When Night Comes
2 Capitulo 2
Pov Brenda
Hoje era sábado, dia de atividades extracurriculares na escola e eu estava parada, supervisionando o grupo de arte e cultura na sala de artes do instituto. Foi um grupo que eu mesma incentivei a criação por ser apaixonada por desenho, pela correria me distanciei desse hobby maravilhoso, mas ainda o amo e sempre que dá eu desenho algo ou retrato com qualquer coisa que eu consiga rabiscar!
Porém... Algo vem me chamando atenção a um bom tempo... Ou melhor, alguém.
Acho ninguém na escola sabia, mas também não sabia realmente minha orientação sexual e eu também pouco me importava, mas Jessie e Mota sabiam e eu já havia comentado para eles sobre essa menina... Jessie me passou algumas informações, como: ela veio de outra cidade, ninguém sabia da família dela, ela e o irmão que estudavam no período noturno de outra escola.
Nada muito informativo, na verdade. Jessie só sabia fofocar, coletar informações verídicas e de alta relevância era algo difícil. Mas enfim... Essa menina apareceu na escola faz dois meses, perto do segundo semestre para participar das atividades extracurriculares, mais especificamente, das aulas de arte e cultura pelo que o professor responsável comentou comigo quando ela entrou.
Eu a achava muito... Diferente, um diferente bom e... Exótico. Sempre quis conversar com ela, mas ela sempre andava com o namorado, sim, um namoradO que fazia aula de música com a Jessie na sala ao lado, o garoto parecia mandar bem com a voz, minha amiga já me disse várias vezes que ele tinha uma voz excelente e adorava tocar piano com ele cantando. Sim, minha amiga baba ovo!
Enfim, a menina se chamava Lumía, sua pele era parda e os cabelos cheios em um tom de castanho escuro, os lábios finos, mas o nariz muito bem desenhado. Seu corpo parecia ser cheio de músculos, pois aparentava ser bem definido abaixo das roupas que usava. Sim, eu perdi muitas aulas a encarando enquanto ela esculpia animais com argila, mais precisamente, lobos e filhote de lobos.
Me permiti desviar a atenção da menina quando a vi sorrir sem um motivo aparente, mas por sorte meu celular apitou e fui ver de quem seria a mensagem: Jessie. Minha amiga, claro, me zoando, perguntando seu já havia secado demais a namorada do aluno dela, pois ele pediu para sair mais cedo, pois teria um compromisso na casa da namorada.
Ridículo.
Respondi minimamente e bloqueei, vendo que Lumía havia se levantado e caminhado para a área de limpeza, onde limpava, provavelmente, suas mãos.
Enquanto ela se demorava lá, disfarcei fingindo olhar para os projetos na sala de cada um e parando no dela por último, vendo que ela caprichou dessa vez... Observei mais atentamente e identifiquei algo como ser uma... Luta. Franzi o cenho e prestei mais atenção nos detalhes... Um lobo, como de sempre ela o desenhava em uma forma grande e imponente, com prezas a mostra e uma pessoa, mas essa pessoa parecia lutar com o lobo mesmo. As patas do animal estavam sendo seguradas pelas mãos da pessoa que... Bom, parecia gritar com ela, mas... Semicerrei os olhos, olhando atentamente para a pessoa... Era humanoide, isso era claro, mas... A boca. Parecia que tinham dentes demais ou muito afiados ali...
—Gostou, professora? – Pulei de susto e me virei, deparando-me com Lumía sorrindo para mim, mas sem mostrar os dentes. Arregalei os olhos.
—Sim! – Falei depois de um tempo, ainda meio assustada. Olhei para sua escultura. – Muito caprichada! Parabéns! Fiquei intrigada como uma pessoa conseguiria segurar seus lobos gigantes, mas ainda sim, muito bom. – Falei para tentar descontrair, rindo, mas ela se limitou a dar outro sorriso sem dentes, pegando a escultura com cuidado, voltando a me olhar.
—Eu não gostaria que fossem capazes de segurar, também. – Disse olhando-me profundamente. – Mas infelizmente, temos que aguentar esse tipo de coisa ainda.
Senti minha espinha inteira se arrepiar e dar um daqueles ventos gélidos que parecem atingir sua alma. Os olhos negros pareceram me prender a apenas a ouvi se despedir rapidamente e sair da sala, batendo a porta e deixando-me paralisada.
Pisquei algumas vezes e tentei prestar atenção no que ela falou, mas... Eu não pude compreender. Como assim “eles” tinham que aguentar isso? Ela estava falando dos lobos?! Dos lobos terem que aguentar pessoas segurando suas patas enquanto gritavam para eles?!
—Senhorita MacDonald? – Olhei para a porta, podendo sentir meu corpo tendo o sangue circulando novamente por ele.
—Sim? – Falei ainda com a voz fraca, mas pus-me a me recompor. – O que foi?
—A diretora gostaria de falar com você. – Olhei para o rapaz e me lembrei que ele era o secretário da diretoria mesmo. – Posso chamar um inspetor para ficar na sala enquanto vai até lá!
—Não, tudo bem, já acabamos por hoje. – Olhei para o pessoal e bati palmas, atraindo a atenção dos desatentos. – Acabamos por hoje, pessoal! Obrigada e para quem não sabe, a próxima aula de arte e cultura foi adiada para quando voltarmos do passeio da escola! Portanto semana que vem não teremos aulas extracurriculares! Bom dia a todos!
As, mais ou menos, oito pessoas que estavam ali começaram a conversar e a guardar o material, então me virei e caminhei, pegando minha mochila no caminho, até Owen, o secretário que veio dar o aviso.
—Obrigada, Owen! – Sorri o cumprimentando. – Vou para lá agora, mas ela falou do que se trata? Não me lembro muito bem se fiz algo...
—Na verdade ela não me falou, Brenda. – Disse fazendo uma careta. – Sinto muito!
—Tudo bem! – Sorri ameno para ele. – Só avisa para a Jessie que eu fui para lá e depois falo com ela, por favor?
—Claro! Vou lá agora. – Assentiu já indo para a sala da frente, que ainda tinha aula.
Me pus a andar até uma das salas de mais difícil acesso do lugar, que era no final da escola, quase nas saídas de emergência. A pior parte era que meu relacionamento com a diretora era bom, como sempre ajudava nas militâncias que a escola tinham, assim como palestras, cursos e tudo mais, não tínhamos muitos problemas, além deu sempre tirar notas boas e nunca me meter em confusão, então realmente não sabia o motivo de ser chamada.
Bati rapidamente na porta e pedi licença quando me autorizaram a entrar. Fechei a porta atrás de mim e caminhei para a cadeira, sentando-me.
—Desculpe-me a demora, Senhora Boyle! Estava encerrando a aula extracurricular de artes e cultura! Owen foi me avisar que você gostaria de conversar comigo. – Falei olhando para a mulher já idosa a minha frente, que sorria.
—Como foi a aula hoje, Brenda? – Perguntou simpática enquanto cruzava as mãos sob a mesa que era de madeira bem sólida e forte. – Você gosta bastante de presidir essa sala extracurricular?
—Foi muito boa e eu realmente adoro, Senhora Boyle! – Respondi com sinceridade. – Gosto muito de tudo que envolve a criação, principalmente uma criação própria, íntima como um desenho! Me vejo fazendo isso e até dando aulas, presidindo algo como faço aqui, voltado para a arte e cultura. – Sorri e ela me acompanhou. – Mas a aula foi bem produtiva para alguns. Sabe a aluna que veio de outra cidade apenas para ter essa aula? Ela se chama Lumía!
—Sim! Acho que Owen já me falou dela uma vez, disse que ela é quieta nas outras aulas e cursos ministrados peça escola, mas disse que na sua ela sempre está presente e se dedica! – Respondeu com atenção e propriedade.
—Em minha sala ela sempre faz esculturas com argila. – Confessei com admiração. – Ela é realmente muito boa nisso! Parece ter um fascínio intimo com lobos, pois todos seus trabalhos foram relacionados a eles. Hoje ela realmente fez um que chamou minha atenção, achei incrível!
—Que ótimo. – Sorriu para mim, o que fez seus olhos diminuírem de tamanho. Achei engraçado e fofo. – Mas então, te chamei aqui por um motivo... Na verdade uma oportunidade que surgiu em minha mente, talvez você possa se interessar!
—Do que se trata? – Perguntei com interesse.
—Você está no último ano do colégio e bom... Acabou de me falar que se vê fazendo o que faz aqui, nas aulas e cursos extracurriculares, no futuro. – Começou, atraindo ainda mais minha atenção. – Temos um programa que queremos implementar a partir do ano que vem, onde alunos são admitidos em estágios ou jovem aprendiz conforme fazem seu curso superior. Claro que apenas podemos ajudar quando a área corresponde com alguma área disponível no colégio! Mas o intuito é ajuda-los a se ingressar no mercado de trabalho e também ter essa primeira oportunidade de trabalhar com o que gosta. — Sorri e senti meu peito se encher de... De muitas coisas! Orgulho, esperança, interesse, emoção, descrença, animação, vontade de chorar! Tudo ao mesmo tempo! — Pensei que, se você realmente quiser seguir essa área artística, podemos fornecer um estágio como professora de artes, talvez. Ou continuar dando essa aula de arte e cultura, mas talvez a transformar realmente em um curso que damos aqui na escola! O que acha? Interessante?
—Muito interessante, diretora! – Falei sorrindo grande. – Com certeza eu teria um enorme interesse neste projeto novo do instituto! Como já estamos no segundo semestre seria mais fácil para verificar essa possibilidade realmente! – Senhora Boyne sorriu para mim, dando um leve risinho, provavelmente de minha animação, e se encostou no encosto da cadeira. – Posso ver sim para fazer uma faculdade relacionada a arte! Na verdade eu super já pensava nisso! Talvez designe gráfico ou artes visuais!
—Realmente seria ótimo, Senhorita MacDonald! – Sorriu. – Vamos fazer assim: fale com seus pais, veja qual faculdade quer e se puder ver a instituição que poderá cursar seria melhor ainda! Por que enquanto você vê isso, eu vejo a parte de implementar o projeto, entende? Como é só uma ideia, ainda preciso de aprovação de mais alguns suplementes para tornar realidade!
—Claro! Sem problemas! Por mim tudo bem! – Sorri e ela se levantou, fazendo eu a acompanhar.
—Ótimo! Então ficamos assim! – Sorriu e estendeu a mão. – Veja esses assuntos primeiro e daqui a umas duas semanas eu te dou um retorno e conversamos mais, tudo bem? – Assenti e ela acompanhou. – Parabéns pela ambição e pelo interesse! Adoro ver jovens engajados em seus futuros e no que realmente gostam!
—Muito obrigada pela oportunidade!
Nos despedimos e sai da sala parecendo ter visto um periquito azul que me daria moedas de ouro!
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—Não acredito que ela realmente propôs isso para você! – Exclamou Jessie, parando de tocar o piano, o que me fez gargalhar e jogar-me contra o puff, sorrindo muito!
—Você tem uma puta sorte mesmo, Brenda! – Exclamou Mota, que encarava-me boquiaberto.
—É dedicação, meu bem! – Falei rindo, mas acabei sorrindo enquanto os olhava. – Eu estou muito feliz gente! Mesmo! Eu gosto do colégio! A diretora e os funcionários são bem de boas e eu super gosto de ministrar aquela aula. Achei incrível ela me propor isso e estou animada com a possibilidade de dar certo! Vou falar com meus pais e gente, nada impede vocês de conseguirem também! – Os incentivei. – Vocês dois ministram cursos também! Gostam do que fazem! É só investir nisso também, ué! Não é nada impossível!
Mota e Jessie se olharam, não falaram nada, mas aparentaram entender, o que já era um começo.
—É... Pode até ser. – Disse Mota, olhando para as mãos de uma forma pensativa. – De qualquer forma, estou feliz por ti e meus parabéns! Você super merece!
Recebi um abraço apertado dele e logo depois Jessie se jogou contra nós no puff, fazendo um montinho em cima de mim.
—Parabéns sua chata! – Gritou em nossos ouvidos, fazendo-nos gritar e rir alto.
Ficamos ali rindo, gritando e conversando por um bom tempo, tendo Jessie como responsável pela trilha sonora e tudo mais! Minha mãe veio nos trazer lanche, pois hoje ela estava de folga e disse que meu pai compraria pizza e ordenou que meus amigos ficassem para comer, o que eles acataram sem pestanejar! Mas a parte que eles começaram a reclamar foi quando eu fui arrumar minha mala para o passeio e eles perceberam que teriam de arrumar tudo amanhã, no domingo, pois segunda iríamos bem cedo para a escola partir com o resto do pessoal para Rothiemurchus.
Quando meu pai chegou eu estava saindo do banho e meus amigos já estavam postos na cozinha, esperando a pizza chegar (bando de esfomeados). Ouvi a saudação de meu pai pela porta, mas esta não foi aberta, graças ao senhor! Respondi e fui até o armário apenas de toalha, escolhendo um pijama novo para colocar, pois havia colocado o outro para lavar.
Sequei meu corpo e deixei a toalha na cabeça para ir secando o cabelo. Coloquei uma calcinha e um top, depois o pijama e passei um creme no rosto e nos braços, depois calcei minha pantufa e olhei para a janela, deparando-me com uma noite escura já posta ao céu. Tirei a toalha da cabeça e pisquei, porém no segundo seguinte que abri os olhos, vi uma sombra grande parada em minha janela, encarando-me, mas quando pisquei de novo, sentindo meu coração parar, a sombra já não estava mais lá.
Meu corpo inteiro estava arrepiado e eu não conseguia me mover. O que foi aquilo?! Parecia uma sombra humana, mas... Mas não consegui ver detalhes, roupas, feições, olhos. Nada.
Senti um calafrio e decidi ignorar. Respirei fundo e fiz o sinal da cruz com a mão, deus me livre! Passei a toalha no rosto e não ousei olhar novamente para lá, apenas terminei de arrumar meu cabelo e sai, por sorte a janela estava fechado, pois ventava muito lá fora, mas eu queria fechar a janela... Mas não queria chegar perto de lá!
Sai do quarto e vi que meu pai estava tomando banho, então fui até seu quarto e entrei, gritando para ela do outro lado da porta do banheiro para que ele fechasse minha cortina quando descesse para jantar, ele falou que fecharia e eu desci para a cozinha mais aliviada.
Eu queria que não fosse nada... Mas, nunca se sabe.
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