Notas iniciais
Adrien encarava a vista da janela do seu quarto em silêncio. Plagg voou até ele, segurando um pedaço de queijo, já impaciente.
— No que você tanto pensa?
— No que aconteceu mais cedo.
— Ah sim, com aquela garota. – o kwami revirou os olhos pelo drama desnecessário.
— Acha que eu fiz certo em dizer que somos só amigos? – virou na direção dele – Tipo, ela ia me beijar e eu... Pensei na Ladybug na hora. Só que a Ladybug não quer nada comigo e ela já deixou isso bem claro.
— Eu acho que você é burro. – disse no impulso.
— O que disse? – bom, agora que já tinha dito, continuaria a sua linha de raciocínio.
— Você só fica preso à esse amor pela Ladybug, mas mesmo que ela gostasse de você, como acha que isso funcionaria?
— Como assim?
— Vocês não podem saber as identidades um do outro. – explicou o óbvio – Pelo que eu me lembro e pelo que eu li na internet, namoro com segredos não são saudáveis.
— Internet? Você usou a internet?
— O ponto não é esse. O ponto é que vocês até poderiam dizer que estão namorando. Mas vocês não seriam namorados. – Adrien fez uma expressão confusa – E sim, dois heróis que se beijam. Porque só vão se ver durante as batalhas e patrulhas. E nas suas vidas pessoais, ninguém vai poder saber que estão envolvidos um com o outro. – o loiro suspirou, nunca tinha parado pra pensar nisso. – Esconderiam segredos dos seus amigos, familiares e de vocês mesmos.
— Mas se a Ladybug me amasse, não acha que ela revelaria a identidade dela? – perguntou com a voz baixa.
— A revelação das identidades não é uma questão de amor, Adrien. É uma questão de segurança e estratégia. – Plagg na verdade nem ligava para isso, mas ele e Tikki tinham conversado tanto sobre o assunto nos horários livres, que ele sabia e entendia o ponto de vista dela.
— Entendi. – suspirou novamente – Então eu fiz burrada em ter dispensado a Kagami, não fiz?
— Depende. Você gosta dessa garota?
— Acho que sim.
— Eu acho que não. – o loiro olhou para o kwami sem entender – Tá, ela é legal, bonita e vocês têm algumas coisas em comum. Mas você a conhece? O que sabe dela?
— Bom, a Kagami faz esgrima e é... Mais velha.
— E?
— Ok, tem razão. Eu não sei muito sobre ela.
— Pois então. – concordou de boca cheia, mastigando o queijo – Na minha opinião, se quer seguir em frente, procure conhecer ela. Ou procure por alguém que você já conheça. – Plagg disse com um tom levemente sugestivo.
Outra coisa que as conversas com Tikki fizeram ele entender, é que os seus portadores se amavam, mas de maneira inusitada. Não custava dar um empurrãozinho em Adrien. Até porque, Marinette era filha do melhor padeiro da cidade. Seria um sonho para Plagg que os dois namorassem.
Tikki era tão sortuda.
— Tipo... A Marinette? – foi a primeira pessoa que veio em sua mente. Deu um sorrisinho discreto ao lembrar dela com os cabelos soltos mais cedo.
— É. Talvez. Você que sabe. – falou rápido. Não querendo parecer suspeito.
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, seu celular tocou.
Um alerta de akuma.
Adrien rapidamente ligou a televisão e se deparou com uma cena inusitada, Ladybug – com um uniforme diferente – lutando com Queen Bee e Volpina.
— Como assim?
— O quê? – Plagg se aproximou também.
— Uma delas deve ser um akuma e a outra um sentimonstro? – o kwami não respondeu, apenas ficou encarando a luta. – Preciso ajudá-la. Plagg, claws... – batidas na porta o interromperam e Plagg se escondeu rapidamente. – Sim?
— Seu pai mandou você estudar piano agora. – era Nathalie – Irei verificar o seu desempenho de quinze em quinze minutos.
— O quê? Por quê?
— Você fugiu da cerimônia do casal Bourgeois. Seu pai decidiu que esse era o seu castigo.
— Mas...
— Volto daqui a quinze minutos. – Nathalie saiu e Adrien grunhiu baixo com um pouco de raiva.
— Você não vai obedecer, não é? – Plagg questionou.
— Claro que não. Preciso ajudar a Ladybug, depois eu me entendo com ele. – era bem provável que não se entendesse e ficasse de castigo para o resto da vida depois de fugir de outro castigo. Mas não podia deixar Ladybug na mão. – Plagg, claws out!
Chat Noir correu o mais rápido que pôde até o local da batalha. No caminho, viu algumas chamadas perdidas de Ladybug. Sabia que ela estava precisando de ajuda mesmo, visto que normalmente ela ligava apenas uma ou duas vezes. Dessa vez ela tinha ligado sete.
Apressou mais ainda o passo para chegar o quanto antes e ajudá-la.
***
— O que foi? O seu parceiro te abandonou, Ladybug? – Volpina questionou irônica, jogando a heroína longe.
— É Dragon Bug, pra você. – se apoiou em seus cotovelos e levantou novamente. Faria isso quantas vezes fosse preciso. – Cadê aquele gato? – murmurou baixo com certo receio.
Marinette estava exausta, tanto mentalmente, quanto fisicamente. Não conseguia pensar em um plano e não podia usar ser Lucky Charm, pois a sua transformação acabaria em breve. E ela sentia que Miracle Queen e Volpina não dariam uma pausa na luta para ela recarregar.
Além de tudo precisava achar Mestre Fu e a caixa de Miraculous, que provavelmente estavam na posse de Hawk Moth e Mayura.
Estava tudo desmoronando na sua vida pessoal e ainda mais na vida heroica.
Era tudo sua culpa.
— Tanto faz. – Volpina deu de ombros.
— Miracle Queen, use o seu poder. – Hawk Moth disse na mente de Chloé. – Ela já está cansada, será fácil de pegar o Miraculous. Faça isso o quanto antes.
— Com prazer, Hawk Moth. – Chloé levitou e seus olhos tomaram uma tonalidade amarelada.
— Mas o q... – Dragon Bug deixou a sua fala morrer assim que viu o que pareciam ser zumbis, exatamente idênticos a cada herói cujo Miraculous foi dado por Ladybug, surgindo do chão. Inclusive ela mesma.
— Atrasado, mas cheguei. Bom ver você, my lady. – Chat Noir pousou ao lado da parceira atraindo a atenção dela. Ele tinha usado o apelido – Gostei do novo traje.
— Chat, eu...
— Cuidado! – o herói se colocou na frente dela e desviou o bastão jogado por Chat Noir zumbi. – O que são eles?
— Não sei, deve ser o poder da Miracle Queen.
— Miracle Queen?
— Chloé akumatizada, ou melhor Queen Bee.
— Como assim?
— As duas estão com o Miraculous da abelha e da raposa. – Dragon Bug puxou a espada – E Hawk Moth pegou o Mestre e está com o resto dos Miraculous.
— O quê? – quase gritou.
— Eu explico depois.
— Ataquem!
— Algum plano? – Chat Noir questionou ao ver o exército de zumbis ir para cima deles.
— Lutar.
***
Mestre Fu se remexeu impaciente na cadeira a qual ele estava amarrado. Tinha recém acordado em um lugar estranho.
— Poupe suas forças. Você não vai sair daí. – Hawk Moth falou. Fu então levantou a cabeça e viu o vilão em frente a uma janela gigante redonda. Borboletas brancas estavam ao redor dele e a baixa luminosidade deixava o ambiente ainda mais macabro. – Está pronto para me dizer a identidade da Ladybug ou do Chat Noir?
— Nunca.
— Então você vai assistir a queda deles em silêncio, Guardião? – disse a última palavra em tom irônico.
— Eles não vão cair, Hawk Moth. Você vai. E sabe disso. – o vilão riu.
— Veremos então. – deu as costas para ele e voltou ao seu posto. – Miracle Queen, eu espero que você e Volpina possam dar conta.
— Nós vamos, Hawk Moth.
— Excelente.
Fu olhou ao redor e viu a caixa de Miraculous parada em um canto. Como escapar parecia improvável, precisava dar um jeito de no mínimo chegar até a caixa.
Respirou fundo e se acalmou, guardando a energia que ainda restava. Precisaria de toda possível mais tarde.
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