What Would You Do
1 What Would You Do?
Notas iniciais
A vida nunca é fácil.
Todos temos problemas, independente de sua gravidade, de qualquer modo são problemas. E não havia ninguém com tantos problemas quanto Sam Evans.
Pelo menos era isso que Sam pensava, até se deparar com algum problema de verdade. Quinn Fabray. Seu nome já anunciava um problema: Bullying. Sam nunca havia conhecido alguma outra pessoa que escondia o verdadeiro nome por causa de apelidos maldosos, mas Quinn fez.
5 anos depois de sua formatura, Sam não havia visto Quinn desde então e não havia feito tanta diferença. Ouviu alguns boatos que diziam que a garota teria morrido de overdose e matara sua filha junto, mas não acreditava em nada disso.
Sam não se importava tanto com isso, já tinha problemas demais para se preocupar. Recém-separado da mãe de seu filho, o juiz lhe concedeu a guarda após encontrar drogas no organismo da mulher que foi internada numa reabilitação.
E a vida de Sam tornara-se uma verdadeira correria. Seu filho não parava de perguntar pela mãe, e Sam sempre tinha de fazer a coisa que mais odiava: Mentir. Mas era necessário, seu filho não podia crescer com o trauma de ter uma mãe drogada.
Mas naquela noite, Sam fora obrigado a ir numa festa com seus amigos. Não esperava que fosse calmo ou algo do tipo. Todos naquela festa eram jovens e com bem menos experiência de vida do que Sam. Só queriam aproveitar a vida apesar das responsabilidades de todos estarem surgindo.
Era sábado à noite e como numa festa maluca, havia pessoas se embebedando com licor, e o que Sam não esperava. Tinham strippers, “trabalho” um tanto desvalorizado por Sam que havia passado dessa fase porque havia decidido casar. Péssima decisão.
Mas em cima daquele palco improvisado imundo, Sam viu a loira de olhos cor de avelã. Quinn. Para Sam, continuava perfeita. Nunca negou para si mesmo que sempre fora apaixonado por ela mesmo depois dela ter um filho com Puck, um dos únicos garotos que sempre odiou e que nunca conseguiu se retratar.
Em um de seus movimentos vulgares no pole dance, Quinn avistou Sam e logo o reconheceu. Mas continuou lá até acabar aquela música que pareceu de repente tinha fica longa demais. Quinn acabou sentindo algo que nunca havia sentido enquanto dançava, vergonha. Não sabia se era porque o conhecia, mas não gostava desse sentimento. A fazia se sentir vulnerável, e para o tipo de pessoa que nem Quinn, isso é muito grave.
Quinn trocou de roupa e resolveu que já era hora de ir para casa. Tinha conseguido dinheiro o bastante para pagar o aluguel e talvez comprar algo para sua filha. Enquanto passava de novo pelo meio da multidão, recebendo cantadas e assobios, sentiu seu braço ser puxado. Tentou gritar mas era uma festa, ninguém ouviria. Só soltaram seu braço quando estavam fora na enorme casa. Era Sam.
-Por que você está dançando por dinheiro? Sabe, se passaram tantos anos, muita coisa mudou desde que nos vimos. – Quinn sentiu vontade de responder com uma grande ironia ou talvez um tapa na cara. Mas pensou “Por que não desabar só pra variar?”
Sentou-se num banco, sendo acompanhada pelo loiro e começou :
-O que você faria se sua filha estivesse em casa, chorando sozinha no chão do quarto porque está com fome? E que a única maneira de alimentá-la é dormir com qualquer homem que encontrar por pouco dinheiro?
-Mas e o Puck? Ele não é o pai dela?
-O “pai” foi embora. Agora vive saindo e entrando na prisão, eu não tenho emprego e ele deve estar fumando crack agora. Olha Sam, tudo isso aqui, pra você, é só uma diversão. Pra mim, é o que eu chamo de vida.
Sam se aborrecera, não tolerava que falassem desse jeito com ele. Ninguém sabia pelo que ele havia passado também.
-Sabia que você não é a única que teve um filho? Isso não é desculpa pra viver como uma louca sem noção.
Quinn nunca havia falado de sua vida pra ninguém, mas aquele era o Sam, e mesmo que ele tivesse um filho, não parecia nada com o que ela passou e ainda estava passando. Ela olhou nos olhos dele e disse :
-Todo dia eu acordo querendo morrer. E talvez a única razão de eu ainda não ter feito isso é pela minha filha. Eu sei que não sou a mãe perfeita nem nada disso, mas eu nunca a abandonaria.
-Ah, claro. Vamos começar a falar sobre mães? Nenhuma é perfeita, a do meu filho está agora numa clínica porque não agüentou a pressão do divórcio e se drogou e meus pais morreram num acidente de carro. Não fale pra mim que sabe algo sobre dor porque você não sabe.
-Eu sei. E como sei Sam. Eu sei sobre dor porque eu e minha irmã fugimos de casa para que nosso pai não nos estuprasse. Antes mesmo de ser adolescente eu tinha passado por mais merdas do que você pode imaginar.
-Pelo menos ele está vivo, pare de reclamar de barriga cheia.
-VIVO? Seus pais morreram, mas pelo menos você sabia que eles te amavam e que fariam tudo por você! Eu e minha irmã apanhávamos do meu pai e a nossa mãe ao invés de parar, o incentivava. Acha que isso é a vida que uma criança precisa? Você sempre teve tudo muito fácil.
-Isso é o que você pensa. Você não sabe nada sobre mim, eu poderia ter fugido que nem o Puck fez, poderia ter deixado meu filho e minha ex sozinhos, mas não. Eu era jovem demais pra isso e mesmo assim enfrentei.
-Exatamente. Você sempre foi bom demais pra todo mundo, mas parece que nunca pensa em si mesmo. Você é formado, rico e tem tudo o que quer. Eu não sei e nem nunca soube como é poder comprar coisas que eu quero.
-Você era a melhor aluna daquele colégio. Poderia ter sido o que quisesse, mas você optou pelo caminho mais fácil e esse é o problema, nada vem fácil na vida, se eu sou formado eu me esforcei e não me deixei levar por qualquer uma.
-Tem certeza? Pensei que tinha dito que ela é uma drogada.
-Qual é o seu problema? Você sempre fica na defensiva, sai dessa vida, já pensou em pedir ajuda? Ou é fácil demais agir como uma vadia?
Aquela foi a gota d’água. Por mais que tenha sido um ato resultado de um impulso, Quinn não se arrependeu de ter dado um belo tapa no rosto do loiro deixando uma marca vermelha. Sentiu sua mão arder mas ignorou, por ora.
-Eu nunca falo sobre isso, eu não te vejo faz anos e quando eu resolvo me abrir com você eu sou julgada por um cara que não conseguiu controlar a própria esposa?
-Não se atreva...
-Me atrevo, se eu estou nessa vida é porque não tenho escolha e você não é ninguém pra me dizer o que é certo ou o que é errado.
-Nós sempre temos escolhas e é isso que forma nosso futuro. Eu não vou falar sobre você ter fugido de casa ou sobre seus pais porque você era uma criança e não sabia o que fazia. Mas você precisa pensar na sua filha. Você sabe, você mesmo fala que isso não é vida pra uma criança, você costumava ser a única pessoa por quem eu colocaria minha mão no fogo mas parece eu estava errado.
-Estava. Estava errado sobre tudo, todos vocês estavam. Eu nunca contei a verdade porque eu seria julgada de todas as formas possíveis, na pior das hipóteses vocês sentiriam pena de mim. Sabe de uma coisa? A melhor coisa que alguém fez até hoje pra mim é o que você está fazendo agora.
-Não. Tentando abrir meus olhos, ninguém nunca tentou fazer isso por mim e eu admiro isso. Mas não é tão fácil, se você acha que o futuro é feito de escolhas, então é isso, meu futuro vai ser uma merda. Mas eu não quero ajuda, isso é “o que eu escolhi” então é melhor eu me ferrar sozinha do que levar alguém comigo.
-Ta se referindo à mim?
-Sim... Você não merecia meu passado, eu te amava. Você era perfeito demais pra conviver com meus erros, sua vida era perfeita demais pra ter espaço pra alguém como eu.
-Por que ficou com Puck, então?
-Ele também é problemático. Achei que pior do que estava não podia ficar. Mas eu acho que estava enganada.
-Acha?
-Eu não gostava tanto do Puck, eu só via ele como minha versão masculina e achei que ele poderia ser meu par ideal mesmo sem gostar dele. E eu juro que não entendi o porque da surpresa de todo mundo quando nós começamos a namorar.
-Quinn, você é tudo menos burra, apesar de que às vezes aparenta, e naquele colégio você era toda perfeitinha, tirava boas notas, era líder de torcida e praticamente comandava o colégio. Então é claro que todos iam pensar que o Puck estava te chantageando para namorar com ele.
-Quê?
-Esquece o que eu falei.
-Não. Me fala.
-As pessoas pensavam que o Puck estava te chantageando com alguma coisa pra poder te namorar, sabe, o Puck podia ser um pegador mas era um completo inútil. Não parecia um cara por quem você se apaixonaria.
-Na verdade ele ainda é um completo inútil. E eu sei que o colégio inteiro ficou confuso por causa do nosso término.
-Normalmente quando um casal termina, os dois sabem o motivo. Não foi isso que aconteceu, não é verdade? A princesinha do colégio com o valentão briguento. Pensavam até que você tinha ficado grávida. Você já estava?
-Naquela época ainda não.
-Faz quanto tempo que terminou com ele?
-Depois da 4ª prisão dele em 2 meses. Eu fugi com minha filha, fui pra New Orleans com o dinheiro que tinha me restado, mas ele me procurou.
-Ele fez alguma coisa com vocês?
-Tentou matar a Beth. Mas os vizinhos ouviram e ligaram para a polícia. Mas não foi tão fácil assim pra ele.
-Por que? Ele pegou perpétua ou algo do tipo?
-Não, ele deve ter pego uns 5 anos. Mas não foi isso. Um pouco antes dos policiais chegarem, alguns amigos meus chegaram para segurar o Puck e digamos que ele não saiu muito bonito de lá.
-Você tem amigos bem... Como eu vou dizer...
-Agressivos?
-Mais ou menos. Não sentiu pena dele naquela hora?
-Não. Na verdade eu estava mais preocupada em manter minha filha longe daquele marginal.
-Mas os seus amigos também são... certo?
-Talvez. Mas nem todos, eu cresci na rua e isso foi bom pra mim. Eu fiz amizades importantes, pessoas que conhecem outras pessoas. Proteção em lugares perigos é questão de Q.I.
-Você precisa ser inteligente pra conseguir segurança?
-Não seu bobo. Quer dizer, mais ou menos. Não se pode sobreviver sendo um babaca que não sabe se defender. Mas na verdade quando eu falo “Q.I.” estou falando de “Quem Indica”.
-Essa foi a analogia mais louca que eu já ouvi.
-Eu sei, mas é verdade. Você precisa ficar cego, surdo e mudo pra poder viver com traficantes e bandidos.
-Mudando de assunto, vamos falar sério de verdade agora.Você quer sair dessa vida?
-Eu não posso, Sam. Isso já faz parte de mim, não posso me afastar da realidade.
-Quer saber? – Sam se levantou do banco e se virou para a garota, já irritado. – Levante e pare de dar desculpas esfarrapadas quando você tem a oportunidade de mudar a sua vida e a vida da sua filha pra mil vezes melhor do que está agora.
-Oportunidade? Que oportunidade? Eu sou, como você disse, uma vadia. O que pode se esperar de garotas como eu, certo?
-Não. Eu to tentando te falar que você não precisa e não está sozinha nessa. Eu te ajudo, eu sei que faria o mesmo por mim.
-Como sabe?
-Porque eu sei que você, no fundo, é aquela garota doce que eu conheci, a garota que eu amava. Você só precisa parar pra enxergar tudo isso.
-Viu porque eu terminei com você? Você é bom demais pra mim, Sam.
-Olha, pra mim seria uma honra dar uma irmã pro meu filho. Seria uma honra ter você pra cuidar deles. Seria uma honra ficar com uma mulher que sabe que a vida não é só sapatos, viagens e dinheiro. E eu sei que pode parecer maluquice eu falar isso pra você sendo que estamos conversando não faz nem uma hora, mas eu te amo e você já sabe que pra mim o mundo gira em torno de escolhas.
-Então seria uma péssima escolha você ficar com uma mulher que não tem dinheiro nem pra dar comida para a filha.
-Nós já falamos sobre isso. E eu concordo que seria uma péssima escolha, mas eu não desperdiçar a MINHA chance. A MINHA oportunidade de fazer tudo certo dessa vez. Eu errei em não te enfrentar, eu errei em não insistir, eu errei em não seguir meu coração e agora eu me arrependo disso.
-Quer me ajudar de verdade? Me tire dessa cidade e me arranje um emprego. Já que insiste, talvez eu deva aceitar. Eu posso até voltar com você, posso tentar fazer minha filha gostar de você e...
-Não se preocupe que disso eu me encarrego, não vai ser tão difícil.
-Eu estou falando de uma garotinha de 3 anos que foi traumatizada pelo pai.
-Eu não sou o Puck, ela vai me amar. Todos amam.
-Agora eu lembro porque me irritava com você.
-Se acostume, passaremos muito tempo juntos.
-Tudo bem, mas eu não aceito como presente ou algo do tipo. Precisa ser um investimento, eu te devolvo o dinheiro de qualquer coisa que eu precisar assim que eu puder.
-Fechado. Mas, que fique claro, eu não pretendo ser só seu amigo.
-Por partes. Eu saí pra trabalhar e vou voltar pra casa com uma aliança de noivado no dedo? Vai com calma.
-Desculpe. Olha, eu não sei mesmo o que eu faria se eu estivesse passando por tudo isso. Mas eu sei o que eu vou fazer pra te tirar dessa loucura. Confia em mim?
-Eu tenho escolha?
-Já sabe a resposta.
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