When Love And Death Embrace
1 Capítulo Único
Em um grande reino, isolado por uma densa floresta e algumas montanhas, um casal praticamente perfeito agradava a vista de muitos: ela, uma princesa tão bela que parecia um anjo, e ele, um cavaleiro que tinha tanta coragem que é capaz de enfrentar um exército inteiro, sozinho, para a segurança de todos do reino. A princesa, humilde como o rei, possuía os cabelos longos e negros como a noite e lábios da cor de uma rosa vermelha que acabara de florescer; os olhos eram claros como o céu azul de verão; sua pele era tão branca que, como diziam alguns camponeses, ela desaparecia em meio à neve; suas curvas, mesmo não sendo muitas, seduziam até o sacerdote da pequena capela local. O cavaleiro, forte como um touro, tinha o cabelo curto e castanho e os olhos cor de mel; a pele era bronzeada devido às longas horas debaixo do sol em suas viagens; usava uma armadura negra que o fazia desaparecer nas noites mais escuras e até no meio da floresta; também carregava uma longa espada em suas costas, que era usada para proteger a princesa e o rei.
Ambos viviam seus dias felizes juntos no jardim do castelo e suas noites dando voltas pela floresta montados num cavalo cinza, considerado o mais rápido de todo o reino. Nada podia terminar o amor entre os dois, nem mesmo uma ordem do rei contra tal sentimento... Pelo menos era o que todos pensavam... Um dia, o cavaleiro foi mandado para uma missão em um território muito mais longe de onde ele já foi. Quando disse para a princesa que iria ficar meses fora, a jovem ficou com os olhos cheios de lágrimas. Ela o abraçou com força, dizendo para não ir, dizendo que não agüentaria tanto tempo. Depois de dizer para ela não chorar, pois o lindo vestido negro que ela usava estragaria, o rapaz disse que não precisaria se preocupar, pois em breve estaria de volta... Também disse que se ela tentasse suicidar-se na ausência dele, iria até o mundo dos mortos atrás dela procurando satisfação. A princesa assentiu ainda lacrimosa e deu um beijo apaixonado no cavaleiro, que retribuiu com todo o amor que tinha.
A manhã seguinte era o primeiro dia de outono. Todos estavam agasalhados e se protegendo em suas casas, exceto o casal: a jovem olhava seu amado subir no cavalo cinzento e retribuir o olhar carinhoso da mesma. O rapaz deu um último beijo na princesa de cima de seu cavalo, repetiu que voltaria logo e partiu. Ela o olhou fixamente enquanto o mesmo passava pelos portões e desaparecia lentamente no horizonte... Mal sabia ele que aquela fora a última vez que teve a oportunidade de vê-la viva. Os dias começaram a passar cada vez mais lentos, aumentando a saudade e a ansiedade de ambos, tanto que o rei achou que a filha iria ficar doente por causa disso.
O inverno chega, trazendo consigo lembranças de quando a princesa conhecera o cavaleiro, lembranças tão perfeitas que pareciam se repetir todas as noites, quando ela sonhava. Na metade da estação, o cavaleiro retornou ao seu reino com a missão cumprida, porém não encontrou felicidade nos rostos de todos, mas principalmente... Não encontrou sua amada esperando-o.
O cavaleiro desceu do cavalo apressado e adentrou o castelo, ficando surpreso com a decoração do local: trajes e cortinas negros e velas dominavam o local, deixando o rapaz mais desesperado. Ao chegar ao quarto da amada, que estava rodeado de pessoas, se deparou com o rei chorando ao lado de um corpo jogado no chão: era o da princesa. Seus cabelos estavam largados no piso frio; seu vestido negro, o preferido dela, estava tingido de vermelho, assim como o chão, principalmente na região do estômago; seus olhos estavam totalmente sem vida; ela havia se suicidado, pois havia uma faca manchada de vermelho em sua mão esquerda. Ao invés de começar a chorar assim como o rei, o cavaleiro fechou o punho esquerdo, sacou sua espada e, num ato rápido, cravou-a em seu peito, caindo morto ao lado do corpo da jovem. Alguns tentaram impedi-lo, mas foi em vão, pois a ação foi inesperada.
Então ele foi para sua jornada eterna... O mundo dos mortos...
O local era sombrio, mas tinha uma iluminação azulada muito fraca vinda das almas que ali estavam. O cavaleiro olhou para seu peito e viu o buraco onde havia atravessado sua espada, comprovando sua morte logo após ter tocado na ferida. Ao erguer sua cabeça, ele começou a correr entre os mortos procurando a princesa. Quando a encontrou, ela estava na ponta de um penhasco virado para a escuridão do lugar. Ao vê-lo, correu até ele e o abraçou alegremente, mas ele não retribuiu desta vez...
O cavaleiro empurrou-a pra longe dele e olhou-a com raiva. Ela perguntou o porquê de tanta agressividade, começando a encher seus olhos de lágrimas, então ele perguntou o motivo do suicídio, como havia dito meses atrás.
“Disseram-me que você havia mudado seu amor, havia me esquecido... Disseram-me que dormia com várias mulheres em sua viajem, então não tive outra opção a não ser cometer suicídio, pois a morte era menos dolorosa do que perder você para outra e continuar viva.” Essas foram as palavras da princesa, já chorando de raiva, mas ao mesmo tempo de tristeza. O cavaleiro virou as costas para ela, cheio de raiva e decepção.
“Acreditas no que os outros dizem? Então o que sentias por mim era falso? Se eu tivesse outras mulheres eu não teria voltado da viagem, ou melhor... Se eu tivesse outras mulheres, não teria me suicidado para te reencontrar...”
Após tais palavras, o cavaleiro seguiu seu caminho através da escuridão do submundo, desaparecendo para todo o sempre... A princesa apenas olhou-o partir, tentando segui-lo, mas era tarde demais... Agora seu amado a odiava do fundo de seu coração...
No fim, ela teve que viver sozinha no submundo... No fim, ele se arrependeu de ter amado aquela princesa... No fim, ambos estavam envoltos em escuridão... No fim, é isso que acontece quando o amor e a morte se abraçam...
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