What Doors May Open
7 Capítulo 6
Notas iniciais
"É só que," Quinn começou calmamente, "às vezes eu te pego olhando para mim."
Rachel exalou lentamente, agarrando firmemente o lápis na mão, prestes a quebrá-lo. "C-como você sabe, a menos que você estivesse olhando para mim também?" ela perguntou timidamente.
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Enjoy!
Capítulo 6
"Eu posso fazer isso," Rachel murmurou para si mesma do lado de fora da casa de Quinn. Era mais como uma mansão. Rachel não sabia o que ela estava esperando, mas estava do lado de fora olhando para dentro da casa, o que já tinha ultrapassado suas expectativas. Ela olhou nervosamente para trás vendo o carro de seus pais, metade de sua mente implorando para que ela voltasse para casa com eles. A outra metade ansiosa só conseguia pensar em estar naquela casa espaçosa com as três garotas mais populares da escola. Era com esse tipo de roteiro que filmes do tipo Life time eram feitos. E geralmente as coisas terminavam de forma triste.
Ela acenou um adeus para seus pais, sabendo que eles não iriam embora até que a vissem entrando em segurança na casa. O engraçado era que estar dentro da casa não necessariamente equivaleria a estar segura. Sua mão se levantou batendo na porta de forma hesitante. Ela olhou para seus pais mais uma vez, em seguida, olhou para a porta, esperando pacientemente Quinn atender.
A porta se abriu depois de uns minutos e Quinn estava na soleira. Ela estava sorrindo. Um legítimo sorriso megawatt que Rachel tinha visto rapidamente no dia anterior, desejando que tivesse sido dirigido a ela. Só que dessa vez o foi e ela quase desmaiou ali mesmo, esquecendo sua própria ansiedade por um momento. "Você veio," Quinn a saudou. Pela primeira vez ela não estava usando o penteado das Cheerios usual e seus cabelos estavam perfeitamente jogados pelos ombros correndo pelas costas em ondas suaves. Ela estava deslumbrante, como um anjo sorrindo para Rachel.
Rachel limpou a garganta apertando seu braço em torno da alça da mochila. "Oi," ela disse com um pequeno e cuidadoso sorriso. Deu de ombros, levantando sua mochila como se aquele gesto explicasse tudo. "Você disse que iria me ensinar, então…"
Quinn ainda estava sorrindo e era tão estranho e cativante. "Porque você é péssima em matemática."
O sorriso de Rachel se ampliou, e ela abaixou a cabeça timidamente. "Porque eu sou péssima em matemática."
Quinn deu um passo para trás, uma sobrancelha erguida, permitindo que Rachel entrasse. Rachel acenou mais uma vez para os pais, aceitando o seu destino e entrando na casa dos Fabray. Seus olhos percorreram instantaneamente ao redor do cômodo. Elas estavam em um corredor estreito que tinha um cabide e uma pequena mesa com um molho de chaves sobre ele. Ela olhava para o lustre refletindo luz e sombras contra a parede, enquanto desabotoava o casaco. Quando ela desceu o olhar, Quinn estava olhando para ela e ela sorriu timidamente tirando o casaco. Quinn estendeu o braço e Rachel o entregou a ela, observando-a colocar no cabide. "Obrigada," disse nervosa.
Quinn deu de ombros. "Santana e Brittany estão na sala de estar." Ela caminhou na frente sendo seguida por Rachel, passaram pelo arco que separavam os cômodos e entraram na parte principal da casa. Elas estavam passando pela enorme cozinha quando Rachel conseguiu retirar seus olhos dos cabelos longos e loiros. Quinn usava uma apertada camisa branca curta de manga que mostravam todas as suas curvas e Rachel baixou os olhos até que viu o menor par de shorts vermelhos do universo colados em Quinn como uma segunda pele. Seu olhos corriam as coxas pálidas que se flexionavam a cada passo até os pés cobertos por meias. Seu coração batia acelerado enquanto ela passeava os olhos em cada curva que Quinn tinha a oferecer, voltando, mais uma vez, para a parte de trás de sua cabeça. Ela podia sentir o seu rosto pegando fogo.
Elas chegaram ao limiar da sala de estar e Quinn se virou abruptamente. Rachel recuou, surpresa por quase ter colidido com ela. Quinn sorria divertida. "Eu pedi a elas para serem boas," foi tudo o que ela disse antes de se virar novamente e entrar no outro cômodo. Rachel a seguiu nervosamente. À esquerda encontraram Santana e Brittany sentadas assistindo Tv. Santana olhou para ela com uma expressão pensativa. "Você realmente veio, Berry?" Seus olhos se desviaram para Quinn e ela sorriu zombateiramente. "Eu não posso acreditar nisso."
"Oi, Rachel," Brittany falou com um sorriso, a cabeça apoiada no ombro de Santana.
Rachel deu um pequeno aceno. "Oi, Brittany, Santana. Espero que estejam bem."
Brittany assentiu e Santana acenou com a mão como se Rachel fosse uma mosca irritante zumbindo em volta dela. Quinn deu um suspiro profundo, forte e decidido juntando as mãos em sua frente. "O que vocês querem fazer primeiro?" ela perguntou. "Estudar ou assistir um filme?"
Rachel piscou em confusão. Ela não tinha ideia de que filmes estavam nos planos. "Eu pensei que estaríamos aqui só para estudar," ela disse confusa.
"Eu escolho o filme primeiro," Santana disse.
Rachel entrou em pânico. Ela realmente precisava aprender geometria. Mas o mais importante, ela não gostaria de passar tanto tempo sozinha com as três juntas. "Mas—"
"Eu quero ver Up," Quinn disse.
"The Hangover é mais engraçado," Santana sugeriu.
"Eu realmente quero ver o filme sobre homens azuis," Brittany disse. "Aliens?"
"Avatar, B," Santana falou carinhosamente. Rachel não conhecia aquela Santana capaz de falar com tanto carinho. Será que Quinn poderia ser boa com alguém que ela se importasse? A primeira coisa que chegou à mente de Rachel foi o sorriso genuíno que recebera a não mais que dez minutos atrás. "E não foi lançado ainda. Aquilo que a gente viu eram só previews."
Brittany fez um beicinho, cruzando os braços. "Então eu não sei qual escolher."
"Você gosta de D.E.B.S.," Santana ofereceu.
Rachel piscou surpresa. Definitivamente lésbicas.
O sorriso de Brittany se alargou. "É esse que eu escolho."
Rachel mordeu o lábio nervosamente, pisando em direção a Quinn. "Eu realmente preciso estudar."
Quinn ofereceu um sorriso de desculpas. "Eu vou te ajudar, eu prometo. Eu saio com essas garotas o tempo todo e ainda consigo ficar no quadro de honra. Eu vou te ensinar geometria. Mas primeiro você vai ter que escolher qual filme quer assistir entre o meu, o de Santana e o de Brittany."
Essa versão de Quinn, longe da escola e em sua própria casa parecia muito mais relaxada do que qualquer outra versão que Rachel já tivesse visto. Ela percebeu que Quinn era muito mais bonita, linda, quando ela era agradável e sorria genuinamente e não de maneira cruel.
Todas olharam para ela em expectativa e era bom ter as meninas mais populares praticamente comendo na palma de suas mãos. Embora a única coisa que ela tinha a oferecer era o destino das próximas duas horas de suas vida. Ainda assim era uma sensação inebriante. "Up?" ela sugeriu com um encolher de ombros.
Santana gemeu. "Ugh, você é estranha."
Quinn franziu a testa. "Não, ela não é; ela é incrivel." Ela congelou imediatamente depois de dizer isso. Santana riu. A espinha de Quinn se endireitou quando ela se afastou do grupo, o nariz levantado para o ar, cheio de orgulho, as pontas de sua orelhas em queimor. Rachel sorriu diante do fato de que ela era muito orgulhosa para voltar atrás do que dissera e admitir a gafe; Quinn achava que ela era incrível, ela se encontrava em um brilhante momento de glória.
Quinn inclinou seus quadris para frente para colocar o DVD no leitor e Rachel quase tropeçou ao sentar no sofa, os olhos presos em Quinn. Os shorts vermelhos subiram reveladores, as panturrilhas flexionadas mostrando o músculo definido. A língua de Rachel traçava o seu lábio inferior enquanto seu olhar corria as coxas tensas. Ela se esforçou em desviar o olhar respirando fundo. Sentiu o sofá afundar à sua esquerda e virou seu olhar apenas para encontrar Quinn sentada entre ela e Santana. Rachel estava hiper consciente de cada lugar em que elas se tocavam. Suas coxas estavam pressionadas firmemente juntas, ombro a ombro e cada vez que Quinn se mexia tentando encontrar melhor posicionamento o lado direito do seu quadril colidia com o esquerdo de Rachel e o calor que ela sentia, simplesmente não tinha explicação. Ela respirou fundo prendendo a respiração até que Quinn encontrasse enfim uma posição confortável. Então ela olhou para o lado e Brittany estava na outra ponta do sofá e percebeu que apesar de não ter espaço suficiente para ela fugir, havia espaço suficiente para todos. Então, por que não ela? Sua resposta veio um Segundo mais tarde, quando Brittany girou o corpo, colocando as pernas sob o braço do sofa e reclinando-se para trás até se acomodar no colo de Santana, os cabelos longos e loiros sobre suas coxas. Rachel bufou, imaginando como seria se as coisas entre ela e Quinn fossem daquela maneira.
O filme progrediu e Rachel estava tentando prestar atenção nele e não na forma como ela e Quinn tinham seus corpos pressionados. Ela se mexeu em seu assento, sendo incapaz de ficar parada sem ter ideia do porquê. Ela tentou, tão discretamente quanto possível, olhar para Quinn tentando obter através de uma boa olhada qualquer informação que demonstrasse que aquilo também estava afetando ela. Os olhos de Quinn não se afastaram da TV durante todo o tempo.
Rachel voltou a se encostar em seu assento resignada de que seriam duas horas de tortura. Cerca de quarenta minutos depois Quinn se moveu.Sua coxa esfregou lentamente contra a de Rachel que respirou trêmula sentindo uma pontada de calor penetrar seu corpo. Ela teve a sensação de querer rastejar para fora de sua pele, por que ela se sentia tão quente com o calor de Quinn se infiltrando dentro dela.
Assim que o filme terminou Rachel pulou do sofá. Quinn e Brittany olharam para ela confusas enquanto Santana fez uma careta. "Algum problema, Berry?" Santana perguntou.
"Eu só, realmente, gostaria de estudar. Quinn, nós podemos estudar? É imprescindível que eu aprenda geometria antes do meu próximo exame ou receberei outro C na classe, ficando como essa media o meu semestre inteiro, e você não quer que essa possível falha pese na sua consciência, quer? Então vamos e—"
"Pare de divagar," Quinn a cortou quando ela se levantou. Rachel franziu a testa para a grosseria de Quinn que apenas sorriu ao ver a expressão irritada em seu rosto. "Eu disse que ia te ajudar a estudar. Pegue suas coisa."
Ela pegou sua mochila e viu Quinn caminhar em direção à sala de jantar ao lado da cozinha enorme que Rachel poderia se apaixonar se tivesse oportunidade… entre outras coisas na casa dos Fabray. Quinn sentou emuma cadeira e bateu na do lado severamente. Rachel sentou ao seu lado, retirando o livro, caderno e lápis da mochila.
"Ok," Quinn começou, pegando o livro de Rachel. "O que você não entende?"
Imediatamente Rachel foi esmagada pelo medo enquanto colocava os cotovelos sobre a mesa, a cabeça entre as mãos. "Teorema de Pitágoras," resmungou.
Quinn sorriu um pouco. "O que tem ele?"
"Quinn," queixou-se com a voz oscilante em um gemido. "Não me faça tentar explicar a minha confusão; eu já sou suficientemente ignorante sobre o assunto."
Quinn riu de Rachel a alertando para o fato de que era exatamente aquilo que ela precisava aprender, "Ok, acalme-se," folheou o livro até o capítulo sobre triângulos e o Teorema de Pitágoras. "Em primeiro lugar: a condição do teorema de Pitágoras é que em um triângulo retângulo, o quadrado da medida da hipotenusa é igual a soma dos quadrados das medidas dos catetos. Escreva isso."
Rachel pegou seu lápis, folheou seu caderno até uma página limpa e olhou para Quinn timidamente. "Você pode repetir?"
Quinn revirou os olhos. "Em um triângulo retângulo, o quadrado da medida da hipotenusa é igual a soma dos quadrados das medidas dos catetos."
Ela anotou diligentemente, leu mais uma vez antes de olhar para Quin de novo. "Escreva isso," Quinn disse. "A ao quadrado mais B ao quadrado é igual a C ao quadrado."
"Sim e o que isso significa?" Rachel perguntou depois de escrever a equação.
Quinn pegou o lápis. Seus dedos roçaram devagar e Rachel respirou fundo diante do contato, antes de Quinn se afastar. Ela pegou o caderno e abaixou a cabeça para desenhar um triângulo retângulo. "Isso," ela disse, apontando para a hipotenusa, "é C. Este pode ser o A, mas na verdade não importa qual dos catetos é A ou B, contanto que a hipotenusa seja o C."
Rachel assentiu, ouvindo a voz calma e suave de Quinn. Ela tinha uma suavidade que ela nunca tinha ouvido antes. Tão diferente da voz cortante utilizada quando elas estavam na escola. Essa voz era quente, às vezes rouca e se estabeleceu perfeitamente no peito de Rachel.
"O quê?" Quinn perguntou desconfiada.
Rachel piscou um par de vezes, só então percebendo que ficara olhando para ela. "N-nada, Eu só—" ela tentou engolir o nervosismo preso na garganta. "Eu realmente gosto de sua voz, Quinn."
As bochechas de Quinn queimaram nitidamente. "Você quer dizer, a minha voz quando canto?"
"Eu gosto de sua voz cantando," Rachel admitiu. "Quer dizer, às vezes você canta um pouco fora do tom— Eu provavelmente poderia ajudar com isso." A face de Quinn mudou rapidamente para irritação e Rachel foi rápida ao falar. "Mas eu estava fazendo referência a sua voz falando... agora."
"Oh," Quinn respirou suavemente, parecendo completamente insegura. "Obrigada, eu acho."
Ela ainda estava envergonhada e abaixou a cabeça para estudar o diagrama no caderno de Rachel. Rachel sorriu com a agradável surpresa diante da reação de Quinn. "Enfim, o que você tem que fazer é achar o quadrado do valor de A," Quinn continuou, apontando para linha onde estava marcado o A. "E o quadrado do valor da linha B. Uma vez que tenha esse valor, você adiciona os números quadrados, que vai ser igual a C ao quadrado"
Rachel assentiu, finalmente entendendo agora que alguém tinha tido tempo de explicar completamente a ela. "Eu acho que entendi isso. Obrigada, Quinn."
"Sem problemas." Ela folheou o livro até chegar ao final do capítulo, colocando, em seguida, na frente de Rachel. "Agora," ela começou a falar com um sorriso, "resolva esses problemas."
"Todos eles?" Rachel gritou.
"Até que eu considere suficiente."
"Quem morreu e te fez rainha?" Rachel resmungou para si mesma começando a trabalhar nos problemas.
Quinn a observou em silêncio por um momento antes de perguntar timidamente, "Então... como é ser gay?"
O lápis caiu do aperto frouxo de Rachel enquanto ela olhava sem piscar para o seu caderno. Ali estava a armadilha? Limpou a garganta. "E-eu não entendi a pergunta," ela gaguejou.
Quinn se aproximou, franzindo o cenho. "Eu só— qual é a sensação? É diferente?"
"De que…?"
"De ser hetero."
Ela respirou profundamente. "Não. Embora te induza à ansiedade, às vezes."
"Por quê?"
Rachel não sabia de onde essa curiosidade repentina de Quinn estava vindo. Ela sempre tivera essas questões? Todas as vezes em que Quinn a olhava com interesse era porque tinha essas perguntas acumuladas? Ela levantou o olhar para encontrar o de Quinn com a maior confiança possível. Mas, na verdade, não estava muito confiante. "Isso induz à ansiedade porque eu tenho que esconder quem eu sou às vezes."
Quinn assentiu com uma careta. "Seus pais sabem?"
Rachel soltou uma risada com o próprio pensamento. "Certamente não."
"Por quê?"
"Por que," ela hesitou, sem saber o porquê, ela apenas não estava pronta. "Eu—"
"Eu acho que poderia ser difícil," Quinn murmurou pensativa. "Contar para os seus pais. Mas, quero dizer, seus pais são gays e se você não pode lhes contar que é gay, qual a chance de crianças com pais normais poderem contar aos seus?"
Os lábios de Rachel se curvaram para baixo com a declaração. "Meus pais são normais, Quinn; só porque são gays não significa que são menos normais que os seus."
Quinn fez uma careta, um misto de diversão e exaustão. "Meus pais não são normais."
"Bem, os meus são," Rachel assegurou.
Quinn riu. "Sorte a sua." Ela pausou por um momento, antes de colocar a próxima pergunta. "Você deseja nunca ter saído do armário?"
Ela levou alguns momentos de reflexão. "Não, eu não desejo isso. Apesar de ser assustador às vezes— não ter que sair com meninos e fingir que gosto deles— é libertador. Além disso," Rachel abaixou a cabeça um pouco vermelha, "ter a oportunidade de gostar abertamente de meninas é muito... libertador à sua própria maneira."
Quinn sentou-se reta na cadeira. "Você gosta de garotas?"
Rachel sorriu ironicamente. "Eu pensei que isso fosse meio óbvio."
"Você sabe o que quero dizer," Quinn sussurrou discretamento como se aquela parte da conversa fosse um grande segredo. "Você gosta de alguma garota?"
Rachel recuou diante da questão, recostando-se em seu assento colocando mais alguma distância entre elas. Sua garganta apertada como se tivesse uma andorinha voando, o medo de dizer maior do que tudo. "Eu realmente não quero falar sobre isso."
"Vamos lá, Rachel, não é como se eu fosse contar."
"Porque você se importa?" Rachel perguntou cuidadosa.
Ela observou como os olhos de Quinn se arregalaram um pouco. "Eu não sei."
"Ok," Rachel disse suavemente. Voltou para os problemas que ela deveria resolver no livro, o coração batendo freneticamente contra seu peito enquanto Quinn a observava atentamente. Rachel não conseguiu afastar a sensação de que ela estava na cadeia, sendo interrogada e uma resposta errada seria o seu fim. Tentou ardentemente se concentrar nas questões. A ao quadrado mais B ao quadrado é igual a C ao quadrado, o Teorema de Pitágoras. Isso era tudo o que ela precisava saber agora.
"É só que," Quinn começou calmamente, "às vezes eu te pego olhando para mim."
Rachel exalou lentamente, agarrando firmemente o lápis na mão, prestes a quebrá-lo. "C-como você sabe, a menos que… você estivesse olhando para mim também?" ela perguntou timidamente.
Quinn não respondeu. Ela se encostou na cadeira colocando ainda mais distância entre elas.
Rachel não tinha certeza se deveria esperar ou não uma resposta, mas depois de dois minutos fingindo que fazia outro problema de matemática, quando tudo o que conseguia pensar era em Quinn sentada ao seu lado, interrogando-a sobre ser gay e perguntando de quem ela gostava, ela afastou a cadeira da mesa e se levantou.
Quinn olhou para ela com surpresa e Rachel apontou desajeitadamente para a cozinha. "Água— posso pegar um copo?"
"No armário ao lado direito do fogão. E a água está na geladeira," Quinn respondeu enquanto Rachel começou a caminhar em direção à cozinha.
Realmente, uma pessoa pode se apaixonar por uma cozinha tão grande. Rachel olhou com espanto para todos os armários e eletrodomésticos, a bancada de mármore, aparentemente nova, onde ficavam o forno e o fogão. Seus dedos deslizaram ao longo da parte superior do fogão de prata até parar em frente ao armário que Quinn se referira. Com a mão direita contra o balcão para lhe sustentar, ela ficou na ponta dos pés abrindo o armário com a mão esquerda, os dedos se arrastando pelo espaço escuro em cima dela, procurando a sensação de um copo cilíndrico, mas só encontrando o vazio. Ela resmungou em aborrecimento, ficando ainda mais na ponta na tentativa de encontrar um. Sua mão bateu em um copo e o derrubou, jogando-o ainda mais para trás do armário e Rachel gemeu a sua má sorte.
"Você é como um anão ou algo do tipo," Rachel ouviu uma voz aveludada atrás dela dizer. Ela sentiu o corpo se aquecer em constrangimento por ter Quinn, mais uma vez, falando em um tom que não era muito familiar. "Precisa de ajuda?"
Quinn estava bem atrás dela naquela momento, Rachel podia dizer porque já sentia o seu corpo se derretendo. "Talvez um pouco," ela admitiu.
A próxima coisa que sentiu foi ela chegando ainda mais perto do que estava antes. Sua pele se arrepiou na medida em que Quinn foi se aproximando, quando ainda estavam mal se tocando. Em seguida ela inclinou-se sobre Rachel, os corpos agora se tocando, e Rachel não conseguiu evitar se inclinar para trás para aprofundar o contato. Quinn pegou o copo, deslizando no corpo de Rachel à medida que seus pés desciam. Rachel colocou as duas mãos sobre o balcão, respirando pesado, enquanto observava Quinn abaixar o copo com o canto dos olhos. Em seguida ela sentiu um leve toque na parte de trás de sua cabeça. A mão de Quinn cuidadosamente afastava o seu cabelo para o lado. A cabeça de Rachel se inclinou para trás com vontade própria e ela pode sentir Quinn respirar trêmula pela boca.
Ela não conseguia manter aquele jogo mais, ela precisava saber se Quinn se sentia da mesma forma ou não, a dúvida estava cada vez mais maldita. Virou-se lentamente até que suas faces se enfrentavam. Seus olhos, ampliados e descrentes, passearam da clavícula tentadora até os olhos cor de avelã que estavam mais escuros do que Rachel já os tinha visto outrora. Ela se perguntou se Quinn podia ouvir o seu coração e se ela iria beijá-la, finalmente. Todo o tempo Quinn a observava silenciosamente com a mais pensativa e carregada expressão em sua face.
Uma mão segurou o seu rosto e Rachel estremeceu com o calor que irradiava dele. Ela fervia abaixo de seu ventre e ela podia sentir algo dentro dela apertar e pulsar. Isso a fez ficar ansiosa e a deixou insana. Em seguida Quinn levantou a outra mão, formando um copo com o rosto de Rachel, enquanto se inclinava para frente.
A mente de Rachel tinha fritado completamente. Estava acontecendo. Aqueles lábios carnudos e vermelhos que ela admirava estavam prestes a se conectar com os seus e isso seria glorioso. Sua respiração ficou ainda mais falha diante dos olhos de Quinn fechados. Os dela própria se apertaram na expectativa do que estava prestes a acontecer.
"Quinn, porque diabos você tem DVD’s tão chatos?"
Quinn ficou tensa imediatamente. Os olhos de Rachel se abriram quando sentiu falta do calor das duas mãos em seu rosto. Ela olhou para cima, a face de Quinn estava retesada, sobrancelhas franzidas e lábios virados para baixo em uma careta de frustração. Rachel entrou em pânico, com medo de que aquilo fosse destinado a ela. Mas Quinn se virou bruscamente saindo da cozinha. Rachel a seguiu passos atrás, parando um pouco antes da sala de estar quando Quinn deu a volta no lugar onde estava Santana. "Droga, Santana, você não pode manter essa sua boca fechada pelo menos uma vez!"
Santana caiu na gargalhada e Rachel caminhou lentamente para dentro, vendo-a jogar a cabeça para trás como se tivessem contado a melhor piada do mundo. Santana limpou os olhos antes de sentar. Seus olhos encontraram Rachel e ela irrompeu em gargalhadas novamente. "Caramba, você está mais vermelha do que um tomate!"
Se isso fosse possível, Rachel coraria ainda mais enquanto remexia na bainha de sua saia se recusando a encontra os olhos de alguém.
Quinn se virou rapidamente e praticamente pisou em um DVD. Ela o pegou, empurrando-o para dentro de seu estojo, antes de continuar o caminho em direção ao sofá evitando olhar para Rachel. Ela caiu de costas no móvel, cruzando os braços severamente com os olhos na TV. À esquerda de Quinn, Santana se inclinava para frente de seu assento. Rachel olhou para ela e Santana piscou com um sorriso malicioso.
Um pequeno grito de espanto saiu de Rachel com o gesto, e Quinn e Brittany se viraram para ela surpresas. Ela corou e embaraçada. "Eu provavelmente deveria ir, são quase nove horas e tenho certeza que meus pais estão se perguntando quando eu vou voltar pra casa." Ela se perguntou brevemente onde os pais de Quinn estariam, mas ela ainda estava mortificada com o sorriso de Santana e com o fato de não conseguia afastar o temor que a tomava, enquanto Quinn olhava para toda a sala, menos para ela. "O-obrigada, Quinn, por me ensinar. Você certamente me ajudou muito."
"Sim, eu tenho certeza que sim," Santana brincou. Brittany riu discretamente atrás dela.
Sentindo-se completamente esmagada, Rachel saiu da sala e voltou para a cozinha. Parecia que toda a sua umidade tinha viajado para o sul; sua garganta estava seca e ela pegou o copo que Quinn tinha conseguido para ela minutos antes— antes de tentar beijá-la—Rachel decidiu que ela precisava realmente de água dessa vez. Ela bebeu um copo inteiro, em seguida caminhou até a sala de jantar e sentou. Aquele parecia o lugar mais seguro para estar naquela casa no momento. Ela falou com os seus pais rapidamente, e voltou a se ocupar com os problemas de matemática restantes do livro. Ou ao menos tentou.
Seus olhos flutuaram até o arco que separava a sala de estar com interesse. Quinn quase a beijara. Quinn Fabray, reta como uma flexa, quase havia beijado ela. Mas o que isso significava? Rachel certamente sabia o que isso significava para ela— algo para se celebrar e inquietar, tudo ao mesmo tempo, porque a questão era como Quinn agiria a partir de agora diante de algo tão iminente em sua cabeça. O fato dela ter evitado os olhos de Rachel o tempo todo em que estiveram na sala de estar não era um bom sinal. E como será que Quinn estava se sentindo com essa coisa toda? Será que ela não tinha sido levada pelo momento porque ela e Rachel estavam tendo uma conversa sobre lesbianismo? Ou… tudo era mais significativo do que parecia? E onde é que Santana e Brittany se encaixavam nisso tudo? Elas pareciam saber de algo que ela não sabia, se a grande diversão de Santana e a frustração de Quinn eram indicativos.
Rachel suspirou melancolicamente mantendo o olhar em direção à sala de estar. Os lábios de Quinn pareciam tão macios e suaves, vermelhos rubi, apenas implorando para serem beijados. Seus olhos estavam tão escuros e perigosos, como se prometessem que tudo o que estava prestes a acontecer entre elas seria agradável.
Ela se mexeu, apertando as duas coxas e respirando fundo, as mãos tremulas passeando pelos cabelos. Uma batida na porta trouxe de volta a sua atenção para o que acontecia ao redor. Ela se levantou, mas Quinn passou rapidamente por ela antes que ela tivesse qualquer chance de sair do lugar. Enquanto Quinn ia abrir a porta, Rachel se ocupou de juntar os seus pertence, fechando o zíper da mochila e a atirando sob os ombros. Quando subiu os olhos, Quinn estava no batente da porta olhando para ela.
"Seus pais estão aqui," ela disse calmamente.
Rachel olhou para ela enquanto se aproximava, tentando encontrar qualquer sinal no seu rosto, mas ela estava completamente neutra, suavizada com a mesma frieza que tinha antes sob a pele de Rachel; era irritante. Ela respirou profundamente. "Obrigada por me ajudar, Quinn. Aprendi muito."
Algo por trás dos olhos cor de avelã de Quinn lampejaram com a última frase, mas ela apenas disse, "Sem problemas." Ela se virou e caminhou em direção à frente de casa, Rachel logo atrás. Quando chegaram à porta ela sorriu para os seus pais colocando o casaco antes de sair, dando a Quinn um ultimo sorriso.
"Te vejo Segunda, Quinn."
"Tchau, Rachel."
A porta não se fechou imediatamente depois, o que só ocorreu quando Rachel deslizou para o banco de trás do carro e ela, tristemente, viu-se grata por pelo menos aquele gesto. "Como foi a tutoria, querida?" Hiram perguntou enquanto afivelava o cinto de segurança. Leroy ajeitou o espelho retrovisor antes de colocar o carro em marcha ré para fora da garagem.
"Foi tudo bem, pai," Rachel murmurou pensativa. "Quinn certamente me ensinou muito."
Notas finais
:)
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