Notas iniciais
Boa leitura :*

Julliet olhava atentamente o vidro que tinha em suas mãos, com um sorriso lânguido e olhos tão escuros como a própria escuridão. Em suas mãos tinha um veneno mortal, que mataria sessenta homens em apenas dois minutos agonizantes. Ela não sabia como conseguira um veneno tão assassino, o veneno de vespa-do-mar, mas estava certa do que iria fazer. Ouviu Dougie a chamando no quarto, e tratou de guardar o vidro dentro da gavetinha do banheiro, se olhou no espelho e saiu de lá; andou com passos firmes até o quarto, entrou, e sorriu docemente ao vê-lo ali, com seu corpo pálido encostado na cabeceira da cama, chamando-a com o indicador, e foi nessa hora, que ela teve certeza do que iria fazer, afinal, ela jamais conseguiria viver sem ele, respirar, dormir sem ele, não seria justo, o colchão se desgastaria desigualmente, ela viraria um corpo sem alma, sem nada, apenas uma superfície dura e completamente oca por dentro, porque Dougie tinha apenas alguns dias, ou talvez horas. Sua vida jamais seria a mesma, seria um completo breu, uma depressão tão profunda, que ela mal conseguiria levantar de sua cama, um dor angustiante, um verdadeiro vale da escuridão.

Julliet andou até ele, e se deitou ao seu lado, puxando seu rosto e o beijando-o com paixão, o mesmo correspondeu dando mais intensidade ao beijo, a envolveu em seus braços fracos e trêmulos, apertando-a com toda força que podia, queria senti-la mais uma vez, uma última vez antes de seu fim, queria sentir a pele macia e quente da garota em seu corpo, queria sentir suas pequenas mãos acariciando seu corpo quase sem vida, seus lábios carnudos e vermelhos beijando seu rosto, sua voz delicada e fina sussurrando em seu ouvido, ele queria sentir-se feliz, queria senti-la por inteiro, queria unir-se a ela pela última vez. Dougie apertou a cintura da garota, que arranhou suas costas nuas arrancando um gemido sôfrego da parte dele, o menino separou os lábios, e começou a beijar seu pescoço com avidez, e Julliet fazia um carinho gostoso na nuca do mesmo. Seus beijos foram descendo, ele começou a levantar o vestido leve e branco da menina, e foi beijando cada parte que estava sendo descoberta, causando arrepios em Julli, ele passou seus lábios pela barriga delicada dela e tirou por completo o vestido jogando-o no chão, passando sua mão por todo o corpo curvilíneo de Julliet, tentando memorizar, pela última vez, as curvas perfeitas da mulher que estava em sua frente, a sua menina delicada, com traços angelicais, e um sorriso que seria capaz de iluminar o mundo inteiro. Ele olhou para o rosto levemente rosado de Julliet, passou seus dedos por cada pedaçinho de seu rosto, se ajoelhou na cama, tirou a calça, sua boxer, e tirou as peças que ainda estavam no corpo de sua amada, pegou uma perna, e começou a fazer uma trilha de beijos até a coxa, e fez o mesmo processo na outra, deixando Julliet extasiada. Abaixou-se devagar e deitou seu corpo sobre o dela, beijando-a sem pudor algum, como se o beijo pudesse fazer-lhe ficar por mais alguns anos, ou pela eternidade; ele podia ficar ali pra sempre com ela em seus braços, queria levá-la consigo, mas não podia fazer isso, era egoísmo demais para uma pessoa em seu estado. Dougie se posicionou entre as pernas de Julli, e começou com movimentos lentos, mas firmes, fazendo a menina gemer baixo em seu ouvido, arrepiando seus cabelos da nuca. Ele juntou todas as suas forças, e começou a se movimentar mais rápido e forte, enquanto ambos gritavam de prazer; Julli o abraçou, e lágrimas começaram a cair de seus olhos cansados, Dougie parou de se movimentar, e soltou todo seu peso em cima do corpo pequeno da garota, e disse:

- Eu te amo tanto. – Falou passando o seu nariz no dela, ele deu um selinho em seus lábios vermelhos, e deitou-se ao seu lado, respirando com dificuldade. Ela olhou preocupada para o rosto pálido e triste do rapaz, passou sua mão pelo rosto dele, e o mesmo fechou os olhos para poder sentir seu toque e poder memorizar. Ela sorriu, e se aninhou em seus braços cálidos, dando beijos em seu peito, ela passou seus braços finos pela cintura do mesmo, que a abraçou com força, beijando-lhe a testa. O peito do menino subia e descia rapidamente, ele tentava achar algum ar; se levantou da cama, e ficou em pé, normalizando sua respiração, olhou para Julli que estava chorando silenciosamente, ele sentiu uma pontada em seu coração, sentou-se na cama, e a puxou para o seu colo, e falou:

- Vai ficar tudo bem, eu prometo. – Ele falou passando as mãos pelos cabelos castanhos de Julliet, que continuava a chorar desesperadamente.

- Não vai ficar nada bem Dougie, não vai. – Julliet disse, soluçando. Dougie colocou-a na cama, deitando-se junto com ela; ele a olhou intensamente, um sorriso doce e feliz brotou em seus lábios, ela não entendeu, mas devolveu o sorriso.

- Me promete uma coisa Julli. – Ele perguntou beijando o queixo dela. – Promete que você vai tentar ser feliz? – Botou sua mão no rosto da menina, e começou a passar o polegar nas bochechas rosadas. Ela não conseguia entender o por quê dele estar falando isso, pois, sabia que ela jamais conseguiria viver sem ele, ela respirava Dougie. – Por favor, Julliet, me promete. – Ele dizia sério.

- Eu prometo. – Ela soltou todo o ar que tinha em seus pulmões, e começou a chorar ainda mais.

- Me beija, por favor. Pela última vez. – O menino pediu, e ela atendeu, aproximou seu rosto do dele e começaram o beijo, cheio de tristeza, e já a maldita saudade. Dougie sabia que podia ir a qualquer momento, seu corpo, seu organismo não agüentaria por muito tempo. Suas línguas exploravam furiosamente cada canto de suas bocas, eles não queriam terminar o beijo, mas Dougie parou de beijá-la, e com a boca ainda grudada na de Julliet sussurrou suas últimas palavras. – Eu te amo Jacq...ue. – E a mão que estava no rosto da menina, caiu pesadamente no colchão, e a mesma, com os lábios grudados no dele, começou a chorar, as lágrimas de seus olhos caíam como pedras no rosto morto de Dougie; ela passava suas mãos por todo rosto e corpo do nu menino. Talvez, se eles tivessem diagnosticado antes a Leucemia, ela poderia salvar o amor de sua vida, poderia estar com ele agora. Ela foi em cima dele, e começou a gritar dolorosamente.

- NÃO! DOUGIE, MEU AMOR! FICA COMIGO, POR FAVOR, POR FAVOR! – Ela colocou sua cabeça na curva de seu pescoço, chorando, lágrimas de dor caíam rapidamente no rosto branco e delicado da garota. Levantou sua cabeça, fechou o nariz de Dougie, e abriu a boca dele, fazendo respiração boca a boca, pesando que traria sua vida de volta, mas foi em vão. – DOUGIE NÃO, FICA AQUI. – Soluçava a cada palavra que dizia, tentou uma última vez a respiração, juntou todo o ar que tinha e soltou dentro dele, o que a fez chorar ainda mais. – NÃO!

Dois Meses depois...

O vento frio e cortante batia no rosto de Julliet, que não demonstrava nenhum tipo de sentimento, um rosto vazio, com os olhos fundos e escuros, fixados nas letras douradas do túmulo preto, desenhando-as com olhos cuidadosamente. Botou a mão no bolso da jaqueta de couro preta, e tirou o pequeno vidrinho com o mesmo veneno de antes. Ela prometerá a Dougie que tentaria ficar feliz, mas nesses últimos dois meses nada parecia ajudá-la, seus amigos diziam pra ela seguir em frente, pois, leucemia se não descobre logo, não conseguimos salvar. Estava ficando cada vez mais difícil sorrir quando ela não queria; ela não tinha mais motivos pra sorrir, afinal, o motivo único de sua felicidade, era acordar todos os dias e ver o rosto mais angelical que ela já vira, com os raios de sol batendo timidamente em seus traços perfeitos e tão reais. Agora a única coisa que ela via quando acordava, era o vazio, o lado no colchão onde ele durmia vivia arrumado. Todas as noites ela entrava em seu closet, e ficava ali por horas vestindo suas roupas, sentindo seu cheiro, e quando dormia, pegava seu travesseiro e afundava seu rosto, tentando respirar o máximo do perfume forte que tinha ali. Ela não agüentava mais viver assim, com meras ilusões, e com lembranças que jamais voltariam, com o seu rosto, que aos poucos o tempo iria apagar, e ela não queria isso, se abaixou em cima do túmulo, e olhou a foto do seu menino ao lado as letras, passou suas mãos por ela, e começou a chorar, apertando o vidro que estava na outra mão.

- Me perdoa por não conseguir. – Dizia sussurrando, quase sem forças pra falar, tamanha a dor que sentia no peito. – Mas eu não consigo mais meu amor, odeio fingir que estou feliz, sabendo que não estou, ou dar sorrisos falsos só para as pessoas se sentirem melhor, enquanto eu estou morrendo aos poucos e dolorosamente por dentro. – Fechou seus olhos e chorou alto, abriu seus olhos novamente, e encarou o túmulo preto em sua frente, passou seus dedos pelas letras douradas, encarou o veneno, e olhou novamente para o túmulo. – Eu queria tanto voltar no tempo, e te dizer todas as coisas que eu não te disse, que eu queria que você soubesse, mas não tive coragem o suficiente pra contar. Eu iria te amar com mais intensidade do que agora, e cuidaria mais de você. – Abriu a tampa do vidro que continha o veneno. – Deus, por favor, faça-me encontrar com ele, só o Senhor sabe o quanto eu sofro sem ele, — chorava cada vez mais. – me perdoe por me matar, mas é a única maneira de ficarmos juntos novamente. – Beijou a foto de seu amado, e derrubou todo o líquido em seu rosto, começando a sentir a respiração descontrolar, caiu em cima do túmulo agoniada em busca de ar, se debatendo como um peixe fora d’água mexia os braços freneticamente, arranhando a terra; começou a sentir que seu coração estava parando de bater, sua visão ficou embaçada, olhou para o céu e podia jurar que via Dougie, andando em sua direção, radiante, tão sublime e com o semblante calmo, estendeu sua mão para a menina, que sorriu e fechou os olhos, morrendo feliz ao lado de quem sempre pertencerá, o seu garoto, o seu homem, o seu amor... Dougie.

Fim

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!