When I Look At You
11 Decisão
Notas iniciais
— Bom dia Princesa! – Eu digo alisando o dorso do animal a minha frente. – Como estamos hoje?
A vaca faz um som e balança o focinho levemente. Eu sorrio.
— Hum, parece que estamos muito bem! – Eu comento e depois dou um longo suspiro. – Queria que a minha vida fosse tão simples assim também. – Eu digo para a vaca e faz outro som. Eu pego o meu banquinho e ordenho a vaca cantarolando uma de minhas canções.
— Pronto, Princesa. Muito obrigada! – Eu faço mais um carinho nela e saio da baia.
Eu vou caminhando animadamente pela trilha de pedras, do estábulo para o galinheiro, carregando o balde cheio de leite fresco. Os primeiros e fracos raios de sol começam a despontar para mais um lindo dia. Recolho os seis ovos habituais e caminho para minha casa, indo pelo fundo. Na cozinha, eu começo a ajeitar o café da manhã. Separo o leite em duas partes e reservo uma para fazer queijo enquanto fervo a outra. A água do café já está fervendo e eu o finalizo. O cheiro preenche o ambiente inteiro. O melhor cheiro do mundo.
Enxugo as mãos no avental amarrado na minha cintura e começo a arrumar a pequena mesa do quintal. Corto fatias de pão, ponho geléias e manteiga sobre a mesa, junto com o café fumegante e o leite quente. Algumas frutas e biscoitos.
— Pai, tá pronto! — Eu grito da cozinha enquanto retiro o avental. O relógio aponta 6h e eu retiro o meu avental, pendurando-o ao lado do fogão.
— Filhota, bom dia! — Charlie diz entrado na cozinha e respira fundo – Ah! Eu não sei o que seria de mim sem este café- Ele diz sorrindo e eu coro levemente. Eu já disse que adoro quando ele elogia o meu café?
— Obrigada pai. – Eu digo e nos sentamos à mesa.
— Bella, eu não aguento mais ficar sem meu queijo... este é tão sem graça! – Meu pai diz pegando um pedaço do minas frescal com uma careta.
— Nada feito, Charlie Swan. Sua saúde em primeiro lugar. – Eu digo e pego um pedaço do queijo. – E pare de reclamar que o queijo está uma delicia. Eu o fiz ontem e ainda coloquei um temperinho.
— Já não basta tirar meu bacon e meu queijo, ainda tenho que ouvir que isso aqui é bom! – Meu pai reclama e eu dou risada do quanto ele parece uma criança rabugenta.
Nosso café segue tranquilo. Faz 3 semanas que meu pais voltou para casa e tem se recuperado bem. Apesar de reclamar muito das mudanças na alimentação e no estilo de vida, ele tem feito tudo que peço. Acho que o infarto deu um baita susto nele mesmo.
— Fillha, vou na cidade com o Sam. Você quer alguma coisa? – Ele pergunta e eu penso um pouco.
— Eu pedi uma vitamina para os cavalos lá na clínica, já devem ter chegado, pode passar lá e pegar? – Eu digo e meu pai assente – No treino de ontem, senti o trovão meio cansado. Chloe também me parece abatida.
— Nem seus cavalos querem você competindo... – Meu pai diz irônico e eu suspiro. Não quero discutir logo no café da manhã.
— Só traga as vitaminas, por favor! – Eu digo e me levanto para começar a tirar a mesa, a medida que o final do verão se aproxima, o trabalho vai aumentando no sítio, então o dia será bem longo.
Enquanto lavo os pratos, meu pai se aproxima e coloca uma mão no meu ombro, afagando-o.
— Bella, podemos dar outro jeito filha. – ele diz e eu respiro fundo.
— Já tomei minha decisão, pai. – Eu digo séria e ele suspira.
— Está bem, nos vemos mais tarde. – Ele me dá um beijo e sai em seguida.
Termino a louça e faço o tempero do almoço. Deixo tudo meio pronto na geladeira e corro para os meus afazeres. As primeiras frutas estão começando a nascer no pomar e é preciso cuidar delas ainda mais para que os frutos amadureçam da melhor forma. Eu olho encantada para o pomar e sorrio. Nossa colheita será ainda melhor que a do ano passado.
Faço uma trança lateral e começo o meu trabalho no pomar. Tirando ervas daninhas, consertando cercas de proteção e podando folhas. Ouço um carro chegando ao longe, mas imagino ser meu pai e Sam, por isso continuo focada no meu trabalho e pensando em Edward.
As últimas semanas foram incríveis, nós temos estado cada vez mais apaixonados um pelo outro. Apesar de sermos muito diferentes, ao mesmo tempo somos muito parecidos. Somos extremamente teimosos e dedicados ao que fazemos. Edward é um médico apaixonado por sua profissão. Ele se dedica muito, sempre está fazendo cursos de atualizações e participando de congressos. Eu fico fascinada, principalmente porque se eu fosse para faculdade faria medicina também.
Nosso namoro, agora verdadeiro, chegou ao conhecimento de toda a cidade numa velocidade impressionante. Sempre que andávamos pelas ruas ou íamos para balada, tinha gente apontando ou cochichando. Com o tempo foram diminuído, a medida que outras fofocas foram surgindo, como o fato de James, o filho galinha do pastor, ter engravidado duas garotas da cidade, Jéssica e Victória. Detalhe, as duas são primas.
Com a diminuição das fofocas e a melhora significativa do meu pai, tivemos um pouco de paz para nos conhecer melhor. Edward e eu não nos desgrudamos quando os nossos trabalhos nos dão uma folga. Porém tenho estado apreensiva, pois ainda não contei a ele que vou participar do rodeio. Tenho medo que ele fique me peça para não ir e a gente acabe brigando por isso, assim como tenho brigado com papai.
Charlie e eu estamos discutindo sempre que o assunto vem à tona. Quem diria que ele, que antes me incentivava, agora me quer fora da raia. Ainda me recordo como foi no dia em que tive a ideia, no dia seguinte a ao jantar em que Edward anunciou nosso namoro.
Flashback on:
Enquanto eu e meu pai estamos tomando café da manhã, Embry e Sam chegam contando que a temporada de rodeios foi iniciada. Eles contam que a primeira classificatória está marcada para daqui a 6 semanas, no final do verão. Com toda essa agitação da saúde do meu pai eu tinha me esquecido disso. Eu pego minha xícara de café e tomo um gole. Então me vem um estalo.
— É isso, pai! Se eu ganhar o rodeio novamente e juntarmos o que conseguimos este ano e a remessa deste outono pagaremos a dívida toda no prazo. — Eu exclamo empolgada. Era isso que eu iria fazer! Nós íamos conseguir vencer dessa vez!
— De jeito nenhum! – Meu pai diz me fazendo murchar.
— Por que pai? É a solução dos nossos problemas. – Eu digo lhe mostrando o folheto que Embry havia trazido — O prêmio é ainda maior este ano, mesmo que eu fique em segundo lugar, já ajuda muito! Sei que estou fora de forma, mas se eu treinar pesado essas semanas...
— Não Bella! – Meu pai volta a dizer enfático – Eu não quero você se sacrificando de novo.
— Pai, não sacrifício algum – Eu digo suave, olho para Sam e Embry buscando apoio – Se eu posso fazer isso, porque não?
— Bella, eu quase morri a menos de uma semana! – Ele exclama – Eu vi nos seus olhos o desespero o medo em me perder. Eu não vou aguentar se algo te acontecer...
— Pai, eu vou conseguir, vai ficar tudo bem. – Eu digo e toco em sua mão.
— Bella, não. – Ele diz e me olha com carinho – Você agora tem Edward, quando eu me for, ele cuidará de você, mas se você... se algo... – Ele suspira – Eu nunca tinha entendido a gravidade disso tudo até quase ter morrido.
— Oh pai! – Eu digo
— Por favor, filha, não precisa fazer isso. Encontraremos outro jeito. – Fico comovida com suas palavras, mas preciso consertar toda a merda que eu causei.
— Não, pai, eu tenho que consertar isso. A culpa é minha. – Eu digo. Meu pai fecha a cara e se levanta.
— Você quem sabe. Vamos, rapazes, vamos trabalhar!
Flashback off
Desde então, toda vez que menciono meu treinamento ou algo relacionado ao rodeio, meu pai tenta me convencer a desistir. Por último, ele usou o golpe de misericórdia duas semanas depois de eu começar o meu treinamento, quando estávamos discutindo mais uma vez sobre isso no jantar.
Flashback on
— Pai, eu sou maior de idade, a decisão é minha! – eu digo frustrada. Meu pai suspira e respira fundo. Me culpo por estar estressando ele em sua recuperação.
— Eu nem acredito que Edward esta apoiando você nisso. – ele diz e me olha.
Eu fico em silêncio, pois ainda na conversei com Edward sobre isso, esta semana foi muito corrida para ele no hospital, muitas cirurgias. Eu bebo um gole do meu suco e meu pai ergue uma sobrancelha.
— Ele ainda não sabe? – Pergunta espantado.
— Eu ainda não tive tempo de contar para ele. Quando estamos juntos, o assunto acaba esquecido... – eu digo corando, não querendo contar ao meu pai que passo a maior parte do tempo com meu namorado grudada em sua boca.
— Bella, ele precisa saber...
— Eu vou contar, assim que tivermos um tempo de qualidade. – Eu digo.
— Você sabe que ele não vai aprovar isso né?
— Eu acho que vai. – Eu rebato – Mas mesmo que não apoie, minha decisão está tomada. – Eu digo, rezando por dentro para que eu seja forte assim realmente.
Flashback off
A verdade é que o medo de Edward não me apoiar é o que tem me feito adiar essa conversa. Se eu tiver os dois homens da minha vida indo contra a minha decisão, vai ficar muito difícil competir. Eu engulo em seco. Edward tem trazido sentimentos e sensações que eu nunca pensei em sentir com alguém. Eu estou feliz e plena ao seu lado, é como se tudo fizesse sentido quando estamos juntos por isso é doloroso pensar que minha decisão pode acabar com essa paz.
Porque quando eu estou nos braços dele eu estou nos braços da paz.
— Ei gatinha! – Sua voz me desperta de meus pensamentos com um leve susto. Eu me viro para encontrá-lo em sua gloriosa beleza. Ele está simples mente lindo naquelas roupas casuais. Jeans, botas, camiseta branca, camisa xadrez azul escura e seu lindo cabelo bagunçado para todos os lados. Para completar, ele trás seu violão pendurado no corpo e uma cesta em outra mão.
— Ei gato! – Eu digo e praticamente me jogo em seu colo.
O beijo tem gosto de menta e morangos. Começa suave e fica intenso, a medida que nossas mãos passam a participar ativamente do momento. Minha mão se infiltra pela sua camisa e depois pela sua camiseta, entrando em contato com sua pele firme e quente. Porra, Edward é quente em todos os sentidos! Ele me segura firme pela cintura e sei que ele está se controlando.
Desde os meus primeiros gatilhos com ele, Edward tem controlado muito os seus impulsos masculinos comigo. Apesar de, no começo, eu achar isso fofo e romântico, agora eu me sinto mal, pois percebo o seu desejo por mim e até mesmo eu tenho sendo mais afoita do que ele em nossas carícias. Eu dou um sorriso dentro do beijo, quando vejo uma de suas mãos descer para meu quadril e colar minha pelve na sua. Gemo abafado com o prazer que isso me proporciona junto com os beijos que Edward desce em minha mandíbula e pescoço. Eu arranho a pele de suas costas e solto outro gemido. Isso parece despertá-lo.
— Não pare! – Eu digo ofegante – Não ouse parar! – A ordem sai suplicante.
Ele volta a me beijar intenso e a sua outra mão se infiltra na abertura lateral do meu macacão pela minha cintura e se infiltra na minha camiseta. Eu arfo ao senti seu toque em mim de um jeito tão intimo. Sinto um formigamento na minha intimidade e uma umidade leve se espalha ali. Eu sorrio ao ver o quanto estamos avançando. Sinto Edward reduzir a intensidade de seus toques e do beijo.
— Uau! – Ele exclama – Isso tudo era saudade?! – Ele dá um sorriso torto.
— Sim! – Eu digo ainda meio ofegante, com as mãos ao redor de seu corpo.
— Eu também estava, gatinha. Por isso, assim que soube que não tinha mais nada agendado no hospital, vim correndo antecipar o feriado com você! – Ele diz e me dá um selinho.
— Eu amei a surpresa! – Eu digo sorridente. – E o que é isso tudo? – Digo, apontando as coisas aos nossos pés.
— Bom – Ele diz se afastando um pouco e coçando a cabeça encabulado – pensei em fazer um piquinique, tomar um banho no lago... namorarmos um pouco. – ele me enlaça pela cintura. – Minha rotina cheia de plantões e emergências tem atrapalhado um pouco os nossos encontros. Tenho que me redimir. Sabe, quero ser um bom namorado.
— você é um ótimo namorado. Eu entendo que é o seu trabalho, gatinho, e nunca cobrei por isso. – Eu digo roçando o meu nariz no dele – Mas adorei a ideia. Vamos colocá-la em prática agora. Só preciso avisar ao meu pai...
— Eu já avisei a ele – Ele diz com um sorriso – Ele disse algo como “acho mesmo que vocês precisam de um tempo para conversar algumas coisas” – Ele diz com o cenho franzido – o que isso significa?
— Ah... meu pai sabe que sinto sua falta, é por isso. – Eu desconverso – vamos então?
Ele para e me olha.
— Sabe, te ver cuidando do pomar me lembrou duma canção muito bonita que eu gosto.
— Sério? – Eu sorrio – Ah então cante para mim! – Eu peço.
Ele então pega o violão que trouxe e começa a dedilhar uma música que logo reconheci.
— Ah eu amo Jason Marz ! – Eu digo e ele segue tocando e cantando Wise Woman, numa versão ainda bonita, pois era direcionada a mim. Enquanto ele canta os versos sem tirar os olhos de mim, eu vou terminando meu trabalho no pomar. Sua voz rouca e envolvente faz com que Jason pareça um calouro cantando. Edward se apropria da canção e com certeza, esta é a minha versão favorita de Wise Woman agora.
n
Eu recolho todos os galhos secos que fui tirando de algumas arvores e faço um feixe, me balançando no ritmo que ele toca. O sol está alto, mas as arvores nos fornece uma boa e fresca sombra. O vento faz o cabelo já bagunçado de Edward ganhar vida própria, deixando-o ainda mais envolvente enquanto canta. Eu o admiro, pensando em como sou sortuda por tê-lo para mim.
'Cause she the wise, wise woman, woman, woman /Porque ela é a sábia, sábia mulher, mulher, mulher
She keeps my mind open, mind open /Ela mantém minha mente aberta, mente aberta
Yeah, she's a wise, wise woman, woman, woman /Sim, ela é uma mulher sábia, sábia, mulher, mulher
She keeps her heart open, heart open /Ela mantém seu coração aberto, coração aberto
Edward faz um sinal para que eu cante com ele os próximos versos e eu me aproximo dele. Eu acnto as nottas mais altas da base enquanto ele arrisca a segunda voz. Ele desliza um pouco na afinação, mas depois acerta. Ambos sorrimos um para o outro.
Yeah, she's a green garden goddess/ Sim, ela é uma deusa do jardim verde
A sage of ancient ways/ Um sábio de caminhos antigos
Cultivating patience/ Cultivando paciência
Earth has her own pace /Terra tem seu próprio ritmo
She's a real wise woman /Ela é uma mulher muito sábia
A midwife and a teacher /Uma parteira e uma professora
A high vibration healer /Um curador de alta vibração
Dealin' herbal remedies /Tratando de remédios de ervas
And I got real high on Love/ E eu fiquei muito chapado de amor
(Real high on love) (Muito alto no amor)
She got me real high on love /Ela me deixou muito chapado de amor
And I got so high/ E eu fiquei tão alto
I realized /eu percebi
Love is a gateway drug /O amor é um portal de drogas
And the gate's unlocked for us/ E o portão está destrancado para nós
Love is a wonder drug /O amor é uma droga maravilhosa
And it grows wild, wild, wild, wild /E cresce selvagem, selvagem, selvagem, selvagem
By the wise, wise woman, woman, woman /Pela sábia, sábia mulher, mulher, mulher
She keeps my mind open, mind open /Ela mantém minha mente aberta, mente aberta
Yeah, she's a wise, wise woman, woman, woman /Sim, ela é uma mulher sábia, sábia, mulher, mulher
She keeps her heart open, heart open/ Ela mantém seu coração aberto, coração aberto
She's a green garden goddess/ Ela é uma deusa do jardim verde
Daughter of the sun /Filha do sol
Sister to the moon /Irmã da lua
Mother to everyone /Mãe para todos
Yeah, she's a wise, wise woman, woman, woman/ Sim, ela é uma mulher sábia, sábia, mulher, mulher
Ele só dedilha a melodia e me beija lentamente. Quando beijo acaba, ele olha no fundo dos meus olhos. Ali eu me sinto segura e feliz. Não tenho porque temer, em seu olhar eu vejo que ele me apoiará.
— Edward, eu vou competir num rodeio em 3 semanas, para ajudar meu pai a pagar a dívida. – Eu solto tudo de uma vez, não podendo mais segurar isso.
Edward permanece me olhando profundamente, afaga meu rosto e beija meus lábios. Um simples selinho. Eu sorrio para o seu gesto e ele volta a olhar a minha alma com aqueles olhos verdes perfeitos.
— Estou com você Bella, até o fim do mundo. – Ele diz sério, mas sorrindo. – Serei o primeiro na fila esperando a minha campeã.
No segundo seguinte, estamos tão grudados um no outro que nem mesmo um furação poderia nos separar.
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