What Doors May Open
21 Capítulo 20
Notas iniciais
Quando enfim Rachel conhece os sogrões... ;)
Nada muito bonito de ver, entretanto.
Enjoy.
Capítulo 20
Suas pálpebras estavam incrivelmente pesadas e não sentia nenhuma pressa em abri-las. Ela tinha perdido sua rotina de exercícios de manhã há uma hora, seu relógio interno dizia isso a ela. Mas havia um pequeno peso sobre ela que não a permitia se levantar.
Quinn.
Rachel sorriu.
Ela se mexeu um pouco na tentativa de obter uma melhor sensação apenas de onde ela e Quinn estavam se tocando. Era a mesma coisa que da última vez; a cabeça de Quinn estava deitada em seu esterno, o nariz roçando no peito esquerdo de uma maneira que fez Rachel corar. A mão estava abraçada firmemente ao seu corpo de uma maneira que Rachel estava amando. Suas pernas, completamente nuas, entrelaçadas de maneira tão íntima a ponto de Rachel ter que mexer com sua própria para descobrir de quem era qual. Sua perna roçou uma das panturrilhas nuas de Quinn e ela prendeu a respiração quando Quinn gemeu algo inteligível em seu sono antes de virar.
Finalmente, Rachel piscou os olhos nublados. Ela piscou até que sua visão clareou e ficou olhando para frente. Seus olhos rolaram para a janela e a luz do sol que brilhava no quarto, fraturado e esmaecido das persianas e cortinas azuis bebê. Ela seguiu um fluxo de luz para uma parede próxima das fotos de Quinn que Rachel tinha visto quando ela visitou pela primeira vez o quarto. Seu olhar varreu curiosamente sobre o quarto de Quinn em uma tentativa de familiarizar-se com todas as pequenas coisas que ela tinha perdido na primeira vez que o visitou. No canto mais distante do quarto, escondido entre a parede e uma cômoda havia um pequeno branco... o que parecia ser uma ovelha de pelúcia. Rachel sorriu amplamente. Isso explicaria os hábitos de dormir de Quinn.
Uma mão subiu para limpar o sono dos seus olhos, a outra enterrada no cabelo de Quinn, massageando levemente couro cabeludo. A noite anterior tinha sido muito melhor do que ela pensava que seria. Não houvera drama, nem brigas, nada mais do que beijos completos e a bunda de Quinn sob suas mãos. E acima de tudo isso, Quinn a pedindo para ser sua namorada.
Fora enquanto ela estava um pouco embriagada, mas ela contava.
Exceto que meio que não poderia contar com isso porque antes de Rachel conseguir responder, Quinn já tinha dormido. E nenhuma delas tinha retomado aquele instante da conversa, antes de dormirem. Rachel não tinha coração para isso porque ter uma menina em sua cama já era um choque para Quinn. E Quinn... Rachel não tinha certeza se Quinn lembrava ou não. Quanto de álcool era necessária para um apagão e perda de memória da noite anterior? Ela não sabia e, certamente, não poderia pesquisar no Google com Quinn dormindo pacificamente em seu peito com um braço possessivo em volta dela para mantê-la no lugar.
Rachel suspirou. Quanto mais longe ela ia naquela relação, mais à beira ela se encontrava. Ela estava naquele instante na casa dos Fabray com os pais Fabray no corredor e a cabeça de sua filha em seu peito. Sua filha lésbica, fato que eles eram, aparentemente, completamente ignorantes, se as suas suposições a permitiam pensar assim. Ela olhou para a porta, certificando-se de que estava trancada antes que ela pudesse respirar um pequeno suspiro de alívio. Mas seria de curta duração. Porque, eventualmente, ela e Quinn teriam que se levantar e ela ia ter que enfrentar os pais de Quinn que, para o conhecimento de Rachel do que Quinn havia dito a ela—não eram normais e bebiam mais do que em ocasiões sociais.
Desconfortável, ela agarrou a mão de Quinn que estava em sua cintura e lentamente a puxou. Ela estava ficando inquieta e não queria acordar Quinn por causa de sua ansiedade. Quanto mais pensava sobre sua situação, mais nervosa ela ficava. Ela estava na casa dos Fabray, as pessoas que queimaram as bruxas, as pessoas com quem Quinn não podia conversar sobre ela—como no inferno Rachel supostamente lidaria com aquela situação?
Ela deslizou sob Quinn com o mínimo movimento e se sentou na beirada da cama. "Acalme-se," ela disse a si mesma. "O pior que poderia acontecer seria o Sr. e a Sra. Fabray me proibindo de voltar. E isso não é tão ruim, certo? Seria diminuir o tempo que eu poderia gastar com Quinn fora da escola, mas eu tenho uma casa também, e ela podia—"
"Você ainda divaga quando fala consigo mesma," Quinn murmurou sonolenta atrás dela.
Rachel se levantou da cama. Ela se virou rapidamente para encontrar Quinn deitada apoiada em um cotovelo, fios de cabelo louro longo protegendo os olhos da visão de Rachel enquanto Quinn os coçava. Seus lábios estavam franzidos e vermelhos, parecia irritada por ter sido acordada, mas com muito sono para que realmente parecesse assustadora. Em suma, ela estava adorável e o coração de Rachel começou a corrida acelerada com a visão que tinha dela. "Bom dia, Quinn."
"Bom dia," Quinn respondeu em torno de um bocejo. Ela se deitou na cama, esticando-se para trás. Sua camisa subiu para expor a barriga nua e os olhos de Rachel imediatamente caíram para o pedaço de carne que se apresentava a ela. Quinn riu. "Suba os olhos, Berry."
Os olhos de avelã se mostraram divertidos enquanto Quinn se sentou na cama. O cobertor caiu a seus pés quando ela levantou os joelhos e descansou a cabeça sobre eles. "Dormiu bem?"
Rachel assentiu. "Eu dormi muito bem. Obrigada." Ela se aproximou da cama e se sentou. "E você?"
"Sim," Quinn suspirou, coçando a parte de trás da cabeça.
"Eu espero que sim," Rachel murmurou com um sorriso. "Você estava dormindo em cima de mim de novo."
A mandíbula de Quinn se movimentou para frente e para trás enquanto ela agarrava um travesseiro, os olhos firmemente fixos em Rachel. Ela o pegou e jogou na cabeça de Rachel.
"Hey!" Rachel gritou, cobrindo a cabeça e abaixando bem na hora. Ela se levantou com mau humor, alisando o cabelo. "Isso poderia ter me ferido!"
Quinn revirou os olhos. "Você nunca teve uma luta de travesseiros antes?"
Ela estendeu a mão para pegar o travesseiro com uma expressão pensativa. Não, ela nunca tinha tido uma briga de travesseiro antes. Ela nunca tinha sido convidada para festas do pijama. Mas ela já tinha visto filmes suficientes para saber que era isso que Quinn havia iniciado. E uma parte dela se sentia estranhamente bem-vinda, como se isso fosse uma espécie de rito de passagem, e agora ela estava na vida de Quinn para o bem.
Sorrindo levemente, ela pegou o travesseiro, afofando-o em suas mãos. Então ela levantou acima de sua cabeça e investiu contra Quinn com um grito de guerra. Os olhos de Quinn se arregalaram de surpresa quando Rachel caiu em cima dela. Rachel montou-a facilmente, lutando com uma Quinn que ria tentando fixar seus braços para baixo. "Supere-me, Berry," Quinn resmungou.
Havia uma piada suja sobre Quinn estar sob ela em algum lugar naquela declaração, mas Rachel não conseguia fazer sua mente se concentrar enquanto tentava prender os punhos de Quinn. Ela agarrou os pulsos com força, empurrando-os para frente até que as mãos de Quinn estavam presas em ambos os lados de sua cabeça. O peito de Quinn se levantou contra Rachel com mamilos endurecidos e um pequeno blush pintando as bochechas.
Era como O Rei Leão, este glorioso, brilhante momento de vitória e Rachel se sentiu como Nala quando ela finalmente teve a chance de prender Simba. Seu sorriso se dividiu arrogantemente enquanto ela olhava para a expressão quase irritada no rosto de Quinn.
Mas, então, um sorriso escuro que Rachel sabia que não devia confiar apareceu no rosto de Quinn. Ela se moveu, empurrando-a lentamente de uma maneira que fez os olhos de Rachel se alargarem.
"Deixe-me ir," Quinn ronronou.
Rachel a olhou desconfiada. "Como eu posso confiar que você não vai me acertar com outro travesseiro?"
Seus lábios se esticaram ainda mais em um sorriso travesso que Rachel definitivamente sabia que não devia confiar. "Eu não vou," Quinn prometeu, com todos os dentes brancos e lábios vermelhos à mostra e que Rachel estava agora focando. Seus quadris se lançaram para frente numa sugestão de nudez novamente e Rachel se viu afrouxando o aperto enquanto ela se perguntava se as duas poderiam esquecer o mau hálito matinal e se beijar de qualquer maneira.
A próxima coisa que ela sabia era que seu mundo estava virando de cabeça para baixo. Ela estava sendo levantada, depois jogada de volta para a cama. O instinto a fez começar a lutar para se soltar. Sua luta só fez Quinn rir mais, o que fez o coração de Rachel vibrar diante do som. Ela deu uma olhada para a língua de Quinn deslizando ao longo de seu lábio inferior como se luta a excitasse além da razão e Rachel sentiu todo o seu corpo virar geleia. Quinn a prendeu facilmente depois, com um sorriso vitorioso. "Nunca confie em uma garota com um sorriso bonito, Rachel," ela cantarolou presunçosamente, inclinando-se para baixo até que suas testas se tocassem.
Rachel sorriu para o jeito como Quinn acariciou seus narizes juntos em saudação. Ela não conseguia nem achar algo em si mesma para ficar chateada com a forma como Quinn virou o jogo se aquela era a recompensa de ter perdido.
"Quinnie, hora do café da manhã!"
Quinn imediatamente saiu de cima de Rachel. Ela parecia ter visto um fantasma, enquanto seus olhos saiam de Rachel em direção à porta do quarto onde alguém batia. Rachel observou, o medo começando a penetrar sua espinha ainda mais quando os ombros de Quinn ficaram tenso enquanto ela caminhava em direção à porta. "Indo!" ela finalmente gritou. O piso estalou do outro lado da porta indicando a saída de quem estava lá e Rachel exalou severamente.
"Era a sua mãe?" ela perguntou em voz baixa.
Quinn assentiu. Ela se virou, deu uma olhada para Rachel, depois baixou o olhar com uma expressão pensativa. "Você pode usar o meu banheiro. Vou usar o banheiro no corredor, então podemos descer para o café da manhã."
"Quinn—"
"E o que quer que você faça, o que quer que diga, não fale nada sobre você e eu." Quinn olhou para ela, o medo que não estava lá segundos atrás agora brilhando claramente em seus olhos. "Eles não sabem, Rachel. E eles não podem saber."
"Quinn—"
"Você não sabe o que eles fariam para mim," Quinn disse.
Rachel se levantou da cama quando lhe pareceu óbvio que Quinn não iria parar de divagar sobre as possibilidades, cheias de medo, do que seus pais fariam com ela se descobrissem que ela era gay. Ela pegou os dois ombros de Quinn e a puxou para mais perto. "Eu não vou dizer nada", Rachel disse sinceramente, olhando-a diretamente nos olhos. "Se você não quer que eles saibam, então eu não vou dizer nada. E eu entendo, ok? Eu não contei a meus pais que sou gay, até um par de meses depois de finalmente admitir para mim mesma. É difícil. Entendo isso. Apenas... acalme-se um pouco e respire fundo. "
A respiração vinha em rajadas rasas, Quinn se forçou a respirar fundo quando ela olhou para Rachel. Os tendões em seus ombros afrouxaram sob o controle firme de Rachel e ela voltou a respirar. "Obrigada," murmurou depois de um momento.
Rachel soltou os ombros de Quinn e caminhou as mãos ao longo do pescoço delgado. "Quer um abraço?" perguntou ela.
"Eu realmente não abraço," Quinn de meio coração se apresentou enquanto dava um passo para frente. "Mas, com certeza."
Abraçaram brevemente antes de Quinn se afastar, soprando um suspiro oprimido enquanto olhava Rachel de cima a baixo. Seu olhar permanecendo distraidamente nas pernas de Rachel por um momento. "Você dança?" Quinn pergunta.
Rachel sorriu com orgulho. "Sim, na verdade. Meus pais me mimavam com as artes quando eu era uma garotinha e eu danço desde então. Principalmente ballet agora, mas eu fiz sapateado e jazz também."
Quinn assentiu distraidamente no final do passeio de Rachel. "Você tem realmente pernas maravilhosas," ela murmurou com um pequeno rubor. Ela imediatamente se virou e depois saiu do quarto.
Atordoada, Rachel não pode fazer pouco mais do que vê-la sair. Uma vez que o elogio foi absorvido, ela sorriu timidamente, o olhar mergulhado para ver os dedos dos pés cavando no tapete como se Quinn ainda estivesse no quarto. Ela respirou fundo para acalmar as borboletas lutando em seu estômago e entrou no banheiro. Quinn não tinha lhe dado uma escova de dentes e Rachel não sabia nem por onde começar a procurar por uma. Perplexa, ela começou a abrir todas as gavetas sob a pia do banheiro. Para sua sorte, na última gaveta, é claro, tinham escovas de dente novas, ainda embaladas. Ela arrancou uma, jogou o pacote fora e começou a fazer a higiene bucal.
Ela olhou para o vestido no mesmo lugar que havia deixado na noite anterior, e decidiu não colocá-lo agora. Vestir a mesma roupa que ela estava usando na noite passada não era uma boa maneira de impressionar os pais de Quinn. Porém, ela se perguntou se era mesmo possível para impressionar as pessoas. Quinn não era um adolescente impressionável por qualquer meio, de modo que Rachel só podia adivinhar que ela tinha aprendido isso com seus pais.
Ela estava andando de volta para o quarto quando uma batida na porta, seguida por um abafado "Rachel", chamou sua atenção. "Você está decente?"
Rachel andou até a porta e a abriu. Quinn estava de pé do outro lado, aparência limpa com o cabelo jogado no alto da cabeça em um coque bagunçado. "Bom dia," ela murmurou educadamente, como se não estivessem juntas há uns dez minutos. "Eu disse aos meus pais que você está aqui. Como uma amiga," continuou ela incisivamente. "O café está pronto se—merda!" Sua cabeça pendia em decepção antes que ela olhar de volta para Rachel mal-humorada.
"O que há de errado?" Rachel perguntou com preocupação.
"Você é vegan," Quinn suspirou. "E há uma abundância de ovos e bacon lá embaixo."
Rachel arregalou os olhos, surpresa que Quinn tinha realmente lembrado e o fato de que ela tinha realmente esquecido. "Oh," ela murmurou. Em seguida, ela acenou Quinn, dizendo: "Está tudo bem. Vou ligar para os meus pais." Talvez isso fosse um sinal. Um sinal de que ela não precisava passar um período prolongado de tempo com os pais de Quinn. "Eu só vou ligar agora." Ela se virou e se afastou de Quinn caminhando para a mesa de cabeceira ao lado da cama.
Quinn caminhou para dentro do quarto e fechou a porta. "Você tem certeza?"
Rachel apenas balançou a cabeça e se virou para seu telefone aberto deslocando a lista de contatos à procura do número de Hiram.
"Sinto que isso continue acontecendo", Quinn murmurou. "Eu não tenho nenhum amigo vegan, realmente."
Rachel fez uma pausa, lançando seu telefone fechado sobre a cama. Ela se virou para Quinn e agarrou sua mão, entrelaçando os dedos. "Não é grande coisa, Quinn," ela garantiu. "Eu não espero que você, de repente, tenha refeições amigavelmente vegans em sua casa na possibilidade de que eu vá passar a noite aqui com você depois de beber em uma festa. Está tudo bem, eu prometo."
Quinn olhou para suas mãos unidas com um suspiro. "Você se divertiu ontem à noite?" ela perguntou, não encontrando os olhos de Rachel.
"Sim. Embora, a maior diversão tenha sido quando estávamos apenas nós duas," Rachel admitiu com um sorriso com covinhas.
Quinn olhou para ela, sem dúvida avaliando a veracidade da declaração de Rachel. "Sim?"
Rachel assentiu. Ela se aproximou, seu olhar passando rapidamente ao longo rosto de Quinn. Sua língua bateu por cima do lábio inferior nervosamente. "Você se lembra de ontem à noite?" perguntou timidamente.
Os olhos de avelã se estreitaram minuciosamente, os lábios para baixo quando Quinn murmurou: "Sim, um pouco."
Rachel tinha a garganta apertada. Ela não podia ter certeza, mas seus instintos lhe diziam Quinn não estava sendo totalmente honesta. Mas se fosse esse o caso, então isso significava que Quinn não queria ter essa conversa. Ela não sabia se deveria prosseguir ou recuar, mas ela nunca tinha sido boa em recuar quando todos os sinais apontavam para fazer exatamente isso.
"Você se lembra do que me disse antes de dormirmos na cama de Noah?" ela se aventurou ainda mais.
Quinn puxou a mão com um sorriso sem graça, esfregando-a ao longo da parte de trás do seu pescoço. Sua mandíbula inferior caiu como se ela estivesse prestes a formular algum tipo de resposta antes de alguém bater na porta mortalmente.
"Quinn, venha tomar o café da manhã! Você sabe quão irritada fica quando não tem uma refeição equilibrada."
Rachel inclinou a cabeça em direção à porta, girando os olhos em diversão quando ela viu o rubor furioso de Quinn de embaraço.
"Tudo bem, mãe!" Quinn resmungou, levantando-se da cama para caminhar em direção à porta com os ombros tensos.
"E traga a sua amiga também!"
A frase a lembrou que ela não poderia comer ali e ela pegou o telefone esquecido, apontando para Quinn esperar enquanto ela ligava para Hiram.
Quinn abriu a porta o suficiente para colocar a cabeça para fora. "Ela não pode comer o que está lá embaixo," Rachel a ouviu dizer à Sra. Fabray. "Ela é vegan".
"Como uma vegetariana, querida?"
Rachel revirou os olhos em diversão. "Oi, pai," ela cumprimentou uma vez que foi atendida. "Sim, eu estou pronta agora. Ela foi maravilhosa— não, nós—" ela olhou para onde a Sra. Fabray ainda estava na porta. "Nada aconteceu," Rachel sussurrou no telefone. "Eu não posso falar sobre isso agora. Vejo você mais tarde, quando você me pegar. Tchau, pai".
Ela jogou o telefone fechado e se levantou da cama. Respirou fundo, determinada a fazer daquele encontro o melhor quanto possível, ela caminhou até Quinn.
Quinn abriu a porta para que ambas saíssem e Rachel sorriu largamente para a mulher à sua frente. Quinn era a cara da mãe. A Sra. Fabray tinha cabelos loiros tão iluminados que eram quase cinza. As sobrancelhas eram cuidadosamente tratadas e parecia ter mente própria, como as de Quinn, pela forma como elas se levantaram ao longo da testa a enrugando. Seus lábios estavam cheios e vermelhos, curvando-se num sorriso familiar que Rachel sempre vira no rosto de Quinn. "Bom dia, Sra. Fabray," Rachel cumprimentou calorosamente. "Eu sou Rachel Berry. Obrigada por me permitir ficar em sua casa ontem à noite. Quinn é uma boa amiga." Ela jogou para fora todos os tipos de elogios e boas maneiras que pareceram agradar a Sra. Fabray que olhava de Quinn até Rachel novamente.
"Me chame de Judy, querida," foi a primeira coisa que ela disse Rachel. "E é muito bom conhecê-la. Eu não sabia que Quinn tinha alguma amiga com tão boas maneiras."
Quinn zombou baixinho, cruzando os braços como uma adolescente rebelde, sob o olhar de sua mãe. Ela parecia tão bonita e estranhamente castigada que fez Rachel sorrir.
"Agora, Quinn me falou que você não pode comer aqui," Judy continuou. "Algo sobre você ser vegetariana."
"Vegan," Rachel corrigiu suavemente. "No entanto, são muito semelhantes." Ao olhar vazio no rosto de Judy, Rachel decidiu poupá-la da palestra sobre a diferença entre eles, coçou a garganta, "Mas não se preocupe. Meu pai estará logo aqui e eu posso comer quando chegar em casa. "
Judy fez uma careta. "Bem, pelo menos se junte a nós na mesa do café, Rachel." Ela se virou para Quinn, murmurando: "Por que você não me disse que ela era vegan?"
"Não é como se soubéssemos de antemão que ela iria passar a noite!" Quinn se defendeu enquanto elas começaram a andar pelo corredor.
Rachel seguiu atrás, observando suas semelhanças e diferenças ao longo do caminho. Os pais de Quinn não pareciam tão ruins. Bem, pelo menos a mãe dela não. Talvez um pouco sobre o lado falso, mas nada muito incriminador.
Desceram as escadas e encontraram sentado à cabeceira da mesa um homem que Rachel deduziu ser o Sr. Fabray. Ele era muito loiro também com alguns fios grisalhos que lhe davam um ar distinto ao invés de idade. Ele era um homem bonito com uma bela mulher que criou a belíssima filha por quem Rachel estava apaixonada. Ela resistiu à vontade de revirar os olhos para o quão perfeito todos pareciam.
"Bom dia," Sr. Fabray falou em voz alta, a voz crescendo com autoridade na forma de Quinn sempre fazia quando queria atenção e respeito. "Eu sou Russell, querida. Prazer em conhecê-la."
"Eu sou Rachel Berry," Rachel saudou enquanto caminhava até ele. "É um prazer conhecê-lo, senhor. Que casa linda vocês tem."
Judy sentou-se na outra extremidade da mesa e Quinn sentou-se no banco mais próximo a ela em uma das cadeiras laterais. Rachel hesitante sentou ao lado de Quinn, sentindo-se um pouco desconfortável por estar tão perto daquele que era, obviamente, o Fabray cabeça no comando.
"Não precisa ficar nervosa, querida. Eu não mordo," Russell disse a ela, pegando-a em sua mão.
Confusa, Rachel lentamente deu-lhe a mão, pulando nervosamente quando Quinn agarrou outra.
"Estamos pedindo as graças," explicou Quinn com uma pequena risada ao ver a expressão perplexa no rosto de Rachel. Ela assentiu com a cabeça em compreensão um momento depois e baixou a cabeça, cerrando os olhos fechados enquanto Russell fazia uma oração.
Depois, todos eles começaram a comer, exceto Quinn, que apenas olhou para Rachel, então olhou de volta para seu prato.
Rachel se virou para assistir a carranca no rosto de Quinn e ofereceu um pequeno sorriso. "Você pode comer, Quinn. Estou bem."
"Você não gosta de café da manhã?" Russell perguntou.
Rachel balançou a cabeça. "A refeição tem cheiro agradável e tenho certeza que o gosto deve estar do mesmo modo," ela garantiu. "É só que...Eu sou vegan."
"Ah", ele murmurou, olhando para o prato. "Bem, eu suponho que você não pode comer nada aqui," continuou ele com uma gargalhada.
Rachel se juntou a ele e balançou a cabeça com um pequeno sorriso. "Nem mesmo uma mordida."
"Então, Rachel, estou entendendo que você e Quinn frequentam a mesma escola", disse Judy ao vento. Rachel se virou para encontrá-la cortando uma fatia de bacon em pedaços delicados para colocar em sua boca. "Por que então eu só estou te conhecendo agora?"
"Mãe," Quinn advertiu.
"Quinn e eu apenas iniciamos esta...amizade," Rachel disse cuidadosamente. "Estamos começando a nos conhecer e eu aprendi que ela é uma pessoa maravilhosa."
"Eu gosto dela," Russell afirmou, gesticulando na direção de Rachel com o garfo. "Eu gosto muito mais dela do que das outras líderes de torcida com quem Quinn sai. Quais são seus nomes—Whitney e Sarah?"
Rachel sorriu divertida.
"Eu acho que os nomes são Bridgette e Samantha," Judy conjecturou.
"Seus nomes são Brittany e Santana," Quinn resmungou. "Não é possível que ainda não saibam seus nomes direito."
"Cuidado com o tom, Quinn," Judy advertiu bruscamente.
Quinn caiu para trás em sua cadeira, a mandíbula apertada em irritação. Rachel cutucou o joelho com o seu próprio debaixo da mesa. Ela deu um pequeno sorriso, reconfortante quando Quinn olhou para ela.
"Bem, eu gosto mais de você," Russell disse novamente. Ajeitou-se no assento, colocando os cotovelos sobre a mesa e se inclinou em direção a Rachel. "A situação é, Rachel, eu tenho falado para Quinn encontrar alguns novos amigos por um tempo já."
Do lado de Rachel, Quinn disparou ereta, horrorizada, enquanto olhava para seu pai. "Este não é o momento nem o lugar para discutir isso." Ela fez um gesto em direção a Rachel. "Ela é uma convidada, papai".
"Uma que eu gostaria de ver com mais frequência." Ele descartou Quinn e olhou de volta para Rachel. "Santana e Brittany são meninas lindas, tenho certeza. Mas pelo que eu vi delas nenhuma me mostrou isso. Santana é rude e preguiçosa."
"Com uma boca tão suja," Judy contribuiu.
Rachel encolheu os ombros, desejando ter algum argumento para defender sua nova amiga, mas, em resumo, Santana era aquilo oitenta por cento do tempo.
"E aquela outra—ela é legal", ele concedeu. "Não muito inteligente, entretanto." Ele limpou a garganta, olhando diretamente para Rachel. "Mas a minha maior preocupação é quão... gays elas são," afirmou sem rodeios. "Quinn tem um monte de amigas gays."
"Duas," Quinn cortou bruscamente. "Elas são as únicas duas amigas que eu tenho e que são gays."
Rachel se mexeu em seu assento sob o olhar crítico de Russell, de repente sentindo-se desconfortável. "Certamente o fato de serem gays não possui qualquer influência sobre o quão grandes elas podem ser como amigas."
Russell acenou. "Não, claro que não. Como eu disse, tenho certeza que elas são pessoas maravilhosas, apesar do fato de que elas ainda não conseguiram mostrar isso para mim. Mas é bom ver que Quinn tem outros amigos além dessas duas."
"Elas são muito... afetuosas.", Judy tentou, olhando para Rachel. "Todo o tempo. O que é bom," ela garantiu. "Mas nós não queremos que a nossa Quinnie fique com a ideia errada."
Rachel piscou em choque com tudo o que estava sendo dito. Seus largos, incrédulos olhos viraram para encontrar Quinn caída para trás em sua cadeira, com os braços cruzados sobre seu peito enquanto olhava para a refeição parcialmente comida.
"Obrigado, querida," disse Russell. "O que estamos tentando dizer é que nós estamos contentes por Quinn ter amigos que..." Ele parou.
"Que não sejam gays," Rachel forneceu para o agora aparentemente pudico homem. Ela exalou uma risada sem humor.
"Exatamente." Ele acenou com a cabeça, sinalizando o final da conversa. "Talvez você possa ajudar Quinn arranjar um namorado," brincou ele depois de um momento.
Ambas, Quinn e Rachel, endureceram com o comentário passageiro. Rachel se virou para ele, sentindo uma raiva avassaladora e um turbilhão de ressentimento a ponto de seu estômago doer. Ela estava começando a se sentir sozinha naquela casa grande com dois pais fanáticos e uma garota que pouco podia fazer além de concordar com tudo o que eles diziam.
"Oh, e o baile está se aproximando!" Judy falou do nada.
"Falta ainda um ano," Rachel respondeu tentando manter sua voz leve e encantadora enquanto a raiva continuava a crescer. Quinn pareceu murchar no banco em que estava, não se envolvendo em qualquer conversa concentrada na comida fria no seu prato.
"Você nunca está completamente preparada," Judy insistiu. "Não se esqueça de votar em Quinn para rainha do baile."
"Mãe, não," Quinn finalmente interrompeu.
"Não o quê, querida? Não conseguir votos para você ganhar? Você não quer ganhar?"
A conversa estava ficando rapidamente feia e a única coisa que Rachel queria fazer era se esconder no quarto de Quinn até seu pai chegar.
"Eu não quero falar sobre isso," Quinn rangeu com força.
Judy a olhou criticamente por um longo momento. Quinn evitou o olhar dela, levantando-se do seu assento para pegar um copo de suco de maçã e, em seguida, sentar novamente.
"Bem, Rachel, o que você pensa sobre o baile?" Judy cutucou. "Você vai levar seu namorado com você ao baile no próximo ano?"
Ela estava absolutamente farta daquela conversa. Levou vários meses para conseguir ficar relativamente confortável com sua sexualidade e ela sentia como se Judy e Russell estivessem sentados ali jogando-a de volta para o armário com a sua intolerância. Seus dedos tremeram quando segurou firme a mesa da cozinha, o desejo de atirá-la para cima remoendo dentro dela a cada segundo que passava. "Não, eu não vou," disse Rachel, o frio rastejando em sua voz e o pensamento sobre o quanto ela lutou para conseguir estar confortável com ela mesma e como aquilo estava desmoronando quando Quinn praticamente se abraçava desconfortável à mesa do café da manhã. "Eu terminei com meu ultimo namorado meses atrás, porque... Eu sou gay," afirmou claramente, o coração batendo em seu peito com o silêncio ensurdecedor que se seguiu.
No suspiro mudo de Judy de surpresa, Quinn se virou para Rachel, mandíbula pendurada frouxamente em estado de choque. Rachel fez uma careta para a tensão palpável no ambiente e pediu licença da mesa. Ela rapidamente subiu as escadas até o quarto de Quinn, fechando a porta atrás de si, como se isso fosse impedir que alguém de fora entrasse.
Ela se sentou na cama de Quinn, as costas eretas e as mãos firmemente cruzadas no colo. Em qualquer movimento que ela sentiu que se quebraria, a respiração irregular manteve uma inalação superficial. Lágrimas estariam fluindo em breve; ela pode sentir com a pressão que apertava atrás dos olhos e ao mesmo tempo ela se perguntava onde diabos seu pai estaria.
Seu peito arfava irregularmente com respirações ofegantes. Parecia que alguém tinha tirado seu estômago e que seus pulmões estavam presos em sua garganta. Ela não podia sentir seu coração mais, mas adivinhou que ainda devia estar batendo em algum lugar dentro dela, porque ela ainda estava viva.
Aquele tinha sido o primeiro grupo de pessoas que não a apoiavam para quem ela tinha contado e ela sentiu como se estivesse no inferno, porque ela sabia que eles estavam a julgando lá embaixo, enquanto Quinn ouviria calada, nem uma vez de pé por ela.
A porta se abriu e Rachel honestamente não sabia se estava feliz ou triste em ver Quinn fechando a porta, trancando-a e correndo para seu lado. Quinn segurou uma Rachel desossada com facilidade, silenciando os soluços que, não percebera até agora, deixava escapar. O rosto dela caiu na curva do pescoço de Quinn como se pertencesse àquele lugar e ela inalou o aroma de lavanda do corpo junto com as respirações irregulares que não conseguia regular.
"Acalme-se", Quinn murmurou, esfregando as costas de Rachel para cima e para baixo. "Está tudo bem."
"Não está tudo bem", Rachel soluçou, sentindo-se um momento de déjà vu quando ela tinha chorado essas exatas palavras para Finn, quando tinha contado a ele. Se fosse possível, naquele momento se sentia ainda mais devastada, porque dizer aos pais da menina que ela amava que ela era gay realmente não figurava como uma situação boa a se passar com Quinn.
Quinn a abraçou e se afastou. Choramingando pela perda de contato, Rachel olhou para ela com uma densa gama de emoções descendo em cascata por sua garganta até a boca do estômago, onde a digestão demoraria um inferno de um tempo.
Quinn passeou um dedo por debaixo de seu olho até que todas as lágrimas tivessem ido embora. Sua mandíbula se apertou quando ela olhou o rosto de Rachel, antes de mirar para longe. "Eu realmente gostaria que nada disso tivesse acontecido."
"Você está brava comigo?" Rachel não poderia deixar de perguntar com um tom de incredulidade em sua voz.
"Eu não estou brava com você," disse Quinn. "Mas toda esta situação só..." Ela parou, sacudindo a cabeça por não saber como continuar. "Eu sinto muito."
Rachel suspirou, lançando-se para frente para descansar sua testa no ombro de Quinn. "Essa foi a primeira vez que eu disse a alguém que não era um amigo que eu era gay."
"E é uma droga," Quinn adivinhou astutamente. "Sinto muito. Mas isso é só...como eles são. E é por isso que eu não quero lhes dizer que eu sou gay."
Rachel se afastou, sentando-se sobre os seus pés para fazer contato visual com Quinn. "Mas você vai ter que dizer, eventualmente."
"Não agora," foi tudo Quinn disse.
"Mas, eventualmente,"
"Rachel, podemos não falar sobre isso?" Quinn pediu em uma voz fina e estrangulada.
Seus lábios se fecharam com determinação. Sentindo-se completamente derrotada, Rachel se levantou da cama.
"Onde você está indo?" Quinn perguntou atrás dela.
Rachel continuou andando em direção ao banheiro, seu lábio inferior saliente para fora a cada passo que ela dava. Ela fechou a porta e a trancou atrás de si, tendo aprendido esse truque com Quinn. Portas raramente eram bloqueadas em sua casa, porque era uma atmosfera honesta e aberta. Mas o que ela tinha aprendido nas últimas horas era que para Quinn as portas eram fechadas aonde quer que fosse, numa tentativa de esconder suas próprias ações.
Isto confundia Rachel, que alguém pudesse ir tão longe para ocultar uma parte essencial de si mesmo. Mas então ela deu uma olhada no espelho, vestindo roupas de Quinn, e descobriu que ela não agiria como Quinn quando elas eram tão diferentes.
Despiu-se e colocou seu próprio vestido de volta, sentindo-se sufocada naquela casa e querendo mais do que tudo sair. Ela saltou quando a maçaneta da porta do banheiro sacudiu com impaciência.
"Seu pai está aqui," Quinn chamou do outro lado da porta.
Rachel se atrapalhou para abrir a porta, querendo chegar em casa o mais rápido possível. A abriu para encontrar Quinn em pé do outro lado, os ombros tensos enquanto as mãos se contorciam em seus lados. Elas se entreolharam por um momento, como se estivessem vendo uma à outra pela primeira vez. E como todas as vezes em que Rachel esquecia que Quinn era apenas uma garota, no final das contas, exatamente como ela, o olhar perdido que pintava o seu rosto naquele momento a lembrava disso. Depois de alguns meticulosos segundos de silêncio, Quinn se afastou em direção a sua cama. Ela se sentou, apoiando os cotovelos sobre os joelhos e segurando a cabeça entre as mãos.
Rachel caminhou para dentro do quarto, olhando para a figura estoica de Quinn sobre a cama. Não havia nada que ela pudesse pensar em dizer. Toda aquela manhã se transformara em desastre no momento em que conhecera os pais de Quinn. Ela se sentia abalada em seu âmago e realmente só precisava estar em casa agora mais do que qualquer coisa. Ela não tinha palavras tranquilizadoras ou sopros suaves. Tudo o que ela tinha agora estava em pleno funcionamento nos ductos lacrimais que estavam começando a querer se mostrar de novo.
Ela caminhou até a cama e pegou seu telefone ao lado de Quinn. Ela observou a maneira como Quinn estremeceu e se afastou dela com um olhar carregado. Suspirando, Rachel fechou o telefone e se virou bruscamente para a porta.
"Então, eu acho que você não gosta mais de mim," Quinn acusou do outro lado do quarto. "Por causa do que meus pais disseram."
Seus ombros se esticaram assim que essa afirmação deixou a boca de Quinn. Como Quinn podia pensar tão pouco de seus sentimentos, Rachel nunca iria entender. Mas estava cansada, precisava de um bom choro sobre os ombros de seus pais e, provavelmente, um pouco de chá, e não podia lidar com isso agora. "Tenha um bom dia, Quinn," Rachel falou cansada, fechando a porta atrás dela e se perguntando se Quinn estava indo até ela para trancá-la.
Notas finais
Acho que minha noite de amanhã vai ser mais tranquila. Ai corro atrás do prejuízo. ;)
Contagem regressiva já. Faltam 7 capítulos.
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