What do I call you
1 único
Notas iniciais
Presentinho pra Gabi Alves ♥
A noite do baile em Hogwarts era a mais esperada por todos os alunos e Hermione não era exceção. Ela apenas desejava que pudesse ser tudo aquilo que as pessoas comentavam e que ela mesma já idealizava.
E no começo realmente foi tudo um sonho, exatamente como imaginava. Arriscava dizer que até melhor, com seu par iniciando a dança no meio do salão do baile, como um verdadeiro conto de fadas.
Mas depois…
Ah, ela estava tão furiosa! Era como se a magia do baile tivesse se dissipado completamente depois de pouco tempo que tinha se iniciado.
Hermione se sentia estressada. Estressada e bem irritada com os acontecimentos daquela noite, que realmente tinham tudo para serem inesquecíveis (afinal ela estava acompanhando o famoso Viktor Krum!), mas a chateação que tinha para com seus amigos — aquela chateação que começou há semanas quando escolhiam o par para o baile e Hermione conseguiu disfarçar bem até então — finalmente emergiu com toda força e contaminou todo o seu bom humor naquela noite.
Rony e Harry tinham ido para o dormitório (o que era bom, pois Hermione não queria vê-los tão cedo). E com toda essa discussão recente entre eles, ela tinha pedido a Krum para lhe deixar um pouco sozinha, não estava com clima nem para os encantos de seu par. No entanto, a ideia de ficar ali, abandonada no início da escada para o interior do castelo talvez não tenha sido muito inteligente, visto que Krum a tinha esquecido completamente, distraído conversando com seus amigos da Durmstrang e Hermione começava a se sentir incomodada demais por estar completamente solitária (e irritada).
Se ao menos Gina estivesse ali, ela poderia desabafar um pouco no ombro da amiga e quem sabe melhorar seu humor consideravelmente para tentar salvar o que restava de sua experiência no baile.
Mas apesar disso, também não estava disposta a se levantar e procurar pela Weasley. Não era porque sua noite estava um fiasco que deveria incomodar a noite da amiga com problemas pessoais — que por sinal envolviam o irmão dela.
Infelizmente isso significava que continuaria ali, sentada, sem forças para se levantar, e sem vontade nenhuma de voltar para o dormitório. Completamente sozinha e amargurada, apenas observando os outros casais ao longe dançando felizes no enorme salão decorado.
Deveria ter pelo menos levado um livro consigo, assim encontraria algum conforto na leitura e conseguiria afastar todos os problemas para um canto bem escuro de sua mente e de seu coração.
Malditos garotos que ainda se diziam seus amigos...
— Que bela visão, Granger! — Mas é claro que tudo poderia piorar, não é mesmo?
Hermione ergueu a cabeça, vendo Draco Malfoy, em seu terno fino e certamente caro, a encarando com um sorrisinho de lado, provocante.
Ela conteve um suspiro, sem a menor paciência para lidar com ele no momento.
— Eu não estou com humor para você hoje — falou, virando o rosto para não encará-lo, esperando que assim o bruxo se afastaria, mas claramente se enganou quando percebeu que ele sentava bem ao seu lado, esticando as longas pernas para frente.
— Ótimo, pois eu também não estou — ele respondeu, parecendo até mesmo distraído, algo raro vindo de Draco quando estava interagindo com qualquer aluno da grifinória — Você desse jeito é a companhia perfeita para encerrar de forma correta essa noite ridícula.
— Companhia, eu e você? O que está querendo fazer aqui conversando comigo? — aquela era a única coisa que Hermione tentava entender e não conseguia. Não fazia sentido ele ter se aproximado se não queria provocá-la ou algo do tipo.
Ele estava estranho, até mesmo para os seus parâmetros.
— Estou sozinho, você está sozinha — Draco deu de ombros — Se é para ser medíocre perto de alguém, que seja de alguém como você, que eu desprezo o suficiente para não me incomodar com seus comentários depois que tudo isso acabar.
Se fosse em qualquer outra ocasião Hermione retrucaria e se afastaria de imediato, sem querer perder tempo com alguém como ele. Mas naquela noite algo estava diferente.
Ele falava de uma forma um pouco mais lenta que o normal, como se não estivesse totalmente… sóbrio.
— Você… está bêbado? — Hermione perguntou em um tom de realização ao encarar Draco.
Agora sim tudo aquilo fazia mais sentido.
Ele revirou os olhos, como se fosse algo óbvio o tempo todo.
— Fascinante, parabéns pela grande dedução, Granger.
Ela não precisou perguntar quem foi o gênio brilhante por trás da ideia de batizar o ponche. Hermione conhecia o suficiente os gêmeos Weasley para saber que aquele tipo de coisa só poderia ter vindo deles.
(E mais tarde, ao vê-los sendo escoltados por Filch pelos corredores da escola, apenas serviu para confirmar sua suposição).
— E por me desprezar tanto, você quer a minha companhia em uma noite de baile? — ela tentou raciocinar com Draco, mas tudo o que ele fez foi dar de ombros e soltar um riso fraco.
Hermione suspirou, decidindo não falar mais nada, mas observando-o vez ou outra de canto de olho.
Draco parecia estar calmo e distraído, não muito interessado em manter uma conversa — embora Hermione duvidava que ele fosse capaz de dialogar com ela sem trocar algumas poucas e boas ofensas. Mas novamente, ele estava bêbado, então talvez a bruxa não devesse duvidar tanto assim, já que o simples ato de sentarem juntos em uma paz temporária já era algo que ia além do que poderia imaginar.
E assim eles ficaram sem ter exatamente uma noção das horas que se passavam, só sabiam quando uma música acabava e outra se iniciava no grande salão, conforme as pessoas dançavam de forma animada e até mesmo apaixonada.
Por incrível que pareça, Hermione passou a apreciar aquele silêncio, a apreciar aquela inusitada companhia.
Talvez não fosse a companhia ideal — certamente não era —, mas surpreendentemente era melhor do que nada. Melhor do que Rony e Harry, que sequer pareciam interessados no bem estar dela.
— Então você foi abandonada aqui? — Draco finalmente perguntou depois de um tempo, o seu tom de voz não tinha nada exatamente acusatório e sim uma curiosidade genuína, motivo pelo qual Hermione não foi ríspida de imediato.
Bem, pelo menos não tanto.
— Sim, por que? Está surpreso?
— Sim.
Hermione o olhou, dessa vez ela surpresa com a resposta.
— O que foi? — Draco exclamou, percebendo o olhar sobre ele — Eu nunca disse que você é feia, Granger!
— Disse sim, várias vezes — ela o respondeu, arqueando o cenho, como se dissesse “você se esqueceu, por acaso?”.
Mas Draco deu de ombros, não se deixando abalar.
— Hm, eu devo ter mentido então… — Ele não a encarava, mas as orelhas vermelhas indicavam como estava constrangido com o rumo daquela conversa. O teor de álcool em seu corpo não estava forte o suficiente para o deixar imune a isso, apenas o dava um pouquinho mais de coragem para dizer certas coisas.
E Hermione não sabia mais o que falar diante daquilo. Ela esperava que ele apenas a provocasse de volta de alguma forma, mas pelo visto o Draco daquela noite estava bastante imprevisível e surpreendentemente agradável.
— Você deveria beber mais vezes — foi tudo o que conseguiu dizer depois de um tempo em silêncio, o que fez o Malfoy dar um riso.
— É, bem, duvido que eu vá me lembrar ou sequer me importar com isso tudo amanhã.
— Uma pena, pois você consegue ser quase tolerável desse jeito, sem querer me ofender a cada segundo que estamos no mesmo ambiente.
— Eu não quero te ofender a cada segundo que estou perto de você — ele falou e depois completou — eu quero ofender o maldito Potter, você só fica no caminho às vezes.
— Certo, é claro — Hermione revirou os olhos, não exatamente irritada dessa vez, apenas pensando que aquilo era o esperado vindo de Draco Malfoy — E você, por que está aqui sozinho então? — devolveu a pergunta que foi feita anteriormente, igualmente curiosa também.
— Porque eu quero, é a decisão sábia quando se tem amigos idiotas.
Diante daquilo a bruxa não conseguiu encontrar argumentos para discordar e nem se via em posição de provocá-lo, afinal, estavam na mesma, não estavam?
— Bem, então parece que realmente somos a companhia perfeita um para o outro agora — nem ela acreditava no que estava falando, mas Draco riu com seu comentário, ainda sem encará-la.
Quando acordasse no dia seguinte, Hermione iria jurar que aquele fim de noite foi apenas um delírio de sua cabeça e que certamente deveria ter bebido muito ponche batizado para ter imaginado aquele tipo de interação pacífica e quase amigável com Draco Malfoy.
Mas naquele momento, ali sentada ao lado dele, ela se viu apreciando verdadeiramente sua companhia.
Fosse efeito do baile, do cansaço por se estressar tanto com seus amigos, por estar sozinha ou até por Draco estar bêbado… não importava.
Naquela noite importava apenas os dois, o silêncio reconfortante que era interrompido vez ou outra quando trocavam palavras afiadas, mas sem nenhum pingo de irritação ou provocação, apenas ambos aproveitando o estranho e único momento em que se encontravam.
— Só não espere que eu te chame para dançar ou coisa parecida.
— Bem, não espere que eu aceite se você resolver me chamar.
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