What If...?

20 Um tipo de final..?


Notas iniciais
Oi pra todo mundo que por algum motivo ainda visita essa história que foi tão querida e adorada por mim. Ao longo dos anos eu sempre tentei voltar, mas nunca conseguia as palavras certas. Por incrível que pareça, aquela época foi uma das mais difíceis da minha vida, e eu comecei a parar de conseguir fazer todas as coisas que eu amava, e escrever, escrever What If, foi uma delas. Me senti um fracasso, por não conseguir mesmo tentando muito muito mesmo. Abri esse site por acaso, hoje, em 2026, mais de 10 anos depois, e me deparei com algumas mensagens que recebi dos meus leitores ao longo dos anos e, gente, que emoção poder ter vivido isso com vocês de alguma maneira. Esse projeto está sempre na minha mente e no meu coração, então, decidi compartilhar o último rascunho que escrevi, lá em 2017, e que daria continuidade ao arco final da fic, em que o Castiel e o Nathaniel finalmente se entenderiam e enfrentariam todos os problemas que existiam entre eles e suas famílias. Eu não vou fazer promessas falsas, de que vou tentar terminar e voltar a escrever, porque sinceramente não acredito que eu consiga. Mas sinto que eu devia algum tipo de conclusão a vocês que eram o que me movia naquela época complicada. Muito obrigada pelo carinho sempre. Especialmente a quem foi me procurar, me mandar mensagens aqui e até mesmo em outras redes sociais. Eu tenho um carinho imenso por todos. Espero que estejam bem e felizes. Vocês são especiais, obrigada por tudo. Um grande abraço, Daydream.

Desperto num repente, buscando por ar.

É como se eu não respirasse há duas semanas, meus pulmões ardem e tentam puxar o máximo de oxigênio possível.

Logo depois, sinto meu corpo doer.

Cada pedacinho dele, dos braços aos pés, da ponta do nariz até o joelho. Minha cabeça dói como se fosse explodir, e eu reclamo baixinho.

Tento abrir os olhos, mas a claridade age como se fosse me cegar. Tusso, tentando limpar minha garganta dolorida, para conseguir reclamar de uma maneira audível.

— Castiel?! — ouço a voz de Lysandre, e logo rosto dele entra em foco — Ele acordou! Lizzie, chame os médicos, rápido...!

— O que...? — tento me sentar, mas estou ligeiramente preso. Há vários fios ligados a mim, me conectando aos aparelhos ao lado da cama. — O que aconteceu?

— Fique calmo, meu amigo. — Lys aperta meu ombro com leveza, me forçando para trás de maneira suave — Deite-se, logo um médico qualificado chegará para atendê-lo.

— Lysandre, onde é que eu estou?

— No hospital, estamos esperando você acordar há dias! — ele responde feliz, com os olhos marejados. Isso é novidade para mim — Nathaniel vai ficar extasiado!

— Nathaniel...? — meu coração palpita de preocupação e se aquece por alguma razão — Onde é que ele está? Ele está bem?

— Uma pergunta de cada vez. — um médico anuncia, entrando pela porta e vindo checar meu prontuário, preso a cama — Não vamos estressá-lo. Castiel, como você está se sentindo?

Olho ao meu redor. Estou em um quarto branco e minimalista. Tudo é branco e azul, milimetricamente organizado e limpo. O médico que me atende é um homem alto e forte, de pele e cabelos escuros.

— Confuso. — digo, na lata — E dolorido. Muito dolorido.

— É de se esperar, você está desacordado faz dois dias. — ele sorri, transmitindo confiança — Eu sou o doutor Mathew e estou aqui para cuidar de você. Está sentindo alguma dor em particular? No rosto ou algo assim?

— No rosto...? — levo a mão à minha bochecha direita. Há curativos ali, e o local está extremamente sensível — Um pouco. E na perna também, além de todo o resto.

— Você se lembra de tudo o que aconteceu antes do acidente que sofreu? — o médico questiona

— Bem nebulosamente... — e, agora que paro para pensar sobre isso, tudo parece ter acontecido há meses atrás. — Eu desci a montanha sem o instrutor. Estava nervoso, confuso e frustrado... Fui atrás de Nathaniel...

— E...?

— E então, assim que passei por ele, eu bati em alguma coisa. — vou narrando, no automático, enquanto relembro a cena — Perdi a consciência logo depois de ser atingido.

— Sua memória está muito bem, o que é uma notícia ótima. — dr. Mathew constata, e Lysandre suspira aliviado — Você sente dificuldade para lembrar-se de antes disso?

— Não. — fecho os olhos, com pesar. "Gostaria de esquecer." — Está tudo bem claro.

— Você passou por um trauma bastante terrível um dia antes de se machucar e bater a cabeça, por isso o que a equipe mais temia era o esquecimento de acontecimentos recentes e passados. — ele explica — Mas pelo visto, sr. Graham, sua cabeça é dura feito pedra. Essa é realmente uma notícia maravilhosa. O sr. tem muita sorte.

Resmungo sobre minha cabeça ser dura e ouço uma risadinha vinda de Elizabeth, no canto da sala. Pobrezinha, ela está com o rosto vermelho de tanto chorar.

— Devido ao seu estado mental milagrosamente perfeito, sinto que devo passar-lhe o seu diagnóstico. — o médico segura o prontuário — Acha que isso lhe prejudicará de alguma forma?

— Não, eu quero saber disso o quanto antes. — respondo respirando fundo

— A sua situação física não está nada boa, mas com o tempo melhorará. Ao atingir a árvore, você bateu com força o lado direito do rosto, a batida na têmpora o fez perder a consciência, e a área do seu maxilar ao queixo abriu-se. Por isso está protegido com gaze e dolorido.

— Puta merda... — levo a mão ao local, inconscientemente

— Não para por aí. — ele me olha com pesar — O tórax não foi atingido, e seu braço teve uma leve torção, corrigida assim que você chegou ao hospital. Acredito que com o repouso, em dois dias ele estará em perfeita forma. Infelizmente, sua perna esquerda não teve a mesma sorte.

Puxo o lençol que me cobre, e encontro minha perna engessada da sola do pé até a altura do joelho. Tento mexê-la, mas o local dói extremamente e eu faço uma careta.

— Tíbia e fíbula são os dois ossos principais na região inferior da perna. A fíbula é menor do que a tíbia e paralela à ela. Ela está localizada no lado lateral ou exterior da tíbia. Então é comum, por estarem uma do lado da outra, que uma fratura na tíbia passe para a fíbula. Foi o que aconteceu no seu caso. Mas se seguir as prescrições de repouso intenso, logo poderá retirar o gesso e andar com as botas imobilizadoras e muletas, mas por enquanto o repouso é essencial.

— Repousar não vai ser um problema para ele, sabe. — Lizzie tenta aliviar o clima, mas isso me deixa irritado

— Cala a boca. — olho para o médico novamente — Mais alguma coisa?

— Por causa dos traumas, você poderá se sentir cansado e esgotado, mas o pior já passou. — ele sorriu calmamente — Assim que retirarmos os pontos, você receberá alta e poderá ir para casa. Por agora, alimente-se e descanse para recuperar as forças. Você lutou bravamente por dois dias, agora precisa repousar.

— Obrigado, doutor. — Lysandre sorri — Devemos chamar um enfermeiro? Para o check-up diário.

— Chamarei, por agora, deixem-o sozinho para se alimentar e dormir. — ele anuncia enquanto sai da sala, me deixando com meus dois melhores amigos

— Será que eu posso te dar um abraço? — Lizzie diz baixinho se aproximando da cama, me pegando de surpresa

Dou um sorrisinho.

— Quebrei sim, mas não sou de vidro sabe? — abro os braços e ela quase pula em cima de mim, me tirando o fôlego levemente, por causa da dor

— Você não sabe como esses dias foram agonizantes... — ela soluçou — Andar na corda bamba desse jeito quase matou a todos nós...

— E ainda assim não fomos nós que sofremos mais. — Lys me olha estranho, como se me cobrasse algo — Nathaniel não saiu do seu lado. É injusto que ele não tenha te visto acordado...

— Onde ele está? — afrouxo um pouco o abraço com Elizabeth, olhando preocupado para Lysandre — Como ele está? Está machucado?

— A saúde dele está bem, mas acho que sua mente não... — ele desvia o olhar — Acho... Acho que ele teve uma reação muito forte quando você se machucou. Mandei-o para casa pouco antes de você acordar, para ele tomar um banho e dormir.

Meu coração aperta. Ele não precisava...

— Nath revezava entre ficar aqui, naquele sofá, te olhando — ela aponta para o sofá branco, perto da janela do quarto — Ou, quando não podia ficar dentro do quarto, agonizando na sala de espera, esperando notícias. — a loira me olha como se entendesse algo e eu sinto meus olhos arderem

Talvez seja a energia acumulada, a dor, os traumas, o acidente... Mas eu sinto uma imensa vontade de chorar perante a essas informações.

— Por favor, avisem a ele que estou acordado. — imploro, segurando as mãos de Lizzie — Eu quero falar com ele...

— Você irá, logo ele está de volta. — Lys aperta meu ombro e sorri — E eu farei isso.

— Vem abraçar ele também, por favor. — Elizabeth chora e puxa o albino pela mão — Por favor, não me abandonem. Eu amo vocês.

E ficamos abraçados assim, enrolados em ternura, tristeza e amizade, até que uma enfermeira entra e os expulsa.

Ela me dá uma refeição extremamente esquisita, e eu acho que nunca comi tanta verdura e salada na minha vida inteira. Tomo bastante água, tentando compensar a secura da garganta.

Ela também me dá alguns analgésicos e verifica meus pontos, só para se certificar que está tudo bem.

Ajeita meu travesseiro e me diz que se eu precisar, é só apertar o botãozinho ao lado da cama.

Me sinto sozinho naquele quarto, e me pergunto onde estão meus pais. Uma sensação de abandono percorre meu corpo, e suspiro cansado.

Tento esperar acordado por Nathaniel, mas estou extremamente cansado. A atmosfera sonolenta me envolve, e eu adormeço, entrando em um sono sem sonhos.

***

Desperto no meio da tarde, há uma leve brisa vinda da janela e um resquício do sol de fim de tarde. As máquinas ao meu lado apitam e eu remexo na cama.

Também há uma leve pressão em minha mão e na cama, ao lado da minha coxa direita. Abro os olhos vagarosamente e dou de cara com uma cabeleira loira bagunçada, repousada no local. Seu rosto está contra o colchão, então não consigo vê-lo direito. Ele está sentado em um banquinho ao lado da cama, e parece dormir.

Abro um sorriso e aperto a mão dele, entrelaçada na minha, bem levemente.

Nathaniel ergue a cabeça de supetão, me olhando com muita expectativa. Assim que me vê de olhos abertos, ele abre um enorme sorriso e deixa escapar algumas lágrimas enquanto aperta minha mão com força. O loiro me olha como se eu pudesse desaparecer a qualquer momento.

— Céus... — ele limpa algumas lágrimas e soluça de leve — Eu pensei que nunca mais ia poder ver esses olhos. — respira fundo e ri de si mesmo — Não acreditei quando Lysandre me mandou mensagem avisando. Me perdoe por não estar aqui quando você acordou... Não deveria ter largado meu posto. Eu nunca consigo ser o primeiro.

— Nathaniel... — respiro fundo, tentando me ajeitar na cama. Quero tanto encostar em seu rosto e limpar aquelas lágrimas

— Shh, não fale nada... — ele se aproxima de mim, levando nossas mãos unidas para perto de sua boca. Daria tudo para dedilhar seus lábios... — Me deixe dizer algumas coisas, antes que minha razão retorne.

Calo-me sem questionar, o que me deixa ligeiramente surpreso. Estou com vontade de gritar, não de ficar em silêncio, mas me contento em olhá-lo com expectativa e surpresa. Seus olhos dourados me miram com intensidade e tristeza enquanto ele toma fôlego.

— Eu tinha decidido, para a minha saúde, que a melhor alternativa para mim era ficar longe de você. — seus olhos não desviam dos meus em sequer um segundo, e eu sinto uma pontada no estômago — E talvez seja mesmo, mas não está fazendo nada bem para a minha cabeça ou para o meu coração. Ir embora sem olhar para trás é uma tarefa extremamente difícil, e, sabe... — sua respiração falha, dando indício de uma nova onda de lágrimas — Quando te vi ali, caído na neve ensanguentada, eu decidi finalmente voltar. — meu coração falha a batida — Acho que não dá pra ignorar os nossos laços Castiel... Por mais que nós dois tenhamos tentado com todas as nossas forças.

— Eu esperei por isso faz tanto tempo... — dou-lhe um leve sorriso

— Eu achei que já tinha presenciado muita coisa ruim, que já tinha vivido meus piores momentos, mas ver o que aconteceu com você, ficar esperando sem poder fazer nada... — ele dá uma risada seca — Superou tudo. Eu queria discutir, queria te questionar. Queria gritar com você por não acordar. Queria... Queria... — ele fechou os olhos, respirando fundo — Queria tantas coisas. Vê-lo desse jeito me fez chegar a conclusão de que eu não quero ficar nem mais um segundo longe de você... Longe do que você representa pra mim. De tudo o que sempre representou.

Essa era a verdade. Nua e crua.

Éramos dois garotos solitários e incompreendidos, com problemas na família e em todas as outras relações. Nós sempre fomos extremamente diferentes e opostos, mas o destino nos uniu por um motivo que não podia ser ignorado ou contestado.

Nós somos os dois lados da mesma moeda. Opostos. Diferentes. Incompletos.

— Vai voltar a estar comigo? A ser o meu... Meu Nate? — pergunto quase suplicando

Ele sorri de leve.

— Eu sempre fui.

***

- Talvez deixe uma cicatriz… — ele olha chateado para os pontos em meu queixo, passando de leve os dedos longos sobre a marca

- Cicatrizes são punk rock. — digo tentando animá-lo. Será que ele entende que a culpa não é dele?

Nathaniel ri de leve. Seus dedos ainda estão sobre o machucado, estremeço e suspiro.

- Nem todas elas, Cassi… — seu sorriso é triste, e os olhos mais ainda — Nem todas.

- O que quer dizer? A minha futura cicatriz já te desagrada? — dou risada — á sei, estragou meu rostinho lindo.

- A sua é bonita. Nada pode estragar seu rosto. — ele nem se da conta do que diz ou do rubor em minha face, olha distraído para a janela — Deixe para lá...


***

EPÍLOGO — cena que eu tinha preparado para o arco final da fanfic.


- O que?! – Nathaniel exclama quase ofendido

- Fala baixo! – dou-lhe um soco leve no braço – Quer acordar o dormitório inteiro?

- Desculpe se não reajo bem a noticias absurdas – ele revira os olhos. Estamos de costas no chão do quarto, olhando para o teto e Nathaniel se apoia num dos ombros, virando para mim.

- Não é tão absurdo assim eu querer cortar o cabelo – minha vez de revirar os olhos

- É verdade – ele sorri fracamente – Mas é um absurdo você querer raspar o cabelo.

Viro apenas a cabeça, para poder olhá-lo.

- Eu fico com cara de mal com esse cabelo – eu argumento – Não que eu não goste da cara de mal, eu gosto. Mas sabe, fico clichê. É tipo, o corte de cabelo declarado do vilão bad boy.

- Não existe essa história – ele rebate – Você vai ficar pior do que está. Vai parecer um presidiário maluco.

- Obrigado pela parte que me toca – eu digo e ele ri – É sério. Assim a banda vai decair, e será culpa sua.

- Você é o dono do cabelo.

- E é você quem não me deixa raspá-lo.

Ele passa as mãos sobre a raiz de meu cabelo, e continua o caminho até onde ele acaba, um pouco acima dos ombros. Sobe um pouco a mão e mexe no meu queixo, e então para ali, olhando para mim.

- Eu gosto do seu cabelo. – ele diz sorrindo – Pra cacete.

Eu o encaro meio hipnotizado. É engraçado pensar que ele tem esse poder sobre mim.

- Deve gostar mesmo – eu digo pousando a mão esquerda sobre a dele – Até falou palavrão.

- Ah, me deixa – ele retira as mãos bruscamente e volta a deitar de costas, olhando para o teto – Mas... É sério. O que eu falei. Não quero que corte. Não mesmo

- Não, é?

- Fora de questão.

- E porque eu deveria ouvir você?

- Porque é por isso que eu te namoro sabe – ele diz e eu dou risada – Só estou com você por causa do cabelo. Achei que era hora de abrir o jogo, ser sincero...

- Deixa eu ver se entendi – eu digo me virando e ficando meio em cima dele – Você só gosta de mim por causa do meu cabelo? E quanto a minha personalidade? Ela não é brilhante?

- Seu cabelo é brilhante.

- Você me magoou e partiu meu coração pela última vez, Nathaniel.

- Vai me dizer que gosta de mim por causa da minha personalidade? – ele ri – Aposto que é por causa das minhas roupas.

- Eca, não é por isso não – eu faço cara de nojo e ele me olha mal humorado – Se fosse por causa delas, já teria te chutado e começado a namorar o Alexy.

- Claro que sim.

- Eu gosto de você porque você é o Nathaniel. – eu digo sorrindo de leve e ele me olha desconfiado

- Então é por causa do meu nome?

- Não, idiota – dou um peteleco na cabeça dele – É que... Argh. Você é você, sabe? Não tem ninguém igual.

- Ainda bem – ele sussurra, pousando as mãos em meu rosto. Fecho os olhos com o toque – Porque eu gosto de você pelo mesmo motivo.

- Então não é por causa do cabelo?

- O cabelo cobre uns 30%

- Se eu ficar careca você vai continuar gostando de mim, então?

- Vou – eu o sinto sorrir contra meus lábios – Mas você vai ficar 300% menos sexy.

- Isso é ruim – eu rio – Talvez eu corte só as pontinhas.

- Só as pontinhas é bom.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.