What Is Love ?
26 Estrela cadente
Notas iniciais
Pov. Austin
Por incrível que pareça, as conversas lá em baixo já estavam diminuindo. Talvez,porque já tinha se passado muito tempo. Mas eu nem tinha percebido isso. Não foi difícil começar uma conversa com a Ally, ela parecia mais tranquila agora.
– Você sabe que não vai se livrar de mim tão fácil, não é ? — Perguntei, sorrindo. Eu já tinha falado isso antes, mas na hora, ela apenas corou. O que foi incrível, porque isso quase nunca acontece.
Ela sorriu também. Me perguntei o que passava pela sua cabeça naquele momento; e também o por que dela realmente se importar com o que me disse. Mas por um lado, eu acho que a entendia. Digo, ela tem medo de um grande vilão — que em certas circunstâncias, pode ser o mais cruel de todos — chamado amor.
E eu não sabia o que essa palavra significava pra ela. E talvez também não soubesse o que era pra mim. Mas eu ainda a conhecia no conceito geral, e — sem querer ser muito convencido — acho que estou conseguindo ensiná-la esse conceito.
Acho que essa era a grande concessão.
– E essa foi fácil ? — Ela perguntou.
– Até demais.
Ally riu. Parecia idiotice minha realmente ficar olhando pra ela e tentando observar cada pequeno detalhe. E é, eu estava fazendo isso agora. Suas bochechas estavam mais rosadas do que o normal, e ela parecia feliz, mais relaxada do que ficaria se estivéssemos na cidade.
– No que está pensando ? — Perguntei, ainda na busca pelos seus pensamentos, mesmo sabendo que nunca seria o bastante.
– Estou tentando imaginar a cara do meu pai quando souber que eu fugi dele. — Ela riu, depois balançou a cabeça. — Eu só deixei um bilhete meio desaforado pra ele.
Eu acabei rindo por imaginar meu pai também. Pensei nele chegando em casa, estressado como sempre e indo direto para o quarto ou escritório sem ao menos falar com a minha mãe, como ele sempre fazia. E depois, perguntar se já estávamos prontos para aquela merda do jantar e Mimi dizer apenas que eu tinha viajado. Ele ficaria furioso. Faria sua mesma expressão incrédula que eu já conhecia muito bem, e ficaria vermelho.
Posso ao menos rir disso agora.
– Acho que a cara do meu ainda iria superar. Eu deveria ir com eles em um jantar estúpido junto com a família da Kira. — Falei.
Ela mordeu os lábios.
– Austin, posso te perguntar uma coisa ?
– Qualquer coisa, princesa. — Respondi e ela riu.
Ally pareceu pensar um pouco em como perguntar. Ela enfim, suspirou, e se virou na cama ficando frente á frente comigo.
– Você já teve algo com a Kira ?
Cerrei os dentes. Não era exatamente uma coisa que eu gostaria de lembrar. Gemi de angústia só por ter que responder isso. Definitivamente aquela não era uma boa pergunta.
– Não me faça lembrar do ano passado. — Murmurei, fazendo uma careta.
Ally cobriu a boca com a mão e eu não sabia dizer se ela estava assustada, paralisada ou se estava achando engraçado.
– Já ?– Ela perguntou, com cautela e os olhos mais arregalados do que o normal.
– Ano passado. — Comecei. — Isso foi antes da Emma ter uma crise de rebeldia, e quando eu estava tentando ser perfeito aos olhos do meu pai. Foi ridículo. Eu nunca gostei dela.
– Por que nunca falou isso ?
Resmunguei um palavrão.
– Vamos falar de concupiscência.
– Você sabe o que é isso ? — Ela perguntou, parecendo chocada.
– Algo com apetite sexual.
– É. Isso ainda tem a ver com a história da Kira ?
– Não, mas eu estava tentando fazer essa conversa estúpida e desnecessária sobre atitudes infames que eu tive em uma época sombria levar a algo que tenha a ver com sexo.
Ally revirou os olhos; passou a mão no cabelo o colocando um pouco para o lado, naquele gesto simples que eu achava sexy e que ela fazia quando estava nervosa. Ela tinha um sorriso divertido nos lábios mas seus olhos pareciam meio desapontados.
– Ela deve ter delirado. Ela é louca por você. — Sua voz tinha um "quê" de amargura, qual eu achei engraçado.
– Na verdade, ela não dava a mínima pra mim na época. — Falei.
– Isso não faz sentido. — Ally disse, balançando a cabeça.
– Ah, quando se trata da Kira, faz sim muito sentindo. — Ela franziu o cenho. — Tipo, eu estava tentando parecer interessado nela, mas ela simplesmente me ignorou. Mas agora que eu não tento nada com ela ou nem mesmo me importo em dar um "oi", ou coisa assim, ela parece interessada. Kira é o tipo de garota que gosta de ter as pessoas aos seus pés.
– Ela é superficial, eu sei. Mas deve estar melhor agora com o curativo no nariz. — Ela disse, debochada.
– Ah, com certeza. — Suspirei. — Você é perigosa.
– Você já deveria saber disso.
Ela virou o rosto para encarar a janela. Ela sempre foi muito pensativa e centrada. Mas eu estava gostando de ver sua versão mais despreocupada. Ela se virou de volta pra mim.
– As coisas que você fez ano passado foram muito ruins ? — Perguntou. — Além de ficar com a Kira.
– Não. Mas eu não estava sendo eu, de verdade. Não foi um bom ano.
– Como assim não estava sendo você ?
– Já sentiu como se estivesse vivendo a vida de outra pessoa ? Eu não me sentia bem com a minha família, me sentia como um estranho. Ainda não me sinto bem estando no mesmo comôdo que o meu pai, mas pelo menos não me sinto mais como um estranho. Sei que o problema disso não sou eu, mas ele. — Antigamente, também não me sentia bem falando sobre essas coisas, mas agora é natural pra mim. Apenas mais um fato.
Ally assentiu, cautelosa. Ela sempre parecia tão precisa, nunca exigindo demais ou fazendo algum comentário. Aproveitei também aquele momento pra falar sobre a minha história no time de basquete e por que eu tinha saído e entrado no time de futebol. Acontece que, os caras do basquete eram apenas uns idiotas que só se importavam com a vitória. Sempre brigando entre si e colocando a culpa uns nos outros.
Estava contando uma das Aventuras da Emma, quando uma luz iluminou a janela, fazendo a Ally pular em direção ao lugar.
Levantei da cama devagar e parando ao seu lado.
– O que era ? — Perguntei.
– Uma estrela cadente. — Ela falou, baixo e lento. Ally fechou os olhos e imaginei que estivesse fazendo um pedido. Quando os abriu de novo, tinha um sorriso infantil no rosto, mas sincero. Seus olhos brilhavam e ela não parecia ser a mesma garota que me chamava de idiota todos os dias. — Eu sempre acreditei nos pedidos que fazemos á uma estrela cadente. — Ela riu. — Parece meio idiota, não é ?
– Não. — Disse, sorrindo. — Não é idiota.
Na verdade, eu estava um pouco paralisado por vê-la tão ... tão diferente. Talvez só naquele momento que eu estava a conhecendo de verdade,digo, todos os seus lados e não apenas aquele que tinha um muro de proteção em volta. Seus lábios se curvavam ainda num sorriso. Seus lábios ... Aqueles vermelhos e carnudos que eu realmente queria estar beijando agora.
– O que você pediu ? — Perguntei.
Ela me encarou com seus olhos castanhos e grandes por alguns segundos. Pensei que ela poderia estar decidindo se me contaria ou não. Mas seu olhar era intenso demais, forte demais. E aquilo me atraía, de algum jeito. Não sei quanto tempo levou: Cinco minutos ou cinco segundos ? Não faço a menor ideia. Só sei que, depois disso, nossos lábios estavam colados.
Eu estava pedindo mais, eu precisava de mais ar para não ter que acabar logo com aquilo. Mas era quase impossível. Era quase impossível respirar naquele momento. Não quando eu só conseguia pensar que ela estava ali, com seu corpo colado no meu, e eu tinha a certeza de que ela queria aquilo tanto quanto eu e que não iria me afastar ou brigar comigo.
Eu a sentia se arrepiar com a minha mão passando por baixo da sua blusa e a apertando, a fazendo suspirar pesado. Caminhamos juntos e ainda nos beijando até a cama, aonde eu pude ficar por cima dela e admirar seu rosto com a expressão de prazer que estava nele.
Ela gemeu quando sentiu o volume que se instalava na minha bermuda sobre a sua barriga e eu distribuí beijos pelo seu pescoço.
Ela me afastou um pouco, só o bastante para falar:
– Eu pedi para que esse momento nunca acabasse. — Ally disse, e eu sorri para ela antes de voltar a beijá-la. É, eu também não quero que esse momento acabe.
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