What is your fear?
7 Capítulo 7
Notas iniciais
–Isso é ridículo. Não tem como eu ser Elisabeth. Ela estava viva em 1976!
–Eu sei que não faz o menor sentido. – Jake passou a mão pelos cabelos. – mas não há outra explicação para isso!
Sentei-me na cama.
–Isso não pode estar acontecendo.
Minha cabeça estava girando. Fui até a janela e foquei no céu escuro. Era quase meia noite. Havia muito neblina lá fora, então não dava para ver muito além, mas uma luzinha ao longe chamou minha atenção. Aproximei-me ainda mais do vidro e apertei os olhos. Não era uma luzinha, eram várias.
–O que é aquilo? – perguntei a Jake que começava a se aproximar.
–Não sei. – ele começou a caminhar até a porta. – Vamos descobrir.
Do lado de fora da mansão, era possível escutar uma música tocando, mas, por causa da distância, era quase inaudível. Ao chegar mais perto, a música ficou mais alta e as luzinhas começaram a se movimentar.
–Um parque de diversões? – virei para Jake. – Acho que chegou a minha vez.
Comecei a tremer. Os brinquedos de parques de diversões era meu medo. Era minha vez de morrer.
–Se não formos aos brinquedos...
–Nós precisamos ir. – falei antes que ele terminasse a frase. – Eu posso não morrer agora, mas aposto que isso só adiaria minha morte.
Respirei fundo e voltei a andar, me aproximando cada vez mais da entrada do parque.
–Vamos.
Relutante, ele me seguiu.
A placa com o nome do lugar balançava a cada rajada de vento e as letras estavam quase completamente apagadas. Os brinquedos pareciam inteiramente enferrujados, dando a impressão de que, com um pouco de peso, desmoronariam.
–Então – Jake começou a olhar em volta. – onde devemos ir?
Ao terminar a frase, um brinquedo a nossa esquerda se iluminou por inteiro. As barras de proteção dos vagões se levantaram, como se nos chamassem para entrar.
–Respondida sua pergunta? – olhei para Jake e então caminhei até a plataforma. Ele se apresou em minha direção e foi até o vagão do meio. A tinta azul estava desbotada e a lateral, arranhada. Sentei-me ao seu lado.
As barras desceram novamente e o carrinho começou a andar, produzindo um barulho extremamente alto. Começamos a subir. Graças à neblina, não dava para ver até onde os trilhos iam.
Olhei para o lado e notei que Jake estava branco.
–Está tudo bem. – falei tentando parecer calma, mas era óbvio para nós dois que aquilo não estava nada bem.
Virei novamente para frente e, naquele mesmo instante, o carrinho chegou ao topo e começou a descer. Meu coração parou. Tentei gritar, mas não saiu som algum. A neblina havia ficado mais intensa. Já não dava mais para ver nada.
Senti uma pontada de dor no meu braço. Jake o apertava com força. Ele estava falando alguma coisa, mas eu não conseguia ouvir por causa do barulho do brinquedo. Então vi para o que ele estava apontando: seu cinto havia estourado e a barra de proteção do nosso vagão estava começando a se soltar.
O carrinho fez um looping e ficamos de cabeça para baixo. Jake segurou com toda a força na lateral do carrinho enquanto tentava manter a barra no lugar. Comecei a gritar. O vagão voltou à posição normal e Jake relaxou um pouco, mas então o carrinho fez outro looping, e nesse, Jake não conseguiu se segurar. Seu corpo voou para fora do carrinho e começou a cair em direção ao vazio.
Quando os vagões desaceleraram e pararam, desci rapidamente para a plataforma e me inclinei na borda, vomitando. Aquele não era meu medo de parques de diversões, era o medo de altura do Jake. Não dava para ver onde estava sem corpo, mas era impossível ele ter sobrevivido.
Senti lágrimas escorrendo pelo meu rosto e comecei a tremer novamente.
–Você está bem, Elisabeth?
Virei minha cabeça tão rapidamente que meu pescoço doeu. Kevin vinha em minha direção.
–Como? Eu vi seu corpo! Você estava morto!
–Não, querida, eu não estava morto. Eu estou morto. – ele falou chegando mais perto. – Mas eu não morri naquele dia. Morri há muito tempo, e foi você quem me matou.
–O quê? Não!
–Elisabeth...
–Esse não é meu nome! – gritei.
–Pode não ser agora, mas um dia já foi. – ele inclinou um pouco a cabeça e bufou. – Vou te contar uma história. Fique a vontade para sentar, caso queira.
Cruzei os braços e permaneci de pé.
–Tudo bem, então. – ele colocou as mãos nos bolsos e continuou. – Há muito tempo atrás, por volta de 1976, uma família vivia feliz em uma linda mansão. Os dois filhos, um menino e uma menina, sempre se deram muito bem apesar de serem praticamente o oposto um do outro. Mas o dia da coroação estava chegando e, por ser o filho mais velho dos reis, o menino seria coroado.
“A menina então começou a se tornar mais agressiva e revoltada, deixando claro que queria a coroa para si. A família ficava cada dia mais assustada com o que ela seria capaz de fazer para conseguir. Até que, poucos dias antes da coroação, a menina matou sua família inteira para poder se tornar a rainha.”
Kevin soltou uma risadinha.
–É claro que ela devia ter adivinhado que o povo nunca aceitaria uma rainha como essa, fazendo com que todos abandonassem a cidade. Ao perceber que a cidade havia se tornado inútil, ela também partiu.”
Fiquei encarando ele.
–Caso não tenha percebido. – ele falou. – O menino da história, Kevin, sou eu. E a menina, Elisabeth, é você.
–Isso é ridículo! Eu não estava viva em 1976.
–Claro que você estava! Não seja boba! – ele tirou as mãos dos bolsos. – Óbvio que você morreu e tudo mais. Mas então, voltou alguns anos depois. Ficamos esperando todos esses anos pela sua volta. Sabíamos que voltaria.
–Ficamos?
–Você se lembra de Donna, não se lembra?
Comecei a pensar.
–Não que eu acredite em tudo isso. – falei olhando para ele. – Mas caso isso seja verdade, você matou todos os meus amigos só para se vingar de mim.
–É, mais ou menos isso. Quando disse que sentia muito em relação a seus amigos, eu realmente sentia. Não é justo eles morrerem pelas coisas que você fez.
–Mas você estava comigo quando Luke morreu. Como você pode tê-lo matado?
–Ah, é que tive uma ajudinha.
Duas figuras começaram a se aproximar de Kevin, uma de cada lado. Uma um homem, a outra, uma mulher.
–Quem são vocês? – perguntei, recuando.
–Você não reconhece os próprios pais, Elisabeth? – perguntou a mulher.
Minha cabeça já estava doendo com tantas coisas. Eu só podia estar sonhando. Não havia como aquilo ser real.
–Esperamos muitos anos para podermos ter nossa vingança. – o homem falou. – Até que em fim chegou o dia em que podemos livrar o mundo de você para sempre.
Um sorriso malicioso formou-se em seus lábios. Fechei os olhos com força, mas os abri bem a tempo de ver uma faca vindo em minha direção.
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