Notas iniciais
Antes de mais nada me desculpem gente, serio mesmo. Mas acho que realmente eu não preciso nem mencionar uma desculpa maior do que o ENEM. Enfim, já acabou e seguimos em frente / Aqui está o tal capitulo que havia dito antes. Ainda falta mais um e vou postar ele no dia 31. Depois vai demorar, ou não, mas garanto-lhes que os capítulos serão maiores ^^Aproveitem!

São os raios solares que me acordam essa manha, de tão fortes que estão. Viro-me para o outro lado, em direção à parede, mas não há como fugir da claridade infernal.

Argh! Porque não fechei a cortina noite passada mesmo?

Ah sim, porque estou usando uma roupa muito constrangedora e estava com medo de que Ryu acabasse entrando no quarto e me visse vestida desse jeito, por isso acabei esquecendo da cortina maldita.

Ao me lembrar do tipo de roupa que estou usando me levanto rapidamente da cama em um salto. Tenho que me arrumar logo! Se Ryu entrar aqui agora eu acho que mor ...

Minha atenção é direcionada imediatamente para a porta que se mexe um pouco, como se houvesse alguém tentando abri-la.

Que seja um ladrão, mas o Ryu não!

Ouço três toques na porta, são suaves e pacíficos. Parecem ser de uma pessoa com toda a calma e tranquilidade do mundo. E eu só conheço uma pessoa que é assim. Fico paralisada no meio do quarto já esperando o que há de vir.

–Chizu, porque você trancou a porta do meu quarto? – a voz de Ryu soa do outro lado da porta e eu me desespero. Vou ter que trocar de roupa aqui mesmo!

Porque não veio o ladrão mesmo hein?!

Olho para onde deveria estar minha mochila, ou seja, embaixo no canto da cama de Ryu, mas não a encontro.

Vasculho o quarto todo, mas não o encontro minha preciosa mochila. Ah menos que eu tenha ...

DROGA! Na pressa de sair do banheiro acabei deixando minha mochila em algum lugar e eu não sei qual!

DROGA, DROGA, DROGA, DROGA, DROGA!

Coloco as mãos em minha cabeça em total desespero, eu devo ter sido uma pessoa terrível em minha vida passada e estou pagando por tudo agora.

Como vou me explicar para o Ryu agora?!

–Hã ... Ryu, eu tranquei porque eu ... Sou ... Sonambula! – Mas que merda é essa que eu acabei de falar? Meu deus! – Isso! Eu sou sonambula e quem sabe o que eu poderia fazer enquanto durmo.

A resposta é o silencio do outro lado da porta, ate posso imaginar a cara que Ryu deve estar fazendo e quase que caio na risada, isso se eu não estivesse vestida indevidamente no seu quarto e correndo o risco de que ele me veja assim.

–Eu nunca soube de nada disso Chizu – Ryu finalmente diz do outro lado da porta.

–É por que é recente – Eu tenho que procurar uma ajuda! Ryu com certeza sabe que eu estou mentindo, ele sempre sabe.

Silencio novamente e dessa vez eu sei que estou ferrada.

–Se você não queria que eu entrasse, não precisava trancar a porta. Eu esqueci minha roupa de dormir ai dentro e tive que dormir com a mesma roupa de ontem – Sua voz me soa calma, mas em meu coração me parece amarga e eu automaticamente tento me explicar para que ele não entenda errado. Mas não consigo, nada sai de minha boca embora eu tenha a aberto milhares de vezes para tentar faze-lo entender que não é nada disso que ele está pensando.

Mas parece que toda vez eu sempre o acabo magoando mais, coloco as mãos em minha em meu rosto, como se o estivesse tampando. Sinto lagrima irromperem por meus olhos.

–Chizu? – Ryu me chama novamente – Chizu o que houve? Você está quieta demais.

Tento me acalmar para poder respondê-lo mas novamente não consigo. Eu sinto como se á cada palavra dita por mim o ferisse 5 vezes mais do que as minhas ações. Respiro fundo varias vezes para poder conseguir falar novamente.

–Nada Ryu, sinto muito por isso, eu não sabia – Minha voz vacila no final e quase arranco meus cabelos de minha cabeça pelos fortes puxões que eu dou neles.

–Chizu fale comigo, o que há de errado? – Sua voz assume um tom suplicante e eu me desmancho.

Aproximo-me da porta para que ele possa me ouvir melhor e me encosto nela, totalmente nela, como se estivesse me apoiando em Ryu.

–Ryu, você me perdoa por tudo que eu já te fiz passar – Minha voz falha algumas vezes, mas sei que ele as entende.

–Não – meu coração afunda em um mar negro de desespero – Porque não há nada do que lhe perdoar Chizu, muito pelo contrario.

Meu coração bate lentamente agora, mas forte. Ah Ryu ...

Mais lagrimas invadem meus olhos, mas dessa vez não acho que sejam de tristeza ou de desamparo. São de felicidade por e perceber como é bom ter Ryu ao meu lado.

–Agora Chizu porque estamos conversando separados por uma porta? – Ah sim, por um momento tinha me esquecido de minha roupa indecente.

Olho para o que eu estou vestindo e gemo internamente, ele não pode me ver assim nunca!

–Porque eu estou inapropriada para algum homem me ver, oras.

–Ah sim entendo – Pelo seu tom de voz posso senti como se ele estivesse segurando o riso.

–Argh, você está rindo de que Ryu?! – Exaspero-me. Isso não é nada engraçado, ao menos para mim, mas tenho certeza que alguma entidade deve estar rindo bastante de meu infortúnio.

–Ah não é de Você Chizu, mas ... Não sabia que você me via como um homem – Seu tom permanece o mesmo e minha vontade é de abrir essa porta e falar com ele cara a cara, ou melhor, gritar com ele cara a cara.

–E porque não o veria assim? Você é um homem afinal não? – Inclino a cabeça na porta em duvida e quase que a bato.

–Não, não era dessa maneira que eu estava falando Chizu – Se não era disso do que seria ... Ah.

Quer dizer, Ryu é um homem biologicamente falando, mas no sentido figurado sobre como eu o vejo o significado muda totalmente. E se torna homem no sentido sexual, ou afetivo. Isso foi dado em alguma aula, se eu me lembro bem foi no bimestre passado e ...

Meu rosto cora mil tons de vermelho ao entender o significado de ‘homem’. Graças a deus que essa porta nos separa, não saberia como agir com isso.

–Esqueça isso Ryu, e me diga se viu minha mochila! – Mudo de assunto rapidamente, mas suas palavras ainda ecoam em minha mente. E o pensamento de homem biologicamente e no sentido figurado também. Meu deus, estou me tornando uma pervertida!

–Não me diga que você perdeu a sua mochila Chizu?

–Sim, eu digo! Quer dizer, eu não me lembro aonde a botei! – Frustro-me rapidamente, daqui de dentro não vou poder fazer nada para acha-la.

–Bem, veja pelo lado bom, não é um dia dos namorados emocionante? – Mas o que é isso Ryu? Isso foi uma indireta ou o que? Ah não! Será que ele sabe que eu estou preparando algo para dar para ele? Espero que não.

Olho-o para a porta como se pudesse vê-lo daqui e dou o olhar mais confuso.

–Sim Ryu, muito emocionante! – digo sarcasticamente. Cruzo os braços em meu peito e reviro os olhos.

Recebo o silencio como resposta novamente, será que ele já foi procurar minha mochila?

Fico ziguezagueando pelo seu quarto com minha roupa indecente e vejo roupas dobradas em cima de uma cadeira. Essas devem ser a tal roupa que ele esqueceu e se eu vesti-las e ir procurar minha mochila? Não me parece uma má ideia.

Visto-as rapidamente e claro que as roupas me são muito maiores do que eu, mas nada do que um dobrado ou outro para resolver.

A camisa sem mangas de Ryu parecem um vestido em mim, mesmo assim visto também a calça que a cada passo cai mais de meu corpo.

Ao passar a camisa pela minha cabeça o cheiro de Ryu invade minha mente, assim como quando eu estava na sua cama. É incrível como o cheiro de uma pessoa pode de acalmar e te fazer relaxar.

Mais calma, graças ao cheiro incomparável de Ryu, lentamente vou em direção á porta hesitante, mas com determinação em encontrar minha mochila fugitiva.

Abro a porta calmamente brecha por brecha e vejo que Ryu não está lá como o imaginado. Ele realmente deve ter ido procura-la.

Como sempre Ryu me salvando, tenho que fazer um pôster e pedir autógrafos para meu salvador de tantas as vezes que ele me ajudou. E depois ele diz que eu também faço o mesmo por ele, mas é claro que não! Ryu não é mentiroso, mas dizer que eu sou mais importante para ele do que ele para mim é uma grande mentira.

Balanço minha cabeça na intenção de afastar meus pensamentos, mas algo pior me vem, e se Ryu ver o presente que eu comprei para ele na minha mochila?! E a receita que a Sawako me deu ensinando a fazer cupcakes?! Claro que eu pedi para ela me ensinar na intenção de fazer para o Ryu, mas agora isso me parece pouco difícil, já que não sei onde se meteu a mochila com minhas coisas tão preciosas.

Agora mesmo que eu saio mais determinada a achar essa bendita de mochila!

Por via das duvidas começo a procurar no andar de baixo, só vou andando e procurando com os olhos, sem mexer em nada. Afinal não é possível que a mochila tenha criado pernas e se escondido de mim, ne?!

Quando termino vou para o segundo andar, encontro Ryu com a mochila sequestrada em mãos e saindo do banheiro e logo Oji-Chan aparece atrás falando coisas como ‘ela deve ter estado tão cansada que não deve ter se lembrado da mochila no banheiro, coitadinha’,

Ah acho que sou eu, não, com certeza sou eu.

Os dois param a me ver estancada no começo da escada, mas Ryu parece ser o mais ... Surpreso? Oji-Chan toma a frente sorridente como sempre.

–Chizu-Chan, sei que você estava cansada por ter trabalhado tanto noite passada, tenha cuidado você ainda é muito nova para se estressar por causa de trabalho – Sorrio sem graça para ele e esfrego meu pescoço.

–Ah Oji-Chan te garanto que isso não vai acontecer mais – Embora minha voz tenha soado normal, está frase está carregada de promessas obscuras para Ayane-chin.

Ele simplesmente acena positivamente e vai descendo as escadas, certamente para resolver algo da casa já que a loja está fechada.

Olho para Ryu que ainda me olha surpreso e ate ... Chocado? Ryu não é muito de demonstrar os sentimentos ou pensamentos tão abertamente, bem eu sou a única que sempre conseguiu entende-lo sem ele precisar me dizer nada.

–O que houve Ryu? – Olho-o curiosamente e ele continua parado na minha frente com a mochila em mãos. Olho para onde ele está olhando e vejo o porquê dessa reação. Eu estou vestindo suas roupas descaradamente, nem todos gostam disso.

–Ah Ryu, não se preocupe logo que eu me trocar, tiro suas roupas e até as lavo se você quiser – Digo sem jeito e nervosa pela sua reação.

–Não tem problema Chizu – Ele sai de seu transe e me estende a mochila e eu a pego rapidamente – Alias, você ficou bem em minhas roupas.

Olho para seu pé, mas não olho em seus olhos. Sinto que devo ter corado mil cores diferentes, ainda mais pelo tom que Ryu usou. É quase como se ele estivesse me cantando, ou algo assim, mas Ryu não é disso, certo? Eu acho ...

–Argh, eu as usei só porque estava sem roupas! – Uso como meu ultimo recurso, mas logo percebo o que eu disse e foi Ryu dessa vez que ficou sem reação.

–Chizu, você dormiu sem roupas na minha cama? – Ryu pergunta pasmo e um pouco atordoado, eu fico entre dizer ‘sim, eu dormi nua na sua cama’ só para não dizer ‘mas é claro que não, eu dormi com uma lingerie muito indecente’.

Por falta de palavras acabei acenado positivamente com a cabeça. E a reação de Ryu é a melhor, deveria ser filmado. Eu nunca imaginaria vê-lo nesse estado! Ele nem piscar está fazendo, não mexe um musculo, só fica parado me olhando com uma cara de quem viu algo totalmente inusitado. Mas ele não me viu, graças a deus, e tomara que ele não tenha nem tentado imaginar!

Ele está parado sem reação e aproveito essa oportunidade para ir correndo para o quarto trocar de roupa e planejar como eu daria os presentes para ele. Mas agora eu realmente não sei como vou fazer isso, já que para ele, eu dormi nua na sua cama e o considero ‘um homem’. E sem mencionar a proposta que eu fiz para ele, como será na escola agora? Será que ele vai perceber alguma coisa?

Notas finais
Dia 31 não se esqueçam! Beijos e até lá 0/