Notas iniciais
Bom, eu espero mesmo que gostem, que deixem seus comentários e tal. Se gostar, comente. Se não gostar, comente também, assim eu sei no que tenho que melhorar e tal.
Então, minhas queridas vamos ler e se vocês forem parecida com essa autora que vos fala, pegue um lencinho para chorar. Beijos coisas cremosas e boa leitura.
* Coloque a música abaixo para tocar assim que aparecer a primeira estrofe da tradução.
*As partes em negrito são as partes que contem a tradução da música, as em itálico são os flashs de memória de Katniss.

What hurst the most — Rascal Flatts

O sol fraco iluminava meu quarto, era hora de acordar, tinha muitas coisas para fazer. Abri meu olhos e me deparei com uma cena incomum: Haymitch e Clara Everdeen, meus pais estavam sentados na beira de minha cama. Minha mãe direcionou um sorriso leve para mim, seu semblante era triste, arrasado. Papai levantou-se e caminhou até a parede, recostou-se e com os olhos cansados disse: "Precisamos conversar"

Sentei-me estranhando tudo o que estava acontecendo, foi quando toda a história me foi contada...

"ISSO NÃO É VERDADE, NÃO PODE SER. ELE ESTÁ BEM, ELE ESTAVA BEM ONTEM... EU VI COM MEUS PRÓPRIOS OLHOS, ELE ESTAVA BEM." — O desespero tomava conta do meu ser, lágrimas e gritos de desespero saiam de mim. Meus pais tentavam me acalmar, dizendo que tudo ia ficar bem, mas nada mais fazia sentido pra mim. Sai correndo de casa, eu não podia ficar ali, aquela casa me sufocava. Tudo me deixava tonta.

[...]

"Eu consigo aguentar a chuva no teto desta casa vazia, isso não me incomoda

Eu posso tirar algumas lágrimas agora e depois apenas deixar elas rolarem

Eu não tenho medo de chorar

De vez em quando em um tempo, mesmo pensando que continuar sem você me chateia

Há alguns dias

Como agora e novamente, em que eu finjo que estou bem mas não é isso que me incomoda"

Três meses haviam se passado, mas pareciam ser uma eternidade vivendo no próprio inferno. Não aguentava mais todos me perguntando se eu ficaria bem, como se a minha resposta fosse algo que os interessasem de verdade, como se eu algum dia teria a chance de ficar bem.

Já não podia entrar em meu quarto, em meu apartamento, as lembranças deixavam me louca. Eu precisava fugir, precisava de espaço.

Vaguei por horas sem rumo algum, tentando inutilmente afastar a dor em meu peito. Já não me recordava como nem quando fui parar no terraço de meu prédio, mas também não fazia nenhuma diferença. O vento batia forte em meu rosto, o cheiro de chuva me deixava inebriada, eu estava tonta, eu precisava me acalmar. Apertei meus olhos com força, deveria ser mentira, não podia acreditar, nem mesmo o tempo me fazia acreditar nisso. Meu coração bate freneticamente, todo o meu corpo doía. Minha alma doía.

Dei mais um passo para frente, estava perigosamente perto do limite do terraço, mas não tinha medo, eu precisava disso.

"Feche os olhos e confie em mim, eu não vou lhe deixar cair."

As lembranças invadiam minha mente com mais rapidez do que a chuva me molhava, cada detalhe parecia tão vívido, tão real. Eu sentia seu cheiro, sentia seu corpo junto ao meu, conseguia ver seu sorriso bobo ao acordar. Lembro-me dos momentos sentados no topo da colina, onde o mundo parecia não existir, onde os problemas pareciam não nos alcançar. Onde tudo parecia fazer sentido.

"O que você vê no seu futuro?" — Perguntei a Peeta após um longo tempo em silêncio.

"O que eu vejo no futuro?" — Repetiu, eu apenas assenti com a cabeça "Eu me vejo casado e feliz. Eu vejo você."

Dei meu sorriso mais bobo e voltei a fitar o horizonte em silêncio.

"E você? O que vê?"

"Você nunca vai saber!" — Levanto-me e saio correndo, Peeta me segue rindo e repetindo a pergunta.

Uma lágrima escorreu em meu rosto, como queria reviver aquele momento, como queria voltar no tempo.

Meu coração se apertava a cada vez mais, o ar parecia não querer habitar mais em meu corpo, eu não queria mais respirar... Só queria tê-lo de novo ao meu lado.

Peeta pulou em cima de mim e começou sua habitual tortura à base de cócegas e mordidas. Já não aguentava mais rir.

"O que você vê no seu futuro?" — Perguntou ainda "me torturando"

"Essa é uma das coisas que você nunca vai saber" — Respondi rindo e então o beijei.

"O que mais dói, foi estar tão perto

E ter tanto pra dizer

Ver você indo embora

E nunca saber, o que poderia ter sido

E não ver que amar você

É o que eu estava tentando fazer

É difícil lidar com a dor de perder você em todo lugar que eu vou

Mas eu estou fazendo isso

É difícil forçar o sorriso quando eu vejo nossos velhos amigos e estou sozinho

Ainda mais difícil, me levantar, trocar de roupa, viver com esse arrependimento"

Meu corpo tremia constantemente, não sei se por conta do choro ou do frio, mas eu não me importava mais, tudo no final não faria nenhuma diferença.

"Sabe que não vou desistir de saber a resposta, não apenas com um beijinho."

"terá que se contentar com isso, apenas Senhor Peeta."

"Eu me contendo em saber que você me ama, assim como te amo."

"Quem disse que eu te amo?" — Disse fingindo ser indiferente, respirando fundo para não gargalhar e dizer que sentia o mesmo.

"Seus olhos me dizem a cada vez que você me olha."

"Eles não conseguem mentir para você..."

"Mas eu sei que se pudesse fazer isso novamente

Eu trocaria, daria todas as palavras que eu salvei em meu coração, que eu deixei não ditas"

Flashs e mais flashs de cada momento invadiam meu coração, enchendo me de saudades que pareciam simplesmente escorrer por meus olhos. Nós chegamos tão perto de sermos perfeitos, de fugir e seguir com a nossa vida, de sermos a casa um do outro. Nós chegamos tão perto, mas não o suficiente.

"O que mais dói, foi estar tão perto

E ter tanto pra dizer

Ver você indo embora

E nunca saber, o que poderia ter sido

E não ver que amar você

É o que eu estava tentando fazer"

Minhas forças se esgotaram, não consigo mais respirar. Sempre me perguntei quando e como seria o meu ultimo suspiro e agora sei que ele carrega consigo o fim de toda a dor.

"O que mais dói, foi estar tão perto

E ter tanto pra dizer

Ver você indo embora

E nunca saber, o que poderia ter sido

E não ver que amar você

É o que eu estava tentando fazer"

"Katniss, não sei bem como te contar isso" — Minha mãe falava com cuidado.

"Fala logo, mãe. Está me deixando nervosa."

"Eu não sei como começar..." — Disse tentando segurar as lágrimas.

"Katniss, Peeta sofreu um acidente de carro. Um caminhoneiro coxilou ao volante e perdeu o controle do caminhão, Peeta tentou desviar, mas era tarde de mais... O carro dele capotou e ele ficou preso nas ferragens. Peeta perdeu muito sangue e quando o resgate chegou, ele já tinha falecido."

"ISSO NÃO É VERDADE, NÃO PODE SER. ELE ESTÁ BEM, ELE ESTAVA BEM ONTEM... EU VI COM MEUS PRÓPRIOS OLHOS, ELE ESTAVA BEM." — O desespero tomava conta do meu ser, lágrimas e gritos de desespero saiam de mim. Meus pais tentavam me acalmar, dizendo que tudo ia ficar bem, mas nada mais fazia sentido pra mim.

"E não ver que amar você

Isso é o que eu estava tentando fazer?"

Dei mais um pequeno passo, a chuva e o céu escuro me faziam companhia, me ajudavam a relaxar. Meu coração se aliviava aos poucos por conta da decisão tomada. Retirei a foto de Peeta que carregava junto comigo desde o acidente de meu bolso, segurei firme junto ao peito, em cima do coração.

"Sério, Kat. Eu realmente quero saber o que você vê em seu futuro." — Constatou deitado com a cabeça em meu colo, sorrindo para mim.

"Acho que eu não preciso te falar, você vai estar lá para saber..."

Mas agora ele se foi, ele não está aqui e eu nunca disse, apesar dele saber,ele nunca ouviu de mim. Cheguei em fim a beirada do terraço, não havia mais espaço. A vida de Peeta havia acabado e com ele, a minha também.

Segurei sua foto em frente ao meu rosto e então disse tudo o que ele já sabia, mas nunca ouviu de mim.

"Em meu futuro eu via o seu sorriso ao acordar ao meu lado. Via o nosso amor crescendo. Via o tempo voando ao nosso redor. Eu via o nosso casamento. Eu via você e todo o nosso amor. E agora sem você, eu não vejo mais futuro, porque ele deixou de existir quando o seu coração parou. Você é tudo que eu queria, que quero, que sempre quis e como agora não tenho como lhe ter mais... Não existe mais vida em mim. Eu te amo"

Com a foto envolta novamente em meu peito e com o restante de forças que tinha, mergulhei na escuridão, sem nenhum medo ou dor, pois eu sabia que a pouco, eu realmente veria você.

Notas finais
Fiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, e ai, o que acharam? Sou uma má por matar ambos? É, acho que sim. Snif snif, mas fazer o que, era preciso. Espero que gostem, se gostarem, muitas outras serão escritas.
Beijinhos, KM.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!