We've Got Tonight, Who Needs Tomorrow?
2 Capítulo 2 – This Feeling Inside Me
Notas iniciais
- Rachel! Rachel espere, por favor! Rachel! – Kurt gritava pelos corredores enquanto tentava alcançá-la
Rachel já estava cansada de correr e acabou desistindo. Sentou-se em uma escada e escondeu o rosto com as palmas das mãos para que ninguém que passasse a visse chorando. Kurt a encontrou e sentou-se ao seu lado. Colocou a mão sobre o ombro dela e perguntou um pouco ofegante por conta da corrida:
- O que aconteceu com você Rachel? Percebi que não estava bem desde quando entrou na sala.
- Não posso mais fazer isso, não posso mais sentir isso... dói... machuca... – ela disse em meio a soluços
- O que o Finn fez agora?
- Finn? Não... não é ele.
- Então quem é?
- Não posso dizer... desculpa, preciso ir... – ela se levantou, mas Kurt tocou seu braço levemente a impedindo de ir
- Olha Rachel, sei que não somos tão próximos, mas eu realmente quero te ajudar. Você já me ajudou com Blaine uma vez, lembra? É o mínimo que posso fazer por você.
- Obrigada Kurt, mas quanto a isso não há o que fazer...
- Não quer pelo menos me contar o que é “isso”? – Kurt observou Rachel abaixar a cabeça e a balançar negativamente — Olha, vamos fazer o seguinte – ele levantou a cabeça dela com uma das mãos de modo que ela olhasse para ele — hoje à noite vamos os dois sair para tomar um sorvete ou algo do tipo, aí se você se sentir confiante pode me contar o que está havendo, pode ser?
- Não sei se...
- Ah, vamos lá Rachel! Você precisa se distrair. Além do mais é sexta-feira! Prefere ficar em casa enrolada nos cobertores, chorando enquanto assiste romances clichês na televisão e se enchendo de chocolate rodeada de lenços de papel amassados?
O jeito com que Kurt dissera isso juntado a cena que Rachel imaginou em sua cabeça, a fizeram rir.
- Olha só! Consegui te fazer rir. – disse Kurt orgulhoso
- Tudo bem. Eu vou. – Rachel falou sorrindo o máximo que podia no momento
Kurt passou os dedos no rosto de Rachel, secando as lágrimas e sorriu vitorioso por ter a convencido.
- Agora pare de chorar e vamos para a cantina tomar um café.
- Obrigada Kurt. Por tudo.
- Você sabe que pode contar comigo. Nós do Glee Club somos uma família, lembra? Por mais que eu não te aguente às vezes por você ser extremamente tagarela e por sua mania chata de querer ser sempre a principal em tudo. Todos nós temos defeitos e nos aceitamos sem se importar com eles.
- Você tem razão.
Kurt sorriu e pegou Rachel pela mão a levando em direção a cantina.
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Quinn havia acabado de sair do banho, ainda estava enrolada em sua toalha quando recebeu uma SMS. Foi ver de quem era e revirou os olhos quando viu que era de Finn. A mensagem dizia o seguinte:
“Ei, está tudo bem? Porque não foi a aula do Mr Schue hoje? Quando ler essa mensagem me ligue, vamos marcar algo para hoje à noite...”
Ela largou o celular em cima da penteadeira e foi terminar de se arrumar. Colocou seu pijama preferido. Branco com pequenas partes rendadas. Tão delicado quanto ela. Pretendia ficar em casa pelo resto da tarde sem fazer nada. Deitou em sua cama de casal e fechou os olhos, mas os abriu logo em seguida. Pensou em talvez compor uma música. Virou-se para sua mesa de cabeceira e pegou seu caderno onde geralmente anotava suas idéias, mas não encontrou nenhuma caneta por perto. Teve então que abrir uma gaveta da mesinha para ver se havia alguma lá. Quando abriu começou a revirar a gaveta e até deixou um livro cair enquanto procurava a caneta.
- Ah, finalmente! – disse ela quando encontrou a caneta.
No momento em que foi pegar do chão o livro que havia deixado cair, percebeu que dele haviam caído alguns papéis, inclusive uma foto que dizia no verso “Da estrela mais brilhante dos palcos, para a estrela mais brilhante dos campos!” A foto era de Rachel. Quinn havia ficado responsável de sumir com a foto depois do término de Rachel e Finn. Mas ela não conseguiu. Não conseguiu jogar fora, não conseguiu colocar fogo, não conseguiu nem mesmo rasgar. Ela guardou dentro de seu livro onde ninguém nunca pudesse encontrá-la. Cada vez que olhava para aquela fotografia, o coração de Quinn disparava. Rachel estava linda. Estava com um brilho intenso nos olhos e um sorriso enorme que consequentemente fazia Quinn sorrir também. Vestia um de seus suéteres de animais que Quinn secretamente achava a coisa mais fofa do mundo, uma saia xadrez e claro, suas meias três quartos. Depois de observar a foto por vários minutos Quinn ficou pensativa. Já tinha versos de sua música prontos na sua mente. Rachel a inspirava. Mas ninguém podia saber disso. Então ela botou a foto novamente onde ela sempre esteve, guardou o livro e fechou a gaveta. Ela não aceitava o fato de que Rachel mexia com ela daquele modo. Era ótimo para Quinn pensar nela, era bom imaginar como seria se Rachel fosse só dela. Se ela a pertencesse. Se pudesse a chamar de “minha”. Mas mesmo assim insistia em negar para si mesma qualquer sentimento que pudesse ter por ela. Por isso a desprezava ao máximo. Para evitar deixar perceptível aos outros, e até mesmo à própria Rachel, seus verdadeiros sentimentos. Balançou a cabeça numa tentativa de afastar aqueles pensamentos de sua mente. Deixou para mais tarde a música que planejava escrever, levantou-se, pegou seu celular e ligou para Finn. Seu namoro com ele na verdade era mais uma distração para tentar se livrar daqueles sentimentos por Rachel, não pela popularidade como todos na escola pensavam.
- Finn?
- Oi Quinn!
- Oi, recebi sua mensagem, desculpa pela demora para te ligar, estava meio ocupada com alguns assuntos pessoais
- Tudo bem, sem problemas. Está tudo bem com você?
- Sim, tudo ótimo, por quê?
- Ah, é que você foi embora mais cedo e nem me avisou, acabei ficando preocupado.
- Oh, desculpe, me esqueci de avisar. Santana, Brittany e eu estávamos sem paciência para aguentar a aula do Mr Schue hoje, já havíamos nos estressado o suficiente com Sue então decidimos ir para casa após o treino.
- Ah, ok. Sabia que até a Rachel se preocupou com você? Pois é, foi meio esquisito, mas ela me pediu de você e parecia bem preocupada, mas depois aconteceu algo estranho com ela e...
Quinn parou de ouvir o que Finn dizia na primeira frase. Sua mente ficou confusa demais com o que acabara de escutar.
- Quinn? Alô? Você está ainda aí? – Dizia Finn percebendo que Quinn ainda não tinha dito nada a respeito
- Ra-a-achel se preocupou comigo? – Ela perguntou, gaguejando e se odiando por não conseguir disfarçar o quanto isso mexeu com ela
- Pois é, mas não deve ter sido realmente preocupação, talvez tenha sido um pretexto para puxar assunto comigo, ela ainda deve gostar de mim e talvez estivesse sentindo minha falta e...
- Porque você sempre acha que é o centro do mundo? – Quinn o interrompeu, um tanto grosseira
- Calma Quinn. Não precisa ficar com ciúmes.
- Não estou com ciúmes!
- Tudo bem, tudo bem, só se acalma.
- Tanto faz. Quer sair hoje à noite, certo? Onde pensa em me levar?
- O que acha de irmos tomar um milkshake naquela lanchonete nova que abriu semana passada?
- Ótima idéia.
- Não vai reclamar?
- Porque reclamaria?
- Ah, qual é Quinn, você nunca come ou bebe nada que engorde aí eu te convido para tomar um milkshake e você aceita assim, fácil?
- Sim, estou precisando de um pouco de açúcar.
- Percebo.
- O que disse?
- Nada não, posso passar aí pra te pegar as 19:00?
- Combinado.
- Ok então, até mais tarde linda.
- Até.
Quinn desligou e checou o relógio. Já eram quase 17:30 e ela com certeza demoraria para escolher uma roupa e se arrumar, então foi até seu guarda roupa e começou a revirá-lo a procura de algo que a agradasse. Sua mente foi invadida por pensamentos.
Finnbecil! Argh!
Achou que eu estava com ciúmes dele.
Que nojo!
Não sei como ainda aguento ficar com ele.
Que raiva!
Se eu pudesse gritar para o mundo o nome de quem realmente faz meu coração bater mais forte.
O nome de quem me faz sorrir sem ao menos me dirigir a palavra.
O nome de quem me arranca suspiros mesmo sem saber.
O nome dela.
Rachel.
Ela deve me odiar.
Ainda deve ser apaixonada pelo idiota do Finn.
E deve achar que a odeio também.
Mas se eu pudesse lhe dizer a verdade.
Se eu pudesse dizer que todo aquele desprezo é na verdade amor.
Mas eu não posso.
Não quero.
Não consigo.
Não vou.
Isso não faz sentido e é melhor continuar aqui.
Na minha mente e no meu coração.
Escondido nas letras das músicas que componho.
Um dia vai passar.
Esse sentimento tem que ir embora.
Eu sei que vai.
E não vai demorar.
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