Notas iniciais
Capítulo novo!

Pessoas, muito obrigada por estarem acompanhando. É bom demais ver o retorno. Espero que gostem deste capítulo tanto quanto eu... :)

Capítulo 3

"Você não tinha me dito que falou a ela que eu tinha um segredo, Finn!" Rachel sussurrou incrédula enquanto ela batia os ombros de Finn com uma pilha de partituras. Após seu encontro com Quinn, Rachel passou por todo o período do Glee cozinhando a humilhação e a raiva por Finn não ter sido verdadeiramente honesto com ela.

"Ow, sinto muito; pare com isso!" Ele se esquivava da melhor maneira possível, o que não era muito considerando seu tamanho. "Eu não achei que seria grande coisa." Estendeu a mão e agarrou a de Rachel antes que ela tivesse a chance de acertá-lo novamente. Olhou para ela, os cabelos despenteados, o peito subindo e descendo rapidamente com o esforço, um pequeno rubor em sua face.

Rachel franziu a testa, suspirando e dando um passo para trás. " Não olhe para mim desse jeito," ela murmurou.

Seus olhos encontraram os dela e ele deu vários passos para trás, em movimentos bruscos. "Eu não imaginava que ela ia continuar tentando saber. Pensei que ao dizer que você tinha um segredo faria ela perder o interesse."

"Sim, bem, fez um bom trabalho com isso," Rachel estalou estranhamente quando começou a andar. Ela atirou as partituras por toda a sala e as folhas pousaram suavemente ao redor da mesa. Seus pensamentos estavam desordenados, envolvendo a sua mente em torno da fato de que ela realmente dissera a Quinn que ela era gay e de como controlar os danos. Talvez Quinn esquecesse magicamente do que Rachel lhe revelara?

Provavelmente não.

Quinn iria intimidá-la. Ela rodopiaria de volta ao Glee, voltaria com Finn e—

Rachel deu uma pausa em seus elucubrações. Seu coração estava ferido. Seu pensamento em Quinn e Finn, Quinn e Puck, Quinn e alguém. Porque dói tanto?

"Hey, sinto muito," Finn falou por cima dos ombros dela. Os lábios de Rachel se curvaram ironicamente. Era como se Finn pedisse desculpas pelo fato de que Quinn o queria de volta. "Mas você foi a única que disse a ela que era gay, quando sequer precisava fazer isso."

Rachel se virou rapidamente para ele diante do seu comentário. "Eu disse a ela porque me pareceu a única forma dela me deixar em paz!" exclamou em voz alta. "Você, mais do que ninguém, sabe o quanto Quinn pode ser obsessiva quando coloca algo em sua mente; ela não ia me deixar ir!"

"Você poderia ter parado ela," Finn jogou de volta. "Você podia ter guardado—"

"E receber raspadinhas em dobro das que recebo agora, porque ela pediria a todos que o fizesse em um acesso de raiva?" Rachel resmungou. "Não, obrigada. Já tenho sutiãs suficientes no lixo porque é impossível tirar a mancha de alguns tecidos."

Finn não respondeu e quando Rachel olhou para cima, ele tinha aquele olhar Dunga em sua face. "Pare de pensar em meus sutiãs!" ela gritou, o rosto corado de raiva.

Finn deu um passo para trás em choque. Rachel nunca parecera tão zangada antes. Ela estava gritando e rosnando e fazendo todos os tipos de sons que ele nunca ouvira saindo dela. "Olha," ele disse em voz baixa, "você precisa se acalmar um pouco."

"Não me diga para me acalmar!" ela gritou. Imediatamente colocou a mão nos lábios, surpresa com sua própria explosão. "Me-Me desculpa, Finn," ela sussurrou.

Finn suspirou, caminhando em direção à cama e sentando. Ele deu um tapinha no espaço ao lado dele e Rachel sentou, coluna ereta, mandíbula apertada.

"Eu disse a ela que sou gay," Rachel começou lentamente, "apenas para que ela, Santana, e Brittany voltassem a se juntar ao Glee."

"Isso não foi muito inteligente," Finn disse. "Nós poderíamos ter encontrado outras pessoas para preencher os lugares."

Rachel se virou para ele, franzindo o cenho com irritação. "E quem mais poderia ter substituído elas, Finn? Não é como se tivéssemos uma fila de pessoas tentando entrar no clube. Tivemos sorte que você foi capaz de trazer os seus amigos do time e que Quinn, em uma onda de ciúmes, entrou e trouxe consigo mais duas amigas."

Ele abriu a boca para contestar a afirmação, mas não conseguiu. Rachel estava certa. Ninguém queria entrar no Glee porque todo mundo achava que era para perdedores. Finn se incluiria, se fosse verdade. Ele passou a mão no rosto cansado. "Então, como aconteceu? Você disse a Quinn que contaria o seu segredo se ela voltasse ao Glee e o que? Só isso?"

Rachel respirou fundo. "E… eu disse a ela que se ela te quisesse de volta, poderia tê-lo." Ela desviou os olhos do rosto em choque de Finn. Suas mãos se mexeram quando Finn sentou ao lado dela, meditando sobre as suas palavras. Seu coração parecia estar sendo apertado por grandes mãos até doer.

"Oh…" ele coçou a cabeça em confusão. "Eu— legal, eu acho?"

Rachel engoliu em seco, sua língua pesando uma tonelada antes de perguntar, "Você a quer?"

Ele deu de ombros no mesmo instante. "Quero dizer, ela é quente e… não há nenhuma chance para você, certo?"

Relutantemente, Rachel balançou a cabeça. Ela sentiu vontade de dizer a ele que tinha uma chance apenas para mantê-lo longe de Quinn. O quão errada ela seria por isso? E o que exatamente isso queria dizer?

Finn se deslocou de onde estava sentado, seus olhos presos no carpete do quarto de Rachel. "E vo-você não gosta dela… certo?"

Ambos se encolheram com a pergunta, com medo da resposta. Rachel olhou fixamente para as mãos enquanto considerava a pergunta de Finn. Não havia qualquer chance dela ter uma queda por Quinn. Quinn a maltratava em toda oportunidade que tinha, intimidava-a e a humilhava—então, como Rachel poderia gostar dela daquela maneira?

"Não," ela respondeu depois de um momento.

Finn assentiu. "Sim…então eu direi sim, caso ela esteja interessada."

O peito dela estava mais pesado, como se alguém tivesse sentado em cima, sua respiração rasa necessitada de oxigênio e então o seu coração começou a bater mais devagar.

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As coisas estavam um pouco... estranhas hoje.

Assim que ela entrou no prédio, as pessoas estavam olhando para ela. Foi estranho porque ela particularmente não recebia tanta atenção, exceto se ela estivesse andando com Finn. Quando isso acontecia ela recebia olhares ciumentos das meninas e de Quinn. Mas enquanto Rachel caminhava pelo corredor os olhares que recebia não eram de inveja ou ciúmes, eram de intriga, confusão, e um desprezo suave. Um grupo de meninas passou olhando para ela antes de sussurrarem entre si e a sobrancelha de Rachel se levantou em ansiedade.

A única questão que passeava em sua mente enquanto ela caminhava pelo corredor era: será que todo mundo sabe? Determinada, manteve a cabeça erguida, mas a apreensão a impedia de encontrar o olhar de todos. Quando ela enfim chegou ao seu armário se enterrou contra o metal frio para se manter longe dos olhares indiscretos. Ela olhou para os seus próprios olhos arregalados, através do reflexo de seu espelho e tentou treinar um sorriso em seu rosto. Os seus lábios se esticaram num sorriso mais falso que já vira, os ombros caíram. Ela olhou ao redor do corredor para ver se alguém estava chegando, querendo saber se conseguiria ir para a aula sem receber alguma raspadinha.

"Rachel Berry, justo a pessoa que estava procurando!"

O coração de Rachel saltou em seu peito ao ouvir a voz estridente. Ela se virou tentando acalmar a respiração para combater o que ela tinha certeza ser um ataque cardíaco iminente, encontrando Jacob Ben Israel à sua frente. "Oi…" ela murmurou, a voz anormalmente desprovida de calor.

Jacob sorriu para ela, os lábios estendidos formando rachaduras secas que Rachel tinha certeza decorrerem da falta do uso de protetor labial. Ele enfiou um microfone na frente do seu rosto, clicando com a outra mão a câmera, antes de perguntar, "Importa-se em comentar sobre as últimas fofocas?"

Seus olhos abriram em um tamanho inacreditável, sua garganta estava apertada. "Q-que fofoca?" ela chiou, correndo os olhos da câmera para Jacob. Seu coração batia ruidosamente no peito até Rachel ter certeza de que ele parou de bater, tudo junto. Este era o ponto em que Jacob iria perguntar, ela diria que sim, porque nunca seria capaz de negar quem ela era, e seria para sempre intimidada e alvo de crimes de ódio. Existiria para sempre uma fita em circulação na qual Rachel Berry confirma o seu estilo de vida lésbico.

O microfone se aproximou ainda mais dos seus lábios e ela esticou o pescoço para longe dele, sem ter ideia de até onde aquilo iria. Ela olhou para baixo com nojo, não tinha respeito por Jacob e seu blog de fofocas onde eram expostas mais mentiras do que verdades. Quando ela olhou de volta para Jacob, ele sibilava para ela falar mais alto.

"Não brinque com a gente, Rachel; meus fãs estão esperando para saber." Seu sorriso se alargou como se para incentivá-la a derramar detalhes sobre sua própria vida.

Rachel apertou ainda mais os livros contra o peito, colocando na face o mesmo sorriso falso que treinara instantes antes. "E-eu não tenho ideia do que você está falando. Não há boatos sobre mim."

"Sim, existem," Jacob insistiu. "Há rumores de que você e Finn terminaram. Ele estava circulando há alguns dias, mas tenho uma fonte interna e segura que me confirmou isso."

Rachel piscou uma, duas, três vezes antes de dar uma gargalhada histérica que saiu da profundidade de sua garganta. Estendeu a mão para cobrir a boca incrédula com a situação. Lágrimas de felicidade chegaram em seus olhos e ela os desviou por alguns instantes.

Quinn não tinha contado.

Ninguém estava sabendo que ela é gay.

Bem, algumas pessoas sabiam, mas a escola em geral não estava a par dessa parte da vida dela e ela estava lá, correndo os olhos de Jacob para a sua câmera em descrença, mas agradecida. "Eu— s-sim, Finn e eu não somos mais um casal," ela disse quase feliz.

Jacob gritou de felicidade e Rachel franziu a testa dando um passo para trás. "E como você está lidando com isso, Miss Berry?" ele perguntou, batendo os cílios para ela completando, "Se você precisar de um ombro forte para chorar—"

"Eu vou encontrar alguém com o tal ombro," Rachel disse enquanto rolava os olhos. Ela fechou o armário com uma batida, voltando-se para ele. "Agora, por favor, me deixe sozinha."

Jacob se atrapalhou ao desligar a câmera de vídeo, empurrando-a para o bolso da calça cargo, e disse a Rachel, "Você realmente deveria considerar ir a um encontro comigo. Posso te fazer facilmente se recuperar do devastador rompimento com Finn."

"Não foi devastador!" Rachel não pode deixar de gritar com Jacob que correu pelo corredor. Ela bufou e se encostou contra o seu armário. A cabeça inclinada para trás deixou-a ver várias rachaduras no teto. Um sorriso longo desenhou o seu rosto. Não só o seu segredo ainda estava mantido, mas também ela já não namorava Finn nem mesmo teria que fingir namorar com ele. Ela poderia ser apenas Rachel. E era bom ser apenas ela, depois de fingir ser outra por tanto tempo.

O som de sapatos arranhando o chão a tirou de seus pensamentos. O mesmo horário todos os dias. Mas Rachel não tinha a energia necessária para manter contato virtual com o avelã intenso naquele instante. Os olhos de Quinn eram como uma tempestade, uma onda profunda cada vez que Rachel olhava para eles. Às vezes parecia que não havia muito mais do que aquilo que ela permitia que todos vissem. Mas ela era apenas uma porra de pessoa inacessível, isso era irritante.

Uma mão bateu timidamente em seu ombro e Rachel suspirou irritada, a cabeça pendeu para o lado e seus olhos encontraram o cor de avelã que evitava. Ela saltou para trás surpresa, colocando um pouco de espaço entre ela e Quinn e se recompondo. Rachel passou a mão trêmula pelo cabelo, limpando a garganta. "Bom dia, Quinn."

Sua voz não tinha a cordialidade habitual e o sulco na testa de Quinn indicava que ela havia notado. "Hey." Ela mudou de posição, inclinando o quadril para um lado enquanto se encostava contra o armário. Os olhos de Rachel varreram o corredor não encontrando sinal de Santana ou Brittany em qualquer lugar. "O Glee se encontra hoje?"

Sua atenção se voltou novamente para Quinn. Ela estava bonita hoje, especialmente, e Rachel não pode evitar pensar que ela estava mais bonita do que o normal apenas devido ao fato de que ela não poderia tê-la. Não que ela tivesse realmente alguma chance antes, mas ela fora suficientemente estúpida para brincar de cupido de Quinn, porque ela a queria de volta ao Glee, e Finn, ou seja, ela atirara no próprio pé. Ela assentiu com a cabeça, colocando a franja atrás de seus olhos para ter uma visão melhor da pessoa à sua frente. "Sim, esta tarde depois das aulas."

Os lábios de Quinn subiram levemente. "Obrigada." Ela começou a se afastar quando mãos seguraram seu pulso, fazendo-a parar. Rachel esperou com a respiração suspensa enquanto Quinn virava lentamente. Olhos de avelã delizaram por seu próprio braço até a mão de Rachel em volta de seu pulso, subindo os braços de Rachel e encontrando os olhos castanho escuro.

Rachel lambeu os lábios nervosamente. Soltou o pulso de Quinn enrolando os dedos na palma de sua mão na tentativa de manter por mais alguns instantes a sensação fugaz da pele acetinada. "Eu só queria pedir um favor," ela sussurrou trêmula.

Uma sobrancelha bem feita de Quinn se ergueu plenamente diante do pedido. "Estou ouvindo," ela disse calmamente, não deixando qualquer inflexão arranhar a sua voz.

"Bem, veja você," Rachel começou. Olhava para a barra do seu suéter, remexendo a bainha.

"Olhe para mim," Quinn gruniu.

Ela subiu os olhos imediatamente. Ela esperava encontrar uma típica careta no rosto de Quinn, mas as feições normalmente comprimidas estavam completamente suavizadas naquele instante e ela observava Rachel abertamente e sem qualquer pitada de malicia.

"Eu só— o que eu te disse ontem, muitas pessoas não sabem”, ela disse em voz baixa, se aproximando um passo para ser ouvida com clareza. Era difícil manter contato visual considerando o assunto, mas ela realmente não queria falar sobre isso de novo. "Por favor, Quinn, por favor não conte a ninguém, quero manter isso em segredo."

"Por quê?"

Rachel olhou para ela incrédula. "Você mais do que qualquer pessoa sabe o quanto eu sou humilhada aqui," respondeu freneticamente, a voz saindo em um sussurro. "Eu não— eu não posso deixar as pessoas saberem; meus pais ainda não sabem. Eu não posso dar mais motivos para me limarem."

"Rachel, acalme-se," Quinn disse calmamente.

A respiração, instantaneamente ficou calma e profunda. O sinal tocou, e, resignada com seu destino, Rachel se jogou novamente de costas no armário, decidindo tomar alguns momentos para tentar ficar bem já que já estava atrasada para a aula. Ela viu os pés cobertos pelo tênis branco devagar, em passos medidos até que Quinn estivesse ao seu lado. O som de sua mão deslizando pelo armário chamou sua atenção. Então-então ela percebeu—

"Hey, espere um minuto." Ao virar para Quinn, foi contemplada pelos olhos cor de avelã subitamente explosivos e pela pele pálida e suave. Quando, no inferno, ela esteve assim tão perto?

Rachel observou os lábios de Quinn se moverem quando ela perguntou, "O quê?"

"Você…" ela esforçou-se em organizar os pensamentos. "Você me chamou de 'Rachel'."

Quinn se enrijeceu. "Este é o seu nome. Não é uma grande coisa."

Mas fora uma grande coisa, ao menos para Rachel. Ela sorriu, a cabeça inclinada tomada pela coloração de blush em suas bochechas.

"Estou supondo que Finn sabe sobre seu pequeno segredo."

Rachel acenou, seus olhos voltados para baixo, observando o quão próximos o tênis de Quinn e ela estavam. Em todo esse tempo na escola, elas nunca estiveram tão perto; Rachel começou a sentir o seu corpo esquentar.

"Quantas pessoas sabem?"

"Eu presumo—"

"Rachel," Quinn entoou em um tom de voz paciente. "Olhe para mim."

Ela tentou não desmaiar quando ouviu Quinn dizer o nome dela. Aquela voz rouca e aveludada envolvendo cada letra do seu nome. Ela enrolou a própria língua em uma caricia que se mostrou estranhamente relaxante e estimulante. Rachel engoliu o caroço que havia se formado em sua garganta e olhou para cima encontrando o olhar de Quinn. "Até onde eu saiba, mais três pessoas."

"Quem são?"

Rachel arriscou dar um passo para perto e o olhar de Quinn acompanhou o movimento, a sobrancelha unida em sinal de curiosidade. "Kurt, Mercedes e Tina."

Quinn zombou. "Você está tentando guardar um segredo, mas o conta para as grandes rainhas da fofoca desta escola?"

Seus lábios estavam curvados em leve diversão quando Rachel disse, "Kurt adivinhou, ok? E ele estava no telefone com Mercedes quando o fez que, por sua vez, estava no telefone com Tina e—" ela gesticulou pontuando a confusão do momento. "Foi uma bagunça."

Houve um momento silencioso antes de Quinn empurrar o armário, olhar em volta pelo corredor e encontrar seus olhos com os de Rachel novamente. "Eu não vou contar a ninguém," ela finalmente disse.

Rachel deixou escapar um suspiro de alívio. O dia de hoje estava sendo impressionante. "Obrigada."

Quinn deu de ombros. Olhou para Rachel mais uma vez antes de caminhar pelo corredor. "Vejo você no Glee."

Ela ficou encostada em seu armário, observando Quinn caminhar pelo corredor como se fosse uma garota suspirando depois de ver a sua paixão do colegial. "Tchau, Quinn."

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Rachel novamente bateu o lápis contra a folha de papel em branco do seu caderno de química com indiferença. Estava sendo difícil aprender as formulas moleculares quando seu ultimo encontro com Quinn parecia ter tomado conta de sua mente. Quinn tinha sido cordial. Ela tinha sido— Rachel arriscava pensar isso— agradável. Ela não fez carranca nenhuma vez; ela quase sorriu. Ela havia dito o nome de Rachel de uma forma que Rachel nunca havia ouvido ninguém pronunciar antes. Ela tinha soado tão intima.

Então lembrou novamente, assim como nos insultos e ameaças Quinn usava aquele tom de voz, então aquilo não era realmente nada para se pensar.

Mas Rachel podia sentir, de qualquer maneira, seu estômago apertar só com a lembrança da voz de Quinn enterrada em sua mente. Ela havia dito o seu nome com a voz sussurrada, mais de uma vez. Aquela voz parecia tão imponente e perigosa. Ela fazia Rachel sentir os joelhos frágeis, duas sílabas mexeram mais com ela do que amassos com qualquer cara jamais conseguiram.

Ela bateu na própria cabeça quando os pensamentos de Quinn a beijando uniram-se ao de Quinn falando o seu nome entre os beijos… pensamentos. Esfregou a mão no rosto ao perceber que estava colocando até a lábia dela nos pensamentos.

Não estava apaixonada; sentia apenas uma intensa atração.

Rachel balançou a cabeça.

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Pensar em ir até a sala do coral a deixou apreensiva. Ela amava o Glee com todo o seu coração, mas compartilhá-lo com Quinn novamente seria uma mudança interessante com potencial substancial para acabar mal, considerando que Quinn agora sabia do seu segredo e ela teria que assistir o ressurgimento de Quinn & Finn 2.0 diante de seus próprios olhos, algo que ela mais ou menos causou.

Ela abriu a porta da sala e olhou para dentro. Sem surpresa, encontrou apenas Kurt, certamente não Quinn, já que Rachel sempre chegava alguns minutos mais cedo para se preparar. Ela sorriu levemente para o amigo e entrou. "Boa tarde, Kurt," cantarolou brilhantemente, determinada a aproveitar o máximo daquela situação. Afinal, Quinn e suas amigas de volta ao Glee estavam fazendo um favor a ela a longo prazo.

Kurt levantou os olhos da revista que estava sob as pernas cruzada. Sorriu largamente quando viu que era Rachel, fechando a revista e jogando-a para o lado antes de pular da cadeira. Com as mãos apoiadas nos ombros de Rachel, Kurt a olhava animadamente dizendo, "Garota, eu estou tão feliz por você ter confessado que você e Finn não estão mais juntos."

Assustada, Rachel deu um passo para trás. As notícias de Jacob voavam mais rápido do que ela esperava. "Eu realmente não tive muita escolha," ela resmungou, franzindo o cenho. "Alguém contou a Jacob sobre o término. Presumo que tenha sido Quinn—"

"Fui eu." O sorriso dele cresceu.

Ela empalideceu. "Por que você faria isso?"

"Porque eu vi vocês dois abraçados aqui no glee há dois dias atrás," ele explicou como se fosse óbvio. "Agora, Rachel, eu não sei se Finn sabe que você é gay ou não—"

"Ele sabe," ela respondeu incisivamente. Sua boca se abriu, uma pergunta na ponta da língua, mas ela não sabia por onde começar.

Kurt acenou para ela. "Eu estava apenas tentando suavizar o golpe do término. Agora todo mundo já sabe e você está livre." Ele arrumou a roupa distraidamente. "Finn está livre…"

Rachel observou a maneira meticulosa como ele arrumou e cabelo e retirou um fiapo para fora de sua roupa. "Não," ela disse. "Não, não, não, você não fez isso por mim; você fez isso para se certificar de que Finn estaria solteiro. Kurt, não posso acreditar em você!" ela gritou incrédula. "Você revelou—"

"Sobre você ser uma mulher solteira," ele entoou deliberadamente. "Não sobre ser lésbica."

"Então, o quê!" Ela franziu a testa para ele, cruzando os braços sobre o peito . "E Finn não é mesmo gay."

"Eu tenho certeza que posso convencê-lo—"

"Duvido—"

"—a ficar comigo; Eu sou surpreendente, Rachel Berry—"

"—Eu era a maior," ela disse triunfante.

Ele sorriu. "E agora você é gay, Cherry Jones."

"Eu—" ela mordeu os lábios pensativa, tentando identificar o nome."Eu não— Eu não tenho certeza—"

"Claro que você não reconheceria uma não-tão-obscura referência à atriz lésbica ganhadora de um Tony," ele zombou.

Rachel deu um passo se aproximando. "Espere, qual o nome dela? Cherry?"

Kurt franziu o cenho e começou a se afastar, Rachel no seu encalço. "Você pode listar os shows em que ela está?"

O restante dos membros do clube começaram a chegar e Rachel se sentou na fileira superior, anotando alguns fatos sobre a personalidade Cherry. "Oh, eu sei quem é ela!" ela exclamou com orgulho após um momento. "Ela estava em Erin Brockovich!" Ela continuou a escrever a lista dos filmes que Kurt tinha relacionado e estava determinada a assistir alguns em seu tempo livre. Barbra seria sempre sua número um, mas a atriz lésbica vencedora do Tony poderia facilmente ser a número dois.

"Oi, Finn," ela ouviu Kurt falar em uma voz ofegante como se tivesse corrido um quilometro e sua cabeça levantou para ver Finn andar pela sala do coral.

"Uh, oi, Kurt." Finn se mexeu desconfortável diante do olhar agudo de Kurt o analisando e Rachel mostrou a língua para o amigo. "Eu disse a você," ela falou modesta. Virou-se para Finn com um sorriso hesitante. Ela não tinha certeza de como estavam as coisas, mas não podia deixar uma garota ficar entre eles. Especialmente uma com quem não teria a menor chance. "Olá, Finn."

Finn hesitou, depois falou suave, "Hey, Rach," inspirando calmamente o ar. Ele olhou longamente para ela, em seguida sentou em um dos assentos da primeira fila.

Uma vez sentado, ela virou de volta para Kurt. Ele fez uma careta para ela. "Não seja tão óbvia,"ele falou entre os dentes na tentativa de soar baixo.

"Acho que o único que está sendo óbvio aqui é você," ela sussurrou de volta. "Fazer Jacob se certificar que eu e Finn terminamos? Sério?"

"Esses lugares estão ocupados?" a voz sedosa perguntou e Rachel levantou os olhos para encontrar Quinn olhando diretamente para ela. Ela não registrou a pergunta imediatamente por conta da surpresa da situação pesando em sua cabeça. Quinn estava mantendo a promessa. Ela estava na sala do coral, em carne e osso, com Santana e Brittany as acompanhando como ela havia prometido. E ela não tinha contado a ninguém que Rachel é gay. Caramba, o dia de hoje estava sendo realmente incrível.

"N-não, não," ela gaguejou a resposta quando finalmente a questão foi capaz de ultrapassar a surpresa de ter Quinn se dirigindo a ela com calma, retornar ao clube, e manter o seu segredo, tudo isso em apenas um dia. Ela apontou para os lugares vazios abaixo dela "Todos eles estão desocupados."

"Obrigada." Quinn caminhou até a parte de cima e, para surpresa de Rachel e um possível ataque cardíaco ali mesmo, ela se sentou ao lado dela. Ela esticou o pescoço para ver Santana sentando-se ao lado de Quinn e Brittany ao lado de Santana. Ela observou as três, completamente intocáveis, com os seus rabos de cavalo e o uniforme vermelho, preto e branco das Cheerios. Brittany sentou sob as pernas e se inclinou em direção à Santana que caía sob o assento como se aquele fosse o ultimo lugar na terra onde ela desejaria estar. Quinn cruzou uma coxa sobre a outra o que fez Rachel corar diante da visão da saia plissada vermelha que subia, as fendas revelando mais pele do que Rachel já tinha visto.

Ela virou novamente para frente, o blush tomando as bochechas, quando seus olhos acidentalmente encontraram os de Finn. Os olhos dele se estreitaram em reconhecimento da causa do rubor e ele se virou em sua cadeira, cruzando os braços sobre o peito. Ela olhava para trás da cabeça de Finn, desejando que seu coração parasse de correr e se acalmasse. Podia sentir o calor que irradiava do corpo de Quinn que parecia querer se arrastar para fora da sua pele. Era só uma atração. Uma atração que iria torturá-la nas próximas duas horas do clube, a menos que tivesse a chance de cantar e dançar pelo menos uma vez para se dar uma pausa.

"'E aí, ladies?"

Rachel olhou para cima para ver Puck sentando no degrau abaixo. Ele depositou sua guitarra gentilmente em um banco, seus olhos direcionados para Quinn. "'E aí, Q? O dia vai ser bom hoje."

"Hey, Puck."

Rachel não queria julgar, mas Quinn parecia entediada, se o suspirou apático que ela exarou enquanto falava demonstrava isso. Virou-se para frente e longe da vista de Puck que balançava as sobrancelhas e olhou para Finn. Eles definitivamente precisavam conversar. De novo. Droga.

Ela ouviu o rangido da cadeira e cerrou os olhos quando sentiu Quinn se inclinando para perto dela. "Eu perdi alguma coisa?" Quinn sussurrou.

Rachel se derreteu ali mesmo, tentando ganhar forças diante da pilha de gosma que se tornara, murmurou, "Nada ainda. Nós ainda não começamos."

Quinn assentiu e se recostou em seu assento. Os olhos de Rachel se abriram a tempo de ver Quinn se inclinando para Santana e Brittany. Brittany também se inclinou para elas e Quinn sussurrou algo que fez a cabeça de Santana aparecer e olhar para Rachel. Seus olhos se encontraram e Santana sorriu divertida antes de desaparecer amontoando-se novamente entre as outras duas. Elas sussurraram um pouco mais e Brittany riu antes de novamente se acomodar. Rachel olhou atentamente para os olhos de Quinn, tentando encontrar lá alguma ideia sobre o que elas falavam, mas a face de Quinn se mostrava impassível e, desistindo, ela voltou seu olhar para frente, vendo Mr. Schuester entrar na sala.

Rachel ficou ali sentada, presa entre a confusão e a ofensa. Elas estavam tirando sarro dela? Será que Quinn dissera a elas? Será que as garotas mais populares da escola sabiam o seu segredo e, caso afirmativo, o que elas estavam pensando em fazer com a informação?

"Uau!" Mr. Schuester exclamou quando olhou para cima. "Quinn, Santana e Brittany, estamos felizes em ter vocês de volta!"

"O que posso dizer?" Quinn respondeu. "Rachel pode ser muito persuasiva."

Ela disse o seu nome naquele tom de voz novamente. Rachel cruzou as pernas, mexendo as mãos, até prendê-las entre elas.

Kurt se inclinou em sua direção. "E depois você me chama de óbvio."

Notas finais
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