Werewolf Fever
25 24 - Quebrando as Regras
Notas iniciais
Eu estava cansada, cansada de ficar trancada na minha casa e não ir para o trabalho. Eu estava com nojo, eu poderia ir para a escola, mas não para a delegacia? A escola era cheia de estudantes indefesos — tirando os com poderes sobrenaturais -, enquanto a delegacia estava cheia de policiais armados, e várias celas.
Eu estava deitada na cama, e então imediatamente peguei meu travesseiro para abafar o grito raivoso que eu iria dar. Eu ia ir. É, eu ia ir naquela porcaria de delegacia.
Abri o meu closet e tentei localizar a roupa mais estilosa que eu tinha. Bufei ao perceber que não tinha nada, nada. Eu tinha que ir às compras, porque a situação estava embaraçosa. Só tinha milhares de flanelas, calças jeans, alguns vestidinhos, e uma... saia de couro preta. Ah sim, isso sim. Joguei aquela saia em cima da cama e peguei uma blusa vermelha sangue, que iria combinar perfeitamente. Eu estava pronta para chegar naquela delegacia pela segunda vez como se fosse uma celebridade, pronta para sambar na cara de todo mundo e falar que eu não sou covarde, que eu não iria ficar dentro de casa debaixo dos cobertores enquanto minha mãe estava assassinando muitos por ai.
Quando enfim me vesti, aproximei-me do espelho e soltei meus cabelos pela primeira vez que eu entrei nessa cidade. Olhei meu reflexo no espelho, e agora estava me perguntando porquê de nunca tê-los soltado antes. Eles eram lindos, se me permitem dizer. Volumosos e cacheados, castanhos. Olhei para os meus pés, e tomei um balde de água fria. Saltos, eu precisava de saltos. Saltos, uma coisa que me abominava, eu nem sabia se tinha algum. Bufei e me dirigi até a sapateira, e para minha surpresa, havia um ali, que combinava perfeitamente com aquela roupa que eu estava. Eram os saltos do meu aniversário de 15 anos, eu tinha certeza. Calcei-os relutantes, quase chorando por colocar aquilo nos meus pés, porém hoje, somente hoje, eu deveria demonstrar que eu não estava ligando por ser alvo de uma assassina psicopata lobisomem.
Desci as escadas, peguei meus óculos escuros que eu quase nunca usava e peguei minha mochila surrada que não combinava nem um pouco com a roupa que secretárias de filme pornô usavam.
O problema era que, eu não tinha carro para ir. Ou seja, ir de ônibus ou caminhando. Suar era uma coisa que eu realmente não queria, então...
.
Coloquei meus óculos escuros e desfilei até a delegacia, eu estava com um olhar superior, mas internamente estava fraquejando e morrendo de vontade de sair correndo.
Entrei na sala onde todos estavam trabalhando atentamente olhando seus computadores, e localizei Parrish, que em um momento estava olhando totalmente indiferente a papelada na sua frente, e no outro estava me encarando boquiaberto engolindo em seco. Eu murchei um pouco, devo admitir.
Sentei-me na mesa de Parrish, tentando ignorar o quão desconfortável eu estava naquela saia apertada — que graças aos deuses não era muito curta — e roubei umas das folhas que Parrish estava encarando anteriormente.
— Você parece uma secretária de filme pornô — ouvi ele sussurrar pra mim.
— Eu sei, certo? — Sussurrei de volta, dando uma risadinha depois, e ele não me acompanhou. — O que?
— Você não deveria estar aqui. Derek vai me matar se descobrir que eu te deixei trabalhar! — Exclamou Parrish.
— Eu posso garantir que se eu não trabalhasse hoje, quem iria te matar era eu! Não aguento mais ficar em casa... — murmurei, e depois me dei conta do que ele havia falado. — Ele que disse pra você me deixar de folga? — Perguntei incrédula.
— Sim, mas ele não precisava ser muito persuasivo. Eu também acho que é uma má ideia vir aqui.
— Você é burro ou o quê?! Ir na escola é muito mais perigoso do que ir numa delegacia cheia de policiais armados!
Parrish pareceu pensar por um momento, logo pude sentir que ele estava se dando um tapa mentalmente, em Derek também.
— É mesmo... — Ele sussurrou aéreo. — Mas aproveitando sua companhia, olha isso aqui — ele me passou mais uma das fotos que ele analisava, e era um homem com um corte totalmente reto em sua garganta, como se tivesse sido uma navalha. Se eu não fosse “profissional” no assunto, poderia até dizer que foi suicídio ou algo do tipo. — Eu tenho dúvidas se foi um humano ou lobisomem.
— Lobisomem, com certeza.
— Por que tanta certeza? — Ele arqueou as sobrancelhas.
— Porque minha “mãe” é louca — disse. — Ela usou apenas o indicador pra fazer esse corte, talvez para brincar com as nossas cabeças, eu não sei. Está vendo isso? — Mostrei para ele minha garra do indicador, e logo cortei uma parte do meu pulso em uma linha reta, mostrando o quão fácil era.
— Esconde isso! — Ele mandou. — Não sabia que era tão fácil assim.
— Ah, é sim — dei um sorriso de canto.
Parrish pegou a foto e escreveu “assassinato” nela. Tenho pena dele, se não fosse eu aqui...
.
— Agora que você me ajudou com a metade dos homicídios que sua mãe fez, já podemos ir — falou Parrish amontoando todos os papéis e colocando-os no canto da mesa.
— “Podemos”? Eu não preciso de babá, não precisa me acompanhar até minha casa.
— Sim, eu preciso. Já são oito horas da noite e seu tio não vai pra casa muito cedo — disse ele com um olhar que eu não consegui identificar, já levantando da mesa, prestes a ir embora. Fiz o mesmo, já que não poderia contestar contra isso.
— Vai ficar me vigiando também? — Perguntei já me dirigindo até a saída da delegacia.
— Sim, e dessa vez prefiro ficar dentro da sua casa. Dentro do carro não é muito confortável — ele disse, fazendo uma falsa expressão de desconforto.
— Eu sei que você só quer ver os canais de esporte que meu tio assinou — lancei-o um olhar nada legal, já que ele estava com uma segunda intenção, que ao menos eu notei.
— Como você sabe? — Ele me olhou indignado.
— Porque eu sei como o meu tio se gaba — eu sorri. Entramos na viatura de polícia que Parrish insistia em não largar, em direção à minha casa.
— Meu tio sabe disso tudo? — Perguntei referindo-me ao “alvo” que eu era, tentando afastar o silêncio que eu não estava gostando.
Parrish deu uma breve olhada pra mim e disse:
— Sim, inclusive ele também deu a ideia de você não ir à delegacia.
Revirei os olhos, eles realmente não pensavam. Delegacias são mil vezes mais seguras que escolas. Só não sabia quando eles iriam notar isso.
Chegamos na minha casa, e ao sair do carro joguei a chave para ele abrir a porta, eu estava tão cansada que nem colocar a chave na maçaneta eu queria. Não sei de onde esse cansaço repentino surgiu, apenas sei me dominou inteira.
Enquanto Parrish abria a porta — devo acrescentar que com muita dificuldade — eu encarava o horizonte que estava totalmente escuro por causa da noite, estava apenas com algumas nuvens que mal podiam ser enxergadas. Um ruído mínimo chamou a minha atenção, e olhei para a rua escura por causa da iluminação precária que havia ali. Enxerguei pés, e logo subi meu olhar para ver de onde eles pertenciam. E lá estava ela, com seus cabelos castanhos ondulados, feições bem marcadas, e um sorriso maligno em seu rosto. Meus cabelos achocolatados ricochetavam em meu rosto por causa do vento violento que surgiu. E minha então descoberta mãe adotiva — Anne — continuava lá, seu sorriso aumentava ainda mais, encarando-me em provocação, vendo se eu faria alguma coisa. Só então me dei conta do que realmente estava acontecendo, Anne, uma assassina, estava bem na minha frente enquanto Parrish ainda tentava abrir a porta. Virei-me rapidamente pra ele, puxando seu uniforme.
— Parrish — o chamei assustada, puxando seu braço para ele virar-se e ver quem estava na nossa frente. — É ela.
Jordan virou-se e encarou o que eu estava olhando anteriormente, nem tive coragem de virar, não queria ver aquela mulher outra vez. Olhei para Parrish, esperando ver alguma expressão horrível sair de seu rosto, no entanto, surpreendi-me, ele estava confuso, e não assustado. Fiquei confusa também, já que deu a entender que ele sabia exatamente de quem eu estava falando quando eu o puxei.
— O que? — Perguntou ele, e por isso me virei para ver o porquê da sua confusão. Fitei a rua novamente, e não tinha nada. Nenhum sinal de que ela já esteve aqui. Abaixei meu olhar e apertei o casaco que Parrish havia me dado por causa do frio.
— Nada, pensei ter visto algo — disse, peguei a chave da mão de Parrish e abri a porta de casa, totalmente decepcionada. — Vamos entrar.
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