Notas iniciais
Olá! Bem vindx! Espero que goste da oneshot. É um pouco antiga e a encontrei enquanto mexia num HD. Até breve!

Nenhum som podia ser ouvido ou imaginado. Era um minuto de silêncio depois de horas de barulhos, explosões, gritos, tensão. E aquilo parecia ser o aviso de que sua hora de lutar havia chego, mas nem por isso virava-se de frente para a entrada de sua casa, mantendo-se no centro do salão principal.

Fixamente se mantinha preso em um pedaço de papel firme, o observando com nostalgia. Os sorrisos, o sol batendo em seus rostos e refletindo nos cabelos, os olhos, suas personalidades marcadas apenas na forma como olhavam para a situação naquele momento. Se conheciam há tanto tempo... Oh, sim. Naquele santuário eles se entendiam como ninguém e só assim conseguiam fazer daquele local um lar.

Peixes, Câncer e Capricórnio eram sozinhos, sempre foram desde pequenos.

Afrodite, o mais velho, nunca teve inocência. Nascera de forma indesejada, ninguém o queria, e o que ninguém quer não merece ter nome. Ser resgatado para se tornar cavaleiro foi sua salvação, aos 4 anos, evitando que virasse um mendigo ou, quem sabe, mais um corpo boiando em uma vala rasa qualquer; seus pais deram graças aos céus quando o garoto esquisito e "feito para o mal" sumiu. Seu amor por lutar se formou no mesmo momento onde percebeu que sua beleza apenas o ajudaria a vencer, não importando a situação. As pessoas eram imbecis, julgavam-no pelo rosto delicado dizendo que ele não podia ferir uma abelha. Ledo engano... Afrodite sempre fora belo como uma rosa, porém nocivo como espinhos. O santuário o negava, aqueles que não o odiavam, o invejavam.

Máscara da Morte vivia em pressão para ser perfeito em tudo. Nomeado como rei e tendo sobrenome de alto padrão, nasceu e foi criado para comandar e manipular pessoas. Em tenra idade já detinha nojo do ser humano por ver seus pais jogando de todas as formas para ter mais e mais dinheiro, mais e mais poder, passando por cima de quem fosse necessário para poder passar por cima de mais gente em busca de ir ao topo inexistente do mundo falho. Mas tampouco ser escolhido como cavaleiro foi uma notícia boa. Nascera de um adultério, o casamento de seus pais se tornou menos do que já era e então foi mandado para treinar sem nem receber um adeus. "Apenas um Adami pode comer na minha mesa", foi o que ouvira ao ser despejado com tão pouca idade e tão pouca fé.

Shura teve uma família feliz. Irmãos que o amavam, pais presentes. Seu pai fazia tudo por si, o filho do meio, e sua mãe o amava incondicionalmente. Eram uma família humilde, em uma pequena vila na Espanha, e viviam suas vidas de forma agradável e lenta, harmoniosa. Capricórnio sempre amou viajar, então seu pai o levava para a cidade vizinha em trabalho. O garoto era fascinado por espadas e ajudava o pai a vender o peixe que sua família pescava. Porém tudo caiu em desgraça ao que Shura regressou para casa doente, passando sua infecção para todos da família. Um por um caindo em doença misteriosamente enquanto não podiam buscar ajuda pela distância do socorro médico. Shura era o culpado de tudo aquilo e sabia disso. Com seus irmãos enterrados em covas fundas e seus pais desfalecendo, o guerreiro fora salvo pelo santuário, local pelo qual não podia dizer se sentia grato ou furioso pela ajuda ter tardado.

Ninguém nas 12 Casas aceitava qualquer um deles. Afrodite era marcado como arrogante e soberbo. Máscara da Morte como maníaco e inútil. Shura como extremista e frio. Nem um deles tinha lugar ali, exceto nas casas de Peixes, Capricórnio e, quem sabe, Câncer, quando esta estava aberta ou não cheirava forte demais pelas cabeças lá guardadas. Apenas os três eram capazes de segredar entre si suas vidas, seus medos, suas mágoas sem receio e sem exigir nada em troca. A amizade era mútua e sincera como nunca havia sido, suas esperanças no mundo se restaurando dia após dia com o apoio um do outro.

Ao que os cavaleiros de bronze pisaram no Santuário, os três amigos zelavam um pelo outro em segredo em suas casas. Máscara da Morte foi o primeiro a cair e nem Shura, o primeiro a saber, tampouco Afrodite puderam fazer algo. Logo Capricórnio também desaparecia dentre as estrelas, deixando o belíssimo guerreiro sozinho e desolado, segurando a foto dos três amigos contra o peito da armadura reluzente. Uma lágrima solitária escorrendo pelo rosto, sobre a pintinha que restava abaixo de seu olho, e o som metálico vindo da Escadaria de Peixes o fez virar para a entrada. A mão trêmula secou brevemente a lágrima solitária que descia pelo queixo, soltando a foto para que esta deslizasse ao chão.

Caminhando em direção ao cavaleiro que chegava, colocou uma rosa vermelha dentre os lábios, mantendo sua garganta fechada pela tristeza, por não poder velar seus amados amigos.

Dividido entre morrer e ir de encontro a eles ou vingar-lhes, Afrodite caminhava lentamente com sua rosa na boca em direção à morte.

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