What Doors May Open
2 Capítulo1
Notas iniciais
Embate entre Quinn, Rach e Finn, quem leva a melhor?
Enjoy!
Capítulo 1
Finn jogou a mão para o alto, frustrado. "Você está brincando comigo, Rachel?" ele perguntou olhando fixamente para o teto. Trouxe as mãos para a face, esfregando o rosto grosseiramente. "Minha ex namorada, Rachel?"
A boca de Rachel abriu e fechou enquanto ela tentava achar uma resposta. "Eram apenas pensamento fugazes, Finn; apenas isso."
"Realmente não acho que isso torne as coisas melhores." Ele falou enquanto passeava pelo quarto, seus grandes pés soando como se pisoteassem o chão ou como se, naquele momento, passasse um trator. "Oh meu— Por favor!"
"Me desculpa, Finn," Rachel murmurou enquanto o assistia ir e voltar.
"Que po—"
"Não há, realmente, necessidade de usar esse tipo de linguagem," ela não pode deixar de advertir.
Finn estreitou os olhos para ela e continuou a falar. "Você sabe, você é minha namo— ex-namorada." Suas sobrancelhas se uniram em expressão de tristeza por um breve momento que logo se desfez. "Você literalmente apenas me quebrou"
"Eu sei," ela murmurou, andando ao redor da cama e sentando-se no chão. Ela não conseguia ficar parada, ainda mais agora que o seu maior segredo havia sido revelado e se encontrava como um grande elefante naquele carro que apenas, porra, explodiu.
"E agora… agora você tem pensamentos sobre beijar a minha outra ex-namorada.” Ele apontou um dedo para ela. "Se você fosse um cara, teria, totalmente, quebrado um código ‘bro’ agora".
Ela assentiu.
"Quero dizer, essa… essa Quinn— você sabe que estou entendendo que você disse Quinn Fabray, certo?"
Uma risada de humor arranhava a sua garganta, mas ela se esforçou para não coloca-la pra fora. Ela estava plenamente ciente de quem sua mente tinha escolhido para ter esse tipo de pensamento. "Finn, por favor não fique chateado."
Finn virou para ela com um olhar incrédulo. "Você teve fantasias—"
"Esta é uma palavra muito forte—"
"—beijando a minha ex-namorada." Seu rosto estava confuso. "Minha ex-namorada tem fantasias com minha outra ex-namorada. Isto é como uma daquelas histórias de horror, em que se conta em frente a uma fogueira à noite ou algo assim."
Os lábios de Rachel se curvaram em uma carranca culpada. "Foi apenas uma… talvez duas ou três vezes." Ela fez uma careta diante de suas próprias palavras. "E eram pensamentos minúsculos, quase nada. Eu-eu, quer dizer, eu apenas pensei sobre isso porque-porque—"
"Porque ela é muito quente. Foi por isso."
A carranca se aprofundou diante das palavras escolhidas por ele, mas ela era sábia o suficiente para não discordar.
Finn finalmente parou de andar e estacou, à direita de Rachel, olhando para o chão. "Ela não é gay, Rach," ele disse calmamente.
"Eu sei," Rachel murmurou, tentando não soar desapontada. "Eu sei."
Ele, instantaneamente, entendeu o seu tom de voz. "Você quer ela para você?"
Rachel olhou para ele em choque. "Eu— o quê? Não! Não, eu não quero que Quinn seja gay."
"Oh, não, oh, não, oh, não," Finn murmurou começando a andar novamente, suas mãos abertas em sua face na melhor expressão de Macaulay Culkin em Esqueceram de Mim. Ele tinha a sensação de estar diante de um iceberg. Quanto mais distante se está, mais se vê apenas sob a superfície e ele não estava gostando no que aquilo estava se transformando. “Rachel, eu não sei como poderia supostamente ficar bem com isso”.
A cabeça dela caiu com o comentário, sentiu-se como se Finn estivesse dizendo que o fato dela ser gay era uma má ideia. Lágrimas brotaram dos seus olhos enquanto ela os apertava. "Eu entendo, Finn."
"Hey, não; não chore." Ele ajoelhou-se diante dela e limpou as lágrimas que caiam dos olhos.
"Sinto muito," ela soluçou.
"Você está se desculpando por ser gay ou por ter uma queda por Quinn?"
"Ambos." Ela enxugava furiosamente os olhos até que Finn segurou as suas mãos, apertando-as entre as suas.
Finn se encolheu diante da admissão de que ela tinha uma queda por sua ex-namorada."Não, não peça desculpas por ser gay. Quer dizer, tem um monte de coisa em sua cabeça além dessa coisa com Quinn, mas— você não pode conversar com seus pais ou alguém? Eu realmente nunca fui muito bom com você chorando e talvez o fato deles também serem gays, pode te ajudar melhor."
Rachel acenou e olhou melancolicamente para o chão. Finn levantou-se, deslizando para a cama e a puxando com ele para um abraço. "Você está bem" ele disse a ela uma vez e outra vez, até que ela finalmente relaxou contra ele.
"Você está bem."
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O sono de Rachel no Sábado à noite foi bem merecido e quando ela acordou no Domingo, às seis horas da manhã ao soar do alarme, sentiu como se a noite tivesse evaporado. Depois de se atrapalhar com o relógio na cabeceira, ela desligou o alarme e voltou a dormir por mais algumas horas.
Quando ela acordou às dez tinha a sensação de ter sido atropelada e tudo o que precisava realmente era de um abraço. Ela se arrastou para fora da cama e foi tomar um banho.
Uma hora depois desceu as escadas. Viu seu pai Hiram na sala de estar e, pensando que ele era um bom candidato, sentou no sofá com ele.
"Está tudo bem, estrelinha?" ele perguntou, passando um braço em torno de seu pequenino corpo e puxando-a mais para perto. "Você acordou mais tarde do que o normal."
Rachel aconchegou-se mais ao calor que ele fornecia e suspirou. "Está tudo bem, pai."
Eles não sabiam ainda e ela também não estava pronta para lhes dizer.
Não é porque os seus pais eram gays que a questão acerca de sua própria sexualidade era um tema fácil de abordar.
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Quando a segunda-feira chegou, Rachel estava contente com a mudança de cenário, mas duvidosa quanto a estar de volta à escola. Finn não tinha entrado em contato desde Sábado e ela não queria o pressionar. Tudo o que ela poderia esperar era que Finn não tivesse contado a uma alma viva sequer sobre o fato dela ser gay, porque ela já era suficientemente pária social para que ainda tivesse informações como essa colocadas para fora. Ela não queria adicionar ainda mais razões para que pessoas como Quinn, suas amigas capitãs de torcidas, e os atletas, a atormentassem.
Ela estava em seu armário arrumando a sua aparência o melhor que podia. Alisou para baixo uma mexa do cabelo, aplicou em seus lábios um gloss, franziu o cenho para a bolsa escura abaixo dos seus olhos – e foi então que a viu.
Ela fechou seu armário lentamente enquanto os alunos que estavam no corredor abriam caminho. Caminhando como se fosse dona do pedaço estava Quinn Fabrey, ladeada por Santana e Brittany. Era uma prática comum que ocorria todos os dias. Quinn, Santana e Brittany andavam pelo corredor e escolhiam alguém que submetiam a um intenso olhar de submissão. Esta era a tática que elas usavam para manter todos na linha e continuarem a estar no topo da escola. Acontece que Santana e Brittany escolhiam pessoas diferentes a cada dia. Mas Quinn? Desde o dia em que ela soube da existência de Rachel, esta tem recebido o mesmo olhar fixo e intenso. Desde o dia em que Quinn a pegou no armário de Finn. Naquela manhã não fora diferente. Quinn caminhou pelo corredor, o olhar varrendo da esquerda para a direita. Em seguida ela piscou os olhos, aqueles longos cílios tremulando, e quando seus olhos abriram novamente, estavam fixos em Rachel.
Rachel se sentiu presa ao armário enquanto Quinn a olhava. Diante de tudo o que ela havia conversado com Finn há dois dias, o coração dela batia intensamente no peito enquanto aquelas intensas orbes cor de avelã estavam voltadas para ela. Quinn sempre a olhou com aquela mesma expressão. Completamente ilegível, os olhos ligeiramente estreitados, lábios franzidos face a algum pensamento ou raiva—Rachel não tinha certeza, mas inclinava-se para a raiva. Elas mantinham contato com os olhos até que Quinn passasse por ela, continuando o seu caminho pelo corredor, sem nunca olhar para trás.
Uma lufada de tremor percorreu seu corpo enquanto observava fixamente as costas de Quinn, que seguia o seu caminho.
"O que houve, garota?"
Rachel deu um pulo para trás, virando-se para encontrar Kurt olhando para ela. “Você me assustou!” ela respirou fundo, uma mão em seu peito num gestual de surpresa.
"Woah, acalme-se, Jody Foster." Kurt alisou o cabelo para trás, colocando a mão sobre se quadril enquanto examinava o botão branco da camisa que ela vestia sob o suéter argyle, saia marrom curta e mocassins da mesma cor. As saias de Rachel eram tecnicamente curtas demais para o código de vestimenta, mas ela era tão pequena que sua altura sempre dava a impressão de que não o eram. Kurt olhou tristemente para aquele senso de moda, antes de subir os olhos e encontrar os dela."Porque você está tão nervosa hoje?" Ele estendeu a mão e cutucou a bolsa escura debaixo dos olhos dela, recebendo um tapa na mão em resposta.
"Eu não estou nervosa. Eu só estou… cansada." Ela virou de costas para ele e abriu seu armário, lembrando-se que tinha esquecido de pegar alguns livros antes daquela névoa induzida por Quinn.
Kurt deu de ombros. "Tanto faz." Ele se aproximou, falando em um tom mais baixo. "Então, escute, estou pensando em iniciar um clube LGBT e me perguntei se você não gostaria de me ajudar a iniciá-lo, ainda como uma coisa escondida, porque você sabe como Lima ama forcados e homofobia".
Sua espinha endireitou-se com o comentário. Será que ela tinha um sinal nas costas que dizia que ela era gay ou algo assim? Finn dissera a alguém? A cor sumiu do seu rosto. "Porque eu iria querer participar do seu clube LGBT?" Ela perguntou tentando soar de forma inofensiva, mas a cadência de sua voz fez a cabeça de Kurt se inclinar.
"Uh, porque você é a mesma garota que sugeriu um baile gay-les no Glee clube”. Kurt a observou se atrapalhar com os livros e bater o seu armário com curiosidade e deu um passo ficando mais próximo. "Você esta realmente desajeitada hoje."
"Todo mundo tem um dia desses, suponho." Ela olhou para ele com um sorriso trêmulo, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.
"Oh, fala sério, Rachel," ele provocou. "As únicas pessoas que ficam desconfortáveis em aderir a um clube gay são os gays. E você não é—" ele riu. "Você não é gay, certo?" Ele riu diante do pensamento que em seguida sumiu quando o rosto de Rachel ficou vermelho. Ele pôs a mão sobre a boca, incrédulo. "Pare com isso. Pare com isso agora."
As sobrancelhas de Rachel desenharam o rosto em sinal de confusão. "Não estou fazendo nada."
"Santa mãe, você nem mesmo está respondendo à pergunta," Kurt sussurrou.
Os olhos dela estavam abaixados e ela agarrou firmemente os livros, prendendo-os no peito.
"Você é gay," Kurt sibilou quando ela, aparentemente, se recusou a dizer outra palavra. Ela não queria que ninguém soubesse, mas ela tinha orgulho de si mesma por nunca negar quem ela era para ninguém. Quer se trate do fato de ser judia, adotada, filha de dois pais gays, Rachel nunca mentiu sobre quem ela era a ninguém. E… não iria começar agora. Mesmo que ela tivesse fechado os olhos para sua própria sexualidade por tantos anos.
"Quem é gay?"
Rachel empacou. "Quem é esse?"
Kurt atrapalhou-se com o dispositivo Bluetooth em seu ouvido quando Rachel chegou mais perto. "É Mercedes." Ele inclinou um pouco o corpo para longe dela como se estivesse em uma conversa privada. "Cedes, você acredita nisso?"
"Isto é uma loucura."
"Eu sei!"
A face de Rachel queimava. "Kurt—"
"Garota, você sabia que Rachel é gay?"
"Com quem ela está falando agora?" Rachel sibilou percebendo claramente que Mercedes não falava com Kurt porque ele sequer se deu ao trabalho de responder. "Faça ela parar!"
"Mercedes, pare de falar," Kurt instruiu com amplidão, os olhos assustados com a aproximação de Rachel.
"Não, eu não tenho ideia," Rachel ouviu uma voz familiar atrás dela dizer. Ela girou o corpo a ponto de ver Tina caminhando em sua direção, telefone no ouvido.
Tina puxou o celular para longe, falando, "Parabéns, Rachel!" para o ar.
Rachel chegou em Tina, agarrando a alça de sua mochila e a arrastando em direção aos armários. Ela esticou a mão e agarrou Kurt quando ele tentou se afastar. "Gente, por favor", ela implorou, olhos assustados. "Isto tudo é novo para mim, okay? Mercedes, você está ouvindo?"
"Alto e claro."
"Vocês não podem dizer nada."
"Não, nós totalmente não vamos dizer a nin—"
"Kurt," ela implorou, os olhos se movendo de Kurt a Tina, para as pessoas que caminhavam pelo corredor. "Ninguém pode saber, por favor" ela implorou calmamente "Eu já sou uma perdedora e se alguém me coloca para fora—"
"Hey, hey, hey," Kurt a acalmou, alisando o braço dela de cima para baixo com delicadeza. "Nós entendemos isso. Bem, eu entendo. Todos nós temos algo a esconder— acontece apenas que eu e você temos essa coisa em comum. Tina ainda finge a sua gagueira como se isso fosse conseguir a simpatia de alguém."
"ca-cale a boca, Kurt!"
"Não está ajudando, querida." Ele sorriu para Rachel. "Mercedes ainda faz questão de dizer que vem do gueto, quando tenho autoridade para dizer que o pai dela recebe pelo menos seis dígitos por mês."
"Tanto faz."
"Então, não se preocupe. Nós não vamos dizer nada."
Rachel queria acreditar naquela afirmação, realmente queria. Mas muitas pessoas já estavam sabendo sobre ela e era apenas questão de tempo para que alguém do McKinley— os jogadores, as Cheerio, Quinn— soubesse e tornasse a sua vida um inferno. Mais ainda do que já é.
Mas por hora ela não tinha escolha além de colocar um pouco de fé em seus companheiros de clube, porque Tina e Kurt sorriam encorajadoramente para ela— com um brilho de excitação nos olhos de Kurt porque ele tinha passado todo o ano de calouro no armário e a única pessoa gay que conhecia era ele mesmo.
O sorriso de Rachel vacilou, para em seguida florescer imitando aqueles ao redor dela.
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Ela tinha aprendido, no final do semestre da primavera do ano passado, que as arquibancadas, no campo de futebol americano tinham uma visão moderadamente atraente. Não era como a visão de palmeiras e praias sem fim, mas era um terreno plano com tráfego mínimo o suficiente para se manter como uma espécie de distração para Rachel quando ela precisava de um lugar para pensar sozinha.
No entanto, ela nunca gostou de estar completamente sozinha e, portanto, o grunido dos jogadores e os gritos enfurecidos do treinador Tanaka tornavam-se companheiros suficientes. E se fosse um dia de grande sorte, ela poderia escutar o apito de Sue arrastando as Cheerios para o campo, ordenando-as que dessem voltas nele como punição por algo que aconteceu— mais do que provavelmente poderia ser permitido se observasse atentamente para aquilo, porque muitas vezes as leis de trabalho infantil invadiam a mente de Rachel enquanto observava-as correrem em voltas. Mas ela iria ver Quinn. Quinn sorrindo, Quinn rindo, Quinn carrancuda quando era alterada da formação, os longos cabelos de Quinn, nitidamente puxados para trás em um rabo de cavalo.
A verdade é que, ela não tinha uma queda por Quinn. Sério. Está mais para uma atração. Rachel tinha olhos. Ela podia muito bem ver Quinn Fabray e tudo o que ela poderia oferecer e concluiu, na primeira vez em que a viu no ano passado, após elaborar uma lista e fazer rearranjos, que Quinn era de fato a garota mais bonita que já conhecera. Então ela… bom, pensamentos sobre Quinn não mais eram do que a realização dessa atração.
Um leve barulho de metais se arrastando, tirou-a do estupor e Rachel olhou para as fileiras da arquibancada encontrando Finn se aproximando dela. Sua respiração ficou presa na garganta quando encontrou os olhos dele comprimidos. Ele estava vestido com o seu uniforme de treinamento e Rachel olhou para as calças brancas refletidas pelo sol. Ele caminhou até onde ela estava e a uma fileira de distância ela já se sentia obrigada a fugir de qualquer maneira. "Oi, Finn", começou timidamente.
"Hey." Ele sentou ao seu lado. Suas coxas se tocaram e ambos saltaram com o contato. Finn olhou para o local onde estiveram em contato para então olhar para longe. Rachel tentou lhe doar o seu melhor olhar, mas então o sol brilhou intensamente atrás dele e ela teve que apertar os olhos, determinada a dar uma boa olhada nele.
"N-nós estamos bem?"
O olhar de Finn se direcionou para os seus companheiros que ainda se encontravam pelo campo. "Sim, eu acho," resmungou. "Desculpe por não lidar tão bem com essa situação, mas você tem que admitir—"
"Eu sei," Rachel disse suavemente. Seus ombros caíram com certo alívio, porque apesar de que talvez eles tivessem que reconstruir a amizade que tiveram uma vez, Finn pelo menos ainda estava falando com ela.
Um megafone soou e ambos se assustaram. Rachel tampou o ouviu quando a voz de Sue Sylvester invadiu o campo com toda autoridade. "Ladies, coloquem essas suas bundas desleixadas neste campo!"
Uma por uma, as Cheerios começaram a entrar no campo. Os poucos jogadores que permaneciam ali faziam fila para assistir a corrida das lideres de torcida e Rachel podia adivinhar o porquê.
Tanto Rachel quanto Finn olharam Quinn ao mesmo tempo, de costas, e tiveram reações completamente diferentes. Rachel se mexeu em sua cadeira, cruzando as pernas e olhando discretamente para Finn com o canto dos olhos, medindo a reação dele. Finn fez uma careta enquanto olhava para o campo lá embaixo. Eles não disseram uma palavra um para o outro.
Então Noah Puckerman caminhou até a linha de cheerleaders e segurou a mão de Quinn. Ela parou. Seus lábios se levantaram e Rachel pode ver um dos sorrisos mais deslumbrantes enfeitar aquele rosto. Quinn retirou a mão e Rachel pode ouvir Puck a chamando, enquanto Quinn continuava correndo sem olhar para trás.
Foi quando finalmente Finn falou. "Puck gosta dela. Ou… quer transar com ela, na verdade."
Rachel fez uma cara de nojo, os lábios torcendo em pensamento. "Noah é seu melhor amigo, certo?"
Ele balançou a cabeça com força.
"Então ele não poderia quebrar o ‘código bro’, como você chama isso?" ela perguntou curiosa.
Ele gesticulou em um encolher de ombros preguiçoso. "Nós já conversamos sobre isso. Ou brigamos sobre isso. Tanto faz."
Ela piscou os olhos em confusão. "E isso resolve alguma coisa?"
O canto da boca de Finn se elevou em um sorriso torto. "Os caras não são assim tão complicados, Rach. Algo acontece, nós brigamos— com palavras ou, você sabe, nós batemos uns nos outros, então superamos isso." Ele olhou para as Cheerios quando elas começaram o alongamento.
Rachel passou a língua pelos lábios enquanto refletia sobre as palavras de Finn. A maneira dos garotos liderem com as coisas lhe parecia bárbara, mas a simplicidade de tudo era atraente. "Então, você diria que este é o nosso 'ficar por cima' no palco?" ela perguntou com cuidado.
"Bem, algo aconteceu e não discutimos sobre isso," Finn fundamentou, seu sorriso alongado. "Acho que estamos fazendo isso agora."
"Eu gosto bastante da lógica dos meninos," ela concluiu com um sorriso próprio. Finn riu quando ela colocou os braços em torno de um dos seus e encostou a cabeça nos ombros dele, suspirando, enquanto observava as Cheerios praticando sua rotina. Elas eram boas. Todas essas práticas, quase todos os dias da semana— incluindo fins de semana— deixavam-nas em grande forma. Elas eram ágeis, decididas e… muito flexíveis.
"Você já pensou em ser uma Cheerios?" Finn perguntou depois de alguns minutos.
"Embora eu não duvide que possa lidar com esta árdua atividade física—" Rachel estremeceu quando Sue gritou outro insulto em seu megafone, "—Eu duvido que seria capaz de lidar com o trauma emocional de estar sob o controle da treinadora Sylvester."
"Ela é louca!" Finn exclamou com uma risada.
"Certamente," Rachel concordou.
Eles ficaram em silêncio novamente e por um momento Rachel se permitiu passear os olhos pelo campo. Puck não estava mais lá, na verdade nenhum dos jogadores. Os únicos no campo eram Sue e as líderes de torcida. Ela ficou maravilhada com a visão de Quinn sendo atirada ao ar, as pernas estendidas para o céu, sendo depois capturada por um grupo de líderes de torcida abaixo dela.
Ela tinha já há algum tempo percebido o quão dedicada Quinn era com o atletismo. Era algo que Rachel poderia admirar e relacionar a si, porque ter um impressionante alcance vocal não foi algo que caiu em seu colo. Era algo que ela trabalhava todos os dias e, enquanto observava Quinn se colocar ao lado das outras Cheerios e montar uma pirâmide, em seguida, tomar seu lugar no topo, Rachel sabia que Quinn havia trabalhado muito para ser a número um.
"Então…" ele falou quebrando o silêncio entre eles. "Tem muita lição de casa para esta noite?"
Rachel encolheu-se. Finn estava, obviamente, desconfortável com a situação— os dois sentados assistindo juntos as Cheerios, especificamente Quinn, praticarem. Rachel provavelmente terá que encontrar outra coisa para pensar.
"Sim," ela cantarolou, esmagando as mãos entre as pernas firmemente, pressionando-as para conter a inquietação. "A professora de geometria é um pouco monstra— ela gosta de passar um monte de lição de casa."
Finn sorriu e coçou o rosto. "Sim, eu não posso te ajudar com isso."
"Q!" Sue gritou. "Eu te coloquei no posto de capitã, porque acreditava que você poderia colocar essas garotas bulimicas em forma. Não me diga que cometi um erro."
Rachel assistiu os olhos de Quinn fecharem mais por aborrecimento do que pelo sol. Ela disse algo que Rachel não escutou, então Sue dispensou todas com um aviso final.
Finn se levantou da arquibancada. "Tenho que tomar uma chuveirada, então já vou."
"Vou acompanhá-lo." Os dois deram uma pausa e Rachel corou de vergonha. "Não ao banheiro… obviamente, porque—"
"Porque você é gay," Finn acrescentou.
"Não em voz alta!" ela sussurrou. Então ele quase sorriu, o que fez Rachel sorrir junto, e desceram as arquibancadas.
Eles contornaram as arquibancadas enquanto Quinn caminhava atravessando uma porta aberta. Rachel vislumbrou o brilho dos olhos dela e imediatamente tentou acelerar os passos para não se encontrarem, o que acabou sendo inevitável.
"Stubbles," Quinn disse calmamente. "Finn."
Finn parou suavemente na frente de Quinn e Rachel, tensa onde estava, girou lentamente para ficar cara a cara com ela. Seus cabelos estavam penteados para trás em um rabo de cavalo perfeito, alongando-se pelas costas em cachos loiros escuros. Suas sobrancelhas, finas e bem cuidadas, elevaram-se em um arco que Rachel adivinhou ser irritação. Sua pele brilhava pelo esforço que praticara e Rachel não pode deixar de pensar o quanto parecia atraente, juntamente com o subir e descer do seu peito. Ela tinha um sorriso no rosto que não parecia agradável quando seu olhar passeou de Rachel para Finn.
"Você veio até aqui para exibir Finn na minha frente, Berry?" Quinn perguntou entre os dentes brancos, endireitando-se perfeitamente. Seu rosto retesado fazia a covinha do queixo ficar mais pronunciada e Rachel sentiu o desejo estranho de sorrir para aquilo.
Ela se interrompeu antes que o fizesse.
"N-não, eu não estava, nunca iria tentar exibir Finn para v—"
"Nós não estamos mais juntos," Finn explicou com facilidade. Rachel olhou para ele nervosamente e ele encolheu os ombros. Ambos se voltaram para Quinn, cujo rosto estava rapidamente se contorcendo da confusão para a compreensão.
Quinn ergueu a bolsa ainda em seu ombro, inclinando o quadril para o lado, como se estivesse tentando ficar confortável. A cabeça se inclinava enquanto seus olhos se estreitavam. "Vocês não estão mais juntos?" ela perguntou cética.
Rachel balançou a cabeça afirmativamente, mordiscando os lábios nervosamente enquanto esperava por uma reação de Quinn.
"Porquê?"
Rachel deu um passo para trás em choque. "Eu— bem, nós—"
"Vá direto ao assunto," ela interrompeu.
Finn se posicionou protetivamente, ficando à frente de Rachel. "Porque você quer saber?"
Os olhos de Quinn se estreitaram perigosamente. Ela deu um passo para trás, para poder olhá-los completamente sem ter que levantar o pescoço e colocou as duas mãos nos quadris. "Você me deixou para ficar com ela," respondeu secamente, pronunciando cada sílaba de uma maneira que fez Rachel se arrepiar. "Tenho o direito de saber porque vocês terminaram."
Rachel zombou incredulamente, a ponto de quase expressar o quão ridícula havia sido aquela afirmação, quando o olhar de Quinn se voltou para ela. Ela literalmente havia dado a volta em Finn só para ficar de frente a ela. Rachel ficou dura como uma vareta e Quinn chegou ainda mais perto. Ela engoliu em seco quando o olhos cor de avelã caíram sobre os seus, descendo para o seu corpo e subindo de volta, avaliando-a. "Porque está tão quieta, Berry?"
Sua voz era baixa e Rachel soltou um suspiro de surpresa porque Quinn não parecia irritada. Parecia curiosa. Como se ela estivesse genuinamente curiosa sobre o seu rompimento com Finn e não a dois segundos de distância de despedaçar seu rosto, como Rachel havia pensado.
A questão era que, quando Quinn saiu do Glee clube após Rachel e Finn tornaram-se um casal, Rachel estava certa que Quinn queria feri-la. A única razão para que Quinn entrasse no clube, em primeiro lugar, tinha sido manter Finn e quando isso não aconteceu ela saiu sem dizer uma palavra, levando consigo Brittany e Santana. E, além do olhar superior que recebia no corredor, Rachel não tinha muito contato com ela. Mesmo quando jogavam slushie nela, Rachel, às vezes, olhava ao redor para saber se Quinn estava assistindo e rindo, mas… ela não estava. Ela nunca estava e Rachel nunca soube o que fazer com aquela informação.
"Você vai responder a minha pergunta ou vai ficar olhando para mim o dia todo?"
Ela piscou uma vez e Quinn ainda estava a poucos centímetros do seu rosto. Corando, Rachel deu vários passos para trás, seu olhar indo de Finn, para o campo de futebol e de volta para Quinn. "Eu-eu não estou propositalmente quieta para irritá-la, Quinn," ela disse com voz trêmula. Puxou a bainha de sua camisa e limpou a garganta. "No entanto, Finn e eu— nossa separação— com todo respeito, não é do seu interesse. Eu realmente gostaria de manter entre mim e ele, porque são questões bastante pessoais e—"
"Poupe-me," Quinn disse, girando os olhos. Ela sustentou o olhar de Rachel por alguns segundos de forma cuidadosa antes de olhar para Finn. Rachel observou enquanto os dois pareciam se comunicar em uma linguagem muda o que ela não entendia. Eles continuaram a olhar um para o outro, uma infinidade de emoções passavam pelo rosto de Finn e Quinn que estava com a expressão pétrea e não vacilou em nenhum momento, elevando a sobrancelha e fazendo Finn soltar um protesto. Quinn sorriu vitoriosamente, finalmente olhando para longe dele. Ajustou a bolsa no ombro mais uma vez antes de ir embora. "Tchau." Ela tocou no ombro de Rachel quando a ultrapassou indo embora.
Rachel tocou a mão sob o seu ombro, virando-se para assistir Quinn se retirar antes de olhar de volta para Finn. "O que foi isso?"
Ele colocou o peso em um pé e no outro, seus lábios crispados em aborrecimento. "Ela quer que eu diga porque terminamos."
"Porquê?" Rachel choramingou. Aquilo não era nada bom.
Ele deu de ombros. "Porque ela é meio que uma cadela."
Houve uma reprimenda na ponta de sua língua, mas ela a conteve porque… sim, Quinn era uma cadela muito da bonita. Rachel sentiu suas mãos ficarem úmidas e seu estomago vibrar. "Mas você não vai contar a ela, certo?"
Finn balançou a cabeça. "Seu segredo está seguro comigo, Rach."
Notas finais
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