saem e deixam os outros sozinhos, podemos esperar para atacar. – Falei enquanto olhava lá em baixo. – Podemos esperar até os humanos saírem. – Olhei para Thaliel, um dos que se mantinha quieto até agora. – Sabe que horas eles costumam sair daqui?

—Ao por do sol, anciã.

Isso sim me deixou irritada, afinal estávamos com o sol a pico, demoraria algumas boas horas para o sol se por e podermos atacar sem a interferência dos humanos! Tinha de ter outro jeito, então me pus a pensar olhando para todo aquele lugar. Estávamos perto de um porto, mas ainda havia a floresta onde estávamos, não era tão próximo, estávamos vendo com a visão aguçada, mas mesmo assim era relativamente próximo.

Abaixei a cabeça por um instante... Abaixo de nós havia terra. Olhei para minhas mãos e depois para frente, o porto era de concreto. Meus ouvidos captaram um som vindo do mar e vi um barco se aproximando. As partes para o que eu iria fazer a seguir foram se encaixando até perceber que poderia funcionar muito bem!

—Acho que dá certo. Você consegue? – Eco perguntou, provavelmente ela havia lido minha mente e captou minha linha de raciocínio.

—Fiquem espalhados a partir do meu sinal. – Falei e encarei o barco. Com a visão melhorada, vi minha deixa: o homem se dirigia para onde ficava a buzina ensurdecedora do navio.

—Que sinal? – Perguntou Thaliel.

—Esse.

Me abaixei já com os olhos fechados e toquei a ponta dos dedos da mão direita no chão, sentindo toda a força contida ali, principalmente das árvores e plantas da floresta onde estávamos. Quando a buzina soou, foi minha deixa, senti a força percorrendo até onde eu queria, criando rupturas na estrutura e no chão do Porto, criando rachaduras e até mesmo uma parte próxima de onde os navios atracavam cedeu minimamente, criando um desnível.

Quando a buzina acabou, eu estava sozinha e todos os humanos pareciam atônitos com o ocorrido. Vi muita movimentação e até alguns gritos e uma correria significativa. Recebi o contato dos outros pelo comunicador e me levantei, com os olhos fechados inspirei profundamente e sorri quando senti o cheiro de cachorro molhado mais forte.

Abri os olhos e sorri, constatando que os humanos já haviam saído e os poucos que restavam corriam para o portão de saída. Quando tudo foi fechado e abandonado, respirei fundo e rugi mostrando meus dentes para onde vinha o cheiro deles, me colocando a correr ao tempo de ouvir o rugido dos outros.

Notas finais
Bom vamos lá: 1)Alimentação: Nevena e seu povo são vampiros que não costumam beber sangue humano "direto da fonte". Geralmente se alimentam de bolsas de sangue humano, sangue animal e frutas, vegetais e legumes. Seus organismos são muito mais rápidos que o nosso, então alimentos sólidos não são suficientes, tanto que os comem de maneira absurda, como a vez que a Nevena comeu umas 10 frutas de uma vez só. O sangue é a única coisa que os alimenta suficientemente bem. 2)Vampirismo: A transformação deles eu que inventei, então não tem como eu dar foto ou algo assim, mas é mais ou menos assim: os olhos normalmente são da cor natural deles (o da Neve são verdes), mas quando se "transformam" viram um vermelho escuro, quase vinho, muito semelhante a cor de sangue coagulado. Há 4 dentes pontiagudos, os caninos e os ao lado do canino, da parte de trás (meu c* que vou procurar o nome do dente pra por aqui né). Eles não ficam com algo deformado nem nada, nem com a cara preta que nem os do The Vampire Diaries, nada disso não, mas eles rugem, sim, eles RUGEM. O rugido mostra que eles são os predadores naturais de todas as espécies criadas, não é um rugido igual a um leao ou algo assim, eu pensei mais como um de um tigre, depois ouçam, não é constante igual de um leao e tal. Mas sim, os vampiros que eu criei rugem. 3) Habilidades: Os vampiros tem habilidades gerais, como força, velocidade, visão e audição mais aguçados, mas há habilidades diferentes que nascem com eles, Eco é um exemplo, já que possui a capacidade de ler mentes, MAS NEM TODOS NASCEM COM HABILIDADES A MAIS, muito pelo contrário, é algo relativamente raro na raça. 4) Habilidades de Nevena: Nevena sempre foi a "mais evoluidinha do role", mas com o sangue que tomou de Pax (algo expressamente proibido (tomar o sangue de outro vampiro)) seus sentidos foram mais evoluídos ainda, muito mais força, sentidos mais aguçados e etc. A habilidade de nascença é o controle da terra, qualquer tipo de terra: na Batalha para ser Ancião ela controlou a areia do Coliseu, nesse ela controlou a terra mesmo, terra da floresta etc. Acho que é isso... Se eu lembrar de mais algo que talvez vocês possam esquecer sobre a "natureza" deles eu coloco aqui kkkk >< Fiquem a vontade para me perguntarem também! No problems! Espero que leiam até aqui e.e E que tenham gostado do capitulo kkkk Até o próximo ;*