When Night Comes

17 Capítulo 17


Notas iniciais
OPA QUEM É VIVO SEMPRE APARECE, NÉ NOM? kkkkkk Bom, se ainda há alguém aqui dê um sinal de vida por favor kkkk Primeiramente gostaria de pedir desculpas pela demora absurda. Eu realmente passei a focar imensamente na faculdade que cada vez suga mais o meu sangue com o passar dos semestres TuT Quem aqui faz, sabe como é; quem não faz, só se prepara kkk Eu comecei a trabalhar tbm e ficou ainda mais corrido, me envolvi com projetos na facul tbm, enfim, me enrolei. Agora estão chegando minhas férias (cujo tenho vários planos, inclusive escrever mais) e tbm sai do trampo kkkk Então estou ficando suave. Um dos pesares que acabem a acarretar em uma demora novamente é que eu tenho bursite/tendinite nos ombros e mãos :/ então as horas que passo fazendo um Cap me rende doras em 90% do tempo. Voltando! Espero que gostem e tento voltar o mais rápido possível!

Pov Nevena

O cheiro surgiu forte o suficiente para se tornar incomodo.

Conseguia senti-los mesmo sem vê-los, conseguia ouvi-los principalmente, o cheiro já era mais que suficiente para saber que estavam ali, mas a movimentação nos davam vantagem, justamente com esse pensamento, espalhei mais meu grupo para não dar chance deles fugirem, mas mesmo sabendo que estávamos aqui e que sabíamos que estavam dentro da construção pequena, parecia ser um depósito, os lobo não saiam.

—Vamos ter que esperar quanto tempo, Lumía? – Questionei e ouvi mais uma movimentação. O cheiro daquela desgraçada ficou mais forte e identifiquei que estava no centro deles. – Não quer conversar um pouco comigo?

—Duvido que queira apenas conversar. – Mesmo sem vê-la, podíamos ouvir com clareza, até mesmo suas falas.

—Me pegou. Não viemos para conversar, tampouco eu com você. – Dei passos na direção da porta, chegando próxima o suficiente para eles saberem onde eu estava. Só parei quando notei a inquietação deles. Inspirei profundamente com os olhos fechados e bufei levemente ao sentir o cheiro da grávida. – Podemos fazer um acordo.

—Duvido muito que seja um benéfico. – Falou a loira.

—Tampouco o é de fato. – Ri olhando para a porta e pensando como seria tentador entrar ali e pegar uns dois ou três, jogando-os para fora. Tentador, mas limitei-me a falar. – Entregue a grávida e podemos pensar em não matar todos.

Cerrei os punhos e fiz um sinal para os meus cercarem mais o lugar, fechando um cerco, mas ao fazer isso notei um grunhido, gemidos e por fim um rosnado forte e alto junto do cheiro de mijo e cachorro molhado. Sorri e me preparei para o segundo seguinte um lobo surgir empurrando e quebrando a porta de aço que nos separava, o mesmo pulou afim de me atacar, mas apenas sorri e no momento certo rugi e o peguei pela barriga, jogando-a a metros de distancia.

O corpo lupino mal atingiu o chão quando aproximei-me em alta velocidade e agarrei suas mandíbulas, rugindo enquanto forçava-as para quebrar mesmo sob sua resistência. Ouvi seu choro enquanto os ossos estralavam e quebravam sob minha força bruta, segurei mais forte e os puxei de uma vez, fazendo as duas partes do focinho sumirem do rosto do animal e sangue jorrar para todos os lados, depois esmaguei sua cabeça no chão, vendo mais sangue e finalmente matando-o.

Levantei-me com as presas a mostra e as mãos cheias de sangue, olhei para onde o lobo surgiu e vi a porta que nos separava não estava mais lá e agora alguns deles, já transformados, saíram latindo, rosnando e mostrando as presas.

O conflito começou assim que pisquei, felizmente, matamos alguns rápido de mais. Além do que eu acabei de abater, Eco pegou mais um e Thaliel junto de Iriel mataram outro, ou seja, menos três, sobrando apenas uns cinco juntamente da grávida e de Lumía. Pensando nisso, olhei mais atentamente e não as vi ali, ninguém lutava com uma loba grávida e tampouco com a loba cinzenta que a loira era, isso preocupou-me.

Passei a observar ao redor, sempre mantendo-me atenta para que não fosse atacada desprevenida, mas isso não ocorreria, já que cada um dos meus enfrentava um lobo, senão dois enfrentavam um. Pelo visto, aqueles eram os mais fortes e não seria algo fácil abatê-los. Foquei um pouco mais na batalha e nesse momento vi Iriel ser abocanhado pelo lobo branco pouco conhecido por mim.

O vampiro foi mastigado e balançado de um lado para o outro, urrando e espirrando seu sangue para todos os lados. Corri para ajudar, mas o animal jogou o vampiro contra mim e acabei por cair com o mesmo por cima, ficando ainda mais ensaguentada, porém preocupei-me mais com o mesmo em meus braços.

Sai debaixo de seu corpo e analisei-o, tocando em seu corpo e tentando parar o sangramento com minhas mãos, mas eram tantos buracos... Os lobos tinham muitos dentes e o corpo de Iriel estava sangrando muito pela perfuração. Sua mão segurou meu pulso e olhei para seu rosto todo manchado de sangue... Seus lábios começaram a mexer, como se quisesse falar algo. O corpo tremeu e ele começou a engasgar com o próprio sangue, seus olhos reviraram e o aperto afrouxou enquanto seu corpo tremia fortemente, logo depois parando.

Iriel era um dos mais novos do meu povo... Cerrei o punho e olhei odiosa para o animal branco que agora lutava com Thaliel. Levantei-me e corri para o animal, saltando e parando em cima do mesmo que se assustou e passou a pular e querer rolar, mas minhas mãos cravaram forte em seu pelo e puxaram arrancando tufos e mais tufos dele. Fiquei fazendo isso por um breve momento ao som de seu choro e resmungos, depois rosnei perto de sua orelha e mirei em seu pescoço uma cotovelada que atingiu o osso em cheio.

O lobo ganiu e suas pernas falharam, levando-o ao chão. Eu ainda estava em cima do animal quando Thaliel simplesmente voou com um soco na cabeça do bicho, estraçalhando o crânio e espalhando sangue para todos os lados. Sai de cima, parando no chão vendo que a cabeça havia batido no chão com o soco e também quebrou-se um pouco do maxilar.

Olhei para o vampiro e assenti, ele fez o mesmo.

—Vou atrás de Lumía e a grávida. – Avisei e ele fungou, como se tentasse respirar melhor, olhando para nosso grupo que parecia levar vantagem contra os lobos restantes. Quando voltou a olhar para mim, já sabia o que falaria.

—Vou com você. – Sua voz era grossa e seus dentes estavam a mostra.

Assenti e voltei a me concentrar no cheiro da loba loira, já que eu não via nada, apelei para os sentidos e rapidamente achei o rastro aromático que levava para a floresta onde estávamos, avancei para lá com Thaliel em meu encalço.

—O cheiro está fraco. – Comentou e assenti a contra gosto. – Elas já devem estar um pouco longe.

Rosnei pensando nessa possibilidade, mas ainda sim mantive-me seguindo o cheiro. Alguma hora a encontraríamos. Avisei pelo comunicador que eu e o outro vampiro estávamos a procura de Lumía e a grávida e que era para nos procurar quando terminassem com os lobos restantes, claramente não obtivemos resposta, mas permanecemos em nosso caminho.

Avançamos floresta a dentro em uma velocidade considerável. O cheiro ia ficando mais forte, mas não o suficiente para nos aproximarmos e tudo mais, indicando que estávamos próximos. Pelos rastros elas haviam tomando a forma lupina para correr mais rápido, então aumentamos mais a velocidade e só paramos ao sentir o cheiro mais forte em um determinado ponto.

Estávamos em uma espécie de clareira com um bosque contornando o local. O cheiro estava mais forte ali com toda a certeza, mas não as via em nenhum lugar e Thaliel parecia não percebê-las também. Tentei captar alguma coisa pelos sentidos e vi pegadas nos levando para a direita do bosque, apontei para o vampiro e ele assentiu vendo a pista também, mas cutucou-me e viu que havia outra seção de pegadas indo para o lado oposto.

Elas fizeram de propósito, almejando nos separar. Thaliel era forte, ágil e esperto, acho que se daria bem com qualquer uma das duas, mas eu tinha uma rixa especifica com Lumía e queria muito nosso confronto individual, por isso abaixei-me nas pegadas que levavam a esquerda e senti o cheiro da loira ali, então apontei a outra direção, falando para o vampiro ir por lá e assim o fez ao mesmo tempo que eu corria na direção de Lumía.

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Pov Lumía

Já era tarde demais para fazer algo além de correr para longe da matança que Nevena quis começar. Eu e Liana não faríamos a menor diferença, por isso apenas a puxei para longe dali, correndo para floresta, tentando nos esconder ao mesmo tempo para não ficar na cara nosso desaparecimento.

—Para onde vamos?

Apertei seu braço com mais força, olhando para ele em desespero e fazendo sinal de silencio. Ela gesticulou se desculpando e continuou correndo comigo. Logo adentramos na floresta e passamos a correr mais depressa, afinal já somos familiarizados com o ambiente natural assim.

Pensando em família... Liana era a única que poderia salvar nossa espécie, ela e seu filho. Se um deles morresse, mais especificamente a mãe, já que o menino ainda não havia nascido, seria algo totalmente horrível! Cabia a mim então ajuda-la a sobreviver e se possível, me levar junto.

Olhei ao redor e vi que havíamos nos distanciado bem do porto, diminui a velocidade e percebi que ela havia se cansado um pouco.

—Me desculpe por isso, Lia. Você está bem? – Perguntei, me abaixando a ela, que havia se sentado segurando a barriga.

—Eu estou bem. – Falou rindo um pouco. – É que não estou acostumada a correr na forma humana.

—Acha que consegue se nos transformarmos? – Perguntei e ela assentiu. Olhei ao redor, temendo que algum deles nos encontrassem. – Vamos então. Não é bom ficar parada muito tempo.

Nos transformamos rapidamente, ficando alguns segundos paradas para se acostumar com a forma. Quando nos transformávamos repentinamente e rápido demais dava uma vertigem ou algo assim, uma tontura, as vezes minha vista escurecia.

Passamos a correr para longe dali, deixei que ela fosse em minha frente, era mais seguro. Tudo era visto em alta velocidade, mas ainda conseguia entender as formas e o que era cada coisa ao meu redor e conforme passávamos, algo proporcionado pela visão característica de um lobo, mas ao mesmo tempo limitada. Nada extraordinário como a de um vampiro.

Só paramos ao chegar em uma clareira e permiti descansar, porém não me transformei, diferente de Liana, que transformou-se e desabou no chão, completamente cansada. Olhei ao redor, tentando pensar em algo para que não fossemos capturadas, ou pior, mortas. Eu sabia que eles nos achariam pelas pegadas e pelo cheiro, não havia maneiras para esconder tais pistas, principalmente o cheiro, portanto, logo eles estariam aqui e meu tempo para bolar algo se esgotava a cada segundo!

Olhei mais atentamente. A clareira era média, havia a grandiosidade do bosque ao nosso redor, usaria isso então ao nosso favor, mas tinha de ser um bom plano... Dessa vez eu tinha que ser mais esperta que Nevena e eu levava apenas uma vantagem em relação a ela: o local.

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Pov Brenda

Tudo que eu menos queria fazer agora era voltar para casa, sinceramente. Nevena havia me deixado sozinha com a desculpa de ir pegar os lobos, tampouco me importava o que ela iria fazer, pois sabia que todas ela faria longe de mim e tal certeza me trazia revolta e pesar. Obviamente eu ficava chateada! É muito mais que óbvio, muito mais, já que eu realmente passei a nutrir sentimentos pela vampira e levando em consideração o mundo totalmente perturbado que ela é inserida e eu ainda aceitar e ficar perto... Realmente havia um sentimento ali, um bem forte inclusive.

Bufei passando a mão no rosto enquanto chegava a casa de quem queria: Jessie. Não tinha Nevena, mas tinha minha amiga e isso bastaria por agora. Entrei na propriedade, pisando no jardim sem me importar com as antigas broncas que tomava dos pais dela por fazer justamente isso. Entrei na varanda e levei a mão a maçaneta, Jessie sempre deixava a porta aberta e como de costume ela assim estava.

Entrei e fechei a porta, dessa vez a trancando. O cheiro doce me era familiar e acolhedor, como uma casa e realmente achava ali uma segunda casa, bem como achava minha amiga parte de mim. Graças a historia de Nevena tivemos algumas desavenças, mas conseguimos resolver tudo e é isso que importa.

—Jessie! – Subi as escadas correndo enquanto a chamava. Assim que cheguei ao piso, já saltei em direção ao seu quarto. – Jessie?! Está fazendo o que? Vamos sair, eu...

Parei assim que abri a porta. Abri a boca várias vezes e pisquei algumas, depois acordei do torpor ao ver as duas, Jessie e sua peguete, se cobrindo em uma velocidade incrível. Quando me dei conta do que ocorria, eu saltei para trás e fechei a porta, já começando a me distanciar, indo para baixo enquanto a começava a rir.

—Jessie realmente está aproveitando a vida. – Falei rindo e descendo as escadas. – Algo que eu deveria estar fazendo. – Suspirei me jogando no sofá, cruzando as pernas no encosto dos braços. Revirei os olhos e me mantive assim, deitada.

—Você realmente não tem modos não é? – Jessie apareceu com uma de suas roupas de ficar em casa. Olhei por cima do sofá começando a rir. – Ta rindo do que idiota?

—Vai transar amiga! – Voltei a me deitar, aconchegando-me. – Vai logo pra lá. Depois eu falo contigo.

—Obrigada. Quase te perdoo por ter interrompido. – Falou enquanto subia as escadas correndo. – Vai transar também! Recomendo!

—Ah com certeza. – Revirei os olhos. – Até eu recomendo.

Ao pensar que minha amiga voltaria a transar a poucos segundos mais a diante, eu fiquei deprimida. Eu não sou mais virgem a um bom tempo, mas também não transo a um tempo considerável... Não sentia muita falta e por muito tempo não senti vontade de ficar com ninguém para obter tal feito, mas agora não era bem assim.

Inevitavelmente pensei quando nos beijamos em seu quarto. Como o cheiro dela estava por toda a cama e nas roupas no armário, no banheiro, no escritório, em todo lugar. O cheiro dela era totalmente tentador, gostoso e atrativo, como ela toda, inclusive. Tal pensamento me fez rir e o momento do beijo retornou a minha mente... Com toda certeza eu queria novamente. Talvez bem mais do que só um beijo, tampouco acho que Nevena não quer o mesmo.

Lembro-me da maneira como encarava-me a momentos antes de nos beijarmos, de sua pose em meu corpo quando ele ocorreu. Arfei imaginando tudo aquilo, todo o desejo que havia em mim e no momento em que me recordava. Passei a mão no rosto e me levantei de súbito. Nevena era o que e quem eu queria, ficar aqui enrolando e ouvindo minha amiga transar não é a melhor das hipóteses!

Peguei uma folha e caneta perto do telefone e escrevi para Jessie: “Fui para Vila, mas quero te ver e sair depois. Apareça por lá quando terminar.” Deixei o papel em cima da mesa da sala de estar e sai da casa deixando a porta aberta novamente sem me importar, mas pensei que se os pais dela chegassem, iria ser muito engraçado.

Rindo, parti para a Vila Vampire atrás do meu desejo.

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Pov Nevena

O cheiro estava cada vez mais forte conforme eu andava pelo bosque, atenta a cada barulho que surgia, buscando pistas por todos os lados, mas nada demonstrava que Lumía estava ali ou tampouco perto e isso incomodava-me. Suspirei e passei a mão na nuca, tentando aliviar-me da tensão e pressão daquele momento. Pensei em parar por um momento, mas quando fui me sentar, o rosnado e o aparecimento do lobo cinzento me fez saltar em alerta.

Finalmente ela havia aparecido e pelo visto estava sozinha, indicando que a grávida havia ido para o outro lado realmente. Cerrei os punhos levantados pela guarda alta, mas já me sentia imensamente exausta e isso era o pior, mas mantive-me firme e forte, esperando qualquer movimento mais brusco par atacar vorazmente.

—Ora, ora. Quem diria, não? – Sua voz parecia diferente, mais séria... Talvez mais enraivecida. – A grandiosa Nevena Wojcik Besugo não usando de toda sua inteligência e dotes vampirescos para perceber onde está! Que surpreendente. – Ela dava passos, andando de um lado para o outro, mas eu limitava-me a segui-la com o olhar. – Confesso que esperava mais de você, Nevena. Eu realmente pensei que você perceberia que meu rastro te trouxe para uma armadilha!

Ergui uma sobrancelha e ri.

—Você chama isso de armadilha? – Perguntei, abaixando a guarda. – Onde ela está que eu não estou vendo?

—Este campo possui algo que vocês odeiam. – Vi a loba se abaixar e pegar a pequena flor alaranjada próxima a seu pé. Respirei fundo, cerrando os punhos. Precisava pensar rápido ou o resultado do embate não seria bom para o meu lado. – Essa pequena florzinha é um dos pontos fracos do seu povo. – Lumía se levantou e ficou rodando a flor em suas mãos, encarando-me vez ou outra, rindo. Engoli em seco. Pense rápido!

Senti um frio na espinha. Eu conseguia sentir tudo ao meu redor e haviam algumas dessas flores espalhadas, não era em grande quantidade, mas o suficiente para derrubar um dos meus, a sorte é que meu corpo tornou-se mais resistente depois de tornar-me anciã, depois de ter bebido o sangue de outro vampiro também, não nego. As flores não me derrubariam facilmente, mas me enfraquecem com toda certeza.

Respirei fundo e corri para a árvore mais próxima, saltando para seus galhos começando a avançar para o topo da mesma. Ouvi o grunhido de Lumía, depois vieram o som de ossos quebrando, pele rasgando e uivo, ela não conseguiria subir (espero), então eu tinha uma vantagem trazendo-me tempo e atenção para buscar a grávida.

Enquanto avançava, tentava perceber alguma movimentação e recuperar o rastro dela, mas nada vinha, enquanto isso eu saltava de árvore em árvore com uma loba raivosa no chão pulando, rosnando e abocanhando o ar enquanto eu saltava. No entanto, algo chamou minha atenção conforme avançava, um forte cheiro de sangue... Parei e passei a tentei ouvir algo, ver, mas nada aparecia em meu radar.

Olhei para baixo depois de um tempo e estranhei... Onde está Lumía?! Virei olhando ao redor, fiz isso algumas vezes até que notei o barulho leve de galhos quebrando na direção oposta de onde eu vinha. Lancei-me para o chão e corri na direção do som, passando a escuta-lo melhor conforme me aproximava: luta.

Tudo aconteceu muito rápido. Apareci em meio a luta de Thaliel com Lumía, a mulher grávida estava atrás da mesma, sangrando. Avancei contra ela, mas a loba percebeu e abocanhou-me pelo braço, jogando-me para longe. Grunhi com a dor da mordida e do impacto contra a árvore, ouvindo seu tronco rachando com meu peso.

Vampiro e lobo começaram a se atacar, fiquei olhando por um tempo, tentando achar uma brecha para avançar na loba ferida, mas Lumía recuava vez ou outra, estreitando meu campo e tornando-se ativa no contra-ataque. Observei atentamente e constatei que Thaliel perderia se continuasse assim, a única chance seria se trocássemos de lugar, mas ainda sim não parecia algo viável... A não ser.

Estávamos em um campo de altas árvores com cipós caindo até o chão, o capim selvagem chegava quase em nossos joelhos e pedras estavam por perto também. É uma boa alternativa. Estiquei a mão e levantei algumas bolas de terra, atirando-as contra a loba que avançava contra meu vampiro. Isso a distraiu o suficiente para atrair sua atenção até mim.

Sorri, chamando-a com o dedo e a mesma caiu na armadilha. Rugi provocando-a mais ao vê-la correndo exaltada em minha direção e quando estava na metade da distância, fechei o punho e grunhi sentindo a pressão contra meu golpe que sempre aparecia para mim ao tentar controlar grande quantidade de terra.

Uma coluna de terra veio rápido do chão, içando a loba para cima em velocidade e altura. Olhei para a grávida e depois para Thaliel, acenei para ele e o mesmo assentiu, avançando para ela. Voltei-me para a loba que caia direto para o chão e saltei (ouvindo o grito da grávida com a presença de Thaliel) golpeando-a no ar, o ruim disso é que desta forma tornei-me próxima e ganhei outra mordida, dessa vez na perna e essa sim me incomodou imensamente.

Quando atingi o chão, gritei com a dor que se espalhou por minha perna e cai inspirando exaltada. Ouvi as passadas fortes e assustei-me ao ver Lumía avançando correndo em minha direção, como reação, criei uma camada de terra ao meu redor, como uma bolha grossa e dura de terra. Do lado de fora a loba rosnava, arranhava e cavava tentando pegar-me.

Fechei os olhos por um momento e suspirei.

—Mas que inferno! – Falei comigo mesma, cansada. – Desgraça que não morre! Inferno!

Respirei fundo e soltei alto. Ela ainda tentava, mas de repente parou... Levantei a cabeça tentando ouvir com atenção, mas nada vinha além de passos lentos na grama um pouco afastados de mim. Franzi o cenho, aparentemente ela estava indo para outro lado e...

—Thaliel! – Gritei ao mesmo tempo que a loba rosnava e avançava contra o vampiro.

Desfiz minha proteção e praticamente saltei em sua direção, tropeçando algumas vezes até alcança-la ao ponto de abocanhar a cabeça de Thaliel que sugava o sangue da grávida no chão.

Agarrei com força os pelos das costas de Lumía e puxei-a junto comigo para longe dos dois. Joguei-a para longe e me levantei no mesmo instante pegando Thaliel pelo braço, erguendo-o com velocidade do corpo inerte da outra metamorfa. Corremos os dois para longe e por um momento pensamos que estávamos conseguindo, mas minha perna começou a doer imensamente e isso me fez perder o equilíbrio.

Thaliel parou, mas mandei ele avançar e o mesmo o fez assustado, correndo para onde os outros dos nossos estavam. Levantei-me com cuidado, não ouvia nenhum barulho por perto, então fui cambaleando para o único barulho que eu estava ouvindo: água. Sentia-me tonta... Com um pouco de falta de ar e mole. Achei estranho, mas continuei. Porém uma hora se tornou insustentável e acabei por cair, a água que eu ouvia era de uma cachoeira e acabei por deitar perto da queda, procurando ar desesperadamente.

—Ora, ora. Veja quem está sendo pega pelas flores novamente. — Olhei na direção de meus pés e vi Lumía como humana, olhando-me com graça. – Dessa vez vou te matar, Nevena. Não vai escapar.

Tentei inspirar profundamente, mas pareceu algo tão ineficaz! Senti-me tonta e pela primeira vez, me senti totalmente vulnerável. Com toda certeza eu morreria nas mãos da loba se não fizesse algo... Mas o que? Pensa... Tentei olhar ao redor.

—Eu...

—Você? – Perguntou sarcástica aproximando-se cada vez mais.

—Não vou ser morta por você!

Juntei o pouco de força que tinha e rolei para a queda. Ouvi o grunhido de Lumía, mas já era tarde. Meu corpo entrou em queda, o ar percorria meu corpo, circundando-o com velocidade e o rosnado da loba se tornou alto e raivoso.

A queda da cachoeira era grande então fiquei caindo por um tempo... Pensando se iria sobreviver ou não... Até que meu corpo atingiu a água com força.

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A primeira coisa que senti foi o frio... Depois algo quente em minha boca, depois em meu peito, em meu pulso e de repente senti um forte refluxo puxando meu peito para cima, fazendo-me virar e água sair de minha boca.

—Ela está bem!

Não consegui entender de quem era a voz, mas se eu ainda estava viva, não era inimigo. Ou inimigos, já que passei a ouvir mais barulho ao redor, de passos, falas e respirações. Pisquei algumas vezes e respirei fundo, sentindo meu corpo responder melhor. Olhei ao redor e entendi que estávamos no lago próximo da Vila, isso me confortou um pouco, afinal Lumía não estava por perto e aparentemente, todos aqui.

—Estamos perto da Vila, certo? – Levantei devagar e a pessoa que havia falado anteriormente era Eco. Ela assentiu.- Todos estão bem?

—Tivemos duas baixas... Iriel e Calia. – Disse com pesar.

Olhei para ela longamente, mas limitei-me a assentir.

—Prepara os corpos para serem cremados. – Olhei ao redor e vi uma boa parte do povo da Vila, mas um eu não reparei. – Onde está Thaliel?

— Na casa.Vamos?

Assento e caminhamos com todos para a Vila. Eco foi me passando as novas informações e a maioria foi positiva já que conseguimos eliminar boa parte dos lobos fugitivos e a grávida foi morta, o restante dos lobos sobreviventes escaparam, mas duvido que voltariam, então não eram uma ameaça, pelo menos por agora não.

Como tivemos apenas duas baixas, montou-se uma pequena pira para os corpos, porém deixamos para antes do banquete de jantar (também pela comemoração) que se daria após meu banho. Caminhei até meus aposentos e sorri ao sentir aquele cheiro... Ouvia o coração batendo ligeiramente, o sangue correndo nas veias...

Sorri correndo para o meu quarto e abrindo a porta, olhando-a e no mesmo instante a mesma me olhou, mas diferente do que pensei ter como resposta, Brenda não sorriu e isso desfez meu sorriso.

—O que foi? – Perguntei e ela se virou para mim com os braços cruzados. Fechei a porta atrás de mim e engoli em seco. – É... Fico feliz que tenham lhe deixado entrar.

—E porque não deixariam? Não sou a mulher da vampira? -

Levantei a sobrancelha. Coisa boa não viria.

Notas finais
E aí? O que acharam? Sentiram saudade? *u*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.