Notas iniciais
Dedicada à minha linda namorada, Ana Cintia. Espero que nossa história seja mais ou menos assim, tirando uma parte óbvia do texto. Te amo muito minah princesa! ♥

Poderia ter considerado aquela tarde, como uma tarde comum em minha vida. Chegar da faculdade e me jogar no sofá, depois do almoço, era algo que eu fazia frequentemente. Mas ao sentir a vibração que vinha do meu celular, e ainda mais, depois de ler a mensagem e descobrir quem a enviou, não pude deixar de sorrir. Era ela. E queria me ver.

Já se passava quase dois anos desde que eu deixara de ser considerada uma pessoa solteira. E para o meu alívio, aquilo não era um martírio pra mim. Ela me completava de uma maneira que nem eu mesma pensara ser possível. E sim, ela era tudo que eu precisava.

Olhei a hora no meu celular. Precisava tomar um banho rápido, se não me atrasaria para o serviço. E era algo que eu não podia me dar ao luxo de fazer, pois a minha tão sonhada liberdade e moradia própria eram mantidas, com suor, por aquele salário que eu recebia todo fim de mês. E eu o fiz, não sem antes responder, marcando um jantar em minha casa assim que eu terminasse o expediente.

Enquanto tomava meu banho, lembrava de seu rosto e imaginava sua feição, sorridente, ao ler a minha mensagem. Será que ela ficava tão besta quanto eu, com uma simples menção de meu nome, mesmo depois de tanto tempo juntas? Não poderia responder, mas era assim que eu me sentia.

Me vesti rapidamente, colocando meu uniforme por baixo da capa de chuva que eu precisava usar para ir ao serviço, já que iria de moto e hoje estava um tempo duvidoso, hora chovendo, hora dando uma pequena trégua, ainda imaginando seu rosto sorridente.

Chegando no serviço, cumprimentei alguns policiais que estavam na frente do 2º DP da cidade, onde eu exercia meu cargo na polícia civil. Eu por sorte, milagre, ou muito estudo e dedicação, havia passado no concurso para Fotógrafo Técnico Pericial, na segunda tentativa. Não que eu julgasse que a primeira tivesse sido um completo fracasso, pensando pelo lado de que eu não havia me dedicado tanto, havia apenas sonhado com a possibilidade de conseguir aquele emprego. Sabendo que havia uma possibilidade muito grande, caso eu me dedicasse, a segunda tentativa foi digamos, melhor sucedida.

- Rosa, temos uma ocorrência. Pode nos acompanhar por favor?

Perguntou-me o delegado, o qual eu obedeci imediatamente, respondendo “Sim senhor! ”. Meu dia era cheio daqueles casos, e muitas vezes nem mortos eu tinha para fotografar, apenas uma cena de crime arrasada, ou algum sangue espalhado fluidamente pelo chão. Como eu suspeitava anteriormente eu não me incomodava com aqueles procedimentos. Mas hoje eu estava especialmente relutante em passar meu tempo naquele lugar.

Afinal, eu tinha coisas muito melhores pra fazer. Com sorte, às 8:30 eu estava liberada do serviço. Muitas vezes eu era dispensada mais tarde, mas esta noite o delegado me disse que o serviço estava leve e que não precisava mais de mim. Agradeci, entregando o posto para Lucas, o outro fotógrafo da DP. Fui voando pra casa, pois havia marcado com ela às 10.

Eu já tinha consciência de que Ana dormiria em casa esta noite, assim como ela estava fazendo quase frequentemente, agora que era maior de idade e não dependia tanto dos avós. Fazia apenas alguns meses que ela havia completado seus 18 anos, quase o mesmo tempo que eu morava sozinha, na mesma cidade que morava antes, com minha mãe. Havia alugado um pequeno apartamento que eu podia manter com o meu salário do emprego, já que eu tinha a faculdade pra pagar, e minha mãe não me ajudava mais, havia algum tempo, basicamente desde que eu assumira para ela minha relação homossexual.

Ao chegar em casa, tive apenas o tempo de tomar um banho e dar uma ajeitada no local, antes que meu celular tocasse, e ela me avisasse que estava na porta do prédio. Desci e abri o portão pra ela, dando um abraço apertado como eu sempre fazia quando a via, dando um beijo em sua bochecha.

Ela estava mais linda do que antes, se é que isso era possível. Talvez fosse meu olhar de apaixonada, mas tudo que eu conseguia ver nela, era beleza. Até as coisas que por ela eram considerados defeitos, eu via como beleza, pois tornavam ela única.

Subimos de mãos dadas para meu apartamento, conversando sobre nosso dia. Estranhei ela ter trazido uma mochila em suas costas, mas não perguntei. Provavelmente eram coisas dela que ela queria deixar aqui.

Quando chegamos, tranquei a porta e puxei Ana para um beijo apaixonado e caloroso. Ela correspondeu e depois deu risada de mim.

- Calma mulher! Parece que não me beija a anos. – Riu mais um pouco e me deu um selinho, me observando rir também. – Na verdade parece quando ficamos a primeira vez, deixou até chupão no meu peito.

- Posso deixar outro? – perguntei maliciosamente, me jogando no pescoço dela e dando um beijo caliente.

Foi quando ela me empurrou.

- Não. A gente precisa conversar Rosa.

De repente, minhas mãos começaram a suar. Minhas pernas tremiam, e eu senti que poderia desabar a qualquer momento.

- Sobre o que amor? – perguntei, devagar já prevendo a resposta e não conseguindo de forma alguma me acostumar com ela.

- Vamos sentar?

Sentamos no sofá. Ela de frente pra mim, e eu ainda meio incrédula sem conseguir olhar em seus olhos.

- Então. Faz mais de uma semana que eu to pretendendo ter essa conversa com você. Já faz algum tempo que eu to percebendo que a gente não anda bem. Não me olha assim por favor, tenta entender. Eu sabia que isso nunca ia dar certo no fundo.

- Mas por que? – perguntei exasperada. – O que eu fiz de errado? Amor, eu te amo tanto, mas tanto, como faço pra ficar sem você?

Toda felicidade que eu tinha em mim fora jogada pelo ralo, jogada por ela e por aquele papo esquisito que eu de forma alguma estava conseguindo entender.

- Assim como a gente se acostumou a ficar juntas a gente pode desacostumar. Rosa, eu to fazendo isso agora, porque não quero que a gente termine de uma forma ruim. Antes de eu, ou você arrumar um outro alguém.

- Eu nunca faria isso com você – interrompi rapidamente, tentando explicar que aquilo não fazia sentido.

- Eu sei, eu também não faria. Mas é melhor que a gente termine antes de uma de nós sairmos machucadas. Você entende? – me perguntou, com uma dureza na voz que era impressionante. Eu nunca imaginei que ela pudesse algum dia fazer isso comigo.

Já eu... Eu estava destroçada. Cada pedaço meu se quebrava a cada palavra que ela dizia, e eu demonstrava isso em todos os sentidos. Além de já não conseguir segurar as lágrimas, eu tremia inteira e estava visivelmente em choque, sem saber como reagir aquilo.

Quanto a ela... Ela estava imóvel, falando sem esboçar reação. Nem parecia que ela já havia sentido alguma coisa por mim algum dia.

- Não consigo entender. Porque você está fazendo isso comigo? – perguntei, em meio aos soluços que enfrentava.

- Um dia você vai. Antes de eu ir embora, tem três coisas na mochila que eu gostaria de deixar aqui na sua casa. Não tem mais espaço pra elas lá em casa.

Me entregou a mochila e me pediu para abrir. Meu coração estava gelado, e batia tão rápido quando um coração podia bater sem que eu enfartasse. Abri a mochila, e a primeira coisa que peguei foi o leão de pelúcia que eu dei pra ela no nosso quarto mês de namoro. Ela havia dado o nome de Alex pra ele. Não pude conter ainda mais o choro de descer quando peguei o segundo objeto. Era minha blusa do Garfield, que eu tinha a tantos anos, e havia deixado com ela, para que ao dormir, ela se lembrasse de mim, e sentisse o meu cheiro. Agora ela não tinha mais meu cheiro, e sim o cheiro de Ana. Ela estava devolvendo os presentes mais importantes que eu havia dado a ela, juntamente com o meu coração.

Por último peguei um pedaço de papel. Não o reconheci, achei estranho, pois não seguia o padrão das coisas que ela estava me entregando. Ao abrir o papel, num primeiro momento não entendi.

- O que é isso Ana? – perguntei, olhando um pedaço de papel indicando uma inscrição bem sucedida pra faculdade.

- Minha carta de alforria. Até que enfim vou sair daquela casa. Passei! – Ela me respondeu, sorrindo pela primeira vez depois do começo da conversa.

- E o que isso tem a ver comigo? – Perguntei, ainda contendo algumas lágrimas que caiam em cima de Alex, que estava em meu colo.

- Larga de ser lerda amor! Eu passei! Posso enfim sair daquela casa e vir morar com você! – Disse ela me abraçando e me tascando um beijo.

- Que brincadeira é essa? Primeiro você termina comigo, depois quer morar aqui? Ficou maluca ou atacou a bipolaridade?

Ela começou a rir.

- Me desculpa. Mas eu queria te contar de um jeito marcante, então resolvi fingir que ia terminar com você. Vem cá, você acreditou mesmo que eu era capaz de te largar assim, de uma hora pra outra? – perguntou, rindo.

Comecei a chorar de novo. Em partes de felicidade, por ela vir morar comigo. Em partes, por alívio, de saber que ela ainda me queria.

- Sabe o que eu devia fazer com você? Jogar você pra fora daqui e não olhar mais na sua cara. Onde já se viu, você quase me fez ter um enfarto! – Respondi, começando a sorrir.

- Mas amor, sabe sabe sabe? Você não vai fazer isso. Sabe porque? Porque você me ama, igualzinho eu amo você. E é muitão. – ela disse me olhando com um jeito meio tímido e me dando alguns beijos no pescoço, como ela sempre fazia pra me acalmar depois de uma briga.

Agarrei ela e beijei com força. Agora que sabia que não tinha a possibilidade de perde-la, parecia que eu queria tê-la mais ainda. Joguei as coisas de lado, e a coloquei em meu colo, segurando em sua cintura e puxando-a pra perto. Nosso corpo estava colado, e nossas bocas mais juntas do que eu julgava ser possível. Aquele desejo incontrolável que sempre me acometia quando eu estava perto dela me tornava quase um monstro, por mais que eu tentasse me controlar para ser o mínimo que fosse mais delicada.

Tirei sua blusa rapidamente, dando beijos em seu pescoço e alguns chupões fazendo ela soltar gemidos incontroláveis. Fui descendo o beijo até alcançar um de seus seios que mordisquei de leve, antes de literalmente cair de boca. Ela gemeu novamente. Há algum tempo eu havia ficado boa nesse negócio de fazer ela soltar gemidos escapados. E especialmente boa e dar prazer a ela através daquela região. Ela tirou minha blusa quando teve uma oportunidade, encostando minha cabeça no sofá e começando a fazer o mesmo que eu estava fazendo com ela segundos antes. Senti meus olhos se fechando involuntariamente.

Levantei, colocando ela no chão, sem parar de beijá-la. Fomos em direção ao quarto, deixando o resto de nossas roupas pelo caminho, e rindo baixo do que estávamos fazendo. A joguei na cama, pulando por cima dela e dando um beijo afobado em seus lábios, um beijo que percorreu todo o resto da extensão de seu corpo. E que corpo. Eu admirava ela em todos os aspectos. Ela conseguia ter um corpo que me causava arrepios só de pensar, e quando eu a tocava, parecia que uma corrente elétrica percorria toda a extensão do meu corpo, me fazendo arrepiar todos os pelos existentes nele.

Quando coloquei a boca em sua parte intima, ela apertou o lençol como fazia quando sentia prazer. Ora jogando a cabeça pra trás, sem controlar o prazer, hora pra frente pra me observar, ela me dava mais prazer do que imaginava. Meu corpo respondia junto ao dela, a cada reação que ela tinha por causa do prazer. Meus músculos se contraiam, junto aos dela, a cada gemido que ela soltava. Puxei ela pra cima de mim, fazendo a sentar-se em um dedo meu. Ela fechou os olhos rapidamente, e continuou a se movimentar, reagindo novamente quando um segundo dedo a penetrou.

Ela rebolava em cima de mim, e eu só conseguia prestar atenção no movimento de seus quadris e na sua feição que era um misto de prazer com um grande esforço físico. E ela ficava linda assim. E sexy. Depois de algum tempo, mudamos de posição, onde eu passei a penetrá-la de frente para ela. Quando meus movimentos se intensificaram, seus olhos se fecharam por alguns segundos e suas mãos apertaram as minhas fortemente, enquanto ela mordia o lábio e eu sentia uma vontade incontrolável de beijá-la, e assim o fiz. Depois de alguns minutos, ela trocou de lugar comigo, me penetrando. Não conseguíamos falar uma só palavra, só nos encarávamos e percebíamos as reações que causávamos uma na outra. Em especial, naquele momento eu não ia conseguir pronunciar uma palavra mesmo, pois ela estava me proporcionando uma sensação indescritível. Eu só gemia e tentava segurar minhas ações, pois talvez eu estivesse um pouquinho descontrolada. Atingi meu ápice e por alguns momentos fiquei apenas respirando fundo, e ela me abraçou, sentindo toda aquela energia que rondava em torno de nós.

- Eu te amo princesa. Nunca mais faça isso comigo viu? Preciso ter você aqui perto de mim pra sempre, você viu minha reação. Se eu te perder, é capaz de eu morrer. – Disse, ainda um pouco fragilizada pelos momentos anteriores ao nosso sexo perfeito.

- Não vai me perder nega. Eu só estava brincando. Ainda mais agora, que vamos morar juntas. Vamos poder dormir todos os dias abraçadinhas, e você vai fazer brigadeiro pra mim.

- Aliás, que brincadeira mais infantil. Não me diga que você pensou nisso sozinha? – perguntei, desconfiando do autor daquela pegadinha.

- Na verdade quem me deu a ideia foi o Matheus. – Ela disse, confirmando minhas suspeitas.

- Eu ainda mato aquele filho da mãe! – e ri, beijando sua testa.

- Eu te amo.

- Eu te amo mais.

- Porque, só porque é maior que eu?

- Não. Até porque eu sou pequena demais pro tamanho do meu amor.

- Então porque você sempre diz que me ama mais do que eu amo você?

- Porque não é isso que eu digo com “mais”. Esse mais quer dizer que depois de todo eu te amo que eu te disser, eu vou dizer outro, e esse outro sempre será maior que o último. Porque meu amor por você é como o universo. Apesar de ele ser infinito, a cada dia ele se expande mais.

Ela chorou. Deixou derramar uma lágrima, como sempre fazia quando nossas conversas tomavam esse rumo. E então, nós dormimos abraçadinhas na minha cama, como faríamos, pelo menos, pelos próximos 50 anos...

Notas finais
Você que não conhece a gente, mas gostou da história, pode deixar reviews, eu não mordo, nem a Ana kkkkkk Obrigada por ler :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!