What about now
1 I - Descontrole
Notas iniciais
Os barulhos fortes dos tiros tão próximos fizeram o coração de Anthony acelerar mais que o normal. Sabia que sua parceira estava em perigo, e tudo aquilo apenas por sua teimosia. Ele havia a dito milhões de vezes para ser menos impulsiva, mas não, ela tinha que deixá-lo com o coração na mão sempre que estavam em campo.Embora nada o faria desistir dela, ele se preocupava, muito. Era claro, e Tony já demostrara inúmeras vezes que faria tudo por ela, iria a qualquer que fosse o lugar para encontrá-la, buscá-la, protegê-la. Enfrentaria qualquer um no mundo se fosse preciso, apenas para cuidar de sua ninja.
Corriam entre os galhos da mata densa atrás de um suspeito. O caso que o envolvia já se tornara prioridade na lista de Gibbs e, consequentemente, na lista de seus agentes. O cara esperto, sequestrava, torturava, estuprava e matava cada uma de suas vítimas. Porém, assim como Ari, seu erro fora querer uma deles, a única que Anthony jamais deixaria que ele tocasse. Sua obsessão por Ziva deixava os agente a fios de pegá-lo, e como em um pulo de gato ele desaparecia novamente. A cada corpo, as novas tentativas tornavam-se frustradas. Encobrir rastros era a segunda especialidade dele, a primeira era enfurecer Gibbs. Finalmente, após meses de procura incessante, seu esconderijo fora descoberto. Os agentes partiram para Petersburg. A pequena cabana de madeira situada na área rural quase não chamava atenção. Anthony e Ziva foram os primeiros a chegar ao local, e sem esperar reforços entraram na casa. Ao longe, por uma janela Ziva viu John aproximar-se da casa e ao perceber que ele iria fugir, saiu a frente de Anthony, com arma em punho. Tony a perdera de vista em meio a mata.
Outro tiro se fez presente, e dessa vez o grito de Ziva o deixou ainda mais desesperado. Não poderia de maneira alguma tê-la perdido de vista.
— Ziva?? -Ele gritou o mais alto que pode, tentando ouvir algo mais que o levasse até ela.
— O que está acontecendo, Dinozzo? — Ouviu a voz já nervosa de Gibbs no fone que estava em seu ouvido esquerdo. — Acho que a Ziva se feriu, chefe. Mande uma ambulância para cá, estou tentando encontrá-la.
— Ache-a logo. Estou chamando a ambulância.Acabamos de chegar.
Correu quanto mais podia para encontrá-la. A Israelense estava deitada em meio aos galhos, sua respiração estava forte e descompassada, suas mãos cheias de sangue pressionavam o ferimento em sua barriga.
— Sua imbecil! Qual é o teu problema? Já não te disse milhões de vezes que não é pra sair correndo como uma maluca sozinha? — Ele perguntou ríspido, enquanto rasgava um pedaço da blusa da moça para amarrar o ferimento.. Sua voz demonstrava mais raiva que preocupação. Porém a ultima prevalecia. Em sua cabeça, tudo de ruim aconteceria: ele não a conseguiria tirar de lá, ela sangraria até morrer e ele a perderia. Suposições deixavam-no quase louco. Por isso na maioria das vezes preferia pensar menos. — Segure em meu pescoço. — Ele ordenou, e pela situação que se encontrava não poderia contestá-lo. Ela odiava ter que obedecer a algo que ele dizia. Qualquer um poderia afirmar que um de seus passatempos preferidos era irritá-lo, até porque o que ela mais gostava nele era sua cara de irritado. Parecia-lhe mais sexy. Mas a dor era quase insuportável, então ela o obedeceu. Não pensou que John poderia atirar nela, não pensou em ver Tony tão rude, não pensou em esperar a atitude de ninguém para acabar com tudo. Estava cansada de ver inocentes morrendo, e perder cada vez mais sua privacidade. Ansiava por sua antiga vida de volta, apenas isso.
— Eu quase o peguei, Tony, estava tão perto. Ai! — Ela choramingou quando ele a segurou, levantando-na. Ainda que já tivesse sido baleada, ninguém nunca estaria preparado para sentir dores tão lascinantes.
— Eu vou te tirar daqui, fica calma. Respire fundo.- Tony pediu.
Correu o mais rápido que pôde, tanto lembrar-se de como sairia dali. A pequena mulher em seus braços estava cada vez mais pálida e menos consciente. Quando finalmente chegou à cabana de madeira em que já estavam seu chefe e McGee, os paramédicos a tiraram de seus braços. Em um mundo paralelo onde mal podia ouvir as pessoas a sua volta, Tony via Ziva afastar-se cada vez mais. Sentia seu coração apertar-se, seu mundo desabar em frustração, por não ter a protegido, e medo de perdê-la. Depois de soltá-la teve noção da quantidade de sangue que havia em suas roupas.
— McGee, vá com Dinozzo até em casa para trocar de roupa e ligue para Abby, eu a espero no hospital.
— Sim chefe.
Gibbs entrou na ambulância com Ziva e os agentes partiram para o carro. Durante todo o longo trajeto Tony não fez uma sequer piada com seu amigo Geek, não reclamou das ordens de Gibbs, não ligou para Abby, não pronunciou uma sequer palavra. Estava absorto em seus próprios pensamentos enquanto fitava o infinito descontínuo à sua frente. Tim por sua vez segurava a direção do carro com força, mergulhado em seu próprio mundo de preocupação com sua amiga. Desejava de todo coração que ela estivesse com eles no carro mas ainda assim precisava ser racional. Conhecendo Tony como conhecia há anos, ele sabia o quanto o amigo estava abalado e precisava do silêncio para se recompor.Que não admitiria a ninguém sua preocupação.
Já em seu quarto Tony tirou a roupa repleta de sangue e foi tomar um banho enquanto McGee ligava para Abby. Procurava por outras peças no armário, seu cérebro martelava na cena de sua parceira sangrando e depois sendo levada pelos paramédicos. O peito apertado o fazia querer gritar. Já socara a parede do banheiro, e não lhe faltava vontade de socar algo que pudesse se quebrar. Estava desesperado. Precisava ver Ziva, vê-la bem, abraçá-la.
— Tony, está tudo bem? — Tim o chamou através da porta
— Sim, já estou indo.
— Ela vai ficar bem. — Escutou ainda Tim balbuciar antes de ouvir seus passos afastando-se da porta. Enfiou-se em uma roupa qualquer e deixou o quarto. Mais um minuto ali o mataria.
— Eu dirijo, novato. — Disse Anthony após dar um tapa na nuca de McGee.
— Qual é, Tony…
— Quem é o agente de campo sênior mesmo? — tentou parecer natural ao pronunciar aquelas frases que já tanto falara e continuaria a falar. Não pareceu tão boa ideia, quando suas brigas com Ziva por causa de suas atitudes costumeiras vieram à sua mente, engoliu seco e passou a mão no molho. Dirigiram-se para o automóvel em completo silêncio. Quase duas horas já haviam se passado desde que tudo aconteceu. O silêncio incomodava e castigava Anthony. O grito, o sangue, o olhar dela…
— Acha que ela vai ficar bem? — Tony perguntou baixo a Timothy que fitava
— Nós estamos falando da Ziva, Tony, é claro que vai! — Suspirou ao não vacilar em sua fala, também queria muito acreditar nisso.
****
— Gibbs, como ela está? — Abby perguntou ao chefe assim que chegou ao hospital.
— Acabou de sair da cirurgia. — ele suspirou
— A bala não atingiu nenhum órgão vital, ainda que ela tenha perdido muito sangue...
— Resumindo, ela está viva?!
— Claro que está. — ele a olhou desconfiado, ela deu de ombros
— Morte é o que se pensa quando te ligam e dizem que a Ziva levou um tiro.
— Você está calma demais, Abbs.
— Se eu for me desesperar quando cada um de vocês se machucam em uma investigação eu já posso trocar de emprego.
Ele beijou a testa dela e eles sorriram. O médico apareceu no minuto seguinte, dizendo que eles poderiam ir ver Ziva. Eles seguiram pelo extenso corredor. A moça dormia tranquilamente na cama, um aparelho monitorava seus sinais vitais e um soro grande estava ligado à sua veia. Estava um tanto pálida, talvez pela quantidade de sangue perdida. Abby se aproximou e acariciou os cabelos da amiga. Sabia que era uma guerreira e que logo sairia dali. Em algumas semanas estaria derrubando bandidos novamente.
— Ela vai demorar a acordar? — A cientista perguntou ao médico que estava a alguns passos dela
— Provavelmente só amanhã, mas ela ficará bem — Ele respondeu quase que adivinhando a próxima pergunta da moça, fazendo-a sorrir
— Todos estão preocupados, Zi.
— Precisam deixar o quarto agora. — O doutor pediu pacientemente
— Abs… — gibbs a chamou.
— Fique bem logo, é uma ordem. — Ela disse por ultimo, beijou a bochecha da amiga e deixou o quarto. Já de volta a recepção, Gibbs a entregou a bala que fora retirada de sua agente
— Descubra o máximo que puder. — Disse Gibbs
— Deixa comigo, Gibbs.Ninguém mexe com a amiga de uma cientista forense e sai por isso mesmo! — ela bateu continência fazendo o chefe sorrir.
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