Todoroki Shouto é uma estrela em ascenção no cenário musical japonês.

Suas habilidades com diversos instrumentos e sua voz são constantemente elogiadas, mas nem de longe são o motivo que ele é mais conhecido. A primeira vista já se pode ver que não ele não é uma pessoa usual: seu cabelo é metade branco e metade vermelho, mantido com tanto primor que muitos se questionam se aquelas são as cores naturais de seus fios, e a pele ao redor de seu olho esquerdo é marcada com uma cicatriz avermelhada.

Em um segundo momento a estranheza vinha de sua personalidade. Todoroki é um jovem distante e calado. Sua tendência a ser sucinto e sempre ir direto ao ponto somada ao hábito não olhar os outros nos olhos e sua expressão constantemente ameaçadora fazem com que muitas pessoas o odeiem.

Além disso, sua vida também não foi usual. Sendo o filho mais novo do CEO da segunda maior empresa musical do país – Endeavor Records – ele foi criado para os palcos. Desde criança tinha aulas de dança e canto, aprendendo a tocar diversos instrumentos e a falar mais de uma língua. Ele era a grande promessa da empresa e Todoroki Enji falava com orgulho que estava criando o maior Idol que viveria. Como uma forma de compensar a própria carreira falha de idol que o mesmo teve quando mais novo.

Até que, aos 15 anos de idade, Shouto fugiu de casa e se juntou a uma banda punk em formação. Sua primeira aparição em um show de bar – um mês após sua fuga – rapidamente foi parar na internet e virou um escândalo.

A primeira vez que eu o encontrei foi na entrada dos fundos de uma boate. Estava procurando meu amigo quando me deparei com uma luta. Minha primeira reação foi separar os e, após algum tempo e esforço, consegui separar os dois. De um lado Todoroki e do outro o amigo que procurava, Bakugou Katsuki. Os dois sem fôlego e com machucados pela pele.

— Kacchan! O que tava fazendo?

— Já disse pra não me chamar assim, Deku — ele disse com irritação e se afastando de mim — Pergunta por bosta ali, foi ele que começou.

Com isso ele começou a andar em direção a rua, respondendo de forma ríspida para ser deixado em paz quando o chamei de novo.

Ouvi uma leve bufada e me virei, Todoroki limpava o sangue do nariz com a manga, ele parecia murmurar algo para si até que me viu parado ali.

— Tá fazendo o que aqui ainda?

— Ah! — eu disse com nervosismo — Eu… eu conheço você… Quer dizer, é claro que eu conheço você, quase todo mundo te conhece. O que eu quero dizer é que, bem… Sua música! Isso. Isso. Queria falar de sua música!

— Minha música? — ele perguntou com descrença — O que você teria para falar que eu já não ouvir antes? Que é muito agressivo? Perda de tempo? Gasto de habilidades?

— Ah, na verdade não — disse meio sem graça, passando a mão na nuca — Bem, quer dizer, um pouco talvez, mas não exatamente isso.

— O que então, vai me compara com meu pai? Dizer que sou igual a ele?

O ódio concentrado em sua voz quando disse aquela frase me pegou de surpresa, além do fato de ele estar falando abertamente de um assunto que sempre evitava.

— Você… tava bebendo

— Não importa, responda a pergunta.

— Eu… Não acho que você seja igual a ele. Você é você e ele é ele. Você não deveria seguir as expectativas de ninguém, não deveria seguir a expectativa de seu pai de ser tornar o Idol que ele não conseguiu ser e nem seguir as expectativas do público do quanto você deve ou não se parecer com seu pai. O talento é seu e deveria fazer o que quiser com isso. Se uma banda punk é o caminho que quer ir então que seja e não deixe pessoas falarem que é para causar ou te compararem com outras pessoas. Você que decide onde o seu futuro vai brilhar.

Percebendo que tinha falado demais eu me calo rapidamente e me viro para ele, seus olhos estavam arregalados e ele parecia sem palavras.

— Mas… bem… — eu comecei a dizer, tentando aliviar o clima — essa é só minha opinião mesmo.

Ele parecia que iria dizer algo após isso, mas fomos interrompidos por um membro de sua banda, o chamando para arrumar os instrumentos.

*-*-*

Depois daquele encontro fiquei remoendo minhas palavras por semanas. Me perguntava se deveria ter falado aqui, se falei da forma certa, se era meu lugar para falar aquelas coisas. Mas eu tinha que seguir. Então continuava indo aos meus ensaios e torcendo para que Todoroki não me odiasse.

Até que um dia, quando entrei na sala de treinamento, ouvi a voz dele:

— É você

Lá dentro estavam os outros dois membros de minha banda, Kacchan e Denki, o CEO da empresa Toshinori Yagi e Todoroki Shouto. Eles pareciam estar no meio de uma conversa. Me aproximei nervosamente e perguntei:

— O que ele faz aqui?

— Ele é o membro que faltava para nossa banda — Denki disse com um sorriso enorme — Vai ser o vocalista e guitarrista comigo.

Olhei para Todoroki incrédulo e ele apenas sorriu.

— Prazer em conhecê-lo — ele disse estendendo a mão — Formalmente dessa vez

— O prazer é todo meu Todoroki-kun.

Os ensaios logo começaram e fomos nos ajustando a tocar em grupo. O talento de Todoroki era impressionante, ele sempre pegava todas as músicas com facilidade e era o primeiro a decorar tudo. Eu tinha mais dificuldade, mas me esforçava para não deixá-los na mão.

Com nossa estreia se aproximando os ensaios começavam a ficar cada vez mais puxados, tendo dias que virávamos a noite na empresa ensaiando ou gravando.

Em uma desses dias, durante um intervalo, encontrei Todoroki no telhado do prédio, olhando para a cidade abaixo. Me aproximei dele e comecei a contemplar a vista também.

— Você é iniciante — ele disse, quebrando o silêncio — Não estou sendo rude… É só que você tem o jeito de alguém que não se acostumou com seu instrumento ainda, mas você aprende rápido.

Fiquei olhando para ele, incerto de como responder:

— Uhm… Obrigado, eu acho

Ele deu um pequeno sorriso e se virou para a cidade de novo

— Obrigado você — ele disse — Pelo que disse aquele dia. Em um primeiro momento eu pensei que alguém tinha que ser muito idiota para falar algo assim, mas depois de um tempo… começou a fazer sentido.

— É por isso que você tá aqui?

— É por isso que eu estou aqui.

Continuamos encarando a cidade em silêncio até o fim do horário de descanso. A aproximação dele ao ponto de estar quase encostando em mim só podia ser um fruto da minha imaginação.

*-*-*

Quando nossa estreia chegou tudo ficou caótico por alguns meses. Todoroki Shouto do nada aparecer em uma banda de Rock após dois anos tocando em bandas punks alternativas e ainda empregado pela empresa rival da de seu pai era uma notícia imensa. Todos queriam saber da situação, do porque essa banda e essa empresa.

E, como era de se esperar, Todoroki Enji explodiu.

O homem tomou aquilo como uma declaração de guerra e fez todo o possível para conseguir acabar com a banda e fazer Shouto voltar para a casa da família Todoroki.

Para o público e os paparazzi Todoroki Shouto não se deixou abalar com aquilo. Mantendo os horários intactos e tratando as menções a seu como se não fossem nada. Mas, após passar meses me aproximando dele aos poucos, os efeitos eram gritantes para mim.

Ele estava mais distante, recuava e estremecia toda vez que alguém o tocava inesperadamente, travava quando alguém gritava e saia do recinto toda vez que o nome de seu pai ou da empresa dele eram proferidos.

Eu tentava ajudá-lo o máximo que conseguia, mesmo que sentisse que nada surtia efeito. Nunca falava nada sobre Enji ou a empresa, tentava mantê-lo distraído e achar coisas divertidas para fazermos juntos, mas ele continuava distante.

Em um dos piores dias encontrei ele encolhido no chão do dormitório com os joelhos no peito e a cabeça abaixada. Eu me aproximo e me agacho de frente para ele

— Você tá bem?

— A resposta não é meio óbvia? — ele responde, voz abafada.

— Tem algo que que possa fazer?

Ele permanece em silêncio por alguns segundos e decido que isso deve significar um não. Começo a me levantar, mas ele segura minha manga.

— O que? — eu pergunto e ele fecha a mão ao redor do meu pulso — É pra mim ficar?

Uma leve apertada no meu pulso é minha resposta e eu me sento ao seu lado.

*-*-*

Depois que as coisas se acalmaram o silêncio confortável entre nós continuou, Todoroki se aproximando cada vez mais a cada dia que passava.

Ele me agradeceu pelas tentativas de o animar com um leve sorriso e se desculpou por não conseguir ser o mesmo tipo de amigo para mim com uma expressão séria. Como resposta disse que não queria que ele fosse o mesmo, mas sim que fosse ele mesmo.

Após nosso primeiro grande show fomos comemorar no prédio da empresa. Todos estavam animados e até Todoroki sorria abertamente. Assistíamos um filme na maior tela do prédio com lanches ao nosso redor quando sinto a mão de Todoroki em meu pulso, olho em sua direção e ele continua com os olhos grudados na tela, mas sua mão começa a descer e se fechar ao redor da minha de forma tímida. Encaro ele por mais alguns minutos e aperto sua mão o fazendo sorrir.

A partir desse dia sempre que estávamos sozinhos sua mão acabava na minha e um sorriso leve aparecia em seu rosto. Apesar de querer mais eu preferi deixá-lo definir o ritmo, já que sabia como contato físico era difícil para ele.

Nossa rotina continuou a mesma; ensaios, gravações, entrevistas, shows, etc.

Quando eu menos esperava ele me surpreendeu.

Eu estava estudando a nova partida, meus dedos doendo por causa das cordas do baixo, e ele entrou rápido pela porta.

— Izuku!

Mau tive tempo de olhar para cima e senti seus lábios nos meus. Foi apenas uma selinho e alguns segundos, simples e desajeitado, feito por alguém animado demais para se controlar direito, mas meu coração queria pular para fora do meu peito. Por causa disso demorei quase um minuto para notar que ele me mostrava algo no celular. Percebendo que estava demorando para ler ele disse:

— Melhor banda revelação — ele disse sorrindo — Nós fomos indicados a melhor banda revelação.

— Sério? — perguntei pegando o celular em minhas mãos e lendo a lista aberta na tela, e lá estava nossa banda, entre as cinco melhores revelações do ano.

Olho de novo para Shouto que irradiava animação – uma diferença muito grande da pessoa fechada e irritada que era a um ano atrás – e ele coloca as mãos em meu rosto.

— Você tinha razão — ele disse se aproximando para mais um beijo, mais gentil e demorado dessa vez — O futuro realmente brilha na direção que eu escolher.

Notas finais
Minina quando eu vi aquele Drarry e Zutara como opções eu quase entrei em crise pq não sabia como fazer nenhum dos dois, depois vi que tu tinha adicionado Kacchaco e Tododeku e a crise era só do o que escrever.

Espero que tenha gostado ;@;
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!