What I've Been Looking For
3 Junto a Ti
Notas iniciais
Maxi estava ali. Eu não digo nada, apenas desmorono em seus braços, ele, mesmo sem entender nada, me abraça, eu não queria que aquele abraço acabasse, não queria sair daquele momento bom, não queria voltar para a realidade, que doía tanto. Eu realmente me sentia melhor com Maxi por perto, ele era meu porto seguro, ele me acalmava de um jeito que nem eu entendia, me sentia segura com ele, como se nada de mal fosse acontecer de novo. Se eu pudesse congelar o tempo, congelaria nesse abraço, para que ele durasse para sempre.
— Naty... olha pra mim, qual o problema?- Maxi tinha um jeito... tão... diferente de conseguir demonstrar que se importava com apenas um olhar. Aquilo, naquele momento, era tudo que eu queria. Alguém que me visse, que olhasse pra mim e visse por dentro da dor, que visse por trás da escuridão. Maxi fazia isso, eu sabia que ele via muito mais do que a Naty quebrada que estava ali, parada na frente dele.
Como eu iria contar o que aconteceu à ele? Sentia vergonha só de lembrar o que deixei acontecer comigo mesma. Mas... Maxi nunca iria me julgar, ele era meu melhor amigo.
— Naty, fala oque aconteceu, por que estava chorando desse jeito?- ele disse preocupado
— você tinha razão Maxi... eu achei que poderia ser diferente, mas era tão óbvio que não sei como pude ser tão burra, como pude me deixar levar pelos meus sentimentos.... ele não quer nada comigo Maxi, nunca quis, ele é que nem os outros... me acha idiota... talvez eu seja... Ah Maxi se você soubesse o que eu tive que ouvir naquela biblioteca....- estava tentando controlar o choro o máximo possível, mas as lágrimas vinham descontroladamente.
—Ei Naty... não fala assim, você não é idiota, é uma das pessoas mais inteligentes que já conheci, eu lamento tanto que ele tenha feito você se sentir assim, Naty... se eu pudesse, te guardaria num pote para te proteger de todo mal, você é especial demais para se machucar desse jeito. Ele não te conhece, eu sim. Então acreditam em mim Naty, se perfeição existisse, você seria perfeita.
Sorri pra ele
—Maxi, você até parece um poeta...- eu disse rindo- obrigada por isso.
—pelo o que? Eu não fiz nada além de falar a mais pura verdade- ele disse
— você me fez rir Maxi, você está sempre do meu lado quando eu mais preciso, sempre sabe oque dizer pra me fazer sentir melhor, e eu acho que nunca te agradeci por isso, então, obrigada, por tudo- eu disse quase chorando de novo
— Bom, é pra isso que servem os amigos, e... você também não é... assim.. a pior amiga do mundo- ele disse rindo
— bobo- eu disse entre risadas
— Não, agora é sério, você é a melhor amiga que eu poderia ter- ele disse com um olhar sincero
E eu o abracei, o mais forte possível, um abraço que poderia ter durado dias, mas durou apenas alguns segundos. Quando nos soltamos do abraço nossos rostos ficaram próximos um do outro e Maxi foi se aproximando de mim, cada vez mais... eu não estava entendendo o que ele estava tentando fazer até que... nos beijamos, um beijo quente e apaixonante, e era bom, como eu não queria que fosse bom... mas era. Antes disso eu tive apenas um beijo, na quinta série, então não tinha muito com o que comparar, mas... a sensação de estar ali... a sensação que aquele beijo estava me proporcionando, se eu soubesse qual a sensação de voar, diria que era como se eu estivesse voando. Me senti leve, livre. Mas era tão errado. Era Maxi, não podia beijar Maxi, não podia gostar de Maxi, não desse jeito. De repente, senti como se minhas asas tivessem quebrado, eu estava caindo, rápido... estava voltando à mim. Eu estava beijando Maxi, e por mais que fosse bom, era errado.
Parei o beijo abruptamente, olhei para ele tentando assimilar o que estava acontecendo, ele parecia tão confuso quanto eu.
— o que foi?- ele disse
— é... é errado, muito errado... me desculpa- disse isso e sai correndo.
Voltei correndo em direção a escola, não sabia mais para onde ir então entrei novamente para lá, assim que achei uma sala me tranquei nela. Me sentei no chão e não me controlei, comecei a chorar novamente, não sabia mais o que fazer alem de chorar. Maxi era a unica coisa que me fazia sobreviver ao pesadelo dessa escola. E se esse beijo arruinasse tudo? Por que ele teve que estragar tudo? Por que eu gostei tanto?
—NATY- ouvi alguém gritar no corredor, era ele, me encolhi mais ainda e tentei manter silencio.
—NATY- o som ficava cada vez mais perto até que...
—DROGA...
Aparentemente eu estava na sala de musica, descobri isso assim que me levantei, na tentativa de ir mais para o fundo da sala, e me bati contra um prato de bateria que caiu com tudo no chão
Estava juntando o prato do chão quando ouço a porta abrindo, levo um susto mas logo fico aliviada ao ver quem é
— Violetta?- o que ela estava fazendo aqui tão tarde?
— oi, Naty, que susto você me deu- ela disse com a mão no coração
— o que você esta fazendo no colégio a essa hora?- perguntei
— ah, estudando, eu tenho 3 irmãos pequenos em casa, fica difícil estudar assim, mas... e você? o que faz aqui?- assim que ela me perguntou, eu comecei a chorar, que nem um bebe, ela correu e me abraçou, e eu contei tudo a ela, não sei porque, eu mal conheço ela, porem senti que podia confiar nela, espero que dessa vez eu esteja certa
—ai naty... que horrível, vem, vamos, eu te levo pra casa, se ele ainda estiver aqui eu te ajudo- violetta falou me estendendo a mão
— sério? Obrigada violetta, obrigada mesmo
— que isso, e... pode me chamar de Vilu- ela disse com um sorriso
Saímos da sala e os corredores estavam vazios, continuamos andando até o lado de fora, onde também não tinha ninguém
— ele se foi- falei aliviada
— vamos- disse violetta me puxando pela mão
Entramos no carro, seguimos o percurso em silencio, logo chegamos em minha casa
—eu sei que não é muita coisa, mas minha familia não como as outras. Pelo menos não como as outras familias daquela escola- eu disse tentando explicar a vilu porque a casa era tão... pequena. Embora fosse uma casa de um tamanho normal, não era nada comparado as casas da alta sociedade.
— que isso naty, é linda- ela parecia sincera.
Vilu me passava uma confiança diferente...mas com certeza boa.
— quer entrar?- perguntei
—posso?- ela perguntou
—lógico- afirmei
— nesse caso, eu adoraria- ela disse com um sorrindo
Depois que entramos, mostrei a casa para ela e fomos para meu quarto, mamãe estava trabalhando e meu pais havia morrido há muitos anos atrás, então estávamos sozinhas
— e este é meu quarto, ultima parada da excursão- disse brincando
Vilu riu.
Passamos a tarde toda juntas, comemos brigadeiro, marshmallow e muitas outras baboseiras
Conversamos sobre tudo, a tarde inteira, nunca me conectei tão rápido com alguém. Vilu parecia ser uma pessoa especial, e uma amizade duradoura.
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