Notas iniciais
Muito nervosa ~risos~Eu juro que revisei muitas vezes esse prólogo. Porém tem sempre aquela letrinha maldita que fode com tudo. Se ela aparecer, perdoem-me.

Minha cabeça latejava e doía muito. Sabe quando está tendo uma obra no apartamento vizinho às sete horas da manhã e você na noite anterior se embebedou tanto que chegou em casa às quatro horas da madrugada? Você está cansada e parece apenas ter dormindo dois minutos. Seu corpo está mole, a garganta está seca e parece que alguém está na sua cabeça dançando macarena no ritmo das batidas do martelo. Não é assim?
Pois eu estava me sentindo desse jeito quando acordei no quarto dos meus pais. Flashes dos dias anteriores estavam fixos em minha mente.
— Al... — Felipe tocou em meus cabelos — Vamos tomar café-da-manhã?
— Não sinto fome. — fechei os olhos e duas lágrimas grossas escorreram para o travesseiro.
— Só um pouquinho. — insistiu.
— Foi eu! — sussurrei.
— Você o que? — sentou-se na cama.
— Eu que os matei. — Felipe meneou a cabeça negando. — Sim, foi eu. Eu roubei a atenção do nosso pai. Se eu permanecesse quieta, há essa hora nós já estaríamos em Fernando de Noronha. Foi tudo culpa minha.
— Não Al, não foi culpa sua. — sussurrou. — Não foi culpa de ninguém. Era para ser assim, Deus permitiu que fosse assim. — deixou algumas lágrimas caírem. — Eles estão em um bom lugar.
— Gostaria tanto de voltar no tempo. — chorei. — Ah, eu os amo tanto Felipe. Eu tenho medo de esquecer. Tenho medo de esquece-los. — o abracei.
— Nunca irá se esquecer deles! Há um pedacinho de cada um, aqui. — tocou em seu peito. — E aqui. — direcionou o dedo até o espaço entre meus seios. — Olha, eu vou descer e preparar um suco de hortelã com abacaxi. — beijou minha testa.


Eu não sabia lidar com a morte. Eu estava ciente que um dia todos a quem eu amava iriam morrer, mas nunca pensei que morte me visitaria tão cedo. Eu nunca pensei que ela chegaria uma forma tão dolorosa.
Em noites anteriores eu estivesse pensando em como seria minha morte. Desejava algo lento porém sem dor alguma. Meus olhos aos poucos iriam se fechando e depois eles não se abririam nunca mais. Seria em uma noite refrescante, todos – Marido, filhos, Felipe, esposa e filhos de Felipe, amigos –, estariam na sala assistindo o último capítulo da novela. Só então meu marido receberia uma telefonema de alguém desconhecido informando o incidente. Eu sei que todos ficariam tristes, mas cada um seguiria sua vida e eu estaria de algum lugar olhando e protegendo cada um.
E lá estava eu, pensando na morte, pensando neles e no meu mundo que acabara de desabar.

Meus pais – Anabet e Roger –, são donos de uma pequena empresa de design – Identidade visual –, moramos no Rio de Janeiro.
Felipe tinha acabado de ser aceito na faculdade de Arquitetura, eu tinha sido aprovada no cursinho de Assistente Administrativo. Concordamos em fazer uma viajem comemorativa.
Eu e minha família com malas prontas para nossas férias de junho. Fernando de Noronha espera por nós. E nós estamos ansiosos para vê-lo.
Estamos viajando por vinte e duas horas, mamãe cochila no banco do passageiro, Felipe conversa com Ana Luísa – piriguete particular por sms, eu estou comendo batatas fritas – eu passo a maior parte do tempo comendo –, e papai esta reclamando do cansaço. Não paramos para dormir, ele insistiu em seguir a viajem sem descanso.
No momento em que eu ofereço um pouco de batata para meu pai, ele apenas olha para trás e nega com a cabeça. Em uma fração de segundos, tudo acontece.
Minhas vistas embaçadas, porém eu consigo ver borrões que parece ser vários pés, ouço sirenes e alguém falando para as pessoas se afastarem.
— Mamãe? — em minha mente eu grito, grito muito forte. Mas apenas um sussurro escapa da minha boca.
— Tudo vai ficar bem Alice, tudo vai ficar bem. — papai me responde tranquilo.
— Senhor tudo bem? — alguém pergunta.
Mais que merda de pergunta é essa? Estamos sangrando, como estaríamos bem? — penso
— Sim. Primeiro eles dois. — papai vira a cabeça para o lado e sorrir.
Só então eu percebo que Felipe está desacordado e papai está com muito sangue no lado esquerdo do rosto. Felipe foi o primeiro a ser retirado do veículo, eu sinto um sono enorme, minhas pálpebras estão pesadas. Eu quero dormi, mas meu pai insiste em conversar comigo.
— Por que a mamãe não responde? — pergunto preocupada.
— Ela ainda está dormindo. — rir. — Sabe como sua mãe é preguiçosa não é? — dá uma piscadela com o olhar. — Tudo vai ficar bem.
Suas palavras chegam até mim e eu só consigo chorar, meu corpo doí muito, eu sinto algo furando minha perna direita, e um gosto de sangue quando eu abro a boca. Duas mãos cuidadosamente me puxam, eu vejo meu pai olhar para minha mãe e chorar, então tudo se escurece.

Acordei no dia seguinte com a Drª. Melina, me dando a notícia:

— Fizemos de tudo para salvá-los. — começou — Os sinais vitais estavam bem fracos, e com a ajuda de um helicóptero conseguimos transferi-los para um hospital mais qualificado. — olhou-me nos olhos — Porém, depois de duas paradas cardio-respiratória, eles não reagiram mais. Eu sinto muito querida, mas seus pais faleceram.

Notas finais
Thanran!!!!!!E então? O que acharam?