What Lies Within
1 Amortentia
Aurora Cromwell seguia calmamente para o Salão Principal. Primeiro dia de seu sexto ano em Hogwarts, ela não gostava de pensar que faltava apenas dois anos para dizer adeus a sua adorada escola. Sentando-se na mesa da Corvinal, olhou ao redor percebendo que haviam poucas pessoas ali; a maioria dos alunos que se encontravam tomando café da manhã eram do sétimo ano.
Puxou bacons e ovos para seu prato e serviu suco em seu copo, abrindo seu livro em seguina na página em que havia parado.
— Bom dia, Monitora. Teve uma boa noite de sono? — a voz de sua amiga, Anastácia Van Der Waals, a fez erguer a cabeça.
Anastácia era uma garota bonita e de cabelos ruivos escuros, que estava em seu ano, mas na Sonserina. Eram amigas antes de começarem a frequentas Hogwarts, já que seus avós se conheciam e, por consequência, seus pais também.
— Bom dia, Ana. Eu dormi bem, embora o pessoal no dormitório estivessem empolgados demais. — Aurora riu — Você sabe, volta as aulas.
— E você não tirou pontos deles? — Anastácia fingiu indignação, enquanto também se sentava na mesa da Corvinal, se servindo de torradas e suco — Que tipo de Monitora você é?
— Bem, não posso negar que também fiz parte da bagunça. — sorriu — Qual a sua primeira aula?
— Dois tempos de Poções. — a ruiva respondeu.
— A mesma que eu. — Aurora tomou o resto do suco — Ana, por que você não aceitou se tornar Monitora da Sonserina quando a Olive Hornby saiu da escola?
Anastácia fez uma leve careta.
— Primeiramente porque eu não aceitaria nada que estivesse relacionado a Hornby. — respondeu — E eu não gosto do Riddle, então a perspectiva de trabalhar em dupla com ele não me agrada.
— Por que você não gosta do Riddle? — Aurora perguntou.
Ela estava realmente curiosa. Nunca falara com Riddle, mas às vezes se cumprimentavam pelos corredores, já que ambos frequentavam o Clube do Slug.
— Eu o acho falso. — Anastácia franziu o cenho — Acho que ele esconde algo.
— Mas ele é tão educado...
— Exatamente. — a sonserina cortou, secamente — Ele é educado, inteligente, bonito, Monitor, um aluno modelo... Ninguém pode ser tão perfeito assim, Rory.
Aurora tirou um cacho loiro, que havia soltado de seu rabo de cavalo, do rosto, pensativa.
***
O professor Horace Slughorn era um bom professor, embora Aurora não gostasse muito dele. Gostava de Poções, é claro, mas só era boa porque Anastácia a ajudava desde o segundo ano.
Slughorn começara a aula com um discurso típico de inicio de ano letivo. E agora perguntava sobre as poções que se encontravam em sua mesa. Anastácia e Riddle pareciam competir para ver quem sabia mais.
Até que ele apontou para uma poção de brilho perolado.
— Esta é a Amortentia, senhor. — Aurora falou, antes que Anastácia ou Riddle pudessem responder.
— Excelente, srta. Cromwell! — Slughorn sorriu — E como a reconheceu?
— Pelo brilho perolado e o vapor subindo em espirais. — respondeu, remexendo os dedos.
— Presumo que você saiba que efeito ela produz, não? — o professor perguntou, animado.
— É a poção de amor mais poderosa do mundo. — Aurora pigarreou — Mas embora seja chamada de "poção de amor", ela não causa nada além de uma forte obsessão e paixonite. Porque nenhuma poção é capaz de criar ou reproduzir amor.
— Oho! Excelente, srta. Cromwell, excelente! Vinte pontos bem merecidos para a Corvinal. — disse o professor, feliz — Agora, pode me citar outra característica da Amortentia?
— Bem, dizem que ela tem um odor diferente para cada pessoa, de acordo com o que nos atrai. — respondeu.
— Ora, srta Cromwell, aproxime-se e me diga que cheiro sente! — Slughorn acenou animadamente.
Aurora se levantou e foi até a frente da classe, ciente dos olhares da turma. Parou em frente ao caldeirão com a poção e inspirou profundamente.
— Sinto cheiro de chuva, livros novos e... — ela franziu o cenho — Não consigo dizer qual o último cheiro, professor.
— Obrigada, srta Cromwell, pode ir se sentar, e mais dez pontos para a Corvinal pela sua colaboração!
Aurora sorriu.
A aula seguiu normalmente, com Anastácia a ajudando e nenhum caldeirão explodindo. Nada de anormal até faltar dez minutos para o fim da aula. Slughorn decidira passar um dever especial que deveria ser feito em trio.
Aurora e Anastácia ficaram juntas na divisão de Slughorn, porém, para o horror de Anastácia, Tom Riddle completou o trio. Cada trio de alunos ficou com uma poção, o de Aurora foi a Poção do Morto-Vivo.
— Quero noventa centímetros de pergaminho sobre as poções, e uma amostra de cada. — ele anunciou — Vocês tem até o fim do mês para me entregarem. Estão dispensados.
Anastácia recolheu seu material rapidamente e arrastou Aurora para fora da sala de aula.
— Anastácia...! — reclamou Aurora.
— Eu não acredito! — a ruiva chiou, seus olhos cor de âmbar pareciam estar em chamas — Como Slughorn pode fazer isso? Vou ter que suportar aquele ser por um mês inteiro!
— Com licença. — uma voz educadamente suave falou atrás delas.
As garotas se viraram simultaneamente. É claro, ali se encontrava Tom Riddle, alto, de cabelos escuros e lindos olhos azuis muito claros e frios. Seu leve sorriso, Aurora notou, não chegava em seus olhos.
— Sim, Riddle? — Anastácia franziu o cenho.
— Precisamos fazer o dever de Poções, srta Van Der Waals, como você sabe, e gostaria de saber se podemos começar a nos organizar hoje. — ele encarou as duas, pacientemente.
— Poderíamos nos encontrar na biblioteca no sábado de manhã. — sugeriu Aurora, quando viu Anastácia trincar o maxilar — Assim podemos organizar os deveres de nossas outras aulas durante a semana. — ela encarou Riddle — Sem contar que nós temos reuniões com os Monitores-Chefes e Anastácia tem o Quadribol. Sábado está bom para você?
— Sim, srta Cromwell, perfeitamente. — ele deu um sorriso charmoso — Nos vemos nas aulas. — ele acenou com a cabeça e passou pelas duas, avançando pelo corredor.
Anastácia franziu o nariz.
— Talvez não seja tão ruim. — Aurora tocou o ombro da amiga — Talvez ele não seja tão ruim.
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