What about now

8 VIII - Passado


Notas iniciais
Oi gente, como vão vocês?! Bom, pra variar eu demorei um século para postar( me desculpemmmmm), mas espero que gostem desse capítulo. Eu particularmente gostei dele. Vamos lá, boa leitura ;)

Novembro

Ziva abriu os olhos e encarou o teto branco de seu novo apartamento. A primeira noite no imóvel fora tranquila. Virou-se na cama e olhou o quarto que apenas tinha a cama que ela estava deitada e uma cômoda. Teria muito trabalho para colocar cada coisa em seu devido lugar, ainda assim, teria muito tempo para isso.
Anthony saiu do banheiro com uma toalha em sua cintura e outra nas mãos. Ziva sorriu ao ver seu namorado ainda lá com ela.

— Bom dia, minha ninja. — ele disse a beijando suavemente.

— Bom dia, amor. — ele respondeu e sentou-se na cama. A brisa fria atingiu os braços nus da moça fazendo-a estremecer. — Que horas são? — ela perguntou ao perceber que Tony já colocava uma roupa para ir trabalhar

— Ainda está cedo, não se preocupe. — ele sorriu ao encará-lá. Estava com os cabelos bagunçados e o pequeno baby doll desarrumado. A barriga de quatro meses já apertava-lhe a maioria de suas roupas. Anthony a amava cada dia mais.

— Do que está rindo, Dinozzo? — perguntou fingindo irritação, fazendo-o sorrir ainda mais.

— De você — disse puxando-a ao seu encontro — Está cada dia mais linda — sussurrou baixo no ouvido da morena que sorriu e o beijou.
Tony levantou-a e colocou Ziva sentada sobre a cômoda que estava a alguns centímetros deles. Levantou-lhe a blusa e encarou a barriga de sua namorada acariciando-a.

— Está crescendo mais rápido que imaginei — a morena sussurrou enquanto acariciava os cabelos de Tony. Ele estava com o rosto colado na pele quente dela. Fazia aquilo quase todas as manhãs.

— Eu sei, logo vamos tê-lo aqui conosco.

Ziva observou o rosto do namorado. Estava pálido, manchas roxas começavam a se formar em volta dos olhos verdes deixando-a preocupada com o quadro que observara há alguns dias. Porém, não queria pressioná-lo. Sabia que quando ele sentisse-se confortável a diria. Acariciou a bochecha de Anthony que fechou os olhos sorrindo levemente.

— Vou tomar banho ta?!

— Sim — ele respondeu enquanto a descia da cômoda — Eu vou… — olhou em volta pensando mas virou-se para ela novamente — Vou fazer o café.

Ziva assentiu e caminhou na direção do banheiro acariciando sua barriga levemente. Pensar no café da manhã deixava ainda mais faminta. Riu sozinha de seus pensamentos, mal podia acreditar em como sua vida havia mudado.

Anthony olhou a rua pela janela da cozinha e suspirou. A neblina existente às 7 da manhã o fazia não querer ir trabalhar. Ele amava o NCIS, amava a família que lá havia encontrado. Entretanto, às vezes, em épocas do ano como aquela, pensava mais sobre perder as pessoas. Não ter aqueles que um dia eram parte integrante de sua vida e agora eram pó. Restara apenas lembranças. Estas por vezes fazia-o sorrir, por vezes fazia-o melancólico. Fatidicamente, naquele momento, sentia seu coração apertar-se pouco a pouco.

— Hmmm, que cheiro delicioso — sentiu os braços de sua morena envolvendo-lhe e sorriu. Mesmo quando ele sentia-se mal ela podia colocar-lhe um sorriso sincero nos lábios.

— Está com fome, pequena? — perguntou beijando a testa de Ziva.

— Bastantão — ela respondeu gargalhando

— Acho que meu pai virá no dia de ação de graças, tudo bem pra você? — Tony perguntou enquanto colocava o prato com panquecas sobre a mesa

— Claro que sim, amor! — ela sorriu e colocou um das panquecas em seu prato, despejando mel sobre ela — Estou com saudade dele.

— Hmm — murmurou Dinozzo torcendo o nariz

— Não faz assim, Tony. Parece até que seu pai é uma pessoa ruim — ela repreendeu-o

— Ele não é, mas nós dois juntos, você sabe… — disse ele batendo as pontas dos dedos indicando então, como Ziva já sabia, que eles não se davam bem

— Tudo bem, Tony. — ela disse e continuou a comer. Tony virou-se para começar a lavar a louça quando seu celular tocou. — Timmy — Ziva disse entregando ao namorado o aparelho. — Vou pegar as minhas coisas — beijou-lhe os lábios deixou a cozinha. Tony assentiu, viu Ziva colocar o prato na pia e afastar-se indo para o quarto. Atendeu o telefone, o mundo chamava.

****

— Que carinha é essa, Zi? -Abby perguntou a amiga que parecia meio dispersa.

— Nada demais, só estou preocupada com o Tony

— Porque? — parou o que estava fazendo e virou-se para Ziva, que fitava algo que parecia interessante do outro lado da janela.

— Ele anda estranho. Eu não sei realmente o porque. — ela suspirou resignada — Talvez até desconfie, ou realmente saiba, mas não quero pensar muito sobre isso. Nunca pensei, porém nós estamos juntos agora, e parece ser meio difícil não se incomodar com isso.

— É sobre.. Kate? — a cientista relutou dizer o nome. Entendia seu amigo, também sua amiga.

— É. Mas isso é idiota. Ela não está mais aqui, não é? — ela suspirou. Não queria ter sido rude — Eu sei que vocês a amavam, mas eu também sei que isso não me incomodava antes e incomoda agora.

— Tudo bem, Zi. É hora de conversar sobre Kate.

Abby suspirou e sentou-se ao lado da amiga. Doía falar sobre Kate. A moça sempre seria uma ferida não cicatrizada, que abria a cada ano de sua morte. Um pouco mais em uns, um pouco menos em outros. Com aquele, seriam oito.

— Quando Kate se juntou a nós, éramos apenas Gibbs, Tony, Ducky e eu. Ela era carismática e solidária. Todos a amaram logo de cara, e não teria como isso não acontecer. Gibbs cuidava dela como cuida de você, como filha. — Abby parou e sorriu fraco para a amiga israelense — Tinha a confiança do Ducky, e era, naquela época, minha melhor amiga.

— E ela e o Tony?

— Ela e o Tony eram ela e o Tony. — deu de ombros, mas continuou — Eles brigavam às vezes, como vocês brigam, e ele a irritava, como irrita a você..

— Pare de nos comparar, não somos iguais — Ziva disse um pouco amarga.

— Não é uma comparação, Zi. Você sabe que o Tony é daquele jeito com todos. Ele cuidava dela e ela dele, afinal, eles eram parceiros. Kate vivia implicando com Tony também, porque ela via nele algo que poucos viam: o quão bom ele é naquilo que faz. Queria apenas ajudá-lo sempre. Achávamos que eles namorariam um dia. Talvez Tony até tenha a amado, talvez ela o tenha amado...

— Abby, você não está ajudando!

— Você não entende, Zi. O que eu quero dizer é que sim, se nada ela não tivesse partido, talvez eles seriam vocês hoje, mas você também não estaria aqui. O que ele aparentava sentir por ela não é ao menos próximo do que ele sente por você. O que para ela era um "acho que ele a ama", para você sempre foi um olhar profundo, uma loucura, um "tenho certeza que ele a ama". Tony faria qualquer coisa por você, independente da situação. Porque vocês são feitos um para outro. O que falta nele tem em você e vice-versa. -respirou fundo para recuperar o ar que perdera do disparar a frase — Não se preocupe por Tony ficar abalado nos aniversários de morte dela, mas eu sei que na época ele achava que a amava, e ainda que ele não a ame, ele ainda acha que a amava, e sente muito por isso, sente muito por ela ter partido da forma que partiu.

— Eu o amo, Abby.

— Eu sei, Zi. E por amá-lo, é normal que você sinta-se incomodada, mas dê a ele o tempo dele, e ele mesmo o contará tudo que sente.

****

— Ficará bem se eu for para casa hoje, Zi? — Tony perguntou baixo, sem fitar Ziva que mesmo sonolenta prestara bem atenção nas palavras de seu namorado.

— Ficarei sim — forçou um pequeno sorriso, sabendo que ele observava sua reação periféricamente. — Nos vemos amanhã então — ela disse baixo já abrindo a porta do carro assim que ele parou em frente o pequeno prédio. Tony segurou-a pelo braço, fazendo-a ter que voltar.

— Esta tudo bem? — ele perguntou acariciando-lhe a bochecha — Você está estranha

— Só estou cansada, não se preocupe. — Tony a beijou nos lábios e depois na testa, deixando-a finalmente sair do automóvel. Esperou que ela entrasse para depois novamente dar partida no carro.

Alguns metros a frente arrependera-se de tê-la deixado só. Sabia que não estava agindo bem nos últimos dias. Porém, mesmo após anos não conseguia lidar bem com aquela data. Não conseguia acalmar-se com o aproximar da data. O dia em questão, trazia-lhe dor e escuridão. Lembrava-se a todo minuto dela falando sobre algo e no segundo seguinte estirada no chão, com um furo em sua testa, morta. Pensar em Kate era o pesar dos pesares. Parecia-lhe um infortúnio que ela tivesse deixado tudo tão cedo. Não por sua escolha. Porém, poderia ter sido qualquer um deles, mas não, fora a pequena e delicada Caitilin. Ele sentia falta dela, das brigas e das pazes, de ter a quem recorrer quando tudo parecia perdido. Tony a amava, simplesmente um amor puro e angelical. Ela era sua pequena Kate, a qual ele cuidava com todo carinho do mundo. Gostava de irrita-la, e por vezes até mesmo canta-la, mas tudo era apenas um jeito de ter sua atenção e sempre ver seu sorriso

Ao chegar em seu apartamento, jogou a mochila em um canto, guardou sua arma e seu distintivo e foi tomar banho. A exaustão estava prestes a lhe atingir. Levantou-se cedo no dia seguinte. Como fazia em todo aniversário de sua morte. Colocou uma roupa, e ainda sentindo a dor partir-lhe, partiu. Gostaria de poder, todos os anos, ir ao cemitério. No entanto, não lhe era privilégio poder ir a outro estado, precisava ainda trabalhar. Sua saída durante os anos, fora um grande memorial, que ainda que estivesse longe de Kate, era o mais próximo que poderia estar. No fundo de seu coração, sabia que sua estrelinha o perdoara por isso.

Ano após ano, Dinozzo fitava a foto dela envelhecendo junto a parede de concreto, e o nome ali gravado ficar cada vez mais marcado pelo tempo. Suspirava profundo, doloroso, pesado e tristemente. Ele desejara milhares de vezes que ela não tivesse partido. Queria chorar, e sabia que naquele momento poderia, afinal, quem o veria? Ela o veria. E ele tinha certeza de que se estivesse viva para vê-lo chorar, não o deixaria em paz por muitos e muitos meses.

— Esta diferente, Tony. — a voz conhecida preencheu-lhe os ouvidos.

— Ainda acho que sou o mesmo de sempre — ele respondeu arqueando a sobrancelha.

— O que está esperando para me contar o que está havendo? — Kate perguntou e sentou-se sobre um pedra qualquer que havia por ali.

— Lembra-se que te contei sobre Ziva?

— Sua parceira — ela disse dando de ombros — Ela parecia ser legal, o que ela te fez?

— Nós estamos namorando agora. Eu odeio dizer isso, mas você estava certa quando dizia que quando eu encontrasse a pessoa certa, não iria querer mais ninguém. — ele cerrou ou olhou vendo-a claramente sorrir. As lágrimas estavam acumuladas no canto de seus olhos.

— Vocês serão muito felizes juntos

— Como pode ter certeza? — ele indagou imediatamente

— Eu estou morta, Tony. Sei de coisas que você não sabe.

— Queria que não fosse assim. Você poderia estar aqui, poderia ser madrinha do meu filho. — Ele parou por um instante — Da pra imaginar o velho Anthony Dinozzo sendo pai? — ele perguntou com um sorriso no canto dos lábios. Adorava falar que seria pai.

— Não mesmo — ela riu

— Sinto sua falta, Kate. — ele sussurrou contra a foto de Todd, depositou um rosa branca bem ao lado e fechou os olhos — Tem noção de como o mundo é diferente sem tua luz, estrelinha?

— Você diz isso há oito anos

— Eu sinto isso há oito anos. Porque eu nunca vou aceitar que você se foi. Nenhum de nós nunca aceitaremos. Deixou a mim, ao Gibbs, a Abby, ao McGee… a todos.

— Não se preocupe, estarei ao seu lado novamente mais cedo que imagina. — a moça disse tocando-lhe o ombro — Tony, esqueça o passado. Guarde apenas as boas memórias. Seja feliz e faça a mulher que você ama feliz. Estarei sempre ao seu lado.
Ele piscou e viu aos poucos Kate ir embora com um sorriso doce no rosto. — Adeus, Kate.

— Adeus, Dinozzo. — ouviu levemente a voz em seu ouvido, mas não vira mais nada. Como o coração menos pesado do que quando chegara ele sorriu, desta vez verdadeiramente. Passou a mão sobre a foto e leu o nome novamente. Sentindo-se livre, virou-se para ir embora, e a alguns metros de distância observou a silhueta tão conhecida por ele. Sua ninja observava-o com a expressão serena. As mãos postas sobre a barriga, acariciando-a como um mantra quase que imperceptivelmente. Aproximou-se lentamente e a abraçou.

— Como me encontrou? — perguntou ainda abraçando-a

— Sou uma investigadora, Tony. — ela disse rapidamente

Ele sorriu e ela sorriu de volta. Levados pela brisa que começara a soprar arrastando as folhas secas no chão, foram embora. O dia mal começara, precisavam estar prontos para qualquer ocasião.

Notas finais
E então? O que acharam? Eu tinha prometido que a Kate apareceria em algum momento não é?! Pois então, aos amantes de nossa querida Agente Todd, ai está ela. Bom, é isso. Minha férias estão chegando, e assim, finalmente terei tempo para ser pontual com os capítulos. Mais uma vez, me desculpem. Até mais, beijooooos :**