Wesen Para Vingar

7 Espelho, espelho meu...


Notas iniciais
Ufa! Esperemos nós que eu tenha voltado à minha forma! (PS: Não voltei. Extremamente curto. SCRR) E sim, eu sei que escrevi lá na primeira temporada que Alicia tinha psicopatia, mas decidi acrescentar a esquizofrenia por dar cenários ainda melhores. Querem ver só? Quote de hoje: Mirror Mirror, uma das músicas de RWBY (sim, esse anime é minha vida, desculpe, Snowbird foreveeeeer) Boa leitura!

“Espelho, espelho meu, o que há atrás de você?”

*

Ela era tão familiar, tão igual a mim, agia como se fosse meu reflexo, mas não era. Aquela era Alicia, ainda. Nossas aparências contrastavam dramaticamente, do cabelo à maquiagem à expressão facial. Enquanto tudo em mim era negativo (quase tudo), nela tudo era mais claro e radiante.

Fora o sorriso.

O sorriso dela era maníaco. E eu, Jane, nem sorria naquele momento.

− Eu pensei que você tinha ido embora... – Sussurrei para o meu outro eu, e ergui a mão para ela, vendo como ela fazia o mesmo.

− Eu nunca vou deixar você, e você sabe disso. Nós somos uma só. Eu só não estava aqui do seu ladinho porque você não precisava de mim. Mas agora precisa. – Ela esticou a mão além do espelho e tocou meu rosto. Peguei-a pelo braço e puxei-a para fora da prisão de vidro.

− Eu preciso de você? Pra quê? Estou bem...

− Em primeiro lugar, sua woge. Por que tem que se esconder dela? – Alicia continuou tocando meu rosto, acarinhando. – Nós somos tão lindas transformadas. Somos a fúria da natureza personificada. Nada deve ficar em nosso caminho, entende, Jane? – Ela pareceu dizer meu nome com condescendência e amargura.

− Ela não é parte da Jane. – Eu respondi, meio bruta.

− Mas alguém aqui ainda precisa da Jane? – Passando os dedos pelas mechas curtas de meu cabelo, descendo pelos meus braços e, enfim, segurando minhas mãos. – Você precisa retomar a sua woge. Talvez seja necessária num futuro próximo.

E ela tinha razão. A minha woge era parte de mim. Eu era poderosa com ela. E não deveria mais negá-la.

− Mas...

− Sem mas, querida. Nós temos o poder, não podemos deixá-lo de lado, assim como você acabou de pensar. Então, hoje à noite, só álcool, me entendeu? Pode queimar todas aquelas drogas nojentas. Elas nos deixam com um cheiro amargo horrível, não entendo como você não espirra toda hora. – Ela abriu a torneira e passou um pouco de água no meu pescoço. – Segunda coisa em que você precisa de mim: o Renard.

Meu coração apertou tanto ao ouvir aquele nome que chega eu me encolhi.

− Você sabe que ele é de outra agora...

− Não! – Ela gritou e me deu um tapa no rosto. Eu senti suas garras arranharem minha bochecha e entendi ainda mais a parte do poder. Aquelas garras, elas poderiam dissuadir quase qualquer um a fazer quase qualquer coisa. – Claro que não! Sean Renard é nosso, nunca foi nem será de mais ninguém.

Vendo que eu continuava de cabeça abaixada, ela suspirou e tocou meu rosto com a ponta dos dedos, erguendo-o devagar. Alicia sorria.

− Você anda tão em negação... Ele continua nos amando com aquela mesma fúria das duas noites que passamos com ele. Você sentiu. A única coisa no nosso caminho... – Ela deu um pouco de ombros e o cantinho de seus lábios se ergueu, formando um sorriso que parecia dizer “desculpe por isso...!”. – É aquela loira grávida. Fora isso...

− E o Nick?

− Ele simplesmente não aceita, mas não pode fazer muita coisa. Se nosso irmão chiar... – Ela olhou ao redor e viu um cano, sozinho, sem conexão à tubulação. – Então ele vai sentir... – Ela tomou o cano com uma mão e fez um pouco de força. O plástico amassou na mão dela como se não fosse nada. – A dor de ficar no nosso caminho.

− Mas ele é nosso irmão!

− Mas ele precisa saber que nós podemos nos cuidar! – Ela quebrou o cano com as duas mãos, rachando-o com um som excruciante. Ela suspirou. – Enfim, me escute. Não tente mentir para si mesma, eu sou a única ouvindo, Alicia. Alicia, sim, e não Jane. – Meu outro eu confirmou antes de eu protestar. – Você ama o Sean, não ama?

Droga, eu amava ele mesmo? Eu não sabia dizer, com certeza, se aquele fogo que ardia em mim toda vez que eu o via era amor. Eu sentia, sim, uma espécie de compulsão para ficar com ele, um desejo de tê-lo ao meu lado, aquelas vezes com ele foram uma espécie de felicidade que eu nunca mais tinha sentido...

Ah, que droga.

− Acho... Que sim. – Alicia sorriu, satisfeita. – Mas...

− Então pronto. Todo e qualquer sacrifício é válido. Nick vai ficar no nosso caminho, mas... Ele só precisa saber de que queremos ser felizes e pra isso devemos ficar com o homem que amamos. Não deve ser tão difícil.

Ela andou ao meu redor, como um predador cercando um animal inocente. Ela tinha movimentos graciosos, como um gato. Aquilo era uma coisa de quase todo híbrido. Nosso stealth é muito felino. Mas eu... Ela... Éramos diferentes. A maneira que nosso corpo se mexia, o movimento dos quadris, os passos, a mão se curvando, os olhares... Quando ela me olhou, seus olhos brilhavam como ouro e rubi, veias negras e uma pele escura e ressecada circundando os olhos. Era lindo e assustador.

− Nick vai ser fichinha. Só o que sobra é Adalind. – E, do nada, todo o corpo dela se transformou, mas de uma maneira muito mais fluida que a minha, agora e sempre. Sua woge deslizou sobre a pele com uma graça estranha e incomum, e logo eu estava olhando para uma versão full woge de mim mesma. Suas garras se cravaram na palma da mão e o sangue brotou, escorrendo pelo pulso.

Alicia tinha uma beleza, graça e fúria que eu, a atual Jane, não tinha.

Achei que estava mesmo na hora de largar aquelas drogas.

− Devemos matá-la? – Questionei. – Ela está grávida.

− Sim, e esse é o grande... – Então eu tive um estalo, e quando olhei para ela para ver uma reflexão do meu próprio rosto, eu soube que ela também tinha.

− Não, isso não é um problema. – Eu disse, ouvindo um tom satisfeito e maligno na minha voz. – É...

− Uma bênção. – Ela ergueu a mão ao próprio ventre, como se contemplasse uma ideia genial, e eu sabia que sim, porque eu também estava. – Nós somos estéreis, não podemos ter nossos próprios filhos...

− Então o filho dela será nosso. Só devemos esperar que a criança nasça, o que não vai demorar muito... – Deixei em aberto para meu outro eu completar:

− E então matamos a mãe. – Nós duas abrimos os sorrisos mais malignos de nossa vida. – O Renard...

− Ele vai entender. No fim das contas...

− Nem ele ama aquela loirazeda. – Eu sorri. – Sean Renard é todo nosso...

− E nem vai reclamar quando tomarmos o lugar da esposa dele. – Alicia se aproximou de mim, com um olhar orgulhoso.

− Jane... Alicia... Eu sabia que nós finalmente nos entenderíamos! – Eu a abracei com força. – Você me aceita?

Sim, sim, sim. Eu sabia que nem precisava responder. Eu queria de volta aquela força, aquela graça, aquele poder, aquela certeza, aquela mente, aquela eu. Queria de volta meu cabelo, meu rosto, minhas garras, minhas presas, o meu lado mais poderoso.

Eu sussurrei em seu ouvido:

− Bem vinda de volta.

Pressionei mais meus braços contra ela, sentindo como começávamos a nos mesclar. Como logo não dava pra dizer onde uma terminava e outra começava.

Alicia e Jane...

E então eu estava sozinha. Mas, quando me olhei no espelho, vi meu antigo eu na reflexão.

E sabia que logo eu seria ela de novo.

*Renard*

Depois de Adalind ter voltado tarde da noite, eu estava com uma dor filha da mãe na perna, ao ponto que eu só conseguia ficar deitado no sofá gemendo de dor. Quando ela chegou e me viu naquele estado inútil, ela correu para mim.

− Amor! – Ela se agachou ao meu lado. Estava quase difícil tentar compreender o que ela estava dizendo com a dor. – A perna?

Eu assenti, cansado demais de resistir às agulhadas excruciantes na minha coxa para falar. Ela foi pegar o pote de comprimidos e uma vez na vida eu agradeci que ela estava ali, enchendo meu saco. Pelo menos Adalind era boa enfermeira.

Como a dor estava demais, eu tomei o dobro de comprimidos, apesar dos protestos irritantes (mas com seu tanto de razão) da loira ao meu lado. Ela ergueu minha cabeça e, quando sentou no sofá, a apoiou no seu colo, e por mim, que se dane, ela que fizesse o que quisesse porque eu só queria apagar pra parar de sentir dor.

Em algum momento, meu celular começou a tocar. Os medicamentos estavam fazendo efeito, então minha visão demorava a focar, e Adalind tomou o aparelho antes de eu poder ver quem ligava.

− Descanse. – Ela disse, a voz firme, enquanto se erguia e ia atender meu celular lá fora.

− Adalind... Quem é?...

Não tive resposta.

*Adalind*

Era ela.

A tal Alicia.

O que ela queria com o meu amor? Eu fiz meu máximo para manter o rosto neutro na frente do Sean, que estava meio grogue e nem percebia. Ele me perguntou quem era, mas eu não respondi, enquanto saía do apartamento para atender.

− Alô? – Eu disse, a raiva borbulhando dentro de mim.

Exatamente a voz que eu queria ouvir... – A voz dela parecia... Má. Um arrepio subiu pela minha coluna e a raiva aumentou. – Então, eu estava pensando na possibilidade da gente se encontrar, pacificamente, que tal? Eu tenho uma proposta.

Uma ideia surgiu na minha mente. Uma perversa, uma que iria dar o recado de que ela nunca mais deveria se aproximar do Renard.

− Claro. Quando?

Hm, quando você estiver livre. Amanhã, de noite? – Ela sugeriu. – Enfim, deixa eu logo te dizer o assunto. Eu quero proteger você.

Eu parei, surpreendida pelas palavras dela.

− Hm?

− Seu filho. Tem sangue de nobre. Renard não está preocupado com isso?

− Não...

Que sonso. Enfim, eu estou, porque se essa criança cair nos ouvidos da Família Real... Pode ser muito perigoso. Eu quero garantir que seu filho estará a salvo.

− E por que você se preocuparia comigo e com minha filha? – Eu a cortei, porque aquilo era estranho. – Você não tem nada a ver com nós, nem com o Renard. Vá cuidar da sua vida.

− Poxa... Me desculpa, mas eu só queria garantir que o filho do Renard permaneceria vivo. Filha. Aposto que ele deve amar muito essa criança, e eu não iria gostar se ele perdesse essa bebê porque a mãe dela não pôde lutar contra os Verraters e não tinha quem a ajudasse. Nos vemos amanhã. – Antes que eu pudesse dizer algo, ela terminou a ligação e eu fiquei ali, meio besta.

Bom, pelo menos ela não cancelou nosso encontro. Seria bom o que eu iria fazer. Iria dar o recado. E não me interessava que ela quisesse me proteger, porque se o Renard não estava preocupado, era porque não havia ameaça. Ela estava sendo falsa, queria me tirar de casa só para ver o Sean nem que fosse por dois segundos.

Voltei ao apartamento. Renard parecia estar alucinando, aqueles analgésicos eram bem fortes e ele ainda havia tomado quatro. Sua mão estava estendida, tentando pegar algo.

− Voltei... – Eu disse, calma. – Amor?

Ele olhou pra mim, confuso no começo, e seus olhos demoravam a pegar foco em mim. Depois de alguns segundos, Sean sorriu.

− Você voltou... – Ele tentou sentar, mas estava muito fraco, fora que no segundo em que ele moveu a perna, gritou de dor e caiu de volta no sofá.

− Não, não... – Aproximei-me dele e apoiei sua cabeça em meu colo, entrelaçando os dedos nos cachos negros. – Fica quietinho, descansa...

− Você promete... Que nunca mais vai embora? – A mão dele tocou meu rosto, e havia uma adoração interminável nos olhos dele.

Como eu queria que a Alicia visse aquilo, pra ela largar do pé do meu homem. Pra ela ver quem ele realmente amava! Era eu, sempre tinha sido.

− Prometo, meu amor. Eu nunca mais vou embora. – Continuei fazendo carinho, minhas unhas arranhando bem de leve a pele dele, enquanto ele tomava minha outra mão, inspirando, absorvendo o perfume da minha pele... – Quer alguma coisa?

− Fica aqui... – A mão dele mergulhou no meu cabelo. – Não me deixa, eu te amo tanto... A... – A voz dele foi falhando e ele nem chegou a completar meu nome.

− Não, nunca, amor. Pode dormir, eu vou ficar aqui com você. – Eu continuei acariciando sua cabeça, deixando que ele beijasse minha mão, sussurrando algumas coisas contra minha pele. Deus do céu, eu estava quase pegando aquele celular e filmando como ele me amava pra mostrar pra garota no dia seguinte.

Mas aí tudo se estilhaçou quando ele começou a alucinar com mais força e sua dor passou.

Uma meia hora depois, ele conseguiu se sentar e me encarou, uma mão na minha perna. Seu olhar ainda demorava a focar, mas ele parecia... Eu não saberia bem descrever. Cansado, com desejo e ainda confuso.

− Eu quero você, mon petite. – E seu rosto se aproximou do meu. – Tudo bem por você?

Nossa, como meu coração começou a bater rápido. Eu me senti energizada, excitada, ansiosa. E mais, mesmo que ele nunca tivesse me chamado de petite antes, aquela primeira vez me deixou meio mole só de sentir quanto carinho ele tinha por mim.

− Claro que sim. – E ele avançou pra minha boca, um gemido de dor escapando, mas logo seus lábios estavam pressionados contra os meus. – Mas, sua perna...

− Não estou mais sentindo dor. – E ele me puxou contra seu corpo, me colocando sentada em seu colo. – Eu quero você... – Seus lábios tocaram meu pescoço, e eu senti um arrepio. Eu sentia o desejo dele contra mim. Abri sua camisa em segundos e desci as mãos para sua calça logo em seguida enquanto Renard deslizava os dedos pela minha costa. – Alicia...

Gelei. Por dois segundos, houve um calafrio que atravessou meu corpo e me deixou em choque.

E a fúria me tomou.

Empurrei Sean de volta no sofá com toda minha força, com raiva, raiva pura me tomando.

− ALICIA? É nessa vagabunda que você tá pensando? – Fiquei de pé subitamente. Ele pareceu ainda mais confuso e entorpecido.

− Mas... – Ele nem pôde dizer mais nada, porque apagou em cima do sofá, quase caindo no chão. Foi engraçado mas irritante.

A fúria nem sequer me deixava raciocinar direito. Minha mente era um borrão de imagens, com um só pensamento claro: fazer a garota Alicia pagar. Machucá-la gravemente.

Peguei o celular de Sean, o que eu precisaria para destruí-la e saí do apartamento. Liguei para ela e não demorou para a vagabunda atender.

Renard, sua esposa não vai...

− Sou eu – Vociferei, com raiva. – Quero ver você agora. Tenho umas coisas a discutir.

Ela ficou calada enquanto eu escondia as coisas na bolsa e pegava o elevador. Só voltou a falar quando eu tinha apertado o botão:

Achei que não queria.

− Bom, eu tenho umas coisas a discutir com você que não se referem a sua proposta. Mas você pode tentar me convencer. – Pensei em um bom lugar e logo tive uma ideia. Era tarde da noite, não haveria ninguém por lá, um lugar deserto, um bequinho perto da periferia. – Me encontre no lugar que vou te mandar. – Desliguei o celular sem deixar brecha para questionamento.

*Juliette*

O medo se espalhava por mim inteira enquanto eu ligava para a minha irmã mais velha, Daphne.

Eu nunca havia sentido medo daquele jeito, toda vez que Nick estava perto de mim eu me sentia gelada, aterrorizada com a ideia do que ele era capaz de fazer comigo. Quando ele me tocava, quando me beijava, ele poderia até estar em outro cômodo que a ideia de ele descobrir me deixava tremendo.

Irmã? – A voz da minha irmã me deu esperança e mais medo ainda. – Eu pensei que tivesse esquecido da família! Estava morrendo de saudades!

− Daphne, é bom ouvir sua voz, mas não estou com tempo pra conversinhas. Precisamos nos ver, e logo. Temos muito a conversar. – A outra ruiva ficou calada por dois segundos, provavelmente refletindo.

Bom, eu posso ver quando tenho um tempo livre. Por que tanta urgência, irmã?

− Porque eu descobri tudo, o segredo da nossa família inteira, e agora estou com o pescoço na corda por causa dele! – Eu disse, daquele jeito de entonação forte que fazia um sussurro parecer um grito. Ouvi o pequeno ofegar dela lá pra San Francisco. – Por que, Daphne? Por que nunca me contaram sobre... Isso? Por que eu sou diferente?

Isso não é coisa de se falar no telefone, Julie. – Ouvir ela me chamar do jeito que sempre me chamou quando eu era pequena, principalmente quando morávamos com minha avó, me fez ficar nostálgica. – Olha, eu vou ver quando tenho tempo para viajar para Portland, e a gente se vê. Tudo bem por você?

− Olha... Eu estou pensando em ir eu mesma. – Olhei para cima, para o teto, para a direção na qual estava nosso quarto, onde Nick estava dormindo. – Mas me mande uma mensagem informando a data, tudo bem?

Tudo bem, por mim. Acho que seria bom chamarmos a Diana, assim, para todas nós nos vermos. Ela me ajudaria a explicar tudo, também. – Minha irmã falou, com a voz sempre controlada e firme. – Desculpe, Juliette. Mas eu prometo que explicarei tudo.

− Bom mesmo. Irmã. – Eu disse, com ênfase, para que ela entendesse o tamanho da traição que tinha me sido aquilo. Ela tinha me escondido algo que poderia ter me ajudado tantas vezes a entender tantas coisas. Ela havia me escondido de mim mesma, escondido parte da nossa família. – A gente se fala.

Desliguei e afundei a cabeça no meu colo, nervosa, tremendo. Eu teria que enfrentar minhas duas irmãs sobre praticamente a minha vida inteira. Aquilo me deixava agoniada demais.

Quase tanto quanto saber que eu era Hexenbiest e namorada de um Grimm.

E que meu próprio namorado me mataria se soubesse.*

*Alicia*

E lá estava eu.

Eu deveria ter desconfiado, realmente deveria, deveria ter me armado, deveria ter me preparado. Por que diabos uma grávida me pediria pra ir em um beco escuro, escondido, sem ninguém ali?

Provavelmente meu raciocínio havia sido comprometido pelo fato de que eu estava com uma garrafa inteira de uísque no organismo. E tudo que eu tinha era minha faca.

Esperei lá por uma meia hora, e justo quando eu estava pensando em ir comprar um pouco de cigarros, um carro apareceu. O do Renard.

Lembrar que meu primeiro beijo tinha sido naquele carro, com aquele homem, me fez sorrir involuntariamente.

A loira saiu dali, e ela não parecia nada calma, ou bem, ou sequer capaz de se controlar. Suas pisadas eram firmes e eu me questionei mais uma vez como ela conseguia andar com aqueles sapatos estando grávida.

− Chegou a madame. – Eu disse, as mãos enfiadas nos bolsos. – Achei que não viria, eu já estava quase indo.

− Calada, estou sem paciência. – Eita, delicada que nem mula com dores de parto. – Então, vamos conversar sobre o que você quer primeiro. Você quer me proteger.

− Exato. E não sei porque você não aceita.

− Porque você está inventando desculpas. – Inclinei uma sobrancelha. Mas que história é essa, agora? – Você só quer ficar perto dele, quer ele pra você. Mas, deixa eu te dizer, não vai acontecer. Nós temos uma família, nós nos amamos, e é a mim que ele quer.

Eu ri da inocência dela.

− Sim, vocês tem uma família, eu respeito isso e nem quero roubar o Renard de você. Seria muita crueldade com essa criança. Mas eu quero garantir que ela fique viva. – Apontei pra barriga dela. – O Renard quer essa criança viva, até onde eu saiba.

− Sim. E se ele não está preocupado em proteger a nossa filha, é porque não há perigo, e eu desconfio que isso tudo seja um papinho ridículo seu. – Dei de ombros. Não havia muito que eu pudesse fazer, mesmo. – Só pra ficar perto dele.

− Bom, se não quer, o problema já é seu, moça. – Dei as costas para ela, indo na direção da minha moto, mas ela me chamou.

− Ei, Alicia. – Revirei os olhos, mas não me virei. – Ainda temos um assunto a conversar.

E aí sim eu me virei.

Que erro, meu Deus.

Um pó foi jogado no meu rosto, e eu engasguei por tê-lo inalado em tanta quantidade, e ele entrou nos meus olhos e começou a arder demais, e era pimenta. Gritei de susto e fechei meus olhos e tossi, desesperada para me livrar da pimenta.

Adalind me empurrou contra a parede e eu abri os olhos, para tentar ver o que ela iria fazer.

Erro.

O segundo maior erro.

Porque ela enfiou uma faca no meu olho e a partir daí, tudo foi dor. Eu gritei, gritei, gritei, mas ainda pude ouvir ela dizer:

− Isso é o que você ganha por ficar querendo o meu marido, o meu homem, minha alma gêmea. Se encostar nele mais uma vez, eu mato você. Tá me entendendo? Mato. Você.

Daí pra frente, pra ligar pro Michael pedindo ajuda, foi só com um olho.

Notas finais
Eu falei pra mim mesma que postava até às 23:59 de hoje, e tô dentro do prazo. YAY Então, só pra esclarecer: Juliette sendo Hexenbiest era originalmente a minha ideia. Eu não peguei ela da série. Juro por minha vida, pela da minha mãe, e pelo avião que eu vou pegar (que ele não caia, amém). A ideia era originalmente minha e podemos até bater uns papo sobre isso. Mas enfim. Espero que gostem e nos vemos nos comentários!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.