Notas iniciais
Não sabia nem que nome dar pra esse capítulo HAUSHUH difícil aqui a criatividade. Mas enfim, leiam e fiquem... Felizes (?) -ou não- (:

“Gabba gabba we accept you we accept you one of us. Gabba gabba we accept you we accept you one of us.” Acordei com meu celular despertando. A música que eu usava como despertador era “Pinhead” dos Ramones. Parei o despertador e me levantei da cama. Precisava de muita disposição para encarar um dia daqueles. Tomei meu banho, dessa vez não esqueci de pegar a toalha. Me troquei rápido e fui fazer meu café. Meu celular tocou, corri da cozinha até o quarto, cheguei a tempo de atender, era Ray:

-Frank? – Falou, com sua voz extremamente fina.

-Fala Ray, algum problema? – Perguntei, preocupado.

-Não, até que não, é que, eu tive um pequeno imprevisto, vou chegar um pouco atrasado, por volta das 8:20. Desculpa cara.

-Não foi nada, brigada por avisar.

-Tudo bem então, até lá. – Falou, desligando o telefone.

Tomei meu café, arrumei minha cama, peguei meu remédio e saí. Ônibus outra vez, vamos para o ponto. Esperei o ônibus chegar, dei sinal e embarquei. Paguei o cobrador e me sentei, dessa vez o ônibus não estava lotado, ainda bem.

Como da outra vez, não demoramos de chegar, desci. Andei um pouco, cheguei até a porta da delegacia, respirei fundo e entrei. Um policial gordo segurando um copo de café disse:

-Pois não?

-Frank Iero, meu depoimento vai ser às 8:00. – Falei.

-Ainda são 7:45, pode se sentar e aguardar aqui mesmo senhor Iero.

-Tudo bem, obrigado. – Agradeci, me sentando.

Antes de dar as 8:00 horas, eu tinha que tomar meu remédio, agora eram exatamente 7:54. Fucei os bolsos e peguei a cartela de remédios, levantei e peguei também um copo d’água. Engoli o comprimido bebendo um pouco d’água depois. Sentei na cadeira, esperando, quando me dei conta de que estava destruindo o copinho descartável que estava em minha mão por completo, como fazia quando era criança, rasgando pedacinho por pedacinho. De repente, Tavares saiu de sua sala, e chamou:

-Iero, pode vir, sua vez meu rapaz.

Entremos na sala, ele fez um gesto, me convidando a sentar, sentei.

-Vamos direto ao ponto. – Falou.

-Meu advogado não chegou ainda. – Eu disse.

-Tudo bem, mas enquanto isso eu deixo você sabendo da situação.

-Tá bem. – Concordei.

-Então, a mãe do Will, disse ter certeza que foi você.

-Novidade. – Resmunguei.

-Interrogamos ontem o dia todo seus vizinhos, um vizinho, no qual eu não posso citar o nome, disse algo bem...

- O que ele disse? Ele ou ela. – Perguntei, curioso.

-Falou que viu você chegando em casa por volta da 00:00 da manhã.

-Eu não saí, quem chegou foi Ge... Quem chegou foi o cara que tava comigo.

-Mas como ele tecnicamente não pode estar com você, quem chegou foi você.

- Que droga! – Reclamei.

-Ou seja, você chegou à 00:00 em casa, o que significa que você saiu. Saindo, pode ter matado Will, os horários batem.

-Isso... Tá tudo se encaixando contra mim. Outra vez não. – Falei, esfregando o rosto.

-Confirma que está sem álibi ainda? – Perguntou, franzindo o cenho.

-Eu... – Respirei fundo. – Confirmo.

Alguém bateu na porta, Tavares permitiu a entrada:

-Pode entrar.

-Doutor Tavares, o senhor Raymond Toro diz ser advogado do senhor Iero e pediu para ser anunciado. – Disse o gordo que me recepcionou antes.

-Diga que ele pode entrar. – Respondeu Tavares.

Eu tinha que explicar que Ray não sabia de Gerard e nem podia saber:

-Meu advogado não sabe do cara que estava comigo, nem pode saber. – Falei.

-Tudo bem. – Assentiu.

Ray pediu licença e entrou na sala:

-Com licença delegado.

-Pode entrar. – Respondeu.

-Tudo certo por aqui Frank? – Ray perguntou.

-Tudo, estávamos só te esperando. – Falei.

-Perdão pelo atraso senhores, eu tive um imprevisto como havia avisado. – Se desculpou, formal.

-Sem problemas doutor Toro. Sente-se. – Falou Tavares.

-Qual é a situação atual do meu cliente? – Perguntou, depois de ter se sentado, colocando a pasta de couro sobre a mesa.

-Ele é suspeito da morte do senhor Will Simons, e acusado pela mãe do mesmo. – Tavares respondeu.

-Provas? As testemunhas que foram ouvidas disseram algo sobre ele? Já foram interrogadas? – Perguntou, arrumando a gravata vermelha que contrastava com o terno e a camisa preta.

-Sim, um vizinho quando interrogado disse que viu o senhor Iero entrar em casa, voltando da rua por volta de meia-noite. O que pode ajudar a incriminá-lo.

-Algo mais concreto? – Perguntou Ray.

-A mãe da vítima diz ter absoluta certeza que ele é o culpado. – Falou.

-Encima do que ela diz isso? Tem provas ou é apenas intuição materna?

-Ela acusa Iero por diversos motivos, disse que o filho o “denunciou” da outra vez, por ser o causador da morte de Bob Bryar, disse que Iero matar o filho era a eliminação de um grande problema. O que realmente tem bastante nexo.

-Algo mais? – Ray perguntou, anotando tudo em uma agenda.

-O senhor Iero não tem álibi, diz estar sozinho em casa, não ter saído para lugar nenhum, contradizendo a palavra do vizinho, que diz ter visto voltando para casa. – Tavares explicou.

-Frank, você saiu de casa? – Ray me encarou.

-Hã... Sim, eu saí. – Falei, pensando em uma desculpa.

-Por que não disse isso antes para o delegado?

-Eu esqueci. – Tentei enganá-lo.

-Hmmm. E para onde você foi? – Perguntou.

-Eu tinha saído mais cedo, fui no cemitério. – Inventei.

-Cemitério? Em plena meia-noite? – Perguntou Tavares.

-Eu gosto bastante dessas coisas, sou bem ligado na cultura gótica. Fascinado por essas coisas, cultura, arquitetura. Admiro bastante.

-Estava no cemitério então Frank? – Ray perguntou, anotando tudo.

-Sim, eu saí por volta das 21:00 horas, quando escureceu.

-Você tem hábitos bastante interessantes Iero. – Disse Tavares.

-Qual o nome do cemitério? – Ray analisava cada fato, minuciosamente.

-Bella Muerte. Cemitério Bela Muerte. – Falei.

-Conheço. Fica bem próximo à sua casa. – Ray disse.

-Esse cemitério fica aberto 24 horas? – Perguntou Taravez.

-Veremos isso depois. – Falou Ray. – Já ouvi falar em Hotel Bella Muerte, não sei onde, mas vamos continuar.

-Ah, havia me esquecido, o detendo James Scott, disse ter absoluta certeza que Frank Iero está envolvido, dando os mesmo motivos que a mãe de Will citou anteriormente. – Disse Taraves, analisando algo no computador.

-Isso interfere em alguma coisa? – Ray perguntou.

-Hã... realmente o cemitério é aberto 24 horas. Boa Iero. – Falou Tavares.

-O que o doutor quis dizer com isso? – Ray falou, observando Tavares.

-Absolutamente nada doutor Toro.

O telefone tocou, Tavares pediu licença e atendeu. Fazia caras e bocas estranhas, fitando a parede.

-É Iero, as coisas complicaram para o seu lado. Um outro vizinho diz que realmente te viu chegando, mas ninguém te viu saindo, o que é estranho. Porém, seu horário de chegada foi confirmado, a irmã de Will disse a mesma coisa que a mãe disse, você vai passar a noite aqui.

-Não acredito, vocês não tem provas o suficiente. – Protestei.

-É para ter certeza de que você não vai fugir, como fez daquela vez com o Bob, foi para o Sul, casa de conhecidos e só depois de 1 mês resolveu se entregar, só no dia do julgamento. – Tavares falou. – E também por quê você tem passagem na polícia.

-Calma Frank, eu vou tentar um hábeas corpus que te tire daqui e te deixe em casa até o julgamento. – Falou Ray.

-Enquanto isso eu fico aqui? – Perguntei, apavorado.

-Sim, mas se tudo der certo por pouco tempo. – Ray disse.

-Calma Iero, você fica numa cela especial, não fica com os outros detentos. – Tavares informou

-Mas, eu não fiz nada, então não tenho que ficar preso. Que inferno. — Falei, praticamente fuzilando Tavares com os olhos. -Você fica até seu julgamento, que vai ser... — Falou, olhando a data no computador.- Vai ser dia... Vai ser daqui uma semana.

-Uma semana, preso sem ter feito nada? — Perguntei.


-É só até o julgamento, pare de drama. Você já ficou em situação pior. — Disse.

-Enquanto isso eu tento o habeas corpus Frank, calma. — Ray disse.

-Tá, eu posso ir em casa? — Perguntei.

-Não, você está sob o poder da polícia à partir de... Agora. — Falou, pegando o telefone.- Sam, por favor, venha até minha sala. — Disse, no telefone.

-Sim? — Disse o policial gordo, chegando na sala.

-Leve o senhor Iero até a cela número 7. — Tavares disse.

-Ela ainda está vazia senhor. — Informou.

-Por isso mesmo, ele está aguardando julgamento.

-Tudo bem. Queira me acompanhar por favor senhor Iero. — Falou o policial.

-Sem algemas não é mesmo delegado? — Disse Ray.

-Eu não acho necessário. — Tavares disse, com desprezo.

-Eu não vou fugir, não é necessário. — Falei, revirando os olhos.

-Mas a revista antes de entrar na sela é. — Tavares disse.

-Queira se levantar por favor senhor Iero. — Novamente pediu o policial.


Me levantei com uma cara feia, ele passou a mão por minha cintura, revistou os bolos de minhas calças e pediu para que eu tirasse a camisa. Tirei a blusa de frio e a camisa. Ele as revistou também. Pegou meu celular, meu maço de cigarro, minhas chaves e meu remédio.


-Ray, você ... Pode ficar com minhas coisas? — Perguntei.

-Senhor Iero, seu celular vai ficar em poder da polícia. — O policial informou.

-Tá, mas eu faço um tratamento, tenho depressão, não posso ficar sem tomar meus remédios. — Falei.

-Seus remédios serão levados até sua sela Iero. — Disse Tavares.

-Você não pode fumar aqui. — Disse o gordo.

-Eu sei. Você ... O senhor acha que eu não sei das regras? — Perguntei.

-É minha função informar.

-Eu fico com as chaves e o cigarro. Frank, seu remédio precisa ser tomado em quais horários? — Ray perguntou.

-De 12 em 12 horas. Preciso dele às 20:00

-Tudo bem. — Tavares disse. — Ele será levado à sua sela às 8:00

-Tenho direito a um telefonema? — Perguntei, rindo apesar da situação terrível.

-Tem sim, pode usar esse aqui. — Tavares disse.

-Frank, eu tenho que ir, estou encima da hora. — Ray avisou.

-Tá bem, obrigado por tudo cara, você foi ótimo. — Falei, apertando a mão de Ray.

-De nada. Tentarei o habeas corpus. Boa sorte. — Falou, pegando as chaves e o cigarro. — Delegado, policial. — Disse, fazendo um gesto de despedida e logo em seguida saindo pela porta.

-Sam, pode nos deixar a só um pouco? — O delegado pediu.

-Ah, claro senhor. Qualquer problema, só me chamar. — Disse, saindo.


Assim que o policial saiu, Tavares me encarou rindo e disse:


-Iero, que situação não?

-Terrível. — Falei.

-Vamos direto ao ponto.

-O que?

-Você sabe que eu não sou honesto. Só agora estou sendo. — Riu.

-Continue. — Pedi.

-Diga que tem participação nesse crime logo de uma vez.

-NÃO! VOCÊ TÁ LOUCO? EU NÃO FIZ NADA. APENAS NÃO TENHO UM ÁLIBI. — Gritei, alterado.

-Poupe-me desse trabalho todo. — Falou.

-Poupar o que? Você ganha pra isso. Desgraçado. Onde eu estava... Onde eu estava com a cabeça quando te contei a verdade? — Falei, esfregando minhas mãos no rosto.

-Diga que você tem participação no assassinato, ou conto pra sua esposa toda a verdade. — Ameaçou.

-VOCÊ É COMPLETAMENTE LOUCO. NÃO VÊ QUE ESTÁ DESTRUINDO UMA FAMÍLIA? — Me desesperei.

-Você destruiu sua família, não jogue a culpa pra mim. — Disse, calmo.

-Não faz isso Tavares, por favor. — Pedi, quase chorando.

-Como vai funcionar? — Perguntou, frio.

-Por favor Tavares, eu pago. Dinheiro. dinheiro, tenho dinheiro. Quanto você quer? Hã? 100 mil? Hã? Diga. — Ofereci, desesperado.

-O suficiente para que eu não precise trabalhar nunca mais. — Riu. — Que no caso, você não tem.

-Por favor, não. — Pedi, apertando os olhos, sentindo uma lágrima deixar meu olho direito.

-Não chore moça. — Disse, rindo. — Vai funcionar assim: Você diz que saiu para se encontrar com o Will, bebeu. Você e ele começaram a brigar, ele... Sei lá, ele te ameaçou com uma faca. Entãaaaaao... Você conseguiu virar o jogo e matou ele. Vai entrar como legítima defesa.

-Não posso falar isso. — Eu disse.

-Pode sim. Se não puder eu também não posso... ficar calado com relação à sua esposa.

-Tá, eu falo. — Mais uma lágrima escorreu. — E o que eu digo que fiz com a arma do crime?

-Diga que... Que estava bêbado, e não lembra aonde colocou. Mas só diga no dia do julgamento, por que nenhum exame poderá comprovar se você ingeriu ou não álcool.

-Mas eu não posso beber por causa dos remédios. — Falei.

-Isso! Ótimo Iero. — Comemorou.

-Isso o que? — Perguntei, confuso.

-Diga que misturou antidepressivo com álcool, o efeito foi terrível.

-Isso até que me ajuda. E não é antidepressivo, é ansiolítico. — Disse.

-Claro que ajuda. — Falou.

-Mas e o Ray? — Perguntei, preocupado.

-Diga que não queria se passar por louco. — Disse ele, rindo.

-Tá bem, posso usar o telefone agora? — Pedi.

-Claro que pode, eu vou sair, volto em 10 minutos. — Falou.


Peguei o telefone, indeciso. Pra que eu ligo, Gerard ou Jamia? Hã... Gerard. Disquei o número rápido, roendo as unhas enquanto o telefone chamava. Ansiolítico de merda, eu continuava na mesma. Gerard atendeu:


-Oi.

-Gerard!

-Fala criatura, eu tava dormindo sabia?

-É grave Gerard, ou não te ligaria. Só tenho direito a um telefonema. — Falei.

-Tá preso cara? — Perguntou, assustado.

-Tô, eu... Tavares, o delegado, está fazendo chantagem. Ele disse que se eu não falar no dia do julgamento que matei Will, ele conta tudo pra Jamia.

-Você não pode fazer isso. Eu... eu não vou deixar!

-Gerard, já discutimos sobre isso. Eu vou ficar preso até o dia do julgamento, que vai ser daqui uma semana. Ray está me ajudando ele...

-Ele vai pedir o habeas corpus? — Me interrompeu.

-Sim, ele vai tentar. — Respondi

-Ótimo.

-Ele disse pra eu alegar legítima defesa, dizer que Will me atacou e que eu misturei ansiolíticos com álcool.

-Mas e a perícia? — Perguntou.

-Aqui em Jersey, Gerard? Me poupe. Parece que é gringo e chegou aqui agora, achando que a cidade é linda, sem criminalidade. Aqui cheira a cadáveres. Corrupção é o que tem de sobra. — Falei.

-Pior que é verdade. — Lamentou.

-Quem vê pensa que aqui tem CSI, investigação, perícia. Ilusão. Agora eu tenho que desligar, tentar ligar pra Jamia.

-Tá bem Frank.

-Fale com o Ray, ele vai dizer tudo sobre o julgamento, você pode vir assistir minha desgraça total. — Eu disse, enrolando meus dedos no fio do telefone.

-Boa sorte eu...

-Te amo. — Falamos juntos.


Desliguei rápido o telefone, disquei o número da Jamia. O telefone começou a chamar. Jamia atendeu:


-Quem é?

-Eu amor, Frank. — Respondi.

-Ah, mudou de número? O que houve?

-Não, não mudei. Tenho que ser rápido, estou na delegacia, vou ficar preso até o dia do julgamento. — Falei, apressado.

-Frank, longe de mim duvidar de você, mas... Você fez alguma coisa com Will? — Perguntou.

-Amor eu... eu preciso dizer a verdade.

-Fala!

-Eu bebi, misturei com remédios e... foi horrível. — Minha voz embargou, parecia ter vontade própria e não querer sair na hora de dizer a frase principal.

-Você... você o ma-matou? — Perguntou, gaguejando.

-Jamia, ele me atacou, a faca era dele. Fique calma, as bebês. — Disse, preocupado.

-Frank, eu não acredito! — Sua voz era de choro.

-Eu alegarei legítima defesa, ele me atacou. Não podia correr o risco de morrer antes de minhas filhas nascerem.

-Eu entendo. Mas você bebeu. O que você foi fazer com Will aquela noite?

-Ele me chamou, disse que precisava falar comigo, que era urgente.

-E o que ele disse? — Perguntou.

-Ele disse que eu era o culpado pela morte de Bob e... — Parei para pensar e inventar o que iria dizer.

-E O QUE? — Gritou.

-Calma! E disse que eu era um problema. Me atacou de repente.

-Isso é loucura.


Tavares entrou na sala, apontando para o relógio. Eu tinha que me despedir.

-Amor, meu tempo acabou,o julgamento será daqui uma semana. Fale com Ray, mas não conte nada do que eu disse sobre a morte de Will.

-Eu te amo Frank! Nós te amamos.

-Eu também. — Desliguei.


Tavares ria, sarcástico, o que me irritava profundamente.


-Hora de ir pra sela. — Falou.

-Tá, os remédios...

-Eu sei, são de 12 em 12 horas. Vou chamar o policial. — Disse, pegando o telefone.


Tavares disse algumas palavras no telefone, eu nem fiz questão de ouvir. Estava imerso em meus pensamentos, que me acusavam e eram pior do que qualquer promotor de justiça. Logo o policial gordo entrou na sala, e fez um gesto com a cabeça para que eu o seguisse. Fui andando atrás dele. Ao fundo, um portão com cadeado enorme me fez estremecer. Ele pegou um molho de chaves enorme no bolso e começou a procurar a chave específica que abriria aquele cadeado. Achando a chave, ele abriu o cadeado, empurrou com força o portão e entrou comigo, fechando o cadeado novamente. O lugar era sujo, composto por 9 celas. 5 delas estavam ocupadas. As selas maiores tinham eram ocupadas por 4 pessoas cada. Tinham duas beliches, um plástico que servia de ''parede'' e separava o banheiro. Quando passei, um loiro estranho me encarou e disse rindo para o policial:


-Novo?

-Sim, e de alta periculosidade. — Riu.

-Hm, cela separada?

-É.

-Que pena.


Não tinha entendido o que ele quis dizer com aquele ''que pena'', eu encarava o chão e sentia olhares pesarem sobre mim. Fomos até o fim do -sujo- corredor, chegamos até uma sela isolada das outras, com um número 7 escrito a giz. O policial logo pegou o enorme molho chaves barulhento, achou rapidamente a chave e abriu a sela, me empurrando pra dentro. A sela tinha um colchão no chão, com lençóis encardidos, o plástico que separava o banheiro estava meio rasgado e teias de aranha nos cantos das paredes não se contavam nos dedos.


-Se comporte. — Falou o policial, rindo e fechando o cadeado enorme. O almoço chega uma hora.

-Tudo bem. — Respondi, sem me importar.


A sensação de ter minha liberdade tomada novamente foi terrível, eu me sentia mal, fazia frio, era agoniante. Logo notei que não havia absolutamente nada pra fazer, o que pra mim era terrível. Eu sofria de ansiedade, eu necessitava fazer alguma coisa urgente, antes que meus movimentos involuntários, mais conhecidos como tics começassem. Eles eram: estalar os dedos, morder o lábio, esfregar as mãos, mexer no cabelo, entre outros incontáveis. Fora que eu comia compulsivamente quando não tinha nada pra fazer, mas aqui seria impossível assaltar a geladeira e comer as coisas de Jamia.

O remédio me deixava sonolento, me deitei no colchão sujo e aproveitei os minutos, horas e dias que eu teria sem nada pra fazer, pra dormir, colocar minha cabeça em ordem -se é que isso é possível-.

Adormeci.

Notas finais
Eu sempre termino com ''Adormeci'' psé '-'
E tô achando esses reviews muito bondosos HAUHASUH fofos dms *o*
Mas enfim, o Frank tá preso :O Agora vamos aguardar o julgamento.