What Is Love ?
37 Locked with the Moon
Notas iniciais
Pov. Ally
Eu odiava festas.
Odiava ter que ser obrigada a vir. Era Halloween, o que parecia legal, mas a festa em si, não era nem um pouco. Tudo de animador que Trish tinha falado desde o momento em que começamos a nos arrumar, não era verdade. O mais legal é que ela mesma tinha comprado uma fantasia pra mim. Sem. Me. Consultar.
E eu que já estava decidida a não vir desde o início da semana.
– Ally ? — Trish chamou, puxando meu braço e me virei, ainda zangada, na sua direção. — Você podia se divertir, não acha ?
Tínhamos acabado de chegar ali. E considerando o pouco tempo em que eu tinha botado os pés naquele ginásio da Marino mais a minha falta de animação para festas, não podia imaginar o que ela queria dizer com diversão.
– Acabamos de chegar. — Falei. — E eu odeio isso.
– Talvez o Moon já tenha chegado pra te animar um pouco ...
– Odeio ele também. Odeio tudo. — Eu disse, completamente equivocada, porque eu não odiava Austin, de jeito nenhum. Mas eu ainda estava brava o suficiente para não ter mais trocado uma palavra com ele desde o incidente em sua casa. E agora, no momento, parecia sim que eu odiava tudo.
– Uau, alguém está mesmo de mau humor. — Ela comentou. — Está tudo bem, Ally. Não precisa ficar pensando nele ou no quão idiota ele é, mas olha pra você — ela apontou para a minha fantasia -, está linda assim. Pode se divertir do jeito que quiser. Esquecer de tudo um pouco.
Ela estava meio certa. Mas só um pouco. Aliás, eu estava vestida com uma fantasia ousada de enfermeira. Como eu disse, Trish tinha comprado sem me consultar em absolutamente nada. Eu não escolheria uma roupa com um decote como essa, totalmente justa e curta. E ainda era branca. E acho que isso não melhorava muito.
– Esquecer de tudo ... — Suspirei, cantarolando, como se estivesse considerando aquela ideia. — Como posso fazer isso, minha fada madrinha ? — Perguntei, me referindo a sua fantasia.
– Apenas dance! — Ela gritou, animada, me puxando para a pista de dança cheia de gente dançando algum tipo de música eletrônica. Toda a decoração do lugar dava um ar mais animado ao Halloween, com todas as bruxinhas penduradas no teto,teias de aranhas e fantasmas.
A festa de Halloween não precisava ser tão ruim.
Fiquei um pouco desconfortável por ter tanta gente em volta de mim, sorrindo, se divertindo, enquanto eu estava ali no meio, tentando — juro que estava tentando — dançar. Como se estivesse feliz e tal.
– Talvez você precise de uma bebida — Trish disse, dando uma risadinha. — Ouvi dizer que alguns garotos do segundo ano batizaram o ponche. Vou pegar um pouco. — E ela simplesmente se afastou, me deixando sozinha sem eu mesmo poder protestar.
Cruzei os braços e percebi que estava mesmo atrapalhando todas as pessoas que estavam se divertindo ali.
– Você costumava gostar de dançar. — A mesma voz áspera e grave que estava me perseguindo a uma semana falou atrás de mim. Gavin tinha um sorriso no rosto, sempre parecendo abusar da ironia.
– O que está fazendo aqui ? — Perguntei. Afinal, era um baile da escola. Não-alunos só podiam entrar se fossem convidados por alguém daqui, o que eu duvidava ser o caso. — Ainda me perseguindo ? Fica meio chato depois de um tempo.
– Você tem razão, fica mesmo chato depois de um tempo. — Ele sorriu. — Mas ainda não foi tempo o bastante. E respondendo sua pergunta: Eu tenho muitos amigos por aí.
– Você sempre tem. — Me virei de volta, procurando por Trish e torcendo para que alguma coisa me tirasse dali o mais rápido possível. Mas tudo o que via eram adolescentes dançando e muitas luzes em volta de mim, me fazendo quase fechar os olhos.
– Está tão diferente, Ally. — Gavin disse, em meu ouvido. Tão baixo que eu só pude escutar pela proximidade, que aliás, me incomodava bastante. Era estranho pensar que á dois anos atrás, estávamos juntos e isso não me incomodava. Mas agora, acho que podia dizer que sentia mesmo nojo.
– As pessoas mudam, todo mundo muda. Ninguém é o mesmo quando o dia acaba. Agora, se me der licença, preciso ir procurar minha amiga. — Já estava me distanciando quando o mesmo me puxou de volta, segurando minha cintura e mantendo nossos rostos perto demais. — O que está fazendo ? — Perguntei, querendo me soltar.
– Ei, se acalma. — Falou, relaxado. — Pelo menos você continua sendo agressiva. — Falou, rindo. — É uma festa, por que não podemos dançar ? Apenas nos divertir ... — Seu tom era convincente, mas não o bastante pra mim.
– Porque eu não quero. Fim.
Notei que o mesmo não estava fantasiado nem nada, o que só me levava a acreditar mais ainda que estava ali só para continuar com seu plano ridículo de me perturbar.
Na entrada do ginásio, pude ver Austin. Ele estava chegando e parecia tão desanimado quanto eu. O que me deixou um pouquinho melhor, devo admitir. O loiro estava vestindo uma fantasia de policial, o que eu julguei ser engraçado. Dez estava ao seu lado, e por um momento, nossos olhares se encontraram, até eu desviar. Não queria olhá-lo.
– Seu namorado chegou — Gavin disse. — Já está pronta para fazer as pazes ?
A maneira como ele zombava de tudo, me irritava. O jeito como ele falava das pessoas, como se fosse superior, me dava repulsa e raiva. Mas naquele momento, eu realmente precisava me livrar da aproximação de Austin o máximo possível.
– Não. — Falei. — De jeito nenhum.
Ele sorriu, e aquele sorriso, em especial, me assustou um pouco.
– Então, você já está pronta pra festa ? — Perguntou com as sobrancelhas arqueadas e a expressão traiçoeira enquanto me estendia a mão, que finalmente tinha saído da minha cintura.
– É,acho que estou. — Respondi, pegando sua mão, ainda com receio e me perguntando quando foi que eu tinha enlouquecido de vez.
( ... )
Sabe o que é passar cada segundo praticamente sendo engolida viva pelos olhos de uma pessoa ? Posso garantir que não era nada agradável. Nem um pouco mesmo. Austin Moon, estava realmente disposto a me fazer sentir assim.
Já fazia mais de 1 hora que eu estava ali, com Gavin. Ele não era a definição de boa companhia, mas eu havia tomado aquele ponche batizado e não me importava mais com isso agora. Nesse tempo, eu já havia dançado com ele, brigado, discutido e praticamente espancado. Mas não me daria ao luxo de voltar a olhar para Austin.
Percebi que, ciúmes é uma coisa interessante. E orgulho também.
Meu celular vibrou com alguma mensagem, e ignorando totalmente alguma coisa que Gavin falava, simplesmente o peguei e li.
Era Trish, ela falava que estava me procurando dentro da escola e que era urgente. Ignorei totalmente Gavin mais uma vez e saí, o deixando sozinho. Não pude deixar de olhar para o canto aonde Austin estava passando toda a festa me vigiando, mas ele não estava mais lá. Estranhei isso mas segui para dentro da escola.
Na mensagem, Trish dizia alguma coisa sobre estar me esperando na sala 28, no terceiro andar.
Tentei ligar para ela e perguntar o que tinha acontecido, mas ela não atendia de jeito nenhum, o que me deixou realmente preocupada. Entrei no banheiro feminino enquanto tentava falar com ela pela décima quinta vez e me olhei no espelho.
Aquele roupa era mesmo horrível. Eu estava parecendo uma vadia. Isso me fez rir um instante, antes de eu me concentrar em voltar a procurar por Trish.
Finalmente cheguei a tal sala 28, entrei rápido, fechando a porta atrás de mim. Mas Trish não estava ali. Quem estava era Austin.
– O que está fazendo aqui ? — Perguntamos ao mesmo tempo, e pelo que pude perceber, ele não estava exatamente de bom humor. Mas isso não era ruim, já que eu não estava também. — Eu perguntei primeiro. — Falamos, de novo ao mesmo tempo.
– Tudo bem, o que está acontecendo aqui ? E quanto a Trish ? — Perguntei rápido, antes que ele falasse algo também.
– Não sei dela. Dez me pediu para encontrá-lo aqui. — Falou,e não parecia estar mentindo.
Me virei, pronta para sair dali. Girei a maçaneta da porta várias vezes, mas não abria. Bati com as minhas mãos e pés, a empurrando, numa tentativa inútil de tentar sair dali o mais rápido possível, antes de ter que olhá-lo novamente. Mas tudo o que consegui foi machucar minhas mãos e pés.
– Austin — o chamei. — Estamos trancados.
– O que ?
– Estamos trancados. — Falei, mais alto e com mais raiva.
Ele se aproximou da porta, tentou abri-lá com socos e chutes já que a maçaneta simplesmente não estava ajudando.
– Alguém nos trancou aqui. — Falou, parecendo entediado. E não, essa não era a minha versão favorita dele.
Automaticamente, peguei meu celular e liguei para Trish. Magicamente, ela finalmente atendeu.
– Alô ?– Perguntou, parecendo feliz, estava praticamente cantando.
– O que você fez ? — Perguntei, realmente zangada. — Trish, você nos trancou aqui ? Não minta ...
– Sim, fui eu. Eu e Dez.– Ela falou, do outro lado da linha. Parecia tão contente, como se estivesse realizando um sonho. No fundo, pude ouvir as risadas de Dez. - É Halloween, sabia ? Fazer pegadinhas nessa data do ano cai muito bem.
– Eu vou te matar.
– Quando você conseguir sair, e vai ser só quando vocês fizeram as pazes. Considere meu presente.
– Eu vou matar vocês dois.
– Você deveria nos agradecer.– Trish disse. — Mas bem, tenho que voltar pra festa, quando estiver tudo bem aí, me avise.
– Trish ... — Tentei dizer, mas já era tarde demais. Ela havia desligado.
Não tentei ligar pra ela de novo porque sabia que a mesma não atenderia. Olhei para Austin, que agora, estava jogado em cima do que deveria ser a mesa do professor. E então, era isso. Eu estava trancada com ele em uma sala no terceiro andar, — aonde ninguém subiria hoje — até o fim da noite. Um ótimo Halloween, pensei, com ironia.

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