When I close my eyes
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Esse capítulo é focado na Juvia. O próximo será no Gray.
Não importava onde ela estivesse ou que horas fossem, quando Juvia fechava os olhos, tudo o que ela via era ele. Gray Fullbuster — seu Gray. Enquanto Natsu arrumava briga com alguém e todos começavam de repente a gritar, quando não havia nada para fazer na guilda e ela se permitia sentar e beber um gole de chá, no meio de uma missão em que o menor deslize botaria tudo a perder ou à noite, quando ela deitava a cabeça no travesseiro, não importava, era sempre a mesma coisa. Sempre Gray.
Como num sonho, ela podia tocá-lo.
Mas então um dia ele a tocou — e ela soube que não estava mais sonhando.
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Foi depois da batalha contra a Tártaros, numa manhã de outono que mal havia despontado. Todos estavam dando duro para colocar a guilda de pé outra vez, mesmo cansados até quase o limite, e ainda faltava muito para que a Fairy Tail voltasse a ser o que era. Juvia não sabia se um dia ela poderia ser a mesma, mas tinha certeza de que ninguém estava pensando em desistir.
Mas era tão cedo... E, ao deixar o quarto, ela se perguntou por que tinha saído da cama quando todos ainda deviam estar dormindo. O sol ainda era apenas uma claridade que espiava lá fora e o silêncio a assustou. Enquanto descia para o salão comunal — a madeira do corrimão da escada estava gelada debaixo de sua mão —, ela sentiu como se não houvesse mais ninguém ali, como se de repente a tivessem deixado totalmente sozinha no mundo. Outra vez.
Juvia sentiu que o escuro se adensava às suas costas e teve medo. Medo de que nada pudesse mais ser consertado. Medo de que alguma coisa pior do que a Tártaros aparecesse e destruísse tudo o que ela tinha. Medo de perder aqueles que eram seus amigos. Medo de perder a si mesma naquele silêncio que poderia engoli-la para sempre. Medo de nunca mais poder estar com Gray — e ouvir sua voz e sentir seu cheiro e olhar em seus olhos e amá-lo como jamais amaria outra pessoa.
Ela tinha lágrimas nos olhos quando desceu correndo as escadas.
E soltou um grito quando esbarrou nele e os dois quase caíram juntos.
Mas ele a segurou.
—Juvia? O que você...
— Gray-sama...
— Você está... Chorando.
E ele não sabia o que fazer. Enquanto a segurava pelos ombros e via os lábios dela tremerem, Gray sentiu que o mundo se desmanchava como papel molhado. Não era a primeira vez que via uma mulher chorar — Lucy, Erza, Mirajane, todas haviam chorado alguma vez —, mas aquela era Juvia. E Gray não sabia lidar com as lágrimas daquela mulher.
Ele nunca saberia.
Então simplesmente a abraçou.
Juvia levou algum tempo para entender o que estava acontecendo — porque, bem, Gray nunca fizera nada nem sequer parecido com aquilo — e então amolecer como se seu corpo não lhe pertencesse mais. Ela sentiu o coração dele batendo dentro do peito gelado e pensou que daria tudo para continuar para sempre naquele abraço. Porque, naquele momento, o mundo se resumia a eles dois.
Juntos.
Ela fechou os olhos e lembrou-se
da primeira vez em que o viu, de como o olhar dele a atravessou e a derrotou, de como aquela nuvem que sempre a acompanhara tinha se dissipado, de como a chuva parara, da mania que ele tinha de andar por aí sem camisa, de seu sorriso convencido, do toque de sua mão sempre tão fria, de todas as vezes em que ele esteve por perto e das tantas outras em que ela sentiu o coração batendo rápido demais, de como eles combinavam — porque ela era a água e ele era o gelo —, do modo como ele caminhava com as mãos nos bolsos, de seu rosto sério, dos curativos que ela lhe fazia toda vez que ele voltava exausto dos treinos com Natsu, dos olhares evasivos que ele achava que ela não percebia, da força de sua voz, de ir dormir e acordar todos os dias com o nome dele na memória.
E abraçou-o de volta.
Ela não soube durante quanto tempo permaneceram ali, calados e imóveis, sozinhos no silêncio do dia que amanhecia, mas quando percebeu, seu rosto já não estava mais molhado e todo aquele medo tinha desaparecido. Agora tudo o que Juvia sentia era um amor tão grande que parecia não caber mais dentro de si.
Quando ela ergueu o rosto para vê-lo, havia algo nele. Um olhar de quem tinha entendido todas as coisas do mundo e tomado uma decisão. E antes que ela pudesse imaginar qualquer ideia a respeito, Gray a pegou pela mão e a levou escada acima.
E a olhou numa pergunta muda que não precisava ser dita.
— Sim. — ela respondeu baixinho.
E continuaram subindo.
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