Laurel estava em pé, parada exatamente ao lado da cova. O padre rezava pela proteção do morto nos céus enquanto o caixão descia o buraco que parecia ser interminável. O sol daquele dia sem nuvens iluminava o fundo do buraco retangular, mas a medida que a caixa preta e polida se aproximava do fundo, tudo ficava escuro. Nem aquele sol potente podia ilumina-lo, assim como a roupas negras dos presentes e os olhos azuis de Laurel. Não havia luz que pudesse ilumina-la agora.

Quando começaram a jogar a terra por sobre o caixão, ela virou-se e foi embora, ignorando o toque de Oliver para pará-la e o suspiro de sua mãe. Ela não aguentava mais aquilo. E Sara nem sequer está aqui. Oliver estaria ao seu lado sempre, ela sabia disso, mas o vazio deixado por seu pai e por sua irmã era fundo demais. Ela não podia culpar Sara, sabia disso – ela teve que voltar para a Liga em troca da ajuda de Nyssa para salvar a cidade. Mas era o enterro do pai dela. Ela não poderia ter voltado?

- Laurel – ela escutou Oliver atrás de si, mas não se incomodou em parar – Laurel – ele chamou de novo, dessa vez segurando gentilmente seu braço. Ela respirou fundo e se virou para ele, soltando-se de seu toque.

- Por favor, Ollie – pediu, sentindo seus olhos arderem. A última coisa que queria agora era chorar mais, ainda mais na frente dele. Não que houvesse algum problema nisso, mas desde que o coração de Quentin Lance parou de bater, Laurel só sabia chorar. Ela estava farta de chorar – Eu só quero ficar sozinha.

- Eu te levo para casa.

- Não, eu posso ir sozinha – e voltou a andar, dessa vez sabendo que ele não mais a seguia.

Uma parte dela queria ficar com Oliver e aceitar sua proteção. Queria abraça-lo e ficar em silêncio, mas com ele, ao dele. Ele era o único que sabia como ela se sentia. Ambos perderam Tommy no terremoto, ambos tinham uma irmã com quem não podiam contar por estarem longe e ambos perderam um parente por culpa de Slade Wilson. Ele perdeu o pai na ilha e a mãe em Starling City. Laurel ainda tinha a mãe para se apoiar, mas ela não estava disposta a se mudar para Central City. Agora, ela sentia que Oliver era o único que restou para ela se apoiar, o único que não a deixaria cair.

Quando ela chegou em casa, bateu a porta e a trancou. Estava um silêncio incômodo naquele apartamento, e apesar de ser isso que ela queria, não a deixou melhor. Ela largou a bolsa em qualquer canto, desceu de seus saltos e se jogou no sofá. Agora entendia por que Ollie havia faltado o enterro de Moira. Aquilo era desgastante. Laurel levou a mão a testa, massageando com as pontas dos dedos, muito embora não estivesse com dor de cabeça. Fungou e limpou uma lágrima solitária que escorria pelo canto de seu olho. Ela olhou em volta pelo seu apartamento, como se fosse ver alguém por ali. Talvez Sara, mas ela estava longe. Talvez Tommy ou seu pai, mas eles estavam mortos.

A única coisa presente ali era uma garrafa de vinho. Ela e a garrafa se encararam por um tempo. Laurel pensou que precisava daquilo, de um gole ou dois, uma taça ou três. Só o suficiente para ficar bêbada e esquecer daquilo tudo, se afundar em alguma escuridão quente e se encolher, se encolher até desaparecer. Queria desaparecer para não ser vista como uma coitada quando atravessasse a rua, como alguém quebrada. Não queria que vissem as suas fraquezas. Ficar bêbada era melhor do que aceitar a dor da verdade. Ela estendeu a mão até a garrafa e a trouxe para perto, mas algo a impediu. Ela congelou com a mão na rola e fechou os olhos, pensando uma segunda vez. Ela estava fazendo exatamente a mesma coisa que fez quando Tommy morreu, e ela se lembra o quanto o seu pai havia lutado para ajuda-la. O quanto a sua depressão machucou a ele e a sua família. E de novo, lembrou-se de Oliver. Ele a havia avisado que haviam pessoas que se importavam com ela e estavam tentando ajuda-la. Ela tinha que ser forte. Sua mãe é a única família que lhe restou, e Laurel era a única família que restou para ela. Tinha que ser forte por ela. E não podia decepcionar Oliver. Era verdade que ele tinha Diggle e Felicity, mas ele também precisaria dela agora que Thea havia saído de Starling City. Laurel era a única entre eles que conhecia de verdade os Queen. Ela se levantou e jogou a garrafa no lixo.

Quando voltou a se deitar, ela mudou o rumo e foi para o quarto, deitando-se ao lado de uma pilha de roupas que havia ficado na cama quando ela estava decidindo o que usar no enterro do próprio pai. Naquela pilha, estava o casaco de Sara. A irmã havia lhe dado o casaco para que ela se lembrasse dela, instantes antes de Quentin cair no asfalto do píer por conta da hemorragia interna que sofria. “Papai, papai, fique comigo”, Laurel tinha implorado, enquanto via a horrível pancada que havia sofrido abaixo das costelas. Ela viu a cena em sua memória, um homem mascarado do exército de Slade o atirando contra mesas e a parede. E isso aconteceu por que ele estava protegendo ela. Já não era a primeira vez que um dos inimigos do Arqueiro tirava a vida de quem ela amava por que ela não foi auto-suficiente, por que ela não foi capaz de se salvar. Tommy e seu pai morreram por culpa dela e dos inimigos de Oliver. Ela e Ollie tinham inimigos em comum, mas apenas ele lutava. Isso não era justo. Laurel já estava farta disso, de ver quem ela amava morrer por que ela não era capaz de lutar. E principalmente de precisar de proteção.

“Espero que esse casaco não te traga más ideias”, Quentin tinha lhe dito instantes antes de sentir o ferimento. Ela sabia exatamente o que ele queria dizer com isso. Desculpe papai, mas eu não posso mais ficar parada. Sara era A Canário. E mesmo que ela tenha dito que não, Laurel sabia que ela era uma heroína. Sua irmãzinha antes tão frágil agora tinha se tornado em uma mulher forte e auto-suficiente. Laurel fez o caminho inverso. Já era a hora de voltar a ser forte e proteger as pessoas como fazia antes. Mas com Ollie ela aprendeu que a lei não era capaz de proteger a todos. Ás vezes, precisava ir além disso para salvar os inocentes e punir os vilões. Precisava ir além disso para ser uma heroína como Sara, como Oliver. E Laurel iria além, se fosse preciso. Ela seria o que a irmã foi: uma heroína. A Canário.

Notas finais
Então, o que acharam? Acham q é isso q vai acontecer com ela na próxima na temp? Comentem eu adoraria discutir sobre isso