What They Do To Guys Like Us In Prison.
4 Goodbye Freedom.
Notas iniciais
“Gabba gabba we accept you we accept you one of us. Gabba gabba we accept you we accept you one of us.” Acordei com meu celular despertando. A música que eu usava como despertador era “Pinhead” dos Ramones. Parei o despertador e me levantei da cama. Precisava de muita disposição para encarar um dia daqueles. Tomei meu banho, dessa vez não esqueci de pegar a toalha. Me troquei rápido e fui fazer meu café. Meu celular tocou, corri da cozinha até o quarto, cheguei a tempo de atender, era Ray:
-Frank? – Falou, com sua voz extremamente fina.
-Fala Ray, algum problema? – Perguntei, preocupado.
-Não, até que não, é que, eu tive um pequeno imprevisto, vou chegar um pouco atrasado, por volta das 8:20. Desculpa cara.
-Não foi nada, brigada por avisar.
-Tudo bem então, até lá. – Falou, desligando o telefone.
Tomei meu café, arrumei minha cama, peguei meu remédio e saí. Ônibus outra vez, vamos para o ponto. Esperei o ônibus chegar, dei sinal e embarquei. Paguei o cobrador e me sentei, dessa vez o ônibus não estava lotado, ainda bem.
Como da outra vez, não demoramos de chegar, desci. Andei um pouco, cheguei até a porta da delegacia, respirei fundo e entrei. Um policial gordo segurando um copo de café disse:
-Pois não?
-Frank Iero, meu depoimento vai ser às 8:00. – Falei.
-Ainda são 7:45, pode se sentar e aguardar aqui mesmo senhor Iero.
-Tudo bem, obrigado. – Agradeci, me sentando.
Antes de dar as 8:00 horas, eu tinha que tomar meu remédio, agora eram exatamente 7:54. Fucei os bolsos e peguei a cartela de remédios, levantei e peguei também um copo d’água. Engoli o comprimido bebendo um pouco d’água depois. Sentei na cadeira, esperando, quando me dei conta de que estava destruindo o copinho descartável que estava em minha mão por completo, como fazia quando era criança, rasgando pedacinho por pedacinho. De repente, Tavares saiu de sua sala, e chamou:
-Iero, pode vir, sua vez meu rapaz.
Entremos na sala, ele fez um gesto, me convidando a sentar, sentei.
-Vamos direto ao ponto. – Falou.
-Meu advogado não chegou ainda. – Eu disse.
-Tudo bem, mas enquanto isso eu deixo você sabendo da situação.
-Tá bem. – Concordei.
-Então, a mãe do Will, disse ter certeza que foi você.
-Novidade. – Resmunguei.
-Interrogamos ontem o dia todo seus vizinhos, um vizinho, no qual eu não posso citar o nome, disse algo bem...
- O que ele disse? Ele ou ela. – Perguntei, curioso.
-Falou que viu você chegando em casa por volta da 00:00 da manhã.
-Eu não saí, quem chegou foi Ge... Quem chegou foi o cara que tava comigo.
-Mas como ele tecnicamente não pode estar com você, quem chegou foi você.
- Que droga! – Reclamei.
-Ou seja, você chegou à 00:00 em casa, o que significa que você saiu. Saindo, pode ter matado Will, os horários batem.
-Isso... Tá tudo se encaixando contra mim. Outra vez não. – Falei, esfregando o rosto.
-Confirma que está sem álibi ainda? – Perguntou, franzindo o cenho.
-Eu... – Respirei fundo. – Confirmo.
Alguém bateu na porta, Tavares permitiu a entrada:
-Pode entrar.
-Doutor Tavares, o senhor Raymond Toro diz ser advogado do senhor Iero e pediu para ser anunciado. – Disse o gordo que me recepcionou antes.
-Diga que ele pode entrar. – Respondeu Tavares.
Eu tinha que explicar que Ray não sabia de Gerard e nem podia saber:
-Meu advogado não sabe do cara que estava comigo, nem pode saber. – Falei.
-Tudo bem. – Assentiu.
Ray pediu licença e entrou na sala:
-Com licença delegado.
-Pode entrar. – Respondeu.
-Tudo certo por aqui Frank? – Ray perguntou.
-Tudo, estávamos só te esperando. – Falei.
-Perdão pelo atraso senhores, eu tive um imprevisto como havia avisado. – Se desculpou, formal.
-Sem problemas doutor Toro. Sente-se. – Falou Tavares.
-Qual é a situação atual do meu cliente? – Perguntou, depois de ter se sentado, colocando a pasta de couro sobre a mesa.
-Ele é suspeito da morte do senhor Will Simons, e acusado pela mãe do mesmo. – Tavares respondeu.
-Provas? As testemunhas que foram ouvidas disseram algo sobre ele? Já foram interrogadas? – Perguntou, arrumando a gravata vermelha que contrastava com o terno e a camisa preta.
-Sim, um vizinho quando interrogado disse que viu o senhor Iero entrar em casa, voltando da rua por volta de meia-noite. O que pode ajudar a incriminá-lo.
-Algo mais concreto? – Perguntou Ray.
-A mãe da vítima diz ter absoluta certeza que ele é o culpado. – Falou.
-Encima do que ela diz isso? Tem provas ou é apenas intuição materna?
-Ela acusa Iero por diversos motivos, disse que o filho o “denunciou” da outra vez, por ser o causador da morte de Bob Bryar, disse que Iero matar o filho era a eliminação de um grande problema. O que realmente tem bastante nexo.
-Algo mais? – Ray perguntou, anotando tudo em uma agenda.
-O senhor Iero não tem álibi, diz estar sozinho em casa, não ter saído para lugar nenhum, contradizendo a palavra do vizinho, que diz ter visto voltando para casa. – Tavares explicou.
-Frank, você saiu de casa? – Ray me encarou.
-Hã... Sim, eu saí. – Falei, pensando em uma desculpa.
-Por que não disse isso antes para o delegado?
-Eu esqueci. – Tentei enganá-lo.
-Hmmm. E para onde você foi? – Perguntou.
-Eu tinha saído mais cedo, fui no cemitério. – Inventei.
-Cemitério? Em plena meia-noite? – Perguntou Tavares.
-Eu gosto bastante dessas coisas, sou bem ligado na cultura gótica. Fascinado por essas coisas, cultura, arquitetura. Admiro bastante.
-Estava no cemitério então Frank? – Ray perguntou, anotando tudo.
-Sim, eu saí por volta das 21:00 horas, quando escureceu.
-Você tem hábitos bastante interessantes Iero. – Disse Tavares.
-Qual o nome do cemitério? – Ray analisava cada fato, minuciosamente.
-Bella Muerte. Cemitério Bela Muerte. – Falei.
-Conheço. Fica bem próximo à sua casa. – Ray disse.
-Esse cemitério fica aberto 24 horas? – Perguntou Taravez.
-Veremos isso depois. – Falou Ray. – Já ouvi falar em Hotel Bella Muerte, não sei onde, mas vamos continuar.
-Ah, havia me esquecido, o detendo James Scott, disse ter absoluta certeza que Frank Iero está envolvido, dando os mesmo motivos que a mãe de Will citou anteriormente. – Disse Taraves, analisando algo no computador.
-Isso interfere em alguma coisa? – Ray perguntou.
-Hã... realmente o cemitério é aberto 24 horas. Boa Iero. – Falou Tavares.
-O que o doutor quis dizer com isso? – Ray falou, observando Tavares.
-Absolutamente nada doutor Toro.
O telefone tocou, Tavares pediu licença e atendeu. Fazia caras e bocas estranhas, fitando a parede.
-É Iero, as coisas complicaram para o seu lado. Um outro vizinho diz que realmente te viu chegando, mas ninguém te viu saindo, o que é estranho. Porém, seu horário de chegada foi confirmado, a irmã de Will disse a mesma coisa que a mãe disse, você vai passar a noite aqui.
-Não acredito, vocês não tem provas o suficiente. – Protestei.
-É para ter certeza de que você não vai fugir, como fez daquela vez com o Bob, foi para o Sul, casa de conhecidos e só depois de 1 mês resolveu se entregar, só no dia do julgamento. – Tavares falou. – E também por quê você tem passagem na polícia.
-Calma Frank, eu vou tentar um hábeas corpus que te tire daqui e te deixe em casa até o julgamento. – Falou Ray.
-Enquanto isso eu fico aqui? – Perguntei, apavorado.
-Sim, mas se tudo der certo por pouco tempo. – Ray disse.
-Calma Iero, você fica numa cela especial, não fica com os outros detentos. – Tavares informou
-Mas, eu não fiz nada, então não tenho que ficar preso. Que inferno. — Falei, praticamente fuzilando Tavares com os olhos. -Você fica até seu julgamento, que vai ser... — Falou, olhando a data no computador.- Vai ser dia... Vai ser daqui uma semana.-Uma semana, preso sem ter feito nada? — Perguntei.
-É só até o julgamento, pare de drama. Você já ficou em situação pior. — Disse.
-Enquanto isso eu tento o habeas corpus Frank, calma. — Ray disse.
-Tá, eu posso ir em casa? — Perguntei.
-Não, você está sob o poder da polícia à partir de... Agora. — Falou, pegando o telefone.- Sam, por favor, venha até minha sala. — Disse, no telefone.
-Sim? — Disse o policial gordo, chegando na sala.
-Leve o senhor Iero até a cela número 7. — Tavares disse.
-Ela ainda está vazia senhor. — Informou.
-Por isso mesmo, ele está aguardando julgamento.
-Tudo bem. Queira me acompanhar por favor senhor Iero. — Falou o policial.
-Sem algemas não é mesmo delegado? — Disse Ray.
-Eu não acho necessário. — Tavares disse, com desprezo.
-Eu não vou fugir, não é necessário. — Falei, revirando os olhos.
-Mas a revista antes de entrar na sela é. — Tavares disse.
-Queira se levantar por favor senhor Iero. — Novamente pediu o policial.
Me levantei com uma cara feia, ele passou a mão por minha cintura, revistou os bolos de minhas calças e pediu para que eu tirasse a camisa. Tirei a blusa de frio e a camisa. Ele as revistou também. Pegou meu celular, meu maço de cigarro, minhas chaves e meu remédio.
-Ray, você ... Pode ficar com minhas coisas? — Perguntei.
-Senhor Iero, seu celular vai ficar em poder da polícia. — O policial informou.
-Tá, mas eu faço um tratamento, tenho depressão, não posso ficar sem tomar meus remédios. — Falei.
-Seus remédios serão levados até sua sela Iero. — Disse Tavares.
-Você não pode fumar aqui. — Disse o gordo.
-Eu sei. Você ... O senhor acha que eu não sei das regras? — Perguntei.
-É minha função informar.
-Eu fico com as chaves e o cigarro. Frank, seu remédio precisa ser tomado em quais horários? — Ray perguntou.
-De 12 em 12 horas. Preciso dele às 20:00
-Tudo bem. — Tavares disse. — Ele será levado à sua sela às 8:00
-Tenho direito a um telefonema? — Perguntei, rindo apesar da situação terrível.
-Tem sim, pode usar esse aqui. — Tavares disse.
-Frank, eu tenho que ir, estou encima da hora. — Ray avisou.
-Tá bem, obrigado por tudo cara, você foi ótimo. — Falei, apertando a mão de Ray.
-De nada. Tentarei o habeas corpus. Boa sorte. — Falou, pegando as chaves e o cigarro. — Delegado, policial. — Disse, fazendo um gesto de despedida e logo em seguida saindo pela porta.
-Sam, pode nos deixar a só um pouco? — O delegado pediu.
-Ah, claro senhor. Qualquer problema, só me chamar. — Disse, saindo.
Assim que o policial saiu, Tavares me encarou rindo e disse:
-Iero, que situação não?
-Terrível. — Falei.
-Vamos direto ao ponto.
-O que?
-Você sabe que eu não sou honesto. Só agora estou sendo. — Riu.
-Continue. — Pedi.
-Diga que tem participação nesse crime logo de uma vez.
-NÃO! VOCÊ TÁ LOUCO? EU NÃO FIZ NADA. APENAS NÃO TENHO UM ÁLIBI. — Gritei, alterado.
-Poupe-me desse trabalho todo. — Falou.
-Poupar o que? Você ganha pra isso. Desgraçado. Onde eu estava... Onde eu estava com a cabeça quando te contei a verdade? — Falei, esfregando minhas mãos no rosto.
-Diga que você tem participação no assassinato, ou conto pra sua esposa toda a verdade. — Ameaçou.
-VOCÊ É COMPLETAMENTE LOUCO. NÃO VÊ QUE ESTÁ DESTRUINDO UMA FAMÍLIA? — Me desesperei.
-Você destruiu sua família, não jogue a culpa pra mim. — Disse, calmo.
-Não faz isso Tavares, por favor. — Pedi, quase chorando.
-Como vai funcionar? — Perguntou, frio.
-Por favor Tavares, eu pago. Dinheiro. dinheiro, tenho dinheiro. Quanto você quer? Hã? 100 mil? Hã? Diga. — Ofereci, desesperado.
-O suficiente para que eu não precise trabalhar nunca mais. — Riu. — Que no caso, você não tem.
-Por favor, não. — Pedi, apertando os olhos, sentindo uma lágrima deixar meu olho direito.
-Não chore moça. — Disse, rindo. — Vai funcionar assim: Você diz que saiu para se encontrar com o Will, bebeu. Você e ele começaram a brigar, ele... Sei lá, ele te ameaçou com uma faca. Entãaaaaao... Você conseguiu virar o jogo e matou ele. Vai entrar como legítima defesa.
-Não posso falar isso. — Eu disse.
-Pode sim. Se não puder eu também não posso... ficar calado com relação à sua esposa.
-Tá, eu falo. — Mais uma lágrima escorreu. — E o que eu digo que fiz com a arma do crime?
-Diga que... Que estava bêbado, e não lembra aonde colocou. Mas só diga no dia do julgamento, por que nenhum exame poderá comprovar se você ingeriu ou não álcool.
-Mas eu não posso beber por causa dos remédios. — Falei.
-Isso! Ótimo Iero. — Comemorou.
-Isso o que? — Perguntei, confuso.
-Diga que misturou antidepressivo com álcool, o efeito foi terrível.
-Isso até que me ajuda. E não é antidepressivo, é ansiolítico. — Disse.
-Claro que ajuda. — Falou.
-Mas e o Ray? — Perguntei, preocupado.
-Diga que não queria se passar por louco. — Disse ele, rindo.
-Tá bem, posso usar o telefone agora? — Pedi.
-Claro que pode, eu vou sair, volto em 10 minutos. — Falou.
Peguei o telefone, indeciso. Pra que eu ligo, Gerard ou Jamia? Hã... Gerard. Disquei o número rápido, roendo as unhas enquanto o telefone chamava. Ansiolítico de merda, eu continuava na mesma. Gerard atendeu:
-Oi.
-Gerard!
-Fala criatura, eu tava dormindo sabia?
-É grave Gerard, ou não te ligaria. Só tenho direito a um telefonema. — Falei.
-Tá preso cara? — Perguntou, assustado.
-Tô, eu... Tavares, o delegado, está fazendo chantagem. Ele disse que se eu não falar no dia do julgamento que matei Will, ele conta tudo pra Jamia.
-Você não pode fazer isso. Eu... eu não vou deixar!
-Gerard, já discutimos sobre isso. Eu vou ficar preso até o dia do julgamento, que vai ser daqui uma semana. Ray está me ajudando ele...
-Ele vai pedir o habeas corpus? — Me interrompeu.
-Sim, ele vai tentar. — Respondi
-Ótimo.
-Ele disse pra eu alegar legítima defesa, dizer que Will me atacou e que eu misturei ansiolíticos com álcool.
-Mas e a perícia? — Perguntou.
-Aqui em Jersey, Gerard? Me poupe. Parece que é gringo e chegou aqui agora, achando que a cidade é linda, sem criminalidade. Aqui cheira a cadáveres. Corrupção é o que tem de sobra. — Falei.
-Pior que é verdade. — Lamentou.
-Quem vê pensa que aqui tem CSI, investigação, perícia. Ilusão. Agora eu tenho que desligar, tentar ligar pra Jamia.
-Tá bem Frank.
-Fale com o Ray, ele vai dizer tudo sobre o julgamento, você pode vir assistir minha desgraça total. — Eu disse, enrolando meus dedos no fio do telefone.
-Boa sorte eu...
-Te amo. — Falamos juntos.
Desliguei rápido o telefone, disquei o número da Jamia. O telefone começou a chamar. Jamia atendeu:
-Quem é?
-Eu amor, Frank. — Respondi.
-Ah, mudou de número? O que houve?
-Não, não mudei. Tenho que ser rápido, estou na delegacia, vou ficar preso até o dia do julgamento. — Falei, apressado.
-Frank, longe de mim duvidar de você, mas... Você fez alguma coisa com Will? — Perguntou.
-Amor eu... eu preciso dizer a verdade.
-Fala!
-Eu bebi, misturei com remédios e... foi horrível. — Minha voz embargou, parecia ter vontade própria e não querer sair na hora de dizer a frase principal.
-Você... você o ma-matou? — Perguntou, gaguejando.
-Jamia, ele me atacou, a faca era dele. Fique calma, as bebês. — Disse, preocupado.
-Frank, eu não acredito! — Sua voz era de choro.
-Eu alegarei legítima defesa, ele me atacou. Não podia correr o risco de morrer antes de minhas filhas nascerem.
-Eu entendo. Mas você bebeu. O que você foi fazer com Will aquela noite?
-Ele me chamou, disse que precisava falar comigo, que era urgente.
-E o que ele disse? — Perguntou.
-Ele disse que eu era o culpado pela morte de Bob e... — Parei para pensar e inventar o que iria dizer.
-E O QUE? — Gritou.
-Calma! E disse que eu era um problema. Me atacou de repente.
-Isso é loucura.
Tavares entrou na sala, apontando para o relógio. Eu tinha que me despedir.
-Amor, meu tempo acabou,o julgamento será daqui uma semana. Fale com Ray, mas não conte nada do que eu disse sobre a morte de Will.
-Eu te amo Frank! Nós te amamos.
-Eu também. — Desliguei.
Tavares ria, sarcástico, o que me irritava profundamente.
-Hora de ir pra sela. — Falou.
-Tá, os remédios...
-Eu sei, são de 12 em 12 horas. Vou chamar o policial. — Disse, pegando o telefone.
Tavares disse algumas palavras no telefone, eu nem fiz questão de ouvir. Estava imerso em meus pensamentos, que me acusavam e eram pior do que qualquer promotor de justiça. Logo o policial gordo entrou na sala, e fez um gesto com a cabeça para que eu o seguisse. Fui andando atrás dele. Ao fundo, um portão com cadeado enorme me fez estremecer. Ele pegou um molho de chaves enorme no bolso e começou a procurar a chave específica que abriria aquele cadeado. Achando a chave, ele abriu o cadeado, empurrou com força o portão e entrou comigo, fechando o cadeado novamente. O lugar era sujo, composto por 9 celas. 5 delas estavam ocupadas. As selas maiores tinham eram ocupadas por 4 pessoas cada. Tinham duas beliches, um plástico que servia de ''parede'' e separava o banheiro. Quando passei, um loiro estranho me encarou e disse rindo para o policial:
-Novo?
-Sim, e de alta periculosidade. — Riu.
-Hm, cela separada?
-É.
-Que pena.
Não tinha entendido o que ele quis dizer com aquele ''que pena'', eu encarava o chão e sentia olhares pesarem sobre mim. Fomos até o fim do -sujo- corredor, chegamos até uma sela isolada das outras, com um número 7 escrito a giz. O policial logo pegou o enorme molho chaves barulhento, achou rapidamente a chave e abriu a sela, me empurrando pra dentro. A sela tinha um colchão no chão, com lençóis encardidos, o plástico que separava o banheiro estava meio rasgado e teias de aranha nos cantos das paredes não se contavam nos dedos.
-Se comporte. — Falou o policial, rindo e fechando o cadeado enorme. O almoço chega uma hora.
-Tudo bem. — Respondi, sem me importar.
A sensação de ter minha liberdade tomada novamente foi terrível, eu me sentia mal, fazia frio, era agoniante. Logo notei que não havia absolutamente nada pra fazer, o que pra mim era terrível. Eu sofria de ansiedade, eu necessitava fazer alguma coisa urgente, antes que meus movimentos involuntários, mais conhecidos como tics começassem. Eles eram: estalar os dedos, morder o lábio, esfregar as mãos, mexer no cabelo, entre outros incontáveis. Fora que eu comia compulsivamente quando não tinha nada pra fazer, mas aqui seria impossível assaltar a geladeira e comer as coisas de Jamia.
O remédio me deixava sonolento, me deitei no colchão sujo e aproveitei os minutos, horas e dias que eu teria sem nada pra fazer, pra dormir, colocar minha cabeça em ordem -se é que isso é possível-.
Adormeci.
Notas finais
E tô achando esses reviews muito bondosos HAUHASUH fofos dms *o*
Mas enfim, o Frank tá preso :O Agora vamos aguardar o julgamento.
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