What I Did For Love
35 Capítulo 34
Notas iniciais
Podem fazer isso em todo capítulo que eu ligo não, bele?
Abriu os olhos e sentiu-os queimar, então os fechou depressa. Piscou algumas vezes para se acostumar e viu que estava em um quarto inteiramente branco. Ouvia um bip irritante em algum lugar ali perto, e sentia diversos fios ligados a si, incluindo um tubo em seu nariz.
Forçou sua mente o máximo possível para lembrar onde estava, mas era tudo muito confuso. Sua última lembrança vívida era Finn, passando pela porta que ela via a sua frente. Sabia que era ele, mas quem era aquele garotinho e a mulher ao seu lado? Porque ele estava de mãos dadas com a mulher?
Olhou seu braço, tentando mexê-lo para tocar o botão ao lado da cama, mas não conseguiu. Tentou virar o rosto, mas não conseguia mexer nada, nem mesmo sua boca. Não conseguia mover nada, além de seus olhos.
_ Oh meu Deus. – olhou para a porta, e viu Quinn parada, a encarando – Noah... NOAH.
Logo o irmão apareceu, com um bebê em seu colo. Que bebê era aquele? Não era Carol. O homem gritou por alguém, e logo três pessoas de branco aparecendo,
O primeiro, um homem negro e de cabelos brancos, piscou uma luz irritante em seus olhos, fazendo-a piscar. Ele pedia que ela se mexesse ou falasse, mas ela não conseguia.
_ Rachel, tente apertar meu dedo. – ele pediu, segurando sua mão. Ela se esforçou, mas só conseguiu um leve movimento com o dedo. O homem sorriu compreensivo, colocando o braço dela de volta na cama – Vou falar com seu irmão, e ele virá te ver, está bem?
Ela piscou assentindo, e ele saiu do quarto, deixando que as duas enfermeiras cuidassem dela.
~*~
Ela estava acordada. Sua irmãzinha estava finalmente acordada. Ela havia afinal aberto os olhos, depois de tantos anos. Quinn ninava Caleb, enquanto o marido esperava por notícias do médico.
_ Noah? – ele se virou na direção do Dr. Jones, e viu seu semblante sério – Vamos a minha sala, por favor?
Ele concordou, pegando a mão da esposa e a levando com ele. Eles entraram na sala já conhecida e se sentaram nas cadeiras habituais, com Caleb logo se ocupando em tentar pegar tudo que estava sobre a mesa.
_ Ela acordou. – Puck concordou, sorrindo junto com o médico e a esposa – Porém, não sabemos as sequelas definitivas. Ela não está conseguindo mover os membros ou falar, mas isso é relativamente comum. Ela esteve “congelada” por quatro anos e três meses, os membros estão enfraquecidos...
_ E o que faremos? – Puck perguntou, ansioso.
_ Teremos que fazer uma fisioterapia intensa. – explicou o médico, calmamente – Mais temos algo mais importante ainda: teremos que ir contando as coisas aos poucos.
_ Contando as coisas? – perguntou Quinn – Você quer dizer...
_ Principalmente o Charlie. – concordou o médico – Sobre o tempo, sobre o sumiço da Carol, sobre o Caleb e até mesmo a gravidez de Santana. Normalmente as pessoas escutam quando estão em coma, mas isso não quer dizer que eles saibam de tudo. Na cabeça dela, pode ter se passado algumas horas desde que ela e Quinn entraram naquele carro para buscar Santana no bar.
_ Ela pode não lembrar que sofremos um acidente? – perguntou Quinn e o médico concordou.
_ Vocês devem explicar isso a ela, que vocês três e Carol sofreram um acidente, e que ela sofreu uma hemorragia e ficou algum tempo dormindo. – o casal assentiu – Mas apenas isso.
_ É bom que Finn esteja junto, não? – o médico concordou, e Puck apanhou o celular – Nesse caso, vou ligar para ele agora mesmo.
~*~
Finn estava cruzando a porta do hospital quando o cunhado ligou. Haviam marcado de se encontrar ali e depois ir jantar, e uma ligação dele não deveria significar boas notícias.
Mas significava.
_ Como assim ela acordou? – ele saiu do elevador já perguntando, topando com o cunhado no celular. Ele fez sinal para que Finn esperasse, e o grandão começou a quicar, enquanto Sam se dirigia ao sofá com Charlie e sentava ao lado de Quinn e Caleb. O garoto mais velho parecia ansioso para sair em direção ao quarto da mãe.
Puck desligou o celular e fez sinal para que Finn o acompanhasse. Eles foram até um canto afastado e o homem repetiu tudo que o médico havia lhe dito.
_ Mas essa paralisia não é permanente, é? – Puck negou.
_ Ele disse que ela reage aos estímulos, mas os músculos estão fracos. Com a fisioterapia e alimentação, ela logo estará se mexendo de novo.
_ E quanto ao Charlie? – ele apontou o filho no sofá – Ele não vai querer esperar para ver a Rachel.
_ Santana está vindo ai e então nós conversamos com ele e... – mas Puck não terminou seu raciocínio, porque um grito de Samantha os assustou.
_ Charlie, volte aqui.
O garoto havia saído do sofá e corrido em direção ao quarto de Rachel. Finn saiu atrás, com a namorada ao lado, e quando alcançou o garoto, ele já estava na porta do quarto. Samantha o pegou no colo, mesmo ele se debatendo, e Finn parecia atordoado, encarando os olhos chocolate a sua frente.
_ Sam, leva ele para a recepção, por favor. – pediu em um fio de voz. Charlie começou a protestar e ele se virou para o filho – Por favor campeão. Logo o papai vai lá falar com você, está bem?
Quando ele virou-se para Rachel, viu que ela chorava, os olhos fortemente fechados. Começou a se aproximar e sentou ao lado dela.
_ Rachel, eu... – mas ela não abriu os olhos, e logo chorava mais e mais e seus soluços o assustavam. A enfermeira que estava na porta pediu que ele saísse, enquanto Rachel se acalmava. Ele não queria, mas concordou. Tinha outra pessoa para cuidar no momento.
~*~
Papai. Finn era pai. Como Finn poderia ser pai? E de um garoto daquele tamanho? Ele havia tido um filho em Nova York, antes de começarem a namorar? E havia escondido dela? E aquela mulher, a loira... Seria a mesma que ela se lembrava de ver de mãos dadas com ele, saindo dali com o garotinho? O que estava acontecendo?
_ Rachel? – uma voz conhecida a chamou, e ela abriu os olhos vendo Noah a sua frente – Eu posso entrar?
Ela ainda não conseguia mover muito a cabeça, então piscou algumas vezes, esperando que ele entendesse. Ele se aproximou e sentou ao lado dela, pegando sua mão. Ela o olhou e viu que ele parecia mais velho, além de estar sem moicano. Isso a surpreendeu e assustou um pouco.
_ Uma piscada é sim, duas é não. Que tal? – ela piscou uma vez e ele sorriu – Rachel, você se lembra de alguma coisa, antes de acordar? – além de Finn e da família perfeita? Duas piscadas – Você lembra do acidente? – silêncio, pulsação acelerada, duas piscadas – Ok Rachel, fica calma, por favor. Se acalma.
Ela começou a piscar impaciente, querendo que ele falasse do que se tratava. Ele pediu novamente que ela se acalmasse, e quando ela parou, ele prosseguiu.
_ Você e Quinn foram buscar Santana no bar, lembra? – ela piscou uma vez – E o carro preto estava lá. – ela forçou um pouco a memória, ainda confusa. Novamente, mais uma piscada – Você se lembra de algo além disso? – ela novamente forçou a memória, porém piscou duas vezes – Quinn perdeu o controle do carro e vocês caíram no lago. Você nadou para a margem, assim como Quinn. Vocês todas foram resgatadas. Porém, você teve um ferimento muito sério na perna, perdeu muito sangue. Você ficou algum tempo em coma.
Ela arregalou os olhos, apertando a mão dele. Ele encarou o gesto surpreso, mas não conseguiu sorrir. Sabia o quão assustada ela estava.
_ Se acalme, se acalme. – ele pediu, acariciando o rosto dela. Ela virou os olhos para ele, que enxugou suas lágrimas – Já passou Rach, agora você está acordada, está bem. Você não está conseguindo se mexer porque ficou um bom tempo dormindo, mas logo isso vai melhorar, está bem? – foi a primeira vez desde que acordara que havia parado para pensar porque não conseguia se mexer. Estava tão perdida com tudo, que não havia pensado nisso – Assim que você estiver um pouco mais forte, vamos começar a fisioterapia, e nós todos vamos te ajudar. Eu, Quinn, Santana, Finn... – ela piscou duas vezes, e ele parou surpreso – Porque “não” Finn? – ela piscou duas vezes e ele suspirou – Está bem. Quando você quiser “sim” Finn, você deve me avisar, está bem? – ela piscou uma vez – Agora a Quinn vai vir te ver, está bem?
Ela piscou uma vez e ele sorriu, beijando a testa dele. Aquele gesto carinhoso durou uns bons segundos, e quando ele se afastou, seus olhos estava marejados.
_ Eu to muito feliz por você estar de volta. – ele garantiu, antes de se levantar e sair. Isso a fez pensar por quanto tempo teria dormido.
Logo Quinn entrou, e assim como ela percebera no irmão, a loira parecia mais velha. Mas algo na atitude dela parecia estranha, Rachel queria poder perguntar o que. A loira sentou ao lado dela, falando amenidades e coisas simples.
Esperava que ela citasse Carol, mas ela não o fez. Isso deixava a morena preocupada, mas se conteve. Sabia que muita coisa havia acontecido e teria que esperar para saber de tudo. Talvez fosse até melhor.
~*~
Charlie anda se debatia nos braços de Samantha quando Finn o pegou. Santana e Sam haviam acabado de chegar, e estava sendo inteirados por Quinn do que havia acontecido. Puck já fora na direção do quarto da irmã, e Finn o vira entrar lá.
_ Campeão, se acalma. – pediu Finn, mas o filho ainda não parava quieto – Charles Berry-Hudson, para.
O garoto parou ao ouvir seu nome completo, e encarou o pai. Finn suspirou, sentando com ele na cadeira.
_ Eu quero ver a minha mãe. – não era exatamente um pedido, mas Finn sabia que ele era bem educado demais para exigir algo.
_ Charlie, a mamãe acabou de acordar. Ela ainda está meio perdida. – explicou Finn, tentando fazer o garoto entender – Ela não sabe quanto tempo passou, como você está grande, nem nada disso. E ela está fraquinha, não consegue falar ou se mexer. Nós temos que ter calma, falar com ela devagar, explicar que você já é um menino grande... Tudo isso.
_ E porque ela começou a chorar tanto? – ele havia ouvido, todos haviam. Rachel soluçara como nunca antes.
_ Porque ela está um pouco assustada, mas logo vai passar. – prometeu Finn – Agora, vamos esperar o padrinho, está bem?
O garoto concordou, deitando no ombro do pai. Samantha sentou ao seu lado, segurando sua mão. Ele quis soltar, mas não quis parecer rude. Aquilo estava confuso, mais do que sempre, e ele não sabia como agir. Viu o olhar de Santana e Quinn sobre ele, e negou suavemente com a cabeça.
Alguns minutos depois, Puck apareceu com uma expressão abatida e chamou Quinn com a mão. A loira passou Caleb para Sam, que era o padrinho do garoto, e foi até o marido. Conversaram rapidamente em voz baixa, e a loira seguiu para o quarto da cunhada, enquanto Puck se aproximava.
_ Charlie, você pode fazer um favor para o padrinho? – o garoto concordou – Acho que sua mãe vai gostar de comer um chocolate, aquele com castanhas sabe? É o favorito dela. Você pode ir com o tio Sam na lanchonete buscar. E pode comprar um doce para você também.
O garoto concordou, ainda muito novo para entender que os adultos queriam conversar a sós. Sam deu a mão ao garotinho, enquanto levava Caleb no colo, e foram conversando em direção ao elevador.
_ E então? – a voz de Finn era ansiosa, e ele soltou a mão de Samantha, que pareceu não gostar disso.
_ Ela não se lembra do acidente, só de irem até o bar e do carro preto. – ele contou, parecendo hesitante – Ela sabe que todos foram resgatados, mas não sabe que Carol sumiu, e é melhor por hora. Ela sabe que algum tempo se passou desde que ela entrou em coma, mas não sabe o quanto. Então quando você entrar, não comente o tempo, nem explique muito sobre a gravidez, está bem Sant?
A latina concordou, acariciando a grande barriga de oito meses.
_ E quanto ao Charlie? Você contou para ela? – Puck negou – Eu devo contar, devo esperar ou...
_ Finn, você não vai entrar no quarto dela. – o homem escancarou a boca, e Puck o olhou com pena – Ela proibiu você de vê-la. Ela não quer você lá.
Notas finais
Beijos e tchau
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