Notas iniciais
Eu me fitava no espelho. Frank Iero, Cabelos escuros e curtos, cortados em camadas, pele branca, tatuagens, olhos amendoados, rodeados por olheiras, que eram conseqüência de minhas noites sem dormir, devido à enorme quantidade de cafeína que eu ingeria, como se não bastassem meus pensamentos perturbadores que me assombravam e me perseguiam noite após noite. Eu agora, sozinho encostado na pia do banheiro, me lembrava do ocorrido na noite passada, me sentindo mais culpado do que quando... Quando Bob morreu.
Há 3 anos atrás, eu e Bob estávamos discutindo, brigando, feito loucos, por motivo fútil, que não era mais tão fútil depois de doses e mais doses de álcool que eu havia ingerido. Eu, Bob, James e Will tínhamos bebido muito, e por algum motivo eu e Bob tínhamos começado uma discussão boba. James começou a discutir com Bob, eu tentava apartar a briga, até que... o ato havia sido feito. James matara Bob em minha frente, e eu não acreditava no que tinha acabado de ver. Bob caído no chão, e eu jogado ao seu lado, implorando para que ele me respondesse. Eu não chorava, pois minha fixa nem se quer havia caído. Fui indiciado e condenado 2 anos por ter causado a briga que ocasionou a trágica morte de Bob. Peguei dois torturantes anos de prisão. Apesar de eu ter sido preso injustamente, eu não tinha como protestar. A “cadeia” me fez ver a vida de outra forma, mudou meu jeito de ser e agir, apesar de tudo, eu tinha me tornado uma pessoa melhor. Lá, ou você respeita ou respeita, e o que há de mais valioso nessa vida, depois da saúde, é tirado de você: Sua liberdade. Fazia um ano que eu estava “livre”. Sou casado há 7 anos com Jamia e eu a amo mais que tudo nessa vida. Nesse 1 ano livre, tive depressão. A depressão tem dois extremos: Ou ela te derruba de vez ou te ensina a ver a vida de outro jeito e você muda –na maioria das vezes para a melhor- e nunca mais é o mesmo. No meu caso, mudei, a vida já não é a mesma pra mim, agora eu valorizo a cada segundo ao lado de cada pessoa, cada gesto, cada fala, cada movimento.
Desde “o ocorrido’’ eu tomo remédios, diversos, principalmente para ansiedade. Procurei nas prateleiras do banheiro meu remédio quando o relógio se posicionou nas exatas 08:00 horas, Jamia sempre me lembra de tomar os remédios, pois eu sempre esqueço, mas ela está viajando, grávida de um filho meu. Na verdade filhos, são gêmeos. Na verdade, gêmeas. Faltam exatos 3 meses para o nascimento, o que me deixava mais ansioso ainda. Peguei a bula, era um “remédio novo”. Li: Diazepam. Nesse meio tempo, eu já cansei de tanto ler bulas de tantos remédios. Eu poderia me tornar farmacêutico sem qualquer curso. A bula dizia:
INFORMAÇÕES AO PACIENTE — DIAZEPAM
AÇÃO ESPERADA DO MEDICAMENTO:
Diazepam pertence a um grupo de medicamentos chamados benzodiazepínicos. ODiazepam é capaz de aliviar a ansiedade, a tensão nervosa e, em conseqüência, facilitar o sono. Além disso, produz relaxamento muscular. Sua ação se faz cerca de 20 minutos após sua administração. O medicamento, porém, não elimina as causas da ansiedade e da tensão nervosa.
Era o que basicamente eu precisava saber. Eu sempre lia as bulas, sou... Desconfiado. Não era de se esperar que eu acreditasse confiasse em mais alguém depois de Will apoiar James e dizer que eu fui o causador da confusão, prejudicando e mudando o curso do resto de minha vida. Eu deixava claro o ódio que sentia por Will e James. James estava preso. Will eu não vi e nem pretendia vez, eu realmente sentia ódio, mas jamais o prejudicaria como ele me prejudicou. Não sou capaz.
Peguei a cartela de remédios, retirei um e engoli, sem nem se quer tomar um copo d’água. Agora eu me lembrava da noite passada, envergonhado e como disse, me sentindo mais culpado por isso do que pela morte de Bob. O que seria pior que causar a morte de um inocente, que não fazia mal à ninguém? Traição.
Eu tinha traído Jamia, mas não havia sido com uma garota, traí minha esposa com Gerard. Eu não tinha nada com Gerard, na verdade sempre tive, nunca deixei de ter, mas esse nada era algo. Não havia sido a primeira vez. Como resistir aos encantos desse homem? Gerard tinha pele pálida, cabelos negros pelos ombros, olhos verde-oliva, e um poder de sedução que ninguém consegue resistir. Eu tinha transado com Gerard na noite passada, e agora, ele se encontrava deitado em minha cama. Ele aproveitou do meu ''tempo sem sexo'' -carência- para me seduzir e me levar pra cama na noite passada:
–Frank, e a Jamia, como tá? — Perguntou.
–Tá bem, viajando como você sabe. Relaxar antes do parto, faltam 3 meses. — Respondi.
–Ah, e me esclarece uma coisa, tô curioso. — Falou, enquanto se esticava na cama.
–É safadeza né? Tô vendo pela sua cara.
–Hmmm, não sei.
–Pergunta logo.
–Então, esse tempo todo que a Jamia tá viajando, você fica... Na seca? — Perguntou, me olhando com os olhos semicerrados.
–Sim. — Falei, fazendo cara de coitado.
–Nossa, como você consegue? — Provocou, acariciando meus cabelos.
–Me aliviando como dá né? — Confessei, rindo.
–Não sente falta de um... Alguém? — Perguntou enquanto abria o zíper da minha calça.
–Sim, eu sinto, muito. — Já fui me entregando.
–Será que eu posso... Tirar sua carência? — Falou, mordendo o lábio inferior e me derrubando na cama.
–Gerard... Isso não tá certo. — Falei. — E a Jamia? E os bebês? Já não basta a briga da outra vez. Definitivamente não.
–Shhhhh. — Colocou o indicador sobre meus lábios. — O que os olhos não vêem, o coração não sente.
Já não dava mais tempo, Gerard estava desabotoando minha camisa. Essa não era a primeira vez que fazíamos isso, uma vez a mais uma vez a menos, não iria fazer a diferença. Tirei sua camiseta, Gerard tirou suas calças e as minhas e começou com beijos enlouquecedores que percorriam por todo meu corpo. Gerard sentou de costas sobre minha barriga e tirou bruscamente minha boxer. Pegou meu membro e começou a me masturbar.
–É... assim que você se alivia quando a Jam tá fora? — Perguntou, sem parar os movimentos.
–Ahhh, sim... Mas assim tá bem melhor. — Falei entre gemidos.
Gerard continuou com os movimentos rápidos, meu membro já estava bem rígido, quando ele decidiu partir pra oral. Saiu de cima da minha barriga, abriu minhas pernas, eu permiti. Gerard me abocanhou com força e voracidade, soltei um gemido. Começou com movimentos fortes e lentos, que se alternavam para movimentos mais fracos e rápidos por toda a extensão. Não demorou muito, cheguei ao meu máximo, nem se quer deu tempo de avisar à Gerard, que quando percebeu que sua boca tinha sido invadida, sorriu para si mesmo e engoliu. Notei pelo volume na cueca que seu membro estava rígido, pedindo por alívio o mais rápido possível, mas permanecia abandonado. Era minha vez de começar. Joguei Gerard na cama ficando por cima dele, comecei a beijá-lo, nossas línguas se encontravam numa dança em perfeita harmonia, uma das mãos de Gerard passeava por todo meu corpo, enquanto a outra agarrava meus cabelos com força, me trazendo para mais perto, como se fosse possível. Coloquei minhas mãos em seus ombros e o empurrei, estava totalmente sem fôlego. Comecei a chupar seu pescoço, dando umas mordidas fortes de vez em quando, que provavelmente deixariam marcas. Comecei a beijar sua barriga, fui descendo até chegar propositalmente em sua virilha. Arranquei sua cueca, encontrei seu membro já preparado, abocanhei com força, assim como ele havia feito comigo, Gerard se retorceu na cama, deixando escapar um gemido.
Comecei com movimentos já bem rápidos que cada vez ficavam mais rápidos ainda. Os gemidos de Gerard e sua respiração ofegante me excitavam mais e mais, me deixando duro. Gerard chegou ao seu ápice, me senti como ele tinha se sentido há minutos atrás, minha boca sendo invadida por um líquido branco, pisquei e engoli. Ele achou que ia parar por ali, mas já que ele tinha começado, eu ia ir até o final. Ajeitei Gerard na cama, coloquei ele de quatro. Tateei o criado-mudo que ficava do lado esquerdo da cama, abri a gaveta e peguei um preservativo. Abri a embalagem e vesti em meu próprio membro, pedi passagem, Gerard concedeu, penetrei devagar, para me certificar de que não estava o machucando, ele soltou um gemido que eu encarei como sendo de prazer. Comecei meus movimentos devagar, aumentando gradativamente a velocidade e indo mais fundo. Sentia meu membro pulsando dentro dele. Alcancei a próstata de Gerard, que soltou um gemido mais alto e mais forte. Saí de Gerard e me joguei na cama cansado.
–Você me ama não é mesmo Frank? — Perguntou, rindo enquanto enroscava os braços em volta de mim.
–Alguma vez eu disse que não? — Falei.- Esse ''interrogatório pós-sexo'' é tão gay.
–''Tão gay'' — Falou, fazendo aspas com as mãos. — Falou o cara que acabou de chupar meu pau.
–O gay é o que fica de quatro. — Falei, provocando. — Aprenda.
–Só não faço você ficar de quatro porquê tô cansado demais agora. — Falou com desdém.
Adormecemos.
Assim tinha acontecido na noite passada. O telefone tocou, saí correndo do banheiro e fui atender, acordando Gerard.
–Alô?
–Alô? Frank? Tudo bem amor? — Era Jamia.
–Ah, tudo, claro. Como estão os bebês? — Perguntei, ansioso.
–São AS bebês, e você nem quer saber de mim? Só delas? — Falou, fazendo manha.
–Ai meu amor, me desculpe. Como você está? E as meninas?
–Estamos bem. Tá tomando os remédios? — Perguntou.
–Estou sim. Quando você volta? — Gerard me olhava da cama, me imitando e fazendo caretas.
Jamia nem podia sonhar que ele estava ali, os dois brigaram fazia um tempo, por minha causa é claro, quando ela estava grávida de 2 meses. Jamia sabia que eu tinha ficado com Gerard uma noite em que saímos, o que gerou uma confusão generalizada. Se ela ao menos ouvisse sua voz, saberia de tudo o que eu tinha feito. Tinha ameaçado pedir divórcio caso eu repetisse o que havia acontecido. O que me apavorou mais, foi ela ameaçar e tirar os bebês. Ela disse que não precisava de mim e que eu ter traído ela com um homem foi humilhação demais. Ela me proibiu totalmente de ter contato com qualquer um dos Way, até mesmo Mikey. Eu ''obedeci'', pois sabia que estava errado, e perdê-la, seria terrível.
–No fim da semana, se tudo der certo.
–E vai dar!
–Estou com saudade. — Ela disse, me fazendo me sentir mais culpado ainda. — Não está fazendo nada de errado né?
–Eu também estou com saudades. — Falei. — Errado? O que? Claro que não, estou tomando os remé...
–Não estou falando dos remédios, você sabe bem do que eu estou falando. — Me interrompeu.- De quem eu estou falando. Do Way, se eu sonhar Frank, você sabe.- Falou alterada. -Tenho que desligar amor, vou tomar café e a Lily acabou de chutar. — Falou, rindo.
–Não amor, eu não fiz nada de errado, fazem meses que eu não falo com os Way. — Menti. -Ela conhece a voz do papai. — Falei, orgulhoso. — Mas como você sabe que é a Lily?
–Eu não sei, bobo. Ela quer comer, e a mamãe também. Bom dia meu amor, eu te amo. Não apronte nada.
–Eu amo vocês, não esqueçam disso.
–Nós te amamos papai. — Jamia disse, fazendo uma voz infantil e desligando logo em seguida.
Gerard me olhou da cama, e começou a me imitar:
–Ela conhece a voz do papai.
–Seu idiota. Jamia parece que sentiu seu cheiro pelo telefone. — Falei, rindo da imitação fajuta, porém preocupado.
–Como estão as bebês? — Falou, ainda me imitando com uma voz ridiculamente fina.
–Besta.
–Mikey deve estar me procurando igual um louco, nem avisei que ia passar a noite fora.
–Liga pra ele. — Sugeri.
–Não, eu vou pra casa Frank. — Falou, vestindo a cueca.
–Aaaah não, fica. Por favor. — Pedi.
–Nã-não, já vou indo. — Disse enquanto calçava o sapato.
–Mas, nem vai me deixar de quatro? — Disse, rindo.
–Nãaaaao, fica na vontade. — Mostrou a língua.
–Melhor você ir mesmo, vai que a Jamia resolve fazer uma surpresa e... Você tá aqui, ela se altera. Ela tá grávida, como eu pude?
–Relaxa aí anão, aquela chata, ainda me lembro do que ela disse da última vez: ''Frank, ou ele ou eu, escolha'' — Falou, com a voz fina, tentando imitar a gesticulação de Jamia.
–Foi horrível. — Falei, relembrando.
–E você escolheu ela. — Disse, com desprezo.
–Somos casados, eu a amo e eu te amo também, mas sempre fizemos isso escondidos e você sempre me entendeu.
–Eu entendo, fica de boa baixinho, também te amo.
Gerard terminou de se trocar, se despediu, me deu um beijinho rápido e saiu. Eram mais ou menos 9:00 horas, decidi preparar meu café. Fui para a cozinha, deixei a água e o leite fervendo, quando de repente, a campainha tocou. Quem poderia ser? Gerard havia esquecido alguma coisa? Fui abrir a porta. Um oficial da polícia apareceu na porta, nem liguei, o que eu tinha que cumprir eu já tinha cumprido, e nunca mais tinha feito nada de errado, nem se quer bebi outra vez. Trauma? Talvez.
–Sr. ... Iero? — Falou.
–Eu mesmo. — Respondi.
–Frank Anthony Thomas Iero Jr. É isso mesmo?
–Pois não?
–O senhor está sendo intimado, precisamos que o senhor esteja na delegacia do centro 12:00 em ponto.
–Eu... Poderia saber o porquê? — Perguntei, arqueando as sobrancelhas.
–Quando chegar lá o senhor será informado, ou pode ler esse documento. — Me mostrou um papel.
–Não pode me adiantar nada? — Falei, pegando o papel e começando a ler.
–Trata-se da morte do Sr. Will Simons.
–Will Simons? — Perguntei, apavorando, sem acreditar no que estava ouvindo.
–Sim, ele foi assassinado ontem, encontrado exatamente às 23:00 horas. Como o Sr. tem uma forte ligação com ele e passagem pela polícia, passa a ser um suspeito.
–Ma-mas, eu não fiz nada! — Falei, já me defendendo, nervoso.
–Eu não quero saber o que o senhor fez ou deixou de fazer senhor Frank, apenas vim entregá-lo a intimação. Assine-a por favor.
–Não pode ser, não, não novamente. — Falei, apavorado, temendo o que podia acontecer.
–Não se apavore Sr. Iero, apenas assine. Tendo um bom álibi e advogado, está tudo certo.
CONTINUA...
Notas finais
Hana, Desee, felizes?
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