What I Did For Love
39 Capítulo 38
Notas iniciais
To sem criatividade pra N/A, então deem um desconto, ok?
Não eram nem 14h e já estava exausto. Havia corrido o dia todo em busca de todo o necessário para que Rachel ficasse confortável em casa, de acordo com as especificações de Natalie, a nova enfermeira. Era uma senhora de origem francesa, beirando os sessenta anos. E além de ter ótimas referências e não cobrar um salário tão alto, gostava de cozinhar e era avó de várias crianças, então se daria muito bem com Charlie.
Ela havia feito uma lista de coisas que ele devia providenciar para maior conforto de Rachel. Mais para frente, conforme ela fosse recuperando os movimentos, mais coisas seriam necessárias e talvez algumas pequenas reformas no apartamento, mas ele estava preparado para isso.
Porém a grande correria da manhã, havia sido em busca de uma cama. Não que a que ele havia comprado quando se mudou fosse ruim, ou fosse ser algum problema para Rachel. Era simplesmente o fato de que ele já havia dormido naquela cama com Sam, mais vezes do que podia se lembrar. E como Quinn fizera questão de assinalar enquanto o ajudava a arrumar o lugar para a chegada de Rachel, trazer a judia para aquela cama seria mais que desrespeitoso. Até mesmo o quarto, mas quanto a isso ele não tinha muita saída por hora.
Ele também havia chamado um chaveiro para trocar a fechadura do apartamento, e empacotado tudo que era de Samantha, levando até o apartamento dela. Essa, na verdade, havia sido a parte mais complicada de sua manhã.
Quando a enfermeira o viu do outro lado da porta, abriu a porta toda feliz e, principal de tudo, seminua. Porém todos os planos delas se desfizeram ao ver a mala no ombro de Finn e uma caixa em seus braços.
_ Você não está de mudando para cá, está? – ele negou, com uma expressão séria. Ela entrou no apartamento, e ele a seguiu, deixando as coisas na sala. Ela sentou no sofá, o observando com os olhos cheios de água. Ele permaneceu impassível. Por mais que estivesse triste por fazer Samantha sofrer, não tinha dúvidas que Rachel era a mulher de sua vida, e de que passaria o resto de sua vida com ela, não importando o quanto tivesse que se esforçar para isso.
_ Sam, você sempre soube que eu estava esperando a Rachel acordar. – ele não fez rodeios – Eu sempre te disse que o que nós tínhamos era sério, mas que tudo poderia mudar se ela acordasse. E você sabia que ela ia acordar, o Dr. Jones me disse hoje pela manhã que você sabia. Eu não queria te fazer sofrer, mas continuar te segurando e fazer Rachel sofrer com isso, não é justo com nenhum de nós.
_ Mas como você pode ter certeza de que ainda ama a Rachel? – ela perguntou, se levantando – Você dizia que me amava, você fazia amor comigo.
_ Eu gosto de você Samantha, você sabe disso. – ele era firme – E você pode dizer, com total certeza, que meus “eu te amo” eram verdadeiros? – ela baixou os olhos e ele suspirou – Sam, você acompanhou tudo que aconteceu na minha vida, me ajudou muito, esteve ao meu lado, foi muito boa para Charlie. Mas você sempre soube que, tanto eu quanto ele, estávamos esperando pela Rachel. Ela é a mãe dele, e é a mulher que eu amo há 11 anos.
Ela não disse nada, apenas tornou a se sentar. Finn se aproximou, beijando a testa dela com carinho.
_ Se você quiser ver o Charlie, ou ele quiser te ver, não irei impedir. Mas peço que não fique rondando nossa família, pelo bem de todos. – Finn suspirou – Quando você puder separar o que tiver meu e do Charlie por aqui, pode entregar para o Sam no hospital, está bem?
Ele tirou a cópia da chave dela do chaveiro e colocou na mesa, fechando a porta atrás de si ao sair. Do corredor, pode ouvir o grito e os soluços dela, e suspirou, enquanto esperava o elevador. Ouviu-a gritar seu nome, mas não olhou para trás.
~*~
_ Muito bem Rachel. Você está oficialmente liberada. Você terá de volta uma vez por semana em um primeiro momento, depois a cada quinze dias, então três meses. – explicava o Dr. Jones – Faremos isso por um ano, mais ou menos, só para termos certeza de que não houve nenhuma sequela. A enfermeira e os fisioterapeutas estarão atentos e me avisarão se houver algum problema.
A morena assentiu, sorrindo com Charlie sentado em seu colo. O menino prestava excepcional atenção no médico. Finn estava atrás da cadeira de rodas, já com a bolsa com os desenhos e coisas que estavam no quarto de Rachel. O professor havia pedido que os cunhados não aparecessem, para que fosse um momento mais familiar.
_ Mais alguma recomendação doutor? – Charlie perguntou, fazendo todos rirem.
_ Dê muito amor e carinho para a sua mãe. Isso vai fazer ela melhorar muito mais rapidamente, além de deixá-la muito feliz. – o médico fez voz séria, e Charlie assentiu.
_ Pode deixar.
A família Berry-Hudson se despediu do médico, e Finn saiu empurrando a cadeira pelo corredor. As enfermeiras e médicos conhecidos se despediam de pai e filho, e desejavam felicidades a Rachel. A judia não sabia quem eram aquelas pessoas, mas sabia pelo que Charlie havia dito durante seu longo e delicioso monólogo, que deviam ser as pessoas que ajudaram Finn e seus irmãos a passarem por tudo ao longo dos anos.
No elevador, Charlie começou a cantar uma musiquinha infantil, que ele provavelmente aprendera com Quinn no teatro. Rachel o observava maravilhada, cada ação que o filho fazia lhe deixava maravilhada. Ela ainda não conseguia acreditar que ela havia feito aquilo, mesmo sem saber.
Chegando ao saguão do hospital, Rachel sentiu um frio gostoso no estomago. Estava acordada só há duas semanas, mas estava enfurnada no quarto há anos. Seu corpo clamava pela luz do sol, pelo ar fresco, pela sua casa. Isso a deixava mais ansiosa: como seria a nova casa? Seria muito diferente do lugar onde moravam antes do acidente?
Procurou com os olhos o sedan prata que ela e Finn tinham, mas não reconheceu diversos carros. Finn caminhou em direção a uma minivan cinza chumbo, destravando. Ele pegou Charlie no colo, abrindo a porta traseira e prendendo o filho no acento especial. Deu a volta no carro, abrindo a porta do passageiro e se aproximando de Rachel.
_ Com licença estrela. – ele a pegou no colo, empurrando a cadeira para perto do carro. Ele levou a namorada até o banco, a sentando com cuidado e colocando o cinto nela – É quase como ter outro bebê.
Rachel e Charlie riram, enquanto Finn guardava a cadeira já desmontada no porta-malas e indo sentar-se do lado do motorista. Quando ele ligou o carro, Rachel estremeceu. Ele percebeu isso, pois assim que o carro estava em movimento, ele apertou a mão dela.
_ Se acalme Rach, não vai acontecer nada. – ele garantiu. Ela tentou se concentrar na música vinda do rádio (não conhecia nenhuma), na luz do sol (ah, como era gostosa), no vento fresco nos seus cabelos longos (precisava cortá-los logo).
Ela quase não reconhecia as ruas pelas quais passavam, já que os prédios tinham cores diferentes e as fachadas já não eram iguais. Ainda havia um ou outro lugar que a fazia conseguir se localizar, e ela conseguiu perceber que estavam seguindo para perto do antigo colégio de ambos.
Pararam em frente a um prédio que ela havia visto poucas vezes, já que havia sido terminado de construir quando ela estava no último ano. Finn entrou na garagem do subsolo e logo, já havia parado na vaga com o numero 10. Charlie se soltou e desceu da cadeirinha, enquanto o pai abria sua porta e dava a volta. Finn tirou Rachel do carro, a equilibrando no colo, e se dirigindo para o elevador.
_ Há uma cadeira no apartamento para se precisarmos. Essa ficará no carro. – explicou ele diante do olhar questionador dela. Ela assentiu, enquanto Charlie começava a pular impaciente – Charlie, o que eu já falei sobre pular no elevador?
O garoto parou na hora, e Rachel se surpreendeu com esse lado desconhecido de Finn. Pensou se era assim que ele lidava com seus alunos na escola, e que isso poderia tê-lo ajudado a criar Charlie sozinho.
Pararam no segundo andar e Finn caminhou até a porta, equilibrando Rachel e destrancando a fechadura. Por mais admirada que ela ficasse com a precisão e agilidade que ele tinha para fazer as coisas, mesmo com alguém dependendo inteiramente dele, lhe doía saber que isso havia acontecido por ela não estar ali com ele quando Charlie nasceu.
Enquanto passava por sua cabeça tudo que havia perdido naqueles anos, a porta a sua frente foi aberta. Charlie entrou correndo, já começando a falar sem parar. Ela achava adorável isso no filho, mesmo Finn tendo dito que era pela empolgação. Não quer Charlie fosse quieto, mas também não era uma vitrola.
Ela observou todo o apartamento maravilhada, observando que a mobília da sala era, em grande parte, a mesma que ela havia escolhido para o pequeno apartamento que dividia com Finn quando ela fez 16 anos. As cores das paredes também eram as mesmas. A diferença é que ali havia uma sala de jantar e uma cozinha maior.
Rachel também constatou que Charlie não mentia quando havia dito que haviam muitas fotos dela pela casa. As paredes eram forradas com porta-retratos dela criança, ela adolescente, e especial, ela e Finn juntos. Havia também muitas fotos de Charlie e Finn, Quinn, Puck, Santana e Sam ao longo dos anos do garoto. Ela percebeu algumas molduras vazias, mas não havia como questioná-los sobre isso.
_ Papai, vamos levar a mamãe no meu quarto. Por favor. – o garotinho praticamente implorava, fazendo os pais rirem. Finn caminhou pelo corredor com Charlie, e Rachel se pôs a imaginar o quanto estaria pesando, já que ele sequer ofegava.
O quarto de Charlie parecia inteiro novo e o garoto contou que no Natal, eles haviam refeito todo seu quarto, já que agora ele era um menino grande.
_ O papai, o padrinho e o tio Sam pintaram todas as paredes. E a Sam me ajudou a escolher os móveis, já que a tia Quinn tinha que cuidar do Caleb e a tia Sant estava ruim por causa do barrigão. – contou ele, e novamente a sensação de dor atingiu Rachel – Você viu que tem uma foto sua e do papai aqui?
Ela olhou para onde ele apontava. Na parede, bem ao lado da cama dele, havia um porta-retratos preso a parede com uma foto dela e Finn na formatura dele da faculdade. Era sua foto favorita dos dois.
_ Ficava do lado do berço dele, mas quando reformamos o quarto, tivemos que prender na parede para poder ficar bem perto dele. – explicou Finn, e Rachel assentiu – Quer conhecer nosso quarto?
O quarto em que eles dormiam antes era pequeno, com uma cama e um armário embutido. Esse era bem maior, mais espaçoso, com uma mesa de escritório e uma porta para o banheiro. Ela viu que a cama parecia bem nova, havia inclusive um plástico de embalagem preso nela. Quando Finn a deitou sobre a cama, ela virou os olhos na direção do plástico, e ele sorriu envergonhado.
_ Comprei uma cama nova para nós dois. Sabe, vida nova e coisa assim. – ele não disse com todas as letras, mas ela o conhecia bem. Sabia o que devia ter havido na outra cama, e agradeceu pela nova silenciosamente – Santana que decorou o quarto, mas se você não gostar de algo, podemos mudar e tal.
Ela negou, mostrando que havia gostado do quarto. Logo, Charlie entrou correndo, pulando na cama e começando a pular no lugar, enquanto falava apressadamente com Rachel. Ela e Finn riram, deixando que o garoto fizesse sua festa.
~*~
Assim como Finn havia previsto, Charlie caiu duro na cama dele e de Rachel, enquanto assistia a um desenho qualquer com a mãe. O homem ainda deixou que a namorada aproveitasse a companhia de Charlie um pouco, enquanto ele terminava de corrigir alguns trabalhos.
Durante o dia, a enfermeira havia ido até a casa por algumas horas. Ela explicara como Finn devia dar banho em Rachel se fosse preciso, como preparar os alimentos, ainda na forma liquida, para a morena.
Os três haviam tido momento divertidos enquanto Finn alimentava Rachel, e Charlie se melecava inteiro com seu jantar. Por recomendação do Dr. Jones e de Natalie, Finn se esforçava para Rachel não se sentir incapaz ou inválida demais, para que ela não entrasse em depressão.
Perto das 22h, algumas batidinhas no colchão chamaram a atenção de Finn, e ele viu que Rachel indicava Charlie com a cabeça. Ele desligou suas coisas e pegou o filho, o levando para a cama. Acendeu o abajur, arrumou o cobertor e voltou ao seu quarto.
Escovou os dentes ouvindo a TV do quarto. Sentia falta de Rachel falando sobre seu dia, sobre os problemas na escola, sobre a visita à Carol... Pensava que, não importando o que fizessem, nada mais seria como antes. Agora, a vida deles era completamente diferente, e eles sequer haviam visto isso acontecer.
Voltou ao quarto, encontrando Rachel semi-adormecida. Ajeitou-a no lado usual da cama, desligou a TV e deitou-se em seu próprio lado. Viu-a morder o lábio inferior, como se quisesse dizer algo. Sorriu, sabendo o que era. Arrumou-se no travesseiro, antes de puxá-la para seu peito. Ela sorriu de olhos fechados, acomodando a cabeça e logo adormecendo. Ele beijou os cabelos dela, e sentindo seu cheiro favorito no mundo, adormeceu.
Notas finais
Beijos e tal
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