What About Us?

4 Capítulo 4 - Keep running.


Na manhã seguinte, acordei com a música que vinha do quarto do Christian. Ele estava a ouvir My Chemical Romance, mais propriamente a música Sing. Uma música que eu adoro, diga-se de passagem. Fiquei mais um pouco na cama, mas acabei por me levantar, depois de ter percebido que ele não ia parar com o barulho. Fui tomar banho, vesti-me (http://www.polyvore.com/what_about_us/set?id=58200710) e depois desci para ir tomar o pequeno-almoço.

- Bom dia.

- Bom dia Stephanie. Dormiste bem? — Perguntou-me a Caitlin.

- Sim, dormi. A cama é muito confortável.

- Ainda bem que gostaste. O que é que queres comer?

- Não sou esquisita.

- Temos cereais, bolachas, bolo, leite, sumo, café, torradas. Come o que te apetecer, a sério, fica à vontade.

- Vou comer torradas e beber uma caneca de café. Preciso de acordar.

Fui buscar o café, e meti um pouco na minha caneca, e depois pus manteiga nas minhas torradas. Comi tudo, e depois meti a loiça na bancada da cozinha.

- Onde é que vais?

- Vou correr. Costumo correr todas as manhãs, para manter a linha, sabes como é que isto é.

- Sei, sei.

- Porque é que não vens comigo?

- Sinceramente, não tenho lá muita resistência. Corro três metros e paro logo. Não consigo.

- Mas isso é porque não treinas. Se começares a treinar frequentemente, vais ver que consegues aumentar a tua resistência. Anda lá...

- Hoje não. Amanhã eu vou contigo, pode ser?

- Está bem, fica combinado então. Nem penses que te safas, minha menina.

- Bem, tenho de me ir embora. Até logo.

- Até logo, boa corrida.

- Obrigada.

Saí de casa da Caitlin, e comecei a dar voltas ao quarteirão. Estava com os phones nos ouvidos, a ouvir música, por isso qualquer barulho que não fosse música, eu não ia ouvir. Podia cair um meteorito, ou haver um terramoto, ou explodir uma bomba, ou haver um acidente de carro, ou podia até mesmo estar a ser seguida, mas não ouvia nada quando tinha os phones postos, com a música no volume máximo. A música é a minha cura para os dramas, o meu analgésico, e faz-me ignorar o mundo, que é aquilo que a maior parte das pessoas devia fazer. Continuei a correr, e quando estava a fazer uma curva, não me apercebi de que vinha uma pessoa na minha direcção, porque estava a mudar de música nesse momento. Auch!

- AI, DESCUL... JUSTIN!

- Olá Stephanie. Estás bem?

- Sim, estou. E tu? Desculpa, não te vi.

- Não tem problema. Sim, eu também estou bem.

- Ainda bem.

- O que é que andas por aqui a fazer?

- Costumo correr todas as manhãs. Já em Itália fazia a mesma coisa. Ajuda-me a ter uma maior resistência, assim não me canso tão depressa se tiver de correr por algum motivo.

- Se estiveres a ser seguida?

- Esse é um bom motivo, por exemplo.

- Hmmm, estou a ver. A Caitlin está em casa?

- Sim, está. Quer dizer, quando eu saí ela estava em casa. Já saí à cerca de... — Olhei para o meu relógio. — Meia hora, portanto não sei se ela ainda lá está. Mas é provável que esteja.

- Bem, vou lá ver.

- Espera, eu vou contigo. Já corri durante o tempo que costumo correr, por hoje está tudo.

Voltei com o Justin para casa da Caitlin, e assim que entrei em casa, fui direitinha para a casa de banho, para tomar um duche rápido. Depois, troquei de roupa (http://www.polyvore.com/what_about_us_ii/set?id=58202210) e voltei a descer. Fui para a sala e sentei-me ao lado do Christian, que estava a ver o filme Next, com o Nicholas Cage, que é um dos meus actores preferidos. O Justin e a Caitlin estavam na cozinha a preparar o almoço para nós os quatro (eu, o Christian, ela e o Justin). Como achei que não era justo para eles, estar sentada no sofá enquanto eles estavam a cozinhar para nós sozinhos, levantei-me e fui ter com eles à cozinha.

- Precisas de alguma coisa Stephanie? — Perguntou-me o Justin.

- Vinha saber se precisam de ajuda a fazer o almoço.

- Não, não precisamos. — Respondeu a Caitlin.

- Mas eu quero ajudar.

Mas não é preciso.

- Mas nós não precisamos.

- Oh, vá lá.

- Não precisamos de ajuda, Stephanie.

- Caitlin, não sejas tonta. Vocês não vão cozinhar sozinhos para nós os quatro, ok?!

- Porquê? Não é nada do outro mundo.

- Não acho correcto, vocês fazerem o almoço para mim enquanto eu estou sentada no sofá com o teu irmão, a ver um filme. Não acho correcto que vocês tenham tanto trabalho comigo, enquanto eu não faço nada para vos ajudar. Por favor, deixa-me ajudar-vos.

- Não é preciso.

- Vá lá.

- JÁ DISSE QUE NÃO PRECISAMOS DA TUA AJUDA!

- Caitlin, deixa de ser parva, se a Stephanie quer ajudar, deixa-a ajudar!

- Também estás contra mim, Justin?

- Eu não estou contra ti, mas também acho que estás a ser parva!

- Claro, agora a parva sou eu! Peço desculpa aos dois, por não querer que a Stephanie, a minha melhor amiga faça nada cá em casa, porque é uma convidada! E na minha opinião, os meus convidados não fazem nada, porque são convidados!

- Oh Caitlin, mas eu quero mesmo ajudar-vos! — Tentei novamente convencê-la.

- Olha, sabes que mais? Ajuda lá, então. Não és lá muito normal.

- Porque é que dizes isso?

- Porque as pessoas normais não querem fazer nada, e quando não aceitamos que nos ajudem, não insistem. E tu estás a fazer exactamente o contrário daquilo que as pessoas normais fazem.

- Já me devias conhecer Caitlin.

- E conheço!

- Então e o que é que eu posso fazer?

- Podes cortar as batatas. Depois dás-me, que é para eu as pôr a fritar.

- Está bem, é para já.

Sentei-me numa cadeira, e pûs o saco das batatas em cima da mesa. De repente, lembrei-me de que ia precisar de um tacho ou de algo parecido, para pôr lá as batatas, à medida que as ia cortando. Levantei-me.

- Preciso de um tacho.

Quando me dirigi a um armário, senti alguém pôr uma mão na minha cintura. Quando olhei para trás, era o Justin.

- Espera, eu dou-te.

- Obrigada, mas não era preciso.

- A mim pareceu-me que não conseguias lá chegar. — Ele deu-me o tacho.

- Oh, claro que conseguia.

- Está bem, podias até conseguir, mas eu sou um bocadinho mais alto que tu. Conseguia lá chegar sem me esforçar tanto como tu ias ter de te esforçar.

- Pronto, tens razão. Obrigada Justin.

- Sempre às ordens.

Eu voltei a sentar-me à mesa e comecei a cortar as batatas. Ele encostou-se à bancada.

POV Justin

Dei o tacho à Stephanie, e depois encostei-me à bancada, porque já não havia mais nada para fazer. Ela sentou-se à mesa e pegou na faca para começar a descascar as batatas, e depois cortá-las em tiras.

- És canhota, Stephanie? — Perguntei-lhe.

- Sou, porquê?

- Por nada...

- Pareceste-me espantado, por perceberes que sou canhota.

- E na verdade fiquei espantado. Eu também sou canhoto, e não é muito frequente conhecer pessoas que sejam canhotas também. Ser canhoto é uma coisa muito rara, penso que sabes isso. Não sabes?

- Também és canhoto?

- Sim, sou.

- Não fazia ideia, mas fico feliz por saber que há mais uma pessoa que seja como eu nisso. Ser canhota às vezes é um bocado estranho, porque me sinto demasiado diferente dos outros. Quase todas as pessoas são destras, e sinto-me posta de parte por ser canhota. Não é algo mau, pelo contrário, eu adoro ser canhota, mas sei lá, às vezes é estranho...

- Eu percebo. No início, quando era pequeno, também pensava assim. Ver os outros fazer tudo com a mão direita, e depois olhar para mim, e perceber que fazia tudo com a mão contrária, não era algo muito normal, no meu ponto de vista. Mas depois, à medida que ia crescendo, havia cada vez mais pessoas a dizerem “És canhoto, Justin?! Que máximo!” e comecei a habituar-me e a gostar da ideia. Ser diferente é uma coisa boa.

- Pois é, muito boa mesmo.

Ela continuou a cortar as batatas, e eu continuei ali, encostado à bancada sem fazer nada, enquanto a Caitlin temperava a carne, e depois a metia na frigideira, para a cozinhar. O almoço ficou pronto em cerca de vinte e cinco minutos, e depois foi só chamar o Christian para irmos para a mesa.