Notas iniciais
Esse capítulo tá bem grande.Nenhum dos meninos do Avenged é citado ou aparece.Narra apenas o passado da Emily.Espero que gostem...

Flash back on

Eu tinha 5 anos quando minha família se mudou para Port Angeles em Seattle ,até então morávamos em Washiton d.c onde eu e meu irmão gêmeo Eric nascemos.

Chegamos de carro logo atrás do caminhão de mudanças, Eric desceu e saiu correndo para dentro da nova casa, estava muito animado para escolher seu quarto antes de mim. Já eu, não queria ter me mudado e sentei-me na calçada emburrada vendo os carregadores levarem nossas coisas. Desceram nossas bicicletas uma vermelha e outra azul deixando-as encostadas na cerca branca. Neste dia minha mãe Sarah havia me vestido feito uma bonequinha e eu odiava aquelas roupas cheias de frescuras. O vestido era armadinho da cintura pra baixo branco com florezinhas vermelhas, os sapatos eram brancos e também tinha uma flor vermelha combinando com vestido. Na cabeça uma tiara vermelha.

-Hei, princesa porque não vai conhecer a casa junto com seu irmão ,se deixar ele pega o melhor quarto.-disse papai se sentando ao meu lado na calçada-Não fica triste ,você vai se acostumar logo e terá uma porção de amiguinhos pra brincar com você!

Meu pai era o melhor pai do mundo, eu o via como um herói, mas ainda assim suas palavras não conseguiram me animar. Continuei sentada e ele ao meu lado em silencio. Logo senti seus braços em volta de mim me puxando para seu colo.

-Vamos fazer um trato, se eu ver um sorriso nesse seu rostinho lindo levo você para fazer compras e poderá escolher as roupas que quiser. Por que cá entre nós, sei que não gosta destes vestidos que sua mãe coloca em você.

-Sério?!-abri um sorriso enorme mostrando a janelinha da frente-Fechado!

-Assim que eu gosto minha menininha feliz e sapeca!-beijou minha bochecha e me fez cocegas antes de por no chão.

Resolvi dar uma volta com minha bicicleta, ia ser difícil com essa roupinha, mas fazer o que.

-Só aqui na calçada onde eu possa te ver Emily!-gritou mamãe da janela

-Ok. -gritei de volta.

Pequei a bicicleta e comecei a dar as primeiras pedalas quando avistei uma garotinha loira atravessando a rua, vinha em minha direção.

Parei a bicicleta me apoiando numa perna só.

-Oi sou Katerine ,mas pode me chamar de Kat e você como se chama?

-Emily.

-Essa bicicleta é sua?-perguntou apontando para a mesma.

-Sim.

-E aquela ali?-apontou para a do meu irmão ainda encostada na cerca.

-Do meu irmão.

-Deve ser legal ter um irmão. Lá em casa sou só eu. -falou fazendo bico e se balançando com as mãos cruzadas nas costas.

-As vezes ele me irrita.

-Mas deve ser melhor que ser sozinha.

-Acho que sim.

-Quer andar de bicicleta comigo?A minha é aquela ali. -apontou para uma bicicleta rosa da Barbie caída no gramado da casa da frente.

-Pode ser, mas tem que ser aqui na calçada, minha mãe quer que eu fique onde possa me ver.

E foi assim que conheci minha melhor amiga maluca e totalmente patricinha Katerine. Quem nos via achava impossível sermos tão ligadas, não tínhamos nada em comum. Eu odiava rosa e vestidos e ela só andava de rosa e fazia birra para usar vestido. Ela fazia balé e eu judô. Tínhamos personalidades totalmente diferentes, mas nos amávamos como irmãs e fazíamos tudo juntas.

Alguns anos mais tarde, trocamos de escola, eu, Eric e Kat. Meus pais queriam que tivéssemos a melhor educação possível e nos matriculou na melhor da cidade. Era um pouco cara, mas como papai tinha sido promovido na empresa que trabalhava conseguiria pagar as mensalidades com tranquilidade. Foi um pouco difícil convencer a mãe da Kat .Então acabou deixando o balé para diminuir as despespesas.Eu jamais mudaria de escola sem a Kat.

Nessa época eu e Eric tínhamos uns 10 anos e Kat 11. Ela havia repetido um ano de propósito só para ficar na mesmo série que eu.

E foi na Port Angeles Institute que conhecemos mais dois grandes amigos: Jason e Tyler Blackwood. Primeiro fizeram amizade com Eric puxando assunto sobre uma camiseta do Iron Maiden que meu irmão estava usando no dia. E depois disso nos tornamos um grupo inseparável.

Jason tinha 11 anos assim como Kat e Tyler 12. Os meninos tiveram a idéia de montar uma banda, mas o único que sabia tocar era meu irmão, papai nos havia ensinado e levávamos bastante jeito pra coisa. Os outros dois garotos começaram a estudar, um baixo e outro bateria Em mais ou menos 2 anos montamos um pequeno estúdio com a ajuda do papai no porão de casa.Depois de muita discussão entre Jason e meu irmão Eric, eu passei a ser a vocalista.

-Mas ela é menina cara!-dizia Eric.

-Larga de ser machista lombriga. Ela dá um pau em muito marmanjo por aí. E ainda por cima pode ajudar no violão quando a música precisar de acústico!

Quem me ouvia cantar dizia que eu mandava muito bem, também pudera ensaiava feito uma louca as técnicas dos livros que meu pai me dava. Ele nos incentivou bastante com história da banda.

Quando eu e Eric completamos 13 anos a banda já tinha nome e integrantes fixos. Demon Queen era formada por: Jason na Bateria, Tyler no baixo ,Eric na guitarra e eu no vocal e violão.Katerine sugeriu o nome e desenvolveu o logo ,já que não tinha o menor interesse por rock não quis aprender tocar nada.

-Posso ser empresária e desenhar as roupas da Emy quando vocês ficarem famosos. -definitivamente a Kat não tinha nada a ver comigo, mas como eu a adorava.

Como passávamos muito tempo juntos Jason e eu acabamos nos tornando mais que amigos. E ele acabou sendo meu primeiro tudo: beijo, namorado, primeira vez...

Eric não admitia, mas morria de ciúmes e demorou um pouco a aceitar que eu estava namorando seu melhor amigo.

-Cara,se você sacanear minha irmã eu te capo ouviu!-ele vivia ameaçando.

Mas era impossível Jason me magoar, ele era muito fofo comigo e meu melhor amigo também. Podia contar com ele pra tudo, estava sempre do ao meu lado.

Já nos apresentávamos com a banda nas cidades da redondeza, festivais e casas de show de Port Angeles .Ao fim de um desse shows voltei animada para a salinha que servia de camarim me pendurando no pescoço do Jason ,interrompi meu abraço quando percebi que ele chorava.

-O que foi meu amor?-perguntei preocupada limpando uma lagrima que rolava por seu rosto.

-Meu pai.

-O tem ele?-achei estranho Jason nunca havia mencionado o pai antes.

-Ele acabou de sair daqui e...

-E... -o incentivei a continuar.

-Disse que eu estava proibido de tocar, de andar com seu irmão e namorar você!

-O que?-disse não entendendo o motivo do Sr.Blackwood ter feito isso-Mas o que ele tem contra nós?

-Na verdade nada. Ele apenas quer que eu e Tyler continuemos os negócios da família e acha que esse lance de rock não vai me levar a lugar nenhum.

-O fdp* do velho acha que quem meteu isso nas nossas cabeças foram você e Eric-completou Tyler de braços cruzados e um olhar frio-Mas já disse pro Jason que ele não pode mandar na gente pra sempre e assim que a banda começar a dar lucro vamos sair de casa.

-Não fique assim meu amor, meu pai vai nos ajudar. Talvez a banda decole antes do pensamos. Lembra-se do amigo do meu pai que abriu uma gravadora?

-Sim.

-Ele pediu para enviarmos uma demo pra ele, se gostar gravaremos nosso primeiro cd!

Jason selou nossos lábios e me abraçou forte.

-Adoro a nossa banda, mas o que me arrasa é pensar em te deixar.

-Isso não vai acontecer, não vou largar você tão fácil.

Naquela semana mandamos a demo para a gravadora e quase enfartamos quando papai nos deu a noticia que finalmente gravaríamos nosso tão sonhado cd.

-Precisamos comemorar!-gritou Kat pulando e fazendo uma dancinha ridícula de vitória!

Kat teve a idéia de fazer uma festa para comemorar, mas especificamente um lual numa área de camping da cidade. Convidamos todo mundo que conhecíamos, seria num sábado e a decoração ficou por conta da Kat como sempre, Tyler compraria as bebidas já que era o único maior de idade. Eu, Eric e Jason ficaríamos por conta do som.

No dia do lual, estava no meu quarto terminado de me arrumar quando Jason bateu na porta e entrou logo em seguida.

-Oi. Como você tá linda!

Pulei em seu pescoço, ele me levantou me girando no ar.

-Vem cá. -disse ele me puxando pela mão me sentando ao seu lado na cama-Queria te propor uma coisa.

-O que? -perguntei animada.

Vi ele enviar a mão no bolso da calça e tirar um pacotinho vermelho pondo-o em minha mão. Era uma camisinha.

Fiquei meio sem saber o que dizer, mas um dia isso acabaria acontecendo e hoje era uma data especial para nós dois, o lugar não teria como ser mais perfeito.

-O que acha?-passou a mão em meus cabelos e colocou uma mecha atrás da orelha-Não quero te pressionar a nada, daremos esse passo apenas se você quiser. -seus lábios estavam muito próximos ao meu ouvido senti um arrepio percorrer minha espinha.

-Acho que será maravilhoso... -ele me puxou para um beijo e foi bem intenso, com certeza queríamos muito isso, nossos corpos já não aguentavam mais ficar separados.

O lual estava bem animado e no meio da festa Jason me puxou pela mão até um lugar lindo próximo a uma cachoeira. Forrou o chão com um edredom e deixou uma bandeira do Metalica do lado.

-Pra que a bandeira?-perguntei coma sobrancelha arqueada.

-Para se cobrir caso sinta frio. -passou a mão pelos cabelos loiros e lisos. –Esqueci de trazer um cobertor.

Acabei rindo da sua cara de culpado e o abracei.

-Bandeira do Metallica, parece perfeito pra mim.

Ele passou as mãos por meus ombros fazendo as alças finas do meu vestido deslizar por meus braços e a peça cair aos meus pés. Seus olhos estavam brilhando e nunca os tinha visto tão azuis como nesse momento.

Minhas mãos estavam geladas devido ao nervosismo. Ajudei com que ele tirasse a camiseta e ele sentiu meus dedos tocando em suas costas e se arrepiou. Beijamo-nos calmamente e ele me deitou sobre o edredom. Tirou meu sutiã e se ajoelhou para me olhar.

-Você é tão perfeita. -acariciou meus seios com as pontas dos dedos me fazendo soltar um gemido baixo. Fechei meus olhos quando suas mãos percorriam meu corpo num toque suave. Logo senti seu peso sobre mim já totalmente despido. Suspirei alto ao sentir seu corpo quente sobre o meu. Ele desceu as mãos pela lateral do meu corpo e tirou minha calcinha, colocando-se entre minhas pernas.

-Se doer me avisa que eu paro. -concordei com cabeça e apertei os olhos quando senti seu membro me invadindo. Doeu muito quando ele entrou todo dentro de mim, ficou um tempo parado e começou a se mover bem devagar a principio. Logo deixei de sentir dor e um prazer que começou tímido foi se intensificando e ambos começamos a nos mover mais rápido até chegarmos ao nosso ápice praticamente juntos. Ele colou sua testa a minha e me deu um beijo doce e calmo.

-Eu te amo tanto Emy!-apenas sorri em retorno. Minha primeira vez não poderia ter sido mais perfeita.

Quando estava quase adormecendo senti o pano fino da bandeira cobrindo meu corpo e sorri imaginando o quando a música estava presente em nossas vidas. Dormi em seus braços.

Acordei assustada com um grito estridente.

-Seu filho de uma puta!!!!-Eric estava com um taco de baseball nas mãos e o Jason já de pé tampava seu sexo com as mãos.

Jason saiu correndo floresta adentro, com Eric histérico atrás dele.

Enrolei-me na bandeira e saí em disparada no rastro dos dois, cheguei à área descampada onde havia sido o lual e graças a Deus todos já haviam ido embora. Continuei correndo atrás do Eric que corria atrás do Jason. Ouvi uma risada escandalosa e parei reconhecendo a hiena deitada na grama e ainda por cima com uma câmera na mão filmando toda aquela cena ridícula.

-KATERINE SUMMERS !LAGA ESSA PORRA E ME AJUDA !O ERIC VAI MATAR O JASON!-vendo meu desespero a minha amiga se jogou pra trás e riu mais ainda.

-Solta a bandeira que eu fico rica com esse vídeo!-ela gritou ainda gargalhando.

-FILHA DE UMA CADELA! -Esqueci-me do Eric e Jason para me jogar em cima da Katerine e arrancar aquela droga de câmera da mão dela. A bandeira se soltou e na hora da raiva nem notei.

-Saí de cima sua tarada!-Kat podia ser cantora de opera porque tinha uma garganta para gritar.

Finalmente consegui tirar a câmera das mãos daquela maluca e voltei minha atenção aos meninos a nossa frente.

-EU TE DISSE QUE SE SACANEASSE MINHA IRMÃ EU TE CAPAVA NÃO É SEU PUTO ?!-tentava acertar meu namorado com o taco, mas ele se esquivava-VOU TE DEIXAR NO MÍNIMO ESTÉRIL SEU VAGABUNDO!

Coloquei a bandeira de volta no lugar e tentei segurar meu irmão que parecia um insano!

-PARA COM ISSO SEU DOIDO,ELE NÃO ME OBRIGOU A NADA FUI EU QUE PEDI!!!-menti para desviar sua atenção. Na verdade só era mentira a parte de quem pediu para transarmos.

Eric se virou pra mim tão rápido que achei que ele racharia minha cabeça com aquele taco. Mas ele só apontou o dedo na minha cara e saiu pisando duro.

Corri até o Jason que estava curvado com as mãos nos joelhos ofegante. Ele olhou pra mim e começou a rir, fui obrigada a rir junto. Foi à situação mais ridícula da minha vida.

Dei a bandeira pro Jason enrolar na cintura e pequei a toalha que a Kat tava deitada, ainda rindo como uma hiena, e fomos embora. Dormi na casa daquela retardada para evitar ver o Eric se não eu mataria ele.

Katerine escondeu a tal fita e disse que nunca a destruiria porque ainda iriamos rir muito vendo aquilo um dia.

O ciumento do meu irmão ficou sem olhar na cara do coitado do Jason mais de uma semana e sem falar comigo também.

Tudo voltou ao normal quando fomos gravar o cd da nossa adorada Demon Queen.Estavamos tão felizes que acho que o Eric se esqueceu que me flagrou nua após transar com seu melhor amigo. Voltamos para casa e esperamos alguns meses para que as primeiras cópias ficassem prontas.

Quando chegaram, papai foi ao porão onde ensaiávamos e escondeu a caixa atrás das costas para nos fazer surpresa.

-Adivinha o que acabou de chegar pelo correio?-ficamos estáticos por alguns segundos até eu correr e pular no meu pai feito criança.

-Me dá, me dá, me dá...-ele me torturou mais um pouquinho erguendo a caixa acima da cabeça para que eu não conseguisse alcança-la-Paaaaaaaaaaaaaai, por favor!

Ele gargalhou zoando com minha cara e me entregou a caixa com o símbolo da gravadora Stand up recordes no rotulo. Abrimos todos juntos e chorei ao pegar um dos cds nas mãos .Nos abraçamos e papai foi correndo chamar minha mãe para ver os cds.Antes que ele voltasse peguei um laço e amarrei em uma das cópias .

- O primeiro é para o nosso maior incentivador e melhor pai do mundo!-entreguei-lhe o cd e meu pai acabou chorando, rodeamos o velho e o abraçamos.

Fizemos um brinde com limonada e depois combinamos que entregaríamos às cópias as rádios locais e da redondeza para divulgação da nossa música.

Sabe aquele ditado que diz, o que é bom dura pouco, minha existência feliz e a realização dos meus sonhos foram exatamente assim.

Saímos naquela mesma noite para comemorar o inicio da realização dos nossos sonhos. Fomos a um barzinho e bebemos muito, fiquei tão travada que acabei dormindo no colo do Jason o único que estava sóbrio já que seria o motorista da noite.

Pegamos estrada de madrugada, a rodovia não tinha iluminação e Jason acabou não vendo um buraco. O carro capotou duas vezes ficando atravessado no meio da pista.

Estava tão bêbada que achei que aquilo era um sonho.

-Estão todos bem?–Eric gritou desesperado do banco do passageiro soltando-se do cinto de segurança e rastejando para fora do carro. Foi engatinhando até o banco de trás e tentou soltar Kat inutilmente. Tyler e Jason também estavam presos nos cintos e eu nem conseguia me mexer por conta da quantidade de álcool que eu havia ingerido.

Escutamos um barulho ensurdecedor e o carro foi atingido por uma carreta que não conseguiu frear a tempo. Fomos arremessados ladeira a baixo e o veiculo caiu num lago. Desmaiei e não vi nem ouvi mais nada. Escuridão total, mas nada comparado ao que viria depois.

Acordei no hospital com uma agulha em meu braço, soro e medicação para dor. Apertei o botãozinho para chamar alguém para me explicar o que estava fazendo ali. Não me lembrava direito do acidente da noite anterior.

Logo o médico e uma enfermeira entraram no quarto, mediram minha pressão e escutaram meu coração.

-Tudo bem. -disse o médico se dirigindo a enfermeira-Nenhuma sequela ou dano grave.

-O que está acontecendo?- Comecei a me desesperar percebendo que o que havia acontecido não tinha sido um sonho-Onde estão meus amigos, meu namorado, meu irmão!?

Enterrei as unhas no couro cabeludo num sinal de pânico.

-Por favor, Srta. Draven se acalme, logo a seus pais virão conversar com você.

-Porque meus pais? Onde estão os outros?

-Espere um instante, por favor — saíram do quarto.

Arranquei o soro do braço e desci da cama desesperada para ir atrás dos outros, quando meu pai entrou no quarto seguido por Jason que estava com alguns hematomas no rosto. Joguei-me nos braços do meu namorado passando a mão por seus cabelos.

-Graças a Deus que você está bem!-e o apertei de novo em meus braços.

Virei-me e quando fui falar com meu pai, me assustei com a expressão em seus olhos. Era de profunda tristeza, nunca o tinha visto assim tão abatido.

-Papai-consegui falar num sussurro-cadê... -fui interrompida por ele.

-Filha senta aqui, por favor. -fiz o que ele pediu sentando-me ao seu lado no sofá ao lado da cama.

Jason ficou encostado na porta com a cabeça baixa, não pude ver seu rosto.

-Infelizmente... -engoliu em seco-O acidente que vocês sofreram foi muito grave. -antes que terminasse de falar lagrimas rolaram por seus olhos-Eric e Tyler não sobreviveram.

Fiquei paralisada onde estava, parecia que meu corpo estava congelado e meu coração havia parado de bater.

-Não... Pode... Ser. Ele tinha se soltado, conseguiu sair do carro e...

-A carreta que bateu no carro o esmagou e Tyler se afogou, porque não conseguiu soltar o cinto de segurança quando caímos no lago.Kat se soltou e nadou até a margem, e eu consegui te tirar a tempo. -completou Jason limpando as lagrimas do rosto.

Estava tudo acabado, nossos sonhos esmagados, meu irmão gêmeo, um pedaço de mim, e o meu amigo e cunhado mortos. Meu coração havia se partido em pequeninos pedaços que nunca mais conseguiria colar.

O médico me deu alta e Kat veio me buscar, meus pais estavam cuidando dos preparativos do funeral do meu irmão. Quando já estava saindo à porta foi aberta num estrondo e Jack Blackwood entrou com os olhos vermelhos e cheios de fúria me segurou pelos ombros me chacoalhando e gritando:

-Foi culpa sua!!!Sua!O idiota do Jason escolheu você ao próprio irmão!-juro que achei que ele iria me bater-Por causa de uma maldita vadia meu filho está MORTO!

-Não estou... Entendendo!

-NÃO ESTÁ ENTENDENDO!-Kat tentava inutilmente puxar o homem de cima de mim, mas acabou caindo no chão quando ele a empurrou-VOCÊ ESTAVA BEBADA DEMAIS PARA SAIR DAQUELA PORCARIA DE CARRO E O IDIOTA DO JASON,AQUELE BASTARDO FILHO DA MÃE ,SALVOU VOCÊ E DEIXOU QUE O TYLER SE AFOGASSE!

Nesse instante Jason rompeu porta adentro e puxou o pai fazendo-o cair no chão, agarrou-o pelos ombros e lhe deu um soco no rosto, logo os seguranças do hospital separaram os dois e Jason gritava enquanto era contido por uma deles.

-O que você disse a ela seu monstro? Ela também perdeu o irmão está arrasada e você vem aqui dizer merda para fazê-la sofrer mais?-Jason parecia possesso nunca o havia visto assim.

Os seguranças arrastaram o Sr. Blackwood e Jason para fora do hospital, enquanto Kat me abraçava. Eu estava em choque tentando assimilar tudo que aquele homem disse.

Minha amiga levou-me pra casa, ajudou-me a colocar uma roupa de luto enquanto a casa se enchia de gente para o velório de Eric.

As palavras daquele homem não saiam da minha cabeça. Minha culpa, se eu estivesse acordada Jason não teria que escolher, se eu não tivesse bebido aquela noite. Não sei qual sentimento era mais doloroso: o de perca ou de culpa.

Enterraram Eric no cemitério local, mas não fui ao seu enterro e nem fui visitar o tumulo de Tyler. Não atendi as ligações de ninguém e não tentei consolar meus pais que haviam perdido um filho. Desde aquele dia no hospital não fiz mais nada, nada mesmo. Não comia, não dormia, não chorava. Depois disso não consegui derramar uma lagrima sequer, era como se minha alma estivesse seca.

Kat tentava a todo custo me tirar do limbo que eu me encontrava. Jason também tentou me convencer que seu pai estava fora de si por ter perdido Tyler e não era pra eu acreditar em suas palavras .Mas fiquei sentada de frente pra ele estática o tempo todo até ele ir embora. Não conseguia olha-lo sem sentir culpa.

Após alguns dias ,fui vencida pela exaustão e acabei adormecendo ,foram menos de 2 horas de sono, mas os pesadelos foram horríveis. Imagens do corpo de Eric esmagado, Tyler repetindo que eu jamais seria feliz ao lado do irmão ingrato dele. Acordei ofegante e suando frio, andei tremula até meu banheiro e quando fui abrir a torneira esbarrei na saboneteira de vidro que se espatifou no chão, agachei para catar os cacos e acabei me cortando. Vi gotas de sangue caindo sobre o piso branco e minha mão ardeu e por alguns segundos esqueci o pesadelo e a culpa me concentrando na dor em minha mão. Logo a ardência passou e o corte parou de sangrar. Aquilo me dera uma ideia insana. Voltei ao meu quarto e ainda no escuro tateei a gaveta do criado mudo até achar um estilete velho que usava para apontar lápis. Fechei os olhos e comecei a fazer vários cortes pelo braço, ao invés de dor sentia prazer com aquilo, era como se eu estivesse viva de novo. Não sei em que momento perdi a consciência.

Acordei novamente num maldito quarto de hospital, mamãe sentada numa poltrona olhando pro nada através da janela. Fiz merda de novo! Agora minha mãe estava sofrendo mais ainda achando que a filha era uma suicida.

Fiquei calada todos os dias no hospital, não queria conversar com a maldita psicóloga. Deram-me alta, mas recomendaram que eu fosse vigiada por alguém. Receitaram remédios para depressão e pelo menos essas drogas me faziam dormir.

Eu não tinha tentado me matar, pelo menos não era essa a intensão. Continuei me cortando, mas com menos profundidade quando não estava sendo vigiada.

Uma noite quando Kat estava dormindo na cama auxiliar logo abaixo da minha, levantei na ponta do pé e fui até a cozinha, peguei uma faca e fiz alguns riscos nas costelas, mas fazer isso já não me ajudava em mais nada, já havia me acostumado com a dor física. Olhei em cima da arquibancada e encontrei alguns calmantes da minha mãe. Tomei 2 de uma vez e fiquei esperando fazer efeito. Senti-me sonolenta e voltei para o quarto dormindo a noite toda. Fiz isso todas as noites por um mês e mais uma vez parou de fazer efeito. Lembrei-me da adega no porão e esvaziei uma garrafa em menos de 10 minutos e novamente repeti isso por várias vezes. Certo dia bebi tanto que acabei caindo no banheiro , meu pai escutou o barulho e foi ver o que havia acontecido .Como meu banheiro era no quarto a porta estava destrancada, ele acabou me vendo naquele estado deplorável e mais uma vez fui parar no hospital.

Os médicos em comum acordo com meus pais me internaram numa clinica para viciados. Fiquei nesse lugar umas duas semanas, conversando com psicólogos tomando medicamentos para desintoxicação tanto dos calmantes quando da bebida.

Mas o que realmente me fez voltar a vida foi Kat.

Num domingo, dia de visitas ela chegou com os olhos cheios de lágrimas e me entregou um papel meio amassado.

-O que é isso?-o papel era o resultado de um exame de sangue onde estava escrito positivo-você tá grávida?

-Estou!-e começou a chorar novamente.

-O que vai fazer? Precisa contar para o pai, ele precisa assumir.

-É por isso que estou tão desesperada, o pai era o... Eric-essa ultima parte saiu num sussurro.

-O QUE?!-fiquei mais do que chocada-Nem sabia que você e o Eric estavam...

-Não estávamos. Foi na noite do acidente, bebemos demais e estávamos comemorando e acabou rolando. Nunca tinha pensado nele assim. Afinal ele era seu gêmeo e o via como irmão, mas acabamos transando no banco de trás do carro do Jason. -voltou a chorar novamente.

-E agora?-perguntei mais para mim mesma do que pra ela.

-Acho que vou abortar.

-NÃO! Você não pode fazer isso. É um pedacinho do Eric crescendo aí dentro.

-Mas eu não tenho nem 19 anos, como vou criar esse bebê sozinha? A minha mãe é mais maluca que eu.

-Você não vai cria-lo sozinha. -falei com uma calma que não sei de onde tirei-Vou fazer de tudo para que nada falte a essa criança e meus pais vão ficar muito felizes em saber que terão um neto.

Conversamos por mais um tempo e Katerine foi embora mais calma.

Passei a noite em claro, mas dessa vez estava feliz. Fiquei pensando na ironia de tudo isso: Eric se foi, mas acabou deixando uma parte dele que já me fazia voltar a ter esperança.

Passei mais alguns dias na clinica e devido a minha melhora visível tive alta.

Contamos juntas aos meus pais sobre o bebê e minha casa voltou a ter cor depois disso. Mamãe vivia saindo para comprar coisinhas para o bebê. E estava empolgada em montar um quartinho em casa pra ele.

No quarto mês de gestação da Kat ,descobrimos que era uma menina e a chamaríamos de Melinda ,nome da música preferida do Eric ,da banda Opeth .

Quando Mel nasceu, acabamos nos mudando para L.A prosseguiríamos com nossos planos de cursar faculdade, Kat de moda e eu de música.

Revezávamo-nos para cuidar do bebê. Eu estudava a noite e Kat de manhã. À tarde eu trabalhava na gravadora do tio Paul como estagiária e com o dinheiro mantinha nosso pequeno apartamento. Meus pais nos ajudavam bastante nessa questão financeira.

A pequena crescia forte e cada vez mais parecida com o pai, ou seja, comigo. Às vezes as pessoas não acreditavam que a mãe era a Kat e sim eu, devido a grande semelhança.

Jason também nos ajudava bastante, ele era o padrinho da Mel.

Não estávamos mais juntos, acabei por desistir dele. Após a morte de Tyler, Jason sucumbiu muito às vontades do pai e acabou desistindo dos seus sonhos. Cursou administração de empresas e estava ajudando o pai nos negócios da família. Não conseguia me imaginar sendo reprimida naquele mundo, seria como se me cortassem as asas. Apesar de tudo às vezes nos encontrávamos e acabávamos relembrando os velhos tempos sem nenhum compromisso. Nunca lhe dava falsas esperanças, deixando claro que nossas noites juntos seriam casuais.

Kat voltou para Seattle quando terminou a faculdade de moda e montou um ateliê que com o tempo foi crescendo e sua marca acabou se tornando famosa. Minha amiga merecia. E de um jeito meio torto as coisas estavam nos eixos novamente. Sofri um pouco quando a Mel foi embora, mas a visitava com bastante frequência para matar a saudade.

Nunca voltei a beber, nem socialmente, temia uma recaída. E não aguentaria passar por todo aquele tormento novamente e muito menos fazer com que meus pais sofressem.

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Notas finais
E aí o que acharam da história da Emy?