Notas iniciais
Demorei para postar, eu sei, e o capítulo está uma bostinha pq eu sou rainha da enrolação, mas o mundo é cruel e me deixou com um bloqueio maldito, desculpa!

Frisando que, não, não detenho nenhum direito sobre Sweeney Todd - nenhum de seus personagens lindos ou as músicas e muito menos os atores de todas as inúmeras peças e do filme - pq se tivesse já tinha sequestrado um certo trio há muito tempo :p

Enfim...

Capítulo 5 – Até que ponto vão os sentimentos de um demônio?

Adiantando-se às perguntas que certamente teria de enfrentar e a todo custo tentando evitar mais alguém para ser objeto de ódio de Toby – Mr. T em si já bastava! -, Eleanor abriu o mais belo sorriso que pôde dar no dado momento e, interrompendo sua refeição – e claramente ignorando o roncar incessante do estômago -, desatou a falar.

Não sabia muito bem por onde começar, então julgou que partir do simples era o melhor a se fazer.

- Toby, querido, esse aqui é Robert, um amigo de infância que eu não vejo há muito tempo. – Tentou, em vão, suprimir uma revirada de olhos ao ouvir o menino balbuciar algo de boca cheia que soava como ‘’mais que amigos, imagino eu’’. Virou o rosto para o homem, ignorando a sensação crescente de que aquele cenário todo era um tanto quanto surreal. – Robert, esse aqui é Toby. Ele trabalha na loja comigo e é meu filho adotivo. – Sorriu com ternura para o menino enquanto falava. O que foi? Amava aquele projeto de gente! – Pois bem, tratem de se entender, ou ano menos não tentar nada que envolva assassinato – já bastava o barbeiro – pois Robert ficará conosco por um tempo. Tudo bem por você, querido? – Perguntou em seu tom mais cálido, voltando o rosto cheio de expectativa para Toby.

Por alguns instantes o menino cogitou recusar e dar um jeito de expulsar aquele intruso de sua casa. Entretanto, só de olhar para sua mãe ele podia notar que, se ela não estava feliz, ao menos parecia mais radiante do que nunca. Sabia que não tinha escolha, então não podia livrar-se de nenhum dos homens que a circundavam. Mas, por outro lado, Robert lhe inspirava muito menos terror que Sweeney e, na falta de algo melhor, optaria por ele. Era um desconhecido, verdade, mas não parecia ser um louco psicótico.

Deu de ombros um tempo depois. Que escolha tinha, afinal, se não a de conviver com o indesejado?

- Claro, por que não? – Resmungou levantando os olhos levemente de seu prato e encarando o homem como quem diz ‘’ Cuidado com o que faz. Eu irei protegê-la sempre!’’ Por fim não conseguiu evitar o sorriso pequeno que brotou em seu rosto juvenil ao notar o brilho renovado que surgiu nos dois adultos e a forma doce e simples como Robert afagou as mãos de Eleanor, que jaziam apoiadas inquietas sobre a mesa.

- Obrigado, Toby! – O homem sussurrou sorrindo para ele, voltando rapidamente o olhar para a padeira ainda radiante.

Quem olhasse de fora julgaria os três como uma família perfeita. Todos sorrindo à mesa do café da manhã. Perfeito demais para alguém como Mrs. Lovett poder desfrutar o momento.

Antes mesmo de uma conversa decente poder ter seu início, a mágica foi quebrada ao ter-se a porta da loja aberta num estrondo furioso que refletia o humor do homem que entrava marchando no local.

- Posso saber em que sorte de bordel esse lugar se tornou? – Perguntou bufando, os olhos alucinados voltados para Robert. – Que tipo de prostituta baixa você se tornou para se jogar nos braços de qualquer um que apareça a sua porta, Mrs. Lovett?

Tudo o que Sweeney via era vermelho. Não sabia o porque, mas seu demônio interior queria por tudo acabar com a vida do homem parado a sua frente. Até mesmo o juiz havia sido esquecido por hora.

A última lembrança nítida que teve antes de cair na escuridão foi a dor lancinante de algo lhe atingindo o lado esquerdo do rosto. Mal notando quando o corpo, lançado para trás pela surpresa, caiu no chão como um peso morto.

Deve ter batido com a cabeça, pois apagou no mesmo instante, entretanto lembrava com total certeza de ter ouvido um estridente grito feminino ressoando ao fundo. Não pode evitar o pensamento de que aquela voz pertencia a uma mulher em especial e que, certamente, aquele som significava que ela estava preocupada com ele. Era estranho o calor que sentiu dentro de si ao ter tal ideia.

Quais os efeitos que saber dos verdadeiros sentimentos da padeira podiam desencadear na vida do barbeiro?

...ºª°...ºª°...ºª°...

Era estranha a forma que se sentia.

Que tipo de sentimento renegado era aquele que tinha ao lembrar que a padeira estava lá embaixo com aquele tal de Robert fazendo sabe-se lá o que?

Sweeney Todd bufava irritado enquanto andava incessantemente de um lado para o outro na barbearia. O olhar desfocado e perdido, a mente um andar abaixo. Os pensamentos dando escapadas furtivas que levavam o barbeiro direto para a padeira de cabelos avermelhados. Será possível que estivesse enlouquecendo o suficiente a ponto de preocupar-se com Eleanor agora?

Desferiu um chute desnecessário no baú que mantinha em sua loja, soltando um grunhido frustrado assim que sentiu a dor esperada subindo por seu corpo. O efeito apaziguador chegando conforme as sinapses nervosas seguiam o caminho pelo corpo, mandando a mensagem do impacto sofrido com o material rígido.

Apesar de tal atitude um tanto quanto infantil – mas reconfortante em certo nível – Sweeney ainda podia sentir as ondas de frustração que abalavam sua mente já conturbada. Acima de tudo ele não conseguia entender o porquê de tanto desgosto que sentia quanto ao homem que invadira a casa de Mrs. Lovett repentinamente. Ele parecia ser um velho amigo. E depois, o que Sweeney Todd tinha a ver com a vida de Eleanor? O que ela fazia ou desfazia não era do interesse do barbeiro.

Mas ainda assim... Julgava impossível que a mulher tivesse esquecido dele tão depressa! Onde estavam aquele amor e devoção incondicionais? Quer dizer, quem era esse Robert na fila do pão?

Balançou a cabeça em meio a sua confusão. Não, não mesmo... Não gostava da padeira, de forma alguma, mas precisava dela inteiramente para si até completar sua vingança. Depois ela que vivesse como bem quisesse!

Mataria o homem se necessário – e esperava com certa ansiedade que fosse necessário. Na verdade mataria qualquer um que ousasse interferir (mesmo que de forma inconsciente) no seu caminho.

É, com certeza não sentia nada por Eleanor Lovett!

Tem certeza de que não está se enganando, Sweeney? Grunhiu com esse pensamento. Não podia acreditar que até mesmo a própria mente estivesse contra ele naquele momento. Era um demônio, não deveria nem mesmo ter uma consciência para lhe incomodar!

Ele estava certo. Sim, tinha certeza quanto ao que sentia, ou melhor, quanto ao que não sentia. E amor, ou qualquer sentimento perto disso, estava fora de cogitação de passar por perto de seu coração há muito tempo congelado.

Resolvido esse fator sobre seus sentimentos – claro, se demônios sentissem algo – o homem optou por descer a escada e rumar para a padaria mais uma vez carregando a simplória trouxa de roupas sujas (também conhecida como as camisas brancas que Mrs. Lovett tanto lutava para conseguir tirar as manchas de sangue). Esperava que dessa vez conseguisse entregá-las a Nellie – por que diabos continuava chamando-a assim? — sem ter que esbarrar com ninguém indesejado. Não seria gentil caso o fizesse.

...ºª°...ºª°...ºª°...

Certo, apesar do susto e do grito estridente que deu ao ver Sweeney ser nocauteado com um mísero soco de forma tão abrupta, Eleanor percebeu que quase sorriu com a cena que presenciou.

Suprimiu tal vontade ao sair correndo de onde estava para tentar alcançar o barbeiro e impedir que o corpo dele – aquela escultura maravilhosamente bem talhada e... Cala a boca mente pervertida! - entrasse em contato com o assoalho sujo.

Era inevitável a preocupação que sentia quando se tratava de Sweeney Todd. Não importava o quão terrivelmente ele a tratava, podia ofendê-la e até mesmo ameaçar sua vida, contudo lá estaria ela sempre ao seu redor, com o sorriso mais conciliador presente no rosto levemente corado e os grandes olhos castanhos brilhando com expectativa e amor. Os mesmos sentimentos de costume que o barbeiro cruelmente sempre ignorara desde os tempos longínquos.

Que perfeito, Eleanor, se declarar para um e instantes depois correr para tentar salvar outro...

Balançou a cabeça diante da vozinha irritante que soava em sua cabeça. Mas que merda era aquilo, afinal? Consciência por um acaso?Impossível! Ela triturava gente morta e as usava para rechear as tortas e nunca era incomodada com nenhum pensamento repreensivo, então por que de repente alguém ou algo, diga-se de passagem, resolveu atormentá-la por conta de seus sentimentos confusos?

Bufou irritada. Havia perdido a cabeça, só podia. E, bem, também perdeu a chance de ajudar o barbeiro, que caia feito um saco de farinha no chão.

Droga! Pensou comprimindo os olhos em frustração, já imaginando a irritação do barbeiro quando levantasse.

Se levantasse...

Parou abruptamente. Não, ele não era tão fraco assim a ponto de se entregar de forma tão simplória, não sem antes de completar sua vingança.

Mas será que...

Cala a boca, mente, cala essa merda de pensamento!

Resolveu que o melhor a fazer no momento era agir. Correu para o barbeiro estirado no chão e, mesmo um pouco ressentida com o que ele tinha acabado de falar – o que não deveria tê-la surpreendido devido ao fato de já conhecer as oscilações de humor do homem – não pode deixar de evitar a ruga de preocupação que se formou em seu rosto.

- Robert, — Começou a falar. Dividida entre soar irritada com o comportamento agressivo dele, ou grata pelo comportamento agressivo em si. Claro Sweeney estava completamente errado ao surgir ali de repente falando o que bem entendesse dela, mas, ainda assim, ela não conseguia se importar tanto quanto sabia que deveria. Talvez fosse porque gostava tanto do barbeiro, ou então era por já te ouvido coisas piores. Suspirou, os olhos passando de um homem para o outro, indecisa. – Obrigada por defender minha honra, ou o pouco que resta dela. – Disse sorrindo amarelo. – Mas eu realmente acho que foi um exagero socar sem nem ao menos dizer um ‘oi’ antes. Apesar de que foi muito gentil da sua parte o ato. Há muito tempo ninguém fazia nada do tipo para mim. – Completou soando um pouco... Triste talvez? É essa a palavra!

Diante do tom melancólico das palavras da padeira Robert sentiu certo arrependimento quanto sua atitude abrupta. Entretanto, era inevitável a reação que o barbeiro desencadeava nele ao agir de forma tão rude com Eleanor. Era simplesmente inaceitável que alguém que a mulher aparentemente tratava com tanto apreço usar de palavras tão chulas para se referir a ela. E depois, tinha uma criança ali também!

Sweeney Todd era um babaca de marca maior e Robert não entendia como a Nellie ainda não tinha visto isso. Ou melhor, o que ela via de tão incrivelmente bom no fundo – porque tinha que ser bem nas profundezas para se encontrar algo decente naquele homem – do barbeiro para suportar alguém tão complexo quanto ele?

Robert não estava nem há 24 horas ali e já sabia que um dia poderia matar Todd com as próprias mãos caso fosse necessário. O barbeiro conseguia mudar de humor mais do que uma menininha apaixonada!

Deixou que Eleanor se aproximasse e virou o rosto, que até então somente encarava o homem no chão, para ela.

- Nellie, eu não sei quem é esse Sweeney Todd e, sinceramente, não me importa. Mas se ele pensa que pode chegar aqui e falar com você e sobre você como bem quiser, está tremendamente errado. Ele é seu maldito inquilino e tem uma maldita cara de psicopata louco de dar arrepios, então, por favor, não me impeça de socá-lo uma segunda vez se ele pedir. EU-NÃO-GOSTEI-DESSE-CARA-MAL-HUMORADO! – Falou jogando logo tudo o que pensava para a mulher, sabendo que quando se tratava dela era melhor usar da sinceridade em todas as suas palavras. Ainda mais depois de tanto tempo separados. Terminou sua fala quase que gritando as palavras uma a uma. Posso repetir e afirmar que ele realmente não gostava do barbeiro? Pois é...

- Não me importa nesse exato momento o quanto você o odeia, Robert. Somente faça o favor de levantá-lo e o coloque sentado em uma cadeira, enquanto eu busco algo congelado para ajudar na possível dor que ele vai sentir. – Mr. Lovett retrucou contendo a carranca insatisfeita que teimava em querer surgir em seu rosto. Havia acabado de se declarar para Robert, não tinha nenhuma necessidade de ouvi-lo reclamar sobre Sweeney Todd agora. Não enquanto ele não soubesse com quem estava lidando.

Soltou um suspiro cansado e balançou a cabeça exasperada, deixando os dois sozinhos e esperando que, caso Todd acordasse em sua rápida ausência, que um não tentasse matar o outro.

Olhou para os lados buscando Toby enquanto dirigia-se a cozinha, notando que ele havia saído sorrateiramente da cena ridícula que se desenrolava. Que bom o menino ser experto a ponto de evitar esse tipo de momento desnecessário de ser presenciado. Perguntou-se se ele não estava agilizando o processo para arrumar a loja e prepará-la para mais um dia de movimento.

O dia mal havia começado e Eleanor já estava desejando não ter saído da cama naquela manhã. Sabia com todas as forças que seria difícil aguentar o humor tortuoso de Sweeney Todd depois que ele acordasse de seu rápido cochilo induzido. Ainda mais sabendo por quem havia sido abatido do nada.

Droga! Ia ter que descobrir uma forma de conciliar Robert e Todd sob o mesmo teto sem ter que, um dia, fazer torta com um dos dois! Não, não podia nem mesmo cogitar tal ideia funesta.

Ainda teria muito trabalho pela frente só por ter que lidar com esses dois...

Notas finais
Okay, eu sei, demorei de novo e estou repetindo também a frase lá de cima... Mas só para frisar, vou parar com as minhas desculpas - porque sim eu posso contar inúmeras a qualquer momento, porque o que não falta é problema na hora de escrever - contudo esse tipo de história já cansou, então só vou agradecer todo mundo que vem acompanhando a fic e pedir que os fantasminhas lindos deixem comentário. Beijos para todos e até!