When Night Comes
6 Capítulo 6
Pov Aeolus
Conseguia ouvir e sentir todos: aflição, preocupação, medo, apreensão, raiva, ódio, pena, tristeza, compaixão, pavor, desespero, amor; tudo isso pairava em minha mente enquanto caminhava pela floresta. Uma matilha vinha comigo, cercando-me a certa distância, protegendo-me de qualquer coisa que ousasse se aproximar. Eu não sabia o que era lutar com o elemento surpresa a muito tempo.
Comecei a sentir o cheiro dela assim que nos aproximamos da rua dos humanos. Lobos corriam a minha volta, em volta do cerco, de maneira desesperada, raivosa. Rosnei.
Acalmem-se!
Segundos depois a correria diminuiu, passando apenas a trotes apressados e pesados na mata.
Entrei na pista, virando-me para a esquerda, localizando o aglomerado de lobos a uma distancia razoável. Caminhei até lá calmamente, eu já sabia o que estava acontecendo e pelo cheiro era notável que a informação era verídica. Cheguei mais perto do corpo de Lumía, agora humano, tendo os lobos aglomerados se afastando enquanto eu aproximava-me ainda mais dela.
Parei. Abaixei a cabeça e a cheirei, tendo-a me olhando para logo depois que me afastei, reverenciar-me. Sentia cheiro de vampiro, cheiro de humano e o próprio cheiro dela, cheiro de lobo. Expirei o ar, vendo seus cabelos moverem para trás.
Você se lembra de algo?
—Sim, A! – Falou. Continuei a prestar atenção. – Estava em uma caçada depois que me afastei da alcateia, mas senti o cheiro de um deles em nosso território! Fui persegui-lo e encontrei primeiro uma humana, a mesma que me aproximei na escola dela! Depois ela apareceu, Nevena.
Levantei minha cabeça. Rosnei.
Você lutou com ela sozinha?! Tem consciência de que poderia ter morrido?! Irresponsável!
Lumía abaixou a cabeça.
—Sim, A. Eu sei, mas estava conseguindo! – Ela se levantou, nua. – Eu já venho percebendo que Nevena está fraca! Está perdida e desatenta! Aposto que é por causa da ascensão do novo ancião! Eles devem estar querendo elegê-la!
Rosnei para ela. Lumía sempre foi um dos lobos mais preocupantes que nos atormentavam, que me dava trabalho. Aparentemente, estava longe de parar com isso.
Concentrei-me e mudei para minha forma humana, sentindo e ouvindo meus ossos estralando, moldando-se a nova forma tão usada e conhecida. Abri meus olhos, agora pouca coisa mais alto do que Lumía, que havia se levantado. Assim que inspirei o ar um dos meus estendeu-me a capa preta que o Alfa usava ao se transformar em humano. Coloquei a capa e olhei para ela com mais atenção.
—Se lembra de quem te atacou?
—Nevena. – Falou, convicta. – Aparentemente ela atacou-me para proteger uma humana que eu seguia a um tempo na escola. – Ela apontou para a escola.
—O que fazia na escola de humanos? – Perguntei, cruzando minhas mãos em frente ao corpo.
—Estava... Tentando coletar informações. – Respondeu em um tom baixo. – Aproximar-me dessa humana que eu ia atacar.
—Para quê? Que tipo de informações?
—Os humanos não fazem noção do nosso mundo! Pensei que poderíamos usar isso a nosso favor, fazê-los trabalhar para nós em segredo!
Apertei minhas mãos.
—Por que acha que Nevena está ficando mais fraca?
—A tempos venho notando a distancia sua interação com os demais dela, assim como também a vejo mais desatenta, aérea e até mesmo aborrecida com algo. – Ela parecia realmente animada com isso. Respirei fundo, movendo minha mão até a testa. Essa garota só me da trabalho. – Depois que a vi hoje com a humana! Acho que ela também pode estar influenciando na fraqueza dela! Acho que talvez haja uma chance de derrotarmos ela e ainda por cima...
Minha mão lançou-se contra seu pescoço, fazendo-a parar.
—Lumía... Você tem que parar com isso. – Falei em um tom até mesmo chateado. – Eu não aguento mais suas ações imprudentes, mal pensadas e que só nos trás problemas! – Ela engasgou, mexendo os pés que estavam a centímetros do chão. – Você sabe o motivo por eu não comandar um ataque direto aos vampiros? – Com dificuldade, ela balançou a cabeça negativamente. – Por que todos iriam morrer! Compreende isso? Você lutou hoje com ela, prestou atenção nela, realmente? Viu como ela se move? Como ela é forte? Você ainda estar viva me surpreende... – Soltei-a. A mulher-loba caiu no chão com um baque, engasgando e tossindo com a mão na garganta. – Você ainda estar viva mostra que pode estar certa sobre ela. – Ela me olhou, talvez com preocupação ou surpresa. Olhei para o leste, onde ficava a Vila Vampire. – Podemos considerar sua ideia.
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Pov Brenda
Depois de ter cuidado de todos os ferimentos de Nevena e termos conversado minimamente após isso ela se foi dizendo que voltaria para me encontrar durante a semana, o que duvidei um pouco, mas não quis falar isso na frente dela. O restante do dia passou rápido, arrumei toda a bagunça e adiantei o jantar para meus pais, adiantando os últimos trabalhos da escola para mês que vem já começar as férias! Aproveitei o tempo e acabei marcando uma avaliação prévia para entrar na faculdade que comentei com minha e bom, era hoje.
Cá estava eu, olhando para o imponente prédio da Robert Gordon University, uma das melhores e mais qualificadas universidades de Aberdeen e eu, Brenda MacDonald quero entrar nela... Acho que a tremedeira é normal em momentos como este. Fechei os olhos e respirei fundo, dei o primeiro passo e os abri, começando a caminhar diretamente para a área de informações que deve estar em algum lugar do prédio.
Olhei no relógio e notei que estava adiantada, graças, mas não havia nenhum tipo de informativo de secretária ou polo de informações, o que me fez ficar andando para lá e para cá no térreo da universidade, me impressionando com os seguranças, com os estudantes correndo com seus livros enormes e com as frases motivacionais como: “hoje você caminha em direção aos seus sonhos com a Robert Gordon University!”.
—Bom dia, posso ajudá-la?
Olhei para o lado, deparando-me com uma mulher vestida de terno e com uma prancheta na mão. Ela sorriu e eu pisquei, ainda boba como lugar.
—Eu... Eu vim fazer uma prova de vestibular! – Falei, balançando um pouco meu corpo de um lado para o outro, afim de despertar e não sair correndo para todo o canto também... – Estou meio adiantada, mas achei melhor chegar antes.
A mulher sorriu e ergueu sua prancheta.
—Qual seu nome? – Perguntou.
—Brenda, Brenda MacDonald.
Ela virou algumas folhas e parou em uma.
—Realmente está adiantada. – Disso rindo, voltando a me olhar. – Sua prova é daqui a duas horas.
—Sim, eu sei. – Falei sem graça. Ia dar-lhe mais explicações, mas ela deu de ombros e riu.
—Vamos! Vou te mostrar o campus enquanto isso, que tal? – Assenti com animação e ela indicou para caminharmos, saindo na frente comigo a segui-la. – Me chamo Penny! Sou uma das secretárias gerais da Universidade, geralmente ficamos nos corredores ou nas secretárias ajudando os alunos.
—Legal. É bem prático. – E realmente era! Se por acaso eu visse uma delas no corredor, não precisaria correr para a secretária pedir informações. – Ouvi falar que algumas universidades tem uma secretaria para cada curso, aqui tem isso?
—Mais ou menos. – Falou, guiando-me pelos corredores, mostrando-me as salas com cadeiras estofadas, mesas com tomadas embutidas e uma lousa digital com um projeto próximo. Show! – Temos uma secretária para cada tipo de área. Qual curso você tem interesse aqui?
—Práticas de Arte Contemporânea! Recebi uma proposta de fazer o que amo e não posso perder a chance! – Falei sorrindo, completamente empolgada.
—Aposto que está mesmo feliz. – Ela riu e eu assenti, sorrindo de leve. Fiquei com vergonha de parecer imatura perto de pessoas como ela... Adultas e que trabalham em uma universidade! – Mas então, o seu curso faz parte da área de artes da Universidade. Sua secretária fica no prédio que irá cursar, quando entrar receberá as informações completas e necessárias.
—Oh... Legal! Obrigada pela informação. – Sorrimos e continuamos a andar.
O lugar era realmente enorme! Haviam muitas pessoas, eu até vi alunos em suas aulas! Quase todos usavam notebooks e tablets, caderno era raro, mas ainda sim achei o máximo, pois as vezes vi professores usando microfones em salas enormes e superlotadas!
O refeitório era gigante, acho que chegava a ser dois quarteirões do meu bairro! Haviam muitas mesas e um Buffet perto da porta de entrada, máquinas de comida automáticas nas laterais e janelas enormes e que davam vista para um campo cheio de árvores e bancos para nos sentar. Havia também placas, indicando o preço de cada coisa e cardápios da semana, o que achei muito interessante e ainda mais ao constatar que não eram preços exorbitantes!
Conheci praticamente tudo, inclusive o prédio que ficam quase todos os cursos de artes e me apaixonei, haviam tantas salas para todo o tipo de arte que poderíamos fazer! Inclusive dança e música! Pintura, desenho, fotografia, xilogravuras, serigrafia e várias outras! Vi alunos e quis conversar com eles, mas sabia que agora não era a hora então em contive, mas fiquei muito feliz de ir lá!
Seguimos para a biblioteca e para a secretaria geral, que caso as outras secretarias não resolvessem, ela assumiria, o que era bom e mostrava a tentativa de resolver os problemas e duvidas dos alunos. Eu realmente amei tudo o que vi e a ouvi explicar para mim, esse lugar era um sonho! Não haviam outras palavras para distinguir isso tudo!
Agora entendi as palavras do banner que vi na entrada.
—Senhorita Brenda. – Olhei para ela novamente, quando chegamos ao pé de uma escadaria. – Foi um prazer segui-la pelo campus. Espero tê-la conosco em breve no próximo semestre! Sua sala de prova é a primeira à direita depois que subir as escadas! Ainda tem trinta minutos, caso queira ir ao banheiro, estudar ou ligar para alguém. – Ela sorriu e colocou a prancheta abaixo do braço. – Tenha uma ótima prova e uma ótima semana!
—Igualmente! Muito obrigada por me guiar! – Sorri, abraçando-a desajeitadamente, vendo-a rir quando me afastei. – Gostei muito daqui e vou me esforçar ao máximo para passar nessa prova! Disso tenho certeza!
Rimos e ela se despediu mais uma vez, caminhando para um dos corredores da Universidade. Voltei meu olhar para a escadaria e respirei fundo, caminhando para uma das primeiras provas que terei de fazer para alcançar meu futuro.
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Sai da prova desolada. Caminhava para o ponto do ônibus enquanto pensava: como eu queria entrar numa faculdade que pergunta sobre questões históricas do Moçambique?! Ou que cobra física quântica na prova? O que é física quântica?!Deus, eu sabia só física avançada e olhe lá! Tentei ao máximo me esforçar, dei tudo de mim, até acho que dá para passar, mas aquela vozinha na minha cabeça dizia que não foi suficiente e que meus esforços não valeriam a pena no final!
Senti meus olhos lacrimejarem ao ponto de não conseguir ler o letreiro do ônibus, mas quando ele chegou mais perto vi que era o meu e dei sinal, fazendo-o parar e eu subir nele no mesmo instante. Sentei-me no fundo do ônibus e abracei minha mochila, encostando a cabeça no vidro. Fechei os olhos, tudo o que eu mais queria era passar nesse processo seletivo para ingressar na Universidade, ela era maravilhosa e eu sabia que seria incrível se eu passasse!
Apertei mais a mochila contra mim, não sei se foi suficiente.
Olhei no relógio e vi que já se passava da uma da tarde, pisquei um pouco os olhos e percebi que acabei cochilando durante o trajeto, mas olhando ao redor percebi que estava na avenida de casa, o que era bom. Tá vendo?! Tinha até um ônibus que me deixava na porta da universidade e era perto de casa!
Voltei a me deprimir até chegar em meu ponto, dei sinal e desci lamuriando em minha cabeça enquanto caminhava até meu portão, entrando em casa logo depois.
—Oi, querida! Como foi a prova?! – Ouvi a voz de minha mãe e quis chorar.
Assim que me virei, preparando-me para chorar em seus braços como eu fazia quando tinha seis anos de idade e tinha medo do bicho-papão sair debaixo da minha cama, e contar-lhe todo meu nervosismo com a prova e umas doze questões de cinquenta que eu não sabia! Mas tudo isso foi parado quando percebi que ela não estava sozinha e a pessoa que a acompanhava olhava-me com um certo olhar obscuro.
—O que está fazendo aqui?
Olhei para a amiga de Nevena, a mulher de vestido que hoje trajava roupas nada convencionais para a época: um espartilho bem justo, botas altas e uma calça preta com tarjar na parte da frente. Em seu pescoço, um colar roxo brilhava, chamando atenção para quem passasse perto da mulher.
—Vim procurar você, mas por sorte encontrei sua mãe. Mulher adorável! Deveras inteligente! – Falou sorrindo enquanto estava sentada com as pernas cruzadas na poltrona do meu pai, tomando uma xícara de café.
—Ora! Não é para tanto! – Minha mãe riu e se levantou, vindo em minha direção, abraçando-me de forma desajeitada, pois eu estava mais preocupada com a mulher doida que estava em nossa casa! Não que eu tenha visto ela fazer algo ou realmente não sei de nada, mas me lembro do dia em que fui na casa dela e tudo mais... Depois ela sumiu e pouco tempo depois apareceu e eu apaguei com a chegada daquele cara... Tudo muito estranho para mim! – Tudo bem, filha? Como foi a prova?
—Não sei como fui. – Falei sincera e com uma voz magoada, olhando-a rapidamente, deparando-me com os olhos esverdeados que acalantaram-me, querendo me fazer chorar com tanto carinho! Mas um pigarro chamou minha atenção e voltei a olhar para a mulher. – Posso conversar com ela, mãe? Prometo que não demoro e já volto para contar tudo a senhora sobre a prova!
—Ah sim! Tudo bem! – Ela se afastou, ficando ao meu lado. – Vou fazer aquelas rosquinhas que seu pai ama então! Qualquer coisa me chama. – Beijou minha testa e saiu, indo para a cozinha enquanto cantarolava algo.
—Posso confessar que não tenho muito apresso por sua raça, mas sua mãe é realmente interessantíssima. – Falou com um sorriso de lado, tomando seu café.
—Pode ficar longe dela! – Cuspi, vendo-a rir. – O que faz aqui?! Pensei que morasse á quilômetros daqui!
—E moro. – Falou, risonha. A mulher abaixou a xícara, repousando-a na mesa de centro, levantando-se logo em seguida. – Vamos para o seu quarto? Acho que não seria bom que qualquer pessoa ouvisse nossa conversa. É algo... Íntimo.
A observei por um tempo... Mas resolvi arriscar, se ela quisesse fazer algo contra mim, já teria feito a muito tempo, principalmente com minha mãe! Indiquei o corredor e seguimos por ele em silencio, apenas nossos passos ecoando pela casa e meu coração batendo nos ouvidos.
—Então, o que veio fazer aqui? – Tornei a perguntar quando entramos no meu quarto e fechei a porta. – Não acho que veio só para conhecer minha mãe e se veio para isso, por quê?
—Nossa, calma. – Ela caminhou até sentar-se na beirada da minha cama, voltando seus olhos negros para mim. – Primeiramente, me chamo Astrid. Sou... Amiga, de Nevena. Vim aqui apenas para conversar com você, acho que me pedem muito essa conversa e resolvi acabar logo com isso.
—Quem pede para você conversar comigo? Nevena? – Sentei-me do outro lado da cama, fazendo-a virar para poder me olhar.
Astrid riu.
—Não. Ela nem sabe que estou aqui e não tem qualquer motivo relevante para que saiba... Na verdade tem, mas como nem ela sabe disso ainda, não sou eu que falarei!
—Falará o que para ela?! – Perguntei.
—Sobre o destino, oras. – Falou, como se fosse óbvio e prendi um risada em minha garganta. – Você sabe quem ela é? Quem nós somos? — Prestei atenção nas ênfases dela, mas acabei por dar de ombros. Como já tinha dito a Nevena, eu percebi algo estranho, mas não demorei-me a pensar sobre isso ou a realmente parar para pensar e analisar as informações. Apenas fiz que não com a cabeça, Astrid riu. – Como vocês costumam ser relaxados, por deus! Bom, enfim, vim aqui para lhe contar histórias, gostaria de ouvir?
—Se forem relevantes e verdadeiras, com certeza. – Falei, ajeitando-me na cama, cobrindo minhas pernas enquanto ajeitava meu tronco, ficando meio deitada, meio sentada, enquanto esperava ela começar. – E nada chato por favor, nem coisas que eu não vá entender.
—Ah minha querida... Mas é isso mesmo que irei falar: coisas que você não irá compreender de imediato. – Falou, fazendo-me piscar para entender suas falas. – Não vou contar a história toda, isso até para mim pouco importa e acho que quem tem que falar algo é Nevena, não eu!
—O que tem para me falar? – Cruzei os braços, esperando pela resposta.
—Bom, primeiro gostaria de parabeniza-la por sua grande ignorada a absolutamente tudo que envolve eu e Nevena. Realmente maravilhosa essa sua atitude de ignorar e não fazer perguntas, principalmente em consideração a sua própria vida, muito maravilhosa. – Ergui uma sobrancelha em sua direção e abri a boca para responder, mas fui interrompida. – Todavia... Irei lhe passar algumas informações.
—Por quê?
Ela deu de ombros, ajeitando-se na cadeira, sorrindo quando voltou a me olhar.
—Costume de fugir de regras. – Seu sorriso me causou um calafrio, não conseguia interpreta-lo. – Mas claro, não é como se eu fosse realmente sair de minhas punições, então que problema tem, não é mesmo? – Sua gargalhada preencheu o quarto, porém limitei-me a observa-la.
Realmente Atrid é uma mulher peculiar e atrevida, principalmente a última parte, com um toque de despreocupada ao extremo.
—Voltando ao assunto. – Ela recomeçou. – Você acredita em contos sobrenaturais? Como, sei lá, alienígenas, vidas além das que vivemos hoje, seres além dos humanos, esse tipo de coisa?
Franzi o cenho e não consegui contar a risada.
—Em partes, mas o que conecta vocês a isso? – Perguntei, ajeitando-me.
—Exatamente, na verdade não só nós, como todos nós! Todas as pessoas e coisas são ligadas a isso, a diferença é que somos diferentes uns dos outros, mas todos vivemos com esse tipo de conexão com o que falei. Entende?
—Mais ou menos. – Demorei um pouco para responder, tentando analisar e entender suas palavras. – Ainda sim, que tipo de coisas são essas que estamos conectadas? Que todos estão conectados?
—Claro que não são alienígenas, pelos deuses. – Seu riso agora fora mais calmo, mas ainda não a acompanhei. – Porém, outras vidas e além do que você são, com certeza é o que estou falando. São coisas muito além do que a maioria de vocês sabe ou percebe, alguns até conseguem conectar-se minimamente com este patamar superior, mas ainda sim, são muito poucos comparados a nós e a quantidade de pessoas como você.
—Pessoas como eu, que você fala, quer dizer humanos? – Ela assentiu, fazendo-me rir de leve. – E você é o que, senão é humana?
Ela piscou algumas vezes e se mexeu, começando a gesticular.
—Eu sou humana, quer dizer, meia humana, assim como todos no meu mundo.
—Como assim no seu mundo e como assim meio humana? – Falei pausadamente para que ela entendesse que eu não compreendia esse linguajar. Para mim todos eram humanos, em todos os lugares, se você andava e falava como eu, além de deficiências e de linguagem, para mim era humano, sem sombra de dúvidas.
—Eu sou uma bruxa, meu povo são seres sobrenaturais e o meio que estou falando é o plano superior que você acreditam ser governado por Deus e todas essas coisas a mais, independente de religião e tudo mais.
Arqueei a sobrancelha e entortei a cabeça: como assim bruxa?
—Como assim bruxa? Seres sobrenaturais? – Soltei uma leve risada e ela sorriu.
—Não vamos nos fingir de burras, Brenda. Você viu Nevena e as coisas que ela pode fazer, viu que ela não parece deste tempo. Você viu o lobo, a força e agilidade dele, o tamanho e você me viu em minha casa, viu o que fiz com você. Realmente não entendeu nada do que está acontecendo com você? Onde está se metendo?
—Sim, eu vi e percebi tudo isso, mas como falei com Nevena. – Engoli em seco, por começar a pensar no que eu não queria pensar. – Não são coisas minhas, não são coisas que eu deva saber.
—Aí que está seu engano, minha cara. – Atrid se levantou, me olhando. – Você foi naquele passeio por vontade própria, eles tentam te puxar para lá há tempos e finalmente você foi. Seu destino está traçado e aos poucos é revelado. – Ela riu e se abaixou perto de mim, tocando meu joelho. Tremi. – Sou portadora de todas as informações necessárias e pretendo usa-las da melhor forma, sem machucar ninguém, pode ficar tranquila. – Ela se levantou e começou a caminhar para a porta de uma forma bem lenta, olhando para o quarto. – Não quero lhe assustar, não vim para isso e mesmo que fica absurdamente apavorada e alguém tente continuar a machucar você, ela não vai permitir. – A mulher chegou a porta e a abriu, mas ficou parada nela. Astrid virou-se para mim já com metade do corpo para fora, ela sorriu. – Nevena sabe tampouco como você graças a grande capacidade dela, e desejo, de se manter afastada de tudo isso que nos envolve depois do que aconteceu com o pai dela, mas aos poucos ela irá perceber e vou ajudar para isso. – Ela piscou para mim e fechou a porta, fazendo-me ouvir seus passos afastando-se até eu não ouvi-los mais.
Suas palavras começaram a ecoar em minha cabeça. Me coloquei sentada no meio da cama e cruzei os braços e as pernas, pensando nos dizeres e nos significados das palavras da, então, bruxa. Se ela realmente for uma bruxa eu acabarei por descobrir, se é que não descobri... Por causa daquela coisa maluca d’eu não conseguir sair da sua casa, por ser segurada por algo invisível, além de depois desmaiar e aparecer na cabana como se nada tivesse acontecido... Mas nada disso eu de fato realmente vi, então esperaria algo mais concreto para afirmar quem ela falava que era.
Balancei a cabeça: estou ficando doida.
Levantei-me indo para o banheiro lavar o rosto.
Nevena realmente era muito diferente de todas as pessoas que conheci, principalmente lembrando do que ela fez naquele dia na flores e... Algumas semanas atrás, salvando-me novamente de um lobo, lobo esse que era enorme.
Levantei meu rosto, a tempos encarava o ralo da pia enquanto meus pensamentos iam e vinha. Encarei-me no espelho, se aquilo era um lobo, mas não era um lobo, era algo mais avançado, o que seria? Uma mistura e genes ou algo assim? Algo mais profundo... Sobrenatural? Lobisomem. Engoli em seco. Lobisomens existem? Se existem e, aparentemente, Nevena sempre foge ou luta com eles, ela seria o que? Alguma caçadora? Acho que não... Ela é forte, tem um velocidade muito acima do comum para ser apenas uma caçadora normal. Nas histórias antigas lobisomens existiam com humanos e alguns desses tornavam-se caçadores, afim de mata-los e tudo o mais, bruxas também apareciam, mas Vampiros era algo que não era sempre mostrado junto de lobisomens, claro, haviam sim histórias, filmes, relatos e tudo mais, mas ainda sim, não conseguia vê-los realmente juntos, parecia uma coisa tão distante uma da outra, tão oposta que em minha mente um só conseguiria viver se o outro não existisse.
Pisquei, sentindo minha boca seca.
Se meu pensamento estiver certo, mesclando com as palavras de Astrid, muito possivelmente ela é sim uma bruxa, tornando essa sobrenaturalidade um campo muito bom para isso de vampiros e lobisomens, somando ainda com as vezes que vi Nevena, uma possível vampira, brigando ou fugindo o lobo, possível lobisomem. É... Muito possibilidades e que ainda por cima faziam muito sentido.
Respirei fundo e olhei para mim ainda mais, pensando que estava bem doida. Passei a mão no rosto e suspirei, sequei meu rosto que escorria e virei-me afim de ir para sala me distrair um pouco. Se tudo isso era verdade, oportunidades não surgiriam para que eu realmente firmasse tudo como certeza e também respostas surgiriam, nem que eu tivesse de busca-las pouco a pouco.
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